Frequência de oclusão normal e de má oclusão em escolares de ambos os sexos na faixa etária de 6-7 anos em uma satélite do distrito federal



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FREQÜÊNCIA DE OCLUSÃO NORMAL E DE MÁ-OCLUSÃO EM ESCOLARES DE AMBOS OS SEXOS NA FAIXA ETÁRIA DE 6-7 ANOS EM UMA SATÉLITE DO DISTRITO FEDERAL.

LUCIANA BENEVIDES DA SILVA, C.D.

Orientador: DR. Aureliano Dias de Lustosa Filho



SINOPSE. Na cidade Satélite do Guará–DF, foram examinadas 436 crianças de ambos os sexos, escolares de 6 escolas públicas e particulares na faixa etária de 6-7 anos com objetivo de observar a prevalência de má-oclusão e as possíveis diferenças de tal ocorrência entre os sexos.

Propusemo-nos a divulgar a porcentagem de oclusão normal e a distribuição das más-oclusões de acordo com a relação sagital entre os arcos dentários.

Os resultados demonstraram, que a freqüência de má-oclusão foi de 76,8% do total de crianças. Das más-oclusões, prevaleceu a de Classe I (30,5%), seguida pela Classe III (26%) e finalmente pela Classe II (20,4
%). Uma porcentagem de 26% para Classe III parece surpreendente.

E apenas 23,1% de oclusão normal.


UNITERMOS. Má-oclusão- prevalência.

INTRODUÇÃO

Em virtude do DF ser uma capital jovem e formada por diferentes etnias , apresenta um elevado dimorfismo racial devido à sua miscigenação. Através disso, nossas crianças desenvolveram uma morfologia oral diferenciada.

As condições singular ambiental do DF, período de grande seca, provocando problemas respiratórios, alérgicos, como por exemplo a rinite alérgica também contribuí significantemente para aumentar a incidência de mordidas aberta.

As diversas pesquisas realizadas no Brasil, têm realçado que a má oclusão representa um importante problema de saúde pública dada a sua grande incidência e ao período precoce de aparecimento. Dados estes estudados em vários países , atingindo entre 17 a 79,3% dos indivíduos, condicionaram a Organização Mundial de Saúde (OMS) a considerar a má oclusão o terceiro maior problema odontológico e de saúde pública mundial .




PROPOSIÇÃO

Pareceu-nos oportuno efetuar o levantamento epidemiológico da oclusão normal e da má oclusão no DF, o qual foi escolhido a cidade Satélite Guará com os seguintes objetivos:



  • Determinar a prevalência da oclusão normal em escolares de 6-7 anos, de ambos os sexos;

  • Determinar a prevalência de má oclusão em escolares de 6-7 anos, de ambos os sexos;

  • Estudar possíveis diferenças existentes entre os sexos;

  • Colher dados que possam servir de orientação a programas de saúde dental, por parte das autoridades sanitárias no DF;

  • Estudar possível correlação entre má oclusão e alteração respiratória provocadas pelo clima seco do DF.


MATERIAL E MÉTODO

A amostra abrangeu 436 crianças entre 6-7 anos de idade que cursavam a  1* série de 6 escolas particulares e da Fundação Escolar do DF,   independente de sexo, grupo ético.

A visita nas escolas foi possível mediante autorização da Regional de Ensino do Guará.

Todas as crianças se encontraram no período de dentadura mista e a maioria no primeiro período transitório.

O exame de cada criança foi realizado por um único profissional de formação odontológica na área de Ortodontia Preventiva e Interceptiva. Este exame foi realizado na sala de aula ou no pátio da escola sob luz natural, não necessitando de nenhum equipamento especializado, a análise clínica das condições dentárias e oclusais e avaliação da musculatura peri e intrabucal em repouso foram feitas a olho nú.

REVISÃO DA LITERATURA

Tanto as teorias ligadas a fatores genéticos quanto a ambientais são enfatizadas na tentativa de se explicar a etiologia da má-oclusão e há evidências que suportam ambas. A hereditariedade sobre certas características oclusais tem sido demonstrada que a má-oclusão é uma “doença da civilização (industrialização).”(1)

O crescimento dos ossos faciais é sensitivo especificamente a fatores ambientais que podem levar a má-oclusão. A consistência amolecida e o refinamento da dieta moderna podem ter seu papel.(5,10,11)

Já foram relatados várias alterações do sistema estomatognático decorrentes da hábitos deletérios, dentre elas pode-se citar: retrognatismo mandibular, prognatismo maxilar, mordida aberta anterior, musculatura labial inferior hipertônica, atresia do palato, interposição de língua, atresia do arco superior e respiração bucal.(13)

Mais da metade das anomalias de oclusão são causadas por avulsão precoce de dentes e por perda de substancias dental por cárie não restaurada adequadamente em tratamento clínico, possibilitando deste modo, a inclinação dos dentes contíguos sobre o espaço vazio e obstruindo, então à livre erupção dos dentes permanentes.(9)

RESULTADO E DISCUSSÃO

Porcentagem de oclusão normal

Relação antero-posterior entre os arcos dentários

Discrepância antero-posterior classe II; classe III

Classe II perfil facial

Análise e interpretação dos dados


Os dados do levantamento realizado em escolares da Cidade Satélite de Brasília - Guará, cujo objetivo foi o estudo da prevalência da má oclusão, sem distinção por sexo ou raça.

