Geminiano Cascais Franco



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Annick Lacroix‑Desmazes


Traduçäo de

Geminiano Cascais Franco


Sumário
Conheçamo‑nos melhor para nos tratarmos melhor

Um pouco de anatomia...

A coluna vertebral

O sistema nervoso da coluna vertebral

As deformações da coluna vertebral

As alterações da coluna vertebral na criança

Aprenda a rastrear as más atitudes

Como verificar a atitude de seu filho

As perturbações estáticas

As perturbações do crescimento a epifósite

As alterações traumáticas

As alterações da coluna vertebral no adulto

A vida moderna maltrata as suas costas

A artrose: sinal da idade da coluna

As diferentes espécies de dores de costas

As dores musculares

As dores vertebrais

As dores da região lombar

As dores dorsais

As dores do pescoço e da nuca

As dores ‑engano~.

Como evitar as dores de costas

O adolescente e o adulto

Dormir bens

Levantar‑se bem

Transportar bem os objectos

Viver bem
Conheçamo‑nos melhor para nos tratarmos melhor
Mal de costas, mal do século, diz‑se amiúde. Esta expressão não é uma pura figura de estilo. Lombalgia, ciática,

lumbago, escoliose, toda a gente conhece estes termos.

Adultos, adolescentes, homens ou mulheres, ninguém está

ao abrigo de tais males. Segundo as estatísticas, dois milhões

e meio de franceses seriam vítimas deste mal insidioso.

Do banal saco de água quente à psicoterapia, o arsenal

das «vítimas das costas» é infinito; cada qual tem os seus

remédios para combater a dor ou antecipar‑se a ela.


Dados eloquentes

Em França, a lombalgia parece vir à cabeça das afecções

reumatismais, que, por seu turno, representariam 10 1%

do orçamento da Segurança Social. Mais alguns números:

a lombalgia constituiria só por si 30 % dos motivos de consulta nos serviços hospitalares de reumatologia. Calcula‑se

que todos os anos se perdem três ou quatro milhões de

dias de trabalhos em virtude da «dor nos rins». Nos trabalhadores manuais, o das causas de ausência ao trabalho seriam devidas à lombalgia. Não há dúvida de que

estamos na presença de dados eloquentes.



Impõe‑se então uma pergunta: será que as nossas condições de vida moderna favorecem este mal? Sim, com toda

a certeza. O homem moderno mostra cada vez mais tendência para esquecer que possui duas pernas... Condições

de vida demasiado sedentárias e a falta total ou parcial de

exercícios físicos favorecem ‑vê‑lo‑emos ao longo deste

livro ‑ os acidentes vertebrais. As condições de trabalho

podem igualmente provocá‑los: a coluna vertebral do empregado de escritório, a do operário, tornam‑se, por razões

inversas, mais frágeis; um está amarrado à sua cadeira,

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o outro trabalha de pé, especado diante da linha de montagem ou do seu plano de operações.


Dores que têm por vezes «costas largas»

Disse‑se mais atrás que o mal de costas era um mal insidioso... A prova disso é que por vezes ele se apresenta

‑ nem sempre ‑ invisível, impalpável. Só o revela a dor que ele suscita. Assim, não raro, as dores de costas têm

«costas largas»: problemas efectivos ou familiares, um trabalho extenuante ou deprimente, e a coluna vertebral

absorve a angústia; projectamos sobre as nossas vértebras

a nossa depressão, a nossa melancolia. É óbvio que não se

trata aqui de acusar de desonestidade todos aqueles que,

padecendo das costas, são obrigados a suspender a sua

actividade profissional durante um período mais ou menos

longo. São os próprios médicos de clínica geral, os reumatologistas ou os psiquiatras que o dizem: os <,madraços»

não constituem o grosso das vítimas das costas. Mesmo

quando a origem do mal é misteriosa, mesmo quando as

dores permanecem inexplicadas, estas pessoas sofrem, e

as suas queixas são legítimas. Contudo, há ainda outra

coisa. Fala‑se frequentemente da «inelutabilidade» das dores vertebrais. O mal de costas seria, de certo modo, o

tributo do bípede, o preço que pagamos por havermos, há

milhões de anos, abandonado o «andar de gatas».
A sorte de ser bípede...

