Estesiologia



Baixar 23.27 Kb.
Encontro26.10.2017
Tamanho23.27 Kb.

Estesiologia
A estesiologia é o estudo dos órgãos dos sentidos. Para que um órgão tenha a função de recebimento de estímulo sensorial, este órgão precisa ser rico em receptores, que captam os estímulos a serem conduzidos ao sistema nervoso central.

O foco desta aula de estesiologia está nos sentidos relacionados à cabeça, onde existem órgãos específicos para sua captação.


Órgão Gustativo:

A captação dos estímulos gustativos (paladar) é feita por meio de receptores localizados em pequenos componentes anatômicos denominados papilas. A grande maioria destas papilas está localizada na língua (papilas linguais), embora possam ser encontradas papilas, em menor quantidade, na faringe, ou até mesmo na entrada da laringe (fato menos usual relatado esporadicamente nos eqüinos).

Existem diversos tipos de papilas linguais, e nem todas elas possuem função sensorial. As papilas relacionadas ao paladar são:

- valadas (ou circunvaladas): possuem uma vala ao redor, onde o alimento fica represado e tem contato com os receptores que captarão seu sabor. Este tipo de papila localiza-se sempre na raiz da língua, e seu número pode ser variável: em geral um ou dois pares, embora ruminantes as possuam em número muito maior.

- folhosas: possuem o aspecto de lâminas paralelas. Localizam-se na raiz da língua, deslocadas lateralmente, sendo encontrado um único par. Não existem nos ruminantes.

- fungiformes: possuem o aspecto de pequenos cogumelos. São papilas mistas, com função sensitiva e mecânica, atuando no auxílio à movimentação do alimento dentro da cavidade oral. Estão localizadas dispersas ao longo do ápice e corpo da língua, e ausentes na raiz.

Os nervos que conduzem as informações do paladar ao córtex do lobo temporal, onde este sentido é processado, são:

- VII (nervo facial): conduz a informação do paladar captada no ápice da língua.

- IX (nervo glossofaríngeo): paladar captado no corpo da língua.



- X (nervo vago): paladar captado na raiz da língua.

O estudo dos sabores percebidos pelos animais é, ainda hoje, dificultado, considerando que os animais não têm a capacidade de relatar os sabores que estão sentindo. Ainda assim, sabe-se que a raiz da língua é responsável pela percepção dos sabores amargos e azedos, visto que a grande maioria das substâncias tóxicas encontradas na natureza apresenta este tipo de sabor. Assim, quando percebidos na raiz da língua, o animal é alertado a não engolir tais substâncias.

Ainda assim, como os animais costumam manter o alimento dentro da boca por muito pouco tempo, engolindo-o logo a seguir, tais sabores podem não ser percebidos corretamente, de modo que é comum a ocorrência de intoxicações devido à ingestão de compostos tóxicos.
Órgão do Olfato: os receptores deste órgão, associados à captação dos odores, ficam dispersos em elevações localizadas no interior da cavidade nasal, as conchas nasais. Especificamente, tais receptores estão localizados na porção caudal da concha nasal dorsal e nas conchas etmoidais. Não há estrutura anatômica específica para a captação do olfato (em contraposição às papilas existentes para a captação do paladar), o máximo que se percebe é uma variação na coloração da parte caudal destas conchas (onde estão os receptores), tendendo mais para o amarelado.

O nervo responsável pela condução dos estímulos olfativos é o I (olfatório), que conduz estes estímulos ao bulbo olfatório, a primeira área do cérebro a recebê-los; daí, o impulso pode seguir dois caminhos: 1) seguir pelo trato olfatório lateral e direcionar-se ao lobo piriforme, onde é interpretado ou 2) usar o trato olfatório medial, que o conduz ao sistema límbico (área das emoções e memória, principalmente memória recente).

Desta forma, o olfato sempre será armazenado pelo animal na forma de uma emoção, boa ou ruim. Assim, quando determinado odor é sentido posteriormente, remete o animal a esta emoção, determinando ou uma sensação positiva, ou ao ato de afastar-se de odores associados a emoções ruins.
Órgão Vestíbulo-Coclear: é o responsável pela captação da audição, bem como de informações relacionadas ao equilíbrio. Divide-se em três partes: orelha externa, orelha média e orelha interna. A orelha interna está localizada em grande proximidade com as meninges e o encéfalo, de modo que otites internas podem facilmente ascender ao sistema nervoso central, desencadeando sintomatologia neurológica.

- Orelha externa: compreende o pavilhão auricular e o meato acústico externo, até a membrana do tímpano.

- Orelha média: cavidade dilatada em maior ou menor grau em função da espécie do animal, denominada cavidade timpânica (espaço compreendido dentro da bolha timpânica). Seus limites são a membrana do tímpano (que a separa da orelha externa) e as janelas do vestíbulo e da cóclea (que a separa da orelha interna). Nesta região, estão localizados os ossículos do ouvido (martelo, bigorna e estribo ou, em latim, malleus, incus e stapedius, respectivamente).

