Geminiano Cascais Franco



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Mediante a prática de certas técnicas como o ioga ou a

relaxação, podemos tomar progressivamente consciência

do nosso corpo no espaço e afinar consideravelmente o

nosso esquema corporal. Em matéria de atitude corporal,

a vigilância é indispensável porquanto não se pode corrigir uma cifose ou uma escoliose instaladas. Quando muito,

pode‑se aliviar a dor graças a uma terapia adequada.
As alterações da coluna vertebral na criança
Na criança e no adolescente, aproximadamente entre os

5 e os 15 anos, a maior parte dos desvios ou das alterações da coluna têm por origem uma má atitude vertebral.

Mas a hereditariedade também desempenha por vezes um

certo papel. Por exemplo, algumas escolioses podem ser

hereditárias. Trata‑se de casos patológicos graves. O seu

tratamento já não depende da ginástica correctiva, antes

exigindo por vezes uma intervenção cirúrgica. A colocação de um aparelho de gesso durante um dado período

de crescimento permite manter ou endireitar a coluna.

Em todo o caso ele evita o agravamento do mal, o que

é fundamental. Só um especialista pode decidir o tratamento a pôr em prática.


Qualquer desvio da coluna vertebral na criança pode ser

tratado


Porém, sem chegar a estes casos extremos, e no fim de

contas bastante raros, pode‑se, muito simplesmente, herdar a constituição dorsal dos pais. A hereditariedade afecta

essencialmente a forma das costas. Há famílias inteiras

com as costas abauladas ou as costas chatas. A cura das

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deformações vertebrais devidas à hereditariedade é quase



sempre assegurada pela reeducação. A hereditariedade,

que importa distinguir bem da anomalia congénita, é uma

tendência, uma predisposição.

Seja como for, na criança, ainda que se ponha de parte

uma correcção total, qualquer desvio ou deformação da

coluna vertebral pode ser estabilizado.

Só pode haver deformação óssea depois de terminada a

ossificação. Na criança, é o sistema ligamentar e nervoso

que dá origem à má posição. Contudo, em radiografia,

o osso aparece normal.



APRENDA A RASTREAR AS MÁS ATITUDES
1. VISTO DE COSTAS

‑ se a coluna estiver direita e vertical, o sujeito é normal;

‑se a coluna estiver arqueada sobre o seu eixo, desviada

no plano lateral, há escoliose.


A atitude escoliótica

Entre os adolescentes 3 % têm assim a coluna desviada.

Esta deformação é mais frequente nas raparigas do que

nos rapazes (cerca de oito raparigas para dois rapazes).

Mas convém distinguir a simples «atitude escoliótica», que

a maior parte das vezes não apresenta gravidade, da escoliose verdadeira. Há «atitude escoliótica» quando o desvio da coluna se corrige pela flexão do tronco para diante.


A coluna recupera a sua forma normal, o osso não é deformado. Qual é a causa desta anomalia? Muitas vezes,

estes desvios laterais da coluna resultam de uma desigualdade de comprimento dos membros inferiores e da sequente

obliquidade da bacia. Esta anomalia é muito frequente

e absolutamente banal. Durante o crescimento, os membros inferiores desenvolvem‑se um após outro, de seis em

seis meses (como vimos na pág. 25). No momento da adolescência, esta alternação pode tornar‑se menos regular:

durante um ano ou dois, uma das pernas permanece sensivelmente mais curta que a outra. Deriva daí um desequilíbrio da bacia que provoca um desvio da coluna sobre

o seu eixo.
Remédio: uma simples palmilha colocada sob o calcanhar

da perna curta restabelece a horizontalidade da bacia e

torna a coluna direita.
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‑ A região lombar (os rins) está demasiado encovada: é

uma hiperlordose lombar.

‑ Costas chatas ou lordose total: esta deformação pode

ir até à inversão, ou costas encovadas (muito raro).