Entre as aquisições humanas, a postura vertical é um apuramento que aumenta a fragilidade do homem. Em todo

o caso, juntamente com a nudez, é o que distingue o homem do macaco superior. Nenhum animal a assume tão

perfeita e constantemente como o homem.

A posição de pé confere ao homem vantagens inestimáveis: ela permite‑lhe abarcar grandes distâncias com o

olhar e alarga o seu campo de visão, ela deixa a cabeça

e as mãos longe do solo, pelo que, acima de tudo, liberta

estas últimas e dá‑lhes uma faculdade essencial: a preensão, a exploração. Foram efectivamente a posição de pé

e a marcha em postura vertical que libertaram a mão, cujo

aperfeiçoamento favoreceu novos usos que a boca (a qual,

nos animais, rebusca e agarra) não tinha entre os quadrúpedes.

Conviria também falar do valor simbólico e das consequências culturais da aquisição da postura vertical, que são

consideráveis. De pé, o homem está mais perto do céu,

ficando poderoso, respeitável.


O reverso da medalha

Mas há um avesso nesta medalha; a verticalidade tem igualmente graves inconvenientes: bem adaptada à marcha, a

posição de pé é no entanto muito menos própria para a

imobilidade. Ela não pode ser conservada durante muito

tempo sem provocar perturbações, por falta de um tono

muscular suficiente. Além disso, não assentando o peso

do corpo senão em dois membros em vez de quatro, a massa

suportada pelos últimos discos lombares e pela bacia é

considerável. Mas não se deve realçar desmedidamente

este aspecto do problema. As causas mais sérias dos nossos

sofrimentos estão mais próximo de nós: a nossa musculatura, extremamente resistente e poderosa, tem a finalidade

de executar trabalhos muito importantes. Ora que serventia lhe damos? Nenhuma! As mais das vezes, deixamo‑la

dormir, entorpecer. Reside certamente aqui o nó do problema, a explicação deste mal estranho que atinge quase

todas as camadas da população, todos os níveis etários,

tanto os homens como as mulheres.

O que pretende este livro? Justamente que o mal de que

falamos cesse de ser misterioso para todos os que sofrem.

Quando se quer evitar ou curar, é necessário compreender.

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Quais são as causas mais frequentes das dores de costas?

Como reconhecer este ou aquele tipo de afecções? Que

fazer quando surge uma crise violenta? Podemos acautelar‑nos contra o mal graças a exercícios, a uma ginástica

adequada? Outras tantas perguntas a que vamos agora

tentar responder.


Um pouco de anatomia ...
Não se deixe enfadar por algumas noções elementares de

anatomia que vão seguir‑se. Elas são indispensáveis para

poder agir sobre os seus males de costas ou para os evitar.

Se quisermos curar as nossas dores, temos primeiro de

compreender as respectivas causas.
Quando temos dores nas costas, onde se situa o nosso mal?

A coluna vertebral é um sistema delicado e muito complexo. Trata‑se de um edifício frágil em que todos os elementos (ossos, músculos, ligamentos, tendões) se harmonizam, se completam. Como é feita a coluna vertebral e

de que se compõe ela? Quando temos dores nas costas,

onde se situa o nosso mal? Qual é o papel dos músculos,

dos tendões, das curvaturas da coluna vertebral? Sem a

acção dos músculos, por exemplo, a coluna não se manteria direita. Quantos «mártires» das costas têm realmente

consciência disto?

