Hanseníase



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Perfil Epidemiológico da Hanseníase no Estado de Goiás

Denise Ferreira de Freitas

A Hanseníase é uma doença infecto-contagiosa CURÀVEL de evolução lenta causada pelo Mycobacterium leprae, e se manifesta principalmente através de sinais e sintomas dermatoneuralógicos. Sendo considerada um sério problema de Saúde Pública pelo comportamento endêmico com elevada infectividade, porém baixa patogenicidade e considerável potencial incapacitante.

A assistência integral do paciente deve ser garantida em todos os aspectos, incluindo desde o diagnóstico e tratamento que é eminentemente ambulatorial, até as ações de reabilitação física.

Os primeiros casos de Hanseníase registrados no Brasil ocorreram no ano de 1600, no estado do Rio de Janeiro. Em 1920 por ocasião da criação do Departamento Nacional de Saúde Pública foi instituída a Inspetoria de Profilaxia da Lepra. A extensão da assistência aos familiares dos pacientes e a criação de ligas de caridade, ocorrem em 1935, quando foi elaborado um plano de ação mais abrangente. Em 1941 foi criado o Serviço Nacional de Lepra. (Maurano 1944).

Desde 1943 a Hanseníase é considerada doença de notificação obrigatória em todas as Unidades Federadas do Brasil. Em 1962, o Decreto Lei Nº 968 de sete de maio de 1962, estabelece o fim do isolamento dos pacientes ((Ministério da Saúde 1962). Em 1970, o termo “lepra” é substituído por HANSENÍASE, com o propósito de diminuir o estigma que ainda existe.

Em 1975 foi criada a Divisão Nacional de Dermatologia Sanitária (DNDS) em substituição ao Serviço Nacional de Lepra. Em 1985, o Programa Nacional de Hanseníase propõe a implantação do esquema terapêutico Poliquimioterapia (PQT/OMS), duração fixa.

Considera-se um caso de hanseníase a pessoa que apresenta um ou mais dos seguintes sinais cardinais e que necessita de tratamento poliquimioterápico:



  1. lesão (ões) e/ou área (s) da pele com alteração de sensibilidade;




  1. acometimento de nervo (s) periférico (s), com ou sem espessamento, associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas;



  1. baciloscopia positiva de esfregaço intradérmico.

A Hanseníase é uma doença de notificação compulsória em todo o território nacional e de investigação obrigatória. Os casos diagnosticados devem ser notificados, utilizando-se a ficha de notificação e investigação do Sistema de Informação de Agravos de Notificação/Investigação – SINAN.


  1. Vigilância Epidemiológica

A vigilância epidemiológica envolve a coleta, processamento, análise e interpretação dos dados referentes aos casos de hanseníase e seus contatos.

A produção e divulgação das informações subsidiam análises e avaliações da efetividade das intervenções e embasam o planejamento de novas ações e recomendações a serem implementadas.

A vigilância epidemiológica deve estar organizada em todos os níveis de atenção, da unidade básica de saúde à atenção especializada ambulatorial e hospitalar, de modo a garantir informações sobre a distribuição, a magnitude e a carga de morbidade da doença nas diversas áreas geográficas. Ela propícia o acompanhamento rotineiro das principais ações estratégicas para o controle da hanseníase.


  1. Situação Epidemiológica.

Gráfico 1

Detecção de Hanseníase por 100.000 habitantes no Estado de Goiás, 2005 a 2010*.


*Dados sujeitos a alterações

Fonte: SINANNET/SSIS/GVE/SPAIS/SES-GO


Gráfico 2.

Coeficiente de Detecção de Hanseníase por 100.000 habitantes em menores de 15 anos no Estado de Goiás 2005 a 2010*.


*Dados sujeitos a alterações

Fonte: SINANNET/SSIS/GVE/SPAIS/SES-GO


No Estado de Goiás no período de 2005 a 2010* (dados sujeitos a alteração) foram detectados 15.778 casos novos e coeficiente de detecção apresentou variação de 56,3/100.000 habitantes a 28,3/100.000 habitantes, com parâmetro Hiperendêmico prevalente. Com relação aos casos novos de hanseníase em menores de 15 anos no período em questão foram detectados 812 casos, com coeficiente de detecção variando de 10,3/100.000 habitantes a 5,7/100.000 habitantes, considerado Alto conforme os parâmetros estabelecidos.

No período em estudo a ocorrência dos casos novos vêm apresentando manuntenção da transmissão da infecção pelo Mycobaterium leprae.

Gráfico 3.

Percentagem de Casos Novos de Hanseníase com Grau de Incapacidade Avaliado e com Incapacidade Física no Estado de Goiás 2005 a 2010*.


*Dados sujeitos a alterações

Fonte: SINANNET/SSIS/GVE/SPAIS/SES-GO

A Hanseníase pode apresentar deformidades e para evita-las, os serviços dêvem estar organizados, sendo fundamental a avaliação do Grau de Incapacidade Física, bem como o desenvolvimento de atividades de Prevenção de Incapacidades, o doente deve ser tratado e curado sem deformidades.

Observa-se que no período 2005 a 2010* os casos novos avaliados apresentou variação de 94% a 92%, considerado BOM, conforme os parâmetros estabelecido. Os percentuais de Incapacidades Físicas apresentado no período observado considera-se de media magnitude, com variação de 7% a 4%.

Gráfico 4.

Percentagem de Cura entre os casos novos de Hanseníase nos anos das COORTES no Estado de Goiás 2005 a 2010*.


*Dados sujeitos a alterações

Fonte: SINANNET/SSIS/GVE/SPAIS/SES-GO

O percentual de casos curados de hanseníase no período em análise registrado foi de 81% a 73% com parâmetro Regular e Precário.


Gráfico 5.

P


*Dados sujeitos a alterações

Fonte: SINANNET/SSIS/GVE/SPAIS/SES-GO


ercentual de Contatos Examinados dos Casos Novos de Hanseníase no Estado de Goiás 2005 a 2010*.

A avaliação dermatoneurológica nos contatos intradomiciliares entre os casos novos, é uma importante atividade na quebra da cadeia de transmissão da doença. No período em questão apresentou variação de 72% a 47% (* dados sujeito a alteração) com parâmetro Precário.



Comentários

Observa-se a necessidade de melhorar a qualidade das informações, em função de problemas apresentados nas versões do sistema, nos diversos níveis.

Considerando que os indicadores avaliados neste período apontam para uma manutenção da endemia hansênica no Estado, faz-se necessário intensificar as atividades de controle nos municípios, desenvolver estratégicas educativas com participação da comunidade, aprimoramento do sistema de informação e o compromisso efetivo dos gestores são fatores importantes para o desenvolvimento das ações de controle e redução da endemia no Estado de Goiás.

Referências Bibliográficas

Maurano J 1944 Tratado de Leprologia – História da Lepra no Brasil e sua distribuição Geográfica. Serviço Nacional de Lepra – Ministério da Educação e Saúde, Rio de Janeiro.


Ministério da Saúde do Brasil 1962. Decreto Nº 968 de 1-5- 1962. Departamento Nacional de Saúde.
Ministério da Saúde do Brasil – 2008. Vigilância em Saúde: Situação epidemiológica da hanseníase no Brasil.
Ministério da Saúde do Brasil – 2010 – Portaria Nº 3.125, de 7 de outubro de 2010.




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