‑As costas estão demasiado abauladas: é uma cifose dorsal. No fundo, este termo é impróprio na medida em que

a cifose é a curvatura natural das costas. Dever‑se‑ia dizer

hipercifose dorsal.

‑As costas podem estar totalmente abauladas: é a cifose

total. A curvatura lombar desaparece completamente e é

substituída por uma única curvatura de grande arco que

vai do sacro à região cervical.


COMO VERIFICAR A ATITUDE DE SEU FILHO
Oferecemos aqui alguns conselhos simples que podem permitir detectar uma deformação antes de ela evoluir e criar problemas de reeducação. Seria pena agir excessivamente

tarde.
A criança deve ser posta de pé, a fim de se sujeitar a um

exame de costas, de frente e de perfil.


EXAME DAS COSTAS COM A AJUDA DE UM FIO‑DE‑PRUMO
O eixo de simetria passa pelo alto da cabeça, segue as

apófises espinhosas, o sulco iniernadegueiro, o períneo

(parte do corpo compreendida entre o ânus e os órgãos

sexuais), e passa entre os calcanhares. O fio‑de‑prumo deve

aflorar todos estes pontos de referência.
Coloque a criança de costas

‑A bacia está equilibrada?

‑As pernas estão direitas?

‑Os dois ombros estão à mesma altura?

‑As omoplatas são simétricas? (As omoplatas não devem

estar descoladas.)


Coloque‑a em seguida de frente

‑Os joelhos estão à mesma altura?

‑Os pés não têm tendência para se abater?

Cabeça vertical

olhar horizontal,

nuca direita


Queixo ligeiramente recuado
Ombro suspenso no seu lugar.

braço não enrolado para diante


Mais peito que costas

seiadura média

inclinação média do sacro
Joelho na vertical

Pé arqueado


Coloque o seu filho de perfil

‑As costas parecem arqueadas?

‑Os lombos não estão demasiado encovados?
A SABER IMPERATIVAMENTE

Se este exame revelar deformações, ou se rastrear atitudes que lhe pareçam francamente acusadas, deve fazer

examinar o seu filho por um especialista ortopédico. Após

exame aprofundado, este empreenderá um tratamento esPecífico e personalizado, com a ajuda de um cinesiterapeuta.


AS PERTURBAÇõES ESTáTÍCAS

Embora a hereditariedade possa constituir um terreno

favorável ao desvio da coluna vertebral, há ainda outras

causas susceptíveis de serem apontadas. Entre estas, convém mencionar o importante papel desempenhado pelos

Pés. Abatimento das abóbadas plantares, pés cavos, pés

em rotação interna, pés em rotação externa: em geral,



todas as deformações dos pés podem

, a longo prazo, provocar alterações da coluna vertebral. Basta uma deformação dos pés para modificar o equilíbrio da bacia.

ABATIMENTO DAS ABóBADAS PLANTARES,

O PÉ CHATO

É um problema de afrouxamento ligamentar, de falta de

tonicidade muscular. Os músculos preenchem mal a sua

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função, o peso do corpo exerce‑se unicamente sobre os



ligamentos que acabam por perder uma parte da sua elasticidade e se distendem. Molhando o pé, pondo‑o em

seguida sobre uma superfície seca, pode verificar‑se a

marca deixada.

Na criança, o pé chato é quase sempre em rotação externa

(valgo) ou interna (varo). Esta pequena complicação não

é grave quando descoberta a tempo.

Remédios

Nos casos benignos, é possível corrigir o pé chato desenvolvendo os músculos da arcada plantar por uma série

de exercícios. Os três da página seguinte são simples e

eficazes:


Atenção aos sapatos de seu filho!

O uso demasiado frequente de sapatos macios, ou excessivamente maleáveis, e de chinelos deve ser abandonado em caso de pés chatos. Um peso

exagerado pode igualmente provocar um abatimento das abóbadas plantares.