Para se curar as dores, importa começar por compreendê‑las. Uma descrição e explicações anatómicas, ainda que

sucintas, ajudá‑lo‑ão a conhecer melhor a sua coluna vertebral.
A COLUNA VERTEBRAL

A coluna vertebral é uma longa haste óssea resistente e

flexível, composta de uma série de pequenos ossos sobrepostos: as vértebras. A coluna vertebral conta 33 vértebras

e divide‑se em cinco regiões. De cima para baixo, encontramos sucessivamente estas cinco regiões.



AS CINCO REGIõES DA COLUNA VERTEBRAL

‑A região cervical, que corresponde ao pescoço, é formada por sete vértebras. No seu topo, a coluna suporta

a cabeça, que se articula com a primeira vértebra cervical.

A CI. (primeira vértebra cervical) apresenta um nome próprio: Atlas. Ela é mais extensa transversalmente do que

as outras vértebras cervicais.

‑ A região dorsal (ou torácica) é formada por 12 vértebras. Ela situa‑se atrás do peito.

‑ A região lombar compreende cinco vértebras. Corresponde ao que se chama vulgarmente «os rins».

‑ A região sagrada é uma secção da coluna vertebral que

se liga à bacia. É constituída por cinco vértebras soldadas

entre si que formam o sacro.

‑ A região coccígea compreende quatro vértebras atrofiadas, soldadas entre si, que formam o cóccix: a sobrevivência de uma antiga cauda.
A mobilidade varia segundo as regiões

As vértebras cervicais (pescoço e nuca) e as vértebras lombares (rins) têm uma certa capacidade de movimentos.

Em contrapartida, a região dorsal é menos maleável. As

vértebras dorsais (ou torácicas) estão unidas às costelas,

as quais se ligam por sua vez ao esterno. Este conjunto

forma efectivamente uma caixa, a caixa torácica, rígida.

A região sagrada é imóvel, se bem que na junção do sacro

e do osso ilíaco existam as articulações sacro‑ilíacas pelas

quais as vértebras se prendem à bacia e que são ligeiramente móveis. A região coccígea, essa, é totalmente imóvel.
AS VÉRTEBRAS

A medida que se sobe para o crânio, a dimensão das vértebras diminui. Porém, ainda que elas se diferenciem ligeiramente pela sua dimensão e pela sua forma, as 33 vértebras da coluna vertebral possuem todas características

comuns.

Uma vértebra é formada essencialmente por duas partes.



A frente, ou seja, mais perto do abdome, acha‑se o corpo

vertebral. É um cilindro constituído por ossos esponjosos.

Atrás, logo, na direcção das costas, encontra‑se um anel

igualmente ósseo que tem o nome de «arco neural». É a

parte mais complexa da vértebra. No arco neural sobressaem algumas saliências ósseas: são as apófises.

A apófise espinhosa é uma longa saliência posterior. É ela

que distinguimos muito nitidamente sob a pele das pessoas

de natureza magra, ou que sentimos sob os dedos.

As apófises transversas são duas saliências que se estendem de cada lado da vértebra. Enfim, as apófises articulares, como o seu nome indica, permitem que as vértebras

se articulem entre si. São em número de quatro: duas inferiores e duas superiores.

Sobre estas apófises fixam‑se ligamentos e músculos que

mantêm e sustentam a coluna.

O empilhamento dos 33 anéis vertebrais forma o canal

raquidiano * que fecha e protege a espinal medula; partem daí nervos que, por intermédio do nervo simpático,

comandam os órgãos (fígado, baço, etc.) e nervos motores

que transmitem os movimentos.


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OS DISCOS INTERVETEBRAIS: AUTENTICOS AMORTECEDORES

Cada vértebra está ligada à seguinte por um disco. É uma

almofadinha circular feita de cartilagens e de tecidos conjuntivos cuja espessura pode variar entre meio e dois centímetros. Cada disco é formado por um anel fibroso composto de lamelas concêntricas e elásticas. Este anel encerra

no seu centro uma massa móvel gelatinosa e incompressível: é o núcleo. «Os discos são autênticas válvulas elásticas,

um pouco à semelhança das válvulas de canalização em

borracha *», diz Philippe Stora no seu livro consagrado

às dores de costas. De facto, a qualidade essencial do disco

é a sua elasticidade, a sua maleabilidade. Ele desempenha

o papel de amortecedor. É ele que sofre as pressões de toda

a ordem exercidos sobre a coluna vertebral: choques, pancadas, mas também, muito simplesmente, o peso do corpo.

