Gabriel Delanne a alma e Imortal


Capítulo IV Discussão em torno dos fenômenos de materialização



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Capítulo IV
Discussão em torno dos fenômenos de materialização


Não se pode recorrer à fraude, como meio geral de explicação. – Fotografia simultânea do médium e das materializações. – Hipótese da alucinação coletiva. – Sua impossibilidade. – Fotografia e modelagens. – As aparições não são desdobramentos do médium ou do seu duplo. – Não são imagens conservadas no espaço. – Não são idéias objetivadas inconscientemente pelo médium. – Discussão sobre as formas diversas que o Espírito pode tomar. – A reprodução do tipo terrestre é uma prova de identidade. – Certezas da imortalidade.

Nos capítulos precedentes, aduzimos as provas que, parece-nos, demonstram com segurança a existência e a imortalidade da alma. Todavia, convém analisemos as objeções que se nos opuseram, quer com relação aos fatos em si mesmos, quer quanto às conseqüências que deduzimos deles.


Exame da hipótese de serem falsos os fatos relatados


Evidentemente, esta suposição é a que mais de pronto se apresenta aos que pela primeira vez lêem narrativas tão extraordinárias, quais as das materializações. É legítimo esse sentimento de dúvida, porquanto tais manifestações póstumas distam tanto do que toda a gente está habituada a considerar possível, que se compreende perfeitamente bem a incredulidade. Quando, porém, se toma conhecimento dos volumosos arquivos do Espiritismo, é-se obrigado a mudar de opinião, porquanto o que se depara a quem os examina são relatórios promanantes de homens de ciência universalmente estimados, de cuja palavra não se poderia suspeitar, tão acima de toda suspeita a honradez deles. Com efeito, ninguém pode absolutamente imaginar que os professores Hare, Mapes, o grande juiz Edmonds, Alfred Russel Wallace, Crookes, Aksakof, Zoellner ou o Dr. Gibier se hajam conluiado para mistificar seus contemporâneos. Seria tão absurda semelhante suposição que temos por inútil insistir sobre esse ponto.

Será, no entanto, mais admissível que esses homens eminentes se hajam deixado enganar por hábeis charlatães que no caso seriam os médiuns? Não o cremos tampouco, visto que alguns médiuns, como Eusápia Paladino, foram estudados por diversas comissões científicas, de que faziam parte homens do valor de Lombroso, Charles Richet, Carl du Prel, Aksakof, Morselli, Maxwell, de Rochas; astrônomos quais Schiapparelli e Porro, etc., e todos esses investigadores, separadamente, chegaram à comprovação de fenômenos idênticos.

Fora, pois, necessária a mais insigne má-fé, para se não reconhecer o imenso alcance dessas experiências. Os adversários do Espiritismo guardam silêncio acerca desses trabalhos, et pour cause, mas os que se resolveram a consultá-los, certo se impressionarão com o prodigioso concurso de afirmações unânimes, que dão aos fatos espíritas verdadeira consagração científica.

Quererá isso dizer que devamos aceitar todas as afirmações espíritas que nos forem feitas por quaisquer individualidades?

Evidentemente, não. Sobretudo nessas matérias, faz-se preciso nos mostremos excessivamente severos quanto ao valor dos testemunhos e proceder a uma seleção séria no acervo das observações. Entretanto, não se nos afigura lícito desprezar os relatos que provenham de homens instruídos, de posição independente, que nenhum interesse tenham em mentir e cuja palavra é acatada sobre qualquer outro assunto. São extremamente numerosos e merecem inteiro crédito os depoimentos de engenheiros, padres, magistrados, advogados, doutores que hão experimentado seriamente e que referem como foram convencidos. Há cinqüenta anos esse vasto inquérito se vem processando e imenso número de documentos possuem sobre cada classe de fenômenos, de sorte que, apartados os casos duvidosos, resta elevado número de narrativas, idênticas quanto ao fundo, mostrando que esses narradores, desconhecendo-se uns aos outros, assinalaram fatos precisos.

As fraudes dos médiuns


Se, geralmente, é pouco suspeita a boa-fé dos assistentes, o mesmo não se dá com a dos médiuns, a qual pode exigir muita reserva. É certo que os médiuns profissionais são às vezes tentados a suprir a falta de manifestações, quando longo tempo se passa sem que elas se produzam. A simulação, porém, só pode dar-se no tocante aos fenômenos mais simples e unicamente os observadores ingênuos e inexperientes se deixam enganar, caso que não é o dos sábios cujos nomes vimos de citar, os quais operavam tomando todas as precauções necessárias. Os fenômenos de materialização, pela sua singularidade, foram sempre os que constituíram objeto de vigilância mais severa e os experimentadores, cépticos ao iniciarem suas investigações, somente adquiriram a certeza da realidade dos mesmos fenômenos quando se lhes tornou evidente que as materializações não podiam ser efeito de disfarces do médium, ou produzidas por um comparsa que desempenhasse o papel do Espírito. Tomemos para exemplo as clássicas pesquisas de William Crookes. Só ao cabo de três anos de investigações, feitas, pela maior parte, na sua própria casa, em seu laboratório, conseguiu ele ver e fotografar simultaneamente o Espírito e o médium 194 e certificar-se assim de que a aparição não era devida a um disfarce de Florence Cook. Aliás, esta menina de quinze anos passava semanas inteiras em casa do professor, onde lhe teria sido impossível preparar as maquinações indispensáveis à execução de semelhante impostura.

Em todos os relatos sérios que se hão publicado sobre as materializações, a primeira parte da narrativa é consagrada à descrição das providências tomadas para evitar o embuste, sempre suspeitável. O gabinete do médium é cuidadosamente examinado; verifica-se que não há alçapões, nem janelas dissimuladas, nem armários em que se possam esconder um ou mais comparsas. Por vezes, as portas do aposento onde a reunião se efetua são seladas com papel timbrado, de maneira a não poderem abrir-se sem ruído e sem ruptura dos papéis. O próprio médium é severamente examinado e freqüentemente despido, de forma que não possa esconder o que quer que sirva para um disfarce. Concluídos esses preliminares, trata-se de colocar o médium na impossibilidade de mudar de lugar. Não raro, como o fizeram Varley e Crookes, estabelece-se uma corrente elétrica que, depois de atravessar o corpo do sensitivo, vai ter a um galvanômetro de reflexão, que assegura a sua imobilidade, porquanto, o menor movimenta que ele fizesse ocasionaria uma diferença na resistência do circuito e se revelaria por variações na intensidade da corrente, variações que o espelho indicaria. Apesar de tão minuciosas precauções, o Espírito de Katie e o da Sra. Fay 195 se mostraram como de ordinário, o que provou a perfeita independência da aparição.

Doutras vezes, atam-se as mãos e os braços do médium por meio de cordões em que são dados nós, aos quais se apõem selos de cera. A mesma ligadura lhe passa depois em torno do corpo, prendendo-o à cadeira, onde outros nós são feitos e selados. Finalmente, a extremidade do cordão é presa a um anel, fora do gabinete, à vista dos assistentes. Não raro, empregam-se sacos ou redes, que se fecham e selam como precedentemente. Tem-se mesmo chegado a utilizar gaiola. Apesar de todas essas medidas de fiscalização, os fatos se hão reproduzido exatamente como quando o médium está livre. Incontestavelmente, existem copiosas e absolutas provas de que o médium não pode fraudar; é quando, nas próprias habitações dos investigadores, se fotografam simultaneamente o Espírito e o médium. Não sendo possível, então, que qualquer comparsa simule a aparição, é de toda evidência que o médium não é o autor consciente do fenômeno.

Os desta natureza foram observados por William Crookes, por Aksakof, pelo Dr. Hitchman, etc.196 Não são menos probantes os moldes de membros corporais de formas materializadas. Não somente é impossível simulá-los, pois que não se pode fazer o molde de uma mão completa, senão compondo-o de várias peças cujas junturas ficam visíveis, ao passo que os que os Espíritos produzem não nas têm, mas ainda porque um molde que não se compusesse de diferentes partes não poderia ser retirado, visto que o pulso é notoriamente mais estreito do que a mão à altura dos dedos.

Nas experiências que citamos, o molde da mão física do médium difere inteiramente do da aparição, o que positivamente demonstra duas coisas:

1º) a sinceridade do médium;

2º) que a mão fluídica não é devida a um desdobramento seu.

Cumpre não esquecer tampouco que, quase sempre, a parafina foi pesada pelos operadores, antes e depois das sessões, verificando eles ser o peso do molde, mais o da parafina não utilizada, igual ao peso primitivo dessa substância, donde a conclusão de que o molde foi fabricado in loco e não trazido de fora.

Supondo que os médiuns fossem dotados de astúcia até então desconhecida, esbarra-se de encontro à evidência das fotografias e dos moldes. Somos, pois, forçados a afastar a hipótese de um embuste, pelo menos nos casos que citamos.

Será a aparição um desdobramento do médium?


É de notar-se que os incrédulos, que negam a possibilidade do desdobramento como explicação dos fenômenos telepáticos, não hesitam em lançar mão desse argumento quando se trata de aparições comprovadas nas sessões espíritas. Embora se reconheça que essa possibilidade às vezes se efetiva, pode-se ter a certeza de que, em muitos casos, intervêm outros fatores. É muito simples a distinção que se deve fazer entre uma bilocação do médium e uma materialização de Espírito. Sempre que o fantasma se parecer com o médium, a aparição será devida à exteriorização do seu perispírito.

Sabemos, com efeito, que o corpo fluídico é sempre a reprodução exata e fiel do corpo físico, com todas as minúcias. Jamais se verificaram experimentalmente dessemelhanças entre um indivíduo e o seu duplo, exceto as que resultam do jogo da fisionomia ao exprimir emoções. São dois exemplares do mesmo ser, duas reproduções da mesma entidade. Tivemos ensejo de reconhecer essa identidade no caso que Cox refere 197 e eis o que diz a respeito o Sr. Brackett, excelente juiz nessas questões:198

“Vi centenas de formas materializadas e, em muitos casos, o duplo fluídico do médium se lhe assemelhava tanto, que eu juraria ser o próprio médium, se não visse esse duplo se desmaterializar na minha presença e não verificasse, logo após, que o médium estava adormecido.”

Lembremos também que o molde de um pé fluídico de Eglinton é reprodução exatíssima do seu pé em carne e osso. Para nós, portanto, é mais que provável que um médium exteriorizado não pode, moto próprio, transformar-se. Exteriorizado, ele aparece idêntico ao seu corpo físico e é em virtude dessa semelhança que se tem podido freqüentemente comprovar os inúmeros fatos ditos telepáticos.

Mas, perguntar-se-á, será impossível ao Espírito modificar o seu aspecto? Já se têm observado por vezes fenômenos que parecem contradizer as conclusões enunciadas acima: os que foram denominados de transfiguração. Consistem no seguinte:

Há médiuns que revelam a singular propriedade de experimentar mudanças na forma do corpo, de maneira a tomarem temporariamente certas aparências, a ressuscitarem, por assim dizer, pessoas falecidas de há muito. Allan Kardec 199 cita o caso de uma moça cujas transfigurações eram tão perfeitas que causavam a ilusão de estar presente o defunto. Os traços fisionômicos, a corpulência, o som da voz, tudo contribuía para tornar completa a mudança. Muitas vezes, ela tomava a aparência de um irmão seu que morrera havia anos. Não é único esse fato. Nas coletâneas espíritas, encontram-se relatos de alguns outros, mas em número reduzido. Desde que, fisicamente, o corpo parece transformado, não poderia essa operação produzir-se, com relação ao perispírito, nas sessões de materialização? Sabemos que o fenômeno é possível, mas então deve-se procurar a causa efetiva da modificação, uma vez que ela nunca se produz naturalmente.

Julgamos que provém, precisamente, da ação do Espírito de quem o duplo reproduz os traços, uma vez que o médium desconhece o desencarnado que se manifesta dessa maneira.

Erro, objetam os críticos. Adormecido, o médium possui uma personalidade segunda, onipotente para agir sobre o seu envoltório, que ela pode modelar como se operasse com cera mole. A forma que o perispírito assume reproduz fielmente a imagem que o médium imagina, de sorte que o ser que é visto a conversar, a deslocar-se, a atuar sobre a matéria e que os assistentes tomam por um habitante do Além não passa, afinal de contas, do duplo do médium, que assim se caracterizou para aquela circunstância.

Notemos, antes de tudo, quão estranho seria que por toda parte os médiuns se dessem inconscientemente a semelhante mascarada e que invariavelmente afirmassem ter vivido na Terra. E, acrescentam os Espíritos, aonde irá o médium buscar o modelo para o seu disfarce, uma vez que já não existe o ser que ele macaquearia?

Duas explicações oferecem os opositores:



Primeira – O desenho da forma do ser se encontra no inconsciente dos espectadores. Quando mesmo estes já se não lembrem de todos os trespassados que eles conheceram, existe neles uma imagem exata e indelével desses trespassados e é por esse desenho inconsciente que o duplo se modela. O próprio fato de ser reconhecida a aparição, dizem os nossos adversários, basta para mostrar que ela subsistia, ignorada, no inconsciente de um dos assistentes. É maravilhosa a clarividência do paciente em transe e lhe permite ler o que se passa nos outros, como em livro aberto. Por possuir ele essa faculdade, como o mostram os exemplos do sonambulismo, é que tendes a ilusão de estar em presença de uma personagem de outro mundo.

Segunda – Quando ninguém conhece a aparição, é que a sua imagem foi tomada ao astral. Chama-se assim à ambiência fluídicas que cerca a Terra, e que teria a propriedade de conservar uns como “clichês” inalteráveis de tudo o que existe.

A primeira hipótese – leitura no inconsciente – seria admissível, se faltassem experiências a que ela não se pode aplicar. É bem certo que guardamos impressões imperecíveis de tudo o que nos afetou os sentidos. Mesmo quando a lembrança já se tenha enfraquecido, a ponto de não ser capaz de reproduzir um período da nossa vida passada, ainda possível é conseguir-se renasçam as sensações então experimentadas, com um frescor e um brilho tão vivo quanto no momento em que as tivemos.200

Não somos nós próprios, porém, que temos essa faculdade; preciso se torna um hipnotizador que a revele e ele mesmo só o alcança em certos pacientes especiais. Nunca ficou demonstrado que um médium a possuísse, tanto mais que, como o afirmam todos os que hão estudado a mediunidade, é absolutamente passivo o concurso do médium.

Se, realmente, a faculdade deste fosse tão potente, conforme o querem tais teorias, possível lhe fora atender sempre a todos os pedidos e fazer que à visão dos assistentes aparecessem todos os seus mortos queridos. É o que pondera Aksakof:201

“Se as materializações não passam de alucinações produzidas pelo médium e se este dispõe da faculdade de ver todas as imagens armazenadas nas profundezas da latente consciência sonambúlica dos assistentes e de ler todas as idéias e todas as impressões – que se encontram em estado de latência na lembrança deles – bem fácil lhe seria contentar a todos os que assistem à sessão, fazendo sempre que se lhes apresentassem ante os olhos as imagens das pessoas defuntas que lhes são caras. Que triunfo, que glória, que fonte de riqueza para um médium que chegasse a semelhante resultado! Mas, com grande pesar deles, as coisas não ocorrem assim. Para a maioria, são estranhas as figuras que se lhes apresentam, figuras que ninguém reconhece e extremamente raros são os casos em que fica bem comprovada a semelhança com o defunto, não só quanto ao aspecto, mas também quanto à personalidade moral. Os primeiros constituem a regra, os outros a exceção.”

Este raciocínio relativo à alucinação se pode aplicar inteiramente a uma transfiguração do corpo fluídico do médium. O fenômeno seria até mais probante ainda, pois que se poderia fotografar o ser aparente, chamado das profundezas do túmulo, ou obter dele um molde qualquer. Semelhante explicação, por muito engenhosa que seja, não consegue abranger todos os casos. Evidentemente, se é o duplo do médium que tenta fazer que o tomem por um defunto, impossível lhe será falar na língua de que em vida usava o morto, desde que não conheça essa língua. Examinemos alguns fatos que põem de manifesto essa verdade.

O Sr. James M. N. Sherman, de Rumford, Rhode Island, descreveu em Light de 1885, página 235, muitas sessões a que assistiu em casa da Sra. Allens, residente em Providence, Rhode Island. Eis o que se passou na de 15 de setembro de 1883:

“Fui chamado com minha mulher às proximidades do gabinete e, colocados diante dele, vi aparecer no assoalho uma mancha branca que insensivelmente se transformou numa forma materializada, na qual reconheci minha irmã e que me enviou beijos. Apresentou-se em seguida a forma da minha primeira mulher, depois do que as duas metades da cortina se afastaram, deixando ver de pé, pela abertura, uma forma feminina, vestida à moda dos insulares do Pacífico, tal como era quarenta e cinco anos antes e da qual eu me lembrava muito bem. Falou-me na sua língua materna.” 202

É positivo, nesse caso, que a Sra. Allens não conhecia os dialetos polinésios. Poderíamos juntar a este outros testemunhos; melhor, porém, nos parece lembremos imediatamente o relato das pesquisas do Sr. Livermore, que viu o fantasma de sua mulher e que conservou cartas escritas na sua presença pela aparição, em francês, língua ignorada de Kate Fox, a médium, que absolutamente se conservava no estado normal enquanto durava o fenômeno.203 Tanto a forma materializada de Estela era um ser independente da médium, que pôde manifestar-se por meio da fotografia, três anos depois de ter deixado de aparecer e na ausência da médium Kate Fox. Possuímos, a respeito, o depoimento do Sr. Livermore perante o tribunal, quando do processo instaurado contra o fotógrafo espírita Mumler (Spiritual Magazine, 1869). Ele fez duas experiências com Mumler:

“Na primeira, apareceu no negativo uma figura ao lado do Sr. Livermore, figura que logo o Dr. Gray reconheceu como sendo um dos seus parentes; na segunda, houve cinco exposições seguidas e para cada uma o Sr. Livermore tomara uma atitude diferente. Nas duas primeiras chapas, apenas havia nevoeiro sobre o fundo; nas três últimas, apareceu Estela, cada vez mais reconhecível e em três atitudes diferentes.”

A precaução, tomada pelo Sr. Livermore, de mudar de posição para ser fotografado, exclui a hipótese de que as chapas tenham sido preparadas de antemão. Ao demais, diz ele:

“Ela foi muito bem reconhecida, não só por mim, como por todos os meus amigos.”

A uma pergunta do juiz, declarou ele que possuía muitos retratos da esposa, porém nenhum sob aquela forma.

Isto, pois, nos dá a certeza de que Estela vive no espaço e que aí conservou a sua forma terrena, visto que deu provas disso por meio da materialização e da fotografia. As comunicações que transmitiu demonstram que a sua capacidade intelectual nenhuma diminuição sofreu, o que atestam as cartas que escreveu em francês puro. Os fatos, portanto, confirmam o ensino espírita, com exclusão de qualquer outra teoria.

Precisamos não esquecer nunca que uma hipótese é necessariamente falsa ou incompleta, desde que não explica todos os fatos. É o caso dessas explicações que pretendem nada mais haver nas materializações do que um desdobramento do médium, ou uma transfiguração do seu duplo.

A segunda hipótese – leitura no astral – não é mais plausível do que a precedente. Os fatos que por último citamos bastam para afastar a suposição de que a consciência sonambúlica do médium extraía do astral a figura materializada, porquanto, admitido existam no espaço semelhantes impressões, evidentemente elas seriam apenas imagens inertes, uma espécie de “clichês” fluídicos, que não poderiam denunciar qualquer atividade intelectual, do mesmo modo que as personagens de um quadro ou de uma fotografia não podem animar-se ou discutir entre si. Notemos também que fora mister viessem esses “clichês” ao encontro do médium, dado que há deles bilhões em torno de nós. Como escolheria ele o que corresponda ao Espírito evocado? Se admitirmos que essas aparências são capazes de escrever e de dar provas de uma existência física, estaremos com a teoria espírita, pois então já não haveria como distingui-las de verdadeiros Espíritos.

