Estudo de caso: paciente com dpoc



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ESTUDO DE CASO: PACIENTE COM DPOC


Denis Faria silva1

Marislei Brasileiro2




2.1. HISTÓRICO DE ENFERMAGEM


2.1.1. Identificação:

S.F.A. masculino, pardo, 81 anos, casado, 5 filhos (todos casados), brasileiro, aposentado, não-alfabetizado, residente em Goiânia, zona urbana, natural de Patos de Minas-MG, católico praticante.

Foi admitido na unidade de clínica médica proveniente da emergência, com diagnóstico médico de tumor no pulmão D e DPOC (enfisema pulmonar).
2.1.2. Expectativas e percepções:

Está em tratamento há 10 anos, sabe que sua doença é grave e não tem cura, e está de certa forma conformado com sua situação. Já se acostumou com as internações, com o ambiente hospitalar e com o tratamento. Paciente relata que sua casa se tornou uma pequena farmácia com tantos medicamentos.


2.1.3. Necessidades básicas:

Nos últimos anos não tem dormido bem à noite devido a dispnéia noturna, o que tem agravado nos últimos 4 meses (incidência do tumor). Repousa sempre e evita esforços devido à dificuldade respiratória aos esforços. Antes gostava muito de andar de bicicleta, mas agora não pode se esforçar. Tem dificuldade para fazer caminhadas devido à ausência do dedo hálux D.

Disse que é “enjoado” para comer, não gosta de verduras nem de comida de hospital, gosta da comida de sua esposa. Ingere poucos líquidos, toma pouca água. Eliminações intestinais normais.

Mora em casa própria, de alvenaria, a qual tem rede de esgoto, eletricidade, água encanada, o lixo é recolhido pela prefeitura.

Suas atividades de lazer incluem assistir jogos na TV, conversar com os amigos e ir na igreja.

Procura o médico sempre que sua situação de saúde se agrava.


2.1.4. Exame Físico:

Paciente deambulando com auxílio, hipocorado, emagrecido. Orientado auto e alopsiquicamente, músculos faciais descontraídos, olhando o interlocutor, verbalizando. Apresenta-se hidratado, afebril e dispnéico. Pupilas fotorreagentes e isocóricas. Foi tabagista durante 50 anos, tendo parado de fumar há 10 anos (desde que descobriu a doença), não toma bebidas alcoólicas, não é alérgico.

Mantendo respiração por cateter nasal de oxigênio, tipo óculos, percussão pulmonar esquerda ressonante e direta submacissa. Ausculta pulmonar com diminuição de murmúrios vesiculares no pulmão D, e presença de roncos e sibilos. Ausculta cardíaca com freqüência arrítmica. Fígado palpável e doloroso, ruídos hidroaéreos aumentados, abaulamento abdominal e flatulência, som timpânico à percussão abdominal. Paciente relata diurese espontânea presente com coloração escura (colúria, poliúria), e eliminações intestinais também presentes.

Condições dos segmentos: Pele limpa, áspera e enrugada, apresentando manchas (equimoses), e pápulas na região dorsal. Presença de seborréia no couro cabeludo, cavidade bucal com dentes sujos e língua saburrosa, presença de prótese dentária. Ausência de edema em MMII, ausência do dedo Hálux D (proveniente de tétano por acidente de trabalho).

Queixas: Relatou que sentiu febre, falta de ar à noite e fadiga ao respirar, queixa anorexia e dificuldade para escarrar.

Sinais Vitais:



P: 85 bpm T: 37C R: 22 rpm PA: 110 x 70 mmHg
2.2. Diagnóstico de Enfermagem:

  • Comprometimento da troca gasosa, relacionado a retençao de CO2, aumento das secreções, aumento do trabalho respiratório, processo patológico;

  • Padrão respiratório ineficaz, relacionado a DPOC, distensão da parede torácica, fadiga, trabalho respiratório;

  • Limpeza ineficaz das vias aéreas, relacionado a DPOC, aumento das secreções, diminuição do mecanismo da tosse, fadiga;

  • Alto risco de excesso de volume de fluido, relacionado a cor pulmonale, infusões IV, aumento da permeabilidade dos capilares pulmonares, repouso no leito;

  • Alto risco de alteração da nutrição, menor que as necessidades corporais, relacionado a doença crônica, altas taxas metabólicas, dispnéia ao comer, ansiedade;

  • Alto risco de fadiga, relacionado a retenção de CO2, hipoxemia, concentração emocional na respiração, apnéia do sono, cronicidade da doença;

  • Ansiedade relacionado a doença grave, medo da morte, alterações de papel no ambiente social ou incapacidade permanente;

  • Elevado risco de infecção, relacionado a retenção de secreções, tosse ineficaz, imobilidade;

  • Morfologia hepática alterada, relacionado ao risco de metástase;

  • Ausculta abdominal alterada, relacionado a presença de gases;

  • Risco para ascite, relacionado ao abaulamento abdominal;

  • Coloração urinária alterada, relacionado a baixa ingesta hídrica;

  • Mobilidade física alterada, relacionada à fraqueza;

  • Padrão de sono perturbado, relacionado à dispnéia noturna;

  • Membrana mucosa oral prejudicada.


