Estudo de utilização de medicamentos em idosos em um município do Sul do Brasil



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ESTUDO DE UTILIZAÇÃO DE MEDICAMENTOS EM IDOSOS RESIDENTES NA ÁREA DE COBERTURA DO SERVIÇO DE APOIO INTEGRADO A SAÚDE (SAIS)

Patrícia Luiz de Araújo1; Dayani Galato 2



  1. Acadêmica do Curso de Farmácia- Bolsista do Programa Universitário de Iniciação Científica (PUIC) – Núcleo de pesquisa e Atenção Farmacêutica e Estudos de Utilização de Medicamentos – NAFEUM.

  2. Professora do Curso de Farmácia - Orientadora do PUIC – Coordenadora do NAFEUM

Universidade do Sul de Santa Catarina, Tubarão, Santa Catarina, Brasil.
RESUMO

O estudo teve como objetivo conhecer o perfil de utilização de medicamentos em idosos moradores na área de cobertura do SAIS. A coleta de dados ocorreu através de entrevistas realizadas no ambiente domiciliar de idosos moradores nesta localidade. Foram entrevistados 135 idosos, 128 relataram problemas de saúde (1 a 9 problemas) e todos utilizavam entre 1 e 13 medicamentos, sendo os mais comuns aqueles pertencentes ao Sistema Cardiovascular e ao Sistema Nervoso. Utilizaram antibióticos no último mês 14,3% dos entrevistados, 6,5% dos medicamentos foram considerados segundo o critério de medicamentos potencialmente inapropriados para uso em idosos. Apenas 29,2% dos idosos afirmaram adotar a prática da automedicação. No entanto, quando indagados sobre o uso de plantas medicinais, 87 (64,4%) referiram utilizar. Por fim, quando avaliado o risco de fragilização desta população mais de 90% foram classificados no risco baixo. Estes resultados apontam para uma população com múltiplos problemas de saúde e polimedicada, mas que apresenta um grau de fragilização baixo.



Palavras-chave: medicamentos, idoso, saúde do idoso.
INTRODUÇÃO

O maior número de idosos na população resulta em um acréscimo na utilização de serviços de saúde, devido a problemas crônicos, o que tem como conseqüência intervenções de alto custo e de tecnologia específica para o cuidado necessário ao idoso, sendo que um desses cuidados consiste no aumento do consumo de medicamentos (VERAS, 2003). Segundo Silva e colaboradores (2004) o uso simultâneo e crônico de medicamentos é chamado de polimedicação.

A polimedicação pode levar ao aparecimento de problemas relacionados a medicamentos (GALATO et al., 2008; SILVA et al, 2004) e uma solução viável é aumentar a colaboração entre os profissionais da saúde, contribuindo para aumentar a adesão ao tratamento e as prescrições adequadas, diminuir os efeitos nocivos dos medicamentos e promover o uso e o armazenamento de medicamentos de forma correta (VIEIRA, 2007).

Desta forma, este trabalho teve por objetivo identificar o perfil de utilização de medicamentos em idosos residentes na área de cobertura do Serviço de Apoio Integrado a Saúde (SAIS).



MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de um estudo transversal baseado na técnica de entrevista. A população do estudo foi representada por indivíduos residentes nos Bairros Dehon e Morrotes com mais de 60 anos de idade. Para a seleção dos idosos participantes na pesquisa foram realizadas entrevistas domiciliares por conveniência.

Foram coletados dados a respeito das características sócio demográficas (idade, sexo), nosológicas (problemas de saúde), de utilização de medicamentos (tipos de medicamentos, número de medicamentos, adoção da automedicação, etc) e perfil de utilização de serviços de saúde (número de consultas, número de internações, plano de saúde).

Os medicamentos em uso foram classificados segundo a Anatomic Therapeutic Chemical (WHO, 2009). Para a avaliação dos medicamentos considerados inapropriados, independentemente do diagnóstico ou das condições do idoso, foi adotada a lista de medicamentos elaborada por Fick e colaboradores (2003).

Para o cálculo do fator de risco de fragilização foram adotados os parâmetros definidos por Pacala e colaboradores (1995) e a escala descrita por Veras (2003). Esta escala determina a Probabilidade de Admissão Repetida em um período de 4 anos (PAR), quando PAR for menor que 0,300 o risco é baixo; de 0,300 a 0,399 é médio; de 0,400 a 0,499 é médio alto e; maior que 0,500 muito alto.

Para análise dos dados foi desenvolvido um banco de dados no programa EpiData e posteriormente realizadas as análises estatísticas no programa EpiInfo.

Este projeto possui aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade do Sul de Santa Catarina.

RESULTADOS

Perfil dos idosos: Foram entrevistados 135 idosos com idade entre 60 e 93 anos (72,4 ± 7,29). Foi referida a presença de problemas de saúde por 128 (94,8%) idosos, totalizando 382 problemas, ou seja, 3,0 (±1,87) problemas por idoso, variando de 1 a 9 problemas. Os problemas de saúde referidos mais prevalentes foram a hipertensão arterial sistêmica (51,8%), a labirintite (25,2%), diabetes (22,9%), depressão (21,5%) e ansiedade (21,5%).

Aplicando-se a questões sugeridas por Veras (2003) sobre os fatores de risco de admissão hospitalar e calculando-se o grau de risco segundo Pacala et al (1995) observou-se que mais de 90% dos idosos estão classificados no baixo risco.