Em regra, não demore a substituir sapatos tornados demasiado pequenos,

a mandar pôr solas no calçado gasto. Proscreva os sapatos que ferem, os

sapatos demasiado estreitos: para evitar a dor, a criança adoptará um modo

de andar assimétrico, nocivo ao bom equilíbrio da bacia e da coluna. Em

virtude do seu fraco peso, a criança pode caminhar durante muito tempo

coxeando ou virando o pé. A posição antálgica (má posição que permite

evitar a dor) é uma posição reflexa de que a criança não tem consciência.

Compete‑lhe a si observar!
Exercício 1

Caminhar sobre os bordos externos do pé.


Exercício 2

Apanhar, com os dedos dos pés, uma régua ou um lápis

deixado no chão. Os movimentos de pressão exercidos

sobre os dedos dos pés cultivarão os músculos da abóbada

plantar.
Exercício 3

Um pouco à maneira dos bailarinos, flectir e contrair a

abóbada plantar dobrando o mais possível os dedos dos

pés para o interior.


* saber

* pé chato valgo do adolescente é mais aborrecido. Além

das predisposições morfológicas, é geralmente devido a

uma insuficiência muscular e ligamentar e a uma má



atitude com origem na anca. A sua reeducação é complexa, e só um especialista poderá levá‑la a cabo. A princípio, será necessário o uso de solas ortopédicas.

PÉ CAVO


O ortopedista belga G. Hendrix dá uma definição precisa

e concreta do pé cavo: «Enquanto o pé chato pode ser

considerado um órgão cuja mola está frouxa, o pé cavo

é um órgão cuja mola está demasiado tensa.»

Dos 3 aos 4 anos, e sobretudo dos 10 aos 17, o pé arqueia‑se na sequência dos acessos de crescimento.
Que fazer em caso de pé cavo?

Se a deformação for importante, o melhor é consultar

o mais depressa possível um especialista ortopédico que,

nos casos mais acentuados, prescreverá uma intervenção

cirúrgica. Em contrapartida, se a deformação for ligeira,

é preferível não intervir. Com efeito, o tratamento do pé

cavo é delicado.
AS PERTURBAÇõES DO CRESCIMENTO: A EPIFISITE

A epifisite é uma doença do crescimento. Ela é cerca de

quatro vezes mais frequente nos rapazes do que nas raparigas e sobrevém sempre durante a puberdade, entre os

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11 e os 13 anos nas raparigas, entre os 13 e os 16 anos



nos rapazes. A criança queixa‑se de dores geralmente dorsais, em especial após um esforço físico ou um período

de fadiga. As costas arqueiam‑se. É uma má ossificação

dos leitos vertebrais (bordos da vértebra) que provoca i

epifisite. Para melhor compreender o fenómeno, é útil

recordar a lei da pressão óssea, ou lei de Delpech: quando

um osso sofre uma pressão anormal (má posição, cifose,

etc.), ele contrai‑se. Inversamente, quando se diminui esta

pressão, tende a retomar a sua forma normal. Na epifisite, o osso consolida‑se mal sobre os seus bordos e comprime‑se em virtude do acesso de crescimento. Ele sofre

pressões mal repartidas e desenvolve‑se demasiado para

diante. O osso está truncado, a coluna vertebral arqueia‑se.

Uma epifisite ligeira pode ser corrigido por uma ginástica

apropriada que o especialista prescreverá. Seja em que caso

for, o transporte de cargas e os esforços físicos demasiado

intensos devem ser de todo em todo abandonados.


Como rastrear a epifisite?

O rastreio precoce da epifisite (costas dolorosas do adolescente) é delicado porquanto o problema se situa na fronteira do «normal» e do patológico, do grave e do benigno. 20 % da População apresentam sinais de epifisite. Entre estes 20 %, convém rastrear os 2 Olo que necessitam de um

tratamento activo. As dores de costas do adolescente nunca devem ser menosprezadas, visto que conduzem amiúde à discartrose do adulto. As raquialgias dos adultos jovens são por vezes suficientemente incómodas para impedir toda a actividade, e a sua importância no plano colectivo

é considerável.


Raquialgia: de roque (coluna vertebral) e algia (dor).

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o sujeito atinge uma idade próxima dos 20 anos, no momento em que o crescimento vertebral pára, a epifisite



deixa de progredir e as dores desaparecem. Todavia, mais

tarde, podem surgir dores de artrose na curvatura das

costas, no próprio local da deformação.

AS ALTERAÇõES TRAUMÁTICAS

As lesões traumáticas e pós‑traumáticas são raras na

criança. Ainda cartilaginoso, o seu esqueleto é mais maleável que o do adulto. Da mesma forma, na criança

declaram‑se poucas dores provenientes de deteriorações

do disco intervetebral, já que este ainda não sofreu os

danos do tempo.
As alterações da coluna vertebral no adulto
Trata‑se de desvios e de perturbações estáticas não tratadas na infância, acidentes e traumatismos, choques ligeiros repetidos, esforços em má posição e porte de cargas

demasiado pesadas. É preciso acrescentar a esta longa

série a causa última a que ninguém escapa: o envelhecimento.
exemplo
O desgaste do disco intervertebral, por exemplo, é causa

de múltiplos males. Por volta dos 30 anos de idade, o disco

entra num processo de degenerescência. O núcleo desseca,

aparecem fissuras e manifestasse a sucessão dos lumbagos,

das ciáticas, das hérnias discais... tendo todas estas doenças origem no desgaste e na alteração do disco intervertebral.
O disco é uma máquina aperfeiçoada, complexa... mas

que envelhece rapidamente. Aos 30 anos podemos sentir‑nos em plena forma; porém, bastam os esforços de uma

mudança de casa, de uma tarde consagrada a biscatos

domésticos após uma semana de vida sedentária, para sobrevir a catástrofe: fica‑se «emperrado», é o «derreamento».

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Os esforços em má posição são uma das primeiras causas



de alteração da coluna vertebral no adulto. Num próximo

capítulo (ver pág. 67 a pág. 109) examinaremos em pormenor todos estes gestos quotidianos que fazem sofrer

as nossas costas. Baixar‑se dobrando as pernas: é um hábito que convém incutir muito cedo nas crianças. Não

é raro encontrar pessoas ainda jovens, em perfeita saúde,

que se lamentam ao subir escadas. Desde a sua juventude.

elas não dobram as pernas senão para entrar no automóvel ou descer do passeio. Uma vida excessivamente sedentária enfraquece os músculos das coxas e das nádegas.

Tais músculos, os mais poderosos do corpo humano, não

cumprem o seu papel. As articulações trabalham menos

e são mais facilmente atacadas pela artrose.

A VIDA MODERNA MALTRATA AS SUAS COSTAS

As condições da vida moderna têm consequências nefastas sobre a coluna vertebral. Graças à sua forte musculatura, a coluna vertebral pode suportar esforços consideráveis. Mas o homem contemporâneo utiliza pouco, ou

mal, estas formidáveis possibilidades; se sofremos das



costas, é com grande frequência por não conservarmos

num estado razoável a nossa coluna vertebral, por a solicitarmos para efectuar esforços brutais que ela não está

preparada para suportar. Resultado: os músculos enfraquecidos já não respondem e aparecem dores.
TODOS OS CHOQUES SE REPERCUTEM

SOBRE A COLUNA VERTEBRAL

Certas profissões submetem igualmente a coluna vertebral a rude prova. A dactilógrafa fatiga as regiões dorsais

e cervicais da sua coluna vertebral em detrimento dos

lombos. «Pontadas» ao nível da omoplata, rigidez da nuca,

são moeda corrente nesta categoria profissional. O porte

de cargas pesadas maltrata os discos do empregado de

armazém e torna‑o atreito ao lumbago e à ciática. O jardineiro queixa‑se dos «rins», em suma, ninguém escapa

