Geminiano Cascais Franco



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toxinas.
A dor pode igualmente derivar de uma laceração das

fibras do músculo. Viramo‑nos, baixamo‑nos bruscamente,

o nosso músculo é como que surpreendido, não tem tempo

de reagir e distende‑se. A distensão é, contudo, bastante



rara na zona vertebral.

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Um exemplo: o torcicolo



A mais célebre das contracturas musculares é decerto o

torcicolo. No torcicolo, é o músculo chamado «esternocleidomastóideo» que se contrai. Trata‑se de um músculo profundo, alongado e espesso, estendido obliquamente sobre os lados do pescoço. A dor é aguda e amplifica‑se ao mínimo movimento, mas raramente dura mais

de um ou dois dias.

Para diagnosticar um torcicolo, existe um teste simples:

virar lentamente a cabeça para o lado oposto àquele onde

se localiza a dor. O gesto é bloqueado, a sensação de

rigidez e a dor intensificam‑se.

Massagens ligeiras, sacos de água quente e compressas

também quentes aliviam eficazmente as dores musculares. Seja em que caso for, a exposição ao frio é absolutamente desaconselhável.
Aviso

A maior parte das dores das costas são devidas à falta de exercício da

coluna vertebral e dos músculos que a ela se ligam. Por esta razão, a melhor

prevenção e a melhor forma de evitar que o mal regresse ‑se porventura

já apareceu uma vez‑ consistem em movimentos de ginástica que descrevemos em pormenor da página 114 à página 138.
Em contrapartida, convém saber que nenhuma ginástica deve ser praticada

durante as crises. Enquanto estas durarem, nada será mais eficaz do que

o repouso acompanhado, eventualmente, de aplicações de compressas quentes. Se acaso julgar necessário, consulte um especialista.

AS DORES VERTEBRAIS


Se bem que necessária à clareza da nossa exposição, a

distinção entre dores musculares e dores vertebrais é, no

fundo, inexacta. De facto, estes dois tipos de dores estão

sempre estreitamente ligados. Uma falta de tonicidade;

muscular, uma má posição da coluna, acabarão por suscitar uma fadiga das articulações intervertebrais. O disco

assim tornado frágil mostrar‑se‑á predisposto ao lumbago.

Quando elas não são totalmente invalidantes, quando não

retêm o doente na cama, as dores vertebrais podem ser

mitigadas pelo repouso e pela posição deitada.

Logo que surgirem as primeiras dores, faça o exercício

da cadeira: se sente fortes tensões nas costas, esta posição proporcionar‑lhe‑á um alívio muito nítido. Estenda‑se

de costas, de preferência sobre um plano duro. Coloque

uma almofadinha ou uma toalha enrolada sob a nuca.

Encoste as nádegas aos pés de uma cadeira e ponha as

pernas sobre a mesma cadeira de tal forma que as respectivas barrigas repousem sobre o assento. Este deverá

ser suficientemente alto para que as ancas se soergam

ligeiramente. Tal posição deve permitir reduzir a lordose

lombar, o encurtamento da base das costas. Permaneça

nesta posição até experimentar o máximo de alívio.

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Coisa mais grave acontece por vezes quando nos achamos



bruscamente bloqueados, emperrados, obrigados a ficar

de cama e a braços com terríveis sofrimentos. Dores agudas como as do lumbago, pesadas e lancinantes como as

da lombalgia, crónicas, às vezes intoleráveis, como as da

ciática: as costas são a sede de mil padecimentos que

não tardamos a confundir e cujos mecanismos continuam

a ser mal conhecidos.
Considerar a sede da dor

O que é uma ciática? Como se distingue lumbago e lombalgia? O que é uma nevralgia? Outras tantas perguntas

que ecoam em todos os consultórios e às quais vamos tentar responder o mais claramente possível.

Para distinguir todos estes males vertebrais, convém uma

vez mais encarar separadamente cada andar da coluna.