RESULTADOS


a)Prevalência geral
Tabela -1

Má oclusão número porcentagem

Presença 335 76,8%

Ausência 101 23,1%

Total 436 100%
b)Distribuição das más-oclusões
Tabela - 2

Ocl. Normal CLASSE I CLASSE II CLASSE III

Número 101 133 89 113

% 23,1% 30,5% 20,4% 26,0%


As análises oclusal e proximal das 436 crianças, no estágio da dentadura mista, trata o perfil desalentador das condições ortodônticas de nossas crianças. O primeiro dado refere-se à reduzida porcentagem de oclusão normal (23,1%), gráfico 1.

Obedecendo a Classificação Sagital entre os arcos dentários proposta por Angle**, percebemos pelo gráfico 2 que a incidência das más oclusões mostrou-se coerente com o encontrado na literatura.***

Trinta vírgula cinco por cento (30,5%) das más oclusões apresentaram uma relação ântero-posterior normal entre os arcos dentários superior e inferior (CLASSE I). Vinte vírgula quatro por cento (20,4%) da população com má oclusão exibiram uma discrepância ântero-posterior de CLASSE II entre os arcos e surpreendentemente, vinte e seis por cento (26,0%) apresentou relação de CLASSE III, fato este inédito na literatura.

Ressalta-se a grande miscigenação ao qual é formada a população do Distrito Federal, provavelmente o que levou ao aumento de incidência de CLASSE III .










CONCLUSÕES





  1. as más-oclusões durante a dentadura mista estão presentes em 7 para cada 10 crianças;

  2. a freqüência das más oclusões na dentadura mista é de 30,5% para CLASSE I, 26% para CLASSE III e de 20,4% para CLASSE II .

  3. no DF, há maior incidência de má oclusão CLASSE III .

Tabela 3. Maloclusão e oclusão normal segundo o sexo







Masculino

Feminino

Total

Maloclusão

156

179

335

Oclusão normal

57

51

108

Total







443

Tabela 4 – Classificação segundo Angle por sexo




Classificação

Masculino

Feminino

Ambos

Classe I

58

75

133

Classe II

37

52

89

Classe III

61

52

113

Total







335

Tabela 5 - Diversos aspectos







Branca

Parda

Negra

Total

Ocl. Normal

53

30

18

101

Maloclcusão

214

74

47

335

Sem selamento










267

Apinhamento presente










201

Diastema presente










178

Hábitos deletérios










327

Respiração bucal presente










28

Sobremordida










108

Mordida aberta anterior










84

Mordida aberta posterior










5

Mordida cruzada anterior










24

Mordida cruzada posterior










64

Classificação de Angle













Classe I

84

26

23

133

Classe II

56

26

7

89

Classe III

74

22

17

113

Inserção baixa do freio










17

Perda precoce de decíduo










39

Perda precoce de permanente










1

31% das crianças sem selamento labial apresentam mordida aberta anterior.




























Tabela 6- Relação entre sexo e raça




Oclusão normal

Branca

Parda

Negra

Total

Masculino

23

10

7

40

Feminino

30

10

11

51

Total

53

20

18

91

Classe I













Masculino

38

10

10

58

Feminino

46

16

13

75

Total

84

26

23

133
















Classe II













Masculino

22

13

3

38

Feminino

34

13

4

51

Total

56

26

7

89
















Classe II-1













Masculino

15

11

2

28

Feminino

23

10

4

37

Total

38

21

6

65
















Classe II-2













Masculino

7

2

1

10

Feminino

11

3

0

14

Total

18

5

1

24
















Classe III













Masculino

36

15

10

61

Feminino

38

7

7

52

Total

74

22

17

113



SUMARY. In Guará cita of. DF, 436 children , of both sexes, students of 6 local schools, public and private, in the age group from 6-7 years old, were examined with the objectives of observing the prevalence of maloclusion and the possible differences in such occurence between the sexes.

In this article we propose to find out the porcentage of normal oclusion and distribution of maloclusion, according to the anteropostrior relationship between the dental archs (following the Angle classification)



The results show a low percentual of normal occlusion in total of 23,1 % from the studied population. Class I maloclusion was the most prevalent (30,5%) followed by Class III (26,0 %) and by Class II (20,4 %) .
UNITERMS. Malocclusion- prevalence.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA




  1. ABREU, F. V. G., Amamentação e desenvolvimento: função e oclusão. J.bras. ortod. Maxilar, Set. Out. 1997 p. 17-20.

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  4. BRANDÃO, A. M. M. et al .Oclusão normal e má oclusão na dentição decídua. Um estudo epidemiológico em pré escolares do município de Belém- PA. Revista Paranaense de Odont. V.1, n.1 , p. 13-7, 1996.

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  11. MOORE , W.J.et al. Changer in the size and shape of the human mandible in Britain. Br.Dent J. v. 125, p.163-169, 1968.

  12. MOYERS, R. P. E.

  13. SERRA-NEGRA, J. M. et al. Estudo da associação entre aleitamento, hábitos e maloclusões . Revista Odontol Univ. São Paulo , v.11 , n. 2, p. 79-86, Abr./Jun.., 1997.

  14. SILVA FILHO, O. G. et al. Prevalência de oclusão na dentadura mista em escolares da cidade de Bauru (SP). Revista Assoc Paul Cirur Dent , v. 43, p.287-90, 1989.

  15. SILVA FILHO, O. G. et al. Parte II – Influência da estratificação sócio econômica. Revista Odontol USP, v.4, p.198-96.1990.





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