Mas, não se pode sequer admitir a explicação do desdobramento transfigurado, porquanto há casos em que não se mostra apenas um único Espírito materializado, em que, ao contrário, se apresentam muitos ao mesmo tempo, às vezes de sexos diferentes, provando cada um que é um ser real, com um volumoso organismo anatômico, que lhe permite mover-se de um lugar para outro, conversar, numa palavra: afirmar-se vivo. Aqui vão alguns exemplos desses fatos notáveis.

Materializações múltiplas e simultâneas


Os Srs. Oxley e Reimers são hábeis experimentadores, de posição independente e muito familiarizados com as materializações. Em sua casa, o Sr. Reimers obteve o molde da mão direita de uma aparição que ele viu por um instante ao lado da médium. Para saber se o molde não fora feito pela médium, pediu a esta que mergulhasse a mão no balde que continha parafina, a fim de modelá-la. A mão do Espírito difere completamente, pela forma, pela delicadeza e pelas dimensões, da da médium, a Sra. Firman, que pertencia à classe operária e já era idosa. No fim do volume Animismo e Espiritismo, de Aksakof, encontram-se fotótipos que reproduzem essas moldagens e permitem a comparação. Noutra sessão, a que assistiu o Sr. Oxley, alguém manifestou o desejo de obter a mão esquerda do mesmo Espírito e obteve, fazendo o par esse segundo molde com o da mão direita obtido antes. Chamava-se Bertie a aparição. Nada, até então, fora do comum. O fenômeno, porém, se tornou depois interessante. Eis como:

Numa sessão ulterior e por um médium do sexo masculino, o Dr. Monck, obtiveram-se moldes das duas mãos de Bertie e o de um pé, revelando os três, exatamente, as linhas e traços característicos das mãos e pés de Bertie, tais quais tinham sido notados quando feitos os moldes nas sessões em que o médium fora a Sra. Firman. (Psychische Studien, 1877, pág. 540.) É muito importante a substituição de uma mulher por um homem, como médium, porquanto, de modo algum se pode explicar, mediante o desdobramento, a produção de imagens idênticas, sendo diferentes os médiuns, ao passo que se concebe muito bem que um Espírito tome indiferentemente a um organismo feminino ou masculino os elementos necessários à sua materialização, pois que esses elementos são os mesmos nos dois sexos. Mas, quando em vez de uma aparição, muitas se mostram simultaneamente, impossível se torna atribuí-las, seja a um desdobramento, seja a uma transfiguração do médium. Citemos, segundo Aksakof, a narrativa de um desses casos notáveis (sessão de 11 de abril de 1876).204

“A imagem que aqui se vê 205 reproduz exatamente o molde em gesso da mão do Espírito materializado, que se intitulava Lily,206 muito diverso de Bertie, do qual difere fisicamente. A reprodução em gesso foi feita com o molde que aquele Espírito deixara na sessão de 11 de abril de 1876, e isso em condições que tornavam impossível qualquer embuste. Como médium, tínhamos o Dr. Monck. Depois de revistado minuciosamente, foi ele metido num gabinete improvisado com o auxílio de uma cortina posta no vão de uma janela, conservando-se a sala iluminada a gás durante toda a sessão. Pusemos uma mesa redonda bem junto da cortina e sentamo-nos à volta. Éramos sete.

Logo duas figuras de mulher, que conhecíamos pelos nomes de “Bertie” e “Lily”, se mostraram no ponto em que se reuniam as duas metades da cortina e, quando o Dr. Monck passou a cabeça pela abertura da mesma cortina, aquelas duas figuras apareceram acima desta, ao mesmo tempo em que duas figuras de homem (“Milke” e “Richard”) a afastaram dos dois lados e também se mostraram. Vimos, pois, simultaneamente, o médium e quatro figuras materializadas, cada uma das quais com traços particulares que a distinguiam das outras, como se dá com as pessoas vivas.

Ocioso dizer que todas as medidas de precaução tinham sido tomadas para impedir qualquer embuste e para que percebêssemos a menor tentativa de fraude.”

Nenhuma dúvida tem cabimento aqui, pois que o médium e as formas materializadas são vistos simultaneamente. Se é possível o desdobramento do médium – e disso absolutamente não duvidamos –, absurda é a sua divisão em quatro partes, duas das quais de um sexo e duas de outro. Somos então forçados a admitir, como única explicação lógica, a existência dos Espíritos, sem embargo de todas as prevenções e de todos os preconceitos.

E não se julgue seja único o caso citado pelos Srs. Reimers e Oxley. É, ao contrário, muito freqüente. Eglinton serviu muitas vezes de médium para a materialização de aparições coletivas. Afirma a Srta. Glyn que, em sua casa, se materializaram sua mãe e seu irmão e que, vendo aquelas duas formas ao mesmo tempo em que via o médium, que se lhe achava próximo e com as mãos seguras por outras pessoas, a convicção se lhe impôs da realidade do fenômeno.

O pintor Tissot viu simultaneamente, tão bem e por tão longo tempo que pôde com elas fazer belíssimo quadro, duas formas, feminina uma, a outra masculina, a primeira das quais ele reconheceu perfeitamente, e, também, o desdobramento de Eglinton, cujo corpo físico repousava numa poltrona, a seu lado.207

Afigura-se-nos inútil insistir mais demoradamente nestes fatos, que o leitor encontrará mencionados em grande número nas obras citadas.

Resumo


Conquanto tenha havido fraudes operadas por charlatães que queriam passar por médiuns, é incontestável que, quando as experiências foram feitas por sábios, as precauções adotadas bastaram para, em absoluto, afastar essa causa de erro. Os relatos, de origens tão diversas e conformativos uns dos outros, constituem provas de que os fatos foram bem observados e que tais relatos são verídicos.

Há-se de banir, absolutamente, a hipótese de que, adormecido, o médium se torne poderoso magnetizador, que pela sugestão imponha seus pensamentos aos experimentadores que, então, se achariam mergulhados num sonambulismo inconsciente – hipnotismo vígil –, porquanto jamais se observou semelhante poder. Ainda nenhuma experiência firmou que quaisquer indivíduos, reunidos numa sala – nunca tendo sido antes hipnotizados ou magnetizados –, hajam podido alucinar-se de maneira a ver e tocar um objeto ou uma pessoa imaginários. Numerosas são as provas de que os assistentes se conservam no estado normal, conversando uns com os outros, tomando notas, discutindo os fenômenos, manifestando dúvidas, coisas todas essas que atestam estarem eles perfeitamente despertos. Não esqueçamos tampouco que as fotografias, os moldes, os objetos, que se conservam, deixados pela aparição, as escritas que permanecem depois que o ser há desaparecido, constituem provas absolutas de que não há ilusão, nem alucinação.

Eis, pois, aqui todos os casos que se podem apresentar. Antes de tudo, é possível que se verifique uma transfiguração do próprio médium; mas, fatos dessa natureza, extremamente raros, são sempre um pouco suspeitos, a menos que se produzam espontaneamente e em plena luz. É mais freqüente a transfiguração do duplo do médium, se bem seja ainda excepcional o fenômeno. Vimos – através de fatos positivos – que a hipótese de modificações plásticas do perispírito do médium absolutamente não explica que a materialização empregue uma língua estrangeira que o mesmo médium desconhece; nem os casos de se fazerem visíveis simultaneamente vários fantasmas. Vimos igualmente que ela não pode aplicar-se às formações de fantasmas idênticos, sem embargo de se substituírem os médiuns. Se juntarmos a essas observações as dos casos em que o sensitivo conversa com a aparição, como faziam Katie King e a Srta. Cook; ou as daqueles em que se comprova a presença simultânea do duplo do médium e de Espíritos materializados, forçoso se tornará reconhecer que a teoria do desdobramento não é geral e não pode aplicar-se à maioria desses fenômenos.

A hipótese de que as aparições sejam apenas imagens tomadas ao astral e projetadas fisicamente pela consciência sonambúlica do médium é inaceitável, porque, primeiro, seria preciso explicar como essas imagens se tornariam seres vivos e manifestariam uma vida psíquica cujos elementos não existem no médium, coisa que jamais foi tentada.

A única teoria que explica todos os fatos, sem exceção de um só, é a do Espiritismo. Inseparável do seu envoltório perispirítico, a alma pode materializar-se temporariamente, quer transformando o duplo do médium, ou, mais exatamente, mascarando-o com a sua própria aparência, quer tomando matéria e energia ao médium, para as acumular na sua forma fluídica, que então aparece qual era outrora na Terra. Vamos insistir nos caracteres anatômicos das materializações, para bem estabelecermos a individualidade dos seres que se manifestam nas maravilhosas sessões em que aquele fenômeno se produz. Antes, porém, não será demais apreciemos o grau de certeza que comporta a prova da identidade dos Espíritos.

Estudo sobre a identidade dos Espíritos


Na sábia e conscienciosa obra que o Sr. Aksakof consagrou à refutação das teorias do filósofo Hartmann, depara-se-nos a conclusão seguinte:

“Tendo adquirido por laboriosa senda a convicção de que o princípio individual sobrevive à dissolução do corpo e pode, sob certas condições, manifestar-se de novo por intermédio de um corpo humano, acessível a influências desse gênero, a prova absoluta da identidade do indivíduo resulta impossível.”

Votamos sincera admiração e profundo respeito ao sábio russo que revelou, na sua obra, espírito tão sagaz, quanto penetrante. Seu livro é uma das mais preciosas coletâneas de fenômenos bem estudados, onde os espíritas encontram armas decisivas para sustentar luta contra seus adversários. Mas, não podemos adotar todas as suas idéias, por se nos afigurar que o seu propósito, de manter-se estritamente nos limites que lhe impunha a sua discussão com Hartmann, o fez restringir demasiadamente o caráter de certeza que ressalta das experiências espíritas. Não haverá contradição entre a primeira e a segunda parte da citação acima? Como se há de adquirir “a convicção de que o princípio individual sobrevive”, se não se pode estabelecer a identidade dos seres que se manifestam? Por que, desde que, coletivamente, todos os humanos sobrevivem, impossível será ter-se particular certeza, com relação a um deles? Examinemos os argumentos em que se baseou o Sr. Aksakof para chegar àquela desoladora conclusão.

Segundo o autor,208 a presença de uma forma materializada, comprovada pela fotografia, ou nas sessões de materialização, não bastaria para lhe atestar a identidade, como, aliás, também não bastaria o conteúdo intelectual das comunicações. Eis porquê:

“Não me resta mais do que formular o último desideratum, relativamente à prova de identidade fornecida pela materialização, e é que essa prova – do mesmo modo que o exigimos no tocante às comunicações intelectuais e à fotografia transcendental – seja dada na ausência de qualquer pessoa que possa reconhecer a figura materializada. Creio que se poderiam encontrar muitos exemplos desse gênero nos anais das materializações. Mas, a questão é esta: dado o fato, poderia ele servir de prova absoluta? Evidentemente, não, porque, admitido que um Espírito se pode manifestar dessa maneira, possível lhe é, eo ipso, prevalecer-se dos atributos de personalidade doutro Espírito e personificá-lo na ausência de quem quer que seja capaz de reconhecê-lo. Tal mascarada seria completamente insípida, visto que absolutamente nenhuma razão de ser teria. Do ponto de vista, porém, da crítica, não poderia ser ilógica a sua possibilidade.”

Parece que o Sr. Aksakof admite como demonstrado que um Espírito pode mostrar-se sob qualquer forma, sob a que lhe apraza tomar, a fim de representar uma personagem que é ele. Ora, isso justamente é que seria necessário firmar, por meio de fatos numerosos e precisos. Se consultarmos os milhões de casos em que o Espírito de um vivo se faz visível, verificaremos que o duplo é sempre a reprodução rigorosamente fiel do corpo, atingindo essa identidade todas as partes do organismo, como o prova irrefutavelmente a modelagem do pé fluídico de Eglinton, do qual falamos em capítulo anterior.209

Quando o duplo inteiro de Eglinton se materializa, assemelha-se a tal ponto ao seu corpo físico, que há mister se veja o médium adormecido na sua cadeira, para se ficar persuadido de que ele não está no lugar onde se encontra a aparição. Quando a Sra. Fay se mostra entre as duas metades da cortina, com suas vestes e o seu rosto, perfeitamente semelhante ao seu corpo físico, com os mesmos traços fisionômicos, cor dos olhos, do cabelo, da pele, faz-se preciso que a corrente elétrica lhe atravesse o organismo carnal, para se ter a certeza de não ser este o que se está vendo.

“Vi – diz o Sr. Brackett,210 experimentador muito céptico e muito prudente –, centenas de formas materializadas e, em muitos casos, o duplo fluídico do médium assemelhando-se-lhe tanto, que eu teria jurado ser o próprio médium, se não visse o mesmo duplo desmaterializar-se diante de mim e não houvesse, logo após, comprovado que o médium se conservava adormecido.”

Não acreditamos possa alguém citar um único exemplo de haver um duplo de vivo mudado o seu tipo, exclusivamente por vontade própria. Ao contrário, da observação das aparições espontâneas, tanto quanto das obtidas pela experiência, resulta que, se nenhuma influência exterior for exercida, o Espírito se mostra sempre sob a forma corpórea que lhe caracteriza a personalidade. Dar-se-á tenha ele, depois da morte, um poder que lhe faltava em vida? Poderia o Espírito dar ao seu corpo espiritual forma idêntica à de outro Espírito, de maneira a ser o sósia deste? É o que vamos examinar.

À primeira vista, parece que o fenômeno da transfiguração confirma a opinião de que o Espírito pode mudar de forma. Mas, será mesmo assim? Em realidade, o paciente é inteiramente passivo. Não é, pois, consciente ou voluntariamente que modifica o seu próprio aspecto. Ele sofre uma influência estranha, que substitui pela sua aparência a do médium, pois que, geralmente, este não conhece o Espírito que sobre ele atua. Não se pode, portanto, pretender que o Espírito de um médium seja capaz – eo ipso – de se transformar. Em nenhum caso foi isso ainda demonstrado e a substituição de forma bem se pode atribuir a outro Espírito, visto que, quando o desdobramento se produz de modo espontâneo, a forma do Espírito é sempre a do corpo.

Estudemos agora os casos em que a aparição é manifestamente diferente do médium e do seu duplo.

Porventura já se comprovou que um Espírito, tendo-se mostrado sob uma forma bem definida, haja mudado de aspecto diante dos espectadores, assumindo outra inteiramente diversa da primeira? Jamais semelhante fenômeno se produziu. A única observação, do nosso conhecimento, que tem alguma relação com esse assunto, é a que relata o Sr. Donald Mac Nab, que conseguiu fotografar e tocar, com seis amigos seus, a materialização de uma moça que reproduziu absolutamente um velho desenho datando de vários séculos, desenho que muito impressionara o médium. Nada, porém, prova, nesse exemplo, que essa aparição não seja a da moça representada no desenho, tendo bastado perfeitamente, para atraí-la, o pensamento simpático do médium. Não está, pois, de modo algum estabelecido que seja essa uma transformação do duplo do médium, nem tampouco uma criação fluídica objetivada pelo seu cérebro. O que algumas vezes se há verificado são modificações no talhe, na coloração do semblante, na expressão da fisionomia da aparição. Pode variar muito o grau da sua materialidade e, sendo esta fraca, não acentuar bastante os detalhes da semelhança; mas, o tipo geral não muda. As modificações são as de um mesmo modelo e não chegam para representar outro ser.

Tomemos o exemplo de Katie King. Indubitavelmente, ela não era um desdobramento de Florence Cook, porquanto esta, vígil, conversa durante alguns minutos com Katie e o Sr. Crookes, que as vê a ambas. A independência intelectual do Espírito materializado se revela aí com toda a clareza, nada tendo de duvidoso com relação ao corpo físico, visto que o Sr. Crookes assinalou as diferenças de talhe, de tez, de cabeleira e, o que é mais importante, dos caracteres fisiológicos entre as duas.

“Uma noite, contei as pulsações de Katie. Seu pulso batia regularmente 75, ao passo que o da Srta. Cook, poucos instantes depois, chegava a 90, algarismo habitual. Colando o ouvido ao peito de Katie, ouvi-lhe o coração a bater dentro e os seus batimentos ainda mais regulares eram do que os do coração da Srta. Cook, quando, após a sessão, ela me permitiu a mesma experiência. Auscultados, os pulmões de Katie se revelaram mais sãos do que os da sua médium que, na ocasião em que fiz a minha experiência, estava em tratamento médico devido a um forte resfriado.”

Evidentemente, segundo o que se acaba de ler, Katie não era a figura nem do corpo, nem do duplo do médium. Tinha uma individualidade distinta, se bem nem sempre aparecesse por inteiro. Numa sessão com Varley, engenheiro-chefe das linhas telegráficas da Inglaterra, estando a médium fiscalizada eletricamente, Katie só se mostrou materializada a meio, até à cintura apenas, faltando ou conservando-se invisível o resto do corpo.

“Apertei a mão àquele ser estranho – diz o célebre engenheiro – e, ao terminar a sessão, mandou Katie que eu fosse despertar a médium. Achei a Srta. Cook em transe, isto é, adormecida, como eu a deixara, e intactos todos os fios de platina. Despertei-a.”

Segundo Epes Sargent, nos primeiros tempos, apenas se via o rosto; não havia cabelos, nem coisa alguma acima da fronte. Parecia uma máscara animada. Após cinco ou seis meses de sessões, apareceu a forma completa. Esses seres então se condensam mais facilmente e mudam de cabelos, de vestuário, de cor da tez, à vontade. Mas, note-se bem que é sempre o mesmo tipo, nunca uma outra forma.

Neste ponto, faz-se necessário precisemos bastante o que entendemos pelo termo tipo. Quando se comparam fotografias de um indivíduo, tiradas em diversas épocas de sua vida, reconhecem-se grandes diferenças entre as que ele tirou na idade de 15 anos e as que o representam aos 30 anos. Tudo se modificou profundamente. Os cabelos embranqueceram ou rarearam, os traços se acentuaram ou ampliaram; notam-se rugas onde antes só se via plena juvenilidade. Entretanto, com um pouco de atenção, chega-se a perceber que essas divergências não são fundamentais, que se encerram dentro de limites definidos, dentro do que constitui, durante a vida toda, a característica da individualidade: o tipo. Podemos perfeitamente conceber que o perispírito seja capaz de reproduzir uma dessas formas, pois que evolveu através delas neste mundo. Essa faculdade de fazer que uma imagem reviva de si mesma assemelha-se a um avivamento de lembranças, o qual evoca uma época passada e a torna presente para a memória. Desde que nada se perde no envoltório fluídico, as formas do ser se fixam nele e podem reaparecer sob o influxo da vontade. Isso se demonstra por meio de alguns exemplos.

Voltemos ao testemunho do Sr. Brackett, citado pelo Sr. Erny.

“Numa sessão de materialização, vi um mancebo de grande estatura dizer-se irmão da senhora que me acompanhava e que lhe replicou: “Como poderia eu reconhecê-lo, se não o vejo desde criança?” Para logo, a figura diminuiu de talhe pouco a pouco, até chegar à do menino que a senhora conhecera. Observei outros casos do mesmo gênero, acrescenta Brackett.”

Aqui está outro testemunho seu:

“Uma das formas que aparecem em casa da Sra. F... disse ser Berta, minha sobrinha por afinidade. Como eu me mostrasse duvidoso, a forma desapareceu e voltou com a voz e o talhe de uma criança de quatro anos, idade em que morrera. Não era um desdobramento, porquanto o médium tem sotaque alemão e Berta não. Quanto ao ser uma figurante paga pela Sra. F..., desafio seja quem for que se desmaterialize diante de mim, como Berta se desmaterializou.”

