Five monethy street 07 horas e 39 minutos



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CAPÍTULO 2



A volta por cima
NEW YORK CITY – 7 horas e 42 minutos.
Aquela manhã de segunda-feira amanheceu de maneira muito especial. “De volta à ativa” – pensou Max. Depois de ter tomado um café amargo, selecionou sua melhor gravata. Deu-lhe um forçado nó envolto no pescoço e dirigiu-se à porta, onde o tweed estava pendurado por trás da mesma.

Ao abri-la para sair, não pôde conter a pavorosa lembrança de rotina.

- Michele, minha querida, volto no fim do dia! – as recordações eram impiedosas. Ele a beijou profundamente – Eu te amo.

Não conteve uma lágrima que lhe rolou pela face. Enxugou-a, trancou a porta atrás de si e continuou o seu caminho.

No caminho ao departamento, vizinhos e pessoas alheias o paravam nas ruas para tirar fotos e perguntar sobre coisas da Aesir. Sobre como tinha matado um louco ocultista. E quem o ajudara. Vida de herói... E ainda por cima, uma “celebridade”. Não há mais como fugir disso. “Fiz tudo sozinho” – respondia alegremente às questões. Posava para fotos, sorria amareladamente e dava uma porção de autógrafos.

Um policial dando autógrafos? É o fim dos tempos!”.

Continuando a caminhar pelas ruas cheias, as pessoas o apontavam e diziam quem é. Aquilo começava a incomodar, mas lembrava dos dois anos de prisão. “Prefiro uma tarde de autógrafos e fotos... Isso é uma questão retórica, como falavam os caras da lavanderia...”.

Antes de chegar ao departamento, passou por uma banca de jornal. Revistas, jornais, periódicos e similares. Enfim, todos traziam na capa a manchete Policial Herói – A fantástica história de Max Payne contra o Império Nórdico do mal. “Exagerados! Tudo para vender. Às minhas custas! Se ao menos eu levasse uma percentagem, tudo bem”. Ironizou as matérias com outros policiais e, atravessando a rua, finalmente entrou no departamento.


(...)
Uma pequena comemoração era aguardada. Assim que Max entrou na ala onde fica seu escritório, serpentinas voaram em todas as direções. Colegas eufóricos cantavam algo de Bob Dylan. Para sua surpresa, uma bela jovem trazia-lhe um bolo de boas-vindas. Animou-se com a portentosa presença feminina, mas não por muito tempo. O “fantasma” de Michele veio-lhe à mente. Jim Bravura pediu calma a todos. Ao silenciarem, começou:

- Demos todos as boas-vindas ao Detetive Max Payne!


Uma salva de palmas correu a ala. Gritos de “viva o Max” ecoaram por todos os lados. Estava sendo calorosamente ovacionado pelos velhos amigos de departamento. Após a recepção, Max levantou a mão e pediu o direito de falar.

- Obrigado a todos. Obrigado Jim – as palavras soaram quase inaudíveis. – Obrigado pela recepção. Agora tenho algo muito importante para dizer a todos vocês: chega de comemoração! Vamos ao trabalho! – Sorriu Max.

- Sempre pensando em trabalho – alguém disse. – Está precisando de uma nova namorada, isso sim!

Os presentes não contiveram risadas. O próprio detetive riu daquela argumentação boba. Michele seria sempre insubstituível em seu coração. Ela deixara um vazio grande e doloroso. Mas, a vida continuava. Esse é o bom e velho Max – disse Bravura.

- Estou ansioso para voltar a fazer o que gosto, Jim – estava empolgado com o retorno. – Sem perda de tempo, o que tem pra mim?

Jim, meio atônito, olhou para Max. E pedindo que fossem à sua sala para ficarem mais reservados, o detetive Payne teve a certeza de que havia algo muito, muito errado por ali. Ao entrar, quando os olhos de todos se encontraram, definitivamente soube que estava perdido.


