Este mundo tenebroso parte 2



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Este Mundo Tenebroso - Parte 2

Frank E. Peretti

Categoria: Ficção espiritual

Título original em inglês: Piercing the Darkness

Tradução: Wanda Assumpção

© 1992, por Editora Vida.

ISBN 0-8297-1664-5

Digitalizado, revisado e formatado por SusanaCap

www.portaldetonando.com.br/forumnovo/


A Gene e Joyce,

papai e mamãe,

pela herança que me deram e

pelo constante encorajamento.

***

"A luz resplandece nas trevas, e as trevas não

prevaleceram contra ela."

João 1:5


***

1


Poderia ter começado em qualquer cidade. Baskon não era nada especial, apenas uma dessas cidadezinhas rurais afas­tada da rodovia interestadual, nada mais do que um pontinho vazio no mapa rodoviário, com indicadores de saídas que ofereciam gasolina, nenhuma acomodação, talvez algum alimento se o lugar estivesse aberto, e pouca coisa mais.

Mas começou em Baskon.

Era uma noite normal de terça-feira. O dia de trabalho havia chegado ao fim, o jantar estava pronto na maioria das casas, as lojas fechavam-se, o botequim se enchia. Todos os empregados da Fábrica de Portas Bergen haviam batido o ponto de saída, e o guarda-noturno examinava as fecha­duras. O filho do Sr. Myers recolhia na Casa Myers de Sementes e de Agricultura todos os cortadores de grama e as enxadas rotativas. As luzes piscavam pela última vez na mercearia local. Dois senhores aposentados, sentados em frente da barbearia, passavam suas horas ociosas.

Os campos e sítios bem em frente à estrada de Toe Springs-Claytonville tornavam-se mais quentes e verdes a cada dia, e agora a brisa vespertina trazia os odores próprios de meados de abril — flores de macieiras e cerejeiras, terra arada, um pouco de lama, algum gado, um pouco de estéreo.

Era uma noite normal de terça-feira. Ninguém esperava nada extraor­dinário. Ninguém viu ou ouviu coisa alguma. Nem poderia.

Mas o rebuliço começou atrás de uma sombria casinha de aluguel logo ao sul da sede do sítio de Fred Potter — um adejar, um alvoroço, uma confusão, e depois um brado, um guincho comprido, sinistro, um lamento ecoante, lacrimoso, que penetrou desabalado a floresta como um apito de trem percorre a cidade, alto, abafado, movendo-se por aqui e por ali através das árvores como um animal caçado; a seguir o brilho de uma luz, uma bola de fogo piscando e ardendo através da floresta, movendo-se com velocidade ofuscante, logo atrás daquela sirene, quase em cima dela.

Mais gritos e berros, mais luzes relampejantes! De súbito, a floresta se encheu delas.

A floresta findava abruptamente onde o Laticínio Amhurst começava. A caçada saiu a campo aberto.

O primeiro a sair foi um inseto, um morcego, uma coisa negra, olhos saltados, as asas escuras rodando, o hálito despejando para fora como uma longa fita amarela. Ele simplesmente não conseguia voar com rapidez suficiente, mas arranhava o ar com os braços fininhos e compridos, desesperado em busca de velocidade, e berrando em pânico total.

Logo atrás dele, muito perto, perigosamente perto, o próprio sol explodiu para fora da floresta, um cometa brilhante, com asas de fogo traçando uma trilha reluzente e uma espada de relâmpago estirada em maciças mãos de bronze.

A coisa negra e o cometa arremeteram ao céu sobre Baskon, ziguezagueando, atirando-se para cá e para lá como desenfreados fogos de artifício.

Então a floresta, como uma fila de canhões, vomitou mais das horrendas criaturas, pelo menos vinte, cada qual fugindo em puro pânico, com um vulto ofuscante e flamejante a persegui-las tenazmente, espalhando-se em todas as direções como louca chuva de meteoros em reverso.

O primeiro demônio chegava ao fim de seus truques e manobras; já podia sentir o calor da lâmina do guerreiro nos calcanhares.

Com violência, ele proferiu por sobre o ombro:

— Não, volte, já estou indo!