- Orelha interna: a mais profunda das três porções, localiza-se em proximidade com o encéfalo e compreende o labirinto e a cóclea.

Os receptores do órgão vestíbulo-coclear estão localizados na orelha interna, separados em duas partes: a mais dorsal, o vestíbulo e o labirinto (formado por três ductos semicirculares), capta os estímulos relacionados ao equilíbrio e posicionamento da cabeça; a mais ventral, a cóclea (estrutura anatômica em forma de caracol), é a responsável pela captação dos estímulos auditivos. Destas duas porções partem, respectivamente, o nervo vestibular e o nervo coclear que, quando unidos, constituem o VIII par de nervos cranianos (vestibulococlear), que conduz os estímulos de audição e equilíbrio ao lobo temporal do cérebro, onde são interpretados.

A estimulação dos receptores do equilíbrio se dá pela movimentação de um líquido denominado endolinfa (ou perilinfa), que banha a região de vestíbulo e ductos semicirculares (tanto interna quanto externamente). A movimentação da cabeça movimenta este líquido, que estimula os receptores de modo a informar ao animal o posicionamento da cabeça.

A captação da audição é puramente mecânica: as ondas sonoras penetram a orelha externa e fazem vibrar a membrana do tímpano, que conduz esta vibração aos ossículos do ouvido (martelo, bigorna e estribo). A movimentação do estribo cria uma pressão dentro da janela do vestíbulo, e a movimentação da endolinfa em decorrência desta pressão estimula as células ciliadas da cóclea, que captam esta vibração na forma de estímulos auditivos.

Finalizando o enfoque anatômico deste órgão, há um canal que comunica a orelha média com a faringe (tuba auditiva), e é fundamental para regular a pressão interna da orelha com a pressão do ambiente. Nos eqüídeos, este canal possui a forma de uma bolsa, e é denominado divertículo da tuba auditiva (ou bolsa gutural). Esta região está sujeita a processos inflamatórios (empiema das bolsas guturais), e também a infecções ascendentes advindas da faringe.

Por fim, os veterinários precisam conhecer a anatomia do meato acústico externo dos animais domésticos, que possui a forma de uma letra “L” (isto é, possui uma porção vertical e uma porção horizontal, diferentemente do conduto auditivo humano, que é retilíneo). Desta forma, a utilização do otoscópio para visualização da membrana do tímpano precisa ser realizada com uma ponteira longa e apropriada para veterinária, capaz de adentrar a porção vertical e, posteriormente, a porção horizontal deste “L”, antes de evidenciar o tímpano.

Órgão da visão:

Antes de iniciar a descrição do órgão da visão, é necessária uma consideração quanto aos termos de direção aplicados ao estudo do olho. Devido ao seu posicionamento anatômico semelhante ao do olho humano, utiliza-se o termo anterior em substituição ao termo cranial, o termo posterior em substituição ao termo caudal, o termo superior em substituição ao termo dorsal, e o termo inferior em substituição ao termo ventral.
Os receptores dos estímulos visuais estão localizados na retina, que possui continuidade com o II par de nevos cranianos (óptico), responsável por conduzir estes estímulos ao cérebro, precisamente ao lobo occipital, onde são interpretados.

O órgão da visão é dividido em bulbo do olho (ou globo ocular) e estruturas acessórias do bulbo.


O bulbo do olho é constituído por três camadas ou túnicas: a mais externa é denominada túnica fibrosa, a média é a túnica vasculosa (ou úvea, como é conhecida na clínica) e a mais interna, a túnica nervosa.

A túnica fibrosa é constituída pela córnea (a parte transparente do olho) e pela esclera (parte branca do olho). A transição entre estas duas partes é denominada limbo. Esta túnica fibrosa é importante para dar forma ao olho. A córnea é pobremente vascularizada (sendo nutrida, então, externamente pela lágrima e internamente pelo humor aquoso), e possui também pouca inervação. O limbo tem maior concentração de vasos sanguíneos e nervos.

A túnica vasculosa compreende a íris (parte colorida do olho, que se torna visível externamente devido à transparência da córnea), o corpo ciliar e a coróide. O centro da íris possui um orifício para a passagem da luz: a pupila. A contração ou dilatação da íris controla a passagem da luz, determinando a intensidade com que chegará á retina. As digitações existentes atrás da íris constituem o corpo ciliar, e que auxiliam na fixação e movimentação da lente (cristalino), à qual se fixa por meio de fibras zonulares.

A movimentação da lente (abaulamento) permite a acomodação da visão para perto e para longe (a lente, embora fundamental neste processo de acomodação das imagens visuais, não faz parte da túnica vasculosa, e será mais bem descrita juntamente com os meios dióptricos, a seguir).

Na transição entre íris e corpo ciliar ocorre, também, a produção do humor aquoso, que se deposita primeiramente na câmara posterior (entre a lente e a íris), avançando pela pupila em direção à câmara anterior (entre a íris e a córnea) e banhando desta forma toda a íris; a drenagem deste líquido é constante e realizada na transição entre a íris e a córnea, o ângulo irido-corneal. Caso haja drenagem deficiente, a pressão intra-ocultar aumenta, levando ao glaucoma.

Finalizando a túnica vasculosa, a coróide reveste internamente toda a esclera, sendo ricamente vascularizada e possuindo uma camada refletora de luz, conhecida por tapete lúcido (deficiente nos suínos). Devido ao tapete lúcido, os animais que o possuem são capazes de praticamente “duplicar” a intensidade luminosa que impressiona sua retina, devido à reflexão desta luz, favorecendo a visão noturna.

A túnica nervosa é constituída pela retina. A retina possui os receptores da visão (cones e bastonetes) e necessita ficar constantemente justaposta à coróide, revestindo-a internamente (falhas nesta justaposição são conhecidas por descolamento de retina). Há pontos cegos na retina, isto é, pontos incapazes de captar estímulos visuais: logo atrás do corpo ciliar e na chegada do nervo óptico, uma região conhecida por disco do nervo óptico. Embora não se descreva para os animais domésticos, certas aves e os seres humanos possuem na retina um ponto de maior acuidade visual, conhecido pelo nome de mácula.


Os meios dióptricos (ou refratários) são componentes transparentes e abaulados fundamentais para a refração da luz, para que esta impressione corretamente a retina. São eles, em sequência, do mais externo para o mais interno: a córnea, o humor aquoso, a lente e o humor vítreo (este último localizado na câmara vítrea, compreendida entre a lente e a retina; além de atuar na refração da luz, auxilia na manutenção da retina em justaposição à coróide devido à pressão que exerce sobre a retina).

As estruturas acessórias do bulbo compreendem as pálpebras (superior, inferior e terceira pálpebra), as glândulas lacrimais e os músculos extrínsecos do olho. Tais músculos têm a função de movimentar o globo ocular. São eles:

- Músculo oblíquo dorsal: possui trajeto de medial para lateral, fazendo uma curvatura (na região de uma tróclea) que lhe confere o aspecto de uma letra “J”. É inervado pelo IV par de nervos cranianos (troclear), e movimenta o olho dorsal e lateralmente.

- Músculo oblíquo ventral: também possui trajeto oblíquo, mas suas fibras já se originam de forma inclinada, não havendo tróclea associada a ele. É inervado pelo III par de nervos cranianos (oculomotor), e responsável pela movimentação do olho em direção lateral e ventral.

- Quatro músculos retos: reto dorsal, reto ventral, reto medial e reto lateral. Estes músculos se inserem no bulbo do olho de forma retilínea, e são inervados pelo III par de nervos cranianos (oculomotor), exceto o músculo reto lateral, que é inervado pelo VI par de nervos cranianos (abducente). Cada músculo traciona o olho na direção em que está inserido.

- Músculo retrator do bulbo: inexistente nos seres humanos e em qualquer mamífero que não possua terceira pálpebra, este músculo tem a função de tracionar o bulbo do olho em direção ao interior da órbita. É inervado pelo VI par de nervos cranianos (abducente).

A produção da lágrima é feita pelas glândulas lacrimais. As principais glândulas lacrimais localizam-se dorso-lateralmente ao bulbo do olho, mas são auxiliadas por outras glândulas, as tarsais e da terceira pálpebra. A lágrima é constantemente produzida e drenada para o vestíbulo nasal, por meio do ducto naso-lacrimal.

***
Aula proferida pelo Prof. MSc. Marcelo Fernandes de Souza Castro em 07/11/11



Transcrição da Profa. MSc. Ana Grabner


Compartilhe com seus amigos:


©aneste.org 2020
enviar mensagem

    Página principal
Universidade federal
Prefeitura municipal
santa catarina
universidade federal
terapia intensiva
Excelentíssimo senhor
minas gerais
união acórdãos
Universidade estadual
prefeitura municipal
pregão presencial
reunião ordinária
educaçÃo universidade
público federal
outras providências
ensino superior
ensino fundamental
federal rural
Palavras chave
Colégio pedro
ministério público
senhor doutor
Dispõe sobre
Serviço público
Ministério público
língua portuguesa
Relatório técnico
conselho nacional
técnico científico
Concurso público
educaçÃo física
pregão eletrônico
consentimento informado
recursos humanos
ensino médio
concurso público
Curriculum vitae
Atividade física
sujeito passivo
ciências biológicas
científico período
Sociedade brasileira
desenvolvimento rural
catarina centro
física adaptada
Conselho nacional
espírito santo
direitos humanos
Memorial descritivo
conselho municipal
campina grande