Grupo de Apoio Nutricional Equipe Multiprofissional de Terapia Nutricional gan / emtn hc hospital das clínicas elaboraçÃo elisabeth Dreyer


Formulações e evolução do aporte calórico



Baixar 341.61 Kb.
Página4/11
Encontro21.10.2017
Tamanho341.61 Kb.
1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11

3. Formulações e evolução do aporte calórico





  • No HC são utilizadas fórmulas de NE industrializadas. As suas composições podem variar de acordo com aos produtos adquiridos por licitação. As opções disponíveis são:

  • Padrão”: fórmula polimérica (com nutrientes intactos, necessitando de digestão total), normoprotéica (10% a 15% do valor calórico total ou VCT são fornecidos por este nutriente), normocalórica (contendo 1,0 – 1,3 kcal/ml), sem sacarose, com ou sem fibra (dependendo da licitação anual) e utilizada para a maioria dos pacientes, inclusive diabéticos.

  • Hiper-hiper”: fórmula polimérica, hiperprotéica (> 15% do VCT), hipercalórica (> 1,3 kcal/ml), indicada principalmente para pacientes com restrição hídrica ou que necessitam de um aporte calórico alto (> de 2500 kcal).

  • Oligomérica: é uma formulação com nutrientes parcialmente hidrolisados (ou “pré-digeridos”), indicada para pacientes com distúrbios de absorção.

  • Nefropata: dieta especializada, hipoprotéicas (< 10% do VCT), rica em histidina, hipercalórica (> 1,3 kcal/ml), indicada para pacientes com insuficiência renal crônica ou aguda que não estejam em esquema de diálise.

  • Encefalopatia Hepática: formulação especializada, normoprotéica, rica em aminoácidos ramificados, indicada para pacientes com hepatopatia crônica em encefalopatia hepática graus III e IV.

  • Módulo de Proteína: utilizado quando, após cálculo das necessidades individuais, o paciente necessita que esse nutriente seja complementado na fórmula padrão ou hiper-hiper.

  • Módulo de Glutamina: a glutamina é o aminoácido mais abundante no organismo em indivíduos não hipermetabólicos. Em situações de stress metabólico, pode tornar-se um nutriente condicionalmente essencial. Deve ser utilizada com avaliação criteriosa do estado clínico e nutricional do paciente. A dosagem recomendada é de 0,3 a 0,6 g/kg/dia. Por ser instável em solução, a glutamina deve ser administrada o mais rapidamente possível após a sua diluição.

  • Fibra solúvel: nutriente essencial para os colonócitos, a fibra solúvel pode ser adicionada à NE ou aos alimentos, com a finalidade de regularizar o transito intestinal, controlando obstipação e diarréia, melhorar o controle glicêmico e o perfil lipídico.

  • A NE por sonda é geralmente administrada no HC em infusão intermitente em sistema aberto, com ou sem pausa noturna.

  • A evolução do aporte calórico-protéico segue a seguinte padronização que deve ser adaptada de acordo com a tolerância e necessidade do paciente :

      • primeiro dia, 500kcal (4 frascos);

      • segundo dia, 1000kcal (4frascos);

      • terceiro dia, 1500kcal (5 frascos);

      • quarto dia, 2000kcal (6 frascos) etc.

    • Essa progressão deve ser prescrita diariamente pelo médico ou pelo nutricionista, no sistema informatizado

  • O sistema fechado, utilizado excepcionalmente em nosso serviço, consiste em frascos hermeticamente fechados de NE estéril, pronta para o uso, aos quais o equipo de infusão é conectado diretamente.

    • Estes frascos ou packs, de volume maior (500 ou 1000ml), devem ser infundidos em bomba de infusão, de forma contínua com pausa noturna, aumentando progressivamente a velocidade de infusão (10ml a cada 8 horas) conforme tolerância, até alcançar a necessidade do paciente.

4. Administração da NE





    1. Horários de administração




  • O suporte oral é distribuído nas enfermarias pela Divisão de Nutrição e Dietética (DND), conforme prescrição médica ou dietética, em horários padronizados (Anexo IV) ou individualizados. A aceitação do paciente deve ser observada e anotada pela equipe de enfermagem, o horário anotado e checado na prescrição.
  • Os frascos de NE são encaminhados pela DND a cada três horas durante o dia, mantendo–se uma pausa noturna variável conforme necessidade do paciente. A DND realiza periodicamente o mapa de horários e fracionamentos (Anexo IV).

  • Os horários de administração devem ser anotados na prescrição, pelo enfermeiro, da mesma forma que os horários de medicação.

  • O horário pode ser individualizado para pacientes com alimentação por via oral concomitante, com o objetivo de melhorar a aceitação das refeições, e em outras situações específicas. Discutir os casos com o nutricionista da enfermaria.




    1. Recebimento e conservação



  • Ao receber a NE verificar:

    • o aspecto da NE, detectando alterações como a presença de elementos estranhos;

    • a integridade do frasco;


    1. o rótulo: nome do paciente, leito, data de manipulação, volume e fórmula, horário, confirmando estes dados na prescrição médica e no mapa de fracionamento.

