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Eram também para famílias pequenas ou modestas, embora com alguns

recursos, "chacarinhas" do tipo descrito num anuncio do mesmo jornal de

28 de janeiro de 1825: "Aluga-se [ .... 1 a chacarinha que fica ao pé da

chacara de S. M. 1. que tem huma casa dentro composta de huma safia,

huma alcova que pode tambem servir de salla, duas pequenas alcovas

#

com janellas, casa de jantar, despença e cosinha com seu fomo, tudo de



telha vã. .

Entre os anúncios de casas de sítio ou de praia, chegam a aparecer,

no meio de "laranjeiras da China", "limeiras", "bananeiras", "casas de palha",

como num anúncio, no mesmo jornal, de 14 de fevereiro de 1825: "casa de

palha, hum bom poço de beber e lavarnum "pequeno sitio" em

Porto Velho.

6OVeja-se, do autor, Mucambos do Nordeste, Rio de janeiro, 1937, publi-

cação do Serviço, hoje Diretoria, do Património Histórico e Artístico Nacional.

67Kidder salienta que, na primeira metade do século XIX a capital do

Maranhão era tida como de melhor construção que qualquer outra do

Brasil, tendo ele próprio notado serem poucas as choupanas, casebres ou

mucambos ao lado, ou em contraste, com as residências de aparência sólida,

várias das quais - acrescente-se ao observador norte-americano - sobradões

de azulejo (Daniel P. Kidder, Sketches of Residence and Travels in Brazil,

Filadélfia, 1845, 1, pág. 151).

68Morales de los Rios recorda que a cidade do Rio de janeiro começou

com casas de sapé, como, aliás, Salvador e Piratininga: "cidades de palha"

à semelhança de "aldeias de gentio", como Teodoro Sampaio escreveu de

Salvador (História da Fundação da Cidade de Salvador, Bahia, 1949,

pág. 176).

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246


GILBERTO FREYRE

69Com relação a São Paulo, os estudos dos historiadores Alcântara Macha-

do, Afonso de E. Taunay, Almeida Prado e Nuto Santana sobre as primeiras

habitações podem ser considerados superados pelos do jovem pesquisador

Erriâní Silva Bruno em seu trabalho História e Tradições da Cidade de

São Paulo, Rio de janeiro, 1953, onde reúne considerável massa de infor-

mações sobre o assunto.

70Koster, em suas viagens pelo Norte, acabou identificando a condição

social das famílias pelo feitio e material d7lAzevedo Pimentel, Subsídios para o Estudo da Hí iene do Rio de ]a-

9

neiro, cit., pág. 210.



72Correia de Azevedo, "Concorrerá o Modo por que são Dirigidas entre

Nós a Educação e a Instrução da Mocidade para o Benéfico Desenvolvimen-

to Físico e Moral do Homem?", Anais Brasilienses de Medicina, cit., pág. 432.

73Correia de Azevedo, loc. cit., págs. 422-423. Salientava em trabalho de

1871 esse higienista com preocupações de sociólogo e, ao mesmo tempo,

de reformador social, comuns a vários médicos brasileiros do século XIX: "A

arquitetura do Rio de janeiro [ .... 1 serve só e baixamente à sórdida econo-

mia individual que pretende haurir altos aluguéis de tugúrios mal levanta-

dos e, ainda mais, mal divididos. Um capitalista qualquer [ .... 1 que tem

nos bancos créditos suculentos e no tesouro grande conserva de dinheiro,

arvora-se em proprietário, dá o risco da casa, que é sempre igual, mutatis

mutandis, à dos nossos avós. não indaga de ar, nem de luz, nem das varieda-

des da atmosfera, nem das mais simples leis higiênicas, e manda erguer de-

pressa e barato - uma casa qualquer. Ele é senhor e possuidor do que lhe

pertence. Nada mais natural. Ele advoga a sua causa com o mais revoltante

egoísmo. Lucra, mas mata a vida nacional; lucra, mas comete atrocidades

contra as leis da saúde e da pública moral; lucra, e que lhe importa que

um imundo cortiço, que lhe dá interesse, dê ao município moléstias, miséria,

crápula, o roubo e a imoralidade revoltantel"

74Azevedo Pimentel, op. cit., pág. 218.

75Em sessão de 30 de janeiro de 1873 da Academia Imperial de Medi-

cina do Rio de janeiro foi examinada, entre outras questões, a dos cortiços,

tendo o médico Ataliba de Comensoro versado demoradamente o assunto,

por ele, aliás, já ferido em sessões anteriores da mesma Academia: "Enten-

dendo que o foco de epidemia reinante existe nessas casas nauseabundas

chamadas cortiços, que aí tem o seu berço o monstro insaciável de vidas,

propus, Sr. Presidente, a disseminação forçada dos indivíduos que aí vivem

atufados na lama e respirando um ar insuficientíssimo, como o único meio

possível de debelar, se não totalmente, ao menos em grande parte, a epide-

mia que parece tomar proporções aterradoras. Ao propor essa medida não

tive em vista [ .... 1 entrar por essas casas e expulsar os moradores, dando-

-lhes as ruas por moradas, porém reduzir os habitantes dos cortiços ao

número rigorosamente comportável a essas casas; se em um quarto a cuba-

gem do ar é somente suficiente para duas pessoas, remover as 18 ou 20

SOBRADOS E MUGAMBOS - 1.0 Tomo

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247



para as quais o ar existente torna-se confinado, e que entretanto aí vivem"

(Anais Brasilienses de Medicina, julho de 1873, torno XXV; n.0 2, pág. 50).

76Gabriel Soares de Sousa, Notícia do Brasil, cit., I, pág. 256.

77Roy Nash, The Conquest of Brazil, Nova Iorque, 1926.

7SSegundo Nash, não falta ao Brasil pedra para construção de edifícios

sólidos. Sobre o assunto vejam-se as cartas sobre arquitetura de L. L.

Vauthier publicadas na Revista do Serviço do Património Histórico e Artís.

tico Nacional, Rio de janeiro, 1943, 7, pág. 128.

79Veja-se sobre o assunto Gastão Cruls, Aparência do Rio de janeiro,

Rio de janeiro, 1949, pág. 105. A. J. de Melo Morais escreve na sua Crônica

Geral e Minuciosa do Império do Brasil (Rio de janeiro, 1879) que "a

primeira casa de pedra e cal que se edificou no continente da Baía do

Rio de janeiro foi na praia do Sapateiro, depois do Flamengo, perto do Rio

Carioca, mandada construir por Villegaignon para o fabrico de tijolos e te-

lhas para as obras da Colônia francesa. Nela residiu dois meses o historiador

Léry e depois o primeiro juiz do Rio de janeiro Pedro Martins Namorado

em 1568" (pág. 69).

SOSobre as tentativas de franceses para se fixarem no Rio de janeiro, ve-

ja-se Paul Caffarel, Histoire du Brésil Français au Seizième Siècle, Paris, 1878.

SlGabriel Soares de Sousa, op. cit., 1, cap. XIII: "... têm suas casas bem

consertadas . . .".

82"Sabe-se que do local mais tarde chamado Morro da Forca era tirada

uma parte da pedra usada nas primeiras construções", escreve Emâni Silva

Bruno (baseado em Moreira Pinto), no seu História e Tradições da Cidade

de São Paulo, Rio de janeiro, 1953.

83Sr. Froger, op. cit., pág. 123.

840 Padre Mancilla já dizia das casas dos Bandeirantes: "... no son sino

de tierras y de tapias.. .- (Silva Bruno, baseado em Afonso de E. Taunay,

op. cit.)

85Frézier, op. cit., pág. 89.

86Segundo Johan Brelin, em relato de viagem, que se refere aos anos

de 1755, 56 e 57, Beskrifning ofver en Afventyrling Resa til Och ifran Ost-

-Indien Sodra Ameríca ... (Upsala, 1758) - gentilmente traduzido da

língua sueca, para nosso conhecimento, pela Sr.a Vera Melo Franco de An-

drade - era geral, entre os habitantes do Brasil de então, a ostentação de

ouro, prata e pedras preciosas, que também ornavam em abundància as igre-

jas. Entretanto, as casas de residência não refletiam tanto o fausto dos mo-

radores (págs. 68-100).

87Salvador era então, segundo Brelin, "grande e bela cidade" com 1in-

dos jardins dispostos entre as casas--- (pág. 92). As casas eram construídas

de pedra, à maneira espanhola ou portuguesa, com balcões diante dos pos-

Ugos das janelas, que são cercadas de grades, porque as vidraças são a];

muito dispendiosas e encontram-se, pois, somente nas residências mais nob-es,

assim como nas igrejas e claustros" (pág. 94). Os mais prósperos morado-

e,

#

248 GILBERTO FREYRz SOBRADOS E MUCAMBOS - 1.0 Tomo 249



res de Salvador eram os negociantes "entre os quais há muitos tão ricos

que não sabem eles próprios quanto possuem" (pág. 94).

8SDo Rio de janeiro dos primeiros anos do século XIX, dizia-se em traba-

lho inglês publicado em 1823 que as casas eram geralmente sobrados de dois

andares, algumas de três, muitas de um só construídas de granito ou tijolo

"covered with shell lime, the door posts, window frames, &c, being of massy

quartz from Bahia. .." Os sobrados "have usually an open space in front,

with large folding gates; a broad flight of steps leads to the upper story,

consisting of the saia or drawing-room; gorgeously painted and gilt, with

folding door leading to the sleeping alcoves, beyond which is a veranda, in

which the family generally take their meals and receive visits during the day,

the lower parts are generally occupied by slaves, cattle and for domestic

purposes". Quanto As casas t6rreas: ". . . consist of one good room, floored

with boards, with alcoves for sleeping, a kitchen, and an enclosed yard,

with stables, &c, the only passage through which is through the best apart-

ment". (Description of a View of the City of St. Sebastian and the Bay of

Rio de Janeiro, now Exhibiting in the Panorama, Leicester-Square. Painted

by the Proprietor. Robert Burford from Drawings taken in the Year 1823..

Lond~ es, 1827).

89joh. Bapt. von Spix e C. F. Phil.

Londres, 1824, 1, pAg. 105.

9ONash, op. cit. Do assunto já se ocupara, em página inteligente, A.

Ferreira Moutinho em sua Notícia Histórica e Descritiva da Província de

Mato Grosso (São Paulo, 1869), ao referir-se à Cuiabá do meado do século

XIX, com suas ruas cortadas ---porbecos na maioria tortuosos como os de

todas as cidades antigas que devem sua origem a mineiros que construíam

de modo que seus habitantes estivessem sempre juntos e pudessem assim

acudir ao primeiro grito de socorro para se defenderem das muitas hordas

de índios que povoavam os sertões e lhes ameaçavam a todo o instante as

habitações; notando-se ainda que esses mineiros ambiciosos cuidavam tão-

-somente do seu interesse, ligando pouca importância à beleza ou à boa

ordem dos lugares onde habitavam" (pág. 38).

91john Mawe, Travels in the Interior of Brazí1 Filadélfi 1816 à

92Auguste

1830, 1, pág.

grr,,-Is enclos

von Martius, Travels in Brazil, trad.,

1 a, , p g. 91.

de Saint-Hilaire, Voyages dans I'Intériettr du Brésil, Paris,

294. Refere-se o observador francês a chácara com "três-

oú se voient des plantatíons symétriques de caféiers et des

a",c'3s regulières Xorangers, de jabuticabeiras et d'autres arbres-. As chá-

í1

caras cercadas principalmente de jabuticabeiras tornaTam-se caraterísticas



de São Paulo.