2.3. Intervenções de Enfermagem:

  • Administrar broncodilatadores ou corticosteróides conforme prescrito, para facilitar troca gasosa;

  • Administrar medicação específica para a patologia promovendo conseqüente melhora do mesmo;

  • Incentivar ingesta hídrica para fluidificar secreções;

  • Monitorizar o estado respiratório (freqüência, padrão respiratório, sons respiratórios, sinais e sintomas de angústia respiratória e oximetria de pulso;

  • Instruir paciente a respirar mais lenta e profundamente para reduzir fadiga;

  • Administrar aerosolterapia conforme prescrição médica;

  • Apoiar psicologicamente o paciente durante o tratamento, e mantê-lo orientado sobre sua saúde para reduzir ansiedade

  • Monitorizar cuidadosamente os sinais vitais;

  • Controlar volume hídrico e observar presença de edema, hepatomegalia ou ascite;

  • Posicionar paciente em Fowler ou semi-Fowler para melhorar padrão respiratório;

  • Estar atento para sinais de acidose metabólica, cianose de extremidades;

  • Solicitar avaliação nutricional e passar nasoenteral se necessário;

  • Mobilizar paciente e incentivar mudança de decúbito;

  • Observar coloração das secreções para risco de secreções;

  • Oferecer dieta branda e fracionada para reduzir esforço e dispnéia ao comer;

  • Administrar dieta através de sonda se necessário, se persistir risco de alteração nutricional, administrar dieta parenteral;

  • Monitorizar função hepática;

  • Estar atento para risco de ascite;

  • Incentivar ingesta hídrica;

  • Orientar e ajudar na higiene oral;



2.4. Evolução de Enfermagem:

05/03/07 – Paciente alopsiquicamente coerente, verbalizando, pupilas fotorreagentes e isocóricas, apresenta-se afebril, dispnéico e hipocorado. Relata anorexia. Ausculta pulmonar com diminuição de murmúrios vesiculares no PD, e presença de roncos e sibilos, respiração por cateter de O2, tipo óculos. Ausculta cardíaca com frequência arrítmica e discreta taquicardia. Fígado facilmente palpável e doloroso, ruídos hidraéreos aumentados, abaulamento abdominal e flatulência. Paciente relata diurese espontânea presente com coloração escura (colúria), e eliminações intestinais presentes. Mantendo hidratação venosa periférica (em MSE).

0603/07 – Paciente conciente, orientado no tempo e espaço, verbalizando, afebril, dispnéico, hipocorado. Ausculta pulmonar com diminuição de murmúrios vesiculares, principalmente no PD, e presença de sibilos e roncos. Ausculta cardíaca com frequência arrítmica, levemente taquicárdica. Abdômen com aspecto globoso, fígado palpável e muito doloroso, presença de flatos. Paciente relata anorexia, diurese espontânea, oligúria e colúria, e eliminações intestinais presentes.
2.5. Fisiopatologia da Doença:

2.5.1.Enfisema Pulmonar: caracterizado por uma dilatação permanentes dos alvéolos pulmonares, acompanhado por destruição de suas paredes. É o estágio final de um processo que progrediu lentamente por muitos anos, o que resulta na função pulmonar irreversivelmente comprometida.

O tabagismo é a principal causa do enfisema. Nos estágios tardios da doença a eliminação ineficaz de CO2 leva à hipercapnia e conseqüente acidose respiratória. As secreções são um problema no enfisema, principalmente em pacientes que apresentam também bronquite crônica. As secreções estão aumentadas e retidas porque a pessoa não consegue gerar uma tosse forçada para expeli-la. As infecções crônicas e agudas persistem nos pulmões enfisematosos.


2.5.2.Câncer de Pulmão (Carcinoma brônquico): é o câncer que mais mata homens e mulheres nos USA. Os carcinomas de pulmão surgem em decorrência de uma célula epitelial transformada nas vias aéreas traqueobrônquicas. Um carcinogênico (fumaça, etc) liga-se ao DNA da célula e o danifica, o que resulta em alterações celulares, crescimento celular anormal e, eventualmente uma célula malígna.
2.6. Prescrições médicas:

05/03/07



  1. Dieta para DPOC;

  2. SF 0,9% - 500ml + KCl – 10ml: EV – 14 gotas/min

  3. Tequin 400mg EV (antibiótico de amplo espectro)

  4. Flebocortid 200mg EV, 6/6h (antiinflamatório, corticóide)

  5. Aerosol: SF (3ml) + Berotec (7 gts) + Atrovent (30gts) - (solução com broncodilatadores)

  6. Heparina 5000, 8/8h – (anticoagulante)

  7. Ranitidina 1amp. + 10ml de AD (EV) – 12/12h – (Protetor gástrico)

  8. Dipirona 2ml EV – SOS – (analgésico, antitérmico)

  9. O2 cateter nasal


3. CONCLUSÃO
A realização deste estudo foi de grande importância, pois proporcionou muitos novos conhecimentos, permitindo também um maior aprofundamento na prática de enfermagem. A oportunidade de acompanhar um paciente com DPOC foi muito importante, principalmente porque me induziu a uma maior busca de conhecimento teórico da patologia para que pudesse ocorrer a realização deste estudo de caso. Em conseqüência disso contribuiu muito para o meu aprendizado.

4. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

BRUNNER E SUDARTH. Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. 9 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.


HORTA, Vanda de Aguiar. Processo de Enfermagem. São Paulo, Editora Pedagógica e Universitária, 14ª reimpressão, 2001.
Dicionário de Administração de Medicamentos na Enfermagem; 2005/2006 – Rio de Janeiro: EPUB, 2004.


1 Acadêmico de Enfermagem do 4º período da UNIP Turma: EN5A42. E-mail: rockcaffe777@hotmail.com

2 Enfermeira - Mestre em Enfermagem, Docente e Coordenadora do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade Paulista. E - mail: marislei@cultura.com.br Telefone: (62) 3239-4044.






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