Estudo de Caso



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ESTUDO DE CASO: OVÁRIOS POLICÍSTICOS
Dávila Calyne Sampaio de Moraes ¹

Marislei Brasileiro ²





1. Consulta de Enfermagem


    1. Identificação:

C.C. M, 26 anos, sexo feminino, morena clara, em processo de divórcio, 1 filho (6 anos, mora com os avós maternos), brasileira, natural de São Paulo, residente em Goiânia, zona urbana, estudante do curso de Fisioterapia da Universidade Paulista, católica não praticante.


    1. Expectativas e percepções:

Afirma sentir saudades de seus pais e filho, estar preocupada com a faculdade e o seu futuro. Diz está desmotivada para estudar, e por isso não está freqüentando todas as aulas (assiste às aulas de sua preferência). Recreia-se assistindo televisão, ouvindo músicas, conversando com amigos através da internet e indo, quando há, pra shows de cantores de sua preferência. Relata não está insatisfeita com seu perfil corporal, já que sempre esteve acima do peso. E em relação à doença, afirma confiar no tratamento e por isso não possui nenhum receio.
1.3 Necessidades Básicas:

Dorme pelo menos 3 horas durante a tarde, e no período noturno deita-se para dormir geralmente à meia noite e acorda várias vezes.

Não pratica atividades físicas. Tem acompanhamento nutricional, mas não segue regularmente a dieta prescrita. Costuma tomar banho de chuveiro 2 vezes ao dia, nos períodos da manhã e da noite. Escova os dentes 2 vezes ao dia.

Mora em apartamento alugado com sua sobrinha e uma amiga, é sustentada pelos pais. Onde mora tem saneamento básico. Costuma beber 1,5 litros de água por dia, a eliminação intestinal varia entre 2 ou 3 vezes por semana, e diz urinar de 3 a 4 vezes por dia.


¹ Acadêmica do 4º período, do curso de Enfermagem da Universidade Paulista de Goiânia.
² Orientadora da disciplina EI da Universidade Paulista de Goiânia.

Não usa álcool e nem é tabagista. Não possui atividade sexual a quase 1 ano, ciclo menstrual com alterações (as vezes vem mais que o normal) e apresenta amenorréia.

Relata não tomar café da manhã, come fora de casa 2 ou mais vezes por semana. Tem alimentos suficientes para comer todos os dias, geralmente come sozinha. Ingere vegetais, frutas ou suco de frutas 3 ou menos vezes por semana. Come cereais, massa, arroz ou outros grãos uma vez por dia. Bebe leite 2 vezes ao dia, e bebidas alcoólicas 1 ou nenhuma vez por semana.

Segundo a paciente, possui alterações nos ovários (ovários policísticos), não apresenta disfagia e nem alergia. Não possui limitações físicas.




    1. Exame Físico:

Peso: 104,700 kg. Altura: 1,70 m. IMC: 36,2 (obesa classe II).

Sinais vitais: normotérmico com temperatura axilar de 36,5ºC, normosfígmo com pulso de 66 bpm, eupnéico com respiração de 19 ipm, normocárdico com FC de 69 bpm, normo tenso com PA de 120x80 mmhg. Olhando para interlocutor, sorrindo, corada, sem pintura, consciente, deambula sem dificuldade. Cabelos e couro cabeludo limpos, presença de caspas, pele do rosto normal; ouvidos limpos, sem dificuldade auditiva; pupilas isocóricas, foto reagentes, olhar para mesma direção, mucosa ocular corada sem secreções; narinas normais, sem secreções, septo centralizado; boca sem lesões, língua não saburrosa, presença de aparelho removível na arcada superior, algumas placas dentárias (está em tratamento odontológico), tonsilas palatinas normais e mucosas coradas. Tórax sem alteração anatômica, mamas normais, apresentando mamilo direito protuso e mamilo esquerdo umbilicado, sem secreções; expansibilidade pulmonar normal, presença de murmúrios vesiculares; teste de Giordam negativo; bulhas cardíacas normais. Abdome flácido, presença de cicatrizes provenientes de cirurgias, e presença de estrias decorrentes do período gestacional; presença de ruídos hidroaéreos, sinal de Blumberg e sinal de Murphy negativos. Pele com turgor, umidade e temperatura sem anormalidades, algumas cicatrizes nos membros inferiores resultante de quedas na infância adolescência, perfusão tecidual normal e pulsos periféricos palpáveis. Incômodo no momento da palpação na região supra púbica relacionado com inflamação no ovário.


