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ser considerado típico o anúncio, aparecido na Gazeta do Rio de Janeiro de 2

de outubro de 1821: ".. huma casa assobradada" construída com "perfeição

e fortaleza", "com acorrimodações para numeroza família", .1 cavalherice", "co-

cheira", "jardim", "horta", "boa agoa", "duas cozinhas", etc.

118Tanto quanto Ouseley com relação aos jardins das chácaras mais ele-

gantes do Rio de janeiro, Mansfield destaca o encanto dos jardins que co-

nheceu no Recife do meado do s6culo XIX (Charles B. Mansfield, Paraguay,

Brazil and the Plate, Cambridge, 1856, pig. 95).

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117ABain ainda conheceu no Rio de janeiro da segunda metade do sé-

culo XIX "anciennes constructions portugaises basses, étroites et profondes"

a constrastarem com residências de "estilo moderno" (Rio de janeiro -

Quelques Données sur Ia Capitale et sur rAdministration du Brésil, 2.a ed.,

Paris, 1886, pág. 111), contraste recordado também por Pereira da Costa

com relação ao Recife. Aí, desde os dias de modernização do Barão de Boa

Vista, as antigas casas de sítio de feitio português ou "colonial" começaram

a ser superadas por construções de estilos novos: toscano, chalé, gótico,

etc. (Pereira da Costa, ms., Coleção de Mss. de Pereira da Costa, Biblioteca

do Estado de Pernambuco).

118-SOUS un climat chaud et humide, comme celui de Rio" - escreveu

AlIain referindo-se às casas assobradadas da capital do então Império -

-ce sont les plus agréables et les plus saines" (op. cit., nota, pág. 108).

Contava o Rio de janeiro dos últimos anos do Império, que foram também

os últimos anos do sistema patriarcal, legal e solidamente apoiado sobre o

trabalho escravo, cerca de 30.000 prédios de residência dos quais 18.000

térreos, 7.500 sobrados com primeiro ou mais de um andar além do pri-

meiro, e perto de 3.000 casas assobradadas (ibid., pág. 108).

119Louis de Freycinet, Voyage Autour du Monde, Paris, 1827, 1, pág.

179. Freycinet já atribuía yícios de construção nos sobrados brasileiros à

"carestia dos terrenos no centro da cidade: a elevação do seu valor leva

os compradores a construírem muitos alojamentos no menor espaço

possível . . ."

120OS tipos de habitação patriarcal brasileira , nas cidades e no campo,

foram tão minuciosamente estudados no Norte do Brasil, isto é, em Per-

nanibuco, por Vauthier, de 1841 a 1846, quanto por Debret, no Sul, espe-

cialmente no Rio de janeiro, nos primeiros anos do século XIX. Os reparos

de Vauthier, que se encontram no seu diário íntimo (publicado em 1940,

em tradução portuguesa, pelo então Serviço (hoje Diretoria) do Patrimô-

nio Histórico e Artístico Nacional) e as suas cartas sobre arquitetura tam-

bém publicadas pelo mesmo Serviço em sua revista (vol. 7, Rio de janeiro)

tendem a reconhecer o caráter ecológico da arquitetura doméstica desenvol-

vida, no Brasil, pelos portugueses, ou por seus descendentes. Tanto no tipo

rural de casa de senhor (casa-grande) como no tipo urbano de casa tam-

bém senhoril (sobrado). Ambos os observadores franceses destacaram em

casas brasileiras por eles estudadas sobrevivências mouras; ou árabes: "ana-

logie avec celles des Maures en Afrique", como escreveu Debret: (op. cit.,

II, pág. 215). Referindo-se particularmente ao sobrado, observou Debret

que, no Rio de janeiro, esse tipo de arquitetura se desenvolvera, sob o go-

vemo dos vice-reis, em construção tanto urbana como suburbana: "ron

retrouve sans aucune altération dans les grandes rues marchandes, les places

publiques et les extremités de Ia ville: avec cette différence, néanmoins, que

dans les beaux faubourgs de Rio-janeiro, 1'homme en place et le négociant

consacrent tout le rez-de-chaussé aux remises et aux écuries; tandis que en

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GrLBERTo FREYRE

ville, le commerçant y installe ses spacieux magasins et n'y reserve, parfois,

qu'une petite écurie pour sa mule" (Ibid., 11, pág. 216).