(...)
Na sala de Jim Bravura, Alfred Wooden esperava por ambos. Primeiro a surpresa das recepções pelas ruas. Segundo, a recepção do departamento. Depois, nova surpresa. Sinceramente, Payne não esperava por isso.

- Não esperava mais vê-lo, Alfred – ele sentou-se.

- É um prazer vê-lo tão bem, Max. Estou bem, obrigado por perguntar. – Ironizou Wooden, sorrindo.

- Ainda te devo algo?

- Nos deve – Interveio Jim, a frase soando cortante como lâmina.

- Dois demônios querendo minha alma – suspirou. – Então, será preciso leiloá-la, pelo visto?

- Sem ironias, cara. – Um ríspido Wooden adotara um semblante sério. – Quer nos falar de sua última atividade? Claramente.

- Qual? Você me viu olhar intensamente para o decote da jovem que me trouxe aquele bolo? – Um Max irônico revelou-se mais uma vez quando elevou a sobrancelha esquerda e baixou a direita. Ao mesmo tempo em que tirava um maço de cigarros do bolso e acendia um.

- Muito engraçado você, senhor Payne. E o que me diz se a sua Michele soubesse disso? – Indagou Wooden.

O detetive franziu o cenho, o cigarro ainda fumaçando por entre os dedos.

- Mas ela não sabe, pois não está mais aqui. Está apenas dentro de mim.

- Não se importa mais com ela?

- Me importo com a memória dela – o tom saiu forçado, alto. – E faço por onde não manchá-la.

- E olhar descaradamente para decotes não mancharia a memória da bela Michele? – Retrucou Wooden, incisivo.

- Quer ir direto ao assunto? – Visivelmente irritado, Max descontrolou-se.

Jim Bravura sorriu discretamente. Abriu uma gaveta e tirou um grande envelope amarelo. Colocou-o em frente a Max.

– Abra! – Disse Jim.

Payne colocou o seu cigarro na boca, dando algumas tragadas. Com ambas as mãos, tirou o conteúdo de dentro do envelope. Ao passar as fotos, uma por uma, deixou o cigarro cair sobre o chão, arregalando imediatamente os olhos. As fotos também caíram. Apenas um nome veio-lhe à cabeça: Skulls.

- E então... – continuou Wooden – Quer nos falar de suas atividades no último fim-de-semana?

- Sem enrolações, por favor! – Gritou Bravura.

Vendo-se acuado, Max viu que estava sendo seguido. E de muito perto. Claro que tirariam as acusações da Aesir. Mas o seguiriam incessantemente para terem certeza de que andaria na linha. As fotos eram claras: mostrava Max Payne em companhia de Mona Sax, tida como morta. E do mais novo procurado número um dos Estados Unidos: Vladmir Lem.

Apanhando o cigarro novamente, colocou-o no cinzeiro. Respirou fundo e começou a falar aquilo que sabia para se defender do inesperado.


(...)
- Na noite de sábado, o Vladmir bateu à porta de meu apartamento – ele disse. – Fiquei surpreso ao vê-lo. Mais ainda por ele não ter descoberto que fora eu quem o entregara. Sinceramente, imaginei até que ele trocaria de identidade. Enterraria o antigo Vladmir Lem e nasceria com um novo nome.

- E o que o desgraçado queria? – Wooden puxou uma cadeira e sentou-se ao lado de Max.

- Que eu o ajudasse a recuperar seu antigo bar, o Vodka. O bar estava sendo administrado por alguns russos mafiosos. Os irmãos Ovchinikhov que vocês conhecem bem. Coincidentemente, Mona Sax apareceu por lá. Ela e Lem estreitaram os laços de amizade enquanto eu estava na cadeia.

- Sei... – ironizou Bravura – Amigos...

- Se você tivesse a esposa do Lem, Bravura, também seria somente amigo de uma outra mulher.

- Conhece a esposa de Vladmir? – Espantou-se Wooden.