2. Análise Integral
2.1 Aspectos Anatômicos:

Segundo Fattini (2005, p 152), os ovários produzem os gametas femininos, e hormônios que controlam o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários e atuam sobre o útero nos mecanismos de implantação do óvulo fecundado e início do desenvolvimento do embrião.

De acordo com Spance (1991, p 612), os ovários estão suspensos na face posterior do ligamento largo por uma curta dobra de peritônio chamada mesovário. Uma faixa fibrosa chamada ligamento próprio do ovário está localizada junto ao ligamento largo e se estende na margem superolateral do útero até o ovário. As margens laterais do ligamento largo formam uma prega que fixa o ovário à parede pélvica. Estas pregas, através das quais os vasos alcançam o ovário, é conhecida como ligamento suspensor do ovário.

A camada externa do ovário é chamada de epitélio germinativo, abaixo desse epitélio encontra-se uma camada de tecido fibroso, a túnica albugínea. O ovário pode ser dividido numa camada externa, o córtex, envolvendo a medula central. Esta última é composta de tecido conjuntivo e contém vasos sangüíneos, vasos linfáticos e nervos que entram e deixam o ovário no ponto onde está preso o mesovário. No nascimento, o córtex de cada ovário contém centenas de milhares de óvulos imaturos em pequenas esferas individuais compostas de uma única camada de células. Cada uma destas estruturas é um folículo primário, e as células envoltórias constituem as células foliculares. A maioria desses folículos permanece como folículos primários até o depois da puberdade, que geralmente ocorre entre 12 e 15 anos de idade.

O ovário é liso e rosado no vivente, mas depois torna-se branco-acinzentado e rugoso devido às cicatrizes deixadas pelas subseqüentes ovulações. Na velhice diminuem de tamanho.

2.2 Aspectos Fisiopatológicos:

Essa patologia foi descrita pela primeira vez em 1935, por Stein e Leventhal, com as clássicas características de ovário policístico: obesidade, amenorréia, infertilidade e hirsutismo.

De acordo com Rubin e Farber (2002, p 970), “a fisiopatologia da síndrome do ovário policístico (SOP) é complexa e precisa ainda ser definida completamente”. Ainda não se conhece exatamente o que está funcionando errado na síndrome do ovário policístico, mas segundo Halbe (2000, p 1623) as principais características são: resistência insulínica, o excesso de androgênios e a alteração da dinâmica gonadotrófica.

Acredita-se que a alteração central seja uma produção ovariana aumentada de androgênios, embora a hipersecreção adrenal de androgênios possa contribuir para as manifestações clínicas do distúrbio. Algumas evidências sugerem que o principal distúrbio subjacente é a resistência insulínica, resultando em hiperinsulinemia capaz de estimular a produção de androgênio ovariano de maneira excessiva.

A Teoria da esteroidogênese ovariana baseia-se no fato dos andrógenos, produzidos pelas células tecais LH-estimuladas em geral serem aromatizados em estrógenos em um processo promovido pelo FSH. A mudança do ambiente androgênico para estrogênico resulta em aumento da atividade da aromatase dentro do folículo em desenvolvimento, resultando em ovulação. Em pacientes com doença do ovário policístico, a razão entre androstenediona e estradiol folicular é alta, sugerindo um defeito de aromatização capaz de aumentar o nível intra-ovariano de andrógenos, um componente importante no processo anovulatório.

A presença de um estado anovulatório por qualquer período de tempo leva ao desenvolvimento de “ovários policísticos”, definidos como a presença de mais de oito folículos por ovário (cada um com diâmetro inferior a 10 mm).

No exame macroscópico, o ovário encontra-se aumentado. A superfície é lisa, um aspecto que reflete ausência de ovulação. Em corte, o córtex encontra-se espessado e exibe inúmeros cistos, tipicamente com 2 a 8 mm de diâmetro, organizados perifericamente ao redor de um núcleo denso de estroma. Microscopicamente, as seguintes características encontram-se presentes:


  1. numerosos folículos nos estágios iniciais de desenvolvimento;

  2. atresia folicular;

  3. estroma aumentado, ocasionalmente com células luteinizadas (hipertecose);

  4. e sinais morfológicos de ausência de ovulação.


2.3 Aspectos Bioquímicos:

Exame: Lipidograma Completo. Material: Soro.