Dos sobrados do Rio de janeiro na primeira metade do século XIX ocu-

pou-se também Abel du Petit-Thouars, comandante da Fragata La Venus,

cujos reparos vêm resumidos por C. de Melo Leitão em Visitantes do Pri-

meiro Império (São Paulo, 1934): "... Nos belos quarteirões e nos do

comércio [os sobrados] são de um só pavimento, às vezes de dois, rara-

mente de mais. 0 Brasil que se lembra dos portugueses, seus primeiros

colonos, conservou em parte o tipo de sua arquitetura; o árabe faz-se

sentir a cada passo. Adivinha-se facilmente que as artes e práticas im-

portadas da África para Portugal, novamente atravessaram o mar- (pág. 67).

121Segundo Alfredo de Carvalho, nomeado Chefe de Polícia do capitão-

-general de Pernambuco, D. Tomás de Melo, o valente e agigantado José

Correia da Silva, alcunhado "o Onça" - que "rondava noites inteiras no

encalço de vagabundos e criminosos" - os moradores dos sobrados ou das

casas do Recife passaram a dormir sossegados, nas "noites cálidas de estio

[ .... 1 de janelas abertas ao refrigério dos alísios" (Frases e Palavras, cít.,

pág. 53).

1220 Comandante Vaillant, cujos reparos sobre o Rio de janeiro da

primeira metade do século XIX vêm resumidos por C. de Melo Leitão

(op. cit., pág. 79), generalizou sobre as casas: "... não procuraram apro-

priá-las às exigências particulares de um clima diferente do da Europa, nada

tendo sido previsto para a proteção contra o calor excessivo. Aqui não se

vêem, como na maioria dos países quentes, essas construções leves onde tudo

é previsto para melhorar a ventilação".

123M. Rugendas critica os sobrados do Rio de janeiro pelo contraste entre

altura e a largura muito exígua, não.se adaptando, assim, ao trópico

.(Maurice Rugendas, Voyage Pittoresque au Brésil, (trad., Paris e Mulhouse,

1835, pág. 49).

124FIetcher, em Fletcher e Kidder, op. cit., pág 176.

125Rugendas, op. cit., pág. 50.

126AIérn de Antônio de Paula Freitas, 0 Saneamento da Cidade do Rio

de Janeiro (Rio de janeiro, 1884), veja-se sobre o assunto Francisco de

Paula Cândido, Relatório Sobre as Medidas da Salubridade Reclamadas

pela Cidade do Rio de Janeiro, Rio de janeiro, 1851.

1271bid., pág. 18. Ainda sobre inconvenientes de casas térreas, vejam-

-se nossas notas às cartas do engenheiro francês L. L. Vauthier, cit. Veja-

-se também sobre casas térreas, Debret, cit., 1, pág. 214, que as carateriza

como ---petites maisons à rez-de-chaussé contigués . . ."

1213Paula Cândido, op. cit., pág. 19.

129Luceock, op. cit., pág. 122. A Luccock, que tanto criticou as cozinhas

das casas coloniais brasileiras, teriam agradado anúncios corno os que apare-

cem nos jornais do Rio de janeiro dos primeiros anos da Independência, re-

lativos a "cosinhas de ferro iiiglezas" (Diário do Rio de janeiro, 13 de abril

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de 1830). No Diário do Rio de janeiro aparecia a 23 de fevereiro de 1822

o anúncio: "Veride-se hum fogão Inglez com lugar para cinco panellas o

qual conserva hum grao certo de calor, por cuja razão he melhor o seu

cosínhado, não gasta mais de hum feixe de lenha por dia. .."

130Lonis de Freycinet (op. cit., pág. 181) refere-se, escandalizado, às

escadas dos sobrados brasileiros: " ... a parte mais defeituosa da casa, às

vezes verdadeiro quebra-costas, em falta de bons arquitetos . . ." Muitos

seriam os acidentes, nos mesmos sobrados, em conseqüência das escadas

mal construídas. Em compensação os soalhos repousavam sobre vigas de

desmesurada grossura e muito aproximadas, o que - notou o francês -

os proprietários faziam por ostentação: para mostrar que nada poupavam.

