Hanseníase: correlação entre a proporção de casos curados e a cobertura populacional da estratégia saúde da família em cidades do Paraná que fazem fronteira com Paraguai e Argentina



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Hanseníase: correlação entre a proporção de casos curados e a cobertura populacional da estratégia saúde da família em cidades do Paraná que fazem fronteira com Paraguai e Argentina
Keurilene Sutil de Oliveira(PIBIC/Ações Afirmativas/Fundação Araucária/Unioeste), Reinaldo Antonio da Silva Sobrinho(Orientador), e-mail: reisobrinho@yahoo.com.br.
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Educação, Letras e Saúde/Foz do Iguaçu-PR
Grande área e área: Ciências da Saúde - Enfermagem
Palavras-chave: hanseníase, epidemiologia, avaliação em saúde
Resumo
A hanseníase é uma doença infecto contagiosa, causada pelo Mycobacterium leprae. A procura pelo atendimento é influenciada, especialmente em regiões fronteiriças empobrecidas, pela concepção integral do SUS. Considerando todas atividades que devem ser incorporadas pela ESF, este estudo objetivou correlacionar as variáveis de cura da hanseníase e a cobertura populacional da ESF em cidades do Paraná que fazem fronteira com Argentina e Paraguai, foram selecionadas as cidades com caso diagnosticado em todos os anos da série. Estudo ecológico descritivo de série temporal, compreendendo os anos de 2002 a 2014, com total de 1.362 casos novos. Buscou-se os casos de hanseníase no ano de 2014, utilizou-se o banco público do Datasus, denominado TabNet-Hanseníase 2.4, versão 2012. A cobertura populacional da ESF foi obtida na Sala de Apoio a Gestão Estratégica do MS. Para comparar os indicadores foi aplicado a correlação de Pearson. Destacou-se o município Foz do Iguaçu que não alcançou cobertura da ESF superior a 50%, em contrapartida a cura apresentou-se acima de 80%, exceto em 2010, com percentual de 70%, e correlação de 0,39, ou seja, as duas variáveis não dependem linearmente uma da outra. A análise das correlações de Pearson apresentou valores de correlação que variaram de 0,16 a 0,4. Verificou-se que o aumento do percentual de cobertura ESF não traduziu aumento na proporção de casos curados, não houve correlação para sugerir impacto da ESF na cura. Os resultados sinalizam necessidade de investimento em pesquisa para entendimento do modelo de atenção a saúde proposto para controle da hanseníase.
Introdução
A hanseníase é uma doença infecto contagiosa com evolução lenta, causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Manifesta-se principalmente por meio de sinais e sintomas dermatoneurológicos, sendo estes, lesões de pele e lesões de nervos periféricos (Moreira et al., 2014).

Apesar de todo o conhecimento já existente, ainda se observa grande estigma e preconceito, dificultando a execução de medidas de controle e profilaxia (Moreira et al., 2014).

A procura pelo atendimento é influenciada, especialmente em regiões fronteiriças empobrecidas, pela concepção integral do Sistema Único de Saúde (SUS). Uma parcela da população estrangeira acorre ao SUS como forma de aceder aos benefícios sócio-assistenciais favorecidos pelo ingresso no sistema (Nogueira et al., 2014).

A atenção básica deve incorporar em seu elenco de atividades a disponibilização de recursos e a divulgação de informações relacionadas aos sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento pela poliquimioterapia, avaliação, prevenção de incapacidades, busca ativa e ao controle de comunicantes (Lana et al., 2011).

Porém em termos de resolubilidade vem sendo apontadas fragilidades nas unidades básicas de saúde, se tornando um dos problemas para a manutenção da estratégia de mudança de um modelo assistencial descentralizado, sobre tudo no que se refere ao fluxo hierárquico para o atendimento (Ferreira et al., 2010).

O indicador de proporção de cura é utilizado para avaliar a efetividade do tratamento. Considerando, portanto, todas atividades que devem ser incorporadas pela Estratégia Saúde da Família (ESF), este estudo objetivou correlacionar as variáveis de cura da hanseníase e a cobertura populacional da ESF em cidades do Paraná que fazem fronteira com Argentina e Paraguai.


Materiais e Métodos

Estudo ecológico descritivo de série temporal, compreendendo os anos de 2002 a 2014, com total de 1.362 casos novos. Buscou-se os casos de hanseníase no ano de 2014, utilizou-se o banco público do Datasus, denominado TabNet-Hanseníase 2.4, versão 2012. O cálculo e análise dos dados foram realizados de acordo com parâmetros definidos para o controle da hanseníase pelo Ministério da Saúde (MS). A cobertura populacional da ESF foi obtida na Sala de Apoio a Gestão Estratégica do MS.

O local de estudo compreendeu as cidades paranaenses que fazem fronteira com Paraguai e Argentina, sendo selecionadas somente as cidades com caso diagnosticados em todos os anos da série.