- Apenas por telefone, Alfred – ele rapidamente saiu pela tangente. – Conversamos uma vez, poucos dias depois de Michele e eu termos o bebê.

- Então sua amizade com o Vladmir é mais longa do que imaginávamos. – Bravura falava, enquanto juntava as fotos que estavam espalhadas pelo chão.

- Conheci-o na faculdade. Vlad cursava uma das áreas de Engenharia... Não me lembro exatamente qual – Max Payne voltou-se para Wooden. – Ele abandonou o curso a um ano de formar-se.

- Bom, então os mafiosos não eram da primeira linha da Rússia, não é? – Perguntou Bravura, a voz sísmica.

- Como assim?

- Vocês (Max, Vlad e Mona) eliminaram os poucos seguranças do local. E, com poucos esforços, acabaram com os Ovchinikhov. Não é verdade?

- Sim – Confirmou Max, meio cabisbaixo.

- Percebeu algo de estranho?

- Foi muito fácil. Imaginei que estivesse até “fora de forma” depois de dois anos de cadeia. Mas foi como se eu nunca tivesse saído das ruas. Foi como se eu tivesse continuado a atirar. Como se não tivesse parado.

- Max... Você precisa saber de uma coisa. – Mais uma vez, Wooden mostrava-se ríspido.

Max sentiu o seu sangue congelar. As mãos ficaram frias. O suor desceu pela face. Sem temer o que estaria por vir, pediu que Wooden continuasse.

- Vladmir Lem participa da mesma Sociedade Secreta que nós. Por causa dele, The Skulls, está indo à ruína, Max!

O detetive sentiu o golpe na boca do estômago. Foi igual quando John “taco de basebol” Niágara brincou com sua cabeça naquele armazém. Pôde sentir a dor das pauladas novamente, em cheio, dolorosas. E sentiu o êxtase quando o matou depois. Estava em busca de sentir essa sensação agora.

- O que ele exatamente fez? – tentou argumentar o novo fato.

- Usou o nome da fraternidade para negócios ilegais, Max. Nos últimos dois anos em que estava recluso Vlad usou-nos como fachada para seus negócios sujos. Drogas, armas, prostituição. Tudo isso sujou o nome dos Skulls. Agora precisamos que alguém de confiança acabe com Vlad. Um policial destemido, que não tenha medo de brigar por seus ideais.

- Vocês já têm esse nome? – Perguntou Max, acendendo outro cigarro.

- Claro – continuou Bravura. Temos um policial herói, capaz de fazer um novo onze de setembro.

- Eu não, Jim! Corta essa... – gaguejou. – Procura outro.

- Não há outros nomes, Max Payne. Além disso, você precisa nos ajudar. Lembre-se que você ajudou um terrorista russo a recuperar seu local de crimes na cidade. Podemos levar as fotos a conhecimento público. O policial herói logo seria um excelente vilão aos olhos da sociedade. Quer ver o seu precioso nome no estrume, cara?

- Chantagem psicológica, brutalidade policial! – Ele socou a mesa com o punho cerrado – Isso é complicado!

- Complicado – atravessou Wooden – é ver nosso nome na lama. Há outros nomes influentes nessa jogada também, você sabe disso. Assim como colamos em você, temos gente colada em nós. O Senador Aaron Hender já nos telefonou. Neófitos recusam-se em participar dos rituais. Dos selecionados desses ano, apenas seu filho participou. Filhos de outros grandes figurões e personalidades influentes se recusaram a congregar na Ordem. Há interesses em jogo, Max. Inclusive os seus.

- O que eu preciso fazer?

- Você deverá voltar ao Vodka. Matar Vladmir e quem mais se atravessar em nosso caminho – a seriedade e frieza de Wooden chegou a assustar Max.

- E depois?