Pois a parte inferior das costas, o meio das costas e o alto

da coluna vertebral são sede de dores diferentes que confundimos com demasiada frequência. Dizer: «Doen‑me

as costas!» nada significa, e a coluna vertebral é vítima de

uma má designação na linguagem corrente.
AS DORES DA REGIÃO LOMBAR

Vamos primeiro examinar as dores que afectam a região

lombar da coluna vertebral. São as mais frequentes (Ias

doenças da coluna. Elas fazem sofrer uma parte importante da população no nível etário entre os 30 e os 50 anos.

O «AIAi DE RINS»

Volta regularmente depois de um dia demasiado ocupado

ou após um esforço contínuo, na realidade, trata‑se de

lombalgia crónica.

A dor instala‑se na base das costas e dá ao doente uma

sensação de peso incómoda.

O LUmBAGO
É um acidente vertebral extremamente doloroso que sobrevém bruscamente. A pessoa fica bloqueada, emperrada

ao nível dos lombos: é o que a linguagem popular denomina por «derreamento». De facto, o lumbago segue‑se ao

bloqueio de um disco intervertebral lombar. Vimos num

capítulo precedente (consultar pág. 17) que o disco intervertebral comportava no seu centro uma massa gelatinosa

esférica chamada «núcleo». olhemos um exemplo: quando

nos baixamos para apanhar um objecto pesado, o disco

intervertebral lombar trabalha no movimento de flexão

para diante e achata‑se sob a pressão exercida pelo peso

da coluna, ao qual vem juntar‑se o peso da carga levantada.
Que se passa então? O núcleo achata‑se e desloca‑se no

seio do anel fibroso. Mas, se se exercerem pressões demasiado fortes e repetidas sobre o disco, este, com o tempo,

altera‑se: o núcleo acaba por distender o anel fibroso que

o rodeia e efectua uma deslocarão demasiado importante

para trás. A pessoa sente um disparo, uma «deslocação»

na coluna, e a sensação de bloqueio aparece ao mesmo

tempo que uma dor brutal.
Cuidado com os esforços demasiado importantes!

O lumbago sobrevém geralmente depois de um esforço



importante. Ele resulta com grande frequência de um movimento brusco de endireitamento ou de um movimento

de torção do tronco. Todavia, pode ser sequente aos gestos

mais habituais da vida corrente. Num indivíduo que possua uma coluna frágil e já comprimida, ele pode surgir

após um simples movimento, mesmo ligeiro, de flexão para

o solo, ou, melhor ainda, após um espirro ou um ataque

de tosse!

A cura do lumbago obtém‑se ao fim de alguns dias, em

média uma semana. Porém, as mais das vezes, as crises

repetir‑se‑ão ao longo da vida do sujeito. Por que razões?

A cura do lumbago sobrevém quando o núcleo volta ao

seu lugar inicial, no centro do disco. Aparentemente, tudo

reentrou na ordem. Mas, no seu movimento de deslocação,

o núcleo distendeu a massa fibrosa que o envolve.

Por ocasião de um esforço mais ou menos importante, ou

de um movimento do tronco um pouco brusco, nada impede o núcleo de retomar a mesma via alargada pela primeira passagem e deslocar‑se de novo para trás. Assim,

não é raro ver trabalhadores de força sofrerem crises de

lumbago repetidas e regulares. É que o esforço produzido

alimenta o mal e solicita a deslocação do núcleo do disco.

