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moral talvez atue, quase sempre, indiretamente, o desejo econô-

mico que anima o civilizado exparísionista, de mercados onde se

#

possam estender as indústrias estandardizadas: os sapatos, as meias,



os chapéus fabricados na Inglaterra ou na França.

Do mesmo modo a casa de palha dos indígenas das terras tro-

picais. 0 mucambo afro-brasileiro. A palhoça de palma de buriti.

A repugnancia do imperialista europeu pelo mucambo nem sempre

terá sido exclusivamente moral ou higiênica: talvez também eco-

nômica.


Maximiliano sentiu pelas habitações dos senhores de Campo

dos Coitacases verdadeiro desprezo. Sendo ricos, os fazendeiros

viviam daquele modo antietiropeu. Deviam ser sovinas ou então

doentes. Mas no desprezo do Príncipe pelos ricaços de Campo

dos Goitacases talvez se exprimisse uma espécie de consciência

de superioridade econômica de cultura, criada pelo imperialismo

europeu até nos seus sábios e homens de ciência. Através de Maxi-

miliano talvez falasse-de modo indireto, é claro-o imperialismo

europeu lamentando que, à falta de estímulo, vivessem aqueles

homens ricos, de uma região tropical tão fértil, sem o conforto

à moda euro ela oferecido pelas indústrias de vidro, de louça,

de madeira, NOS países da Europa.

0 mesmo sentimento parece ter experimentado Saint-Hilaire no

Rio Grande do Sul, ao salientar a extrema simplicidade das casas

dos fazendeiros mais ricos. Simples ranchos. 0 conforto físico dos

atrões, quase o mesmo que o dos empregados. Casas cobertas

e palha, acachafadas, construídas com paus cruzados -e barro.

e a


a

As Salas sem jane as; e em vez de portas-muito menos portas envi-

draçadas separando as salas dos quartos Principais-nada mais

que cortinas, talvez de pano rude, feito em casa ou por escravo.

0 mobiliário-duas ou três cadeiras de couro rústico. Cama, tam-

bém: de fundo de couro rUStico. Um estrado de tábuas sobre o

qual a dona da casa trabalhava e a mesa de pau onde os pro-

prietários se serviam do mesmo churrasco-e do mesmo chimarrão

que os moradores de casas um pouco mais rUsticas, seus em-

pregados.14

Mas até nas regiões escravocráticas, de maior diferenciação

entre o genero e as condições de vida do senhor e do trabalhador,

Saint-Hilaire observou entre nós-e antes dele Dampier, nos prin-

cípios do século XVII-certo desprezo dos ricos pelo conforto do-

méstico: a grandeza que alardeavam era, nas cidades, a do trajo,

no mato, a dos cavalos ajaezados de prata. E principalmente a de

número de escravos e a de extensão das terras. No Rio Grande

do Sul o número de reses e a qualidade dos cavalos constituíam

i

#

326 GILBERTo FREYPE SOBRADOS E MUCAMBOS - L' Toxio 327



para muitos a maior ostentação social. Isto na área gaúcha, cara-

terizada pela extrema mobilidade das populações."

As exceções-certa área levantina, ao Norte, onde a colonização

começara no século XVI com casas-grandes, casas-fortes e capelas

de pedra e cal, e, mais tarde, no século XVIII, a área mediter-

rânea, ou mineira, onde Mawe, nos princípios do XIX, ainda en-

controu nos sobrados, restos de conforto e até de luxo à euro-

péia-refletem, ao lado das vantagens economicas e do solo aí

encontradas e desenvolvidas pelos colonos, a maior intensidade

de contato com a Europa, a ação de estímulos não simplesmente

econômicos, mas, no caso da área levantina, principalmente geo-

gráficos: a oceanidade de Pernambuco e da Bahia, sua proxi-

midade da Europa. Estímulos, também, de cultura-o contingente

judaico na colonização industrial daqueles dois centros; e no outro

caso-na área mediterrâneo-mineira-a ação de estími ",os seme-

lhantes, de cultura cosmopolita, provocados, porém não determi-

nados, pelo fator econômico.