- Com Vlad fora do caminho, você alçará vôos mais altos. Depois que acabou com os Nórdicos da Aesir, você matará o novo inimigo número um de nosso País. Isso contará pontos. Que tal um cargo como novo secretário de defesa de nosso País? – ele olhou para Jim Bravura com sarcasmo – Aaron Hender estará selecionando, a mando do Presidente, o novo secretário. Quem melhor que o mais novo herói nacional e destemido?

Bravura fizera grande propaganda para que Max comprasse o produto. Acabou aceitando. E o fizera mais por que estava nas mãos dos Skulls agora. Mais que isso, ele sabia da grande influência que a sociedade tinha diante das massas americanas. Matar um amigo. Precisava bolar algo para conseguir com que Vladmir escapasse. O quê? Nisso, pensaria bem depois, se lhe sobrasse o tempo que precisava para novos planos.

- Eu aceito o trabalho.

- Ótimo! – Comemoraram Wooden e Bravura.

- A propósito, Max – continuou Wooden –, queremos uma prova de que Lem estará realmente morto. Isso não vai ser complicado, vai?

Max olhou para ambos, o olhar demonstrando um respeito incondicional.

- O que vão querer?

- Como um bom “guerreiro nórdico”, você simplesmente terá que decepar Vlad. Queremos a cabeça dele numa bandeja!

Max engoliu em seco. Era como se Wooden e Bravura tivessem lido seus pensamentos. Não gostava de sentir-se acuado. Entretanto, ele procurou se mostrar na mais perfeita calma.

- Quando começo, então? – Perguntou Max, apressado.

- O mais rápido possível – concluiu Bravura.

- Bom. Vlad se esconde em vários lugares da cidade. Vou começar a vasculhar por onde imagino que esteja. No sábado, ele falou-me em adquirir a Boate Ragnarok. Há muitos outros locais, mas focarei na boate e no bar Vodka, por enquanto. Ele não escapará do meu julgamento.

Os dois homens se empolgaram com as declarações.

- Não quero apressá-lo, mas nós temos urgência com esse serviço – ele fez uma pausa para estudar o semblante de Payne. – E procure não falhar conosco. Sabe bem o que significa se tentar nos enganar.

Jim Bravura fez o sinal de uma forca para o detetive. Algo na expressão mostrava que estavam falando muito sério.
(...)
Max deixou a sala de Bravura e dirigiu-se à própria. Sentiu que alguém queria sua cabeça. Exibi-la como troféu. Precisava trabalhar rápido para descobrir quem era quem naquele xadrez insano.

Acontece que a noite ainda reservaria conclusões mais surpreendentes, e dessas, ele não teria como escapar. Seu destino estava traçado pelo tempo.


Estão apagando minhas chamas com gasolina”

CAPÍTULO 3
O Início da emboscada
No crepúsculo do entardecer, o sol se punha com a arrogância de sempre...”
NEW YORK CITY – 23 horas e 38 minutos.
A noite esfriara com rapidez incomum. Max preparava suas armas para o próprio ragnarok. “Não poderia deixar Lem vivo”. Tirou a gravata do pescoço e arremessou-a em algum lugar sobre a mesa. Parou em frente ao espelho. “Espelhos são mais divertidos que televisão” – pensou consigo. Logo, lembrou de Michele, no quanto a sua bela esposa gostava daqueles objetos inúteis. Ah! O sonho americano: uma casa, um jardim. Uma linda esposa e uma filha.

Tudo realizado. Entretanto, os sonhos têm o péssimo hábito de se tornarem pesadelo. E num maldito dia, viciados em “V” – a Valquíria – põem tudo a perder. Na noite anterior, havia sonhado com ela. Claro, ela estava morta. Mas tudo decorria bem. Em cima da escrivaninha, o telefone começou a tocar. Max voltou à realidade cruel que sempre o abominava.

-Alô?

-Max? – Pergunta o interlocutor.



- Sim!

- Ah, Max! Aqui quem fala é o Alfred. Aproxima-se a meia-noite e consegui algo para você. Uma informação quentíssima, numa noite fria como essa.