Anúncios nos jornais brasileiros dos primeiros decênios do século XIX nos

deixam acompanhar a crescente ostentação, da parte dos proprietários ou

moradores de sobrados no Rio de janeiro, de ferros nas varandas e vidros

nas janelas, em vez de gelosias de madeira, como outrora. Assim, "hum

predio edificado na Rua do Sabão [ .... 1 sobrado", no Rio de janeiro, em

1822, ostentava "3 janellas, sacadas de cantaria da Pedreira da Gloria com

grades de ferro 11 ; seu pé-direito era "de mais de 21 palmos bem construidos

e boas paredes mestras"; por baixo tinha "boa entrada para sege" (Diário

do Rio de Janeiro, 4 de abril de 1822). Outro anúncio típico: '1 .... 1

huma morada de casas de sobrado, de quatro janellas a frente, grades de

ferro, muitos commodos.. (Diário do Rio de janeiro, 10 de janeiro de

1825). Ainda outro: '1 .... huma morada de cazas boas, de grade de

ferro, muito decente para huma família, com commodos para muitos escra-

vos e animaes" (Diário do Rio de janeiro, 14 de janeiro de 1825).

131AIérn de Correia de Azevedo que se ocupou inteligentemente do

problema das habitações no Rio de janeiro ainda patriarcal, outro médico

do século XIX versou o assunto de modo notável: o então Conselheiro Dr.

José Pereira Rego em discurso na sessão solene da Academia Imperial de

Medicina de 30 de junho de 1871. São deste as palavras, ainda impregnadas

de concepção patriarcal de administração urbana ("gerir os negócios de

uma grande família constituída por uma cidade, uma vila, um município-")

com que o ilustre higienista do meado do século XIX levantava-se contra

o domínio da Câmara Municipal da Corte por "interesses individuais: [ .... ]

o desejo de apadrinhar alguns interesses individuais que tanta proteção

encontram sempre nas deliberações daquele corpo" (Anais Brasilienses de

Medicina, Rio de janeiro, julho de 1871, tomo XXIII, n.O 2, págs. 54-55).

E particularizando: "Aí estão como exemplos vivos deste asserto o estado

da limpeza pública, a construção dos edifícios, muito particularmente os

da classe pobre, o aterro da cidade com o lixo e imundices removidos de

uns para outros pontos . .." (pág. 56). Quanto a habitações: ". . . cumpre

não deixar ao arbítrio de cada construir casas como lhe convier, toma-se

indispensável adotar um plano geral de edificações . . ." Ao seu ver "os

preceitos estatuídos para garantir a salubridade e asseio das habitações

I

li

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devem ser prescritos por lei e não unicamente recomendados. .." (pág.

59). É que há 33 anos fora publicado o Código de Posturas, ainda em vi-

gor, sem que aí se cuidasse das condiçõe s higiénicas das habitações ou

se impedisse construção dos cortiços, "hoje tão favoráveis à ganância em

virtude dos excessivos lucros que com prejuízo da saúde e bem-estar de

seus habitantes, proporcionam a seus edificadores. .." (pág. 60). Apenas

se haviam estabelecido preceitos relativos ao alinhamento, largura das ruas,

alturas dos prédios, etc. Segundo estatística citada por Pereira Rego, os cor-

tiços abrigavam em 1870 no Rio de janeiro, 20.000 almas. Eram habitações

não só anti-higiênicas como "contruídas em sua maior parte em lugares insa-

lubres", aterro feito com "imundices de toda a espécie" (pág. 62).

1321bid., pág. 70.

133Paula Freitas, Saneamento da Cidade do Rio de Janeiro, Rio de ja-

neiro, 1884. Vejam-se também Francisco Lopes de Oliveira Araújo, Consi-

derações Gerais Sobre a Topografia Físico-Médica da Cidade do Rio de

Janeiro, Rio de janeiro, 1852, Charles Hanbury, Limpeza da Cidade do Rio

de Janeiro, Rio de janeiro, 1854, Vieira Souto, Melhoramentos da Cidade do

Rio de Janeiro, Rio de janeiro, 1875, Tomás Delfino Santos, Melhoramentos

para tornar a Cidade mais Salubre, Rio de janeiro, 1882, Relat6rio da Co-

missão de Melhoramentos da Cidade do Rio de Janeiro, Rio de janeiro, 1875,

Pedro Soares Caldeira, 0 Corte do Mangue, Rio de janeiro, 1884, Cama

Rosa, Algumas Idéias Sobre o Saneamento do Rio de Janeiro, Rio de janei-

ro, 1879.

134Parece que em nenhum ponto o interesse privado, cruamente repre-

sentado no Brasil de economia escravocrática pelo importador de negros,

chocou-se mais violentamente com o interesse público, representado prin-

cipalmente pela higiene urbana, do que neste: a importação de negros

doentes. Desembarcados dos negreiros, eram de ordinário as cidades como

Salvador, Rio de janeiro, Recife, os pontos mais perigosamente contami-

nados por eles que também ofendiam a moral européia ou o pudor cristão

da burguesia ou da fidalguia dos sobrados, andando nus ou quase nus

pelas ruas; fazendo das cidades brasileiras, aldeias africanas. Aos ciganos

ou gringos, quase sempre encarregados de administrarem esse comércio de

homens ou escravos, pouco incomodava a ofensa que a nudez dos negros

causasse aos moradores cristãos dos burgos por onde se fazia a importação

de operários para as indústrias e de trabalhadores para as lavouras do

Brasil. Donde as reclamações que, ainda nos últimos tempos do Brasil-

-Reino, foram aparecendo nos jornais, contra o escândalo: "Roga-se a

alguns dos Senhores Negociantes de Escravos da rua do Valongo queirão

ter a bondade de vestirem os escravos que dezembarcão para os armazens;

pois he inteiramente indecorozo em huma Corte civilizada andarem pelas

ruas publicas indivíduos de hum e outro sexo nus e outros quasi nus, com

tanta offença da modestia e escandalo das familias que tem a infelicidade

de morarem naquella rua. . ." Mas ao problema moral da nudez juntava-se

o da doença, comum como era a importação ou a venda de negros doentes,

alguns dos quais os ciganos tratavam de fazer passar por bons e válidos

aos olhos dos compradores menos meticulosos ou menos perspicazes: "Roga-

-se tãobem aos ditos Senhores que por caridade queirão ter a bondade de

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preferir a vida, e saude dos seus concidadãos ao mesquinho valor dos es-



cravos infestados e moribundos, porque, devendo estes ficar a bordo dos

navios depois da vizita da Saude como empestados, logo que se auzenta

a vizita, e sem irem ao Lazareto, são passados das lanchas dos navios para

os armazens". Havia, a mais, o problema dos negros mortos: "E final-

mente os cadaveres desses infelizes sejão cobertos com mortalhas para

não ver-se com vergonha nossa, e admiração dos extranhos huma continua-

da provisão de defuntos nus ... conduzidos quasi a rastro para o malfadado

sitio da Gamboa" (Diário do Rio de janeiro, 21 de março de 1822).

135Correia de Azevedo, trabalho apresentado à Academia Imperial de

Medicina do Rio de janeiro, Anais Brasilienses de Medicina, abril de 1872,

tomo XXIII, n.' 11, pág. 426.

136Resposta ao inquérito da Câmara do Rio de janeiro entre médicos

sobre o clima e a salubridade (1798), Anais Brasilienses de Medicina, Rio

de janeiro, 1846, vol. II, n.O 5.

137É expressivo do poder representado no Brasil pelo sistema pat!iarcal

de família, de economia e de cultura o fato de que, transferindo-se a Cortè,

de Portugal para o Brasil, instalou sua residência no Rio de janeiro em

casa-grande de "chácara" ou "quinta", de particular.

13SVários anúncios de jornais da primeira metade do século XIX de

"casas-grandes", "casas nobres" e "casas de sobrado" referem-se às pedras

utilizadas na sua construção que, no Rio de janeiro, foram principalmente,

ao que parece, as da pedreira da Glória.