A lâmina chamejante cortou um arco através do ar. O demônio rebateu-a com a sua e o golpe o fez sair rodopiando. Ele corrigiu com as asas, voltou-se e enfrentou o atacante, berrando, xingando, aparando golpe após golpe, fitando os olhos ardentes de mais poder, mais glória, mais santidade que jamais havia temido antes. E podia ver naqueles olhos que o guerreiro jamais retrocederia. Jamais.

O demônio murchou antes mesmo que a lâmina desse o último golpe; deslizou da terra, do mundo da humanidade, para dentro das trevas exteriores, sumindo num tufo revoluteante de fumaça rubra.

O guerreiro voltou-se e ganhou maiores alturas, revolvendo sua longa espada acima da cabeça, traçando um círculo de luz. Ele ardia com o calor da batalha, o fervor da retidão.

O mesmo fervor consumia seus companheiros, que derrubavam demô­nios do céu como insetos pútridos, abatendo-os com fortes espadas, perseguindo-os obstinadamente, sem dar ouvidos a nenhum apelo.

À direita, um espírito comprido, coleante, lançou mais um golpe violento ao seu assaltante celestial antes de crispar-se fortemente em agonia e desaparecer.

À esquerda, um diabrete fanfarrão, gabola, maldizia e provocava seu oponente, enchendo o ar com blasfêmias. Era rápido e confiante, e começava a achar que poderia prevalecer. A cabeça rodopiante deixou-lhe o corpo enquanto a risada orgulhosa ainda lhe retorcia a cara, e então ele desapareceu.

Havia sobrado um. Esse rodopiava, revirando sobre uma asa boa.

— Irei embora, irei embora — rogou ele.

— Seu nome? — ordenou o anjo.

— Desespero.

O guerreiro mandou o demônio pelos ares com a parte chata de sua lâmina, e ele fugiu, se foi, porém ainda capaz de operar maldade.

E então terminou. Os demônios se haviam ido. Mas não cedo o bastante.

— Ela está bem? — perguntou Natã, o árabe, embainhando a espada.

Armoth, o africano, havia verificado. — Está viva, se é isso o que você quer saber.

O poderoso polinésio, Mota, acrescentou: — Ferida e assustada. Ela quer ir embora. Não esperara.

— E agora Desespero está livre para atormentá-la — disse Signa, o oriental.

Armoth replicou: — Então a coisa começou, e não haverá como detê-la.



***

Sally Roe, caída na grama, agarrava o pescoço, arquejante, inspirando longas, deliberadas golfadas de ar, tentando desanuviar a cabeça, tentando pensar. Uma esfoladura formava um vergão que se erguia em seu pescoço; a blusa xadrez se ia avermelhando como resultado de um ferimento no ombro. Ela não parava de olhar na direção do cercado das cabras, mas nada se movia lá. Não havia sinal de vida, nada sobrara para feri-la.



Tenho de ir embora. Tenho de ir embora. Não posso ficar aqui — não, nem mais um minuto.

Com esforço, ela se pôs de pé e imediatamente recostou-se contra a casa do sítio, seu mundo rodopiando. Ainda sentia náusea, embora já houvesse vomitado tudo duas vezes.



Não espere. Vá. Mexa-se.

Cambaleante, ela subiu os degraus da varanda dos fundos, tropeçou uma vez, mas continuou em frente. Não levaria muita coisa consigo. Não podia. Não havia tempo.

Ed e Mose passavam muito bem, obrigado, simplesmente sentados lá na frente da Barbearia do Max na Rua da Frente, que é o nome que davam à estrada Toe-Springs-Claytonville quando esta atravessava a cidade. Ed tinha sessenta e oito anos, e Mose não contava a quem quer que fosse quantos anos tinha, de forma que ninguém lhe perguntava mais. Ambas as esposas já haviam partido a essa altura — que Deus as tivesse —, os dois homens tinham bons planos de aposentadoria, e a vida para eles se reduzira a um arrastar confortável.

— Não "tão" mordendo a isca, Ed.

— Você devia ter descido mais no rio, Mose. Mais abaixo. Eles ficam ranzinzas tendo de "nadá" até você. Precisa "pegá" eles de bom humor.

Mose ouviu a primeira parte, mas não a segunda. Mantinha os olhos fixos num carro verde que cruzava depressa a cidade, com duas crianças transtornadas no banco de trás.