Payne estremeceu, sentindo um arrepio familiar percorrer o corpo.

- O que você tem?

- Vladmir está no bar Vodka. Há poucos seguranças. Será fácil para você.

- Será como o combinado então. Considere o trabalho como feito! Até logo Wooden. – Já ia desligando o telefone, quando Alfred ainda falou.

- A propósito de falar em horas, o Senador Hender ligou-me há pouco. Ele tem pressa. E para tal, para que todos os nossos planos fiquem nos trilhos, precisamos dar-lhe um prazo: 6 da manhã. Até lá, você já deverá ter feito o trabalho, para que possamos enviar as equipes de TV para noticiarem o mais novo feito do policial herói.

Tendo ouvido isso, Max desligou o telefone. “Ainda mais essa? Prazo de tempo para concluir uma série de assassinatos”. Realmente, precisava correr contra o tempo.


(...)
A temperatura caía lá fora, estava mais frio que o coração do Diabo. Todos procuravam por abrigo, como se não fosse mais haver um amanhecer”.
00 hora e 24 minutos
A informação de Wooden havia sido certeira. Antes de sair de casa, o próprio Vladimir Lem ligara para Max, avisando-o de onde estaria e que queria falar-lhe alguns assuntos. “Tenho a impressão de que há algo armado por aqui” – pensou Max. Vestiu o habitual. Pegou as armas que preparara minutos atrás e saiu para o Vodka com uma pressa crescente.

A chegada foi tensa. As armas tremiam por baixo da roupa. Era preciso enfrentar o inimigo. A porta principal estava fechada. Por uma fresta, pôde ver um segurança armado. Viu uma janela entreaberta mais à frente. Com certeza havia outra entrada. Mas era necessário ser rápido. Com astúcia, Max desviou a atenção do segurança jogando uma pedrinha em uma outra janela lateral. Contou com a sorte, quando o homem abriu a janela e distraiu-se tirando um cão de perto. Um obstáculo aparentemente comum.

Rapidamente, Max abriu a janela e pulou dentro do saguão do bar. Sacou uma espingarda calibre 12 de cano serrado e disparou um tiro certeiro no segurança, antes que o mesmo pudesse sacar a arma. O barulho ressoou pelas dependências, adentrando o espaço mais além. Como o mesmo estava fechado, o som abafado chamara a atenção dos demais seguranças. Quando estava para jogar o corpo pela janela, um pequeno rádio comunicador chamou.

- Howard? – A acústica chiava. – O que houve aí embaixo?

- Atirei num viciado que queria forçar a entrada.

- Mas precisava atirar de espingarda? – a voz insistiu – Você deveria usar outra arma. Sabe que estamos prestes a receber aquela visita importante. Com esse tipo não se brinca. Vlad já nos alertou.

Um brusco silêncio se fez no aparelho. Depois, um som sensível se ouviu outra vez.

- Pode deixar – respondeu a voz na linha. – Foi apenas para espantar o frio. Meu corpo já doía.

- Que seja a última vez. Mas você não matou o desgraçado?

- Não – o homem tossiu. – Apenas o assustei.

- Fique alerta.

- Positivo e operante!

Definitivamente, como já imaginara, havia algo errado. Uma emboscada talvez? Como assim “aquela visita?” Vlad os alertara? Realmente, o trabalho deveria correr o quanto antes. Os cordeiros estavam camuflados em demônios.
(...)
Max continuou caminhando por entre as passarelas do bar. Havia um cara arrumando as coisas pelo balcão. Copos, garrafas e afins. “Não há tempo a perder” – pensou Max. Empunhando a desert eagle em ambas as mãos, caminhou lentamente ao garçom e encostou os canos na nuca do rapaz.

- Quantos homens estão nesse prédio? – Perguntou Max. O rapaz sentira o toque frio dos canos dos revólveres. Sentindo o sangue gelar e o suor descer. Trêmulo, começou a falar o que sabia.