0 diamante, atraindo para Minas os interesses do comércio eu-

ropeu e, sobretudo, a mediação plástica da técníça judaica e da

finança israelita, tão cheia de tentáculos por toda parte, venceu

a distância que separava aquela região, da Europa; e criou urna

série de relações especialíssirrías entre a burguesia rica dos so-

brados de Ouro Preto, Sabará, Santa Luzia e a civilização indus-

trial e urbana do Norte da Europa. Acentuaram-se, sob o estímulo

da maior variedade de contatos com o estrangeiro, forças de dife-

renciação social, que não custaram a romper, vulcanicamente, as

de integração. Daí a revolução Mineira: expressão nítida da dife-

renciação cultural, e não apenas econômica, que se operara na

área mediterrânea. Do mesmo modo, as Revoluções pernambu-

canas: a de 1710, a de 17, a de 24, a chamada Revolta Praieira.

Sobre todas elas atuaram motivos econômicos. Forças econó-

micas. Apenas não atuaram sozinhas. Condicionaram, junto com

outras influências, as demais especializações de cultura-inclusive

o pendor para as formas liberais de governo-que se verificaram

nas duas regiões, a mediterrânea e a levantina, tão diversas na

sua topografia. Não se nega a influência de tais forças; o que se

di é não determinaram, de modo rígido ou absoluto, espe-

de cultura-resultados de causas ou influên-

z 4~v

cializações regionais



cias complexas.

0 Brasil, nessas duas regiões tão desiguais pela situação física

e pelas qualidades morais da colonização-a região dominada pelo

Recife e Salvador, ao Norte, e a de Minas, no Centro-foi um dos

países mais beneficiados pelo comércio internacional dos judeus.

Beneficiado pelo que o judeu pôde oferecer de mais substancioso

à América, em valores de cultura e em estímulos ao nosso desen-

#

volvimento intelectual.



Através dos doutores e dos mestres que a Congregação de

Amsterdã mandou para o Recife e para Salvador, o Brasil recebeu

da velha cultura sefárdica soma considerável de elementos de

valor. Valor científico. ".'alor intelectual. Valor técnico.

Aliás, o Sefardim que aqui chegou da Holanda não era elemento

inteiramente estranho à cultura predominante no Brasil, isto é,

a ibérica ou hispânica. Os hinos que vinha cantando eram piyyu-

tim inspirados nos poetas espanhóis e portugueses. E em vez

da sovinice, da sumiticaria, da unhice-de-fome dos judeus Ashke-

nazic, marcava-lhe os hábitos certa grandeza muito espanhola e

muito portuguesa. 0 gosto de luzir na rua e de ostentar sedas e

veludos nas festas. 0 gosto da mesa larga e farta. 0 bacharelismo.

0 intelectualismo.

Esses traços que, ainda hoje-passados séculos-se encontram,

embora amortecidos, nos judeus de origem hispanica, que se es a-

lharam por Contantinopla, por Esmirna, por Salônica, o SefarTim

tiouxe-os para o Brasil ainda úmidos e vivos. 0 curto exílio na

Holanda não tivera tempo de lhe secar a espanholidade profunda.

De modo que, por um lado, a colonização, aparentemente exó-

tica, de Sefardins, no Brasil-gente cujos nomes portugueses aca-

bariam se estropiando em caricaturas de nomes, mas de qualquer

maneira conservando-se na propria Nova Amsterdã (depois Nova

Iorque) e aí resistindo aos ww e aos yy dos nomes mais terri-

velmente nórdicos-foi, na realidade, colonização de gente quase

de casa. Colonização que não viria perturbar nas suas raízes o

processo da integração social da nova colônia portuguesa. Viria

quase equilibrar a diferenciação com a integração.

