Ethan Frome



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6.2.Úlceras de Pressão


Lesões ulceradas que ocorrem na região lombo-sacra, nos tornozelos, calcanhares e outras regiões de doentes acamados, debilitados ou paraplégicos. São determinadas pela pressão contínua que se exerce sobre determinada área cutânea e dependem de mecanismo vasculares e neurotróficos.
Ressalvas:

Úlcera de Marjolin

É o desenvolvimento de carcinoma espinocelular em ulceração crônica ou cicatriz. Caracteriza-se pela progressão da ulceração com aspecto vegetante ou verrucoso, particularmente na borda. É imprescindível a biopsia.


Diagnóstico Diferencial de Úlceras

  • Pioderma Gangrenoso

  • Desglobulinemias

  • Neoplasias Cutâneas

  • Síndrome de Klinefelter

  • Eritema Endurado (TBC cutânea)

  • Necrobiose lipoídica

  • Vasculites

  • Leishimaniose

  • Micoses profundas ( Esporotricose , Cromomicose , Paracoccidioidomicose )

  • Sífilis Terciária

  • Acroangiodermatite ( Pseudo Sarcoma de Kapossi )

  • Úlceras Factícias



6.3.Queimaduras


Estima-se que ocorram, no Brasil, cerca de 1.000.000 de acidentes com queimaduras/ano, e foi observado que 2/3 destes acidentes aconteceram em casa, atingindo, na sua maioria, adolescentes e crianças.

A queimadura é uma lesão provocada pelas seguintes etiologias: térmicas, químicas, elétricas e radiação podendo ter destruição parcial ou total da pele e de seus anexos, assim como estruturas mais profundas (tecido subcutâneo, músculos, órgãos internos, tendões, ossos).

As queimaduras são classificadas de três modos distintos: quanto à profundidade, extensão e etiologia. (ver detalhamento no Manual de Tratamentos de Ferida)

Poderão ser tratados nas Unidades Básicas de Saúde apenas pequenos queimados, em áreas não críticas e não complicados, ou seja:



  • queimaduras de 1º grau;

  • queimaduras de 2º grau com menos de 10% em adultos e 6% a 8% em crianças.

OBS.: São consideradas áreas críticas:

  • face e seus elementos

  • região cervical

  • região anterior do tórax (as queimaduras nestas regiões podem causar obstrução das vias respiratórias pelo edema)

  • região axilar

  • punhos, mãos e pés

  • cavidades

  • períneo e genitália

Queimaduras em crianças e idosos ou acompanhadas por patologias agudas e crônicas (stress, hipertensão arterial, Diabetes Mellitus), fraturas, lesões externas ou lacerações em órgãos internos são mais graves.


6.3.1.Cuidados em pacientes queimados






Ressalva:

  • Em presença de soluções oleosas pode fazer limpeza da pele com sabão líquido hospitalar.

  • Os pacientes queimados deverão seguir o fluxograma de atendimento descrito no item 5.1.1 da pág. 07.

7. ORIENTAÇÕES GERAIS

7.1.Técnica de Limpeza da Ferida


Segundo o dicionário da língua portuguesa, limpeza é o ato de tirar sujidades. Logo, limpeza das ferida, é a remoção do tecido necrótico, da matéria estranha, do excesso de exsudato, dos resíduos de agentes tópicos e dos microrganismos existentes nas lesões objetivando a promoção e preservação do tecido de granulação.

A técnica de limpeza ideal para a ferida é aquela que respeita o tecido de granulação, preserva o potencial de recuperação, minimiza o risco de trauma e/ou infecção.

A melhor técnica de limpeza do leito da lesão é a irrigação com jatos de soro fisiológico a 0,9% morno.

A seguir, etapas da técnica de limpeza do soro fisiológico em jato.


7.1.1.Troca de curativo na Unidade de Saúde.


Material necessário:

  • luvas de procedimento;

  • luvas cirúrgica;

  • bacia;

  • soro fisiológico 0,9% - 250 ml ou 500 ml;

  • agulha 25 x 8 mm (canhão verde);

  • saco plástico de lixo (branco);

  • lixeira;

  • máscara;

  • óculos protetores;

  • cobertura, creme ou pomadas indicadas;

  • gaze dupla, gaze aberta, ou ambas;

  • atadura crepom, conforme a necessidade;

  • álcool a 70%;

  • sabão líquido.

Descrição do Procedimento:

  • Lavagem das mãos;

  • Reunir e organizar todo o material que será necessário para realizar o curativo;

  • Colocar o paciente em posição confortável e explicar o que será feito;

  • Realizar o curativo em local que proporcione uma boa luminosidade e que preserve a intimidade do paciente;

  • Fazer uso do EPI (óculos, máscara, luvas e jaleco branco);

Obs.: Não realizar curativo trajando bermudas, saias e sandálias, para assim evitar acidentes de trabalho.

  • Envolver a bacia com o saco plástico, retirar o ar e dar um nó nas pontas. Depois, usá-la como anteparo para a realização do curativo;

  • Utilizar frasco de soro fisiológico a 0,9%, fazer a desinfecção da parte superior do frasco com álcool a 70%, e perfurar antes da curvatura superior, com agulha 25 x 8 mm (somente um orifício);

Obs.: O calibre da agulha é inversamente proporcional à pressão obtida pelo jato de soro.

  • Vestir com a luva de procedimento apenas a mão de maior destreza, deixando a outra livre;

  • Retirar a atadura e a cobertura da ferida com a mão vestida com a luva de procedimento;

  • Se na remoção da cobertura e/ou atadura da ferida, os mesmos estiverem bem aderidos (grudados) na lesão, pegar com a mão que está sem luvas o frasco de soro fisiológico (furado) e aplicar os jatos, removendo com muita delicadeza, evitando traumas e assim, retrocessos no processo cicatricial;

  • Desprezar o curativo retirado juntamente com as luvas no lixo;

  • Calçar nova luva de procedimento;

  • irrigar o leito da ferida exaustivamente com o jato de soro numa distância em torno de 20 cm até a retirada de toda a sujidade;

  • fazer limpeza mecânica (manual) da pele ao redor da lesão com gaze umedecida em SF 0,9%. Em caso de sujidade pode-se associar sabão líquido hospitalar;

Obs.: Quando necessário, utilizar espátula de madeira e tesouras estéreis avulsas (depende do procedimento).

Não secar o leito da ferida.

  • Aplicar a cobertura escolhida conforme a prescrição do enfermeiro ou médico (calçar luvas cirúrgicas quando a cobertura demandar);

  • Passar hidratante na pele íntegra adjacente à lesão, quando necessário, sempre após colocação de coberturas;

  • Fazer uso da cobertura secundária, se alginato de cálcio ou carvão ativado;

  • Enfaixar os membros em sentido distal-proximal, da esquerda para a direita, com o rolo de atadura voltado para cima. Em caso de abdômen utilizar a técnica em z (em jaqueta com atadura de crepom de 20 ou 25 cm);

  • Fazer o enfaixamento compressivo em caso de úlcera venosa;

  • Registrar a evolução no prontuário e na ficha de Registro de Avaliação da Lesão;

  • Desprezar o frasco com resto de soro no final do dia;

  • Promover limpeza dos instrumentais utilizados conforme o Manual de Esterilização da SMSA;

  • Realizar a limpeza e organizar a sala de curativo.

  • Ressalvas:

  • Se utilizar pinças ou tesouras, o instrumental deve ser colocado dentro de um recipiente com água e sabão enzimático.

  • Se utilizar o tanquinho, deve-se fazer a limpeza e a desinfecção do mesmo, após o procedimento;

  • Retirar o plástico da bacia, de forma que não a contamine, desprezando o mesmo no lixo;

  • Se não houver contaminação da bacia, utiliza-la para o próximo curativo, realizando o mesmo procedimento já citado;

7.1.2.Troca de curativo no domicílio


  • Organizar todo o material que será necessário para a realização do curativo no domicílio;

  • Encaminhar-se ao domicílio após agendamento prévio com a família ou cuidador;

Obs: é de fundamental importância, a presença de um dos familiares ou cuidador para acompanhar a realização do curativo com o objetivo de prepará-lo para o procedimento;

  • Providenciar um local bem iluminado, confortável e que preserve a intimidade do paciente durante o atendimento;

  • Utilizar um recipiente, providenciado pelos familiares, para servir de anteparo durante a realização do curativo. O mesmo ficará separado e será utilizado apenas para este procedimento; Quando não for possível, o profissional de saúde deverá levar uma bacia do Centro de Saúde, sendo que, ao final do curativo, retornará com a mesma á Unidade de Saúde;

  • Lavar as mãos com água e sabão, se não for possível, fazer a anti-sepsia das mesmas com álcool glicerinado (levar almotolia);

  • Colocar o paciente em posição confortável e orientar sobre o procedimento a ser realizado;

  • Fazer uso do EPI (óculos, máscara, luvas e jaleco branco);

  • Envolver o recipiente em saco plástico conforme já descrito;

  • Realizar procedimento de curativo especificado no item “Troca de Curativo da Unidade de Saúde”;

  • Retirar o plástico da bacia, de forma que não a contamine, desprezando o mesmo no lixo;

  • Leve um saco de lixo a mais, no qual desprezará as coberturas, gazes e ataduras sujas e no final do curativo dê um nó e coloque-o dentro do lixo externo da casa (lixo do domicílio);

  • Organizar o local onde foi realizado o curativo e fazer as anotações devidas;

  • Ressalvas:

  • Proteger pinças e tesouras utilizadas no próprio papel do pacote (Kraft) e depois colocá-lo dentro da luva de procedimento. Ao chegar na Unidade de Saúde, efetuar limpeza conforme Manual de Esterilização da SMSA;

  • Proteger o frasco de Soro Fisiológico, com o plástico do mesmo, caso não tenha sido todo utilizado, e orientar a família a guardá-lo em lugar limpo, seco e fresco por no máximo 01 semana. Evitar guardá-lo na geladeira para evitar risco de contaminação dos alimentos.






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