As crises arriscam‑se a reproduzir‑se por razões cada vez

mais insignificantes (movimentos em falso, más posições

prolongadas, etc.).
Nunca forçar, permanecer imóvel

Durante a crise, qualquer tentativa de endireitamento do

tronco é acompanhada por um redobro da dor. O sujeito

atingido fica assim curvado em dois, numa posição dita

«antálgica». Nesta posição, a anca «sai» para um lado,

dando uma impressão de inchação provocado pelo movimento de transiação do disco. Os rins curvam‑se, a lordose

lombar desaparece. Quaisquer que sejam a forma e o grau

do bloqueio, é necessário consultar um médico. No entanto,

tomando algumas precauções elementares, pode‑se tentar

atenuar a dor. A melhor coisa a fazer é permanecer imóvel na posição menos penosa e, se possível, sobre um plano

duro. Com efeito, os assentos moles e profundos são totalmente desaconselhados. Um banho quente pode aliviar

momentaneamente o doente e ajudá‑lo a lutar contra as

contracturas.

A CIÁTICA


A ciática é uma dor do membro inferior que tem origem

na região lombar, tal como o lumbago. Ela atinge o nervo

do mesmo nome: o nervo ciático. É o mais longo e o mais

volumoso dos nervos do corpo. A semelhança do lumbago,

tudo se passa nessa zona particularmente frágil da coluna

vertebral, entre a 4ª vértebra lombar e a lª vértebra sagrada, ao nível do último disco da coluna vertebral.


Uma dor que irradia

Vimos que o lumbago era provocado por uma deslocação



para trás do núcleo do disco. Quando o núcleo, ao deslocar‑se, toca a raiz do nervo, sobrevém a ciática. Em vez

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de se confinar à região lombar, a dor irradia então sobre



o trajecto do nervo, sobre a face posterior da coxa, na

perna e, por vezes, até aos pés.


As dores da ciática são ora surdas ora agudas e fazem‑se

acompanhar por vezes de picadas fulgurantes extremamente violentas. O sinal de Lassègue permite reconhecer

e medir a dor. O paciente está deitado de costas, com

as duas pernas estendidas. Quando se tenta levantar a

perna atingida na vertical, uma dor violenta trava o

movimento a partir de uma certa altura. Pode‑se assim avaliar

em graus a importância (Ia lesão: se a perna não sobe para

lá dos 30º, é a ciática aguda. i

Há casos em que um entorpecimento ou formigueiro vem

juntar‑se à dor, a qual nem sempre afecta o conjunto do

trajecto do nervo, porquanto pode limitar‑se a uma zona

particular (nádegas perna ou coxa).

Quando ela é muito forte, a dor ciática torna‑se totalmente

invalidante e proíbe toda a actividade. Nenhuma posição

a alivia. O doente sofre, mesmo deitado, e esta posição,

em vez de acalmar a dor, pode pelo contrário exacerbá‑la.


Repouso

Tal como para o lumbago, a extensão sobre um plano duro

é vivamente aconselhada. Se possível, o sujeito deve evitar

qualquer movimento para diante. A aplicação de calor

(compressas, sacos de água quente, ar quente) sobre as

partes dolorosas pode trazer um alívio verdadeiramente

notável.
A CRURALGIA
Confunde‑se amiúde com a ciática porque ela afecta igualmente os membros inferiores. É uma lesão do nervo crural,

outro nervo que emerge da coluna lombar e desce ao longo

dos membros inferiores, mas, desta vez, à frente da coxa

E não atrás, como no caso da ciática.

A cruralgia é muito menos frequente do que a ciática. Ela

pode ser devida ao «aperto» de um disco intervertebral ou,

por vezes, ao bloqueio das articulações sacroilíacas.

Do mesmo modo que na ciática, a dor é penosa, lancinante

e segue o trajecto do nervo. Mas, ao passo que na ciática

a dor desce por detrás da coxa e atinge a barriga da perna

e o pé, a dor crural localiza‑se sobre a parte anterior da

coxa.


AS DORES DORSAIS
Vamos agora estudar um tipo particular de dores que

afecta a região dorsal da coluna vertebral; a coluna dorsal,

que, recordemo‑lo, se situa atrás do peito, cerca do «meio

das costas», é igualmente atreita a dores. Trata‑se então de

dorsalgias. Todavia, as dores que afectam esta parte da

coluna vertebral são menos típicas, menos diferenciadas

do que as que afligem a coluna lombar. A coluna dorsal


é a região menos flexível da coluna vertebral; por conseguinte, ela está menos sujeita aos incidentes vertebrais e

musculares.

