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vida, e deixa transparecer nos retratos, traços fortes de ascen-

dência ameríndia. "Arianistas" foram, de certo modo, Euclydes

da Cunha e, recentemente, os Srs. Oliveira Viana e Jorge de

Lima, nenhum dos quais puramente caucásico em seu tipo físico

ou em sua formação social e de cultura.

Ninguém ousará rzegar que várias qualidades e atitudes psico-

lógicas do homem possam ser condicionadas biologicamente pela

raça. Condicionadas, porém, e não determinadas Xe modo exclu-

sivo ou absoluto. Libertando-nos do determinismo étnico, como

do geográfico e do econômico, e vendo na raça, como no meio

físi(~o e'na técnica de produção, forças que condicionam o descri-

volvímento humano, sem o determinarem de modo rígido e uni-

forme-ao contrário, influencia nd o-se reciprocamente e de ma-

neira sempre diversa-ficamos com liberdade para interpretar êsse

desenvolvimento, segundo a sua propria diriamica.

Muitas das qualidades ligadas à raça, ou ao meio, vê-se então

que se desenvolveram historicamente, ou antes, dinamicamente,

pela cultura, no grupo e no homem. Condicionadas pela raça e,

certamente, pelo meio, ~nas não criadas por uma ou detIerminadas

pelo outro. A raça dara as predisposições; condicionara as espe-

cialízações de *cultura humana. Mas essas especializações desen-

volve-as o ambiente total-o ambiente social mais do que o pura-

mente físico-peculiar à região ou à classe a que pertença o indi-

víduo. Peculiar à sua situação.

Assim o mulato-especialização sobretudo social, com defeitos

aparentemente mentais e de temperamento que, vistos de perto,

se revelam principalmente sociais. E o mulato e, em traços mais

evidentes, o que a raça é, em traços mais pálidos: a negação

do biologicamente estático no homem ou no grupo. A afirmação

mais viva do socialmente dinâmico. A afirmação mais clara da

mobilidade biológica das raças. "A raça é dinâmica", salienta

Díxon Desenvolve-se e altera-se pela renovação de elementos

primordiais da mesma raça ou pelo acréscimo de elementos de

outra raça. E ainda mais dinâmica é a meia-raça: espécie de

classe média em suas atitudes, quando bem equilibrada entre os

extremos.

A mobilidade das raças oferece, nos seus primeiros momentos

de transição-a fase brasileira, que tanto alarmou o Conde de

Cobincau e o Professor Agassiz-aspectos dramáticos. As com-

binações tendem, porém, quando profunda e demorada a mi~ci-

genação, a tipos novos relativamente estáveis que já se esboçam

em certas regiões do Brasil.

0 Professor Hootoli-para quem a miscicrenação cria novas

raças--salienta que se observam em produtos de cruzamento entre

#

raças primárias, combinações e traços que recordam os das gran-



des raças secundárias.23 Por exemplo: tipos cruzados de branco,

negro e índio, que muito se assemelham ao pofinésio, hoje clas-

sificado como raça. É o que já vai sucedendo entre nós, nas regioes

de cruzamento mais lon,~o e maior daqueles três tipos: o novo

tipo adquire traços se --- , hantes aos dos polinésios e esboça ten-

dências para a estabilização em raça. Relativa estabilização, é

claro, porque nem no caso das raças chamadas puras ela é

absoluta.

Para essa relativa estabilização de traços como que provisoria-

mente combinados e não, propriamente, para uma "síntese cul-

tural" que importe em alguma coisa de definitivo, de brônzeo,

de estatuesco, de acabado, é que se dirigem também as culturas

diversas que vêm concorrendo para a formação brasileira, mais

pela reciprocidade que pelo choque de antagonismos. 0 diria-

mismo dessas culturas a se combinarem é ainda maior que o das

raças. Daí muito se dever esperar da penetração da cultura brasi-

leira por elementos de origem italiana, germânica, polonesa, síria,

que-presentes em nossa formação há anos, alguns desde o co-

meço do século XIX-só ultimamente vêm se pondo em contato

íntimo com os elementos tradicionais da mesma cultura.