Aspecto (temp. Amb.): límpido

Aspecto (após ref.): límpido

Lipedes totais: 544 (valor desejável p sexo feminino: 400 a 800 mg/ dl)

Fosfolipides: 199 (valor desejável p sexo feminino: <65 anos até 257, >65 até 346)

Triglicérides: 80 mg/ dl (desejável: <160, aceitável: 160-200)

Colesterol total (CT): 177 mg/ dl (desejável: <220, aceitável: 220-250)

Colesterol VLDL: 16 mg/ dl (desejável: <30, aceitável: 30-40)

Colesterol LDL: 111 mg/ dl (desejável: <150, aceitável: 150-190)

Colesterol HDL: 50 mg/ dl (desejável: >65, aceitável: >35)

Colesterol ésteres: 127 mg/ dl (desejável: < 50-70% do CT)

Colesterol livre: 50 mg/ dl (desejável: < 20-30% do CT)

Exame: Glicemia de jejum. Material: Plasma.



Resultado: 80 mg/ dl (referência: de 70 a 110 normal)
Exame: Prolactina. Material: Sangue.

Resultado: 6.2 ng/ ml (referência p mulheres: 1,2 - 25,0; pós-menopausa: 1,5 – 18,5)
Exame: Hormônios. Material: Soro.

Tiroxina - T4: 8.0 mcg/ dl (referência: M- 4.4 a 10.8; F- 4.8 a 11.6)

T.S.H. : mUI/ m (referência: >5 anos 0,3-7,0)
Exame: Bioquímica. Material: Soro/ Plasma.

Ácido úrico: 3.5 mg/ dl (Ref. Sexo F: 1.6 a 6.0)

Uréia: 19 mg/ dl (Ref. Sexo F: 10 a 50)

Creatinina: 0.71 mg/ dl (Ref. Sexo F: 0.4 a 1.5)

Glicose: 88 mg/ dl (70 a 110)
Exame: Hemograma Completo. Material: Sangue Total.

Hemácias: 4.66 ferat/ 1

Hematócrito: 40.1 %

Hemoglobinas: 13.6 g/ dl

VCN: 86.05 ft

HCM: 29.18 pg

CHCM: 33. 92 g/ dl

RDW: 15.5 %

Eritoblastos: 0 /100 leuco

Plaquetas: 248.000

Leucograma: normal
Exame: Tipagem Sanguínea + Fator Rh. Material: Sangue Total.

B – positivo


Exame: Citologia Oncoparasitária. Material: Secreção vaginal.

Aspectos gerais e citopatológicos: Presença de células endocervicais. Esfregaço apresentando células intermediárias.

ALTERAÇÕES CELULARES INFLAMATÓRIAS – Moderadas.



Alterações Microbiológicas: Ausência de Trichomonas, Fungos, Inclusões Virais e Clamideas. Flora bacteriana moderada, composta predominantemente por bacilos, identificáveis com ‘doderlein’.

Alterações Displásicas e/ou Neoplásicas: Citologia oncótica NEGATIVA.

Conclusão: Inflamatório moderado. Classe II – Papanicolau. Amostra Satisfatória.
Exame: Ultra-som – Endovaginal

Ovário Direito para-uterino, de contornos regulares limites precisos. Exibindo parênquima de textura sólido-cística e ecogenicidade aumentada. Medindo: 4,10 x 2,30 x 2,70 cm e volume de: 14,97 cm³. (Referência: 3 a 12 cm³)

Ovário Esquerdo para-uterino, de contornos regulares e limites precisos. Exibindo parênquima de textura sólido-cística e ecogenicidade aumentada. Medindo: 3,60 x 2,30 x 2,70 cm e volume de: 11,63 cm³. (Referência: 3 a 12 cm³)
2.4 Aspectos Farmacológicos:

Femiane – uma vez por dia, durante 6 meses.


2.5 Aspectos Biogenéticos:

A paciente relata que sua mãe já passou por uma cirurgia no coração antes de seu nascimento, e não soube informar se a mãe teve ou tem algum problema nos ovários. O pai da paciente tem problemas cardíacos, e é hipertensivo segundo informações por ela passada. Com isso, não se pode afirmar que o fato dela ter ovários policísticos tem haver com fatores biogenéticos.


2.6 Aspectos Microbiológicos:

Inexistente.


2.7 Aspectos Psicossociais:

Paciente encontra-se tranqüila, já que não apresenta hirsutismo, que pra ela seria a maior complicação. Em relação à infertilidade, não tem preocupações, pois está satisfeita com o único filho que tem, e não pretende ter outros. Quanto à obesidade, não se importa, pois segundo ela sempre foi “gordinha”. Sua única reclamação é quanto à desregularidade de sua menstruação, mas acredita que o tratamento irá curá-la.