Perfil de utilização de medicamentos: Quanto a utilização de medicamentos de uso contínuo, 117 (86,7%) responderam afirmativamente a esta questão, referindo utilizar entre 1 e 13 medicamentos.

Entre as classes terapêuticas mais freqüentes estão: cardiovascular (42,3%); sistema nervoso (21,2%); trato alimentar e metabolismo (18,0%) e; sangue e órgão formadores de sangue (6,9%).

Quanto ao uso de antibiótico no último mês, 19 (14,3%) responderam afirmativamente a esta questão. Sendo que os mesmos foram indicados por um profissional prescritor em 89,5% das situações.

Segundo o critério de medicamentos potencialmente inapropriados para uso em idosos (Fick et al, 2003), pode-se verificar que dos medicamentos utilizados, 13 foram classificados desta forma, totalizando 27 ocorrências, ou seja, 6,5% (27/406).

Avaliando-se o uso de produtos por automedicação, 70,8% dos idosos afirmaram não adotar esta prática. No entanto, quando indagados sobre o uso de plantas medicinais, 87 (64,4%) referiram utilizar.

DISCUSSÃO

O perfil dos idosos demosntram que esta população apresenta vários problemas de saúde, em especial problemas crônicos que necessitam de medicamentos de uso contínuo, em os problemas cardiovasculares, dados estes semelhantes com o de outros trabalhos (Galato et al, 2008; Tibincoski et al., 2007; Zamparetti et al., 2008)

Ao ser verificado quais os medicamentos utilizados pelos idosos, 13 foram classificados como inapropriados, totalizando 6,5%, sendo que os mais frequentes foram o nifedipino, a fluoxetina e a amitriptilina. Em um trabalho desenvolvido por Rozenfeld e colaboradores (2008) foi identificado um percentual um pouco maior de consumo destes medicamentos (10%), onde os mais comuns foram os relaxantes músculo-esqueléticos, anti-histamínicos e benzodiazepinicos. Esses medicamentos devem ser evitados pelos idosos por apresentarem risco desnecessariamente alto para essa população.

A porcentagem de utilização de antibióticos pela população do estudo (14,3%) é muito semelhante a do estudo de Tibincoski e colaboradores (2007), 12,9%. A utilização desses medicamentos por idosos acaba tornando-se comum, pois em função da fragilidade clínica, há uma susceptibilidade maior a infecções.

Neste estudo pode-se observar que há um equívoco entre os idosos entrevistados por não considerarem o uso de plantas medicinais como automedicação, já que 70,8% disseram não se automedicar, porém 64,4% afirmaram fazer uso de plantas. Esse é o tipo de concepção que deve ser modificada, pois assim como os medicamentos, as plantas também devem ser utilizadas com cautela e de forma correta para evitar prejuízos à saúde.

Em comparação ao estudo de Veras (2003), no qual 75,8% dos idosos pesquisados apresentam baixo risco de adoecer, o presente estudo teve um resultado ainda melhor, pois mostra que 90% da população em questão estão classificados no baixo risco de fragilização, portanto, tem menor chance de sofrer uma readmissão hospitalar.



Estes resultados apontam para uma população com múltiplos problemas de saúde e polimedicada, mas que apresenta um grau de fragilização baixo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  1. Fick DM, Cooper JW, Wade WE, Waller JL, Maclean JR, Beers MH. Updating the beers criteria for potentially inappropriate medication use in older adults. Arch. Intern. Med 2003; 163: 2716-2724.

  2. Galato D, Silva ES, Tibúrcio LS. Estudo de utilização de medicamentos em idosos residentes em uma cidade do sul de Santa Catarina: um olhar sobre a polimedicação [Periódico na internet]. Ciência & Saúde-Coletiva. Acesso em: 8 maio 2008.

  3. Pacala JT, Boult C, Boult L. Predictive validity of a questionnaire that identifies older persons at risk for hospital Admission. Journal of the American Geriatrics Society 1995; 43: 374-377.

  4. Rozenfeld S, Fonseca MJM, Acurcio FA. Drug utilization and polypharmacy among the elderly: a surveyin Rio de Janeiro City, Brazil. Rev Panam Salud Publica. 2008; 23:34–43.

  5. Silva P, Luis S, Biscaia A. Polimedicação: um estudo de prevalência nos centros de saúde do Limiar e de Queluz. Revista Portuguesa de Clínica Geral 2004; 20: 323-336.

  6. Tibincoski KM, Possamai KR, Galato D, Trevisol FS. Uso de medicamentos no tratamento de idosos atendidos em unidade básica de saúde no Sul de Santa Catarina: Um olhar sobre o uso de antibacterianos. Arquivos Catarinenses de Medicina 2007; 36: 12-17.

  7. Veras R. Em busca de uma assistência adequada à saúde do idoso: revisão da literatura e aplicação de um instrumento de detecção precoce e de previsibilidade de agravos. Caderno de Saúde Pública 2003; 19: 705-715.

  8. Vieira FS. Possibilidades de contribuição do farmacêutico para a promoção da saúde. Ciência & Saúde-Coletiva 2007; 12: 213-220.

  9. WHO - World Health Organization. Complete Anatomic Therapeutic Chemical index. Disponível em: http://www.whocc.no/atcddd/. Acesso em: 14 maio 2009.

  10. Zamparetti FO, Luciano LTR, Galato D. Estudo de utilização de medicamentos em uma instituição de longa permanência para idosos do Sul de Santa Catarina – Brasil. Acta Farmaceutica Bonaerense 2008; 27(4):553 - 559.






: junic -> 2009
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