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Uma dor que atinge essencialmente as mulheres jovens


sofre de dorsalgias? Toda a gente pode ser afectada

por elas, mas as mulheres são quem é estatisticamente mais propensa a elas. todas as mulheres, e sobretudo as mulheres jovens, conhecem esta «pontada» dolorosa sentida entre as omoplatas, e que alcança o seu máximo de intensidade ao fim do dia. Ela indica amiúde uma

falta de tonicidade muscular, e as mulheres jovens demasiado preocupadas com a sua linha, que seguem dietas

draconianas, vêem a dor aumentar à medida que os quilos

desaparecem!

Em certos casos, a dor dorsálgica é permanente. Mais frequentemente, ela surge em certos períodos, quando o sujeito está fatigado, tenso ou ansioso.


AS DORES DO PESCOÇO E DA NUCA

*//* a ler e a marcar

A CERVICALGIa

Toda a gente conhece essa «rigidez do pescoço» que faz

levar a mão à nuca e incomoda mais ou menos a rotação

da cabeça: é a cervicalgia mais corrente. A dor aparece

de forma regular e é muito sensível às variações climáticas. Uma passagem brusca para um compartimento húmido, uma mudança de tempo, uma corrente de ar veio mais incómoda do que realmente insuportável. O repouso

lenta, é o suficiente para que a dor se instale, lenta e difusa,


deitado e a aplicação de calor acalmam momentaneamente

a cervicalgia que, não obstante, se acentua de noite.


As dores musculares

4 NEVRALGIA CERVICOBRAQUIAL

A região cervical pode ser sede de uma outra afecção, mais

grave e desta vez autenticamente invalidante: a nevralgia

cervicobraquial. É aquilo a que seria legítimo chamar a

«ciática do braço». Com efeito, tanto ao nível cervical

como na região lombar, destaca‑se da coluna vertebral

uma rede de nervos. É o plexo braquial. Mas, agora, estes

nervos descem para os membros superiores, os braços.

A semelhança do que se passa na ciática, a dor irradia

sobre o trajecto do nervo. Ela parte do pescoço, desce ao

longo do braço, depois do antebraço e pode atingir a mão

.e até os dedos. A sensação dolorosa é semelhante à da ciática: dores agudas, cãibras, picadas e formigueiros nos

dedos. A dor é percebida mais vivamente durante a noite,

mas pode ser temporariamente acalmada se se levantar o

braço dobrado acima (ia cabeça. A nevralgia cervicobraquial cura‑se geralmente mais depressa do que a ciática,

mesmo quando é muito dolorosa.
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As dores

«enganosas»


Atenção, um mal pode esconder um outro! As dores de

costas nem sempre são engendradas por uma perturbação

estática ou por um traumatismo ligamentar, disca], vertebral ou muscular. As costas podem sofrer por acção reflexa: a dor de costas pode ser a projecção à superfície do

sofrimento de um órgão,

DOR DAS COSTAS NEM SEAIPRF SIGNIFICA MAL

DE COSTAS!

Eis alguns exemplos, entre os mais propagados, destas dores enganosas que devem ser atribuídas não à própria

coluna vertebral, mas ao mau funcionamento de um órgão

vizinho. Na mulher, as perturbações abdominais genitais

podem provocar dores lombares. O útero liga‑se através

de ligamentos à coluna vertebral ao nível da charneira

sacroilíaca. Ainda na mulher, a lombalgia que precede

ou sucede por vezes às regras pode indicar um mau funcionamento dos ovários.


As dores «enganosas»

Quando são fortes e polarizadas num ponto preciso dos

rins, as dores lombares podem assinalar uma crise de cólica

nefrítica.