Quando se exerce uma pressão sobre a coluna, a vértebra,

rígida, não pode senão repercuti‑la sobre o disco que, esse

sim, resiste e amortece o embate.
O disco intervertebral conserva normalmente a sua flexibilidade e a sua elasticidade ao longo de toda a vida. Com

a idade, no entanto, o disco pode retrair‑se, achatar‑se.

Resulta daí um enfraquecimento da coluna e uma diminuição da estatura (designadamente nos anciãos). O disco

tem igualmente uma função de junta; ele opõe‑se a todas

as forças que tendem a desunir as vértebras.
OS LIGAMENTOS
Há toda uma rede de ligamentos poderosos que percorre

a coluna vertebral. Uns sustentam as vértebras, os outros

unem as articulações, os segmentos entre si. São os ligamentos que mantêm o conjunto do sistema articular da

coluna.
Mas nem os ligamentos mais poderosos bastam para conservar só por si esta haste óssea em equilíbrio sobre a bacia.

neste ponto que intervêm os músculos.
OS MúSCULOS

Importa avaliar bem a importância vital do papel desempenhado pelos músculos na saúde geral do corpo e mais

em particular na das costas.

São os músculos que realizam e controlam o movimento.

Os músculos fornecem à coluna vertebral o seu principal

suporte mantendo‑a direita, ao mesmo tempo que lhe dão

a possibilidade de se flectir. Mas atenção! A boa saúde

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do músculo apenas depende do uso conveniente que dele



fizermos. Qualquer músculo obrigado à passividade enfraquece e definha.

Os músculos da coluna vertebral foram classificados pelo

professor André Delmas * em três categorias: os músculos cremalheiras, os músculos ovéns e os músculos cordames,

representando metaforicamente a própria coluna vertebral

o mastro de um navio.
Os músculos cremalheiras: mobilizam a coluna de andar

em andar. Vão de vértebra para vértebra.




Os músculos ovéns: encontram‑se de cada lado da coluna

vertebral. Não só a mantêm como permitem o movimento.

São músculos de equilíbrio que auxiliam a postura vertical.
Os músculos cordames: estendem‑se de uma ponta à outra

da coluna e permitem o movimento no seu conjunto. Por

exemplo, quando inclinamos a bacia accionamos um músculo ovém, mas, quando inclinamos o conjunto da coluna,

é um músculo cordame que trabalha.

Os músculos são submetidos sem descanso a uma tensão

devida aos estímulos do cérbero e chamada «tono».


OS TENDõES

São as terminações dos músculos. Feitos de um tecido

muito duro, muito apertado, constituem o ponto de ligação

do músculo à parte óssea. Diz‑se que o músculo se «insere»

no osso pelo tendão. Cada músculo tem diferentes pontos

de inserção. Por exemplo, de modo esquemático, o bíceps

insere‑se no alto do braço e no alto do antebraço: quando

dobro o antebraço sobre o braço, o meu bíceps contrai‑se,

age sobre o tendão inferior e, assim, puxa o antebraço para

o braço.
O SISTEMA NERVOSO

DA COLUNA VERTEBRAL

Na sua parte posterior, a coluna vertebral contém a espinal medula.


A ESPINAL MEDULA

É uma longa haste cilíndrica ligeiramente achatada de

diante para trás. Estende‑se da base do crânio, onde é prolongada pelo bolbo, até à segunda vértebra lombar (nas

crianças, ela desce até ao sacro). A espinal medula mede

cerca de 43 a 45 centímetros.
OS NERVOS RAQUIDIANOS

Lateralmente e sobre todo o seu comprimento, ela envia

prolongamentos que são os nervos raquidianos.