  • Assinar a planilha de distribuição de NE apresentada pelo funcionário da DND ou, caso sejam detectadas alterações no frasco, na solução ou no rótulo, devolver o frasco à DND, registrando o ocorrido.

  • A conservação da NE após recebimento na enfermaria é responsabilidade do enfermeiro (Resolução No 63/2000).

  • A validade da NE, após a manipulação pela DND, é de 24 horas, se adequadamente conservada em geladeira (4 a 8oC).

  • Armazenar o frasco de NE na geladeira de medicamentos/nutrição enteral quando a sua instalação for postergada. Em nenhum caso a NE poderá permanecer em temperatura ambiente no posto de enfermagem.

  • A validade, em temperatura ambiente, é de quatro horas, incluindo o tempo de administração.

  • A NE em sistema fechado pode ser armazenada em temperatura ambiente. A data de validade é indicada pelo fabricante, no rótulo. Após abertura do frasco, o prazo de validade é de 24 a 48 horas (seguir a recomendação do fabricante). Identificar o frasco ou pack com o nome do paciente, data e horário de abertura e velocidade de infusão.

  • O frasco de NE, em sistema aberto ou fechado, é inviolável até o final de sua administração (Resolução RCD No 63/2000). Qualquer manipulação da fórmula deve ser realizada na área de preparo de NE da DND.




    1. Infusão da NE




  • Lavar as mãos com água e sabão líquido para manipular a NE.

  • Utilizar luvas de procedimento para manipular a sonda.

  • Verificar a via de administração e formulação na prescrição médica.

  • Repetir a verificação feita no recebimento da NE.

  • No paciente intubado ou traqueostomizado, verificar se o cuff da cânula traqueal está adequadamente insuflado: em ventilação mecânica, não deverá haver escape de ar na inspiração. Se necessário, insuflar o cuff com técnica padronizada (Volume Mínimo de Oclusão).

  • Volume residual gástrico:

  • Deve ser verificado quando o acesso é gástrico (caso da grande maioria dos pacientes de nosso serviço), seguindo o protocolo descrito em anexo (Anexo V).

  • Caso não haja retorno de líquido gástrico, verificar a posição da sonda aplicando os outros testes anteriormente descritos.

  • Cada frasco, em sistema aberto, deve ser administrado em 60 a 120 minutos ou conforme prescrição médica, dietética ou de enfermagem.

  • A infusão rápida pode provocar “dumping”, vômitos, diarréia, prejudicando não somente o aporte nutricional como também a evolução clínica do cliente.
  • Para infusão gravitacional, utilizar o equipo próprio, de cor azul, trocado a cada 24 horas e fornecido diariamente pela DND.

    • Para diminuir o risco de infusão acidental em via venosa, não se deve nunca administrar a NE ou a água para hidratação com equipo de soro.

  1. Administrar a NE em bomba de infusão (BI), de forma contínua ou com pausas, conforme prescrição médica, dietética ou de enfermagem:

    1. no caso de acesso jejunal,

    2. em pacientes com patologias disabsortivas, desnutrição severa ou após jejum prolongado,

    3. na presença de distúrbios gastrointestinais que podem ser relacionados à NE (cólicas, vômitos, diarréia, distensão abdominal, etc).

    • A administração contínua diminui o risco de refluxo, regurgitação e aspiração, melhora a tolerância à NE, principalmente em caso de administração pós-pilórica, e favorece a absorção dos nutrientes.

ATENÇÃO: utilizar preferencialmente equipos de BI próprios para NE ou identificar a extremidade distal do equipo para evitar erros de infusão. O filtro, presente na linha de infusão de alguns equipos, pode reter nutrientes.
  1. Para pacientes ambulatoriais, a administração pode ser feita em bolus, com seringa, desde que este método de administração seja bem tolerado.

  2. Checar a instalação do frasco de NE na prescrição médica, anotar o volume instalado e o resíduo gástrico na folha de controles do paciente.

  3. Em caso de suspensão da NE em algum horário, circular o mesmo e anotar o motivo no formulário de prescrição/evolução de enfermagem.

  4. O paciente acamado deverá ser mantido em decúbito elevado (Fowler 30-450) durante toda infusão da NE e 30 minutos após.

  5. Interromper a administração da NE:

    1. para realizar aspiração da orofaringe ou da traquéia,

    2. durante procedimentos fisioterápicos,

    3. enquanto submeter o paciente à ventilação mecânica não invasiva,

    4. no momento do banho no leito,

    5. em caso de vômitos ou regurgitações.

  6. Ao término de cada frasco de NE, infundir aproximadamente 50ml de água, utilizando o equipo, para evitar estase da fórmula no mesmo. Um frasco de água filtrada é encaminhado diariamente para este fim para cada paciente, pela DND. Em caso de restrição hídrica, desconectar o equipo para lavá-lo e injetar 10 a 20ml de água na sonda com a seringa.

  7. Administrar água para hidratação do paciente conforme prescrição médica, no intervalo entre os frascos de NE. O volume administrado deve ser anotado na folha de controles do paciente, em “Ganhos”.

  8. Em caso de infusão contínua da NE em sistema fechado, verificar a localização da sonda e lavar a mesma com 20ml de água filtrada, de 6 em 6 horas.






1   2   3   4   5   6   7   8   9   10   11


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal