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dos lßbios. Um processo c¶modo da Ýntitulada "arianizaþão", da

teoria de Oliveira Viana,

Os an³ncios dessa arte, ind·stria ou comÚrcio de arianizaþÔo são

numerosos nos jornais brasileiros dos ·ltimos decÛnios do sÚculo

XIX. Acentuaram-se nos ·ltimos anos do mesmo sÚculo, quando n

vantajoso comÚrcio se vulgarizou em ativÝdade de mascates. Pas-

saram estes a percorrer o interior do Brasil, recolhendo dos Ýnte-

ressados dados carnavalescamente antropol¾gicos para o aumento

e sobretudo a coloraþão de fotografÝas comuns. Um dos an·ncios,

jß do fim do sÚculo XIX, chega a ser admirßvel do ponto de

vista da arte ou da psicologia da rÚclßme comercial: "Qualquer

pessoa que desejar um lindo e perfeito retrato Ú bastante mandar

um pequeno retrato em cartão de visita, não importa que seja

antigo, basta dizer a cor dos olhos e dos cabelos para chegar

um retrato perfeito e muito lindo para um presente ou sala de

visita." An·ncio de que se encontra em jornais da Úpoca a va-

riante: "Qualquer pessoa pode ter o retrato de um parente ou

amigo em sua sala de visita, ou para fazer um presente, mandando

um pequeno rÞtrato em cartão de vizita, nÔo importa que seja

antigo Ú bastante dizÚr a cor dos olhos e do cabello para chegar

um retrato muito perfeito e a gosto da pessoa que encommendar.'74

A voga de "fotografias coloridas" en³e n¾s explica o fato de,

aÝnda hoje, encontrarem-se em salas de vÝsÝtas de famÝlias reconhe-

cidamente negr¾ides nas suas origens retratos de patriarcas jß mor-

tos que, tendo sido mulatos ou quadrarÓes evidentes, nos dÔo Ó's

vezes a idÚia, nas suas fotografias apoiogÚticas qando nÔo angÚ-

licas, daqueles "europeus degradados pelos tr¾picos", a que se re-

Sossvos E MoceMsos - 2.░ ToNro 625

feriu, certa vez, o escritor Mßrio Pedrosa. ╔ que a fotografia

nem sempre pode servir, em tais casos, de "tira-teima". Torna-se

c·mplice da mistificaþão.

NOTAS AO CAPfTULO XI

lPrÝncipe Maximiliano Neuwied, Travels in Brazil fn 1815, 1816, and

1817, trad., Londres, 1820, pßg. 31.

2Sobre o carßter feudal ou quase-feudal da sociedade escravocrßtica

brasileÝra, particularmente da pernambucana-ponto jß ferÝdo em capÝtulo

anterior-veja-se o Conde de Suzannet, Souvenirs de Voyabes, Paris, 1846,

pßgs. 409-412. Leia-se, tambÚm, sobre o assunto, a excelente "Revista

Retrospectiva" publicada em O Progresso, Recife, novembro de 1846, pßg.

207, por E. R. e onde se lÚ sobre a grande propriedade feudal em Per-

nambuco: "O proprietario ou rendeiro occupa uma parte dellas [proprie-

dades] e abandona, mediante pequena paga, o direito de permanecer n'outra

e de cultival-a, a cem, duzentas e, algumas vezes, a quatrocentas familias

#

de pardos ou pretos livres dos quaes se toma protector natural; mas delles



exige obediencia absoluta e sobre elles exerce o mais completo despotismo

[....]. Assim, estes novos barÓes feudaes, quando as suas propriedades se

acham mais distantes da capital da provincia, vivem numa Ýndependencia

complÚta, fazendo justiþa a si proprios, e algumas vezes armando os seus

vassallos e em guerra aberta entre si, a despeito das ordens do governo

e das sentenþas dos juizes . . . ' ( pßg. 208 ) .

gClßudio Manuel da Costa, citado por Sylvio Romero, Martins Pena

( P¶rto, 1901 ), pßg. 142. Alvarenga Peixoto, "Canto GenetlÝaco", Obras

PoÚtÝcas de Inßcio JosÚ de. Alvarenga Pefxoto, Rio de Janeiro, 1865.