às dores vertebrais.
Todos os choques, do mais forte ao mais leve, têm repercussões sobre a coluna vertebral: queda sobre as nádegas,

sobre os calcanhares, pequenas pancadas, sacudidelas repetidas ou embates mais violentos. Entre estes traumatismos,

acha‑se, obviamente, o famoso «golpe do coelho» do automobilista: embatem no seu carro por trás; sob o efeito

do choque, há flexão brutal da cabeça e do pescoço para

diante seguida de um contragolpe violento para trás. É de

aconselhar um exame radiográfico da região cervical em

todos os casos. Um choque desta ordem pode acarretar

perturbações graves que não aparecerão imediatamente.

Em regra, todas as pancadas recebidas na cabeça podem

ocasionar sérias perturbações ao nível da coluna vertebral (queda de um objecto pesado sobre a cabeça, embate

do crânio contra o pára‑brisas de um automóvel, etc.).

O controle por radiografia é uma medida de prudência

indispensável.

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A ARTROSE: SINAL DA IDADE DA COLUNA

A artrose é um sinal banal de envelhecimento. Houve

quem dissesse que ela era as rugas ou os cabelos brancos

da coluna vertebral. O que equivale a dizer que a artrose

é um simples testemunho da passagem dos anos. De facto,

é sobretudo depois dos 40 anos que se observa esta doença,

e poucos indivíduos idosos estão indernnes dela, pelo menos ao nível da coluna vertebral. A humidade e o frio

são factores que a favorecem, assim como todos os microtraumatismos, as perturbações da circulação sanguínea e a obesidade.

Consoante a localização das lesões de artrose sobre este

ou aquele segmento da coluna vertebral, fala‑se de lombartrose, de dorsartrose ou de cervicartrose.

Mas o que é a artose? A lesão inicial é constituída pela

degenerescência da cartilagem articular. A artrose só atinge

em geral uma ou duas articulações, mas, em certos casos,

várias articulações podem ser atacadas simultaneamente.

A cartilagem articular é uma superfície lisa que permite

que os dois elementos da articulação deslizem um sobre

o outro. Na artrose, a cartilagem destrói‑se progressivamente. Então, o osso prolifera e forma excrescências que



têm a forma de ganchos, de bicos. Estas proliferações

ósseas chamam‑se osteofitos (do grego osteose: osso, e phytos: vegetação); dá‑se‑lhes mais correntemente o nome de

«bicos de papagaio». A artrose vertebral nem sempre é

dolorosa.

Certas pessoas adaptam‑se à sua artrose e não sofrem

com ela. A artrose cervical, essa conhecida «rigidez do

pescoço», é extremamente frequente. Encontramo‑la em 75 % a 80 % dos indivíduos de mais de 40 anos, e poucos

são os que estão isentos dela depois dos 50 e sobretudo

depois dos 60. A grande maioria das artroses cervicais

são absolutamente latentes e não dão lugar a qualquer

perturbação. Trata‑se de simples descobertas da radiografia. Nas pessoas de 50 anos e mais, após um traumatismo

que tenha desencadeado dores, a radiografia põe em evidência uma artrose vertebral muito importante que, anteriormente, nunca provocara a mínima dor. Contudo, em

certos casos, a artrose cervical pode causar dores. Em

geral, o início das perturbações é progressivo e manifesta‑se por tini incómodo doloroso nos movimentos do pescoço. Por vezes, as dores são quase permanentes. Elas

irradiam na direcção dos ombros e das costas e são agravadas pela fadiga, por certos movimentos e pela posição

sentada prolongada.


A tenção!

Confunde‑se amiúde artrite e artrose. A artrite vertebral

é rara. Ao contrário da artrose, a artrite é um fenómeno

especificamente inflamatório. A articulação incha, ficando

quente e dolorosa. Depois de passada a crise, a cartilagem recupera a sua forma normal, mas se as crises se

repetirem a deformação pode instalar‑se.