- Bom, acredito que já tenha passado pelo cara do saguão. Assim, restam mais outros nove homens, contando comigo, claro. Onze, se contabilizar você e o Vlad.

- A partir de agora, restam apenas oito.

E após ter dito isso, Max puxou o gatilho e derrubou outro homem.

O barulho dessa vez chamou ainda mais atenção. Também pelo fato, de Howard não dar resposta via rádio comunicador. Definitivamente os guardas de Lem deveriam partir para cima. Quatro deles ficariam na escolta de Lem. Dois do lado de fora da porta. Os outros dois, dentro do escritório. Os outros quatro, desceriam e verificariam as dependências do bar.

Enquanto Max subia para o andar superior, deu de cara com os guardas de Vladmir. Ainda com as armas em punho, começou a disparar. Não que quisesse acertá-los. Queria apenas distraí-los, para bolar uma estratégia de ataque mais eficiente.

Correu para detrás do balcão e elevou o corpo do jovem garçom. Ao verem o corpo, os guardas de Lem abriram fogo. As submetralhadoras colt agiram rápidas e logo esvaziaram seus cartuchos. Com a queda do mesmo ao chão, cessaram fogo e foram ver o corpo morto de Max Payne. Ouviu os guardas se aproximando. Com a proximidade dos passos, Max agiu rápido. Como já havia recarregado a 12, levantou-se rápido e atirou contra o peito dos dois guardas que vinham à frente. Inapelável. Ambos tombaram contra o chão, mortos.


Enquanto os outros dois tentavam recarregar a colt, Max pôs a 12 em cima do balcão. Puxou as desert eagle e, pulando lateralmente, começou a disparar contra os outros dois guardas que sobraram. Eram mais dois a caírem. Ou como pensou Max “menos quatro”. Ainda havia trabalho a fazer.

Enquanto subia para o andar superior, Max ouviu o barulho de um helicóptero sobrevoando o bar. De imediato, imaginou que Vladmir tinha um plano de fuga. Precisaria ser ainda mais rápido.

Ao chegar do lado de fora da porta onde estava escrito “Office”, Max estranhou não haver seguranças. Ao alto, podia ouvir o helicóptero ganhando altura e começando seu plano de vôo. Recarregou as armas que empunhava. Ao arrombar a porta do escritório, Max foi surpreendido com um taco de basebol indo contra seu peito. Caiu por terra, deixando cair também suas armas. Nos bolsos, só restava munição.

- Então, rapazes – iniciou uma voz –, o que faremos com ele?

O homem tinha sangue nos olhos e enquanto falava, esfregava as mãos, como se estivesse deliciando um saboroso prato da culinária francesa.

- A resposta é... – um outro alguém surgiu, os passos reverberando pelo salão. – O que eu farei com ele, melhor dizendo.

A voz era conhecida. Max virou o olho devagar para não se enganar. Era Mona Sax. Mas o que ela fazia ali? Mona vinha caminhando lentamente em direção a eles, com as mãos atrás das costas. Ao chegar perto o suficiente, surpresa! Puxou duas submetralhadoras ingram e começou a disparar contra os últimos guardas do russo. Uma grande saraivada de balas ricocheteou nas paredes, atravessando o cimento portentoso e, com ela, os homens tombaram sem vida.

Max levantou-se rapidamente e pegou seus objetos. Mona Sax, mais ágil, foi em sua direção. Sorrindo, apontou a arma para sua cabeça. Com igual sorriso, Max retribui a gentileza.

- Eu tinha uma missão, Max. Porém, vou abrir mão dela para que você cumpra a sua. – disse a moça, baixando um pouco o cano do armamento.

- E qual era sua missão, posso saber?

- Matá-lo – disse friamente Mona.

Max sentiu-se confuso. Um balde de água fria fora derramado sobre ele. Ela deveria matá-lo, mas abriu mão de sua missão? Afinal, quem estaria atrás de sua cabeça? As perguntas sucediam-se na cabeça confusa de Max, com a velocidade de um caça americano. A pergunta era inevitável. Mas antes mesmo de alguma palavra ser dita, outra presença feminina abalou o local.