Façamos aqui uma observação importante. Os dois Espíritos que se reportam à sua meninice têm uma estatura e uma aparência diversas das que se lhes conheceram neste mundo. Pode-se admitir sejam estatura e aparência de uma vida anterior à precedente, o que nos conduz à lei geral, ensinada por Allan Kardec, de que um Espírito suficientemente adiantado pode assumir, à sua vontade, qualquer dos tipos pelos quais tenha evolvido no curso de suas existências sucessivas. Com essa questão, porém, não temos que nos ocupar, do ponto de vista da identidade, porquanto apenas nos interessa a última forma, a que conhecemos.

Não se deverá concluir do que fica dito que um Espírito farsista não possa disfarçar-se, de maneira a simular uma personagem histórica, mais ou menos fielmente. Claro que a um farsante será possível sempre criar o redingote cinzento e o chapéu de Napoleão, bem como uma auréola e um par de asas, a fim de que o tomem por um anjo. Se, porventura, ele tiver uma vaga parecença com Bonaparte ou com as tradicionais imagens de São José, poderá enganar os inexperientes, os ingênuos, os desprovidos de senso crítico. Esse gênero de embuste pode mesmo ser empregado por Espíritos pouco escrupulosos no tocante à escolha dos meios para sustentar certas crenças: mas, grande distância vai dessas caricaturas às experiências cientificamente realizadas, quais as que temos citado neste livro.

Outra observação também muito importante decorre do estudo das materializações e mostra claramente que não é o Espírito quem cria a forma sob a qual é ele visto: o fato é que os moldes são verdadeiros modelos anatômicos.

Os Espíritos que assim se manifestam confessam muito facilmente que ainda se acham pouco avançados na hierarquia espiritual. Na maioria dos casos, são limitados os seus conhecimentos e não há suposição injustificada no dizer-se que são muito ignorantes em matéria de ciências naturais. Nessas condições, parece-nos evidente que não poderiam, de modo algum, construir uma forma perfeita bastante para revelar o grau de realidade que os moldes nos dão a conhecer. As peças modeladas não são simples esboços mais ou menos bem acabados de um membro qualquer; é da própria Natureza o que se observa, até nos mínimos detalhes. Temos, pois, a prova de que é um verdadeiro organismo que se imprime em substâncias plásticas e não apenas uma imagem, que seria rudimentar, se fosse produzida pelo Espírito. Que organismo então é esse? É o que já existe durante a vida, o que dá moldagens idênticas no curso dos desdobramentos; é, numa palavra, o perispírito, que a morte não destruiu e que persiste com todas as suas virtualidades, pronto a manifestá-las, desde que seja favorável a ocasião.

Ainda mesmo imaginando-se que a forma do nosso corpo está impressa, como imagem, na nossa memória latente, o que é possível, não menos verdade é que todos os detalhes anatômicos, saliências das veias, dos músculos, desenhos da epiderme, etc., não podem existir nessa imagem mental, pelo menos quanto às partes do corpo que geralmente se conservam cobertas pelas roupas.

Entretanto, nos desdobramentos materializados de médiuns, sempre que foi possível tomarem-se impressões ou moldes, se há reconhecido que o corpo fluídico assim exteriorizado é reprodução idêntica do organismo material do médium, do seu pé, por exemplo, como foi notado com Eglinton pelo Dr. Carter Blake, ou de sua mão, conforme se deu muitas vezes com Eusápia. É o critério que nos permitirá distinguir da materialização de um Espírito um desdobramento. Se a aparição é o sósia do médium, segue-se que sua alma é que se manifesta fora do seu organismo carnal. No caso contrário, se a aparição difere anatomicamente do médium, quem está presente é outra individualidade.

Esta observação, que fomos os primeiros a fazer, permite se distinga facilmente se o fantasma é a aparição de um ser desencarnado, ou uma bilocação do médium.

Não será talvez supérfluo insistir fortemente nas numerosas provas que apóiam a nossa maneira de ver.

O astrônomo alemão Zoellner afirma que durante uma de suas experiências com Slade,211 produziu-se a impressão de uma mão fluídica, num vaso cheio de farinha finíssima, com todas as sinuosidades da epiderme distintamente visíveis, não tendo o observador perdido de vista as mãos do médium, que se conservaram todo o tempo sobre a mesa. Aquela mão era maior do que a de Slade. Doutra feita, produziu-se uma impressão durável numa folha de papel enfumaçado na chama de uma lâmpada de petróleo. Slade se descalçou imediatamente e mostrou que nenhum vestígio havia dos resíduos da fumaça em seus pés. A impressão tinha quatro centímetros mais do que o pé do médium e parecia a de um pé comprimido por uma botina, porquanto um dos dedos cobria completamente outro, tornando-o invisível.

O Dr. Wolf,212 com a médium Sra. Hollis, viu uma mão a fazer evoluções rápidas, pousar sobre um prato cheio de farinha e retirar-se depois de sacudir as partículas que lhe ficaram aderentes. “A impressão representava a mão de um homem adulto, com todos os detalhes anatômicos.” Os dedos marcados na farinha eram mais longos de uma polegada do que os da Sra. Hollis.

O professor Denton,213 inventor do processo de moldagem em parafina, obteve, na primeira sessão com a Sra. Hardy, de quinze a vinte moldes de dedos de todos os tamanhos. Na maioria dessas formas, notadamente nas maiores ou nas que mais se aproximavam, pelas suas dimensões, dos dedos do médium, ressaltavam nítidos todas as linhas, sulcos e relevos que se notam nos dedos humanos. Uma comissão de sete membros assinou uma ata onde se acha consignado o seguinte: dentro de uma caixa fechada, produziu-se, pela ação inteligente de uma força desconhecida, o molde exato de uma mão humana de tamanho natural. O escultor O'Brien, perito em moldagens, examinou sete dos modelos em gesso e os achou de maravilhosa execução, reproduzindo todas as particularidades anatômicas, assim como as desigualdades da pele, com tão grande finura, como a que se obtém na modelagem de um membro, mas com molde constituído de diferentes pedaços, ao passo que os modelos submetidos ao seu exame não apresentavam qualquer vestígio de soldadura, parecendo-lhe resultar de moldes sem samblagens.

Esse relatório assinala que uma dessas moldagens de mãos “se assemelha singularmente, como forma e como tamanho”, a uma modelagem da mão de um Sr. Henri Wilson, examinada por O'Brien, pouco tempo depois do trespasse desse senhor, de cujo rosto ele fora fazer a moldagem em gesso. Aí a conservação da forma fluídica se revela materialmente, constituindo uma boa prova da imortalidade.

Numa sessão em casa do Dr. Nichols, com Eglinton, por um molde de mão de criança foi esta reconhecida, graças a uma ligeira deformidade característica, reproduzida no molde.

O Dr. Nichols reconheceu sem hesitar a mão de sua filha, obtida pelo mesmo processo.

“Esta mão – diz ele – nada tem da forma convencional que os estatuários criam. É uma mão absolutamente natural, anatomicamente correta, mostrando todos os ossos, todas as veias, todas as menores sinuosidades da pele. É exatamente a mão que eu conhecia, que eu tão bem conheci durante a sua existência corporal, que eu tantas vezes palpei, quando se apresentava materializada.”

Nas experiências dos Srs. Reimers e Oxley, a materialização chamada Bertie deu duas mãos direitas e três esquerdas – todas em posições diferentes, o que não impediu que as linhas e os pregueados fossem idênticos em todos os exemplares. As mãos pertencem indubitavelmente à mesma pessoa. As moldagens das mãos do médium diferem totalmente, quer como forma, quer como dimensões, das de Bertie. Com o médium Monck, a mesma Bertie também deu os moldes de suas duas mãos, os quais são idênticos aos obtidos com a primeira médium, Sra. Firman, o que estabelece, de modo perfeito, a identidade do Espírito. O Espírito Lily variava de tamanho; ora a sua estatura não ultrapassava a de uma criança bem conformada, ora apresentava as dimensões da de uma moça.

“Creio – diz o Sr. Oxley – que ela não apareceu duas vezes sob formas absolutamente idênticas; eu, porém, a reconhecia sempre e nunca a confundi com as outras aparições.”

Poderíamos multiplicar estes depoimentos segundo os quais o Espírito tem um organismo, que ele não forma de ocasião e para os fins da experiência; vamos, porém, ver outras provas. Sabemos que a aparição de Katie King se assemelha inteiramente a uma pessoa natural. Temos sobre esse ponto o testemunho formal de William Crookes. Nas materializações completas é o que sempre se dá. Alfred Russel Wallace, numa carta ao Sr. Erny escreve:

“Algumas vezes, a forma materializada parece uma simples máscara, incapaz de falar e de se tornar tangível a um ser humano. Noutras circunstâncias, a forma tem todos os característicos de um corpo vivo e real, podendo mover-se, falar, mesmo escrever e revelando calor ao tato. Tem, sobretudo, individualidade e qualidades físicas e mentais totalmente diversas das do médium.”

Numa sessão em Liverpool, com um médium não profissional, o Sr. Burns viu aproximar-se de si um Espírito que com ele estivera em relações durante longo tempo.

“Apertou-me a mão – diz Burns – com tanta força que ouvi o estalido de uma das articulações de seus dedos, como sói acontecer quando se aperta fortemente uma mão. Esse fato anatômico foi corroborado pela sensação que eu experimentava de estar segurando uma mão perfeitamente natural.”

Fazia parte desse círculo de experimentadores o Dr. Hitchman, autor de várias obras de medicina, o qual, numa carta dirigida ao Sr. Aksakof, disse:214

“Pelo fato, creio ter adquirido a mais científica certeza, que seja possível obter-se, de que cada uma dessas formas que apareceram era uma individualidade distinta do envoltório material do médium, porquanto, tendo-as examinado com o auxílio de diversos instrumentos, comprovei nelas a existência da respiração e da circulação; medi-lhes o talhe, a circunferência do corpo, tomei-lhes o peso, etc.”

Pensa o autor que esses seres têm uma realidade objetiva, mas que a aparência corpórea deles é de natureza diferente da “forma material” que caracteriza a nossa forma terrestre. Depois dessa época, os numerosíssimos fenômenos da telepatia projetaram luz sobre essas aparições cujos caracteres pareciam verdadeiramente sobrenaturais, porém que, melhor conhecidos, podem ser, se não explicados completamente, pelo menos logicamente concebidos.

Reflita-se por um instante em que o duplo de um vivo, desde que há saído de seu corpo, é um Espírito, como o será depois da morte; que as suas manifestações físicas e intelectuais são idênticas às que um Espírito desencarnado pode produzir, e ver-se-á que as moldagens constituem prova absoluta da imortalidade.

Logo, no estado atual dos nossos conhecimentos, cremos que a identidade de um Espírito se acha perfeitamente estabelecida quando ele se mostra a atuar, materializado numa forma idêntica à que teve outrora o seu corpo físico.

É o caso de Estela Livermore e de muitos outros Espíritos que foram identificados de modo a não deixar subsistisse qualquer dúvida.

Examinando minuciosamente, nas obras originais, os fatos mencionados acima e sem formular hipótese, parece-nos que as seguintes conclusões se impõem logicamente:

1º) que os Espíritos têm um organismo fluídico;

2º) que, quando esse corpo fluídico se materializa, reproduz fielmente um corpo físico que o Espírito revestiu durante certo período da sua vida terrestre;

3º) que nenhuma experiência ainda demonstrou que o grau de variação dessa forma possa ir a ponto de reproduzir outra forma inteiramente distinta daquela sob a qual ela se mostra espontaneamente. Se alguma variação se opera, não passa de uma diferença para mais ou para menos do mesmo tipo;

4º) que, estabelecido, como se acha, experimentalmente, pela fotografia, pelas moldagens, pelas mais variadas ações físicas, que aquele organismo existe nos vivos, pode-se, por efeito de rigorosa dedução, afirmar a sua existência depois da morte, uma vez que ela se nos impõe pelos mesmos fatos que a têm positivado com relação aos vivos;

5º) logo, até prova em contrário, a aparição de um Espírito que fala e se desloca no espaço, que se pode reconhecer como sendo uma pessoa que viveu na Terra é prova excelente de sua identidade.

Pode demonstrar-se a identidade
por meio de provas intelectuais?


Fiel ao seu método, o Sr. Aksakof não acredita que se possa estar certo da identidade de um Espírito, ainda quando ele revela fatos referentes à sua existência terrestre, na ausência de pessoas que conheçam esses fatos, porquanto outro Espírito também poderia conhecê-los. É esta a sua argumentação:

É evidente que essa possibilidade de imitação ou de personificação (de substituição da personalidade) se deve igualmente admitir para os fenômenos de ordem intelectual.

O conteúdo intelectual da existência terrestre de um “Espírito”, a que chamaremos A, deve ser muito mais acessível a outro “Espírito”, que designaremos por B, do que os atributos exteriores dessa existência. Tomemos mesmo o caso em que o “Espírito” se exprime numa língua que o médium desconhece, mas que era a do defunto. É inteiramente possível que o “Espírito” mistificação também conheça precisamente essa língua. Então, só restaria a prova de identidade pela escrita, que não poderia ser imitada. Mas, seria necessário que essa prova fosse dada com uma abundância e uma perfeição excepcionais, como no caso do Sr. Livermore, porquanto é sabido que também a grafia e, sobretudo, as assinaturas estão sujeitas a falsificações e imitações. Assim, depois de uma substituição da personalidade sobre o plano terreno – pela atividade inconsciente do médium – temos que nos avir com uma substituição da personalidade num plano supraterrestre, por efeito de uma atividade inteligente exterior ao médium. Logicamente falando, tal substituição careceria de limites. O qüiproquó seria sempre possível e imaginável. O que aqui a lógica nos leva a admitir, em princípio, a prática espírita o prova. O elemento mistificação, no Espiritismo, é fato incontestável, como se reconheceu, desde o seu advento. É claro que, além de certos limites, já não se pode lançar esse fato à conta do inconsciente, tornando-se ele um argumento a favor do fator extramediúnico, supraterrestre.”

Toda a argumentação do sábio russo assenta nessa presunção de que o conteúdo intelectual da existência terrena de um Espírito A é perfeitamente acessível a um Espírito B. Temos para nós que essa proposição reclama estudo mais acurado. Sabemos que os Espíritos, para se exprimirem, não precisam da linguagem articulada. Eles se compreendem sem o recurso da palavra, pela só transmissão do pensamento, linguagem essa universal que todos apreendem. Resulta, porém, daí que todos os Espíritos vêem todos os pensamentos, uns dos outros? Não, conforme a experiência o demonstra.

Do mesmo modo que o paciente magnético mais ricamente dotado não penetra os pensamentos de todos os circunstantes, também, no espaço, muitos desencarnados são absolutamente incapazes de apreender os pensamentos dos demais Espíritos, tanto que estes não entram em comunicação com eles. A faculdade da clarividência está em relação com a elevação moral e intelectual do Espírito. Isso ressalta bastante das comunicações que se recebem, porquanto, se o “conteúdo intelectual” do Espírito de um Newton, de um Vergílio, ou de um Demóstenes estivesse ao alcance de qualquer um, muito menos banalidades se assimilariam em grande número das mensagens que nos chegam do Além. A verdade é que a morte não confere à alma conhecimentos que ela não adquiriu pelo seu trabalho. Lá, no espaço, o Espírito vai encontrar-se tal qual se fez pelo seu labor pessoal e se, uma ou outra vez, um Espírito se revela, depois da morte, superior ao que parecia ser neste mundo, é que manifesta aquisições anteriores, obnubiladas temporariamente na sua última existência corpórea.

Admitamos, contudo, por um instante, que um Espírito A conheça os acontecimentos da vida terrestre de um Espírito B. Bastará isso para lhe dar o caráter de B e a maneira pela qual este se exprime? Evidentemente, não. E, se o Espírito A se encontrar em presença de um observador sagaz que haja conhecido suficientemente B, não custará ser desmascarado. Diz-se: o estilo é o homem. É quase impossível que alguém simule o modo pelo qual se exprime um indivíduo, mesmo que conheça episódios de sua passada existência. Reflitamos igualmente em que, se um Espírito A pudesse imprimir ao seu envoltório físico os caracteres exteriores do Espírito B, podendo ao mesmo tempo dispor do conteúdo intelectual da existência terrena deste último, os dois seriam idênticos e indistinguíveis, o que é impossível, porquanto se A possuísse esse poder, B, C, D... X Espíritos também o teriam. Existiriam, pois, inumeráveis exemplares do mesmo tipo, sobretudo do de um homem que se houvesse distinguido num ramo qualquer da Ciência, da Arte, ou da Literatura, o que não acontece.

Se acontecesse, haveria na erraticidade indescritível confusão que as comunicações recebidas desde há cinqüenta anos nunca nos deram a conhecer.

Há, decerto, Espíritos vaidosos que, nas suas relações conosco, gostam de pavonear-se com grandes nomes; geralmente, porém, o estilo de que usam faculta sejam para logo classificados no lugar que lhes compete. Entretanto, também se podem imitar mais ou menos habilmente os grandes escritores, de sorte que se torna difícil estabelecer a identidade das personagens históricas. Mas, o mesmo já não sucede, quando se trata de um parente ou de um amigo a quem conhecemos bem, cujo estilo, agudeza de espírito, modos de ver sobre diferentes assuntos nos são muito familiares. Tem-se aí uma mina rica a explorar. Quando o Espírito responde corretamente a todas as questões que se lhe propõem, reconhecem-se-lhe as expressões favoritas e, então, parece-nos indubitável que a sua identidade resulta tão perfeitamente formada quanto se poderia desejar.

Pretendeu-se que a consciência sonambúlica do médium pode ler no inconsciente do evocador, de modo a fornecer todas as particularidades que parecem provar a identidade e que, assim, há sempre possibilidade de ilusão. Mas, semelhante fato nunca foi demonstrado rigorosamente e bem longe estão de ser probantes as pesquisas dos Srs. Binet e Janet sobre a personalidade sonambúlica que coexistiria com a personalidade normal.215 Nas experiências feitas por esses sábios, aquela dupla consciência não se mostra senão quando a ação hipnótica ainda se está exercendo. O Sr. Pierre Janet quis imitar por sugestão as comunicações automáticas dos médiuns, mas muito vaga é a analogia das suas experiências com o processo dos médiuns escreventes;216 nunca o seu paciente lhe revela alguma coisa ignorada cuja exatidão ele verifique a propósito de uma pessoa falecida, do mesmo modo que espontaneamente não dará comunicações verificáveis.

Os trabalhos dos hipnotizadores modernos absolutamente não demonstram – na nossa opinião – que haja no homem duas individualidades que se ignoram mutuamente. O inconsciente não é mais do que o resíduo do Espírito, isto é, vestígios físicos das sensações, dos pensamentos, das volições fixadas sob a forma de movimentos no invólucro perispirítico e cuja intensidade vibratória não basta para fazê-los aparecer no campo da consciência. Se, entretanto, pela ação da vontade se intensifica o movimento vibratório desses resíduos, o eu torna a percebê-los sob a forma de lembranças. O sonambulismo, desprendendo a alma e dando ao perispírito um novo tônus vibratório, cria condições diferentes para o registro dos pensamentos e das sensações, de sorte que, volvendo ao estado normal, o Espírito já não tem consciência do que se passou durante aquele período.

Demais, esse desprendimento facilita o exercício das faculdades superiores do Espírito: telepatia, clarividência, etc., que habitualmente se não exercem durante o estado de vigília.

Há, se quiserem, duas personalidades que se sucedem, mas como dois aspectos da mesma individualidade e as personalidades – diferentes até certo ponto, pela acuidade das suas sensações e pela extensão de suas faculdades – jamais coexistem: uma tem sempre que desaparecer, quando a outra se manifesta.217 Cremos, pois, errôneo, quando um médium, bem desperto, em seu estado normal, dá provas da presença de um Espírito, atribuir-se essas noções a uma leitura inconsciente que a personalidade sonambúlica faça na memória do consulente.

Com mais forte razão, parecem-nos concludentes todas as provas que o Sr. Aksakof acumulou em seu livro, sob a rubrica: Espiritismo.

Para resumir, diremos que uma materialização que apresenta, com uma pessoa anteriormente morta, semelhança completa de forma corpórea e identidade de inteligência, constitui prova absoluta da imortalidade.


Mecanismo da materialização


É-nos rigorosamente impossível imaginar que a alma, após a morte, se ache desprovida de um organismo qualquer, porque, então, não poderia pensar, na acepção que damos a essa palavra. Ela não poderia estar isenta das condições de tempo e de espaço, sem deixar de ser o que é; se tal se desse, ela se tornaria alguma coisa de absolutamente incompreensível para a nossa razão.

Mostra-nos o estudo que há leis a que todos os seres pensantes se acham submetidos. É em virtude dessas leis que não podemos estar em diversos lugares ao mesmo tempo, ou percorrer mais do que um determinado espaço em certo tempo, ou pensar além de certo número de pensamentos, ou experimentar mais que certo número de sensações, em dado tempo. Daí se segue que, se muito facilmente podemos imaginar que uma inteligência superior à nossa, se bem que finita, esteja submetida a condições muito diferentes, não podemos, entretanto, conceber uma inteligência finita absolutamente livre de todas as condições, isto é, de qualquer corpo.218

É evidente, por exemplo, que a existência mesma de uma vida psíquica necessita de um laço de continuidade entre os pensamentos, certa aptidão a conservar uma espécie de domínio sobre o passado: é claro que o que já não existe, isto é, o pensamento de há pouco, tem que ser conservado nalguma coisa, para que possa ser revivificado. Essa propriedade da lembrança implica a existência de um órgão em relação com o meio em que vive a alma. Na Terra, mundo ponderável, o cérebro é a condição orgânica; no espaço, meio imponderável, o perispírito desempenha a mesma função. A bem dizer, como o perispírito já existe neste mundo, ele é o conservador da vida integral, que compreende as duas fases: de encarnação e de vida supraterrena. Uma segunda condição de vida intelectual se impõe: a de uma possibilidade de ação no meio em que ela se desenvolve. Um ser vivo precisa ter em si mesmo a faculdade de diversos movimentos, pois que a vida se caracteriza pelas reações contra o meio exterior. É, aliás, o parecer do Sr. Hartmann, citado por Aksakof, o que diz:

“Se se pudesse demonstrar que o Espírito individual subsiste após a morte, eu daí concluiria que, malgrado à desagregação do corpo, a substância do organismo persistiria sob uma forma imperceptível aos sentidos, porque somente nessa condição posso imaginar a persistência do espírito individual.”

Nós, espíritas kardecistas, vemos no perispírito essa forma imperceptível e provamos, com as materializações, que ela sobrevive à morte.

Como se produz esse esplêndido fenômeno? Por que processo pode um Espírito fazer-se visível e mesmo tangível? Este o ponto em que começam as dificuldades. Sabemos bem que a substância da aparição é tomada ao médium e aos assistentes. Disso, dentro em pouco, vamos ter as provas. Mas, como se hão de compreender esse transporte, essa desagregação e essa reconstituição de matéria orgânica, sem que ela se haja decomposto? Tais manifestações transcendentes põem em ação leis que desconhecemos e os sábios fariam muito melhor, ajudando-nos a descobri-las, do que negando sistematicamente fatos mil vezes observados com inexcedível rigor. Esperando que se dê, vamos, nada obstante, expor o que conhecemos.

Fato bem observado é a ligação constante em que se mantêm o médium e o Espírito materializado. Este último haure daquele a energia de que se utiliza, de sorte que, sobretudo nas suas primeiras manifestações, mal pode sair do gabinete onde o médium se encontra em letargia. Mais tarde, aumenta-se-lhe o poder de ação, conservando-se sempre, porém, limitado. Num esboço feito pelo Dr. Hitchman, nota-se que, entre a cavidade do peito da forma materializada e a do médium, há um como feixe luminoso religando os dois corpos e projetando um clarão sobre o rosto do médium. Esse fenômeno foi observado muitas vezes durante as materializações. Compararam-no ao cordão umbilical. O Sr. Dassier o equipara a uma rede vascular fluídica, pela qual passa a matéria física, em particular estado de eterização. Verifica-se a presença desse liame, durante os desdobramentos naturais, pela repercussão das alterações do corpo perispirítico sobre o corpo material,219 como se dava nas experiências do Sr. de Rochas. Aqui, é entre o Espírito e o médium que existe aquele laço, e é natural, porquanto é neste último que a materialização haure a matéria e a energia, que emprega para se manifestar.

A propósito das moldagens de materializações, o Sr. Aksakof faz uma ponderação das mais significativas, no tocante à proveniência da matéria física de que é formada a aparição.

“Do ponto de vista das provas orgânicas, eu não poderia guardar silêncio – diz ele – sobre uma observação que fiz: Examinando atentamente o gesso da modelação da mão de Bertie e comparando-o ao gesso da do médium, notei com surpresa que a mão de Bertie, embora roliça como a de uma moça, apresentava, pelo aspecto do dorso, sinais indicativos da idade. Ora, a médium era uma mulher idosa, que morreu pouco tempo depois da experiência. Eis aí um detalhe que nenhuma fotografia pode registrar e que prova de modo evidente que a materialização se efetua a expensas do médium e que o fenômeno é devido a uma combinação de formas orgânicas existentes, como elementos formais introduzidos por uma força organizadora, estranha, força que é a que produz a materialização. Por isso mesmo, vivo prazer experimentei ao saber que o Sr. Oxley fizera as mesmas observações, conforme se depreende de uma carta sua, de 20 de fevereiro de 1876, relativa a uns moldes que obtivera e me enviava.

Coisa curiosa, escreveu ele: sempre se reconhecem nas modelações os sinais distintivos da mocidade e da velhice. Prova isso que os membros materializados, embora conservem a forma juvenil, apresentam particularidades que traem a idade do médium. Se examinardes as veias da mão, encontrareis indícios característicos que indiscutivelmente se relacionam com o organismo da médium.”

Se é exata essa teoria, isto é, se uma parte da matéria do corpo materializado é tomada do médium, deve este necessariamente experimentar uma diminuição de peso. É precisamente o que sucede, como se há muitas vezes comprovado.

Diz a Sra. Florence Marryat:

“Vi a Srta. Florence Cook colocada sobre a máquina de uma balança de pesar, construída para esse fim pelo Sr. Crookes, e verifiquei que a médium pesava 112 libras. Logo, porém, que o Espírito se materializava completamente, o peso do corpo da médium ficava reduzido à metade, a 56 libras.” 220

Agora, uma observação do Sr. Armstrong, em carta dirigida ao Sr. Kenivers:

“Assisti a três sessões organizadas com a Srta. Wood, nas quais foi empregada a balança do Sr. Blackburn. Pesaram a médium e conduziram-na em seguida ao gabinete. Três figuras apareceram, uma após outra, e subiram à balança. Na segunda sessão, o peso variou entre 34 e 176 libras, representando este último algarismo o peso normal da médium. Na terceira sessão, um só fantasma se apresentou, oscilando o seu peso entre 83 e 84 libras. São muito concludentes essas experiências de pesagens, a menos que as forças ocultas zombem de nós.

Contudo, seria interessante saber o que restará do médium no gabinete, quando o fantasma tem o mesmo peso que ele. Comparados aos de outras experiências do mesmo gênero, ainda mais interessantes se tornam estes resultados.

Numa sessão de “controle” com a Srta. Fairlamb, esta foi, por assim dizer, cosida numa maca, cujos suportes eram providos de um registrador que marcava todas as oscilações do seu peso, passando-se tudo sob as vistas dos assistentes. Após breve expectativa, comprovou-se uma diminuição gradual do peso, até que, por fim, uma figura apareceu e passou diante dos assistentes. Enquanto isso, o registrador indicava uma perda de 60 libras no peso da médium, ou seja, de metade do seu peso normal. Quando o fantasma começou a desmaterializar-se, entrou o peso da médium a aumentar e, ao termo da sessão, como resultado final, ela perdera de três a quatro libras. Não é uma prova de que, para as materializações, uma parte da matéria é fornecida pelo organismo do médium?” 221

Isso nos parece certo, mas, há casos em que uma parte é também tomada aos que assistem à experiência. Num livro intitulado: Um caso de desmaterialização parcial do corpo de um médium (pág. 15), o Sr. Aksakof relata que a Sra. d'Espérance adoecia depois da sessão, se algum dos assistentes houvesse fumado ou ingerido bebida alcoólica. Nesse livro, responde-se à pergunta relativa ao que resta do médium, quando tão grande quanto o seu é o peso das aparições. Resta apenas o perispírito, que é, por sua natureza, invisível, de sorte que, se alguém penetrar no gabinete, o encontrará vazio. É, pelo menos, o que afirma o Sr. Olcott, em virtude das suas experiências com a Sra. Compton.222 Com a Sra. d'Espérance, a desmaterialização observada numa sessão em Helsingfors, no ano de 1893, não foi tão completa; mas, como resultado das investigações rigorosas a que procedeu o sábio russo, ficou provado que a metade inferior do corpo da médium desaparecera. O engenheiro Seiling diz:

“É extraordinário: vejo a Sra. d'Espérance e ouço-a falar; apalpando, porém, a cadeira que ela ocupa, encontro-a vazia; ela aí não está; estão apenas as suas roupas.”

A mesma comprovação chegaram o general Toppélius e cinco dos assistentes. Os que se achavam mais próximos da Sra. d'Espérance, distantes dela poucos centímetros, lhe viram o vestido, que pendia à frente da cadeira, como de um cabide, ao passo que seu busto se mantinha visível tal qual era, entufar-se insensivelmente, até retomar o volume normal, ao mesmo tempo em que seus pés se tornaram visíveis.

Nem sempre é tão completa a desmaterialização do médium, pois há casos em que a aparição e o médium são simultaneamente tangíveis, por todo o tempo de duração do fenômeno.

Resulta do que temos exposto que reveste a alma um envoltório físico invisível e imponderável, mas que possui a força organizadora da matéria, pois que esta, tirada do médium, se modela segundo o desenho corpóreo do Espírito. No estado atual da ciência, não nos é, de modo algum, fácil explicar esses fenômenos. Todavia, se é certo que ainda não os podemos compreender, não menos certo é que eles nada têm de sobrenaturais e talvez seja possível que, examinando-se com atenção as ciências em sua filosofia, se formulem pareceres, cujo valor, maior ou menor, o futuro patenteará. Seja, porém, como for, pelo que toca à explicação, não há contestar que os fatos são verdadeiros e se acham bem comprovados. Ora, isto é o essencial.


A imortalidade da alma


“Nada se pode acrescentar à Natureza – diz Tyndall –, e nada se lhe pode subtrair. É constante a soma das suas energias e tudo o que o homem pode fazer, na pesquisa da verdade, ou na aplicação das ciências físicas, é mudar de lugar as partes constituintes de um todo que nunca varia e com uma delas formar outra.

A lei de conservação exclui rigorosamente a criação e a nulificação; o número pode substituir a grandeza e a grandeza o número; asteróides podem aglomerar-se em sóis; podem sóis resolver-se em floras e faunas; faunas e flores podem dissipar-se em gases; a potência em circulação é perpetuamente a mesma. Rola em ondas de harmonia através das idades e todas as energias da Terra, todas as manifestações da vida, tanto quanto o desdobramento dos fenômenos não são mais do que modulações ou variações de uma melodia celeste.”

Vemos, pois, que temos de considerar tudo o que existe atualmente, matéria e força, como rigorosamente eterno; o que muda é a forma. As palavras criação e destruição perderam o sentido primitivo; significam unicamente passagem de uma forma a outra. Quando um ser nasce ou um corpo se produz, diz-se que há criação; chama-se destruição ao desaparecimento desse ser ou desse corpo, mas a matéria e a força que o formavam nenhuma alteração experimentaram e prosseguem o curso de suas metamorfoses infinitas. A alma inteligente conserva a substância de sua forma etérea, que é imperecível, do mesmo modo que a matéria. Um ser vivo, quando nasce, apodera-se, em proveito seu, de certas combinações químicas que constituem o seu alimento. É um empréstimo que toma ao grande capital disponível da Natureza. Desenvolve-se, assimilando uma quantidade cada vez maior de matéria, até completar o seu desenvolvimento. Depois, mantém-se estável durante a idade viril e, em chegando a velhice, com o tornar-se maior a desassimilação do que a regeneração pela nutrição, ele restitui à terra o que lhe tomara. Pela morte, restitui integralmente o que recebera.

Em suma, que é o que desaparece? Não é a matéria, é a forma que individualizava essa matéria. E essa forma é destruída? Não, responde o Espiritismo, e o prova, demonstrando que ela sobrevive à destruição do envoltório carnal e, mais ainda, demonstrando ser absolutamente impossível o seu aniquilamento. Eis como:

Se o corpo físico se decompõe por ocasião da morte, isso se dá por ser ele heterogêneo, isto é, formado pela reunião de muitas partes diversas. Quanto mais elementos um corpo contém, tanto mais instável é ele quimicamente. Os compostos quaternários do reino animal são essencialmente proteiformes, porque neles o movimento molecular – muito complicado, pois resulta dos de seus componentes – pode mudar sob a influência de fracas forças exteriores. Nos corpos vivos, os tecidos são comparáveis a esses pós-explosivos que a menor centelha basta para inflamar. Estão constantemente a decompor-se por efeito das ações vitais e a reconstituir-se por meio do sangue.223 O organismo humano é um perpétuo laboratório, onde as mais complicadas ações químicas se executam incessantemente, sob as mais fracas excitações exteriores.

No mundo mineral já não é assim. Muito mais estáveis são as combinações, sendo às vezes necessário o emprego de meios enérgicos para separar dois corpos que muito facilmente se unem um ao outro. Assim, sem dificuldade alguma, um pedaço de carvão se combina com o oxigênio, para formar o ácido carbônico. Pois bem: faz-se mister uma temperatura de 1.200 graus para, em seguida, separar do carbono o oxigênio. Vê-se, pois, que quanto menos fatores entram numa combinação, tanto mais estável é ela.

No que concerne aos corpos simples, tem-se verificado que nenhuma temperatura, neste mundo, é capaz de os decompor. Unicamente o enorme calor do Sol o consegue com relação a alguns deles. Fácil então se nos torna compreender que a matéria primitiva, donde eles provieram, é absolutamente irredutível e, como não pode aniquilar-se, é rigorosamente indestrutível. Essa matéria primordial, em que a alma se acha individualizada, constitui a base do universo físico, gozando do mesmo estado de perenidade o perispírito, que é dela formado.

Por outro lado, a alma é uma unidade indivisível.

Vimos, na primeira parte deste volume, que as almas de Pascal e de Vergílio se mostraram a médiuns sob uma aparência física que reproduzia a que ambos tiveram neste mundo. Não está aí uma prova positiva de que nada se perde do envoltório fluídico e que, assim como aqui na Terra uma lembrança não pode desaparecer, também no espaço nenhuma forma pode aniquilar-se? Todas as que a alma revestiu se conservam em estado virtual e são imperecíveis.

A alma se encontra unida à substância perispirítica, que coisa nenhuma pode destruir, visto que, pelo seu estado físico, ela é o último termo das transformações possíveis: ela é a matéria em si. Nem os milhões de graus de calor dos sóis ardentes, nem os frios do espaço infinito têm ação sobre esse corpo incorruptível e espiritual. Somente a vontade o pode modificar, não, porém, mudando-lhe a substância, mas expurgando-a dos fluidos grosseiros de que se satura no começo de sua evolução. É a grande lei do progresso, que tem por fim depurar essa massa, despojar esse diamante, a alma, da ganga impura que a contém. As vidas múltiplas são o cadinho purificador. A cada passagem por ele, o Espírito sai do invólucro corpóreo mais purificado e, quando há vencido as contingências da matéria, acha-se liberto das atrações terrenas e desfere o vôo para outras regiões menos primitivas.

Nesse mundo do espaço, nesse meio imponderável, onde vibra toda a gama dos fluidos, um único poder existe soberano: o da vontade. Sob a sua ação potente, a matéria fluídica se lhe curva a todas as fantasias. A alma que se haja tornado bastante sábia para os manipular realiza tudo o que lhe possa aflorar à imaginação, não passando as formas terrestres de pálidos reflexos de tudo isso. Veremos em breve que essa vontade pode mesmo atuar sobre a matéria tangível, em certas condições que vamos determinar.

Quarta parte

Ensaio sobre as criações fluídicas da vontade

Capítulo único


Ensaio sobre as criações fluídicas pela vontade


A vontade. – Ação da vontade sobre o corpo. – Ação da vontade a distancia. – Ação da vontade sobre os fluidos.

Um fenômeno absolutamente geral, comprovado em todas as aparições, é que estas se mostram sempre com os trajes que o paciente costuma usar, quando elas resultam de um desdobramento, ao passo que se apresentam envoltas em largos panos, quando é a alma de um morto que se manifesta. Para explicarmos a produção dessas aparências, necessário se faz digamos o que entendemos por vontade e mostremos que não só a vontade existe realmente, como faculdade da alma, mas também que exerce seu poder, durante a vida, fora do corpo terrestre e, a fortiori, além do perispírito no espaço.


A vontade


A palavra vontade dá lugar às vezes a mal-entendidos, decorrentes, sem dúvida, de não se ter bastante cuidado em distinguir a intenção ou o desejo de fazer uma coisa do poder de a executar. Quando um indivíduo paralítico das pernas quer caminhar, é-lhe impossível mover os músculos da locomoção. Ele realmente quer, mas, em virtude de uma ação mórbida, sua vontade não se executa. Por outro lado, na linguagem médica, diz-se, a propósito de uma paralisia histérica, que a vontade está paralisada, para significar que não há, em realidade, da parte do doente, intenção ou desejo de mover os membros do corpo.

As dificuldades, porém, não se limitam ao emprego dessa palavra em dois sentidos opostos; as opiniões igualmente divergem, quando se lhe quer conhecer a natureza. Os materialistas, que fazem da sensação a base do espírito humano e que não admitem para a alma uma existência independente; que consideram as faculdades da alma simples produtos da atividade do cérebro, apenas vêem na vontade o termo final da luta de dois ou muitos estados opostos de consciência. Para essa escola, a vontade é uma resultante de atos físicos mais ou menos complexos. Carece de existência própria.

Nós, que sabemos ser a alma uma realidade com o poder de manifestar-se independente de toda matéria organizada, sustentamos que a vontade é uma faculdade do espírito; que ela existe positivamente como potência; que sua ação se revela claramente na esfera do corpo e que pode mesmo projetar a distância sua energia, como os fatos o vão demonstrar.

Ação da vontade sobre o corpo


É manifesta, para toda gente, a influência da vontade sobre os músculos:224 queremos levantar um braço, ele executa o movimento, constituindo esse ato um exemplo trivial da ação da alma sobre o corpo. Há, porém, casos notáveis em que o seu poder se exerce sobre partes do organismo que pareciam excluídas da sua dominação.

Não é impossível que a vontade atue por ação direta sobre o coração e os músculos lisos da vida orgânica. Aqui está um exemplo.225

Um distinto membro da Sociedade Real de Londres, o Sr. Fox conseguia, por voluntário esforço, aumentar de dez a vinte por minuto os batimentos do seu pulso. Também o Sr. Hack Tuke fez a mesma experiência: pelo espaço de dois minutos mais ou menos, as pulsações, que a princípio eram regulares, se elevaram de 63 a 82.

Pelo exercício, desenvolve-se o poder da vontade. Sabe-se, por narrativas autênticas, que os faquires podem, voluntariamente, pôr-se em estado cataléptico, fazer-se enterrar num subterrâneo e voltar à vida ao cabo de alguns meses de sepultamento. Este fato não é desconhecido na Europa. Poderíamos citar muitos casos de letargia voluntária, devidas ao coronel Townsend. O que se segue foi testemunhado por três doutores, os Srs. Chayne, Baynard e Skrine.

“O pulso – diz o Dr. Chayne – era bem acentuado, conquanto fraco e filiforme; o coração batia normalmente. O coronel deitou-se de costas e permaneceu calmo por alguns instantes. Notei que seu pulso enfraquecia gradativamente, até que, por fim, malgrado à mais minuciosa atenção, deixei de percebê-lo. O doutor Baynard, por seu lado, não conseguia perceber o menor movimento do peito e o Sr. Skrine não logrou notar a mais ligeira mancha produzida sobre o espelho reluzente por ele mantido diante da boca do coronel. Cada um de nós, a seu turno, lhe examinou o pulso, o coração e a respiração. Porém, apesar das mais severas e rigorosas pesquisas, não nos foi possível descobrir o mais ligeiro sinal de vida.”

Iam os três retirar-se, convencidos de que o paciente morrera, quando um ligeiro movimento do corpo os tranqüilizou. Pouco a pouco o coronel voltou à vida. Durara meia hora a letargia.

Esse poder da alma sobre o corpo pode chegar até a vencer a enfermidade. Multas vezes, uma vontade enérgica consegue restabelecer a saúde, com exclusão dos efeitos da imaginação ou da atenção. Damos aqui o relato da cura de uma enfermidade grave, a raiva:

O Sr. Cross foi gravemente mordido por um gato, que, no mesmo dia, morreu hidrófobo. A princípio, ele pouca atenção deu a essa circunstância, que, sem dúvida, em nada lhe perturbou a imaginação ou o sistema nervoso. Três meses, no entanto, depois do acidente, sentiu, certa manhã, forte dor no braço e, ao mesmo tempo, grande sede. Pediu um copo d’água.

“No momento, porém – diz ele –, em que eu ia levar o copo aos lábios, senti na garganta violento espasmo. Logo se me apoderou do espírito a terrível convicção de que me achava atacado de hidrofobia, em conseqüência da mordedura do gato. É indescritível a angústia que experimentei durante uma hora. Era-me quase intolerável a idéia de tão terrível morte. Senti uma dor que começou na mão e ganhou o cotovelo, depois a espádua, ameaçando estender-se mais. Percebi que seria inútil qualquer assistência humana e acreditei que só me restava morrer.

Afinal, pus-me a refletir sobre a minha situação. Pensei comigo mesmo que tanto eu podia morrer, como não morrer; que, se houvesse de morrer, teria a sorte que outros tinham tido e outros ainda terão e que me cumpria afrontar a morte como homem; que se, por outro lado, me restasse alguma possibilidade de conservar a vida, um único era, para mim, o meio de o conseguir: firmar as minhas resoluções, enfrentar o mal e exercer esforços enérgicos sobre o meu espírito. Conseguintemente, compreendendo que precisava de exercício ao mesmo tempo intelectual e físico, tomei do meu fuzil e saí a caçar, sem embargo da dor que continuava a sentir no braço.

Em resumo, não encontrei caça, mas caminhei durante toda a tarde, fazendo, a cada passo que dava, um rigoroso esforço de espírito contra a moléstia. Retornando a casa, achava-me realmente melhor. Ao jantar, pude comer e beber água, como de ordinário. No dia seguinte de manhã, a dor recuara para o cotovelo; no dia imediato, retrocedera para o pulso e no terceiro dia desaparecera. Falei do caso ao Dr. Kinglake. Disse-me que, na sua opinião, eu sofrera, indubitavelmente, um ataque de hidrofobia, que me poderia ter sido fatal, se eu não houvera reagido energicamente contra ele, por vigoroso esforço do espírito.” 226

O espírito precisa, às vezes, de um suplemento de força, para agir eficazmente sobre o corpo. No hipnotismo, podem considerar-se as injunções imperativas do operador como o estimulante necessário. Lembraremos, de memória, as experiências do Sr. Focachon 227 e dos Srs. Bourru e Burot.

O farmacêutico de Charmes aplica na espádua de seu paciente alguns selos do correio e passa-lhes por cima, a fim de segurá-los, umas tiras de diaquilão e uma compressa, sugerindo-lhe, ao mesmo tempo, que lhe aplicara um vesicatório. O paciente fica sob vigilância. Depois de vinte horas, retiraram o penso, que se conservara intacto. No lugar, a pele, espessada e macerada, apresentava uma cor azul-amarelado, estando a região cercada de uma zona de intensa vermelhidão, com intumescimento. Esse estado verificaram-no os Srs. Liégeols, Bernheim, Liébault, Beaunis. Pouco mais tarde sobreveio a supuração.

Tão grave perturbação orgânica fora causada pela vontade, atuando como elemento material sobre os tecidos do corpo. Na Salpétrière, o Sr. Charcot e seus alunos ocasionaram queimaduras por sugestão. Finalmente, os Srs. Bourru e Burot 228 conseguiram produzir, à vontade, estigmas no corpo de um paciente. À hora que os operadores determinavam, o corpo do paciente sangrava nos lugares que eram tocados por um estilete sem ponta. Letras traçadas na carne se desenhavam em relevo, de um vermelho vivo, sobre o fundo pálido da pele.229

Prova isto à evidência que a vontade de um operador pode mudar a matéria do corpo de um paciente, em sentido favorável ou nefasto ao indivíduo, conforme a direção que se lhe imprima.

Poderíamos também citar o caso do célebre Edward Irwing, que se curou, pela ação da vontade, de um ataque de cólera, durante a epidemia de 1832.230

O poder da vontade se exerce igualmente sobre as sensações. Jacinto Langlois, distinto artista, íntimo de Talma, narrou ao Dr. Brierre de Boismont que esse grande ator lhe referira que, quando estava em cena, tinha o poder, pela força da sua vontade, de fazer desaparecessem as vestes do seu numeroso e brilhante auditório e de substituir essas personagens vivas por outros tantos esqueletos. Logo que a sua imaginação enchera assim a sala daqueles singulares espectadores, a emoção que em conseqüência experimentava lhe imprimia tal força ao jogo cênico, que muitas vezes os mais empolgantes efeitos se produziam.231

Não é único este fato: Goethe também conseguia ter visões voluntárias e sabe-se que Newton podia obter para si, à vontade, a imagem do Sol. O Dr. Wigan faz menção de uma família, cada um de cujos membros possuía a faculdade de ver mentalmente, sempre que o queria, a imagem de um objeto e de fazer deste, de memória, um desenho mais ou menos exato.

Esse poder da vontade, que se exerce sobre o corpo com tanto império, quando a pessoa sabe servir-se dele, também tem ação determinada sobre outros organismos. Vamos mostrá-lo experimentalmente.

Ação da vontade a distância


A influência da vontade de um hipnotizador sobre o seu paciente é fato que hoje dispensa qualquer demonstração. A sugestão, cujas formas são tão variadas, tornou incontestável a ação que, sobre o espírito de um paciente sensível, exerce uma ordem formulada de modo imperativo. Essa ordem se grava no espírito do paciente e pode fazê-lo executar todos os movimentos, dar-lhe todas as alucinações dos sentidos, como lhe pode perturbar as faculdades intelectuais e até aniquilá-las completamente, por certo tempo. Os tratados sobre hipnotismo estão cheios de exemplos desse gênero de ações voluntárias. O que queremos mostrar aqui é o que foi com muita freqüência contestado: a ação da vontade, a distância. Os antigos magnetizadores lhe haviam revelado a existência e os modernos experimentadores, sem embargo da repugnância que manifestam, terão que se resignar a confessá-la. É, aliás, o que fazem os mais sinceros.

Aqui estão dois fatos, buscados em fontes de confiança, que mostram, sem contestação possível, a influência da vontade a exercer-se fora dos limites do organismo.

No seu célebre relatório à Academia, refere assim o Dr. Husson o primeiro deles:

“A Comissão se reuniu no gabinete de Bourdais, a 6 de outubro, ao meio-dia, hora em que chegou o Sr. Cazot (o paciente). O Sr. Foissac, o magnetizador, fora convidado a comparecer às 12:30. Ele se conservou no salão, sem que Cazot o soubesse e sem nenhuma comunicação conosco. Foi-lhe dito, no entanto, por uma porta oculta, que Cazot se achava sentado num canapé, distante dez pés de uma porta fechada, e que a Comissão desejava que ele, magnetizador, adormecesse o paciente e o despertasse àquela distância, permanecendo no salão e Cazot no gabinete.

As 12:37, estando Cazot atento à conversação que entabuláramos, ou a examinar os quadros que adornam o gabinete, o Sr. Foissac, colocado no compartimento ao lado, começa a magnetizá-lo. Notamos que ao cabo de quatro minutos Cazot pisca ligeiramente os olhos, inquieto, e que, afinal, decorridos nove minutos adormece ...”

O resultado é positivo, com exclusão de toda suspeita, dado que se produziu diante de investigadores pouco crédulos e de toda a competência exigida para se pronunciarem com conhecimento de causa. Cedamos agora a palavra ao Sr. Pierre Janet, cujos trabalhos sobre o hipnotismo têm autoridade no mundo sábio.232

“Pode-se adormecer o paciente sem o tocar, por uma ordem não expressa, mas apenas pensada diante dele. Numa nova série de experiências, cuja narrativa ainda não está publicada, após longa educação do paciente, cheguei eu próprio a repetir à vontade esse curioso fenômeno. Oito vezes de seguida, tentei adormecer a Sra. B..., de minha casa, tomando todas as precauções possíveis para que ninguém fosse prevenido da minha intenção e variando de cada vez a hora da experiência. De todas às vezes, a Sra. B... adormeceu de sono hipnótico, alguns minutos depois de haver eu começado a pensar nisso. A verificação do fato havia naturalmente de provocar nova suposição. Pois que a sugestão mental podia adormecer a Sra. B. achando-se ela em estado de vigília, a mesma sugestão deveria fazê-la passar de uma fase do sono a outra.

Era fácil verificá-lo, desde que a Sra. B... estivesse em sonambulismo letárgico. Enquanto eu lhe fazia sempre as sugestões mentais, sem a tocar, sem lhe soprar nos olhos, sem exercer sobre ela qualquer ação física, pus-me apenas a pensar: “Quero que durma.” Ao cabo de alguns instantes, entrava ela em letargia sonambúlica. Repito a mesma ordem mental, ela suspira e ei-la em letargia cataléptica. De cada vez que formulo esse pensamento, transpõe ela um novo estado. O pensamento do magnetizador pode, pois, por uma influência inexplicável, mas que é aqui imediatamente verificável, fazer que o paciente percorra as diferentes fases, num sentido ou noutro.”

Sabe-se com quanto cuidado os Srs. Ochorowicz, Myers, Richet, De Dusart, Dr. Moutin, Boirac, Paul Joire, etc., realizaram essas experiências. É, portanto, certo que a sugestão pode ser exercida a distância.233

O Sr. Janet reconhece aqui a ação da vontade sem contacto material com o paciente; entretanto, para se escusar de tão grande audácia aos olhos dos seus doutos correligionários, apressa-se a dizer que o fato é inexplicável. Mas, por que, se faz favor? Sabemos que o ser humano possui uma força nervosa que pode exteriorizar-se e nem as experiências de Crookes sobre as forças psíquicas, nem as do Sr. de Rochas foram, que nos conste, demonstradas falsas. Por outro lado, não é certo também que a telegrafia sem fio deixou de ser um mito e constitui um fato experimentalmente demonstrado? Assim, entre o Sr. Janet e o paciente que “recebeu uma educação bastante prolongada”, um laço fluídico se criou, que transmite ao segundo a vontade do primeiro, sem dúvida do mesmo modo pelo qual os raios luminosos do fotofono de Graham Bell transportavam as ondas magnéticas que, provavelmente, são mais materiais do que as do pensamento.

É, em verdade, curioso observar como os experimentadores filiados a uma certa escola se exasperam diante dos fatos. Quando são suficientemente honestos para reconhecê-los reais e têm a coragem de proclamá-los tais, como o Sr. P. Janet, imediatamente se tomam de escrúpulos e procuram desculpar-se da grande ousadia que tiveram de pôr um pé no terreno vedado. Nós, muito felizmente, não padecemos da mesma timidez; podemos interpretar livremente os fenômenos e dar-lhes todo o valor que comportam. É que, malgrado a todas as negações, estamos absolutamente certos de que a alma tem existência independente, apoiando-se a nossa crença em vinte anos de investigações severas, cujos resultados hão merecido a sanção dos mais incontestados mestres em todos os ramos da ciência. Podemos, pois, proclamar desassombradamente a verdade de tais resultados, sem temor de que o futuro nos desminta.

Que é feito dos anátemas, zombeteiros ou solenes, lançados, vai para cinqüenta anos, pelos cépticos e pelos pseudo-sábios? Foram juntar-se, no país do esquecimento, a todas as hipóteses mal nascidas, às teorias cambaleantes, cujo passageiro êxito elas a deveram unicamente aos nomes de seus inventores e que se acham hoje completamente olvidadas.

O Espiritismo, qual vigorosa árvore, precisou desse húmus para se desenvolver e, segundo uma palavra célebre, ele se eleva “alto e forte sobre as ruínas do materialismo agonizante”.

A ação da vontade sobre os fluidos


Eis-nos agora armados de todos os conhecimentos necessários a explicar como os Espíritos se apresentam revestidos de túnicas, de amplas roupagens, ou mesmo de suas roupas costumeiras. Precisávamos demonstrar o poder da vontade fora do corpo. Fizemo-lo. Sabemos que os fluidos são formas rarefeitas da matéria; temos pois, ao nosso alcance, todos os documentos necessários. Aqui está, agora, a teoria espírita relativa a esse gênero de fenômenos.

O Espírito haure, da matéria cósmica ou fluido universal, os elementos de que necessita para formar, à sua vontade, objetos que tenham a aparência dos diversos corpos existentes na Terra. Pode igualmente, pela ação da sua vontade, operar na matéria elementar uma transformação íntima, que lhe dá certas propriedades. Essa faculdade é inerente à natureza do Espírito, que muitas vezes a exerce, quando necessário, como um ato instintivo, sem dele se aperceber. Os objetos que o Espírito forma têm existência temporária, subordinada à sua vontade ou a uma necessidade. Pode fazê-los e desfazê-los a seu bel-prazer. Em certos casos, tais objetos assumem, aos olhos de pessoas vivas, todas as aparências da realidade, isto é, tornam-se momentaneamente visíveis e, mesmo, tangíveis. Há formação, porém, não criação, porquanto do nada o Espírito nada pode tirar.

Nos exemplos que aduzimos, a criação das vestes é atribuível a uma ação inconsciente, mas real, do Espírito, que materializou suficientemente aqueles objetos, para os tornar visíveis. A ação é a mesma que nos casos de materialização. É de notar-se, nas experiências de Crookes, que Katie King se mostra envolta em panos que podem ser tocados, mas que desaparecem com ela, finda a manifestação.

Poder-se-á admitir que o Espírito crie inconscientemente imagens fluídicas, ou, por outra, que seu pensamento, atuando sobre os fluidos, possa, a seu mau grado, dar-lhes existência real? Sabemos, de fonte pura, que, voluntariamente, um objeto ou uma criatura podem ser representados mentalmente, de modo bastante real, para que um médium vidente chegue a descrever essa idéia. Fomos testemunhas várias vezes desse fenômeno e daqui a pouco veremos que experiências feitas com pacientes hipnóticos estabelecem a objetividade dessas formações mentais. E involuntariamente, será possível? Os estados do sonho como que indicam de que maneira a ação se executa. Quando temos um sonho lúcido, habitualmente nos achamos nele vestidos de um modo qualquer, o que provém da circunstância de estar a idéia de vestes associada sempre, de forma inteira, à imagem da nossa pessoa.

Se pensamos numa reunião de gala ou numa festa à noite, vemo-nos em trajes de cerimônia, como nos vemos em trajes caseiros se pensamos no nosso domicílio. Essa imagem, se se exteriorizasse bastante, pareceria vestida. Podemos, pois, imaginar que nos casos de desdobramentos, que são objetivações inconscientes, a imagem das vestes acompanha sempre o Espírito e experimenta, como ele, um começo de materialização.

O mesmo se dá com os objetos usuais de que costumamos servir-nos: logo que neles pensamos, temos as suas representações mentais, que se pode projetar fluidicamente no espaço. É o que se passa no sonho, com a diferença de que tais produtos da imaginação, em geral, pouco duram. Há casos, no entanto, em que essas representações mentais persistem por certo tempo e se objetivam. Um exemplo:234

“Um de meus amigos – diz Bodi – viu, certa manhã, ao despertar, de pé junto à sua cama, uma personagem vestida à moda persa. Ele a via tão nitidamente, tão distintamente, como as cadeiras ou as mesas do quarto. Esteve, por isso, quase a levantar-se, para verificar de perto o que era aquele objeto, ou aquela personagem. Olhando, porém, com mais atenção, verificou que, ao mesmo tempo em que via a personagem tão bem quanto possível, igualmente via, com a maior nitidez, por trás dela, a porta do quarto. Ao descobrir isso, a visão sumiu-se. Lembrou-se então o meu amigo de que tivera um sonho no qual o principal papel coubera à imagem de um persa. Tudo assim se explicava de maneira satisfatória: tornava-se evidente que o sonho fora o ponto de partida da visão e que aquele, de certa forma, continuara depois do despertar. Houvera, portanto, simultaneamente, percepção de um objeto imaginário e percepção de um objeto real.”

Essa criação fluídica, essa espécie de fotografia mental mais ou menos persistente no espaço, também se revela nos casos seguintes:

O fisiologista Gruithuisen teve um sonho “em que viu principalmente uma chama violácea que, durante certo tempo após haver ele despertado, lhe deixou a impressão de uma mancha amarela complementar”.

O Sr. Galton publicou uma memória sobre a faculdade de ver números, de figurá-los imaginativamente, como se tivesse existência real. Cita notadamente o Sr. Bilder, que fez extraordinários prodígios no tocante a esse cálculo mental e que, de certa forma, consegue ver, pelos seus centros sensórios, números claramente traçados e colocados em bem determinada ordem.235

Eis agora uma série de experiências que parecem deixar firmado que a criação fluídica é uma realidade. Essas experiências foram feitas pelos Srs. Binet e Ferré,236 que, entretanto, é ocioso dizê-lo, explicam os fatos por meio da alucinação. Teremos ocasião de julgar se há cabimento para semelhante hipótese.

Examinemos em primeiro lugar um fenômeno que pode produzir-se em estado normal, ou por uma operação mental, ou, ainda, por sugestão, e nos será fácil demonstrar que, para a mesma experiência, produzida pela mesma causa, a explicação daqueles senhores passa a ser diferente, desde que nelas toma parte o hipnotizado.

1º – O estado normal. Sabe-se que, posto um objeto colorido diante de um fundo preto, se o olharmos fixamente durante certo tempo, em breve a nossa vista estará cansada e a intensidade da cor se enfraquece. Se dirigirmos então o olhar para um cartão branco, ou para o forro da casa, perceberemos uma imagem do objeto, mas de cor complementar, isto é, que formaria o branco, se se achasse reunida à do objeto. Sendo vermelho o objeto, a imagem é verde e vice-versa.

2º – O estado mental. “Se, com os olhos fechados, conservarmos a imagem de cor muito viva fixada por muito tempo diante do espírito e se, depois, abrindo bruscamente os olhos, os dirigirmos para uma superfície branca, veremos aí, por um instante, a imagem contemplada em imaginação, porém, na cor complementar. O experimentador chega, pois, a figurar para si a idéia do vermelho, de modo muito intenso, para ver, ao cabo de alguns minutos, uma mancha verde sobre uma folha de papel.” 237

Para que esta experiência tenha sentido, preciso se faz que o Espírito veja realmente as cores vermelhas, sem o que a cor complementar não aparecerá, pois que o operador não está hipnotizado. É indispensável que o olho seja impressionado, como o é normalmente, para dar a cor complementar. Se não for o olho, será um ponto correspondente dos centros nervosos. O esforço para criar o vermelho acaba certamente numa ação positiva, porquanto se traduz objetivamente pela mancha verde sobre o papel.

3º – Sugestão. Pede-se ao doente em estado sonambúlico que olhe com atenção para um quadrado de papel branco, em cujo centro há um ponto preto, a fim de lhe imobilizar o olhar. Sugere-se-lhe, ao mesmo tempo, que aquele pedaço de papel é de cor vermelha ou verde, etc. Ao fim de alguns instantes, apresenta-se-lhe um segundo quadrado de papel, tendo também, ao centro, um ponto preto. Bastará, então, atrair a atenção do doente sobre esse ponto, para que ele espontaneamente exclame que o ponto está no meio de um quadrado colorido e a cor que indica é a complementar da que se lhe mostrou por sugestão.

Ainda neste caso dizemos que há produção real da cor, ou diante dos olhos do hipnotizado, ou nos centros cervicais que lhes correspondem, porquanto ele ignora absolutamente a teoria das cores complementares. Se essa teoria se acha assim verificada, como de fato acontece, é que a cor sugerida existe na realidade, quer exteriormente ao paciente, quer interiormente, se o preferirem. Uma idéia abstrata não pode afetar os centros visuais e dar-lhes a impressão da realidade. Houve, pois, criação fluídica de uma cor vermelha e esta, se bem que produzida pela vontade, atua como se fosse visível para toda gente.

Pode-se chamar alucinação a essa sensação; mas, será preciso então acrescentar que é uma alucinação verídica, como a das aparições, visto que determinada por uma cor que tem existência própria, embora seja invisível para seres cujo sistema nervoso não se ache em estado de percebê-la.

Examinemos agora as outras experiências. Dizem textualmente os Srs. Binet e Ferré:

“O objeto imaginário que figura na alucinação é percebido nas mesmas condições em que o seria, se ele fosse real.”

Exemplo: Se por sugestão se faz aparecer um retrato sobre um cartão, cujas duas faces sejam de aparências inteiramente idênticas, a imagem será sempre vista sobre a mesma face do cartão e, qualquer que seja o sentido em que se lhe apresente, a hipnotizada saberá sempre colocar as faces e os bordos na posição que ocupavam no momento da sugestão, de tal modo que a imagem não fique invertida, nem inclinada. Se inverterem as faces do cartão, o retrato deixará de ser visto. Se se inverterem apenas os bordos, o retrato será visto de cabeça para baixo. Nunca a hipnótica é apanhada em falta. Quer se lhe cubram os olhos, quer se mudem as posições do objeto, operando por detrás dela, as respostas são sempre perfeitamente conformes à localização primitiva.

Se, depois de misturar com vários outros o papelão sobre o qual figura um retrato imaginário, o paciente for despertado e se lhe pedir que examine a coleção assim formada, ele o faz sem saber por que. Em seguida, ao dar com o papelão sobre o qual se operou a sugestão, aponta a imagem que se quis que ele visse.

Quando se olham objetos exteriores, colocando diante de um dos olhos um prisma, os objetos parecem duplos e uma das imagens sofre um desvio cujo sentido e grandeza se podem calcular. Ora, eis o que se obtém durante o sono hipnótico. Se se inculca à doente a idéia de que, sobre a mesa de cor escura que lhe está na frente, há um retrato de perfil, ela, despertada, vê distintamente o mesmo retrato. Se, então, sem a prevenir, se lhe coloca um prisma diante de um dos olhos, a paciente logo se admira de ver dois perfis, sendo a imagem falsa colocada sempre de acordo com as leis da Física. Dois dos nossos pacientes podem responder conformemente no estado de catalepsia, sem terem, no entanto, qualquer noção das propriedades do prisma. Aliás, pode-se dissimular para eles a posição precisa em que se coloca o prisma, escondendo-se-lhe os bordos. Se a base do prisma está para cima, as duas imagens ficam colocadas uma sobre a outra; se a base é lateral, as duas imagens ficam lateralmente colocadas. Enfim, pode-se aproximar suficientemente a mesa para que não seja duplicada, o que serviria de indício.

Quando se substitui o prisma por um binóculo, a imagem aumenta ou diminui, conforme o paciente olha pela ocular ou pela objetiva. Houve a precaução de dissimular a extremidade do binóculo que se lhe apresentou numa caixa quadrada, com dois furos nas faces opostas, em correspondência com os vidros. Evitou-se assim que o paciente percebesse, no campo do binóculo, objetos cujas mudanças de dimensões poderiam servir de indício. Teve-se também que pôr em foco o binóculo, para a vista do alucinado.

Continuando-se a aplicar as leis da refração, pôde-se, por meio de uma lente, aumentar o retrato sugerido. Colocado este a uma distância dupla da distância focal da lente pequena, foi ele visto invertido. Verificou-se, certa vez, com o microscópio, que se tornara enorme uma pata alucinatória de aranha.

Coloquemos agora o retrato imaginário diante de um espelho. Se houver sugerido que o perfil está voltado para a direita, no espelho ele aparecerá virado para a esquerda. Logo, a imagem refletida é simétrica da imagem alucinatória. Inverta-se pelos bordos o quadrado de papel, operando por detrás da doente: no espelho, o retrato aparece de cabeça para baixo e – circunstância digna de nota –, com o perfil voltado para a direita, o que também está de acordo com as leis da óptica.

Recapitulemos: o retrato imaginário está voltado para a direita, o espelho o faz parecer voltado para a esquerda e, se se inverter o papel, ele parece voltado para a direita. Aí já temos combinações que absolutamente não se inventam. Vamos, porém, complicar ainda mais a experiência. Substituamos o retrato por uma inscrição qualquer em muitas linhas. No espelho, a inscrição imaginária é lida às avessas, isto é, invertida da direita para a esquerda. Se invertemos as bordas do papel, a inscrição é lida com inversão de cima para baixo, tornando-se última a primeira linha e cessando, ao mesmo tempo, a inversão da direita para a esquerda. Esta experiência nem sempre é bem sucedida, mas muitas vezes o é ao cabo de uma série que exclui toda suspeita de fraude. “Haverá muita gente que, sabendo que a escrita é vista invertida da direita para a esquerda no espelho, se aperceba de que, invertendo-se a folha escrita, a inscrição fica invertida de cima para baixo, mas deixa de o estar da direita para a esquerda? O hipnótico zomba de todas essas dificuldades, que para ele não existem, porquanto ele vê, sem precisar de qualquer raciocínio.” 238

Como se hão de interpretar esses fenômenos? Se admitirmos que a vontade do operador cria momentaneamente, atuando sobre os fluidos, uma imagem invisível para os assistentes, mas perceptível para os olhos da histérica hipnotizada, tudo se compreende, por comportar-se o objeto invisível exatamente como o faria um objeto real. Mas, uma vez que os experimentadores não conhecem ou não crêem na nossa teoria, deixemos-lhes o encargo da explicação. Dizem eles:

“Tem-se de escolher entre as três suposições:

1º – Fez-se a sugestão; o paciente soube que se lhe colocava diante dos olhos um prisma com a propriedade de desdobrar os objetos, um binóculo que lhes aumenta o tamanho, etc. Esta primeira hipótese, porém, tem de ser afastada, porquanto, é de toda evidência que a doente ignora as propriedades complexas da lupa, do prisma simples, do prisma bi-refringente e do prisma de reflexão total. Quanto aos outros instrumentos que a doente poderia conhecer, como o binóculo, houve o cuidado de dissimulá-los em estojos. Logo, a menos se suponha que o operador tenha cometido a imprudência de anunciar de antemão o resultado, deve-se considerar certo que a sugestão, assim compreendida, nenhum papel desempenhou.

2º – Os instrumentos de óptica empregados modificaram os objetos reais que se achavam no campo visual do paciente e essas modificações lhe serviram de indícios para supô-los semelhantes no objeto imaginário. Esta segunda explicação, embora melhor do que a precedente, nos parece insuficiente. Tem contra si numerosos fatos já citados: a localização precisa da alucinação sobre um ponto que o operador não determina senão por meio de múltiplas mensurações; o reconhecimento do retrato imaginário sobre o cartão branco, misturado com seis outros cartões, para nós, inteiramente semelhantes; a inversão do retrato imaginário, pela inversão do cartão, à revelia da doente, etc. Adotaremos uma terceira hipótese já indicada.

3º – A imagem alucinatória sugerida se associa a um ponto de referência exterior e material, e são as modificações que os instrumentos de óptica imprimem a esse ponto material que, de ricochete, modificam a alucinação.”

A hipótese do ponto de referência, diremos nós, nada tem de compreensível, dadas as precauções, que os operadores tomam, de empregar ora uma mesa de cor escura, ora quadros ou cartões inteiramente semelhantes. Mas, suponhamos que, com efeito, haja um ponto de referência, que os instrumentos o desviem segundo as leis da óptica e que esse desvio se reproduza no espírito do paciente. Nem por isso deixa de ser verdade que as relações que liguem a alucinação a esse ponto de referência sofrem todos os desvios, todas as refrações que lhes imprimem os instrumentos, ou, por outra: a imagem ideal se reflete, se deforma, se desdobra, como uma imagem real. Ela tem, pois, uma existência objetiva.

Seja, se o quiserem, subjetivo o fenômeno e não possam outros comprová-lo; ele é, nada obstante, inegável e a sua natureza positiva se revela pelos mesmos resultados que daria qualquer objeto material, submetido às mesmas experiências.

Repetiremos, portanto, que, se a esse fenômeno se pode dar o nome de alucinação, esta é verídica, no sentido de que, conforme o dizem os Srs. Binet e Ferré, o paciente e o que ele vê não é um pensamento fugitivo, sem consciência, qualquer coisa de não substancial: é uma imagem, semelhante, em todos os pontos, à que seus olhos lhe retraçam todos os dias, imagem essa que, associada em seu espírito a um elemento exterior sobre o qual podem atuar os instrumentos, se comporta como na realidade. Ela, conseguintemente, é bem alguma coisa de positivo, que deve sua existência à vontade do operador.

Se for exata a hipótese do ponto de referência, o fenômeno será subjetivo; se, ao contrário, não houver necessidade do ponto de referência, ele é objetivo, a visão se opera pelo olho, num estado especial, determinado pela hipnose. Qualquer que seja o lado por que se encare a questão, é-se conduzido, cremos, a reconhecer que a criação fluídica é um fato inegável e que, uma vez mais, o ensino dos Espíritos se confirma por fenômenos que se desconheciam, quando estas verdades nos foram reveladas.

Os magnetizadores antigos adiantaram-se aos modernos hipnotizadores na maior parte das experiências em torno das quais se faz hoje tanto ruído, mas que só são novas para os que querem ignorar as de antanho.

Eis aqui um caso de criação fluídica pela ação da vontade, em o qual não há sugestão feita ao paciente, nem, portanto, ponto de referência.

Em seu livro: O magnetismo animal, o Dr. Teste relata a seguinte experiência por ele realizada em público:

“Sentado no centro do meu salão, imagino, tão nitidamente quanto me é possível, um tabique de madeira pintada, elevando-se à minha frente, até à altura de um metro. Quando essa imagem se acha bem fixada no meu cérebro, eu a realizo mentalmente por meio de alguns gestos. A Srta. Henriqueta H..., jovem sonâmbula tão impressionável que a faço adormecer em poucos segundos, está então desperta, no compartimento ao lado. Peço-lhe me traga um livro que deve estar ao seu alcance. Ela vem, com efeito, trazendo na mão o livro; mas, em chegando ao local onde eu levantara o meu tabique imaginário, pára de súbito. Pergunto-lhe por que não se aproxima um pouco mais.

– O senhor não vê, responde ela, que está cercado por um tabique?

– Que loucura! Aproxime-se.

– Não posso, afirmo-lhe.

– Como vê esse tabique?

– Tal qual é aparentemente... de madeira vermelha... Toco-o. Que singular idéia a sua de colocar isto aqui no salão!

Tento persuadi-Ia de que está sendo vítima de uma ilusão e, para a convencer, tomo-lhe as mãos e puxo para mim; seus pés, porém, se acham colados ao assoalho; somente a parte superior do seu corpo se inclina para frente. Por fim, exclama que lhe estou comprimindo o estômago de encontro ao obstáculo.”

Aqui, não há sugestão verbal; entretanto, o tabique realmente existe para a paciente.

Cremos mesmo que, em todas as alucinações naturais ou provadas, há sempre formação de uma imagem fluídica, que, no caso de enfermidade, pode decorrer do estado mórbido do paciente, ou da vontade do operador, em caso de sugestão. Quando se estuda atentamente grande número de observações, quais as que Brierre de Boismont 239 relatou, não há como não ficar impressionado pelo caráter de realidade que as perturbações dos sentidos têm para os pacientes. Estes descrevem minuciosamente suas visões, chegam a vê-las com uma intensidade que claramente denota não se tratar apenas de uma idéia a que emprestem uma representação, que há alguma coisa mais, que ela existe, porquanto o que mais exaspera é a negação dessa realidade.

Todo um estudo está por fazer-se acerca da distinção que se deve estabelecer entre uma alucinação propriamente dita, isto é, uma criação fluídica anormal, consecutiva a perturbações cerebrais, e o a que os espíritas chamam as obsessões.

Depois que este artigo foi escrito (julho de 1895), logramos obter provas objetivas da realidade da criação fluídica pela ação da vontade.

Possuímos provas fotográficas de formas mentais, radiografadas sobre uma chapa sensível, pela ação voluntária e consciente do pensamento do operador. O comandante Darget conseguiu, em duas ocasiões, exteriorizar o seu pensamento fixado numa garrafa, de modo a reproduzir essa imagem sobre uma chapa fotográfica, sem máquina, apenas tocando com a mão a chapa, do lado do vidro.240 Temos, pois, uma prova física certa, inatacável, do poder criador da vontade, poder que estudamos nas manifestações precedentes.

Um americano, Sr. Ingles Roggers, afirma que, tendo, depois de olhar durante longo tempo uma moeda, fixado, com toda a atenção que lhe era possível, uma chapa fotográfica, obteve um clichê em que se acha reproduzida a forma da moeda.241

Édison filho, por seu lado, declara 242 haver construído um aparelho por meio do qual a fotografia do pensamento se torna uma realidade positiva.

“Ainda não posso pretender, diz a esse propósito o jovem Édison, fazer que toda gente acredite que aquela sombra é a fotografia de um pensamento: por demais indistinta, falta-lhe o caráter indispensável para ser uma prova convincente. Mas, estou persuadido de que, dentro de certos limites, fotografei o pensamento.”

Notemos mais, que as imagens criadas pelos Srs. Binet e Ferré poderiam, provavelmente, ter sido radiografadas, pois que possuíam bastante objetividade para serem vistas pelos pacientes e obedecerem a todas as leis da óptica, consideração esta última que grande valor adquire para todo espírito imparcial.

Conclusão


O problema da imortalidade da alma, que outrora pertencia à alçada da Filosofia, pôde, nos dias atuais, ser atacado pelo método positivo. Já observamos uma orientação nova, criada pela pesquisa experimental. O hipnotismo prestou serviço imenso à Psicologia, com o facultar que se dissecasse, por assim dizer, a alma humana e fecundo foi o emprego que dele se fez, para obter-se o conhecimento do princípio pensante em suas modalidades conscientes e subconscientes. A isso, entretanto, não se reduziu o seu papel; ele deu ensejo a que se pusessem em foco fenômenos mal conhecidos, quais os da sugestão mental a distância, da exteriorização da sensibilidade e da motricidade, que levam diretamente à telepatia e ao Espiritismo.

Essa evolução lógica mostra que a Natureza procede por transições insensíveis. Há certos fenômenos em que a ação extracorpórea da alma humana se pode explicar por uma simples irradiação dinâmica, produzindo os fenômenos telepáticos propriamente ditos, ao passo que outros absolutamente necessitam, para serem compreendidos, da exteriorização da inteligência, da sensibilidade e da vontade, isto é, da própria alma.

Assinalamos, de passagem, essa sucessão das manifestações anímicas e, embora fôssemos constrangidos a resumir extremamente os fatos, temos para nós, contudo, que a atenção do leitor foi atingida por essa continuidade, que de modo ainda mais empolgante ressalta quando se chega às manifestações extraterrestres. São preciosas as observações dos sábios da Sociedade de Pesquisas Psíquicas, no sentido de que fazem se apreenda bem a notável semelhança que existe entre as aparições dos mortos e as dos vivos. Melhor então se compreendem as narrativas de que são copiosos os anais de todos os povos. Chegamos a persuadir-nos de que, se a vida de além-túmulo foi negada com tanta fúria por muitos espíritos bons, é que ela era incompreensível, quer fizessem da alma uma resultante do organismo, quer a supusessem formada de uma essência puramente espiritual.

Pudemos, com efeito, convencer-nos de que a alma humana não é, conforme o julgam os materialistas, uma função do sistema nervoso; que ela é um ser dotado de existência independente do organismo e que se revela precisamente com todas as suas faculdades: sensitivas, inteligentes e voluntárias, quando o corpo físico se tornou inerte, insensível, completamente aniquilado. A alma humana não é, tampouco, qual o afirmam os espiritualistas, uma entidade imaterial, um ser intangível. Ela possui um substratum material, porém formado de matéria especial, infinitamente sutil, cujo grau de rarefação ultrapassa de muito todos os gases até hoje conhecidos.

Se bem, desde o instante do nascimento, alma e corpo se achem intimamente unidos, de maneira a formarem um todo harmonioso, não é tão profunda essa união, nem tão indissolúvel quanto se pensava. Sabemos, por fatos de observação e de experiência, que o princípio pensante se evade por vezes da sua prisão carnal e percebe a natureza, com exclusão do ministério dos sentidos. Os casos de Varley, do Dr. Britten, do jovem gravador citado pelo Dr. Gibier são, a esse respeito, inteiramente probantes. O desprendimento anímico pode ser provocado, como vimos nas pesquisas do Sr. de Rochas, nas quais apanhamos ao vivo o processo de desintegração que, quando se completa, dá lugar à formação de um fantasma que reproduz com exatidão o corpo físico. Aliás, as experiências dos magnetizadores conduzem ao mesmo resultado. Os casos do negro Lewis e da Sra. Morgan estabelecem, com caráter de certeza, que é possível à alma separar-se voluntariamente do corpo.

Foi sempre experimentalmente que se observou ter esse corpo da alma uma realidade física, pois que ele pode ser visto (caso de Lewis e do Dr. Britten) e não raro fotografado, conforme o demonstramos várias vezes (casos do capitão Volpi, do Sr. Stead, do Dr. Hasdeu, etc.). Finalmente, a realidade física do desdobramento está inteiramente provada com a Sra. Fay e o médium Eglinton, de cujo duplo a materialização se tornou irrecusável por um molde em parafina.

Esse duplo, sósia do ser vivo, não é, pois, uma miragem, uma imagem virtual, ou uma alucinação. É a própria alma que se revela, não só pela sua aparição, mas também intelectualmente, por mensagens que lhe atestam a individualidade. O que reproduzimos de forma experimental se deu naturalmente e foi observado grande número de vezes, porquanto os sábios da Sociedade de Pesquisas Psíquicas reuniram considerável acervo de documentos acerca desse assunto, tão eminentemente instrutivo e interessante. O cepticismo, em verdade, não pode sentir-se à vontade diante desses dois mil casos perfeitamente comprovados. É fora de dúvida que a incredulidade sistemática surge aqui com tara cerebral, como um caso patológico, ao qual não há porque dar atenção.