As dores dorsais podem revelar doenças do aparelho digestivo, uma úlcera do estômago ou do duodeno, doenças de

fígado, etc.

E SE AFINAL FOSSE APENAS

UM «FARDO DEMASIADO PESADO

PARA OS NOSSOS OMBROS»?

«Os ombros vergam‑se‑lhe ao peso da responsabilidades,

«atiraram‑me isto para cima das costas», «ele tem bons


costados!»: a nossa linguagem corrente traduz bem a importância fantasmática desta região do corpo humano, símbolo da aflição e da dor. «Curvar a espinha», «endossar

uma dificuldades, estas expressões muito quotidianas não

podiam ser mais claras. O psiquismo desempenha um papel

essencial em todos os domínios da medicina, mas isto é

particularmente verdadeiro no que se refere à coluna vertebral, autêntico pilar, eixo principal do corpo.
A DOR É UM SINTOMA

As dores de costas dissimulam por vezes um estado de

ansiedade, traduzem por dores reais que se não chega a

explicar uma angústia ou um conflito. Trata‑se então de

dores de origem psicossomática. O termo «psicossomático»

vem do grego psyche: espírito, e soma: corpo. E estamos

de facto na presença de uma aliança do corpo e do psiquismo: eixo de sustentação do corpo, as costas fornecem

ao doente angustiado, ansioso, um excelente suporte de

expressão. O corpo «fala» através do mal de costas. Mas

esta palavra dolorosa substitui uma outra palavra que,

essa, está bloqueada, enterrada no inconsciente do doente:

são muito poucas as pessoas que desejam confessar, ou

até confessar a si mesmas, que estão deprimidas, pouco

à vontade na sua pele. Por vezes o mal‑estar é de tal ordem


As dores de costas da mulher grávida


O padecimento da s costas está tão correntemente ligado à gravidez que a

maioria das mulheres grávidas espera ver‑se a braços com ele e o sofre com

paciência. O mal de costas vem assim engrossar a legião dos mil pequenos

padecimentos suportados pela mulher neste período da sua vida: misterioso

mal do coração, «desejos» insaciáveis, inevitáveis pesos nas pernas, etc.

E se porventura fosse possível, informando as mulheres, aconselhando‑as,

impedir esta contrariedade e evitar a «dor nos rins»?
Que se passa durante a gravidez? O ventre é empurrado para diante, o

centro de gravidade do corpo desloca‑se progressivamente. A curvatura

lombar acentua‑se, a repartição das pressões modifica‑se: puxando a coluna

para a frente, o peso suplementar provoca uma estirarão dos músculos

abdominais. Produz‑se um fenómeno de compensação: sendo os músculos

anteriores (abdominais) anormalmente alongados, os da parte posterior

(base das costas) contraem‑se e ficam anormalmente tensos. Surgem dores

lombares.

Por outro lado, as modificações hormonais que sobrevêm durante este

período podem também provocar dores: para permitir o alargamento do

canal do útero, os ligamentos (Ia bacia relaxam‑se. Distendendo‑se, eles

provocam uma descalcificação dolorosa dos ossos da bacia, e, por via

de reacção, os músculos desta região contraem‑se, ailcilosam‑se.

As dores «enganosas»

Durante o período da gravidez, produz‑se igualmente um outro fenómeno:

é o da congestão vascular da região pélvica e, especialmente, do útero.

Esta congestão pode provocar uma sensação de dor surda nas costas. Na

realidade, durante a gestação, é o conjunto da circulação sanguínea que

se vê afectado. As veias comprimem‑se, as pernas incham um pouco,


a mulher experimenta uma sensação de peso nos membros inferiores e nos

lombos. Como vemos, há vários factores que interferem e os males de

costas da mulher grávida têm uma origem complexa.