2.8 Aspectos Epidemiológicos:

De acordo com Halbe (2000, p 1622) estima-se que 5 a 10 % das mulheres em idade reprodutiva apresentem esse distúrbio. Cerca de 30% das pacientes amenorréicas e 75% das com desvio menstrual para menos evidenciam ovários policísticos. Mais de 60% têm hirsutismo e 90% têm níveis elevados de LH, andrógenos ou ambos.

Segundo Porta (2005, p 844) doença do ovário policístico é “responsável por 20 a 30 % dos casos de infertilidade feminina”. É a principal causa de anovulação.

2.9 Aspectos Legais

De acordo com a carta brasileira dos direitos do paciente, o mesmo tem direitos legais de saber se será submetido a experiências, pesquisas ou práticas que afetem o seu tratamento ou sua dignidade ou de recusar submeter-se às mesmas.

- De acordo com a lei 7.498/86 art. 35 – o enfermo tem o direito de solicitar consentimento do cliente ou de seu representante legal, de preferência por escrito, para realizar ou participar de pesquisa ou atividade de ensino de enfermagem, mediante apresentação da informação completa dos objetivos, riscos e benefícios, da garantia do anonimato e sigilo, do respeito à privacidade e intimidade e sua liberdade de participar ou declinar de sua participação no momento que desejar.

Art. 36 – Interromper a pesquisa na presença de qualquer perigo à vida e à integridade da pessoa humana.

Art. 37 – Ser honesto no relatório dos resultados dos relatórios de pesquisas.


3. Diagnósticos de Enfermagem

Com base nos dados do histórico, os principais diagnósticos de enfermagem da paciente podem incluir os seguintes:



  1. Constipação (risco para), relacionado a alimentação.

  2. Dor aguda relacionada a ovário policístico.

  3. Manutenção Ineficaz da Saúde relacionada ao desequilíbrio entre a ingesta calórica e dispêndio de energia.

  4. Nutrição desequilibrada: Mais do que as necessidades corporais.

  5. Padrão de sono pertubado.


4. Prescrição de Enfermagem

1. Ensinar a importância de uma dieta equilibrada; encorajar a ingesta de, no mínimo, 6 a 10 copos de água por dia; estabelecer um horário regular para eliminação; enfatizar a necessidade de exercícios regulares; sugerir caminhada.

2. Orientar quanto ao uso correto do medicamento prescrito, e se a dor persistir, procurar o seu médico.

3. Mostrar a importância do controle do peso, através de uma dieta saudável e da prática de exercícios regulares.

4. Aumentar a atenção do indivíduo para a quantidade/tipo de alimento consumido; comer apenas em locais específicos da casa (ex.: mesa da cozinha); não comer enquanto realiza outra atividade; beber um copo de água de 250 ml imediatamente antes de comer; usar pratos pequenos; preparar pequenas porções, apenas o suficiente para uma refeição, descartando as sobras; comer lentamente e mastigar completamente; comer lanches de baixas calorias; diminuir calorias líquidas; beber refrigerante dietético ou água; planejar um programa de caminhadas diárias aumentando, gradualmente, a sua velocidade e a sua duração.

5. Reduzir o ruído; limitar o tempo de sono durante o dia; manter um horário regular para dormir e acordar; estabelecer uma rotina relaxante para prepara-se para dormir (ex.; chá de ervas, banho quente); manter o quarto levemente fresco.


5. Referências

  1. FATTINI, Carlos Américo. 2ª edição. 2005. São Paulo; Atheneu.

  2. PORTA, Celmo Celeno. VADE MECUM De Clínica Médica. 1ª edição. 2005. Guanabara Koogan S.A.

  3. RUBIN, Emanuel e FARBER, John L.; Livro de Patologia. 3ª edição. 2002. Guanabara Koogan.

  4. HALBE, Hans Wolfgang. Tratado de Ginecologia. 3ª edição. 2000. São Paulo; Roca Ltda.

  5. SPENCE, Alexander P.; Anatomia Humana Básica. 2ª edição. 1991. São Paulo; Manole Ltda.

  6. CARPENITO, Lynda Juall; Manual de Diagnósticos de Enfermagem. 9ª edição. 2002. São Paulo; Artmed Editora S.A.

  7. SOBBOTA. Atlas de Anatomia Humana. 20ª edição. 1995. Rio de Janeiro; Guanabara Koogan.

  8. HORTA, A. Wanda. Processo de Enfermagem (sied) São Paulo: E. P – 4. 19



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