Estruturas primárias & estruturas atectônicas



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ESTRUTURAS PRIMÁRIAS E ESTRUTURAS ATECTÔNICAS
Texto baseado no livro de Davis e Reynolds (1996. pág. 645-662).
O que deverá saber ao final da leitura:


  1. Para o que servem as estruturas primárias na Geologia Estrutural?

  2. Como podem ser utilizadas para identificar e qualificar a deformação?

  3. Conhecer e saber ilustrar alguns exemplos de estruturas que possam ser utilizadas para qualificar e quantificar a deformação;

  4. Conhecer estruturas geopetálicas em rochas sedimentares e ígneas e saber utilizá-las para identificar a polaridade das camadas e reconhecer dobras.

  5. Conhecer os tipos de contatos litológicos.

  6. Saber identificar (conhecer critérios), classificar e interpretar discordâncias.

  7. Saber a diferença entre estruturas tectônicas e atectônicas, citando exemplos.

  8. Entender o que é halocinese e em que condições ocorre.

  9. Conhecer algumas das estruturas de Sal.



Conhecendo o “Antes” para entender o “Depois”
Como a Geologia Estrutural lida essencialmente com os processos de deformação da crosta, é fundamental que se tenha um bom conhecimento da geometria original dos corpos rochosos. Ou seja, é importante saber (ou ter noção das possibilidades) a dimensão, forma, orientação e estruturas destes corpos rochosos na área estudada, antes de sofrerem a deformação.

O conhecimento adequado das estruturas primárias presentes nas rochas permite ao geólogo:

1) caracterizar os ambientes de formação das rochas;

2) determinar a geometria de rochas deformadas;

3) identificar, qualificar e quantificar a deformação
Assim um pacote sedimentar psamítico com indicadores de paleocorrentes unidirecionais, estratificações acanaladas e forma de corpos lenticulares são típicos de um ambiente fluvial. Já uma sequência pelítica com estratificação planoparalela, associada a derrames vulcânicos básicos com lavas almofadadas (pillow lavas), indicam ambiente marinho profundo. Ou seja, o conjunto de feições primárias permite caracterizar o ambiente de formação das rochas.

Se um pacote de rochas acamadadas é deformado sofrendo um encurtamento horizontal EW, em geral a deformação é facilmente identificada em afloramento e a geometria dos corpos rochosos poderá ser determinada, pois deverá se manifestar como dobras (qual deverá ser a orientação das dobras vistas em afloramento?). Já se for uma rocha homogênea como, por exemplo, um granito, talvez seja difícil identificar a deformação devido à ausência de marcadores. A geometria do corpo granítico dificilmente poderá ser deduzida a partir dos afloramentos do próprio granito.


Dentre as feições originais, a mais importante é o contato litológico, uma vez que define os limites dos corpos rochosos. Vários tipos de contatos podem ser identificados: Contatos Deposicionais Concordantes, Discordâncias, Contatos Intrusivos e Contatos Tectônicos. Os contatos tectônicos são aqueles relacionados a falhas e serão abordados mais adiante ao longo do curso. Os contatos deposicionais concordantes correspondem aos contatos entre camadas de uma sucessão sedimentar contínua.

Uma discordância corresponde a contato de escala regional, que separa uma sequência mais antiga de outra mais nova. Desta forma representa ausência de registro na coluna geológica, onde a deposição foi interrompida ou onde ocorreu erosão pronunciada removeu parte do registro geológico. Um ponto crucial no mapeamento geológico (ou seja, no entendimento da geologia de uma região) é reconhecer e mapear as discordâncias. Esta tarefa torna-se mais difícil se o conjunto de rochas estiver dobrado e, ainda mais difícil se estiver metamorfisado. É fácil imaginar várias situações que podem conduzir a formação de discordâncias. Por exemplo, uma o rebaixamento do nível de um mar raso numa região ocasionará exposição das rochas já sedimentadas, por exemplo, uma sequência de calcário, pelito e arenito, que serão erodidas gerando uma superfície irregular, expondo em diferentes áreas o arenito, o pelito e o cálcário. Se posteriormente ocorrer uma subida do nível do mar, o conjunto será coberto por uma nova sequência marinha, que será depositada sobre esta superfície irregular. Tal superfície corresponderá a uma discordância (unconformity) no registro geológico desta área, neste caso as camadas acima e abaixo da discordância serão paralelas.

As discordâncias são classificadas em 3 tipos principais: paralela, angular e litológica (Fig. B3).

A discordância paralela (disconformity) é caracterizada pelo paralelismo dos estratos acima e abaixo da discordância, pode ser representada pelo exemplo dado acima.



Na discordância angular as camadas da sequência inferior possuem atitudes diferentes da sequência superior. Tal situação ocorre quando uma sucessão de rochas sofre deformação gerando dobras ou falhas que causam a inclinação dos estratos. Após cessar a deformação, se o processo de deposição continuar a ocorrer, as novas rochas terão o plano de acamamento em posição horizontal, discordante da sequência inferior.
A discordância litológica (noncomformity), também conhecida como não conformidade (nonconformity), é uma superfície deposicional que separa uma sequência estratigráfica distintamente mais jovem de rochas ígneas plutônicas ou metamórficas. Normalmente representam as grandes discordâncias entre embasamento cristalino precambriano e sequências vulcanossedimentares fanerozóicas (Fig. B4).



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