Para comparar a proporção de cura e a cobertura populacional da ESF em cada sítio da pesquisa foi aplicado a correlação de Pearson.


Resultados e Discussão
No ano de 2010 a queda na proporção de cura foi uniforme entre os municípios e, igualmente a cobertura da ESF. Neste estudo destacam-se o município de Foz do Iguaçu (PR) que ao longo da série histórica não alcançou cobertura da ESF superior a 50%, em contrapartida a cura apresentou-se sempre acima de 80% exceto no ano de 2010, com percentual de 70%, neste município a correlação de Pearson foi de 0,39 o que significa que as duas variáveis não dependem linearmente uma da outra (Filho et al., 2014).

Santa Helena (PR) apresentou a cobertura da ESF com curva de tendência negativa, no entanto a de proporção de cura apresentou resultado positivo com oscilações de queda nos anos de 2009 e 2010. Seu coeficiente de Correlação de Pearson foi de 0,17 apresentando pouca relação entre as variáveis, pois quanto mais próximo ao 0, menor é a força de relação (Filho et al., 2014).

A cidade de Capanema (PR) apresentou tendência positiva quanto à cobertura da ESF a partir de 2006, porém obteve uma queda na proporção de cura a partir do ano de 2010 apresentando uma correlação de Pearson de 0,40. Mesmo as duas variáveis não dependendo linearmente uma da outra, pode existir uma dependência, ou seja, o resultado 0 deve ser investigado por outros meios não abordados neste trabalho (Filho et al., 2009).

Na cidade de São Miguel do Iguaçu (PR) a proporção de cura predominou-se regular, com quedas significativas nos três últimos anos da série. Em relação a cobertura da ESF apresentou uma tendência negativa, apenas no ano de 2014 alcançou uma cobertura de 96%. A correlação entre as variáveis foi de 0,25.

Em Marechal Candido Rondon (PR) a cobertura da ESF expôs uma curva negativa, sendo que durante os anos de 2005 a 2009 a cobertura populacional foi 0%. No entanto a cura obteve quedas significativas apenas nos anos de 2005, 2010 e 2014 com coeficiente de correlação de Pearson de 0,16.

A proporção de cura em Guaíra (PR) apresentou-se positiva na maioria dos anos da série estudada, em contrapartida a cobertura da ESF foi baixa em todos os anos, apresentando correlação de 0,2.



A análise das correlações de Pearson apresentou valores de correlação que variaram de 0,16 a 0,4. Uma correlação de valor zero significa que as variáveis são ortogonais entre si, pois quanto mais próximo de 1 mais forte é o nível de associação linear entre as variáveis e quanto mais próximo de zero, menor é o nível de associação (Filho et al., 2014).
Conclusões
Verificou-se que o aumento do percentual de cobertura ESF não traduziu aumento na proporção de casos curados, não houve correlação para sugerir impacto da ESF na cura, municípios com baixas coberturas apresentaram melhores percentuais de cura (alguns casos) em relação a municípios com 100% de cobertura. Os resultados sinalizam necessidade de investimento em pesquisa para entendimento do modelo de atenção a saúde proposto para controle da hanseníase.
Agradecimentos
À Fundação Araucária e aos integrantes do Laboratório de Epidemiologia e Estudos Operacionais em Saúde – LEO/Unioeste Foz do Iguaçu.
Referências
Ferreira, S.M.B., Ignotti, E., Senigalia, L.M., Silva, D.R.X. & Gamba, M.A. (2010). Recidivas de casos de hanseníase no estado de Mato Grosso. Rev Saúde Pública 4, 650-7.
Filho, D.B.F. & Júnior, J.A.S. (2009). Desvendando os Mistérios do Coeficiente de Correlação de Pearson. Revista Política Hoje 18, 115-146.
Filho, D.B.F., Rocha, E.C., Júnior, J.A.S., Paranhos, R., Neves, J.A.B. & Silva, M.B. (2014). Desvendando os Mistérios do Coeficiente de Correlação de Pearson: O retorno. Leviathan Cadernos de Pesquisa Política 8, 66-95.
Lana, F.C.F., Carvalho, A.P.M. & Davi, R.F.L. (2011). Perfil epidemiológico da hanseníase na microrregião de Araçuaí e sua relação com ações de controle. Esc Anna Nery 15, 62-67.
Moreira, A.J., Naves, J.M., Fernandes, L.F.R.M., Castro, S.S. & Walsh, I.A.P. (2014). Ação educativa sobre hanseníase na população usuária das unidades básicas de saúde de Uberaba-MG. Saúde e debate 38, 234-243.
Nogueira, V.M.R. & Fagundes, H.S. (2014). A implementação do sis fronteiras – perspectivas para a ampliação do direito à saúde na fronteira arco Sul. Serv. Soc. & Saúde 13, 245-260.




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