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1OIbid., pág. 12.

171bid., pág. 12.

18Theophilo Benedicto Ottoni, A Colonização do Mucuri, Rio de janeiro,

1859, pág. 34.

lgIbid., pág. 35.

*Dlbfd., pig. 35.

2'Entre os progressos materiais do Brasil no começo do século XIX,

Hoarique Cancio considera "digno de menção", o descobrimento, por Início

de Síqueira Nobre, de "matas de arbustos próprios para o cultivo do bicho-

#

.da-seW ao mesmo tempo que a importação de "duzentos ~," importa-



çao que, ao seu ver, "dotou o País com a cultura do chá" (D. João VI,

Bahia, 1909, pág. 154). Essa colónia de chins, ou chinas, informa C. A.

Taunay que "o Governo Portuguez" "tinha mandado vir com extraordinario

desembolso". Trouxeram eles "sementes e novelhos" e os ensaios de aclima-

ção do chá foram feitos em Santa Cruz e no jardim Botânico. A empresa,

porém, "teve a sorte de muitas outras: o desleixo, a inveja do parti do por-

tuguez e indiflerença dos ministerios que succederão aquelle que fez o

ensaio, paralysarão os bons resultados que já deveria ter dado". Quanto

aos duzentos chins importados pelo Governo Português para introduzirem a

cultura do chá no Brasil colonial informa C. A. Taunay com igual melancoha

em livro publicado em 1839- "poucos desses Chinas sobrevivem e esses

~o a sua vida a mascatear..." (C. A. Taunay, Manual do Agricultor

Brasileiro, Rio de janeiro, 1839, pág. 60). 0 Príncipe Maximiliano, entre-

tanto, conheceu nove desses chineses numa fazenda de Ponte do Gentio,

ao lado de seis famílias açorianas e de vários escravos negros, todos dedi-

cados ao trabalho agrícola. Ainda que os asiáticos parecessem a Maxímiliano

preguiçosos", notou o europeu que as cabanas ou mucambos em que viviam

eram muito limpos e asseados, com camas, que contrastavam com as palhoças

e almofadas redondas que serviam de travesseiros aos chinas, possuidores tam-

bém de porcelana e de leques da China que guardavam com grande cuidado.

Ainda que alguns tivessem já se convertido à religião Católica e casado com

moças índias, conservavam costumes chineses e comemoravam com as devi-

das cerimónias dias de festas tradicionais do seu país de origem (Príncipe

Maxi~o Neuwied, Travels ín Brazí1 ín 1815, 1816, and 1817, trad.,

Londres, 1820, págs. 110-111).

Novo grupo de- chineses-trezentos-vieram para

o Brasil em 1855, éon-

tratados por um particular, o negociante Manoel de Almeida Cardoso. Esses

trabalhadores orientais deram ao diretor-geral da RepartiOo Geral de Ter-

ras Públicas, Manoel Feli:zardo de Sousa e Melo, a impressão, registrada

em relatório do ano de 1855, de vigorosos e aptos aos trabalhos do campo.

Entretanto, por mais úteis que se reconhecesse serem eles ao Brasil, nada

nos acrescentaram aos conhecimentos agrícolas, à moralidade e à civiliza-

çio (Relatório-Repartição Ceçal de Terras Públicas, Rio de janeiro, 1855,

pág. 12).

22Thomas Lindley, Narrative of a Voyage to Brasil, etc., Londres, 1805,

pág. 259.

Rugendas observou, nos seus dias de residência no Brasil, que de nosso

País mandavam-se ainda para o Oriente "grandes importâncias em metal, o

que dá a seu valor flutuações perigosas e muitas vezes altas súbitas e injus-

#

480 Ga~To F5~ SOBRADOS E Mu~os - 2.0 TOMO 481



tificáveW (op. cit., pág. 154). A Introdução do chá no Brasil talvez modi-

ficasse a situação, desde o século XVIII dominante nas relações entre o

Ocidente e o Oriente, do qual só a Inglaterra importava "mais de três mi-

lhões de libras de chá da China." Situação que fazia do Oriente "o abismo

devorador de quase todos os metais preciosos exportados da América para a

Europa% provocando crises de numerário na Europa. 0 que se verificou, po-

rém, é que dai centenas de chineses importados pelo Brasil, ainda co"

para desenvolverem entre nós a cultura do chá, muitos tomaram-se mas-

cates, outros cozinheiros, etc.; e em vez do chá, o aliás também oriental

café é que se tomou o artigo-reí da produção e da economia brasileira.

231bid., pág. 263.

24Ibid., pág. 285.

251bid., pág. 286. Durante o século XVIII são freqüentes as recomen-

d~0es do Governo Metropolitano, em correspondència com os Vice-Èeis

do Brasil, contra os contrabandos, podendo ser citadas como exemplos dessa

preocupação a ~a de 14 de março de 1769 e principalmente a de 14

de janeiro de 1799 "recommendando todo cuidado para impedir que navios

extrangeiros sob o pretexto de arribada façam contrabando" (Liv. 20, fis.

15, Correspondencia da Corte de Portugal com os Vice-Reis do Brasil no

Rio de janeiro de 1762 a 1807, ms. Arquivo Público Nacional).

28Diário 0~, Salvador, 2 de julho de 1922.

27Salvador, 1931.

28"Comércio da Bahia Colonial com a África e a índia", Anais do Ar-

quivo Público e da Inspetoria dos Monumentos do Estado da Bahia, vol.

XX, Salvador, 1931, pág. 228.

~id., pág. 228.

801bid., págs. 231-232.

811bid., pág. 252. 0 tabaco brasileiro parece ter sido então particular-

mente apreciado no Oriente e, como tal, objeto de contrabando. Em 1805,

recomendação da Corte, de 15 de março, para o Governo do Brasil no Rio

de janeiro, mandava "Providenciar para impedir que navios em viagem

para a India" fizessem---contrabandode tabaco" (Liv. 23B, fis. 12, ms., Ar-

quivo Público Nacional).

82Também em vários dos volumes de Documentos Hístórico3 (Leis,

Provisões, Alvarás, Cartas e Ordens Reais) publicados pelo Arquivo Nacio-

nal e pela Biblioteca Nacional encontram-se numerosas informações sobre

o mesmo comércio e acerca de arribadas de naus da índia, navios estran-

geiros, etc.

8BMs. ("Officios do Governo-1804-1807% na Seção de Mãs. da Biblio-

teca do Estado de Pernambuco).

84C. A. Taunay, Manual do Agricultor Brasileiro, Rio de janeiro, 1839,

pág. 60.


851bid., pág. 60. Os chineses se serviam, para perfumar os seus chás,

de folhas de camélia, resedá-de-badiana, ou anis-estrelado, para o chá verde;

de flores de metiantes oú mogerim, sambac, vitex pinnata, chlorntus incons-

pkw, alea-fragans, raizes de íris e de corcuva, para dar-lhe cor. (S. V.

yigneron jousselandière-Novo Manual Prdtico da Agricultura Tropical

i .... 1 Fruto de 37 Anos de Experiência, Rio de janeiro, 1860, pág. 150).

#

parece que de tais plantas não foram transplantadas para o Brasil senão



algumas, faltando, assim, ao chá brasileiro, o gosto, a cor e o perfume dos

orientais.

38Cazeta do Rio de Jandro, 11 de abril de 1821.

87Diário de Pernambuco, 29 de julho de 1842.

88~ do Rio de janeiro, 7 de março de 1821.

89Jornal do Commercio, 10 de novembro de 1827.

40]ornal do Commercio, 12 de julho de 1828.

4111ornas Ewbank, Life in Brazii-or Journal of a Visit to the Und of

Cocoa and the Palm, Nova Iorque, 1856. Para o assunto voltou-se ultima-

mente o redator do Boletim Informativo publicado pelo Serviço de Infor-

mações da Embaixada da índia no Rio de janeiro (fevereiro, 1949), que

salientou:

"Num livro fascinante, intitulado Life in Brazil-Land of the Cocoa and

the Paim, Thomas Ewbank nos fala duma possível origem indiana do carna-

val brasileiro. Dá-nos o autor uma descrição vívida do "Hoti", descrição

essa que, por si só, talvez venha a explicar muito do que hoje ainda sobre-

vive de uma tradição já esquecida, cujo significado o povo não mais conhece.

