Figuras de palavra e de harmonia



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FIGURAS DE PALAVRA E DE HARMONIA


  • Denotação e Conotação

Uma palavra ou signo compreende duas polaridades: o significado e o significante. O significado corresponde à imagem mental abstrata ou aspecto conceitual da palavra e o significante se refere ao conceito concreto ou a sua imagem gráfica.

Um mesmo signo pode apresentar diversos significados — que nem sempre correspondem àqueles do dicionário — de acordo com o contexto em que é usado. Essa pluralidade de significados tem o nome de polissemia. Veja o caso da palavra corrente:


  • Água corrente

  • Estilo corrente

  • Mês corrente

  • Corrente de ar

  • Corrente elétrica

  • Corrente literária

Quando queremos ser objetivos naquilo que expressamos, devemos utilizar uma linguagem denotativa, ou seja, referencial, que é a linguagem cujo significado corresponde àquele encontrado no dicionário. Toda vez que se quebrar esta regra, teremos, então, a linguagem conotativa, na qual a palavra ganha um significado filtrado por nossa subjetividade.


  • Figuras de Linguagem

As figuras de linguagem ou de estilo são usadas para enriquecer um texto, tornando a linguagem mais expressiva, tornando-a mais interessante e original, já que as palavras deixam de ter um caráter estritamente denotativo.

As figuras de linguagem são classificadas em:

a. figuras de palavra – onde se emprega um termo com sentido diferente daquele normalmente usado;

b. figuras de harmonia: ou figuras de som. Referem-se aos efeitos produzidos no texto pela repetição ou usos de sons;

c. figuras de pensamento: ocorre quando trabalhamos em torno do aspecto semântico (significado) da palavra;



d. figuras de construção ou sintaxe: diz respeito à concordância entre termos ou colocação destes numa oração.


  • Figuras de Palavra




  1. Comparação: ocorre quando se estabelece uma aproximação entre dois elementos que se identificam, ligados por comparativos explícitos. Ex.: Ela age como uma rainha.

  2. Metáfora: é uma comparação explicitada através de uma palavra com um significado que não lhe é próprio. Ex.: A imaginação são as nossas asas.

  3. Metonímia: É a relação de contigüidade entre os elementos escolhidos, que apresentam certa interdependência. Essa figura alarga ou restringe o sentido normal de um termo. Apresenta certa semelhança com a metáfora, já que atribui a uma palavra um sentido que não lhe é próprio.

Manifesta-se de várias maneiras, como por exemplo, designar:

  1. o continente pelo conteúdo: Bebeu uma garrafa inteira de água.

  2. a causa pelo efeito: Hoje o sol está muito forte.

  3. o autor pela obra: Gosto muito de ler Nelson Rodrigues.

  4. o lugar pela coisa: Ele ostentava um enorme havana.

  5. o abstrato pelo concreto e vice-versa: Chegou a salvação!

  6. o inventor pelo invento: Edison ilumina o mundo.

  7. a parte pelo todo: De sua língua partiram mil ofensas.

  8. o símbolo pelo simbolizado: A disputa pelo pódio foi acirrada.

  9. a matéria pelo produto e vice-versa: Não te afastes da cruz.

  10. o instrumento por quem o utiliza: Ele é um bom garfo.

  1. Sinédoque: é a substituição de um termo por outro, ampliando ou reduzindo seu sentido original.

São exemplos de sinédoque:

  • o todo pela parte e vice-versa: A sala inteira riu dele.

  • o singular pelo plural e vive versa: O mineiro é quieto e o carioca, extrovertido.

Como pode ser notado, quase não se consegue fazer a distinção entre a sinédoque e a metonímia. Atualmente, aceita-se que a metonímia engloba a sinédoque.

  1. Catacrese: é uma espécie de metáfora, já incorporada ao idioma. Ex.: perna da mesa, braço da poltrona, etc..

  2. Sinestesia: é a fusão de sensações numa mesma expressão. Ex.: Ficou um gostinho de quero mais.

  3. Antonomásia: é a designação de um ser por uma qualidade ou característica que o distingue. Ex.: O rei das selvas, Pelé, etc..

  4. Alegoria: é uma acumulação de metáforas referindo-se ao mesmo objeto. As palavras são colocadas num plano que não é comum a elas e oferecem dois sentidos completamente perfeitos: um referencial e outro metafórico. Ex.: A vida é um grande espetáculo, onde o chão em que pisamos é o palco e nós somos os atores.




  • Figuras de Harmonia




  1. Aliteração: é a repetição da mesma consoante ou consoantes similares, geralmente no início de cada palavra. Ex.: O rato roeu a roupa do rei de Roma.

  2. Assonância: é a repetição do mesmo som vocálico ao longo de um verso ou poema. Ex.: “Sou Ana , da cama, da cana, fulana, bacana, Sou Ana de Amsterdã.” (Chico Buarque)

  3. Paronomásia: é a repetição de sons semelhantes em palavras de significados distintos. Ex.: Do aterro se ouvia o berro do bezerro.

  4. Onomatopéia: ocorre quando procura-se imitar um som ou ruído com palavras. Ex.: Pssss! Fale baixo!




  • Figuras de Pensamento




  1. Antítese: é a aproximação de palavras ou expressões de sentido oposto. Ex.: Uns querem o bem. Outros, o mal.

  2. Paradoxo: é a aproximação de palavras ou expressões contraditórias que se referem ao mesmo termo ou elemento. Ex.: O mito é o nada que é tudo. (F. Pessoa)

  3. Apóstrofe: é a invocação de alguém ou algo, real ou não, presente ou ausente. Sintaticamente, corresponde ao vocativo.. Ex.: Fala, mulher, o que tanto te aflige!

  4. Eufemismo: é o uso de uma determinada palavra com intenção de atenuar ou amenizar algo desagradável ou feio. Ex.: Ele partiu desta para melhor.

  5. Gradação: é a seqüência de palavras que intensificam uma idéia. Ex.: ...e ela foi ficando brilhante, brilhante, cada vez mais brilhante...

  6. Hipérbole: é o exagero de uma idéia. Ex.: Ele morreu de tanto rir.

  7. Ironia: é quando se sugere o contrário daquilo que realmente se diz. Ex.: Como ela é inteligente!

  8. Prosopopéia: é a animação ou personificação de um ser inanimado ou imaginário. Ex.: A Lua se escondeu diante de tanta beleza.

  9. Perífrase: é o uso de palavras para expressar um objeto que não se quer nomear. Ex.: Passou uma semana na Cidade-luz.




  • Figuras de Sintaxe

São separadas da seguinte maneira:



  • omissão: assíndeto, elipse e zeugma

  • repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto

  • inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage

  • ruptura: anacoluto

  • concordância ideológica: silepse




  1. Assíndeto: é a justaposição ou separação por vírgulas de palavras que deveriam ser separadas por conjunções coordenativas. Ex.: Ele chegou, entrou, se aproximou, pé ante pé, chegou bem perto da vítima, atacou sem dar-lhe chance de defesa.

  2. Elipse: é a omissão de elemento (nome, pronome, verbo, etc.) facilmente identificável . Ex.: Estava linda, sem pintura e descalça.

  3. Zeugma: é a não repetição de um termo já mencionado. Ex.: Os meninos dormem aqui e as meninas, lá.

  4. Anáfora: é a repetição intencional de palavras no início de uma frase ou verso.

Ex.: “Vi uma estrela tão alta,

Vi uma estrela tão fria!

Vi uma estrela luzindo

Na minha vida vazia” (Manuel Bandeira)



  1. Pleonasmo: é a repetição da mesma idéia, havendo redundância de significado. Divide-se em pleonasmo literário (ex.: “Morrerás morte vil na mão de um forte”) e pleonasmo vicioso (ex.: repetir de novo)

  2. Polissíndeto: é a repetição enfática de uma conjunção coordenativa. Ex.: “E saber, e crescer, e ser, e haver, e perder, e sofrer, e ter horror.” (V. de Morais)

  3. Anástrofe: é a simples inversão de palavras vizinhas. Ex.: Tão cansado estou agora que não consigo nem me levantar.

  4. Hipérbato: é a inversão complexa dos termos de uma oração. Ex.: Dos céus hão de cair lanças.

  5. Sínquise: é a inversão violenta de partes distantes da frase. É o hipérbato exagerado. Ex.: “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heróico o brado retumbante...

  1. Hipálage: é a inversão da posição do adjetivo, atribuindo a qualidade a outro substantivo, na mesma frase. Ex.: De cada rosto partia um gemido pálido de dor.

  2. Anacoluto: é a alteração da seqüência lógica de uma oração, interrompendo seu plano sintático. Ex.: Esses políticos, não se pode confiar neles.

  3. Silepse: ocorre quando a concordância é feita com as idéias e não com as palavras a ela associadas.

  1. de gênero: há discordância entre masculino e feminino. Ex.: Havia uma pessoa te esperando. Depois de meia hora ele foi embora.

  2. de número: discordância entre singular e plural Ex.: Havia muita gente na platéia. Vibraram muito com suas palavras.

  3. de pessoa: discordância entre sujeito expresso e pessoa verbal. Ex.: Os dois agora estais unidos contra mim.






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