— Ed, será que não conhecemos aquelas crianças?

— Onde?


— Ora, por que não olha para onde estou apontando?

Ed olhou, mas tudo o que pôde ver foi a traseira do carro e apenas a parte de cima de duas cabeças loiras.

— Bem — disse ele, protegendo os olhos — você me deixou intrigado.

— Oh, você nunca olha quando lhe digo. Sei quem eram. Eram os filhos daquele professor, aquele... uh... como é o nome dele...



***

Irene Bledsoe dirigia à toda pela estrada Toe Springs-Claytonville, trazendo uma carranca que acrescentava pelo menos dez anos ao seu rosto já enrugado. Mantinha as mãos fechadas com força em torno do volante, e o pé no acelerador, impulsionando o carro para diante, quer Rute e Josias Harris gostassem, quer não.

— Vocês dois, fiquem quietos agora! — berrou ela por sobre o ombro. — Podem crer que fazemos isto para o seu próprio bem!

As palavras da mulher não trouxeram o menor conforto a Rute, de seis anos, e Josias, de nove.

Rute continuou a chorar — Quero o papai!

Josias apenas se deixava sentar ali, entorpecido pelo choque.

Bledsoe pisou forte no acelerador. Ela apenas queria sair da cidade antes que houvesse mais encrenca, mais atenção.

Não gostava dessa incumbência. "As coisas que eu faço por essa gente!"



***

Sally saiu para a varanda dos fundos, ainda tremendo, olhando descon­fiada ao redor. Ela havia trocado a blusa e vestia agora uma jaqueta azul. Uma das mãos agarrava a blusa xadrez ensangüentada, embolada, e a outra uma toalha de papel encharcada de óleo de cozinha.

Tudo era silêncio, como se nada tivesse acontecido. Sua velha cami­nhonete esperava. Mas ainda havia mais uma coisa a fazer.

Ela olhou na direção do cercado das cabras, o portão totalmente aberto e as cabras já bem longe dali. Respirou fundo diversas vezes para evitar que a náusea retornasse. Precisava entrar uma vez mais no cercadinho. Simplesmente precisava.

Não demorou. Com o coração disparado, as mãos agora vazias e os bolsos estufados, ela saiu de lá e correu para a caminhonete, entrando desajeitada na cabine. O motor deu uma volta, gemeu, pôs-se a funcionar, e com uma explosão de potência e uma chuvarada de pedriscos, o veículo saiu roncando estrada a fora, rumo à rodovia.

Irene Bledsoe vinha à toda, mas não havia nenhum guarda por perto. Os limites de velocidade eram inadequados de qualquer forma, simples­mente nada práticos.

Ela se aproximava de um cruzamento com sinal de pare nas duas direções, outra idéia idiota para um lugar como aquele, no fim do mundo. Ela tirou um pouco o pé do acelerador e achou que conseguiria atravessar sorrateiramente.

O que! De onde?

Ela meteu o pé no freio, as rodas travaram, os pneus guincharam, a traseira do carro derrapou. Uma idiota numa caminhonete azul atravessou a intersecção dando guinadas violentas para evitar atingi-la.

A pequenina Rute não usava o cinto de segurança; ela bateu com força a cabeça e pôs-se a berrar.

O carro verde derrapou até parar, quase de frente para a direção da qual tinha vindo.

— Fique quieta! — berrou Bledsoe para a garotinha. — Fique quieta agora. Você está bem!

A essa altura Josias também chorava, morrendo de medo. Ele também não havia posto o cinto, e por isso revirou-se lá atrás.

— Vocês dois calem a boca! — berrou Bledsoe. — Tratem de calar a boca agora mesmo!

Josias pôde ver uma mulher sair da caminhonete. Tinha ela cabelo vermelho e um lenço xadrez na cabeça; parecia prestes a chorar, e segurava o ombro. Bledsoe enfiou a cabeça para fora da janela e soltou uma fieira de impropérios à moça. Esta não disse nada, mas Bledsoe devia tê-la assustado. A outra motorista entrou novamente no seu veículo e foi embora sem dizer palavra.

— A idiota! — disse Bledsoe. - Será que não me viu?