Cada nervo raquidiano possui duas raízes: uma raiz anterior e uma raiz posterior, que convergem no buraco de

conjugação.

¨ buraco de conjugação e o espaço compreendido entre

¨ disco intervertebral e a apófise articular da vértebra.
21

Existem 31 pares de nervos raquidianos: oito pares cervicais, doze dorsais, cinco lombares, cinco sagrados e um

coccígeo.

O nervo raquidíano é misto: ele encerra fibras sensitivas

(que transmitem a sensação) e fibras motoras (que comandam o movimento).
OS PLEXOS

Cada nervo raquidiano divide‑se em dois ramos. Um posterior, curto, inerva o pescoço, as costas ou os lombos,

segundo a zona de implantação do nervo considerado.

O outro, anterior, muito mais longo, forma os diferentes

plexos, verdadeiros cruzamentos donde partem os nervos

que percorrem os membros.

Há quatro plexos importantes:


O plexo cervical, donde partem em especial os nervos dos

músculos do pescoço e o nervo frénico, muito importante

na respiração.
O plexo braquial, donde partem os nervos mais importantes do braço, do antebraço e da mão.
O plexo lombar, donde partem os nervos da coxa e certos

nervos genitais.


O plexo sagrado, donde nasce principalmente o nervo ciático, que inerva os músculos posteriores da coxa e todos

os da perna e do pé. É o que explica a dor ciática: uma

compressão da raiz ao nível da coluna vertebral provoca

uma dor em todo o trajecto do nervo.


AS CURVATURAS

A coluna vertebral não é rectilínea. De perfil, ela desenha

um S e apresenta quatro curvaturas: uma curvatura cervical côncava para trás, uma curvatura dorsal convexa para

a frente, uma curvatura lombar côncava para trás, uma

curvatura sagrada convexa para diante. As curvaturas reduzem a altura total da coluna. Com efeito, um homem

que meça um metro e sessenta e cinco tem uma coluna

vertebral de setenta e cinco centímetros encolhida para

sessenta e três centímetros e meio pelas curvaturas.


UMAS COSTAS PERFEITAMENTE DIREITAS...

SÃO UMAS COSTAS MAS!

As curvaturas asseguram flexibilidade, elasticidade e, sobretudo, resistência à coluna vertebral.
23

Por meio de uma fórmula matemática, estabeleceu‑se que

a resistência de uma coluna seria função do quadrado do

número das suas curvaturas + 1. Ora, sendo o quadrado do

número W = 16 + 1 = 17) mais um igual a 17, deduz‑se

que uma coluna perfeitamente direita seria 17 vezes menos

resistente que uma coluna que apresentasse as suas quatro

curvaturas. Eis uma asserção que abala um tanto o mito

das costas «perfeitamente direitas». Umas costas perfeitamente direitas são umas costas más, Tal como umas costas Sagradamente curvadas. Na verdade, é tudo uma questão de relações de força entre

os ossos, os discos e os músculos. Sob o efeito de um choque, uma coluna bem arqueada comprime‑se ligeiramente. Esta compressão é compensada pela elasticidade dos ligamentos e dos músculos e pelo sistema de contractilidade

dos músculos. O mecanismo permanece harmonioso; o osso

e o disco não são esmagados. Em contrapartida, quando

uma coluna é demasiado ou insuficientemente arqueada, as relações de força são más, ela cansa‑se e sobrevêm

dores.
PONTOS PARTICULARMENTE SENSÍVEIS

É pois ' muito importante vigiar a posição de uma coluna, tudo durante o crescimento: nem tudo está então acabado,

sendo ainda possível mudar a forma do osso, endireitar ou, até, acentuar as curvaturas da coluna, fazendo agir,

ao invés, as leis que causaram um desenvolvimento desajustado dos ossos.