139Ernesto da Cunha de Araújo Viana, 'Mas Artes Plásticas no Brasil

em Geral e da Cidade do Rio de janeiro em Particular", Rev. Inst. Hist.

Geog. Br., tomo LXXVIII, parte 2.`, pág. 505.

140Koster (op. cit.) se ocupou, em mais de uma página, das madeiras

de construção empregadas no Norte do Brasil, assunto de que nos deixou

boa página de síntese relativa aos valores das florestas brasileiras utilizadas

na construção civil e naval, F. Denis, no seu Brésil, cit., nota às págs. 59-61,

onde destaca o vinhático, o angelim, o jacarandá, o óleo-ainareIo, o pau-

-ferro, que foram, na verdade, as madeiras nobres de que se serviram os cons-

trutores de casas-grandes e sobrados patriarcais para suas obras duradouras.

1411)e Tollenare (op. cit.), como de Koster, há mais de uma referência

às madeiras de construção civil empregadas no Norte do Brasil. Mais de

um anúncio de jornal refere-se a madeiras utilizadas na construção de casas

ou sobrados. Típico desses anúncios pode ser considerado o seguinte: ---Ven-

dem-se janellas de irriba raza, de almofadas, com hombreiras, peitoril e

vergas para casas nobres, e 4 quadros grandes para salas . . ." (Diário do

o

Rio de Janeiro, 29 de novembro de 1830).



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GLLBLR"10 I - UIL%Bf

14'-'\5'm. Gore Ouseley, Description of Vietus in South America from

Original Drawings made in Brazil, the River Plate, The Pararia, etc., Londres,

1852, pág. 40, nota.

143Coleção de mensagens de Presidentes de Provincia, Biblioteca do

Estado de Pernambuco.

144Maria Graham, Journal of a Voyage to Brazil and Residence there

During the Years 1821, 1822, 1823, Londres, 1824.

145JOSé Martins da Cruz Jobim, "Discurso Inaugural que na Sessão

Publica da Installação da Sociedade de Medicina do Rio de janeiro reci-

tou . . .", Rio de janeiro, 1830.

146Burton, op, cit., 1, pág. 96.

147Visconde de Tarinay, Trechos de Alinha Vida (ed. póstuma), Rio

de janeiro, 1923.

14SLraccock, op. cit., pág. 119.

149Amaral, Escavações, cit., pág. 87.

15OLuccock, op. cit., pág. 121.

1-51josé Luciano Pereira Járiior, Algumas Considerações Subre [ .... ] o

Regime das Classes Abastadas do Rio de Janeiro em seus Alimentos e Be-

bidas (Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de janeiro), Rio

de janeiro, 1850, pág. 32.

1521bid., pág. 33.

153Luccock, op. cit., pág. 125.

154A11ain, op. cit., pág. 187. Salienta o observador francês não só o

grande consumo de arroz no Brasil da época de Pedro 11 como o fato de

ser preparado melhor do que na Europa.

155"Le dessert à Rio, c'est le fromage de Minas ou de Rio Grande",

escreve F. Denis (op. cit., páu. 125). 0 fabrico de manteiga e de queijo

o

desenvolveu-se no Rio Grande do Sul sob a influência dos colonos alemães



estabelecidos em São Leopoldo (Arsène Isabelle, Viagem ao Rio da Prata e

ao Rio Grande do Sul, (trad.), Rio de janeiro, 1949, pág. 289).

156Voyages dans Untérieur du Brésil, II, pág. 210. Após interessantes

informações e reparos sobre os alimentos principalmente usados em Minas

Gerais, Saint-Hilaíre observa: "Les Mineiros nont point 1'habitude de

causer en mangeant. Ils engloutissent les aliments avec une promptitude

qui, je l'avoue, a souvent fait mon désespoir et celui qui se contenterait de

les voir manger, les prendrait pour le peuple de la terre le plus avare de

213).

son ternps" (pág. ~



157Luccock, op. cit., pág. 109. Era o sofá ou o marquesão o móvel mais

nobre da saia de casa-grande ou de sobrado brasileiro mais eleianto da

era patriarcal; e como as madeiras eram empregadas no fabrico de móveis

de acordo com a hierarquia dos mçsmos moveis, os sofás, como os marque-

sões, as camas de casal e as mesas de jantar, geralmente se faziam de ia-

carandá ou vinhiático. De Fre~cinet parece ter atinado com essa hierarquia,

quando anotou das camas, cômodas e cadeiras dos sobrados do Rio de

Janeiro que eram feitas de jacarandá ou gabi~,.iia, os inarquesões, de óleo, as

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SOBRADOS E MUCAMBOS - 1.0 TOMO



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mesas de jantar, de vinhiático (Voyage Autour du Monde, cit., pág. 181).

Denis destaca, dentre os móveis que mais resistiram, no interior das casas

brasileiras da "simples burguesia", ao afrancesamento de estilos de móveis,

a antiga marquesa,---especie de canapé dont le fond est une simple peau de

boeuf, et que fabriquèrent, dês leur arrivé, les Européens avec le bois du

jacarandá- (Brésil, cit., pág. 126). Igual resistência foi demonstrada pelas

camas de casal do feitio das que passam por anúncios de jornais da pri-

meira metade do século XIX - "de sete palmos de longo, de jacarandá,

com a cabeça de flores imbutidas" (Diário do Rio de janeiro, 7 de junho

de 1822).

158Luccock, op. cit., pág. 115. Sobre o assunto vejam-se também os

documentos relativos aos Inconfidentes, publicados pelo Ministério da Edu-

cação e Saúde, Rio de janeiro, 1936, com pormenores interessantes sobre

mobiliário e vestuário da época.

159Lraccock, op. cit., pág. 132.

16OSão vários os anúncios de quadros ou gravuras inglesas e francesas, para

casas ou sobrados - "sortimento de quadros-, diz um importador no Diário

do Rio de Janeiro de 8 de julho de 1830 - que passam pelos anúncios de

jornais da primeira metade do século XIX, embora raras as "colleções de

pinturas a oleo e a fino", ao lado "de ornatos de sedas para sallas" que

constam de leilões de "casas nobres", corno a do Conde de Barca (Diário

do Rio de Janeiro, 29 de outubro de 1821).

1611nforrna Luccock (op. cit., pág. 121) que eram raros os guarda-

-roupas. nas casas brasileiras que conheceu em 1808. Vinte anos mais tar-

de os guarda-roupas apareciam com relativa freqüência nos anúncios de

leilões de famílias de sobrado, ao lado de outros requintes corno "relogios

de muzica", "espelhos", "vazos de muito bom gosto", "ricos cortinados`.

Para um anúncio típico de leilão de família de sobrado, veja-se o que apa-

rece no Diário do Rio de Janeiro de 26 de janeiro de 1830, de casa "no

coração da cidade". Vinte anos depois - isto é, no meado do século -

seriam freqüentes, nos interiores dos sobrados do Rio de janeiro, de Salvador

e do Recife, ao lado dos pianos grandes, guarda-roupas, armários, touca-

dores, consolos, aparadores, cômodas de jacarandá. Sirva de exemplo o

anúncio de leilão do corretor Oliveira no Diário de Pernambuco de 10 de

outubro de 1850, no qual aparecem também porcelanas e pratas.

Contrastem-se essas descrições de rnobiliário, prata e louça, que cons-

tituíam o tren, ~.e únn ~u`~i----- , ~11 tIPIce do patriarcal

em qualquer de suas grandes cidades - o Rio de janeiro, Salvador ou Re-

e;fe - do meado do século XIX. corn os inventários de famílias de sobrado

dos séculos anteriores. Com este, por exemplo, publicado em 1910 por

Alfredo de Carvalho, e referente a uni morador do Recife do penúltimo de-

cênio do século XVIII: Em 16 de agosto de 1787 o boticário José de

Abreu Cordeiro e sua inuffier, D. Catarina de São José e Melo, residentes

'numas casas de sobrado ria rua chamada da Praça defronte do Pellouri-

nho [hoje ri.' 2 do Largo do Corpo Santu] teinendo-se da morte e não

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sabendo quando Deus Nosso Senhor os levaria para si", deliberaram fixar




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