Como acudir‑lhes, ou, melhor, como evitámos? Antes de mais, reforçando

os músculos abdominais. A fraqueza destes músculos é quase sempre a

origem principal do mal. Em seguida, evitando os aumentos de peso demasiado sensíveis. Por uma razão simples e lógica: quanto maior for o peso

adquirido, maior será a carga suportada pelos músculos. Um conselho:

use sapatos rasos! Os saltos altos deformam o modo de andar e desviam

o peso do corpo para diante, o que, obviamente, vem acrescentar‑se à posiÇão «natural» da mulher grávida: ventre esticado para a frente, curvatura

lombar demasiado encovada. Após o parto, é sempre indispensável praticar

uma ginástica vertebral, abdominal e perineal. Trata‑se do único meio

de tornar a desenvolver os músculos de uma parede abdominal distendida

pela gravidez e pelo parto.

Aconselhamos nas páginas 97 a 103 uma série de movimentos de ginástica

para fazer durante a gravidez.

que não pode alçar‑se ao estádio das palavras. Então, o seu

corpo «fala» em seu lugar. Pois é amiúde mais fácil arrastarem‑se na vida com uma lombalgia crónica do que verem

a sua existência a uma nova luz. Neste caso, a dor é um

aviso, uma forma de assinalar a sua aflição e de atrair a

atenção dos outros sobre si, um pedido de amparo: diz‑se

que o mal de costas era então uma doença‑mensagem.

O que lemos a maior parte das vezes nestas mensagens do

corpo? A dificuldade de viver da dona de casa que se sente
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«entalada» entre a lida da casa e as crianças: as suas vértebras acabam também por ficar «entaladas», provocando

dores por vezes insuportáveis e um acréscimo de ansiedade.

1
Estas dores ocupam‑na inteiramente, disfarçando por momentos a sua angústia.

Certas pessoas recorrem assim a todos os sintomas possíveis uns após outros: depois do mal de costas, virá a vez

o

das enxaquecas, em seguida, passadas as enxaquecas, são



as perturbações gástricas que as substituirão... O mal de

costas pode igualmente dissimular um conflito de ordem

sexual no homem ou na mulher. Perante situações de uma

tal complexidade, qual é o papel do médico? Ele pode ajudar e aliviar o doente dispondo‑se a escutá‑lo, a tentar

apreender a história do sintonia. Ser ouvido: é o que deseja

vivamente o doente, e a dor diminui por vezes, cessa

mesmo completamente em certos casos, apenas porque o

paciente pode falar, entregar‑se a alguém.

As dores «enganosas»

Durante o período da gravidez, produz‑se igualmente um outro fenómeno:



é o da congestão vascular da região pélvica e, especialmente, do útero.

Esta congestão pode provocar uma sensação de dor surda nas costas. Na

realidade, durante a gestação, é o conjunto da circulação sanguínea que

se vê afectado. As veias comprimem‑se, as pernas incham um pouco,

a mulher experimenta uma sensação de peso nos membros inferiores e nos

lombos. Como vemos, há vários factores que interferem e os males de

costas da mulher grávida têm uma origem complexa.

Como acudir‑lhes, ou, melhor, como evitá‑los? Antes de mais, reforçando

os músculos abdominais. A fraqueza destes músculos é quase sempre a

origem principal do mal. Em seguida, evitando os aumentos de peso demasiado sensíveis. Por uma razão simples e lógica: quanto maior for o peso

adquirido, maior será a carga suportada pelos músculos. Um conselho:

use sapatos rasos! Os saltos altos deformam o modo de andar e desviam

o peso do corpo para diante, o que, obviamente, vem acrescentar‑se à posição «natural» da mulher grávida: ventre esticado para a frente, curvatura

lombar demasiado encovada. Após o parto, é sempre indispensável praticar

uma ginástica vertebral, abdominal e perineal. Trata‑se do único meio

de tornar a desenvolver os músculos de uma parede abdominal distendida

pela gravidez e pelo parto.

Aconselhamos nas páginas 97 a 103 uma série de movimentos de ginástica




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