A coluna vertebral tem zonas de fragilidade que correspondem aos pontos de inversão das curvaturas. A passagem da 7ª cervical à 1ª dorsal, ou da 12ª dorsal à 1ª lombar, por exemplo, são pontos charneiras: a coluna muda de

sentido. A charneira lombo‑sagrada (passagem da 5ª lombar à 1ª sagrada) é a que trabalha mais.

Na posição de pé, todo o peso e todos os esforços se repercutem sobre esta última charneira. A 5ª lombar constitui

o ponto fulcral da coluna vertebral sobre o ponto fixo da

bacia.
entre os 7 e os 14 anos que se deve vigiar mais atentamente a coluna vertebral. De facto, nesta idade o esqueleto

é maleável, e as deformações sobrevêm facilmente. Mas é

igualmente nesta idade que o tratamento e a prevenção são

mais acessíveis. No adulto, pelo contrário, há muito menos

possibilidades de agir sobre o esqueleto. Estando a ossificação concluída, as deformações não podem ser totalmente

reduzidas. Pode‑se apenas marear, reequilibrar, a coluna e

agir sobre o sistema articular de maneira a encontrar um

equilíbrio médio que permita ao paciente levar uma vida

normal. Sem ter de suportar dores constantes e lancinantes.

mas atenção! Até aos 20 anos, uma deformação óssea não

é irredutível. Na realidade, a ossificação vertebral é bastante tardia e só termina por volta dos 25 anos de idade.

Certas leis muito precisas regem o crescimento ósseo e é

assaz importante conhecê‑las.

Segundo a lei de alternação de P. Godin *, o crescimento

do esqueleto faz‑se de seis em seis meses: são os famosos

acessos de crescimento. O crescimento em altura alterna

com o crescimento em largura, e os membros inferiores

têm acessos de crescimento separados (a perna esquerda

acha‑se aliás muitas vezes atrasada relativamente à direita).

Quando uma vértebra sofre pressões desigualmente repartidas, o crescimento faz‑se de forma assimétrica e surge

uma deformação óssea que persistirá se não se instituir

imediatamente um tratamento. Isto explica o interesse de

uma prevenção rápida destinada a por em

tratamento apropriado no mais curto prazo possível.
As deformações da coluna vertebral
Escolioses, cifoses, lordoses, costas abauladas ou encovadas,

toda a gente conhece estes termos, todos nós empregamos

‑por vezes erradamente ‑ tais expressões. Elas representam diferentes tipos de alteração da coluna vertebral.

Como reconhecê‑las e distingui‑las? Melhor, como as evitar? Diligenciando, desde a infância, por adoptar uma boa

atitude corporal. Os desvios vertebrais, mesmo importantes, não causam, ou só muito raramente, dores na criança.

Esta não se queixa das costas. Mas uma má postura vertebral simples, sem deformação, provocará, na idade

adulta, uma deformação óssea real que suscitará dores

amiúde renitentes. Uma perturbação, ainda que leve, da

visão pode provocar uma má atitude vertebral. Uma pequena anomalia de crescimento ou uma deformação benigna do pé podem, ao deformar o modo de andar da criança, conferir‑lhe uma má atitude.


A partir da infância representamos mentalmente o nosso

corpo no espaço: é o esquema corporal. De nada serve dizer

à criança: «Põe‑te direito!», no caso de a posição tomada

ser por ela experimentada como a «boa» atitude. Para

satisfazer o seu círculo familiar, a criança endireitar‑se‑á,

mas, sem demora, o hábito voltará a impor‑se e a má

posição reaparecerá.
O cinesiterapeuta A. Lapierre define assim a «boa. atitude»: «É uma atitude na qual cada segmento ocupa uma

posição próxima da sua posição de equilíbrio mecânico.»


A Lapierre: ]a Rééducation physique

Paris, Baillière, 1968), ‑7 vols.





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