A identidade física e intelectual das manifestações fantasmáticas provindas de indivíduos vivos, ou mortos há mais ou menos tempo, patenteia a sobrevivência da atividade anímica após a morte corporal. Os fenômenos extremamente numerosos e variados do Espiritismo confirmam os fatos de observação. Possuímos provas de todos os gêneros, atestando que o ser pensante resiste à desagregação física e persiste na posse integral de suas faculdades intelectuais e morais. Ainda a esse respeito são abundantes e precisos os documentos.

A fotografia permite se afirme com segurança absoluta que os impropriamente chamados mortos são, ao contrário, perfeitamente vivos. Os testemunhos de Wallace, do Dr. Thomson, de Bromson Murray, de Beattie não consentem dúvidas. Embora remonte por vezes a uma época distante o momento da sua desencarnação, o ser que vem dar o seu retrato nenhum traço revela de decrepitude. Em geral, mostra-se mesmo rejuvenescido, isto é, gosta de ser representado na fase da sua existência em que dispunha do máximo de atividade física. Também nas descrições dos médiuns videntes temos excelentes meios de convicção e bastará lembremos o caso de Violeta, citado pelo Sr. Robert Dale Owen, para pormos em evidência todos os recursos encontráveis nesse gênero de investigações.

Vimos igualmente que o grau de objetividade do Espírito pode chegar até a uma verdadeira materialização.

Opera-se então o magnífico fenômeno mediante o qual ressuscita, por assim dizer, um ser desaparecido de há muito do mundo dos vivos. Sabemos de quantas precauções se cercam os experimentadores, para não serem iludidos pelos médiuns ou pelos seus próprios sentidos. Apesar do número considerável das narrativas, a despeito da autoridade dos sábios, que controlaram os fenômenos, indispensáveis se tornaram testemunhos materiais da realidade deles, para que se desse crédito a tão singulares relatos. Só depois das fotografias de Katie King se formou a convicção de que os espectadores não tinham sido vítimas de sugestões vígeis, convicção que ainda mais se robusteceu quando, pelas moldagens, como as que obtiveram os Srs. Reimers e Oxley, se fizeram certo que havia ali uma realidade esplêndida, uma grandiosa evidência.

Surgiram então todas as teorias imaginadas para combater essa demonstração que embaraçava os incrédulos. Já não podendo negar os fatos, tentaram eles desacreditá-los, atribuindo-os ao desdobramento do médium; a criações de seu cérebro objetivadas diante dos espectadores; a intervenções de elementais ou elementares, etc. Sabe-se, porém, quanto são inadmissíveis todas essas hipóteses e, assim, a convicção se impõe de que a morte não é o fim do ser humano, mas um degrau da sua vida imperecível.

A conservação do perispírito após a morte faculta se compreenda que a integridade da vida psíquica não se destrói, apesar do desaparecimento do cérebro material que parecia indispensável à sua manifestação. Durante a vida, o perispírito existe, sabemo-lo sem sombra de dúvida, e desempenha papel notável na vida fisiológica e psíquica do ser, pois, desde que ele sobrevive ao organismo, é que era absolutamente diferente deste. O ser humano então nos aparece qual realmente é: uma forma, pela qual passa a matéria. Quando se acha gasta a energia que fazia funcionar essa máquina; quando, numa palavra, a força vital se transformou completamente, a matéria fica sem poder mais incorporar-se, o corpo físico se desagrega, seus elementos voltam à terra e a alma, revestida sempre de sua forma espiritual, continua no espaço a sua evolução sem fim.

As materializações, suficientemente objetivadas para deixarem traços materiais da sua realidade por meio de impressões e moldes, mostraram que o perispírito é a forma ideal sobre que se constrói o corpo físico. Ele contém todas as leis organogênicas do ser humano e, se essas leis se encontram em estado latente no espaço, subsistem, no entanto, prontas sempre a exercer a ação que lhes é própria, desde que para isso se lhes forneça matéria e essa forma da energia a que se dá o nome de força nervosa ou vital.

A existência desse corpo espiritual é conhecida de toda a antigüidade, mas apenas vagas e incompletas noções se possuíam sobre a sua verdadeira natureza. Não temos a pretensão de afirmar que já se fez luz completa sobre esse assunto; já principiamos, todavia, a estabelecer melhor os termos do problema. As modernas descobertas da ciência permitem mesmo se acredite que a sua solução está porventura mais próxima do que geralmente se imagina.

Procuramos mostrar que a existência de uma substancialidade etérea não é incompatível com os nossos conhecimentos atuais sobre a matéria e a energia. Cremos que essa tentativa não parecerá demasiado temerária, pois que a ciência positiva se encaminha para esse domínio do imponderável, que inúmeras surpresas lhe reserva. Diremos, pois, com o Sr. Léonce Ribert, que temos hoje nas mãos todos os elementos para a solução do grande problema dos nossos destinos.

Depois dos luminosos trabalhos de Helmholtz, de Sir William Thomson (que se tornou Lorde Kelvin), de Crookes, de Cornu, sobre a constituição da matéria ponderável e do imponderável éter; depois dos de Kirkof e de Bunsen, de Lockyer, de Huggins, de Deslandes, sobre as revelações do espectroscópio; dos de Faye, de Wolff e de Croll, sobre a constituição, a marcha e o encontro dos gigantes celestes; aos de Claude Bernard, de Berthelot, de Lewes, de Preyer, em Química orgânica e em Fisiologia; dos de Pasteur sobre os infinitamente pequenos da vida; dos de Darwin e Wallace, sobre a origem das espécies; dos de seus discípulos e continuadores, quais Huxley, na Inglaterra, Hœckel, na Alemanha, Ed. Perrier, na França; dos de Broca e Ferrier, sobre as localizações cerebrais; dos de Herbert Spencer, de Bain, de Ribot, em Psicologia; dos de Taine, sobre a inteligência; dos de toda uma plêiade de sábios sobre a pré-história; enfim, depois das grandes descobertas de Mayer, de Joule, de Hirn, sobre a conservação da energia, podemos inteirar-nos, mais exatamente do que outrora, dos novos fatos que as pesquisas contemporâneas revelam.

Quem não vê as relações que existem entre a sugestão mental à distância e a telegrafia sem fio? Como não compreender que a vista sem o concurso dos olhos já não é incompreensível, após a descoberta dos raios X e quem não percebe as íntimas analogias que o corpo perispirítico apresenta com a matéria ultra-radiante? Sem dúvida, ainda são meras aproximações, mas a estrada está toda traçada e a ciência de amanhã por ela necessariamente enveredará, acompanhando os Crookes, os Wallace, os Lodge, os Barrett, e os de Rochas, que levantaram o véu da grande Ísis.



Revelar-se-á então, em toda a sua grandeza, a lei evolutiva que nos arrasta para destinos cada vez mais altos. Do mesmo modo que o planeta se elevou lentamente da matéria bruta à vida organizada, para chegar à inteligência humana, também compreenderemos que a nossa passagem por este mundo mais não é do que um degrau da eterna ascensão. Saberemos que somos chamados a desenvolver-nos sempre e que o nosso planeta apenas representa uma etapa da senda infinita. O infinito e a eternidade são domínios nossos. Assim como certo é que não se pode destruir a energia, também de certo uma alma não pode aniquilar-se. Semeemos profusamente em todas as inteligências estas consoladoras verdades que nos rasgam maravilhosos horizontes do futuro, mostrem que existe para todos os seres uma igualdade absoluta de origem e de destino e veremos efetuar-se a evolução espiritual e moral que há de acarretar o advento da era augusta da regeneração humana, pela prática da verdadeira fraternidade.

FIM


Notas:


1Gabriel Delanne, A Evolução Anímica.

2Prevenimos o leitor de que consideramos expressões equivalentes as palavras alma e espírito.

3Ferdinando Denis, Universo pitoresco. Consultar, para o estudo dessas crenças, os trabalhos publicados sobre as tribos da Oceania, da América, da África, t. I, 64-65. Consultar também Taylor, Civilizações primitivas, t. I, pág. 485; Taplin, Folklore Manners of Australian aborigenes.

4Fogo aéreo. O fogo era representado sob três modalidades: Agni, fogo terrestre. Surya ou Indra, o sol; Vayú, fogo aéreo. (Rigveda, 513, nº 4, tradução de A. Langlois.)

5Marius Fontanes, Índia Védica, págs. 327 e seguintes.

6“Os cânticos védicos exprimem, na sua origem, uma confiança ingênua, um otimismo natural, um sentimento de verdade que pouco a pouco se alteram, sob a influência sacerdotal.” (A. Langlois, Rigveda, t. I, pág. 24.)

7Maspéro, Arqueologia Egípcia, pág, 108, e História antiga dos povos do Oriente, pág. 40.

8G. Pauthier, A China, VI, pág. 13.

9Léon Carre, O antigo Oriente, pág. 386

10G. Pauthier, Ob. cit. VII, pág. 369.

11G. de Lafond, O Mazdeísmo e o Avestá, págs. 137 e 159.

12Marius Fontanes, Os Iranianos, págs. 163 e 164.

13Eugène Burnouf, A ciência das religiões, pág. 270. Ver também, para esclarecimentos, Anquetil-Duperron, Zend-Avestá, t. II, pág. 83.

14A. Maury, A Terra e o Homem, pág. 595: “Os hebreus não criam nem na alma pessoal, nem na sua imortalidade”; Levítico, XVII; E. Reuss, A História, pág. 263.

15Maury, A Magia e a Astrologia, pág. 263.

16Diog. Laertius, libro I, nº 27.

17Dicionário universal, histórico, crítico e biográfico, t. XVII. Ver: “Thales”.

18Fénelon, Vida dos filósofos da antigüidade.

19Fédon, Timeu, Fedro.

20E. Bonnemère, A alma e suas manifestações através da história, págs. 109 e seguintes. Ver também: Rossi e Gustianini, O demônio de Sócrates.

21Lamartine, A morte de Sócrates, poema. Advertência.

221ª Epístola aos Coríntios, cap. XV, v. 44.

23Pezzani, A Verdade (jornal, de 5 de abril de 1863).

24Santo Agostinho, Manual, cap. XXVI.

25Bourdeau, O problema da morte, págs. 36 e seguintes e 62 e seguintes.

26Tertuliano, De carne Cristi, cap. VI.

27Santo Agostinho, Scap. Cen. ad litt., t. III, cap. X.

28Homília X, In Evang.

29Sup. Quantie, Homília X.

30Abraham, t. II, cap. XIII, nº 58.

31Plotino, Enéade primeira, livro I: Ver: Enéades, 3 volumes, in-8º, 1857-1860.

32Plotino, Enéade segunda.

33A Divina Comédia, “Purgatório”, XXV. (Tradução de Florentino.)

34Leibnitz, Novos ensaios, Prefácio.

35Charles Bonnet, Ensaio analítico, págs. 528 e seguintes. Ver também: Palingenesia, t. II.

36A teoria da evolução faz-se compreenda muito bem como a função criou o órgão. Veja-se: G. Delanne, A Evolução Anímica, cap. III: “Como o perispírito pôde adquirir propriedades funcionais”.

37O perispírito já contém em si todos os sentidos. O corpo apenas possui os instrumentos que servem ao exercício das faculdades. Quem vê não é o olho, é a alma; o ouvido não escuta, é mero instrumento da audição, porquanto, se interromper a comunicação entre o cérebro e o olho ou o ouvido, embora permaneça intacto o aparelho, a percepção não se dá. Aliás, a visão e a audição podem verificar-se, sem participação do olho ou do ouvido, como nos casos de lucidez sonambúlica.

38A matéria radiante, os raios X e o espectroscópico justificam plenamente estas intuições de gênio.

39Os estudos e as fotografias dos “Canais de Marte” já permitem se creia que esse mundo é habitado. Isso confirma plenamente as judiciosas induções de Charles Bonnet e nos incita a acreditar que todos os mundos são ou serão povoados por seres inteligentes.

40Pezzani, A pluralidade das existências da alma. Consultem-se os numerosos escritores modernos que afirmam sua crença no perispírito: Dupont de Nemours, Pierre Leroux, Ballanche, Fourier, Jean Reynaud, Esquiros, Flammarion, etc.

41Toda gente conhece as aparições públicas de Castor e Pólux, o fantasma de Brutus, a vigília de Farsália, a casa mal-assombrada de Alexandre, de que fala Plínio, etc.

42Steki, O Espiritismo na Bíblia.

43Vela-se a tradução francesa, feita pelo Dr. Dusart, da obra do Dr. Kerner.

44Correspondência sobre o magnetismo vital, etc., por G. Billot, doutor em medicina, Paris, 1839.

45Billot, Correspondência, t. I, pág. 37.

46Correspondência, t. I, pág. 93.

47Correspondência, t. I, nota 2, pág. 305.

48Correspondência, t. II, págs. 18 e 137.

49Fenômenos de transporte – Passagem da matéria através da matéria. Verifica-se esse fenômeno quando qualquer objeto material é transportado para dentro (apport) ou para fora (asport) de um recinto, por meios supranormais. (Vide Ernesto Bozzano, Fenômenos de Transporte.) (Nota do Revisor.)

50O Dr. Billot residia em Mont-Luberon, perto de Apt.

51Chardel, Fisiologia do Magnetismo, págs. 85, 87 e 328.

52Não se diga, a este propósito, que a sonâmbula estava sugestionada pelo seu magnetizador, pois este ignorava a existência dos eflúvios. Consulte-se Albert de Rochas, Exteriorização da sensibilidade. Vejam-se as experiências em que ele determinou a objetividade desse fenômeno, com um paciente cuja visão era controlada pelo estudo espectroscópico da refração e da polarização dos eflúvios que se desprendiam dos dedos do magnetizador. Os comprimentos de onda indicados pelo vidente eram os que correspondiam ao vermelho e ao violeta, cores vistas como a emanarem do magnetizador.

53Dr. Bertrand, Tratado de Sonambulismo, caps. III e V.

54Du Potet, Jornal do Magnetismo, 1862, 1ª semana.

55Du Potet, A Magia desvendada.

56General Noizet, Memórias, pág. 128. Citado por Ochorowicz, pág. 279.

57Cahagnet, Os Arcanos da vida futura desvendados, t. III, Págs. 80-81.

58Antes da sua conversão

59Cahagnet, Arcanos, t. II, pág. 94 e seguintes.

60A sonâmbula emprega a palavra céu para designar a erraticidade, isto é, o espaço que cerca a Terra.

61Cahagnet, Arcanos, V, págs. 98-99.

62Mais tarde, esse senhor me disse que reconhecera inteiramente exatos todos os detalhes da aparição de seu irmão; outros, porém, lhe tinham lançado dúvidas no espírito, dizendo que essas aparições eram simples transmissão de pensamento. Para se convencer do contrário é que pedira fosse chamada uma pessoa que lhe era desconhecida. (Nota de Cahagnet.)

63Cahagnet, Arcanos, t. III, págs. 75 e seguintes.

64Consultem-se, a esse respeito: o relatório do Dr. Husson, de 28 de junho de 1831, à Academia das Ciências; Deleuze, Memória sobre a clarividência dos sonâmbulos; Rostan, artigo Magnetismo, no Dicionário das ciências médicas; Lafontaine, A arte de magnetizar; Charpignon, Fisiologia, Medicina e Metafísica do Magnetismo; Os casos citados nos Proceedings da Sociedade Inglesa de Pesquisas Psíquicas; Gabriel Delanne, O Espiritismo perante a Ciência, cap. III; Vejam-se igualmente: As aparições materializadas dos vivos e dos mortos, t. I e II.

65Allan Kardec, Revue Spirite, outubro de 1864, outubro de 1865, junho de 1867. Veja também, em A Gênese, o cap. “Dos fluidos”.

66O termo “fluido” não designa uma matéria particular. Significa um movimento ondulatório do éter, análogo aos que dão origem à eletricidade, à luz, ao calor, aos raios X, etc.

67Allan Kardec, Revue Spirite, junho de 1867, págs. 173-174.

68Revue Spirite, ano de 1861, págs. 148 e seguintes.

69O Salvador dos Povos (diretor o Sr. Lefraire, advogado), nº 6, fevereiro de 1864.

70Annali dello Spiritismo in Italia.

71O desgraçado sempre crê facilmente no que deseja.

72Bossi Pagnoni e Dr. Moroni, Alguns ensaios de mediunidade hipnótica, tradução francesa da Sra. Francisca Vigné. Vejam-se: Págs. 10 e seguintes e pág. 102.

73Mediunidade hipnótica, pág. 113. É este o relato:

“No mês de novembro último, um estrangeiro ilustre assistiu a algumas sessões do nosso círculo e, depois de uma série de experiências mediúnicas, desejou observar outras de clarividência terrestre. Esse desejo me desagradava, porque tais experiências não entravam no quadro dos nossos estudos. Havia em mim o temor natural de que, a esse respeito, o nosso médium fosse inferior a muitos, se bem eu o considere superior a mil outros, em matéria de mediunidade.

“Entretanto, vendo que o Dr. Moroni aquiescia de boamente, calei-me e me pus de lado, sem tomar parte na experiência, de cujos bons resultados duvidava.

“O estrangeiro apresentou uma caixinha na qual metera um papel com algumas palavras escritas e pediu que a sonâmbula tentasse lê-las. Perdemos uma hora nessa tentativa, sem o mínimo resultado.

“Em seguida, tentou ele uma prova de transmissão de pensamento. Escreveu, à parte, num pedaço de papel, a palavra “Trapani” e, depois de o haver mostrado ao hipnotizador, pediu que este, por sugestão mental, a transmitisse ao médium. Essa experiência durou quase uma hora. Vendo que, desse modo, se perdia um tempo que muito mais utilmente se poderia empregar em proveito do hóspede que dentro em pouco partiria, propus se abandonasse a experiência. A sonâmbula, entretanto, persistia, mas não conseguiu adivinhar a palavra e foi obrigada, pela fadiga, a parar.”


74Revue Scientifique et Morale du Spiritisme, primeiro ano, nº 6, pág. 365.

75Al. Delanne, Revue Scientifique et Morale du Spirítisme, nº 11, maio de 1897, págs. 678 e seguintes.

76Esse nome é um pseudônimo.

77Pierrart, Revista Espiritualista, 1862, pág. 180.

78O Espiritismo perante a Ciência.

79Society for Psychical Research, fundada em 1882.

80Depois que o presente estudo foi publicado, grande progresso se realizou na Franca, em conseqüência, principalmente, da criação do Instituto Metapsíquico Internacional (fundação Jean Meyer), sob a direção do Dr. Geley e de uma comissão de sábios entre os quais se contam o prof. Charles Richet, Sir Oliver Lodge, etc. Esse instituto, com sede na Avenida Niel, 89, em Paris, foi reconhecido de utilidade pública. (Nota da sétima edição.)

Ao ser publicada esta primeira edição brasileira, o Dr. Gustave Geley, que desencarnou em desastre de avião, quando regressava de um Congresso de Psiquismo em Varsóvia, fora substituído pelo Dr. Eugène Osty, que a seu turno desencarnou em julho de 1938. (Nota do tradutor.)



81Vejam-se o primeiro volume dos Phantasms, págs. 39-48; e vol. II págs. 644-653. Vejam-se também: Proceedings of the Society for Psychical Research, t. I (1882-1883), págs. 83-97 e 175-215; t. II (1883-1884), pág. 208-215. Parte XI, maio de 1887, pág. 237; Parte XII, junho de 1888, págs. 169-215 e 56-116 (experiências do sr. Charles Richet). Consulte-se também o livro bastante documentado do Dr. Ochorowicz: A sugestão mental.

82Dá-se esse nome à pessoa cujo duplo aparece.

83Alfred Russel Wallace, Os milagres e o moderno Espiritualismo.

84As Alucinações Telepáticas, pág. 50.

85O grifo é nosso.

86As Alucinações Telepáticas, pág. 237.

87Psychische Studien, março de 1897.

88Veja-se: W. H. F. Myers, Proceedings, A consciência subliminal, 1897. Consultem-se também: P. Janet, O automatismo psicológico, pág. 314; e Binet, As alterações da personalidade, págs. 6 e seguintes.

89Report on Spiritualism, pág. 157, traduzido na Revue Scientifique et Morale du Spiritisme, fevereiro de 1898.

90Há, pois, aqui, simultaneamente, auto-sugestão e clarividência.

91As Alucinações Telepáticas, pág. 278.

92Dr. Gibier, Análise das Coisas, págs. 142 e seguintes.

93Não é comparável esta visão à dos sonâmbulos? Não nos assiste razão para atribuí-la à alma? Confrontando a narrativa acima com a de Cromwel Varley, notamos claramente que, desprendida do corpo, a alma goza das vantagens da vida espiritual. Aqui não há teorias; há, pura e simplesmente, a comprovação de fatos.

94Ver Primeira parte, cap. IV, tópico “Aparição espontânea”;

95As Alucinações Telepáticas, pág. 310.

96As Alucinações Telepáticas, pág. 315.

97As Alucinações Telepáticas, pág. 317.

98Veja-se: A Evolução Anímica, cap. IV, “A memória e as personalidades múltiplas”.

99Leuret, Fragmentos psicológicos sobre a loucura, pág. 95.

100Gratiolet, Anatomia comparada do sistema nervoso, t. II, Pg. 548.

101Cahagnet, A luz dos mortos, pág. 28.

102Gabriel Delanne, O Espiritismo perante a Ciência, página 154 e seguintes.

103Dassier, A humanidade póstuma. Vejam-se os numerosos casos em que o espectro do vivo fala, come, bebe e manifesta sua força física, em muitas circunstanciais.

104Dassier, A humanidade póstuma, pág. 59.

105Veja-se também: História Universal da Igreja Católica, pelo padre Rohrbacher, t. II, pág. 30; Vida do bem-aventurado Afonso Maria de Liguori, pelo padre Jancart, missionário provincial, pág. 370; Elemente della storia de Sommi Pontific, por Giuseppe de Novaes.

106Extraída da obra alemã: Os fenômenos místicos da vida humana, por Maximilien Perty, professor da Universidade de Berna. Heidelberg, 1861.

107Incursões nas fronteiras de outro mundo, pág. 326.

108Os milagres e o moderno espiritualismo, pág. 112.

109As Alucinações Telepáticas, pág. 112.

110Veja-se, na primeira parte desta obra, Capítulo IV, o tópico “Aparição espontânea”.

111Ibidem, tópico “Goethe e seu amigo”.

112As Alucinações Telepáticas, pág. 185.

113As Alucinações Telepáticas, pág. 372.

114As Alucinações Telepáticas, pág. 376.

115Loc. cit., Pág. 359.

116As Alucinações Telepáticas, pág. 38.

117Light, 1883, pág. 458, citado por Aksakof.

118The Spiritualist, 1875, I, pág. 97. Citado por Aksakof.

119Harrison, Spirits before our eyes (Espíritos diante dos nossos olhos), pág. 146.

120Veja-se: Aksakof, Animismo e Espiritismo, págs. 470 e seguintes.

121Aksakof, Animismo e Espiritismo, pág. 78.

122Dr. H. Baraduc, A alma humana, seus movimentos, suas luzes.

123Veja-se: Revue Scientifique et Morale du Spiritisme, número de outubro de 1897, onde se acha reproduzida essa fotografia.

124Aksakof, Animismo e Espiritismo, págs. 164 e 165.

125Revue Spirite, 1860, págs. 81 e seguintes. No mesmo ano, evocação da Srta. Indermulhe, pág. 88.

126Confrontemos esta afirmação com a observação do jovem gravador, de que fala o Dr. Gibier, e comprovaremos a veracidade da nossa doutrina, pela completa analogia existente, a 40 anos de intervalo, entre os ensinos dos Espíritos e o que atesta a observação direta.

127Allan Kardec, O Céu e o Inferno e Revue Spirite, 1860, Pág. 173.

128Alexandre Aksakof, Animismo e Espiritismo, págs. 470 e seguintes.

129Allan Kardec, O Livro dos Espíritos. Veja-se, para explicação desses casos, o artigo: “Visitas espíritas entre pessoas vivas”.

130Veja-se: Revue Scientifique et Morale du Spiritisme; “Comunicação dada pelo Espírito de um vivo enquanto dormia”. Número de outubro de 1898, pág. 245.

131Banner of Light, números de 6 de novembro e 11 de dezembro de 1875.

132Human nature, 1875, pág. 555.

133Veja-se, a esse respeito: Os irmãos Davenport, de Randolf, págs. 154-470; e Fatos supraterrestres na vida do reverendo Fergusson, pág. 109.

134The Spiritualist, 1875, nº 4, pág. 15.

135Pág. 132.

136De Rochas, Exteriorização da sensibilidade.

137Veja-se a Revista Científica de 25 de dezembro de 1897., O Sr. Russel comunicou à Sociedade Real de Londres que certos metais impressionam na obscuridade a chapa fotográfica, mesmo através de uma camada de verniz copal, ou de uma folha de celulóide.

138Esse arrastamento de partículas evidentemente se produz nos líquidos e se chama evaporação. Os Srs. Fusiéri, Bizio e Zantédeschi demonstraram a realidade do mesmo fato, com relação aos corpos sólidos, e deram ao fenômeno o nome de sublimação lenta. Dr. Fugairon, Ensaio sobre os fenômenos elétricos dos seres vivos, pág. 17.

139O Sr. Luys comprovou, por meio do oftalmoscópio: que o fundo do olho do paciente hipnotizado apresenta um fenômeno vascular “extrafisiológico” e que os vasos sangüíneos chegam a ter um volume quase triplo do normal.

140Para compreender-se o fenômeno, preciso é se faça idéia exata do a que se chama onda luminosa. Quando uma pedra cai na água, observa-se que produz uma espécie de buraco; que, em seguida, se lhe forma em torno e imediatamente contígua a ele uma série de círculos concêntricos, que se vão continuamente alargando. Esses círculos são formados por pequenos intumescimentos do líquido e o espaço entre dois de tais círculos se caracteriza por uma pequena depressão. Observando-se atentamente a superfície líquida, vê-se, com efeito, que ela se eleva e abaixa regularmente. Chamam-se ondas condensadas os rolos líquidos e ondas dilatadas as cavidades. O conjunto constitui uma onda completa.

Nota-se também que é constante a velocidade de propagação das ondas e que elas são periódicas.

Se, em vez de uma pedra, deixarmos cair duas, a pequena distância uma da outra, veremos cruzarem-se os círculos, recebendo cada ponto de cruzamento, simultaneamente, duas espécies de movimentos: um determinado pelo primeiro sistema de onda, o outro pelo segundo. Se forem do mesmo sentido, os dois movimentos se adicionam; se forem de sentidos contrários, destroem-se e formam uma faixa de repouso. Diz-se, nos dois casos, que há interferência.

São as mesmas as leis, assim para o som, como para a luz, salvo o fato de serem transversais às ondulações e se desenvolverem em esferas.



Resulta destes fatos a seguinte curiosa conclusão: o som adicionado ao som produz silêncio e a luz adicionada à luz produz obscuridade, da mesma maneira que duas forças iguais e de sentidos contrários se equilibram.

141Vejam-se os detalhes destas experiências no nosso livro O Fenômeno Espírita, Parte Segunda, cap. I, “A força psíquica”.

142Veja-se Revue Spirite, novembro de 1894. Fotografia que o Sr. de Rochas e o Dr. Barlémont tiraram do corpo de um médium e do seu duplo, momentaneamente separados.

143Dr. Dupouy, Ciências ocultas e fisiologia psíquica, página 85.

144Anais das Ciências Psíquicas. Dr. Paul Joire: “Da exteriorização da sensibilidade” (número de novembro-dezembro de 1897, pág. 341).

145Cahagnet, Os Arcanos da vida futura desvendados, t. II, págs. 54 e seguintes.

146Aksakof, Animismo e Espiritismo, pág. 125.

147Papus, Tratado elementar de magia prática, págs. 184 e seguintes.

148Dassier, A humanidade póstuma, págs. 64 e seguintes.

149Bourru e Burot, A sugestão mental e a ação a distância das substâncias tóxicas e medicamentosas, Paris, 1887.

150Elle Méric, O maravilhoso e a ciência.

151Dr. Luys, Fenômenos produzidos pela ação de medicamentos a distância.

152Alfred Russel Wallace, Os milagres e o moderno Espiritualismo, págs. 255 e seguintes.

153Russel Wallace, Os milagres e o moderno Espiritualismo, págs. 268 e seguintes.

154Muito conhecido espiritualista de Nova York, não pertencente à categoria dos que crêem cegamente em tudo o que se qualifique de fenômeno mediúnico. Fez parte de várias comissões que desmascararam a impostura de pseudomédíuns. (Nota do Sr. Aksakof.)

155Vejam-se, no fim do livro de Aksakof, os retratos fluídicos dessa senhora, em diferentes posições, e o seu retrato em vida.

156O Fenômeno Espírita. Veja-se, com relação a essas experiências e às de que aqui tratamos nos dois parágrafos seguintes, o capítulo intitulado: “Espiritismo transcendental”.

157Slade era o médium e foi quem, mais tarde, auxiliou o Dr. Gibier em seus trabalhos. Veja-se: O Espiritismo ou Faquirismo ocidental, onde esses trabalhos foram relatados.

158Revue Spirite, 1887, pág. 427. Vejam-se também as experiências do Dr. Vizani Scozzi, com Eusápia Paladino, Revue Scientifique et Morale du Spiritisme, setembro e outubro de 1898.

159Veja-se a sua obra Animismo e Espiritismo, onde se encontram registradas, em grande número, rigorosas observações.

160A Iniciação, número de fevereiro de 1883. Veja-se também a sua obra: Traços de luz.

161Editado em português com o título de Fatos Espíritas, ed. FEB.

162Revue Spirite: “História de Katie King”, pela Sra. de Laversay, de março a outubro de 1897.

163Sra. d'Espérance, No País das Sombras, edição da FEB.

164Florence Marryat, There is no death (Não há morte).

165Veja-se: Pesquisas sobre o moderno Espiritualismo.

166The Spiritualist, 29 de maio de 1874.

167William Crookes, Pesquisas sobre o Espiritismo, fim.

168Animismo e Espiritismo, págs. 610 e seguintes.

169O Espiritismo na América, pág. 34.

170Veja-se a tese do Dr. Dupin: “O neurônio e as hipóteses histológicas sobre o seu modo de funcionamento. Teoria histológica do sono”. (Citado pelo Dr. Geley em seu livro: O Ser Subconsciente.)

171Veja-se: Um caso de desmaterialização parcial do corpo de um médium, por Aksakof. Quem ler esse caso poderá convencer-se de que a matéria de que temporariamente se forma o corpo do Espírito é tirada do corpo material do médium.

172Aksakof, Animismo e Espiritismo, 3ª parte. Vejam-se as provas, de todos os gêneros, existentes acerca das manifestações. Consultem-se também as nossas obras: O Fenômeno Espírita e As pesquisas sobre a mediunidade.

173Aksakof fotografou um Espírito em completa obscuridade. Veja-se O Fenômeno Espírita, cap. IV, Parte Segunda. O Dr. Baraduc, em seu livro: A alma humana, seus movimentos, suas luzes, pôs fora de dúvida esse fato, fazendo o gráfico dos fluidos que emanam do organismo humano. Vejam-se também, na Revue Scientifique et Morale du Spiritisme, as experiências do comandante Darget, ano de 1897, e as nossas, julho de 1898.

174Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Céu e o Inferno, A Gênese, O Evangelho segundo o Espiritismo. Esta obra contém todos os estudos relativos à alma e ao seu futuro.

175A descoberta da radioatividade dos corpos parece demonstrar que a matéria se destrói e retorna à energia que a engendrara. Entretanto, não há contradição, porquanto, sendo eterna a energia, se a matéria é um modo dessa energia, nada mais faz do que mudar de forma, sem se aniquilar.

176Veja-se Allan Kardec, A Gênese, cap. VI, “Uranografia geral.”

Citamos, sintetizando-os, os ensinos principais dos nossos instrutores espirituais, relativos ao espaço, ao tempo, à matéria e à força. Essas noções nos parecem absolutamente indispensáveis para se conhecer a matéria de que é formado o perispírito.



177Tyndall, O Calor, pág. 423.

178Sabe-se que o diâmetro do Sol era, primitivamente, o da própria nebulosa. Para se fazer uma idéia do calor gerado pelo fenômeno colossal da condensação, basta lembrar que se calculou que, se o diâmetro do Sol se encurtasse da décima milésima parte do seu valor, o calor gerado por essa condensação chegaria para manter durante 21 séculos a irradiação atual, que é igual, por ano, ao calor que resultaria da combustão de uma camada de hulha de 27 quilômetros de espessura, cobrindo completamente o Sol. Se a diminuição de 1/10000 do disco solar corresponde a 21 séculos de irradiação, vê-se que números formidáveis, gigantescos, de séculos empregou a nebulosa solar para se reduzir ao volume atual do nosso astro central.

179Berthelot, Ensaio de mecânica química, t. II, pág. 757.

180Moutier, Termodinâmica.

181Ainda não está definitivamente determinado o número dos corpos simples. Todos os dias, com efeito, se descobrem novos, principalmente no estado gasoso: o argônio, o metargônio, o criptônio, o zenônio, o neônio, etc.

182Unidade das forças físicas, pág. 604.

183Allan Kardec, A Gênese, cap. VI, “Uranografia geral”, nºs 8, 10, 11.

184Balfour Stewart, A Conservação da Energia.

185Lembramos que os fenômenos da radioatividade parecem demonstrar que a matéria se transforma em energia e que, portanto, não se aniquila substancialmente; apenas muda de estado e perde suas qualidades materiais.

186Allan Kardec, A Gênese, cap. XIX, “Os fluidos”, nºs 2 e 3.

187E podemos hoje acrescentar: pelos raios X e pelas emanações radioativas. Quem ousaria duvidar da clarividência dos nossos guias espirituais, desde que eles há longo tempo ensinam o que só agora a ciência descobre?

188Veja-se a Revue Scientifique et Morale du Spiritisme, 2º ano, número de julho de 1897, e números de maio, junho e julho de 1898.

189Revue Scientifique, de 25 de dezembro de 1897, Influência dos metais sobre a chapa fotográfica, a distância e na obscuridade.

190Jouffret, na Introdução à teoria da Energia, à pág. 67,diz:

Calculou-se que, a uma pressão barométrica de 760 milímetros, o número médio dos choques, entre as moléculas gasosas, seria:

1º – Para o oxigênio, por segundo, 2.065 milhões.

2º – Para o ar, por segundo, 4.760 milhões.

3º – Para o azoto, por segundo, 4.760 milhões.

4º – Para o hidrogênio, por segundo, 9.480 milhões.



Se a pressão barométrica fosse cem vezes menor, isto é, igual a 0m,0076, vácuo que apenas as melhores máquinas pneumáticas produzem, a média de percurso livre se tornaria cem mil vezes maior, isto é, igual a cerca de um centímetro; o número dos choques não seria mais do que 4.700 por segundo.

191Deleveau, A Matéria, pág. 77., Briot, Teoria mecânica do calor, pág. 143.

192Resenhas, 9 de junho de 1883.

193Camille Flammarion, O mundo antes da criarão do homem: a Gênese dos Mundos, pág. 40. É esta uma obra que nunca conseguiríamos recomendar o bastante aos nossos leitores, pela sua ciência e pela sua clareza de exposição. As mais difíceis questões relativas às nossas origens se acham aí explicadas, naquela nobre linguagem que é a glória do autor, de modo que os mais ignorantes as compreendem.

194William Crookes, Pesquisas sobre o Espiritualismo. Veja-se, no fim do volume: “Mediunidade da Srta. Florence Cook”.

195Veja-se, na segunda parte desta obra, Capítulo III, o tópico “Impressões e moldagens de formas materializadas”.

196Animismo e Espiritismo, págs. 160 e 254.

197Veja-se na segunda parte desta obra, Capítulo I, o tópico “Outras materializações de duplos de vivos”.

198Alfred Erny, O psiquismo experimental, cap. V, “Formas materializadas”.

199Allan Kardec, O Livro dos Médiuns.

200G. Delanne, A Evolução Anímica, págs. 255 e seguintes.

201Aksakof, Animismo e Espiritismo, pág. 350.

202Aksakof, Animismo e Espiritismo, pág. 619.

203Veja-se na segunda parte desta obra, Capítulo III, o tópico “O caso da Sra. Livermore”.

204Aksakof, Animismo e Espiritismo.

205Veja-se a reprodução desse molde no fim da obra do sábio russo, figura IX.

206O Espírito Lily deu também a máscara da sua figura. Veja-se na Revue Spirite, 1880, pág. 21, a gravura que lhe reproduz a bela cabeça.

207Alfred Erny, O psiquismo experimental, cap. V, Formas materializadas.

208Animismo e Espiritismo, págs. 622 e seguintes.

209Veja-se, na segunda parte desta obra, Capítulo I, o tópico “Materialização de um desdobramento”.

210Alfred Erny, O psiquismo experimental, cap. V, Formas materializadas.

211Zoellner, Wissenschaftliche Abhandlungen, volume II.

212Dr. Wolf, Starlings facts, pág. 481.

213The Spiritualist, 1876, t. I, pág. 146.

214Animismo e Espiritismo, pág. 228.

215A. Binet, As alterações da personalidade.

216P. Janet, O automatismo psicológico. Veja-se, para o que concerne à refutação, as nossas obras: O Fenômeno Espírita e Pesquisas sobre a mediunidade.

217Gabriel Delanne, A Evolução Anímica.

218Balfour-Stewart et Talt, O Universo Invisível, pág. 91.

219Vejam-se na segunda parte desta obra, Capítulo II, tópico “Repercussão, sobre o corpo, da ação exercida sobre o perispírito”, os casos da lúcida de Cahagnet, de Joana Brooks, da experiência de Aksakof com a Srta. Fox, etc.

220Florence Marryat, There is no death (Não há morte).

221Aksakof, Animismo e Espiritismo, pág. 242.

222Coronel Olcott, Peoples from the other world (Gente do outro mundo).

223Balfour Stewart, A conservação da energia, págs. 161 e seguintes.

224Estritamente falando, deve dizer-se que a vontade age sobre os gânglios incitadores, donde nascem os nervos motores dos músculos.

225Hack Tuke, O Corpo e o Espírito.

226Andrew Cross, Memórias.

227Beaunis, O sonambulismo provocado, pág, 45.

228Bourru e Burot, A sugestão mental e a ação a distância das substâncias tóxicas e medicamentosas.

229Bourru e Burot, A sugestão mental e as variações da personalidade, pág. 120.

230The Life of Edward Irwing, cit. por Hack Tuke.

231Brierre de Boismont, As Alucinações Telepáticas.

232Veja-se, do Sr. Pierre Janet: O automatismo psicológico. O exemplo que citamos é tirado de um artigo: “As fases intermédias do hipnotismo”. Vejam-se também as experiências do barão du Potet, no Hospital.

233Ochorowicz, A sugestão mental, págs. 119 e seguintes; cap. IV: “As experiências do Havre”.

234Hack Tuke, O Corpo e o Espírito.

235A “Memória” do Sr. Galton se encontra em A Natureza, de 15 de janeiro de 1880.

236Binet e Ferré, O magnetismo animal.

237Binet e Ferré, O magnetismo animal, pág. 139.

238Binet e Ferré, O Magnetismo animal, pág. 174.

239Brierre de Boismont, As Alucinações Telepáticas.

240Veja-se: Revue Scientifique et Morale du Spiritisme, número de janeiro de 1897.

241G. Vitoux, Os raios X, págs. 184 e 185.

242Revista das Revistas, de 15 de fevereiro de 1898, pág. 438.



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