Os proprios jogos de seus meninos estavam cheios de reminís-

cências da Espanha e de Portugal, como o 11 castíllo"; alguns dos

guisados mais gostosos de sua cozinha, também. 0 "pastelico",

por exemplo. 0 "pan de Espaãa". A adafina (do árabe, al-dafina,

que que, dizer coisa enterrada ou oculta) é prato muito parecido

com o nosso cozido, e como este, de origem oriental. Certas pa-

lavras mais íntimas-as que designam as partes sexuais do corpo,

por exemplo-os Sefardins do Levante ainda ho'e ~s conhecem

,j

r,



por nomes espanhóis ou portu~ueses: "el compe on'1 por exem-

plo. E quase como o espanhol ou o português de quatro costados,

o Sefardim, eiu vez de se, conservar cosinopolita, indiferente ao

local ou à região, regionalizou-se na Península, cedeu ao pega-

jento das afeições recrionais-o portuQUêS insistindo em ser por-

tuguês, o castelhano, em ser de Castela.16

o que o Judeu troux, pa~a o Brasil com,-) elerrcnto. de dífe-

renciaçao foi p,m(~Í,p~ainient(, ~~ e~ipacidade p~ma o inter-

I

#

328



GILBERTo FPEY-RF

nacional, que nos enriqueceria de uma variedade de contatos, im-

ossíveis dentro da exclusividade portuguesa. Também a especia-

Ízação científica e literaria que neles se aguçara por efeito da-

quela riqueza de contatos, distanciando-os dos portugueses rurais

e cristãos-velhos. Especialização que se aguçara não só no exílio

como nas próprias Espanhas quando, excluídos da política e da

carreira militar, acharam compensação para o recalque dos seus

desejos de glória e de triunfo pessoal ou de família ou raça, nas

carreiras intelectuais e científicas: a Medicina, o Professorado, a

literatura, um pouco a Matemática e a Filosofia. Pais negociantes

e filhos doutores-tal foi, em Portugal, o seu processo de ascensão

social.

Dispersos pelo Norte da Europa, pelas repúblicas italianas, pelo



Levante, pela África, os Sefardins que a Inquisição enxotara das

Espanhas, onde quer que se fixaram, foram estabelecendo relações

comerciais uns com os outros e assim desenvolvendo um grande

comércio internacional. Dos benefícios desse sistema de relações

internacionais é que o Brasil veio a participar, um pouco no sé-

culo XVII e outro tanto no século XVIII, comunicando-se, pelos

judeus, com a Holanda e com a Inglaterra, com o Levante e com

as Repúblicas italianas.

Assim se explica, em grande parte, o surto cultural, tanto em

Pernambuco, naquele primeiro século-onde a força de diferen-

ciação dos judeus se juntou à dos holandeses, ou, mais rigorosa-

mente, à de Maurício de Nassau-como, até certo ponto, nas ci-

dades mineiras do século XVIll-onde a infiltração israelita foi

decerto menos ostensiva e talvez mais comercial que social e inte-

lectual. Em Pernambuco, supõem alguns ter sido judeu o próprio

Bento Teixeira Pinto. judeu, o primeiro poeta que cantou no sé-

culo XVI as belezas do Brasil e as glórias de Portugal. 17

No Sul-principalmente em Minas Gerais-algumas das melhores

famílias antigas, com olhos, nariz ou beiços que são os clássicos,

do semita, autorizam-nos a supor larga infiltração de sangue

judaico na velha região dos diamantes. Pelas crônicas se sabe que

não foram poucos os indivíduos e até as famílias inteiras, resi-

dentes na capitania das Minas-principalmente em Vila Rica,

Serro Frio e Paracatu-condenadas pela Santa Inquisição por cul-

pas de judaísmo. Em 1726, Diogo Henriques, 63 anos, homem

de negocio morador em Minas de Ouro Preto; José da Cruz Hen-

riques, 29 anos, cobrador de dízimos, morador em Mariana; David

Mendes da Silva, solteiro, natural de Vila Nova da Fonseca e MO-

rador em Serro Frio. Em 1735, João Rodrígues de Morais, de 22

anos, natural da cidade de Miranda e morador em Vila Rica;

José Nunes, de 39 anos, natural da Vila de Espada à Cinta e

morador em Serro Frio; Helena do Vale, 28 anos, solteira, natural

ÓÀ)

#

ai Sai



r-

SOBRADO DO RIO DE JANEIRO (MEADO DO SÊCULO XIX).