- Detetive Winterson! – Mona não conseguiu conter a surpresa, voltando-se para a jovem que surgira na porta.

- Mona Sax. – gritou a detetive, aproximando-se mais ainda. – Vim trazer paz à sua alma. Vá para o inferno! Juntar-se à prostituta da sua irmã!

Ao dizer isso, levantou uma beretta que logo reluziu com a luz escassa do ambiente. Na iminência inesperada do disparo, Payne girou todo o corpo em volta de si, acertando fortemente as duas pernas da detetive. A massa corporal caiu estrondosamente contra o chão, a face tombando no piso irregular. Gotas de sangue surgiu minando no rosto de Winterson.

Antes mesmo que a mulher conseguisse levantar já preparando para apertar o longo gatilho, Max segurou a sua mão e, com grande brutalidade, virou a arma metálica para o peito da jovem detetive, forçando-a a atirar nela mesma. Mona virou a face para o lado. Então, um disparo se ouviu.

– Estamos quites – replicou Max, olhando para Mona. – Entretanto, quero respostas.

Mona concordou, com reverência na expressão benevolente. Puxou uma cadeira para ela e para Max. Chegara a hora de contar a verdade.

- Alfred Wooden me contratou para matá-lo, Max. Ele o tirou da prisão apenas para que você executasse Vladmir Lem. Depois que conseguisse, ele trocaria a identidade de Lem com a de um poderoso que já está morto. Você sairia de policial herói a bandido sem volta.

Max ficou atônito. Era bem capaz de todo esse plano mesmo. Skulls estava indo às ruínas. E agora sabia o por que. Não era só por causa de Vlad e seus negócios ilegais. Ele mesmo como Skull botara o nome da fraternidade a perder com a cruzada contra a Aesir. Tudo fazia sentido.

- Tem mais um dedo na história do assassinato de sua família. É o Vlad. Ele foi o principal executor de Michele e do bebê. Jack Lupino estava com ele. Lupino foi apenas o testa-de-ferro do Lem.

Max perdera o foco para onde olhava naquele momento. Uma tontura tomou-lhe a cabeça. Faltou-lhe o chão.

- Mas por que você está me contando tudo isso?

- Porque você é o único que pode matar o Vladmir – a voz de Mona sussurrou calmamente. – Acerte as contas com ele. Eu cuidarei de Wooden. Mas antes, também precisa saber de outra coisa.

- Sim... – ele não tinha certeza se queria saber mais de algo. – O que é?

- A Detetive Winterson, que você acabou de matar era a esposa de Vlad. Assim que ele souber, virá atrás de você.

Max olhou incrédulo para o corpo Que jazia ao chão, ensangüentado. Sentiu um prazer estranho percorrer todo o corpo. Sorriu.

- Metade de minha vingança está concluída. Se ele tivesse filho, aí sim, daria tudo por completa. Darei-me por satisfeito quando o matar.

Tendo dito isso, Max começou a juntar algumas armas e saiu juntamente com Mona.



Era um ponto de onde não havia mais volta.
(...)
A poucos quilômetros dali, Vladmir Lem recebia através de um aparelho PDA, imagens do que havia acontecido no seu escritório no bar Vodka. Ele tinha micro-câmeras instaladas pela sala. Os aparelhos mandavam áudio e vídeo do que acontecia naquele local.

Piranha!” Pensou Vladmir sobre Mona, com ódio no semblante. Deveria ter matado o Max. Aquele Wooden é um frouxo. Colocar uma mulher para fazer o trabalho de um homem! “Matarei os dois. E sei onde encontra-los!”. Depois, será a vez de acertar as contas com o Max. Ele não perde por esperar.


Tão divertido quanto o inferno. Era a coisa mais horrível que eu podia pensar”.





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