— Mas a senhora não parou - disse Josias.

— Não me venha dizer como dirigir, mocinho! E por que seu cinto de segurança não está preso?

Rute ainda berrava, segurando a cabeça. Quando viu sangue na mão, ficou histérica.

Quando a mulher viu aquilo, disse: — Oh, que ótimo! Oh, é mesmo formidável!



***

Cecília Potter, esposa de Fred, achava bom que uma daquelas cabras bobas usasse sininho. Pelo menos assim ela poderia ouvir algo e correr para o jardim antes que elas comessem todas as suas flores.

Os dois filhotinhos saltaram e correram de volta à casa alugada. Quanto à mãe, achava que era dona de qualquer coisa que crescesse, e não era nada tímida a esse respeito.

— Você aí, FORA! — berrou Cecília, agitando os braços fortes. — Longe dessas flores!

A cabra afastou-se só um pouquinho, mas a seguir baixou a cabeça, dando a Cecília uma boa visão de seus chifres.

— Oooh, você realmente me assusta! — exclamou Cecília. Ela correu até o animal, agarrou com punhos enraivecidos a coleira da cabra, e ergueu-lhe as pernas dianteiras do chão ao fazê-la voltear.

— Vai voltar para o lugar de onde veio, e agorinha mesmo, e não pense que pode me assustar! — VAP! — E vamos abaixando esses chifres neste instante!

A cabrita foi com Cecília, grande parte do caminho nas quatro patas, mas em duas se se atrevesse a hesitar, e levou mais de duas orelhadas de sermão pelo caminho.

— Não sei como foi que escapou, mas se pensa que vai correr solta por aqui, está muito enganada! Sally vai ouvir sobre isto! Ela sabe o que precisa fazer! Estou realmente surpresa...

Ela atravessou o pasto entre as duas casas e então viu o cercado das cabras, o portão escancarado.

— Sally! — chamou.

Não houve resposta. Hmmm. A caminhonete não estava. Talvez Sally ainda não tivesse chegado em casa. Bem, então ela se atrasara. Sempre chegava em casa depois do trabalho antes dessa hora. Mas como foi que o portão se abriu?

Ela arrastou a cabrita ao seu lado e passou pelo portão.

— De volta ao seu lugar, mocinha. Nada mais desse negócio de querer comer minhas flores.

Ora... quem estaria no barracão?

— Sally?


A cabrita, subitamente livre, passou pelo portão ainda aberto. Cecília não a seguiu.

Ela olhava o corpo de uma mulher, jogado sobre a palha como uma boneca abandonada, flácido e branco.

A mulher estava morta.

***

Natã, Armoth e os outros guerreiros deram lenta rasante sobre a casa do sítio e viram uma Cecília agitada sair correndo do cercado das cabras. Natã acenou aos outros, e com explosivo impulso das asas eles arremeteram para diante, sulcando o céu vespertino com riscos de luz.

Os campos debaixo deles passavam com a velocidade do pensamento, e em seguida o dossel verde da floresta os engolia, as folhas e os galhos a açoitar por e sobre eles, à volta e através deles. Eles se atiravam através de sombras e eixos de luz evanescente, através de altos troncos e galhos grossos, emaranhados, até finalmente chegarem à clareira onde o capitão esperava.

Com as asas inflando-se de todo como pára-quedas que se abriam, eles estacaram e assentaram no chão da floresta com o silêncio de flocos de neve. No momento em que seus pés tocaram terra firme, o brilho coruscante de suas túnicas desbotou a um tom branco fosco, as espadas chamejantes se resfriaram a um tom de cobre, e suas asas se dobraram e desapareceram.

Tal, o poderoso Capitão do Exército, de cabelos dourados, esperava, os olhos chamejantes ardendo em expectativa, o rosto firme com a tensão do momento. Ao seu lado estava Guilo, a Força de Muitos, um espírito forte, corpulento, com braços grossos e poderosos, e coração que anelava por uma briga. Vestiam-se de branco fosco como os outros, e traziam tremendas espadas ao lado.

Natã foi gritando seu relatório mesmo enquanto Tal e Guilo se adiantavam para cumprimentá-los.

— Todos os demônios foram expulsos, exceto Desespero.

— Já serve — disse Tal. — Ele que avise os companheiros e depois continue seu trabalho. Há algum outro espírito do Vidoeiro Quebra­do envolvido nisso?

— Diversos. Terríveis, mas derrotados por enquanto. Não vimos Destruidor em parte alguma. Ele enviou seus lacaios e ficou de fora.

— Claro. E que me diz de Sally?

— Sally Roe está fugindo. Sua caminhonete, a diversos quilôme­tros de distância, ruma para o sul na direção de Claytonville. Enviamos Chimon e Scion para segui-la.

— E a assassina? — perguntou Tal.

— Morta, por nossas mãos. Não tivemos escolha. Sally estava morrendo.

Guilo trovejou sua aprovação do ato.

— Como está Sally agora? - perguntou Tal. Armoth relatou:

— Um pequenino ferimento na garganta, um vergão no pesco­ço, um ferimento raso de faca no ombro. Nenhum perigo físico imediato.

Tal suspirou só um tantinho.

— Não, não imediato, pelo menos. E o que me dizem da quase-colisão com Irene Bledsoe?

Natã e Armoth olharam na direção de Signa e o ágil oriental sorriu.

— Escapou, mas por um triz. Rute Harris sofreu pequeno ferimento na testa, mas Sally foi vista claramente por todos no carro, e ela os viu com igual clareza.

Armoth se incumbiu de continuar.

— E agora Cecília encontrou a assassina morta e está chamando a polícia.

Tal precisou de um momento apenas para menear a cabeça ante a imensidão de tudo aquilo.

— Só isso já é notícia o suficiente.

— Capitão — Guilo expressou sua ansiedade com uma risada áspera - nunca antes tivemos a esperança de ver tantas coisas darem certo... quando elas podem dar tão erradas!

Tal olhou para os Céus e sorriu um sorriso cauteloso.

— Podemos esperar que todas dêem certo enquanto os santos estiverem orando, e eles estão.

Houve murmúrios de aprovação por parte de todos. Eles podiam sentir isso.

— Assim — continuou Tal — se tudo der certo, desta vez nós avançamos, nós conquistamos, nós fazemos o inimigo retroceder... Nós conseguire­mos pelo menos mais uma temporada de refreamento da ação deles.

— Mais uma temporada — todos ecoaram.

— Sally deve chegar a Claytonville em segurança tendo Chimon e Scion como acompanhantes. O demônio Terga tem muito por quê responder agora; garanto que enviará alguns espíritos atrás dela para acabar com ela. Mesmo assim, Chimon e Scion têm ordens de não interferir a menos que seja absolutamente necessário.

Mais dor, capitão? Mais destruição? —explodiu Guilo com raiva. — A gente acaba pensando que esses espíritos desgraçados nunca conseguem infligir sofrimento o suficiente!

Tal olhou dentro daqueles olhos escuros, tão cheios do fogo da batalha, e contudo tão ternos para com os eleitos de Deus. —Bom amigo, todos sofremos por ela. Mas o sofrimento dela trará a realização do propósito de Deus, e você o verá.

— Que venha logo — disse Guilo, agarrando com força o cabo da espada. Ele olhou para Natã e incitou-o sarcasticamente: — Você tem notícias mais alegres?

— Sim — respondeu Natã. — De Tom Harris. Ele está na delegacia de polícia agora, tentando ter os filhos de volta, argumentando com o Sargento Mulligan.

À menção do nome de Mulligan, Guilo soltou uma risada retumbante, malévola, e os outros fizeram cara de repugnância. Natã apenas acenou afirmativamente com a cabeça, resignado. Eles tinham razão.

— Portanto, agora chegou o momento de testar a confiança de Tom, a verdadeira prova da sua dedicação — disse Tal.

Eu estarei observando os santos - disse Guilo. -Verei como eles enfrentam essa situação.

Tal tocou Guilo no ombro. — Essa será uma dessas coisas que esperamos dêem certo.

— Oh, que possa dar certo, que possa dar certo.

— Pelo bem de Tom — disse Natã.

— Pelo bem de todos — acrescentou Armoth.

— O que nos traz a Ben Cole — instigou Tal.

— Ele está prestes a entrar nessa história agora mesmo — respondeu Natã.





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