"Segundo Ewbank, o carnaval chamava-se Intrudo na época -em que ele

visitou o Rio de Janeiro-1849. Da descrição abaixo, do Intrudo, poderá

o leitor verificar a relação profunda existente entre o carnaval brasileiro

e o "Holi" indiano. Diz Thomas Ewbank:

"As estranhas coincidèncias na linguagem, costumes e outros hábitos que

constítuem a intimidade, ou mesmo a Identidade, entre os povos primitivos

da Europa Ocidental e da Ásia Central, já foram freqüentemente obser-

vadas. Não me consta que o Intrudo tenha sido interpretado dessa manei-

ra. Quer me parecer, entretanto, que pouca dúvida resta de que o mesmo

seja o Hohlee do Hindustão-festival que data de tempos mitológicos, e,

portanto, envolto no mais denso mistério.

"Mr. Broughton, que teve ensejo de participar desse festival na corte

de um príncipe hindu, nos dá uma descrição detalhada da sua experiéncia:

'0 entretenimento do Hohlee consiste em atirar uma quantidade de

farinha feita de uma noz aquática, o 'eingarafW, e tingida de vermelho. É

conhecida como 'abeW. 0 divertimento principal é jogar essa farinha nos

olhos, boca e nariz dos participantes, ao mesmo tempo que se lhes aplica

um banho de água alaranjada. Muitas vezes o 'abeeiw' é misturado com

talco em pó, a fim de torná-lo brilhante, sendo bastante doloroso se penetrar

nos olhos. Outras vezes, o 'abeer' é colocado dentro de pequenas bolas

feitas de uma substância gelatinosa, do tamanho de um ovo, e que servem

como arma de ataque. Todavia, são tão delicadas que precisam ser tratadas

com o máximo cuidado, pois se desmancham sob a menor pressão ...

1!

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482 G"raTO Fr=Re SoB~9 x M~~ - 2.0 Tomo 483



`Alguns minutos após ocuparmos os nossos lugares, enormes bandeja

de bronze cheias de 'aboW e das bolinhas acima descritas, foram coloca-

das diante dos ~dores, ~ente com água amarelada e grandes

bisnagas de prata. 0 Muha Raj em pessoa iniciou então o divertimento,

lançando sobre os ~entes um pouco da água amarela ou vermelha dos

'gook~-pequenos vasos de prata usados para pôr água-de-rosas duran-

te as visitas de cerimÔnia. Cada um principiou então a atirar o 'abeer' e a

jogar água nos vizinhos. A etiqueta proíbe que alguém lance qualquer

cousa sobre o Rajá; contudo, fora ele informado de que estávamos determi-

nados a atacar todo aquele que nos havia atacado,lendo ele respondido jo-

~ente: 'De todo o coraçW-disse-'estaria ele pronto para nos enfren-

tar, e veríamos quem sabia atacar melhoí. Descobrimos logo, porém, que

contra ele nada podíamos fazer; pois, além de um pano com que os seus

servos lhe protegiam o rosto, em poucos minutos havia ele mandado colo-

car em suas mãos uma grande mangueira de extintor de incêndio, cheia

de água amarela, e que estava sendo trabalhada por meia dúzia de homens.

Os resultados foram tais que dentro de pouco tempo não restava um único

homem dentro da tenda que não estivesse encharcado dos pés à cabeça.

'As vezes, voltava ele o jato da mangueira contra os que se achavam

mais próximos, com tamanha força que, dificilmente, a vítima conseguia se

manter em seu lugar. Toda oposição a essa máquina formidável era vi.

0 'abeer` era lançado aos montões, seguido Imediatamente de uma chuva

de água amarela, enquanto que nós nos víamos assim afternadamente em-

poados e encharcados, até que dentro em pouco o chão sobre o qual está-

vamos sentados encontrava-se coberto de uma densa lama rosada. jamais

presenciara cena igual em toda minha vida.'

"0 Intrudo e o Hohlee apresentam, ainda, outra semelhança. Consta-

-nos que o Hohlee 'é festejado praticamente ao mesmo tempo que a nossa

Quarta-Feira de Cinzas, precedendo também a Quaresma ou Época Expia.

tória dos Hindus'-coincidência de tempo e finalidade tão extraordinárias,

como extraordinário é o fato de esses dois festivais serem celebrados com

pó e água-com bolas de arremesso e bisnagas. 0 Hohlee é celebrado por

todas as classes da India-sendo motivo de festejo universal."

42Didrio de Pernambuco, 18 de outubro de 1833.

43Diário de Pernambuco, 5 de novembro de 1833.

44Diário de Pernambuco, 6 de novembro de 1833.

45Diário de Pernambuco, 4 de janeiro de 1843.

46j. B. Douville, 30 Mois de nw Víe, Quinze Mois avant et Quinze Mois

après mon Voyage au Congo [ .... 1 Suivie des Dètails Nouveaux et Curieux

sur les Moeurs et les Usages des Habitants du Brésil et de Bueno3 Aire3, et

£rune Descriptíon de Ia Colonie Patagonia, A Paris, 1833. Douville diz ter

visto no Rio de janeiro senhoras "vetues de robes de satin et de tulle garnie3

Xor et d'argent" (pág. 247), isto é, vestidos de um gosto antes oriental que

ocidental para os olhos de um francês de 1830. Chocaram-no outros cos-

egmes brasileiros que podemos interpretar como orientalismos: Os Vestidos

das mulatas de cetim branco bordado de amarelo; suas chinelas de diversas

Cores; seus xales negligentemente caídos sobre os ombros; flores nos cabelos

(pág. 248). Também os fogos de artifício (pág. 248).

#

47Thomas Lindley, Narrative of a Voyage to Brazil [ .... I with General



Sketches of the Country, its Natural Productions, Colonial Inhabitants and

a Descrq7tion of the City and Provinces of St. Salvador and Porto Segura,

Londres, 1825, pig. 272.

48josé Daniel Rodrigues da Costa, em sua Roda da Fortuna (Obra

Critica, Moral e Muito Divertida), recorda à página 6 do folheto II (Lisboa,

1818) que o costume antigo em Portugal era o dos homens palitarem osten-

sivamente os dentes após a refeição. "Puxavão [ .... 1 os homens por

paliteiros, e era da ordem politica offerecerem palitos uns aos outros; hoje

mud se acabou da meza, puxam por hum macinho embrulhado em papel e

em lugar de palitos offerecern Xarotos."

49Lindley, op. cit., pág. 273.

50]bid., pág. 250.

51]bid., pág. 251.

52Henry Koster, Travels in Brazil, Londres, 1816, pág. 274.

5SD. P. Kidder, Sketches 01 Residence and Travels in Brazil, Filadélfia,

1845, 11, pág. 21.

54Diário de Pernambuco, 20 de maio de 1840.

"Diário de Pernambuco, 15 de julho de 1840.

SODidrio de Pernambuco, 27 de julho de 1840.

57Didrio de Pernambuco, 18 de setembro de 1840.

58Didrio de Pernambuco, 27 de julho de 1840.

59Exemplo: o anúncio no Diário do Rio de Janeiro de 1 de maio de

1822 de "huma criada branca chegada proximamente de Lisboa..."

COExemplo: "... hum bom berço de jacarandá construido em Londres%

no Diário do Rio de Janeiro, de 7 de maio de 1822.

8IDiário do Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1821.

82Diário de Pernambuco, 6 de julho de 1857.

88Diário de Pernambuco, 21 de fevereiro de 1859. Vejam-se anúncios

semelhantes no Didrio do Rio de Janeiro e no jornal do Commercio da

mesma época.

84C. A. Taunay, op. cit., págs. 65 e 78.

85Ibid., pág. 78.

UMs. no Arquivo Nacional, Rio de janeiro. Deve-se salientar que no

Brasil parecem ter sido principalmente os padres e frades-fazendeiros ou

senhores de engenho, os principais experimentadores agrários e importado-

res de sementes do Oriente. Veja-se, sobre o assunto, "Novos Documentos

para a História Coloniar', por F. Borges de Barros, Anais do Arquivo

Público e da Inspetoria dos Monumentos do Estado da Bahia, Salvador,

1931, vol. XX, pág. 158.

#

484



Gu.BERTo FREYRE

I

C7C. A. Taunay, op. cit., pág. 101.



88"Bahia en 1847-Deux Lettres de M. Forth-Rouen, Envoyé et Chargé

d'Affaires en Chine, publiées par M. Henri Cordier", Journal de Ia Sociótd

des Américanistes de Paris (nova série), tomo IV, n." 1, pág. 6.

691)iario de Saude ou Ephemerides das Sciencias Medicas e Naturais do

Brazil, vol 1, n.' 1, 9 de maio de 1835.

701bid.


UDÁrio de Pernambuco, 6 de julho de 1857.

72Debret, op. cit., III, jpág. 147. Debret escreve: "Lusage des cordons

de sonnettes, encore inconnu, laisse subsister rancienne couturne' asiatique

de frapper plusieurs dans les rnains pour íannoncer: signal auquel descend

le nègre valet de chambre et qui se charge de vous conduire, et de vous

reconduíre au besoin".

73j. Arago, Prornenade Autour du Monde, Paris, S. d., I, pág. 115.

741bid., I, pág. 108.

75Ibid., I, pág. 108.

76Pereira da Costa, "Ciganos", ms. na Seção de Mss. da Biblioteca do

Estado de Pernambuco.

77Kidder, op. cit., II, pág. 43.

78Exemplo: no Diário do Maranhão, de 16 de maio de 1856, José Antô-

nio Pereira de Lima, residente e lavrador na povoação do Pinheiro, Termo da

Comarca de Cuimarães, fazia público que no dia 27 do mês anterior "se

sumirão trez crianças de sua fazenda Santa Maria, sita em S. Bento. Estas

crianças sahirão a brincar para a estrada que passa em frente da fazenda e

segue pa. diversas partes a horas depois do almoço e ao jantar he que as

mães dão por falta dos filhos e sahindo ellas pela estrada em procura delles

só vião os rastos até certoponto e dahi em diante nada poderão encontrar ...

Prometto-me a pagar 50$000 por cada huma criança." E alarmado com

"esta nova indwtria", Pereira de Lima lembrava ao Chefe de Polícia: "Cabe

ao II]mo. Sr. Chefe de Policia providenciar tão bem da sua parte não con-

cedendo passaporte a creanças cujas mães as não acompanhem ou uma cer-

tidão de idade, e titulo, por onde o primeiro possuidor a houve." É curioso

que os três meninos eram todos "vermelhos" ou avermelhados de cabelo,

podendo, assim, passar por filhQs de "gringos": . . . "Cosme, edade 4 armos,

cafuz vermelho, cabello da mesma cor"; "Manoel dos Reis, edade 2/3

annos, pretinho fullo de cabello avermelhado"; " ... Pio, edade 3 annos,

cafuz vermelho mais escuro. .."

79EIísio de Araújo, Estudo Hist6rico Sobre a Polícia da Capital Federal

de 1808 a 1831, Rio de janeiro,'1899, pág. 132.

8OInformação ao autor do ilustre historiador Professor Pedro Calmon,

que estudou o assunto.

81Debret, qp. cit., II, pág. 81.

S21bid., II, pág. 80.

83Walsh, op. cit., I, pág. 187

os - 2.0 Tomo

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SOBRADOS E MUCAMZ



485

S4Didrio de Pernambuco, 29 de dezembro de 1831.

85Diário de Pernambuco, 22 de janeiro de 1847.

&$Exemplo: anúncio no jornal do Commercio de 10 de novembro de 1827.

87E,xemplos. o anúncio no Diário do Rio de Janeiro de 21 de maio de

1822 de "huma casaca, colete, calção, tudo de seda cor de flor de ale-

crhn..." Ou este, 9 de outubro de 1821, no mesmo jornal: "Vende-se

[ .... 1 huma sobrecazaca de pano verde fino, com gola de veludo verde,

e= as costas forradas de Hollanda..." 0 Diário do Rio de Janeiro de

6 de dezembro do mesmo ano (1821) traz significativo anúncio no qual

oferece ao lado de "huma cazaca preta nova~% "huma dita azul usada".

0 começo da vitória do preto sobre o verde, a cor de flor de alecrim, o

amarelo, o vermelho e mesmo o azul nas principais peças do vestuário

burguês e até aristocrático dos homens. As cores orientalmente vivas e

variadas, vencidas nesse setor, sob a pressão das novas modas européias

de roupa de homem de cidade - que teriam nos estilos da época Român-

tica sua última expressão de colorido, embora um colorido já falido, dentro

do gosto geral do Romantismo para os azuis e roxos pálidos-continuaram

a ostentar-se, no Brasil, no trajo da mulher-quer da aristocrática quer da

plebéia-e do escravo que, nos anúncios de negros fugidos, continuou,. du-

rante quase toda a primeira metade do século XIX, a desfilar com calças,

~as, coletes, restos de casacas e sobrecaiacas de cores orientalmente vi-

vas. Sobrevivências, em vários casos, dos trajos senhoris de homem *do

século XVIII e dos princípios do século XIX, marcadas por cores que se

tomaram depois femininas e plebéias. Afrânio de Melo Franco, em estudo

sobre "Cláudio Manuel da Costa" (Revista do Arquivo Público Mineiro,

ano XXIII, Belo Horizonte, 1929), salienta do arrolamento dos bens con-

fiscados àquele inconfidente, típico-ao nosso ver-dos primeiros intelec-

tuais afrancesados, no Brasil, as casacas, véstias e calções, nos quais predo-

minavam cores orientalmente vivas: "calções de pano carmezira caseado de

ouro",,de "cabanga verde com chuva de prata", de "veludo cor de cereja",

de '1:)elbute amarelo", de "pano verde", de .. cetim cor-de-rosa". Deixou

também o inconfidente "dúzias de porcelana da India" (pág. 48).

88Diário de Pernambuco, 16 de setembro de 1846.

89Gazeta do Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 1818.

9OJoriial do Commercio, 10 de novembro de 1827.

911ornal do Commercio, 20 de dezembro de 1828.

92]ornal do Commercio, 20 de dezembro de 1828.

93Gazeta do Rio de Janeiro, 6 de março de 1818.

94]ornal do Commercio, 20 ele dezembro de 1828.

95jornal do C * ommercio, 7 de agosto de 1828.

96]ornal do Commercío, 12 de julho de 1828.

97]ornal do Commercio, 3 de março de 1836.

98Didrío do Rio de janeiro, 22 de julho de 1821.

ggMawe, op. cit., Pág. 114.

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"i

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486 Gaiwairo FRzyaz



SoB~s E Mu~os - 2.0 Tomo 487

"IOINd., pág. 115.

1011b44 pág. 218.

102Ibid., pág. !Zlg.

103Ibid., pág. 219.

104Sobre o assunto apresentamos nota prévia &0 1-0 Congresso Afro-Brad-

leiro, reunido no Recife em 1934. Extraviaram-se a nota e as excelentes

ilustrações, feitas pelo pintor Cícero Dias, dos diferentes modos por nós

observados, de mulheres do povo de Pernambuco usarem, até época recente,

xales ou mantas, de acordo com diferentes estilos dominantes nas áreas afri-

~as de procedência de grupos cujas tradições se conservaram no Brasfi.

1OSMawe, op. cit., pág. 393.

10OEm 1822, ainda se vendiam no Rio de janeiro, segundo anúncio no

Diário do Rio de Janeiro de 7 de março, "veDas de cera da India de muito

boa qualidade por ser de muita duração e muito clara". Parece ter lido

considerável a importação brasileira de velas de cera da India.

107"Triumpho Eucharistico, Exemplar da Christandade Luzitana em

Publica Exaltação da Fé na Solenne Transladaç1o do Divinissimo Sacramen-

to da Igreja da Senhora do Rozario para um Novo Templo da Senhora do

Pilar em Villa Rica, Corte da Capitania das Minas aos 24 de Maio de

1733 por Simão Ferreira Machado , Lisboa ocidental, mDccxxXjv (Ar-

quivo Público Mineiro, Belo Horizonte, Ano 111, 1901, 1902, págs. 1000-1012).

1080 Culto da Arte em Portugal, Lisboa, 1896.

109Maria Craham, Journal of a Voyage to Braza and Residence there,

during the Years 1821, 1822, 1823, Londres, 1824.

11OCostume observado, entre outros, por Luccock (op. cit, pág. 205).

ML. M. Schaeffer, Sketches of Travels in South America, Me~ and

California, Nova Iorque, 1860, págs. 14-15.

112Luís jardim, "A Pintura Decorativa em Algumas Igrejas de Mime.

Revista do Serviço do Patr~o Histórico e Artistico Nacional, Rio de

janeiro, 1939.

0 historiador mineiro Augusto de Lima júnior no seu estudo A Capitania

das Minas Gerais (Lisboa, 1940) recorda à página 78 que do Oriente víe_

ram para Minas Gerais, na era colonial, "muitas reproduções em vulto, cor-

tadas em ébane, da Virgem de São Lucas, da qual se fizeram, no Brag




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