'rCartas Chilenas, I, Rio de Janeiro, 1863, pßg. 183. Veja-se tambÚm

J. Norberto de Sousa e Silva, Hist¾ria da Conjuraþão Mineira, ediþão do

Instituto Nacional do Livro, Rio de Janeiro, 1948, I.

Embora a autoria das Cartas Chflenns continue objeto de controvÚrsia,

um enÔaÝsta da responsabilidade do Sr. Afonso Arinos de Melo Franco afir-

ma: "Tomßs Ant¶nio Gonzaga foi o autor . . . ( CritÝlo-Cartas ChÝlenas,

Introduþão e notas por Afonso Arinos de Melo Franco, Rio de Janeiro, 1940,

pßg. 26). Veja-se tambÚm Caio de Melo Franco, O lnconfidente Clciudio

Manuel da Costa, Rio de Janeiro, 1931.

6Na expressão do bacharel-poeta "os fortes braþos feitos ao trabalho"

encontra-se, tnlvez, a primeÝra apologia literßria, escrita no Brasil, do ope-

rßrio ou do trabalhador manual.

sCarta de Manuel de Arruda CÔmara ao Padre João Ribeiro Pessoa.

em 2 de outubro de 1810, transcrita por Pereira da Costa, Dicionßrio Bio-

grßfico de PernamUucanos GÚlebres, RecÝfe, 1882, pßg. 641. TÝpico do

hacharel mulato e filho ilegÝtimo, rebelado c¾ntra sua situaþÔo socÝal. o

Dr. JosÚ da Natividade Saldanha foi estudado em sua personalidade de

e2E cILHERTO FREYRE

mestiþo "cheio de independÛncia nativa que deve forrar os organismos dos

filhos do amor livrÚ' e caraterizado por "qualidades hereditßrias que lhe

deviam gritar no sangue de filho dum sacerdote de Cristo", por ┴rtur

Muniz em "Dr. JosÚ da Natividade Saldanha", Atmanaque de Pernambuco,

Recife, 1908, pßg. 15.

7Ant8nio Carlos Ribeiro de Andrada parece ter pertencido ao n·mero

daqueles brasileiros que escandalizaram um aristocrata francÛs de sentimen-

tos jß liberaÝs como o Conde de Suzannet pelos seus orgulhos de famÝlia

(op. cft., pßg. 411).

8Gilberto Amado, Grão de Areia, Rio de Janeiro, 1919, pßgs. 244-245.

Veja-se tambÚm A Chave de Salomão e Outros Escr=tos, Rio de janeiro,

1947, pßgs. 176-180.

sGilberto Amado, Grão de Areta, cit., pßg. 245.

IoKoster (op. cÝt., pßg. 196) recorda que senhores do interior encomen-

davam a seus correspondentes nas cidades rapazes brancos que lhes ser-

vissem de auxiliares de escrita e de genros. E possÝvel que alguns an·n-

cÝos de jornal dos primeiros decÛnios do sÚculo XIX visassem atrair rapazes

brancos a fazendas ou engenhos do interior, onde não estivesse desenvolvi-

do o domÝnio de grandes famÝlias nÔo s¾ brancas ou quase-brancas como

endogÔmicas.

IlA expressão "fulgurante plebe intelectual" Ú exata e feliz gara cara-

terizar os bacharÚis, tantos deles de origem humilde e vßrios, negr¾ides, que,

com a fundaþão dos cursos jurÝdicos foram aparecendo na sociedade brasi-

leira como nova e considerßvel Úlite, compensada pela eultura intelectual

e jurÝdica nas deficÝÛncias de sua posiþÔo social e na inferÝoridade de sua

condiþÔo Útnica.

l2Sylvio Romero, Martins Pena, Porto, 1901, pßgs. 163-16.

l3Jß salientamos, em nota a capÝtulo anterior, que variou a polÝtica por-

tuguÛsa no Brasil colonial quanto ao aproveitamento de negros e mulatos

como oficiais de milÝcias. Menos, porÚm, ao que parece, por preconceito

de raþa ou de cor do que de região: a região colonial em relaþÔo com a

metropolitana, cujos filhos pretendiam monopolizar na coldnia os postos de

direþão, deixando aos cabras que-de modo geral-eram todos os brasi-

leiros, os cargos secundßrios e, principalmente, os encargos penosos, da

administraþão.

s4E bem conhecÝda a observaþão de Koster no Norte do Brasil quanto a

certo capitão-mor, homem evidentemente de sangue africano que era, en-

tretanto, considerado branco, por forþa do cargo. TambÚm "brancos", por

forþa dos cargos que ocuparam no ImpÚrio e de tÝtulos de nobreza que

Ihes concedeu o Imperador, ficaram vßrios brasileiros evidentemente ne-

gr¾Ýdes, alguns deles filhos de mestiþas cÚlebres corno Mnria-vocÚ-me-mata,

muito malvistas pelas iaißs mais puritanas dos sobrados.

#

Alißs, vßrias senhoras de sobrados do Brasil im.,r:ri, i =.vrriaram-se famo-



sas pela sua hostÝlidade a mulatas belas ou sedutoras. l;rna dessas senho-

Sosaenos E Mvc.asos - 2.░ ToMo 627

dos i ras, descendente do MarquÛs de Paranß e do Conde de Porto Alegre, im-

pressionada com certa figura de mulata, personagem do drama de Pi-

nheiro Guimarães, Hist¾ria .de uma Moþa Rica-representado pela primeira

LCO, vez no Rio de Janeiro em 1861-costumava explicar sua ojeriza Ós mulatas,

em geral-ojeriza que ia ao ponto de não admiti-las na sua casa: "Mulatas

nero na minha casa? Eu não quero desgraþas" ( Escragnolle D¾ria, "Cousas do

ien-  Passad¾', separata da parte II do tomo LXXXII da Revista do Instituto

Hist¾rico e Geogrßfico BrarileÝro, Rio de Janeiro, 1909, pßg. 143).

lsMais de uma vez, no Parlamento e na imprensa da era imperial,

Z45. alegou-se contra homens eminentes sua situaþão de negr¾ides ou de filhos

ilegÝtimos. Basta nos recordarmos da violÛncia com que o Barão de Qua-

raim, Pedro Chaves, em pleno Senado do ImpÚrio, referiu-se, na sessão de

4 de maio de 1859, ß condiþão de filho natural do tambÚm senador D.

ven- ,, Manuel, filho do MarquÛs de S. João da Palma. E caraterÝstica da ten-

ser- ,,, dÛncia brasileira para retificar por meios suaves-tÝtulos, leis, honras-tais

situaþÓes a resposta do ofendido: "Mas não se sabe que, estando legiti-

izes mado, tenho a nobreza e honras que a lei me concede?" Sobre o assunto

leiam-se os debates no Parlamento em torno da ResoluþÔo n.░ 53 de 1846

mo derrogando a Ord. liv. 4., tit. 32 na parte em que estabelece distinþão

entre os filhos naturais dos nobres e dos plebeus, em relaþão ao direito

ra- hereditßrio ( Anais do Parlamento Brasileiro. Cßmara dos Srs. Deputados.

ue, Sessão de 1846. Coligidos por Ant¶nio Pereira Pinto. Rio de Janeiro,

asi- 1880. SassÔo de 8 de maio).

ual le0 folclore pernambucano guarda a tradiþão de negros amotinados no

sua Recife, nos primeiros anos da IndependÛncia, que se vangloriavam de

imitar o Rei Crist¾vÔo. Veja-se, sobre o assunto, Estudos Pernambucanos,

de Alfredo de Carvalho, Recife, 1907.

or- l7Manifestando-se, no sÚculo XVIII, sua repulsa a capitães ou fidalgos

tos indÝgenas que se casavam com negras, o Marquds de Lavradio representava

ito o critÚrio daqueles homens de Estado portuguÛs para os quais os mulatos, no

i a Brasil, deviam ser conservados em "hum certo abatimento" ( Carta de JosÚ

de VenÔncio de Seixas, para Dom Rodrigo de Sousa Coutinho [ . . . . ] Bahia,

isi- 20 de outubro de 1798, ms., Arquivo Hist¾rico Colonial de Lisboa).

da lsBiografia inicial, Almanack de Lembranþas Luso-Brasileiro, Lisboa, 1872.

lsJames Bryce reparou que no Brasil facilitava-se ao negr¾ide passar

 a por branco, em vez de se dificultar ao indivÝduo essa alteraþão social

sn- (South America, Londres, 1910, pßg. 215). A idÚia, hoje generalizada, de

or que influem sobre o status do brasileiro menos a raþa do que a classe e a

ue região, foi por n¾s esboþada neste ensaio em 1936 e em nossos cursos de

ie- , Mtropologia e de Sociologia na Faculdade de Dlreito do Recife e na

ta, il Universidade do Distrito Federal, desde 1935.

Sobre o assunto, antecipou-se em inteligentes reparos, alÚm de Dehret

o- e Koster, J. M. Rugendas que escreveu em trabalho aparecido em 1835:

o- "Por mais estranha que pareþa a af,irmaþão que vamos fazer, cabe menos

I

828 G.sExxro Fxnxxn



d vista e  fisiologia do que Ó legislaþÔo e └ administraþÔo resolver sobre a

cor de tal ou qual indivfduo. Os que não são de um negro muito pronun-

ciado e não revelam de uma maneira incontestßvel os caracteres de raþa

africana, não sÔo necessariamente homens de cor; podem de acordo com

as circunstÔncias ser considerados brancos" (Viagem Pitoresca AtravÚs do

Brasil (trad. de SÚrgio Milliet), 4. ediþão, São Paulo, 1949, pßg. 94).

E oportuno recordar-se aqui a "expressão chula de abenþoar░ recordada

por Pereira da Costa Ó pßgina 121 do seu Vocabulßrio Pernambucano:

"Deus te faþa branco para honra dos teus parentesl"

zoA pressÔo "EI Greco mulato" para caraterizar o Aleijadinho-em-

pregada por n¾s desde 1936 e, ultimamente, em Brazil: an Interpretation

( Nova Iorque, 1945 ) emprega-a, em livro recente, o ilustre ensaÝsta fran-

cÚs AndrÚ Maurois que, alißs, faz referÛncia aos nossos estudos ( ]ournal

d'un Tour en AmÚrique Latine, Paris, s. d., pßg. 63). O Sr. AndrÚ Maurois

repete mais do nosso Bruzil: an Interpretation: "C'est 1e mÚlange des sangs

qui a sauvÚ 1a culture brÚsilienne du colonialisme [ . . . . ] le grand sculpteur

brÚsilien Aleijadinho Útait Iui ausst comme un "Greco muldtre" par ses auda-

cieuses distorsions de la forme humaine. Les plus grands artistes brÚsiliens

sont extra-europÚens, ce qui ne les empÚche pas de s'intÚresser ovec passion

d la culture europÚenne".

Sobre o Aleijadinho prepara interessante ensaio de interpretaþÔo o es-

#

critor Viana Moog.



2lVeja-se um resumo das impressÓes da viagÚln a Minas Gerais que

fizemos em companhia do Professor Afonso Arinos de Melo Franco no seu

Espelho de TrÚs Faces, São Paulo, 1937.

zzAluÝsio Azevedo, O Mulato, 12.' ediþão, Rio de Janeiro, 1945, pßg.

133. Ainda que Alufsio Azevedo encarnasse em portugueses ou filhos de

portugueses residentes dos sobrados do Maranhão, a maior negrofobia no

Brasil daquela Úpoca, um observador portuguÛs que esteve então no Brasil,

Silva Pinto, em seu livro No Brasil-Notas dÚ Viagem ( Porto, 1879 ), acusa

do mesmo preconceito, brasileiros não s¾ natos como mulatos, não s¾ liberais

como maþons: ` . . . hß perto de dois meses a loja maþ3nica do Rio de Ja-

neiro Igualdade e BeneficÚncia repelia uma proposta de admissÔo do cida-

dão brasileiro Sr. João Pessanha ( empregado numa companhia de seguros

daquela cidade-Rua de São Pedro 122), fundando-se, para a repulsão; na

cor do citado indivÝduo AÝ estß a maþonaria brasileira, Ûmula dos sacri-

pantas mitrados a quem fulmina do alto da tribuna e do livro o Sr. Saldanha

Marinhol Af estß a Igualdade brasileiral Af estß a beneficÛncia brasileiral

Af tendes a sinceridade dos `negr¾filos' e a sinceridade das suas leis...

( pßg. 122 ) .

23AluÝsio Azevedo, op. cit., pßg. 152.

24jbid., pßg. 52.

25Recorda-se aqui o caso de um inglÛs, mencionado por mais de um cro-

nista do Brasil imperial, que "purposely had as many children as he couW

Sosn.nos E Mvcal.zsos - 2.░ Tomo 629

by slave suomen because he found that his ohildren were generally pretty

men with light, curling hair, blues eyes and a skin as light as that of a

European and he was conseguently able to sell them at a good price . . .

Veja-se nosso Ingleses no Brasil (Rio de Janeiro, 1948), onde vem citado,

a prop¾sito, Robert Walsh, Notices of Brasil in 1828 and 1829, Boston,

1831, I, pßg. 193.

zoPerdigão Malheiro, A Escravidão no Brasil-Ensaio JurÝdico-Hsst¾rico-

-Social, Rio de Janeiro, 1866, II, pßg. 187.

z7Veja-se nosso "O Escravo nos An·ncios de Jornal do Tempo do InlpÚ-

ri‗', Lanterna Verde, Rio de Janeiro, 1934.

zBVeja-se sobre o assunto C. B. Daven.port e Morris Steggerda, Race-

-Crossing in ]amaica, Washington, 1929.

zsJß nos referimos ao assunto-pÚs calþados e pÚs descalþos como afir-

maþÓes de classe, raþa e região dominantes ou dominadas-em capÝtulo

anterior.

3oReferimo-nos ao fato em introduþão a Mem¾rias de um Senhor de

Engenho, de J·lio Bello, 2.' ediþão, Rio de Janeiro, 1947.

3lgobre Clark veja-se Ernesto Sena, O Velho ComÚrcio do Rio de

Janeiro, Rio de Janeiro, s. d. Veja-se o an·ncio publicado pela Cia. Cal-

þado Clark em O Cruzeiro ( Rio de Janeiro ) julho, 1950 acentuando: "S‗-

mente o novo sistema exþlusivo da Clark possui modelos com atÚ 36 tama-

nhos e larguras diferentes . . . , Outras fßbricas brasileiras de calþado estão

provavelmente produzindo modelos com larguras e alturas vßrias, adap-

tadas aos pÚs mestiþos.

azEm nosso Brazil: an Interpretation (Nova Iorque, 1945) referimo-nos

ao modo brasileiro de jogar foot-baU, como possÝvel expressão do que o

africano comunicou de dionisÝaco ao carßter ou ao ethos brasileiro.

33Ared Mars, Le BrÚsil, Excursion d travers ses 20 Provinces, Paris, 1890.

3'sSÔo numerosos, nos jornais brasileiros da primeira metade do sÚculo

XIX, os an·ncios de roupas, chapÚus e calþados europeus, principalmente

ingleses, franceses e portuguÚses. Alb ns an·ncios tÝpicos: . . . chapeos

[ . . . . ] vindos de Hull no Navio Clarkson" ( Gazeta do Rio de Janeiro, 24

de fevereiro de 1809 ) ; ". . . luvas e chapeos de sol . . . ' ( franceses ) ( Gazeta

do Rio de ]aneiro, 25 de janeiro de 181.5 ) ; "botas" ( inglesas ) ( Gazeta do

Rio de ]aneiro, 9 de novembro de 1808); "þapatos para homens InglPzes

e Francezes" ( Dißrio do Rio de Janeiro, 9 de janeiro de 1830 ) ; "fato vydo

de Londres [....] cazacos de panno fino de todas as cores [....] jaquctas

de panno azul e preto fino . . . ( Dißrio do Rio de Ianeiro, 7 de maio de

1830 ) ; "fatos feitos [ . . . . ) de Inglaterra" ( Dißrio de Pernambuco, 23 de

jutho de 1829 ), "vestidos" ( franceses ) para senhoras ( Dißrio de Pernam-

buco, 11 de marþo de 1830 ) .

3sSena, op. cit.

3sDo assunto nos ocupamos no nosso Casa-Grande dr Senzala.

O GILHERTO FREYRE

BOs an·ncios de negros fugidos nos permitem estudar as vozes ou falas

dos escravos, em geral macias, baixas, tÝmidas, em contraste com as altas,

#

ßsperas e arrogantes dos senhores. Pretendemos nos ocupar do assunto em



!I

nova ediþão, ampliada, do nosso "O Escravo nos An·ncios de JoruaÝs do

Tempo do ImpÚrio".

38Veja-se nossa Sociolagia. Introduþão ao Estudo dos seus PrfncÝpios.

Limites e Posiþão da Sociotogia, Rio de Janeiro, 1945, na qual freq³ente-

mente nos servimos de fatos ou recorrÛncias do passado patriarcal e escra-

vocrßtico do Brasil.

3sBryce, op. cit., pßg. 212.

40

Veja-se Pires de Almeida, Homossexualismo, cit., especialmente



pßgs. 74-75.

Ý 41L'Anthropologie, Paris, 1934, tomo XLIX. Pires de Almeida, op. cst.,

pßgs. 104-105. Para AlmeÝda os silvÝcolas eram "em sua generalidade infan-

tilÝstas"-ao contrßrio dos africanos-encontrando, por isto, dificuldade em

satisfazerem suas companheiras-as silvÝcolas-"geralmente dotadas de va-

gina muito amplß' (pßg. 103).

42The Spectator, Londres, 15 de setembro de 1931.

43Sir George Stauton, An Authentic Account of an EmbaJsy from the

, King of Great Britain to the Emperor of China, Londres, MDCCXCVII,

pßg. i92.

4:Alberto Ribeiro Lamego, PlanÝcie do Solar e da Senzala, Rio de Ja-

neiro, 1933.

s5Nicolau Joaquim Moreira, "Questão Etnica-Antropol¾gica: o Cruza-

mento das Raþas Acarreta Degradaþßo Intelectual do Produto HÝbrido Re-

sultante?", Anais Brasilienses de Medicina, Rio de Janeiro, maiþo de 1870,

tomo XXII, n.░ 10, pßg. 265.

4sEmbora observadores como D'Assier considerem o mulato brasÝleiro

produto mais das cidades que das fazendas convÚm não nos esquecermos de

que nas fazendas e engenhos patsiarcais foi larga a procriaþÔo de mulatos.

Pires de Almeida que estudou minuciosamente a libertinagem no Brasil pa-

p triarcal dos ·ltÝmos decÛnios do ImpÚrio lembra que alguns senhores rurais

mantinham em suas propriedades "verdadeiros serralhos e prostÝbulos de es-

cravas"; que vßrios senhores "entretinham a procriaþão geral dos seus do-

mÝnios ruraÝs designando para cada grupo de quatro escravas um crioulo

que as fecundava"; que "para obter mestiþos", mandavam-se negras aos

quartos dos cometas ou mascates ß noite, com "ßgua para os pÚs" ou, de

madrugada, com "mingauzÝnho dourado a ovos" ( op. ctt., pßg. 75 ).

4TSobre o aproveitamÚnto de mulatinhos inteligentes por seus senhores,

' que mandavam educß-los pelos professores dos filhos, veja-se W. H.

Webster, Narrative of a Voyage to the South Atlantic Ocean, Londres,

Ý 1834, pßg. 43.

4sLisioa, 1822, pßg. 11.

4sLisboa, 1821, Quarto Cademo, pßg. 14.

´

SosFr.oos E Irivccsos - 2.░ Toriso fi31



soLisboa, 18`?2, pßg. 13.

6lFatos e Dem¾rias, Rio de Janeiro, 1904, pßg. 131.

6'ilist¾ria do Brasil, Rio de Janeiro, 1922, II, pßl;. 542.

s3L. Couty, L'Esclauabe au BrÚsil, Paris, 1881, pßg. 74.

ss"Tle Negro in BahÝa, Brazil: a Problem in MetHod", American So-

ciolobÝcaL Reuiew, VIII, 4, 1943.

s"The Negro Family in Bahia, Brazil", Arnerican Sociokyicat Review,

VII, 4, 1942. k

aArnerican Socialogical Aeview, X, 1, 1945.

6Cahiers de,s Annales, n.░ 4, Paris, 1949. I

Hllio de Janciro, 1920-21, vol. XLIII-IV, pßg. 112.

6aIOC. Ct., p.lg. 1?0.

a½Loc. cit., paÝg. 1?6.

slAnais dn Bihlioteca Naaional, Rio de Janeiro, 1922-23, vol. XLV, pßgs.

26 e seuintes.

aI.ac. cit., pßg. 58.

aaJ. A4. Ruendas, Viagem Pitoresca AtravÚs do Brasil (trad.), 4.a ediþão,

São Paulo, 1949, p:Ýg. 99.

aslbtd., pßg. 95.

a`,Itonums dn Passado, Rio de Janeirc, 1875, pßg. 8.

aalirÝrio de bfinas, 19 de fevereiro de 1950.

a%Sebasti:io Calvão, Dicionßrio CorogrcÝftco, Hist¾rico e EstatÝstico de

Pernarnbuco, Letras O-Ii, Rio de Janeiro, 1921, pßg. 142.

ahI3ahia, 1848.

#

aabioreira Prates, Identidade da EspÚcie Humana, pßg. 20.



zaLoc. cit., 22.

zlLoc. cit., pßg. 28.

7aNouveÀdles Annales des Voyages et des Sciences Geograyhigues, dirigidas

por Vivicn de Saint-Martin, Paris, 1847, tomo II, pßg. 65.

Paris, 15 de julho de 1862, tomo 40, pßg. 388.

74Estado de Pcrrmmbuco, Recife, 1 de julho de 1890.

ores,

H.

ßres,



' EM TORNO DE \I;1 SIS'1'I:\l:IlCA

XII - DA hlISCIGE:VAÃ;.~O '.\() I3lt:lSll,

i PATRI.AIICAL F; SEL'III':1IItI;IIt.::ll.

AYMUNDO JOS╔ DE SOUZA GAYOSO, n0 Seti C,lryltlJ('rt(Itn lI i.5'(m═G-

R -Politico dos Princi oos c La,:nvrct no alurattluir, tmloia;rdo

1

em Paris em 1818, ocupou-se nos parßgrafns J ³ O'i ul,rs t:ifÚ-



rentes eamadas de populaþao do ?lar'rtIlhaO c()Ic)trl:r!. hap...i;tl-

mente de São LuÝs: cidade que foi uma daa hritnaua`: trc Iir;t.5il

a adquirirem a opulÛncia burguesa scm locrderermr trrrr patrr.:rc:rl

de vida, ou de convivÛncia.

"A povoaþão da cidade conforme as rrtic.ias Im cmho c3r>,

ultimos numeramentos feitos pelos r¾cs du clesrlri,<<,"--,scrwia

Gayoso no seu Compendio-"não chc'gava a:r trW ta nsil :rlm:,s; Irrts

eomo do anno de 1508 para deante, ella tern accrc.sci.lm, ta?vei

ue hoje complete esse numero. Os serts Irahtant , s ro.lclra

q .


dividir em varias classes. A mais poderosa. e ,mlrm trmr: c  a

primeira eontemplaþão Ú a dos filhos dc rc icirr."

Seguiam-se aos "filhos do reino" os clescenelmutos c.lr r. ra-rrrfus

estabelecidos no Brasil. Os brasileiros natos. ()s l,rarcc!; .la twrra.

Situaþão que não era peculiar ao Waranho rrnas wrrnmn :rs a.rias

sub-regiÓes do Brasil onde, ao lado do sistema loatr·roal, :letr:Ýricr

ou mesmo pastoril, inteiramente rural ou r:isto clr mr:r' o nrl!u:u,




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