As dores musculares
Manifestam‑se grandes diferenças na forma como reagimos à dor. O que é a dor? É um sinal de alarme, um indício de apelo. De todas as regiões do corpo, a coluna vertebral talvez

seja a menos silenciosa. Acaso é ela maltratada, sobre carregada, solicitada de maneira demasiado brutal? A dor

aparece e assinala o excesso. Pode ser aguda, extremamente violenta no caso do lumbago ou da ciática, mais

insidiosa e lenta na dorsalgia passageira ou crónica. Para um mesmo mal, a intensidade da dor varia consideravelmente de um indivíduo para outro. A dor é um

fenómeno subjectivo: ela depende da relação que o paciente vive com o seu meio circunstante e o seu próprio

corpo.


Dor: Aspectos psicológicos
O estado psíquico do sujeito e o momento em que sobrevém a crise são elementos que fazem variar a intensidade

da dor, desmantelando ou . ao invés, aumentando a resistência ao mal. Nos males de costas ‑talvez ainda mais



do que noutros tipos de afecções particularmente dolorosas ‑, o aspecto psicológico é muito importante. Voltaremos a esta ideia citando alguns casos através dos quais o mal de costas surge como uma espécie de socorro, um sinal orgânico de um conflito de ordem psicológica ou de uma angústia.

Uma dor, menor se levarmos em conta as suas causas

puramente orgânicas, toma por vezes proporções importantes se a acompanhar uma angústia psíquica. O primeiro lumbago pode provocar no homem de 40 anos que

se sente «jovem», «em plena forma», um estado depressivo passageiro, aquilo a que se chama com bastante propriedade um «sobressalto em vão». Ao aproximar‑se da

menopausa, a mulher de 50 anos sente‑se «menos mulher»,

abandonada e traída. O aparecimento de dores de costas

reforçará esta impressão de envelhecimento, amiúde vivida

com muita dificuldade pelas mulheres de tal idade.

É possível classificar os diferentes tipos de dores de costas?

Sem dúvida, embora, nesta matéria, a prudência constitua regra: se existem vários tipos de dores, a sua significação é assaz diferente conforme os casos. Os antecedentes do doente, a sua personalidade, a sua história e,

bem entendido, o estado da sua coluna vertebral devem

ser sempre examinados minuciosamente. Demais, a região

dolorosa é indissociável do conjunto da coluna, ou até

do organismo na sua totalidade.. É no entanto possível

descrever e diferenciar certos sintomas, explicar alguns

mecanismos e dar conselhos simples. O corpo humano

não é uma mecânica mágica. Ele tem as suas próprias

leis e responde a uma lógica que é bom conhecer se se

quiser enfrentar todas as suas manifestações, mesmo as

mais dolorosas.


As dores musculares

As dores Musculares: as menos graves e as mais frequentes


Nunca será demasiado insistir na importância de uma

boa musculatura das zonas vertebrais. Tal como os ovéns

sustentam o mastro do navio, os músculos paravertebrais

SãO músculos poderosos ‑dos mais poderosos do corpo

humano ‑ que mantêm e amparam a coluna vertebral.

Estão abatidos, carecem de tono? Se assim for, sobrevêm

dores que se não tardará a atribuir a uma qualquer deformação imaginária... quando afinal um quarto de hora

de ginástica adequada (ver pág. 114 a pág. 138), praticada quotidianamente, teria permitido evitar o seu aparecimento.


Como se consegue descobrir que uma dor é muscular?

Ela dissipa‑se muito simplesmente com o repouso. isto

tem uma explicação: a dor provém de um enfraquecimento do músculo devido, quer a um estado de fadiga

geral (estado gripam), quer a um esgotamento‑ Após uma

actividade desportiva demasiado intensa, por exemplo, o

corpo transpira. Os músculos aquecidos resfriam subitamente: é o «golpe de frio» e surgem as contracturas musculares. De igual modo, após um trabalho demasiado intenso, Os músculos já não são capazes de eliminar as




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