(Desenho de M. Bandeira baseado em gravura da época).

do Rio de janeiro, e moradora em Ouro Preto. Em 1732, Manuel

de Albuquerque e Aguilar, de 38 anos, natural da Vila do Castelo

Rodrigo e morador nas minas de Ouro Preto; Antônio Fernandes

Pereira, de 39 anos, natural da Vila do Mogadouro, morador nas

minas de Araçuaí; Domingos Nunes, de 40 anos, solteiro, natural

do Pinhal; Diogo Correia do Vale. Em 1748, Antônio Sanches,

médico, residente em Paracatu. e João Henriques, boticário, tam-

bém de Paracatu, de 59 anos, médico, natural de Covilhã, morador

em Ouro Preto. Em 1733, Antônio Rodrigues Garcia, de 39 anos,

mercador natural de Pinhal; Miguel Nunes Sanches, de 39 anos,

residente em Paracatu; Antônio Ribeiro Furtado, solteiro, resi-

dente em Serro Frio. E em 1739, Manuel Gomes de Carvalho,

morador em Vila Rica e outros.

Manuel de Albuquerque e Aguilar-o Aguilar é nome de sabor

muito judaico-vamos encontrá-lo, também, entre uma dezena de

outros, na carta re ia e 12 de agosto de 1732 ao Conde das

Galvêas, denuncia= o fabrico de moeda falsa em "Paraopeba"

e depois em Itoubrava. As moedas eram de ouro e o trabalho de

fundição e cunho, aperfeiçoadíssimo. Quase não se distinguia o

dinheiro falso do autêntico, Técnica finíssima.

#

3W CILBERTo FREYiRE '~n13RADOS E MUCAMBOS - 1 ' Tomo 331



Aliás, não se veja nessa atividade ilegal, que teria sido pro-

vavelmente orientada por técnicos judeus, o so aspecto de ilega-

lidade mas um dos meios da indústria mineira reagir contra o

tributo exageradíssimo que era obrigada a pagar à Metrópole

exploradora. Indiretamente-e por meios nem sempre legais-a téc-

nica dos judeus parece ter concorrido para o desenvolvimento da

riqueza local, nas cidades mineiras, tomando-as mais aptas às

atitudes autoriornistas, fundadas quer na consciência de suficiência

econômica, quer na revolta contra os exageros da exploração pela

metrópole portuguesa. Por outro lado, o comércio internacional

dos judeus parece ter criado, para Minas, pontos de contato com

o estrangeiro, favoráveis aos impulsos de diferenciação não só

social e intelectual-um mineiro, o Dr. Francisco de Melo Franco,

seria condenado pela Inquisição por idéias consideradas perigosas,

à religião-mas também, política.

Este é um aspecto do problema estranho ao presente ensaio:

a provável projeção política da atividade dos estrangeiros no Bra-

sil colonial. Apenas recordaremos ~ue, em Minas, o irlandês Ni-

u(

colau Jorge, que, nos fins do sécuo XVIII, -esidiu no Distrito



Diamantino, foi um entusiasta da revolução de 1789, em cuja de-

vassa vem uma frase sua, aliás bonita, mas não se pode deter-

minar ho*e se de negociante, a quem interessasse particularmente

um Brasil mais livre no seu sistema de comércio, se de um homem

de ardores fáceis, a quem tivesse contagiado o patriotismo dos

bacharéis e dos letrados das cidades mineiras: "0 Brasil seria um

dos primeiros países do mundo se fosse livrel" E em Pernambuco,

o inglês Bowen, de tal modo se identificou com os revolucionários

de 1817, que foi o primeiro enviado dos conspiradores aos Esta-

dos Unidos. Há também quem ligue à influência do liberalismo

de Nassau sob re a mentalidade dos colonos do Norte no século

XVII, certo pendor, porventura mais acentuado no pernambucano

que nos brasileiros de outras reliões, para a insubordinação poli-

t

tica e para as formas liberais e governo.18



Ao fato de o comércio de diamantes e de pedras preciosas-

que alguns estudiosos da expansão israelita na América afirmam

ter sido dominado, no século XVIII, pelos Judeus-haver criado

para as cidades mineiras relações especialíssimas com o Norte

da Europa, deve-se atribuir, em grande parte, repita-se, a maior

europeização daquela área brasileira no século XVIII quanto

a padrões de conforto de casa. Mawe é até enfático sobre o con-

forto europeu que encontrou em Vila Rica: "as casas de )essoas

de alta classe em Vila Rica são muito mais cômodas e melbor

mobiladas que as do Rio de janeiro e São Paulo, a maior parte

muito bem decoradas".19

0 tom europeu das modas de vestuário em Olinda, no Recife,

#

em Salvador e até em São Luís do Maranhão-tom tão acentuado,



nos séculos XVI e XVII-empalideceu no século XVIII, indo os-

tentar-se com maior viço nas montanhas de Minas. Montanhas

aparentemente tão antietiropeias mas, na verdade, deixando-se

renetrar, através de bacharéis, de mascates e até de ingleses, pe-

as

s influências novas, tanto de idéias como de modas, v;indas da



Europa. Porque foi em Minas que se desenvolveram, então, no

Brasil, os estilos de vida e os padrões de conforto fisico que de-

liciaram europeus como Mawe e Saint-Hilaire: camas elegantes,

de bela madeira, o fundo às vezes de couro; colchões de algo-

dão; lençóis de pano fino, enfeitados de renda; os travesseiros

também guarnecidos de renda; as colchas de damasco amarelo.

Acima dos leitos, armaçoes em forma de dossel, mas sem cor-

tinados. "Nunca vi camas tão magníficas como as das pessoas

ricas desta capitania, sem excetuar mesmo as da EuroIr., es-

creveu Mawe referindo-se aos leitos onde dormiam os urgue-

ses dos sobrados de Ouro Preto .20

Em contraste com esses burgueses de sobrado, tão europeus

nos estilos de vida, fazendeiros ricos, donos de muitas terras e

escravos, dormiam em rede ou em catre. "Não se conhece nas

casas dos fazendeiros"-escreveu Saint-Hilaire referindo-se aos

Mineiros-"nenhum dos móveis a que estamos habituados em

nossos aposentos; guarda-se a roupa em baús ou suspende-se em

cordas, a fim de protegê-la da umidade e dos insetos. As ca-

deiras são raras, e as pessoas se sentam em bancos ou tambo-

retes de pau. . ."21 Existia em algumas fazendas apenas certo

luxo de damasco e de guarnição de renda nas camas, talvez imi-

tado daquelas camas de rei dos burgueses de Vila Rica.

Quanto ao trajo, Mawe repvou em Vila Rica, nos começos

do século XIY, que as senhoras imitavam de preferência as mo-

das inglesas .22 E Saint-Hilaire, tendo ido a um baile oferecido

à sociãade mineira pelo governador D. Manuel de Castro Por-

tugal, não encontrou entre os estilos de vestir das senhoras mon-

tanhesas e as modas européias, a distância enorme que esperava.

De destoante, só surpreendeu, num intervalo de contradanças eu-

ropéias, o fandango que certa mulata dançou no meio do baile,

parece que com muito arregaçar de saias e exagerado saraco-

teio do Corpo.23 Pelo menos o cientista francês se escandalizou.

Como que sentiu de repente um bafo quente e para ele, talvez,

fétido de África, naquele ambiente de temperatura agradavel-

mente européia e burguesa.

Nas igrejas, é que as senhoras não desprezavam as capotas, os

xales, as mantilhas, tapando a metade do rosto. Capotes outrora

11

#



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0

#



-já

a .5 W a *;5

to CU 0 52.

- Frederico Chaves aluga sua casa de campo,

sita Do Poço da Panella, com muito bons cominodos

para famiÉia, tendo 4 salas 7 quartos, cozinha fóra,

casa para criados, cocheira, estribaria para 4caval-

1

105, boa Cacimba, jardim e horta aos lados da casa :



as pessoas que fi pretendt,rem, POderãà se dirigir

à mesma Aga-11SLIP--17

1 Ao publico.

D. Thereza Alexandrina de Sonza Ban-

deira deu principio aos seus ensinos de

primeiras letras e grammatica, e continua

a receber discipulas. A mesma senhora

ensina bordados de varias qualidades co-

mo de ouro, seda e varias outras galante-

rias de lã., como flores, tapetes etc. Se ai-

9.1!em quizer servir-se de seu prestimo di-

rija-se a rua dos Quarteis 11. 14, seguiido

andar.

0 war~ento he utti, MaIS PartAMIar-



à~te i~ se uintes ea^

Alporcas.

Caimbras.

Gallos.


Canceres.

Cortaduras.

Dores de cabeça.

:~das costas.

dos membros.

Enfermidades da cutis em

ral

1 g 1


Ditas di~ anus.

e' e escorbuticas.

#

F'r~1'W.1'ías no abdomen.



"I F ~ 5

1d

1 da( e Du falta de c



Frial alor

na., extremidades.

Friei~as.

Gengivas escaldadas.

Inchacões.

Inflaáacào do ftado.

~da beiiga. 0

0

nflammação da InAstriz-



Lepra.

Males das penias.

-dos peitos.

-de olhos.

Mordeduras de reptis.

Picadura de mosquitos.

Pulmões.

QW.4madelas.

S~8.

Siupurações plitridas.



tinha, ~m qualquer parte

que seja


Tremor de nervos.

Ulceras na bocca.

-do figado.

-das articulacões.

Veias torcidas ou nodadas

nas pernas.

Vende-se este ungnent no estabelecimento geral

de Londres n. 224, (.(Strand,k e na loja de todos os

boticarios droguista4 o outras pessoas encarregadas

de sua venda em toda a kinerica do Sul. Havana o

Hespanha.

Vende-se a 800 is. cada bocetinha, cíontém uma

inátrucção em portuguez para o modo de fazer uso

deste únguento.

#

loí,l) carios coellio da silva, defronte da Igreja



da Madre de Deos, tem para vender 4 redes linas

Óe dormir, vindas do Maranhão pelo vapor 0ya-

ANúNCIOS DE JORNAIS BRASILEIROS DO MEADO E DO FIM DA ERA ~ERIAL relativos

a estilos de ConVivéncia ainda patriarcal e já urbana ern algurnas das então

principais áreas do País (Bahia, Rio de janeiro, Pernarribuco, Rio Grande

do Sul). Grupo VIII.

SOBRADOS E MUCAMBOS - 1.' Tomo

333


muito usados em Portugal e Espanha que por muito tempo sobre-

viveram no Brasil, marcando a resistência da moda árabe a pene-

tração da européia, triunfante nas salas de baile e nos teatros.

Os pes, que, no tempo dos holandeses, as senhoras de Pernam-

buco escondiam como uma parte íntima e como que sexual do

corpo, aos poucos foram sendo mostrados-pelo menos aos pri-

mos fazedores de sonetos. Mas as pernas, não; e o melindroso

Pascual que rocurou rebater, já no meado do século XIX, as




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