Os choques de antagonismos na vida social ou cultural do

Brasil são ainda freqüentes: refletem-se na política, estimulando

atritos e rivalidades entre grupos e regiões. Rivalidades entre

"gaúchos" e "baianos"; entre paulístas e "cabeças -chatas". E não

apenas entre brasileiros antigos e neobrasileíros como as fixadas

pelo Professor Coelho de Sousa no seu sugestivo pequeno estudo

Conflíto de Culturas, publicado em Porto Alegre em 1949.

Mas a interpretação desses choques não se pode fazer sob o cri-

tério simplista de confli tos entre raças que fossem biológica ou

psicologicamente incapazes de se entenderem e de se conciliarem.

Como não se pode fazer pelo critério, igualmente simplista, da

pura 1uta de classes" dos marxistas rigidamente ortodoxos que

chegam a ver no paulista, por exemplo, apenas o "capitalista

colonizador" e nos brasileiros do Norte, apenas a "massa colonial".

A disparidade entre subgrupos, numa sociedade como a bra-

sileira, vem, antes do conflito entre as fases ou os momentos de

cultura que, encarnados a princípio pelas três raças diversas,

hoje o são por populações ou "raças 11 puramente sociais e tam-

bém por diferenças i, -,ioiiais de progresso técnico. E ainda pela

maior ou menor facilidade de contatos sociais e intelectuais, com

estran(reiros e entre si, de grupos ou regiões, de i.' rupos e de

Além do que a disparidade procede *das distâncias sociais,

ainda grandes, que se acentuaram, no Brasil, desde a era co-

lonial, entre esses grupos e entre essas regiões, com o desenvol-

vímento da economia industrial em certas regiões, em benefício

de minorias econômica e politicamente poderosas. Desenvolvi-

mento favorecido or condições ecológicas de solo, de terra, de

clima que não poáern ser perdidas de vista pelo intérprete dos

contrastes brasileiros.

#

As cidades industrializadas, sob o favor decisivo dessas ou de



outras circunstâncias, passaram a conservar, dentro delas, no alto

dos morros, à sombra dos seus bueiros de fábricas e de usinas,

mucambarias e favelas profundamente diferenciadas da parte

nobre da população. Uma espécie de inimigos à vista: de mouros

sempre na costa. Ou nos morros, como no Rio de janeiro, ou nos

manjues, como no Recife. Populações diferenciadas de tal modo

da ominante pela diversidade de condições materiais de vida

-coincidindo essas condições pelas conseqüências da escravidão,

com a diversidade de cor ou de raça-que a configuração de

grupo, e não de raça, e que provisoriamente, pelo menos, se

mostra mais viva entre os brasileiros: os da área mais europei-

zada com relação aos das manchas, não tanto de sangue, como

de vida mais africana ou, culturalmente, mais elementar. Os de

classe explorada com relação aos de classe--e não rigorosamente

raça-exploradora.

Mesmo, porém, a essa fase de maior difererriação social entre

sobrados e mucambos, correspondente à maior desintegração do

sistema patriarcal entre nos, não têm faltado elementos ou meios

de intercomunicação entre os extremos sociais ou de cultura. De

modo que os antagonismos que não foiam nunca absolutos, não

se tornaram absolutos depois daquela desintegração. E um dos

elementos mais poderosos de intercomunicação, pelo seu dina-

mismo de raça e, principalmente, de cultura, tem sido, nessa fase

difícil, o mulato.

