Hagiografia do mês de outubro – Santa Brígida da Suécia – 8/10



Baixar 9.96 Kb.
Encontro21.12.2018
Tamanho9.96 Kb.

Hagiografia do mês de outubro – Santa Brígida da Suécia – 8/10.


    

 

     Santa Brígida, descendente de nobre estirpe da Suécia, figura entre os santos mais privilegiados da Igreja Católica. O ano de seu nascimento foi provavelmente o de 1302. Orfã de mãe desde a mais tenra idade, foi educada por uma parenta próxima.



     Brígida tinha 10 anos, quando ouviu um sermão sobre a Paixão de Nosso Senhor, que muito a impresionou. Na noite seguinte, Cristo lhe apareceu em sonhos, crucificado, todo ensanguentado e chagado. A menina, tomada de profunda compaixão, perguntou:

     _ Senhor, quem vos maltratou desta maneira?

     Cristo respondeu-lhe:

    _ Foram aqueles que desprezaram meu amor, isto é, aqueles que transgridem os meus mandamentos e se mostram ingratos ao amor infinito que lhes dedico.

     Esta visão e as palavras de Nosso Senhor ficaram gravadas na memória da menina, que desde aquela hora manteve uma devoção terníssima à Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.

     À primeira visão seguiram-se outras mais, principalmente na hora da oração. Rara era a noite que Brígida não se levantasse, para passar umas horas em meditação.

     Muitas maneiras inventava seu amor para castigar o corpo e deste modo no sofrimenmto se unir àquele que tanto sofreu por nossa causa.

     Obedecendo a uma ordem do pai, teve de contrair matrimônio com Ulfo, príncipe da Nerícia. Brígida contava apenas 13 anos. Tanta força moral tinha sobre o marido, que este em pouco tempo se tornou piedoso católico praticante, quando antes era amigo do jogo, do luxo e pouco afeito às práticas religiosas.

     Ambos entraram na Ordem Terceira de São Francisco. A casa transformou-se-lhes então em uma espécie de convento, em que eram praticadas as mais duras mortificações. Este espírito de piedade e temor de Deus soube o piedoso casal comunicar aos empregados e subalternos.

     Tiveram oito filhos, sendo quatro homens e quatro mulheres. dois filhos homens morreram na meninice e outros dois faleceram numa viagem à Terra Santa. Duas filhas, que ficaram em companhia da mãe, eram modelos de virtude e edificação a todos com seu exemplo. Uma outra fez-se religiosa e santificou-se no convento. A mais nova, Catarina, teve as honras dos altares da Igreja. De tudo isto se conclue que Brígida soube dar aos filhos uma educação primorosa. Ela mesma os instruiu na santa doutrina e na arte de viver santamente. Pela palavra e pelo exemplo ensinou-lhes a praticarem as obras de misericórdia, penitência, mortificação e piedade.

     Com licença do esposo, fundou um hospital, figurando ela mesma entre as enfermeiras, servindo os mais pobres e abandonados. Os serviços mais humildes reservava para si, chegando a lavar e beijar os pés dos pobres enfermos.

 Em certa ocasião, em companhia do marido, fez uma viagem  ao túmulo de São Tiago, em Compostela. Na volta o companheiro adoeceu gravemente. Numa visão, São Dionísio lhe revelou entre outras coisas, o restabelecimento do doente. Ulfo convalesceu e pôde Brígida observar uma grande mudança na alma do marido, o qual, farto das coisas do mundo, tomou a resolução de agregar-se a uma Ordem, o que fez com consentimento da esposa. Ulfo, entrou para a Ordem dos Cistercienses, na qual viveu e morreu santamente.

     Brígida viveu ainda trinta anos, entregue inteiramente a obras de caridade, de penitência e de piedade. Em quatro dias da semana praticava o jejum, sendo o da sexta-feira a pão e água. A maior parte da noite passava-a em oração. Longas horas permanecia diante da imagem do Crucificado ou nos degraus do altar do Santíssimo Sacramento. Diariamente dava alimento a doze pobres, servindo-os na mesa.

     Fundou um convento para 60 religiosas, dando-lhes a Regra de Santo Agostinho, à qual acrescentou algumas constituições. Mais tarde se organizou uma Ordem masculina, sob a observância desta mesma regra. Dessa maneira teve início a célebre Ordem de Santa Brígida. Ela mesma se fez religiosa no convento que fundara e deu às companheiras o exemplo mais perfeito de virtude. Dois anos depois de ter tomado o hábito, foi com a filha Catarina a Roma e à Terra Santa. Acometida de uma febre violenta, voltou doente para sua terra e não mais teve saúde. As grandes dores que sofria, suportava-as com a maior paciência, evocando em espírito a lembrança da Sagrada Paixão de Nosso Senhor. Por amor do divino esposo desejava poder sofrer mais ainda. Grande consolo trouxe-lhe uma visão de Cristo, que lhe assegurava a salvação. Foi-lhe revelada também a hora da morte. Muito bem preparada e inteiramente conformada com a vontade de Deus, morreu nos braços da filha Catarina, tendo alcançado a idade de setenta e um anos. Antes e depois da morte, Deus glorificou sua serva com numerosos milagres.

     O corpo de Santa Brígida foi depositado em Roma, na Igreja de São Lourenço, em Panis Perna, que pertencia às pobres Clarissas. No ano seguinte (1374), porém, os filhos lhe fizeram a transferência para o convento de Wastein, na Suécia. O Papa Bonifácio IX canonizou-a e fixou-lhe o dia da festa.

     Santa Brígida escreveu diversos livros de edificação espiritual. O mais célebre é o livro de suas revelações, composto pelos confessores da Santa e aprovado pelo Concílio de Constança.



(Extraído de Na Luz Perpétua, tomo II)




©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal