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de Mato Grosso, São Paulo, 1869, pßg. 129.

lolUm Engenheiro Franc4s no Brasil, Rio de Janeiro, 1940, pßg. 65.

lozDebret, op. cit., II, pßg. 101. Fora evidentemente menino criado

por europeu o negro forro Carlos Dunch que, em an·ncio no Dißrio do

Rio de Janetro de 20 de fevereiro de 1822, se oferece para pajem ou escu-

deiro em "huma caza de algum Inglez", pois falava "Inglez, Francez e

Italian¾'. .

103Cua Matos, "Corografia Hist¾rica da ProvÝncia de Goißs", Reu.

Inst. Hist. Geog. Br., t. XXXVII, p. I, Rio de Janeiro, 1874, pßgs. 299-301.

1░4J. J. Aubertin, Eleven Days Journey in ihe Prooince of SÔo 'Paulo,

Londres, 1866, pßg. 6.

losgichard F. Burton, Explorations of the Highlands of the Brazil, Lon-

#

dres, 1869, I, pßgs. 262-267.



losOs an·ncios de jornais dos primeiros decÛnios do sÚculo XIX nos

trazem, sobre o assunto, informaþÓes significativas. São numerosos os an·n-

cios que se referem a maquinistas ou tÚcnicos, principalmente estrangeiros,

ao lado dos an·ncios de mßquinas, tambÚm quase sempre estrangeiras, a

5fi8 Gn.aExxro FnExxn

" que mais adiante nos havemos de referir. Destacaremos aqui alguns, que

consideramos tÝpicos, de tÚcnicos europeus em vßrias especialidades novas

para o Brasil. Do Dißrto do Ri¾ de ]anetro de 11 de setembro de 1821:

"Preciza-se de hum homem que saiba tratar da limpeza e conservaþão de

Machinas e que tenha capacidade de explicar o uzo dellas . . . Do mesmo

DißrÝo de 5 de outubro de 1821: "Offerece-se [ . . . . ) hum Francez com

sua esposa para admÝnistrador de Fazenda". Do mesmo DfßrÝo, de 23 de

fevereiro de 1822: "Preciza-se de hum homem estrangeiro ou Nacional

que saiba fazer sabão Inglez para administrar huma fabrica..." Do mes-

mo Dßrio, de 13 de abril de 1822: "Offerece-se [ . . . . ] hum moþo Inglez

para ser caixeir¾ '. Do mesmo Dtßrio, de 25 de abril de 1822: "Dicgo

Forsyth, vindo de Londres, acha-se estabelecido na ma da Misericordia n. 115

onde elle trabalha em toda a obra de Torneiro, segundo a ultima moda . . ."

Do mesmo Dißrio de 12 de janeiro de 1830: "Offerece-se [ . . . . ) Jardi-

neiro Francez para tratamento de horta e jardim de fIores, entende de toda

planta de fora. . . ' Do mesmo Dirfrio de 13 de janeiro de 1830: "Offerece-

-se [ . . . . ) hum cozinheiro de NaþÔo Italiano [ . . . . ) não s¾ cozinha como

faz todas as qualidades de massa, pasteis e doces . . . Da Guzeto do Ro

de Janeiro de 31 de janeiro de 1821: . . . huma loja de Ferrador tanto ß

Ingtezct como ß Portugueza debaixo dos principios physicos da anatomia do

cascti'. Do Dißrio de Pernambuco de 6 de fevereiro de 1830: "Auguste,

Conzinheiro [sic] Francez tem a honra de prevenir ao Publico que elle se

encarrega de fazer todo e qualquer banquete..:' e "Angela MontÝni Garcis,

primeÝra Dama de Danþarinos..." para liþÓes de danþas novas a moþas,

certo como Ú que as danþas, tanto como a culinßria, vinham sendo atingidas

na Europa pelo processo de mecanizaþão ou cientifizaþão das artes.

lfl7Dißrio do Rfo de janeiro, 26 de junho de 1822.

iosM Radiguet, Souvereirs de d'AmÚrtque Espagnole, Paris, 1858, p6g.

257. Sobre a substituiþÔo de palanquins e traquitanas por carruagens velo-

zes, de fabrico inglÛs, veja-se o excelente estudo do historiador Noronha

Santos, Meios de Transportes no Rio de Janeiro-Hist¾rto e Legislaþ´w,

Rio de Janeiro, I934. Destaca o Sr. Noronha Santos a relutÔncia de alguns

senhores, na pr¾pria cidade do Rio de Janeiro, em deixarem as cavalgaduras

para substituÝ-las pelas seges. Tal o Barão de Ubß que preferia uma besta

ruþa Ó sege de sua propriedade. "A obsessão dos ricaþos"-escreve o histo-

riador-.░em possuir esse ou aquele animal de montaria ajaezada com ar-

reios e artefatos de luxo-selas, acolchoados, cabeþadas, testeiras, peitorais

rebrilhantes-e ostentar estribos de prata, guizeiras em volta do pescoþo

da cavalgadura, freios, rÚdeas, esporas, tudo que a arte da equitaþão exige,

passava de pais a filhos como Iegado de famÝlia" ( I, pßg. 32 ) . Recorda, a

prop¾sito, o reparo de Rocha Pombo de que a ostentaþão de arreios de pra-

ta era para os senhores o mesmo que as j¾ias de ouro para as senhoras: "os-

tentaþão de nobreza". DaÝ a ind·stria de selins e arreios ter atingido no

Rio de Janeiro "espantoso desenvolvimento" ( pßg. 35 ). Aos poucos, porÚm

Sosx.rnos E MucAi.zsos - 2.░ ToHso 589

-acrescentemos ao ilustre historiador-os objetos de "ostentaþÔo de nobreza"

foram se transferindo dos simples animais para as mßquinas, completadas

pelos escravos e animais que as animavam.

losGazeta do Rfo de Janeiro, 28 de janeiro de 1818.

lloGazeta do Rio de Janeiro, 31 de janeiro de 1818.

1llGazeta do RÝo de ]aneiro, 5 de dezembro de 1818.

1l2Gazeta do Rio de Janeiro, 28 de fevereiro d 1818.

llsDí(,rio do Rio de Janeio, 15 de setembro de 1821.

lliDj(rfo do Rio de Janeiso, 15 de setembro de 1821.

llaDíírio do Rio de Janeiro, 18 de setembro de 1821.

llsJorl do Commercio, 18 de fevereiro de 1828.

117 Jl  Commercio, 3 de junho de 1828.

lleJorl do Commercio, 11 de .junho de 1828.

llsA]fredo de Carvalho, Frases e PalaoraJ, Recife, 1906. . Sobre outras

atividades tÚcnicas de franceses em Pernambuco, veja-se o nosso Um Enge-

nheiro Fsanc4s no Brastl, cit., onde se destacam vßrios an·ncios tÝpicos dessas

atividades, rnlhidos no Dfßrio de Pernambuco. Sobre o assunto veja-se tam-

bÚm nosso Ingleses no Brosil, cap. I (Rio de Janeiro, 19b8), onde são estu-

dados, entre outros aspectos da influÛncia inglesa na formaþÔo da vida, da

#

cultura e da paisagem brasileira, as atividades inovadoras, no nosso meio,



de tÚcnicos e maquinistas britÔnicos.

lzoJl  Commercio, 20 de dezembro de 1828.

12lVeja-se, sobre o assunto, o estudo de George Eduardo Fairbanks,

ObserraþÓes sobre o Commercio do Assucar e o Estado Presente desta In-

dustrfa em Varios Paizes, ete., Bahia, 1847. Leiam-se tambÚm Francisco

de Paula Cßndido, Clamores da Agricultura no Brasil e indicaþão de meios

jacllimos de leuß-la rapidamente d prosperidade, Rio. de Janeiro, 1859 e,

especialmente, o Discurso Sobse o Melhoramento da Economia R·stica do

Bastl ( Lisb‗a, M.DCC.XCIX ), por JosÚ Greg¾rio de Morais Navarro,

onde o sutor faz inteligente crftica ao sistema de agricultura dominante no

Brasil e clama pela urgente utilizaþão do arado e, na ind·stria rural, de

fornalhas de nova invenþão (pßgs. 15-18).

122Veja-se, sobre o assunto, AntBnio Gomes de Matos, Esboþo de um

Manual para os Fazendeiros do Aþ·car, Rio de Janeiro, 1882, cujo estudo

6, em parte, retrospectivo.

lzsgeique Jorge Rebelo, Mem¾rÝa e Con,sideraþÓes Sobre a Populaþ¶o

do Brastl, Bahia, 1836, pßg. 43.

l2dlbid., pßg. 38.

126Ms., Arquivo Hist¾ric¾ Colonial, Lisboa, IV, 18-170.

l2sgebelo, op. cit., pßg. 3e.

1271b;d,, pßg. 39.

1281bd., pßg. 39.

l2slbid., pßg. 39.

570 G.sEnro FnExRs

i8o"Parecer e Tratado feito sobre os Excessivos Impostos que Cahirão

sobre as Lavouras do Brasil Arruinrndo o Commercio deste. Por Joam

Peixoto Viegas Enviado ao Sr. Marquez das Minas Concelheiro de S.

Mag.aa e então g?r g. da cid e da B À. B À. 20 de Julho de 1687 annoz ,

ms., Seþão de Mss. da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, I, 32 G, n.░ 1T.

isiFerdinand Denis, BrÚstl, Paris, M.DCCC.XXXIX, pßg. 112.

1821bid., pßg. 123.

lsslbtd., pßg. 122.

ia4pÔgs. T-8.

186reja-se sdbre o assunto a Memoria eobre o Commerdo de Escraoot,

cit., pßg. 9.

l8eJos¾ Pereira Rego, Esboþo hist¾rtco das epidemias qus t gras

ne Cidade do Rio de laneiro desde 1830 a 1870, Rio de Janeiro, 1872.

TambÚm o "Parecer da Sociedade de Medicina do Rio de Janeiro sobre a

Enfermidade que Grassou em 1830 na Vila de MagÚ e seu Termo", Anaia

Brastlienses de Medicina-]ornn! da Academia Impestol de Medictna do

, Rio de ]unetro, outubro de 1872, XXIV; n. 5 e 8. E mais o ms. no Arqui-

vo Nacional do Rio de Janeiro, Seþão Hist¾rica, L ░ M. n ░ 7, F7s. 27 a 3T,

cujo conhecimento devemos ao seu dio diretor, o historiador Vilhena de

Morais: 'Projecto de Calculo para um Novo Estabelecimento entre os Ri‗s

Macab· e do ImbÚ, Apresentado pelos Moradores dos Campos de Goytac,

MacahÚ, Rio de Som JoÔo, Cabofrio e Cantagallo", s. d.

laTpublicada no Rio de Janeiro em 1871.

isaplt, op. cft., pßg. 59.

laslbid., pßgs. 59-60.

140Vej-se sobre o assunto, JosÚ de Sousa Azevedo Pizarto Ara·jo,

Memortas Historicat do Rio de ]aneiro, Rio de Janeiro, 1820-1822, C.

Schlichthorst, Rio de Janetro wfe es ist, Hanover, 1829, Baltasar da Silva

Lisboa, Anar do Rio de )aneiro, Rio de Janeim, 1834-1835, Charles

Hanbury, Limpeza da Cidade do Rio de lanetro Rio de Janeiro, 1854,

J. M. de Macedo, Um passeio pela Cidade do Rio de ]anetro, I³o de Janei-

ro, 1882-1883, Pereira Rego, Mem¾rta Hist¾rica das Epidemias de Febre

Amarela e C¾lera-morbo que tÚm Reinado no Brastl, Rio de Janeiro, 1873,

Vieira Souto, Melhoramentos da Cidade do Rio de ]anetro, Rio de Janeiro,

1875, Tomßs Delfino Santos, Melhoramentos para Tornar a Cidade mais

Salubre, Rio de Janeiro, 1882, A. M. Azevedo Pimentel, Quafs os Melhora-

mentos Higidnicos a serem Introduzidos no Rio de ]aneiro para Tornar a

Cidnde mats Saudßvel, Rio de Janeiro, 1884, Moreira de Azevedo. O Rto

de ]aneiro, Rio de Janeiro, 1877 e tambÚm Pequeno Panorama ou Desaiþão

dos Principats Edi f Ýcios da Cidade do Rto de ]aneiro, Rio de Janeiro,

1888, Augusto Fausto de Sousa, A BaÝa do Rb de ]aneiro, Rio de Janeiro,

1882, A. de Paula Freitas, O Saneamento da Cidade do Rio de Janeiro,

Rio de Janeiro, 1884. Vejam-se tambÚm as "Vereanþas de 1805 a 1829" pu-

blicadas em parte no Arquivo do Distito Fedeal ( 1894-1897 ) e que, se-

gundo o sempre bem informado Sr. Noronha Santos, "retratam provimen-

#

SosRnos s Mvca4sos - 2 ░ Tolzo 571



tos do 'concelh¾ da cidade, relativos Ó administraþão local e a melhora-

mentos de maior utilidade em benefÝcio da populaþão e das condiþÓes sani-

tßrias". ( "Resenha MalÝtica de Livros e Documentos do Arquivo Geral

da Prefeitura Elaborada pelo Historiador Noronha Santos", Rio de JaneÝro,

1949). Excelente sÝntese da formaþão da cidade do Rio de Janeiro, tanto do

ponto de vista do desenvolvimento material como do polÝtico, Ú a recente

AparÚncia do Rio de Janeiro, do escritor Gastão Cruls ( Rio de Janeiro,

1949), precedida, alißs, pela Hist¾ria da Cidade do Rio de ]aneiro, do Pro-

fessor Delgado de Carvalho ( Rio de Janeiro, 1926 ).

14lVeja-se sobre o assunto a mem¾ria hist¾rica que a Prefeitura do Rio

de Janeiro fez publicar em 1909: Mem¾rúa Sobre Matadouros no Rio de

]aneiro. TambÚm o vasto material que a respeito existe no Arquivo da

Prefeitura do Distrito Federal e indicado pelo historiador Noronha Santos

( "Resenha", cit., pßg. 22 ) .

142 fato foi surpreendido em alguns dos seus efeitos imediatos por

observadores da Úpoca, um deles Charles Reybaud que escreveu no seu

Le BrÚsil ( Paris, 1856 ) : "La suppressfon de la traite a laissÚ au BrÚsil bien

des cap³aux inactifs, tndigÞnes ou Útrangers, mais habttuÚs a chercher un

emplol lucrattf dans Les transactions des grandes places brÚsiliennes. C'est

cette abondance de valeurs disponibles, combinÚe avec des dÚveloppements

de I'esprit d'assoctatfon que explique 1a facilitÚ avec laquelle se sont montÚes

d Rio les plus tmportantes af faires. On a vu tour d tour 1a Banque du

BsÚstl, Penterprtse des services d vapeurs sur PAmazone, celle du chemin

de fer de don Pedro 11 et bon nombre d'autres, trouver sur-le-champ, par

des souscriptions empressÚes, dix fois 1e capital dont ils avaient besotn.

11 y avait certainement de I'agiotage dans cette ardeur d souscrire, et 1a

capital du BrÚsil n'est pas plus a f f ranchte que Paris et Londres de cette

spÚculrrtion malsÚante, levier vereux et nÚcessaire du credit public et prioÚ"

(pßgs. 230-231).

143VÝtor Viana, em seu estudo O Banco do Brasil - Sua Formaþão, seu

Engrandecimento, sua Missão Nacional ( Rio de Janeiro, 1926 ), refere-se ßs

crises de 51, 57, 64 como "crises de cresciment¾ ' ( pßg. 362 ) . E tsans-

creve do relat¾rio de 1859: ' . . . a cessaþão do trßfego deslocou avultados

capitais, atÚ então empregados nas feitorias das costas da Africa e no apa-

relhamento das expediþÓes", isto Ú, das expediþÓes para a captura de negros.

Esse dinheiro, refluindo para o Brasil, "mudou completamente a face de

todas as cousas na agricultura, no comÚrcio Ú na ind·stria" ( pßg. 363 ). O

recente estudo do Professor Afonso Arinos de Melo Franco, Hist¾ria do

Banco do Brasil ( São Paulo, 1947 ), limitando-se Ó primeira fase da hist¾ria

do Banco ( 1808-1835 ), nÔo alcanþa as crises que nos parecem marcar

transiþÓes de tipos de economia no ImpÚrio.

144Relatorio Apresentado d AssemblÚia Legislativa na Segunda Sessão da

DÚctma Legislatura pelo :ITinistro e Secretario d'Estado dos Negocios do

Imperio MarguÚs de Olinda, Rio de Janeiro, 1858, "Parecer da Comissão

572 Gn.snxTo FnExxa

d

Encarregada pelo Eo. Sr. Presidente da Provincia para Consultar sobre



as Causas da Carestia dos GÛneros Alimenticios", pßg. 8.

l.sOp. cit., "Informaþão do Presidente do Rio Grande do Norte", pßgs. 1-3.

lsOp. cÝt., "InformaþÔo do Presidente de Santa Catarina", pßg. 2.

lsTVej-se, sobre o assunto, Memoria Hist¾rica das Epidemias de Febre

Amarela e C¾lera-morbo que tÛm Revado no Brasil, pelo Dr. Fereira Rego

(BarÔo de Lavradio), Rio de Janeiro, 1873, o trabalho anterior do mesmo

JosÚ Pereira Rego, Hi,rtoria e Desaiþão da Febre Amarela no Rio de ]aneiro,

em 1850, Rio de Janeiro, 1851, e sobre a receptividade m¾rbida Ó febre

amarela de indivÝduos ou populaþÓes segundo ßreas, idades, raþas, tipos de

 habitaþÔo, etc., o relat¾rio do mÚdico JosÚ Domingos Freire, anexo ao Rela-

, t¾rio do Ministro do ImpÚrio, Rio de Janeiro, 1885. Vejam-se tambÚm Du

Climat et des Maladies du BrÚsil, por J. F. X. Sigaud, Paris, 1844, Consi-

deraþÓes Gerais sobre a Topografia Fisico-MÚdica da Ctdade do Rio de

Janetro; por Francisco Lopes de Oliveira Ara·jo, Rio de Janeiro, 1852,

ObservaþÓes sobre a Febre Amarela, por Roberto Lallemant, Rio de Ja-

neir¾, 1951, e Estudo ClÝnico Sobre as Febres do Rio de Janeiro, por João

Torres Homem, Rio de Janeiro, 1856.

.

EI impossÝvel defrontar-se alguÚm com o Brasil de Dom P e-



dro I, de Dom Pedro II, da Princesa Isabel, da carranha

da AboliþÔo, da propaganda da Rep·blica por doutores de pince-

-nez, dos namoros de varanda de primeiro andar para ^ esquina

#

da rua, com a moþa fazendo sinais de leque, de flor ou de lenþo



para o rapaz de cartola e de sobrecasaca, sem atentar nestas duas

grandes forþas, novas e triunfantes, Ós vezes reunidas numa s¾:

o bacharel e o mulato.

Desde os ·ltimos tempos coloniais que o bacharel e o mulato

vinham se constituindo em elementos de diferenciaþão, dentro

de uma sociedade rural e patriarcal que procurava integrar-se

pelo equilÝbrio, e mais do que isso, pelo que os soci¾logos mo-

dernos chamam acomodaþÔo, entre os dois grandes antagonismos:

o senhor e o escravo. A casa-grande, comhletada pela senzala,

representou, entre n¾s, verdadeira maravilha de acomodaþÔo que

o antagonismo entre o sobrado e o rnucambo veio quebrar ou

perturbar.

A urbanizaþão do ImpÚrio, a conseq³ente diminuiþÔo de tanta

ca$a-grande gorda, em sobrado magro, mais tarde atÚ em chalÚ

esguio; a fragmentaþÔo de tanta senzala em mucambaria, não jß

de negro fugido, no meio do mato grosso ou no alto do morro

agreste mas de negro ou pardo livre, dentro da cidade-fen¶meno

do 1830 brasileiro que se acentuou com a campanha da AboliþÔo-

tornou quase impossÝvel ‗ equilÝbrio antigo, da Úpoca de ascen-

dÛncia quase absoluta dos senhores de escravos sobre todos os

outros elementos da sociedade; sobre os pr¾prios vice-reis e sobre

os pr¾prios bispos. Maximiliano ainda alcanþou essa Úpoca quase

feudal de organizaþão social do Brasil;l e o Conde de Suzannet

aind sentin de perto, no ImpÚrio, essa feudalidade,2 senÔo de

substÔncia, de forma.

573


ASCENS├O DO BACHAREL

X I E DO MULATO

574 GILBERTO FREYRE

A valorizaþão social comeþara a fazer-se em volta de outros

elementos: em torno da Europa, mas uma Europa burguesa, donde

, nos foram chegando novos estilos de vida, contrßrios aos rurais

e mesmo aos patriarcais: o chß, o governo de gabinete, a cerveja

inglesa, a botina Clark, o biscoito de lata. TambÚm roupa de

homem menos colorida e mais cinzenta; o maior gosto pelo teatro,

que foi substituindo a igreja; pela carruagem de quatro rodas

que foi substituindo o cavalo ou o palanquim; pela bengala e

pelo chapÚu-de-sol que foram substituindo a espada de capitão

ou de sargento-mor dos antigos senhores rurais. E todos esses

novos valores foram tornando-se as insÝgnias de mando de uma

´ nova aristocracia: a dos sobrados. De uma nova nobreza: a dos

doutores e bacharÚis talvez mais que a dos negociantes ou indus-

triais. De uma nova casta: a de senhores de escravos e mesmo

de terras, excessivamente sofisticados para tolerarem a vida rural

na sua pureza rude:

Eram tendÛncias encarnadas principalmente pelo bacharel, fi-

lho legÝtimo ou nÔo do senhor de engenho ou do fazendeiro, que

voltava com novas idÚias da Europa-de Coimbra, de Montpellier,

de Paris, da Inglaterra, da Alemanha-onde fora estudar por in-

fluÛncia ou lembranþa de algum tio-padre mais liberal ou de

algum parente maþom mais cosmopolita.

└s vezes eram rapazes da burguesia mais nova das cidades

que se bacharelavam na Europa. Filhos ou netos de "mascates".

Valorizados pela educaþão europÚia, voltavam socialmente iguais

aos filhos das mais velhas e poderosas famÝlias de senhores de

terras. Do mesmo modo quÚ iguais a estes, muitas vezes seus

superiores pela melhor assimilaþão de valores europeus e pelo

encanto particular, aos olhos do outro sexo, que o hÝbrido, quando

eugÛnico, parece possuir como nenhum indivÝduo de raþa pura,

voltavam os mestiþos ou os mulatos claros. Alguns deles filhos

ilegÝtimos de grandes senhores brancos; e com a mão pequena,

o pÚ bonito, Ós vezes os lßbios ou o nariz, dos pais fidalgos.

A ascensÔo dos bacharÚis brancos se fez rapidamente no meio

polÝtico, em particular, como no social, em geral. O comeþo do

reinado de Pedro II Ú o que marca, entre outras alte.aþves na

fisionomia brasileira: o comeþo do "romantismo jurÝdico" no Bra-

sil atÚ então governado mais pelo bom senso dos velhos .que

pelo senso jurÝdico dos moþos. Com Pedro I, tipo de filho de senhor

de engenho destabocado, quebrara-se jß quase por completo,

#

para o brasileiro, a tradiþão ou a mÝstica da idade respeitßvel.



MÝstica ou tradiþÔo jß comprometida, como vimos, por alguns

capitães-generais de vinte e tantos anos, para cß enviados pela

Metr¾pole, na era colonial, quase como um acinte ou uma pirraþa

os velhos poderosos da terra. Mas foi com Pedro II que a nova

Sosxos E Mvcsos - 2 ░ Tovso ST5

mÝstica-a do bacharel moþo-como que se sistematizou, destruindo

quase de todo a antiga: a do capitão-mor velho.

Os bacharÚis e doutores que iam chegando de Coimbra, de

Paris, da Alemanha, de Montpellier, de Edimburgo, mais tarde

os que foram saindo de Olinda, de São Paulo, da Bahia, do Ricv

de Janeiro, a maior parte deles formados em Direito e Medicina,

alguns em Filosofia ou Matemßtica e todos uns sofisticados, tra-

zendo com o verdor brilhante dos vinte anos, as ·ltimas idÚias

inglesas e as ·ltimas modas francesas, vieram acentuar, nos pais

e av¾s senhores de engenho, não s6 o desprestÝgÝo da idade

patrÝarcal, por si s¾ uma mÝstica, como a sua inferioridade de

matutÓes atrasados. Ao segundo Imperador, ele pr¾prio, nos seus

primeiros anos de mando, um meninote meio pedante presidindo

com certo ar de superioridade europÚia, gabinetes de velhos aca-

boclados e atÚ amulatados, Ós vezes matutos profundamente sen-

satos, mas sem nenhuma cultura francesa, apenas a latina, apren-

dida a palmat¾ria ou vara de marmelo, devia atrair, como atraiu,

nos novos bacharÚÝs e doutores, não s¾ a solidariedade da juven-

tude, a que jß nos referimos, mas a solidariedade da cultura

europÚia. Porque ninguÚm foi mais bacharel nem mais doutor

neste PaÝs que Dom Pedro II. Nem menos indÝgena e mais euro-

peu. Seu reinado foi o reinado dos BacharÚis.

Em suas Mem¾rias recorda Ó pßgina 91 Dom Romualdo de

Seixas que "distinto Deputado, hoje Senador do ImpÚrio" pro-

punha que se mandasse para o Parß, com o fim de melhor ajustar

ao sistema imperial aquela provÝncia indian¾ide do extremo Norte,

carne, farinha e BacharÚis`. E comentava Dom Romualdo: "Pa-

receu com efeito irris¾ria a medida; mas refletindo-se um pouco

vÛ-se que os dois primeiros socorros eram os mais pr¾prios para

contentar os povos oprimidos de fome e misÚria e o terceiro não

menos valÝoso pela mßgica virtude que tem uma carta de Bacharel

que transforma os que tÛm a úortuna de alcanþß-la em homens

enciclopÚdicos e aptos para tudo:'

De Dom Pedro II não serß talvez exa ero dizer-se que sua

confianþa estava mais nos bacharÚis que a gministrassem juridica-

mente as provÝncias e distrÝbuÝssem corretamente a justiþa, do

que em socorros de carne e farinha aos "povos oprimidos". So-

corros precßrios e efÚmeros.

Mas o bacharel não apareceu no Brasil com Dom Pedro II

e ß sombra das palmeiras imperiais plantadas por el-Rei seu av¶.

Jß os JesuÝtas tinham dado Ó col¶nia ainda sombreada de mato

grosso-a terra Ýnteira por desbravar, indios nus quase dentro das

igrejas, de olhos arregalados para os padres que diziam missas,

casavam e batizavam, cobras caindo do telhado por cima das

camas ou enroscando-se nas botas dos colonos-os primeiros ba-

576 Gu.sEaTo FxxE

di


charÚis e os primeiros arremedos de doutores ou mestres em

arte. E nos sÚculos XVII e XVIII, graþas aos esforþos dos padres,

i aos seus cursos de latim, Salvador jß reunira bacharÚis formados

' nos pßtios da Companhia, como Greg¾rio de Matos e seu irmão

I

EuzÚbio, como Rocha Pita e Botelho de Oliveira. Alguns aper-



feiþoaram-se na Europa, Ú certo; mas na pr¾pria Bahia, e com

‗s padres velhos, Ú que quase todos fizeram os estudos de Hu-




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