0 encontro de culturas, como o de raças, em condições que

não sacrifiquem a expressão dos desejos, dos gostos, dos inte-

resses de uma ao domínio exclusivo de outra, parece ser parti-

cularmente favorável ao desenvolvimento de culturas novas e

mais ricas que as chamadas ou consideradas puras. A desvanta-

gem maior, do ponto de vista desse desenvolvimento, está justa-

mente no isolamento ou na distância social que dificulte as opor-

tunidades de contato de um grupo com os outros, de uma raça

com as outras. Por isto, Lars Ringborn vê no mestiço a melhor

solução para os extremos de indivi ualismo ou de coletivismo, nas

grandes raças e nas grandes culturas, que ele considera puras .24

#

()QV



0 Professor Hooton, por sua vez, lembra que o Egito chegou

à sua riqueza extraordinária de civilização pela miscigenação pro-

funda: sobre o fundo de raça mediterrânea, o elemento negro, o

armenóide e possivelmente o nórdico. A Grécia também: uma

mistura de mediterrâneos, armenóides, nórdicos e provavelmente

alpinos. À formação de Roma concorreram mediterrâneos, nór-

dicos e alpinos.25

Os puristas de raça não devem esquecer-se desses muitos exem-

plos de enriquecimento de cultura regional ou nacional pela mis-

cigenação. Um deles, o Professor Günther,26 admite no grupo

de genios que procurou estudar antropologicamente, dentro da

teoria de que a capacidade de invenção e criação e su rema nos

nórdicos, sangue de outras raças, ao lado do sangue nórSico-rara-

mente encontrado triunfalmente puro, mesmo nos heróis dos

países chamados nórdicos, Porque meio-sangue foi Lutero; meio-

-sangue, Schopenhauer; meio-sangue, Schumann; meio-sangue,

Ibsen. Mas o sal dos países nórdico-alpínos e nórdico-mediterrâ-

neos seria, para Günther, o sangue nórdico; a força daqueles

gênios, estaria na metade de sangue nórdico em suas veias de

híbridos. Argumento perigoso e frouxo. Ao mesmo tempo que

reconhece a vantagem do cruzamento-pelo menos entre raças

menos distanciadas nos seus caraterísticos somáticos e nas suas

especializações psicológicas-dá a Hertz o direito de pereruntar

com toda a fleuma: "Mas se é verdade que a cultura da Grécia,

a de Roma, a da Itália, a da Espanha, a dos eslavos é criação

dos elementos nórdicos que entraram na formação desses povos,

por que então o começo de todas essas culturas não foi nos

centros de origem dos nórdicos-na Escandinávia e no norte da

Alemanha? Por que essas regiões só fizeram seguir, em épocas

relativamente recentes, os caminhos abertos pelos povos híbridos

do SU]?"27

No Brasil, uma coisa é certa: as regiões ou áreas de mestiça-

mente mais intenso se apresentam as mais fecundas em grandes

liornens. A nossa Virgínía duiante a monarquia, a mãe de grande

parte dos presidentes de conselho e dos ministros de Estado

foi-a comparação já tem ocorrido a mais de um estudioso da

formação política do Brasil e não tem pretensão nenhuma a

original-a Bahia, penetrada não só do melhor sangue que o

tráfico negreiro trouxe para a América como da culttira mais

alta que trarismitiu da África, ao continente americano. A cha-

mada Atenas brasileira, o Maranhão, foi outra sub-re-iao de mes-

tiçarnento intenso, com seus muitos curibocas idealizados ou ro-

inantizados em caboclos. 0 maior deles, Conçalves Dias. NIinas

Gciais foi ainda outra área de mesticarnento inten~o, corri pre-

dominàricia do negro sobre o índio c~ntre os elementos de cor.

Em contraste com os rio-grandenses-do-sul, mais brancos e tão

cheios de radicalismos e de intransigências nas suas atitudes po-

líticas-excetuados os mestiços da area inisioncra: caboclos dos

#

quais o ensino J . esuítico fez uma espécie de mulatos introver-



tidos ou apolíneos, pelo untuoso dos modos, pelo diplomático

das atitudes-os homens da região de maior e mais profundo amal-

gamento de raças, alguns deles mulatos, vários negróides, têm

levado para a administração pública em nosso País, para a po-

lítica, para a diplomacia, para a direção da Igreja Católica, uma

sabedoria de contemporização, um senso de oportunidade, um

equilíbrio que fazem deles os melhores pacificadores, os melhores

bispos, os diplomatas mais finos, os políticos mais eficientes.

E sem desprimor nenhum para a nossa Marinha de Guerra,

recordaremos ainda uma vez que tendo-se constituído ela no

maior viveiro de brancos ou quase-brancos no Brasil apresenta

número relativamente insignificante de grandes homens. Nem

mesmo um professor de matemática da estatura de Benjamim

Constant. Saldanha da Gama e Jaceguay foram antes duas belas

figuras de gentis-homens que dois autênticos grandes homens.

Barroso e Tamandaré, dois burgueses gentis-homens, aos quais

não faltava bravura que lhes suprisse a pobreza de imaginação

marcial. 0 contraste com o Exército, de oficialidade, há anos,

em grande parte mestiça e até negróide, imediatamente se impõe.

E com o contraste, a idéia de que, pelo menos no sentido de

melhor correspondência com o meio brasileiro e de adaptação

mais fácil e talvez mais profunda aos seus interesses, aos seus

gostos, às suas necessidades, o mestiço, o mulato, digamos deli-

cadamente, o moreno, na acepção já assinalada por Sylvio Ro-

mero, parece vir revelando maior inteligênca de líder que o

branco ou o quase-branco.

Não é mais o caso da ascensão de mulatos ou de mestiços à

sombra do domínio social, Ja agora em declínio, dos brancos e

n

dos quase-brancos das casas-grandes e dos sobrados patriarcais.



É o triunfo mais largo e menos individual do mestiço, do curi

boca e, principalmente, do mulato, do meia-raça, do caldeado

no sangue ou na cultura, através de melhor correspondência não

diremos de caráter rigidamente psicológico-derivando essa cor

respondência de imposições biológicas-mas socialmente psicoló-

c

gíco, entre o líder mestiço e a massa, em sua maioria também



mestiça. Biológica ou sociologicaniente mestiça. Pois considerá-

veis grupos de populações meridionais do Brasil, cuja situação

de fillios de italianos, poloneses, alernaes, sídos, japoneses asse-

melha-se psicológica e sociol()(ric,,iiiieiite--(,nil)ora não cultural-

mente-à de Musticos, dão exteri,ão socio~Ó',ica à Carat(-rizacão

assa biasileini coino niáss, ' ' -e os dois-indi-

a 111estica. 11 1 enti

d a m,,


#

'30BRADOS E MUCAMBOS - 2-- 'I'OMO

víduo mestiço e massa mestiça, dentro do sentido antes socioló-

gico que biológico aqui atribuído à condição de mestiço-uma

espécie de maçonaria, uma lin£luaQem secreta como a dos namo-

rados e a dos pedreiros-livres. Dc~nde a incompreensão da parte

da massa em torno de "europeus" como, no fim do Império,

foram os próprios "ingleses do Sr. Dantas" e a sensibilidade a

atitudes revolucionárias ou rebeldes de "mestiços" se não no

sangue, na personalidade, como foram Castro Alves, Feitosa, José

Mariano, Saldanha Marinho, José do Patrocínio, Luís C6a,

Nilo Peçanha, Francisco Glycerio, Tobias Barreto.

Mas esse e outros aspectos da relação entre a desintegração

do sistema patriarcal no Brasil, cujo poder foi encarnado prin-

cípalmente em homens brancos ou quase-brancos e de cultura

uase exclusivamente portuguesa e Católica, e o desenvolvimento

e uma sociedade ao mesmo tempo mestiça e vária na sua com-

posição étnica e cultural e predominantemente individualista na

sua organização de família, serão estudados-ou, pelo menos,

considerados-em ensaio próximo.

NOTAS AO CAPITULO XII

Vournal o7 the Afrícan Society, IV, Londres, 1930.

2Para as idéias de C. B. Davenport sobre miscigenação, vejam-se os

seus ensaios Heredity in Relation to Eugenics, Nova Iorque, 1911, e Race

Crossing in jamaica (de colaboração com Morris Steggerda), Washington,

1929. Veja-se também, sobre o assunto, o estudo do"Professor Otávio Do-

mingues, a Hereditariedade em Face da Educação, São Paulo, s. d.

3E. B. Reuter, The American Race Problem, Nova lorque, 1927. Sobre

o mesmo problerna-o de raça-encarado do ponto de vista brasileiro e

dentro das constantes da formação brasileira, veja-se o estudo do Professor

Roquette-Pinto "Notas Sobre os Tipos Antropológicos do Brasil", Anais do

1.' Congresso Brasileiro de Eugenia, Rio de janeiro, 1929.

4ÁIvaro de Faria, "0 Problema da Tuberculose no Preto e no Branco

e Relação da Resistência Racial" (estudo apresentado ao 1.' Congresso

Afro-Brasileiro, Recife, 1934).

551estre no assunto é o Professor Melville J. Herskovits com seu The

American Negro: a Study in Racial Crossing, a lorque, 1928. 0 Profes-

sor Herskovits, nos últimos anos, vem se int,-i~ ando pela situação do des-

cendente de africano no nosso País, no que tem recebido valioso aux~lio

do seu aluno brasileiro, Professor Renê Ribeiro.

6UIisses Pernambucano de Melo e seus colaboradores iniciaram ern Per-

nambuco, sob o estímulo do Congresso Afro-Brasileiro reunido no Recife em

1

1934, com aplausos de Franz Boas e de outros antropólogos eminentes, o es-



tudo de doenças mentais e atividades religiosas on para-religiosas entre as

663


populações de sangue ou cultura mais acentuadamente africana daquela par-

#

te do Brasil, estudos que vêm sendo continuados com entusiasmo e paciên-



cia pelo Professor René Ribeiro, discípulo também do Professor M. J.

Herskovits.

7Ao referido Congresso Afro-Brasileiro do Recife (1934) o folclorista

Rodrigues de Carvalho apresentou interessante estudo, com numerosas tro-

vas, quadras e reparos populares sobre a situação do negro em face da

do branco e da do ameríndio, na sociedade brasileira.

8Pereira da Costa, Folclore Pernambucano, Rio, 1908.

gArtur Ramos, 0 Folclore Negro no Brasil, Rio de janeiro, 1935. Ve-

jam-se do mesmo autor o excelente estudo As Culturas Negras do Novo

Mundo (Rio de janeiro, 1937) que o consagrou a maior autoridade bra-

sileira no assunto e os capítulos XIV a XIX de sua Introdução à Antropo-

logia Brasileira, Rio de janeiro, 1947, vol. II.

1OGeorge Readers, Le Cornte de Gobineau au Brésil, Paris, 1934.

1ISérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil, 2.' ed., Rio de janeiro,

1947, pág. 213.

12G. Readers, op. cít.

13CIlberto Amado, Grão de Areia, cit., págs. 136-137.

145érgio Buarque de Holanda, op. cit., pág. 217.

15Luís Robalinho Cavalcanti, "Longevidade-Sua Relação com os Grupos

Êtnicos da População" (trabalho apresentado ao 1.0 Congresso Afro-Brasi-

leiro, Recife, 1934).

16Mário Filho, 0 Negro no Foot-ball Brasileiro, Rio de janeiro, 1945.

17já nos referimos, em nota anterior, a debates no Parlamento do Im-

pério (sessão de 1846) em tomo do problema dos filhos naturais. Recorda-

remos aqui que um dos discursos mais interessantes sobre o assunto foi o

de Rebouças a 15 de maio, contestado por Sousa Martins a 18 do mesmo

mês. Sousa Martins salientou: "... entre m~s os filhos naturais são em maior

número do que em quase todas as nações da Europa: conseqüência inevi-

tável do sistema de escravidão estabelecido entre nós, efeito necessário (Ias

duas raças, das quais uma é possuída pela outra como cousa e não como

pessoa ...

18Azevedo Amaral, em 0 Brasil na Crise Atual (Rio de janeiro, 1935,

pág. 253).

IgAzevedo Amaral, op. cit., cap. VIII, dedicado ao estudo do "conflito

de culturas" no Brasil.

2OVeja-se o estudo da "cultura" em relação com "ciilturas" em Wilfrid

D son Hamblv, Source-Book for African Anthropolo,-iI, Chicago, 1937. Ve-

Y

ja-se também sobre o assunto Oliveira Viana, InstittÚç,-)es Politicas Brasilciras,



Rio de janeiro, 1949, 1, capítulo II, intitulado "Ciiltxira e PancultuTalisnio"

onde o eminente sociólogo brasileiro se pós em dia com os modernos cri-

térios de interpretação cultoral dos fatos soci,li,,, iiilil,;kc 1,)111 a ~ílit(se

#

664



UILBERTO kREYRE

de Franz Boas, Race, Language and Culture (Nova Torque, 1940) e a de

B. Nfalinc,Nvski, A Scientific Theory of Culture (Chapel Hill, 1944).

210 "arianismo" do sociólogo Oliveira Viana parece ter sofrido modi-

ficações sob a influência da expansão de suas leituras e estudos, nos seus

últimos anos. É assim que, em vez do seu anunciado "Os Arianos no Brasil",

publicou, pouco antes da sua morte, excelente estudo, o já referido Insti-

tuições Políticas Brasileiras, em dois volumes, em que se nota seu contato

com o culturalismo e o funcionalismo, de sentido contrário a qualquer aria-

nismo ou etnocentrismo sectário.

220 historiador Manuel Duarte, em Província e Nação (Rio de janeiro,

1949), mostra que os movimentos revolucionários no Sul e no Norte do

Império, durante os primeiros anos da Independência, nem sempre se

processaram independentemente uns dos outros.

23E. A. Hooton, Up from the Ape, Nova Iorque, 1931, pág. 429.

24Lars Ringbom, The Renewal of Culture, trad., Londres, s. d.

25Hooton, op. cit., pág. 458.

260 critério arianista de interpretação sociológica e histórico-social das

nações é apresentado vigorosamente por H. F. K. Günther, em Rassenkunde

des Deutschen Volkes, 11.a ed., Munique, 1927.

27F. Hertz, Rasse und Kultur (trad. em inglês por C. S. Levetus e W.

Entz sob o título Race and Civilization, Londres, 1928). No Brasil, o cri-

tério arianista e antimulatista, abandonado, ao que parece, pelo distinto

sociólogo Oliveira Viana, foi defendido até o fim dos seus dias, com admi-

rável bravura literária, pelo historiador Alberto Rangel que, sob esse cri-

tério, ao lado de altos elogios, fez severas restrições a este ensaio em carta

que em 1936 dirigiu ao então secretário da Embaixada do Brasil em Lon-

dres e também ilu~tre homem de letras Caio de Melo Franco e de que

este gentilmente nos enviou cópia.

já publicara, então, de Alberto Rangel, a Revista Nova (São Paulo, 15

o

de novembro, 1931, ano I, n." 4, pálg. 517) "extratos de correspondência"



sobre ---omulatismo nacional" onde se dizia:

"Amargo e tristérrimo o quadro que V. me traça do momento brasi-

leiro. Todas as instituições do Brasil sofrem do vício capital que a expe-

riência humana vê decorrente do cruzamento do negro e do indo-europeu.

Letras, moral, política, administração, sociabilidade não podiam ficar pelas

curnewlas, forçam-nas ladeira abaixo os influxos dessa mistura nas veias dos

in(lividuo,, cuJa en(,r,-,ia não tern calma, nern autoridade, nem alvo que a

dignifi(i,lez Cujo c,pirito s(~ inarelia aos saltos e em superfície ...

"0 nictedm e ainalucado Rodrigues de Carvalho, Barbacena, Cachoeira

e 111~ti11m11( (Ia Roclia ent111 in111atos. 0 General Morais, servilíssimo ins-

t111 !n, nto na clis,olução da Conoituinte e lambe-pratos da Doni:tÍla, mula-

t o t,1"~t"

,,i~o de imu-mmis, lÂnia e Sil\a (lo 7 ele abril tinha de dirigir-se

Um 1"-)-) ~lo 111unino 1à-te~ terinos, uni que ~acudinüo , sua clubata

de ,~. r, ~t ntç ~i, Ilia~à humproInLando o uzo do beij~: -)~i-




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