,o 93Veja-se a gravura, acompanhada de descrição, de casas no Poço da

Panela, por james Henderson, A History of the Brazil, Londres, 1821. É

#

interessante, sobre as chácaras de Pernambuco no meado do século XIX, o



&poimento de E. G. Vadet, em L'Explorateur, citado por M. H. L. Séris

em A Travers les Provinces du Brésil (Paris, 1881): "Tout à 1'entour de Ia

cité, 3ur les rives des fleuves Capibaribe et Biberibe, les sitios, ou maisons

de campagne, presentent aux yeux des voyageurs un aspect aussi agréable

,que variá" (pág. 108). Cada casa-grande à beira do rio tinha sua porta

de água: saída para os botes de recreio e transporte e para os banhos,

inclusive para "bains flottants semblables à ceux qui sont amarrés à Paris

sur Ia Seine" (pág. 109).

94Description of a View, etc., cit.

95A. de Saint-Hilaire, em Voyage dans les Provinces de Saint-Paul et

de Sainte-Catherine, Paris, 1851, observa da cidade de São Paulo: "... on

y voit un grand nombre de jolies maisons; les rues ne sont point désrets

comme celiés de Villa Rica.. ." (1, pág. 294). Fato significativo de, mes-

mo assim, ser ainda a casa mais importante que a rua, na cidade de São

Paulo da primeira metade do século XIX, é que várias ruas só eram calçadas

diante das casas (I, pág. 250).

Em Salvador, parece que foi só sob o governo de Dom João VI que as

ruas e estradas adquiriram condições de segurança comp atíveis com a dig-

nidade urbana. "Todos os moradores de Rio Bonito, da Vassoura, de Mata

dentro, de Mata cães e outros já se utilisão desta nova estrada abençoando

continuamente a Mão Poderosa do Nosso Senhor Soberano pelo favor que

lhes fez livrando-os de tantos precipícios por onde antes passavão", diz,

referindo-se à estrada mandada construir por Dom João, uma publicação na

Idade d'Ouro do Brazil, de 12 de dezembro de 1818.

96Alcântara Machado, Vida e Morte do Bandeirante, São Paulo, 1930,

pág. 21.


97Daniel Kidder, op. cít., II, pág. 115.

gsIbid., pág. 117.

99FIetcher ouviu de uma senhora brasileira que não podia achar bas-

tante trabalho para afastar seus muitos negros ou muleques da ociosidade e

das travessuras, palavras que vêm comentadas em Brazil: its History, People,

Productions, etc. (The Religious Tract Society), Londres, 1860, pig. 173.

10OSobre o que se pode considerar a área do azulejo no Brasil veja-se

Nash, op. cit.

1011,. L. Vauthier, "Casas de Residência no Brasil" (trad. do francas), in-

trodução e notas de Gilberto Freyre, Revista do Serviço do Patrim6nio Histó-

rico e Artístico Nacional, Rio de janeiro, 1943, 7, pág. 128. 0 trabalho de

Vauthier acaba de aparecer no vol. II da 2.a edição de Um Engenheiro

Francês no Brasil, de Gilberto Freyre, 1960.

102john Esaias Warren, Pard; or Scenes and Adventures on the Banks of

the Amazon, Nova Iorque, 1851, pig. 9. Veja-se tamb6m Gilberto Freyre,

Interpretação do Brasil, trad., Rio de janeiro, 1947, págs. 124-125.

103Memórias de um Cavalcanti (Félix Cavalcanti de Albuquerque), notas

de Diogo de Melo Meneses e introdução de Gilberto Freyre, São Paulo,

1940, pág.87. Nova edição do mesmo livro apareceu em 1960.

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250 GILBERTo FRFYRE SOBRADOS E MUCAMBOS - 1.' Tosio 251



104São muitas as tinas e gamelas, aos poucos substituídas por banheiros

de cobre ou de flandres, que passam pelos anúncios de jornal da primeira

metade do século XIX. Anúncios típicos: " ... tina grande para banho"

(Diário do Rio de janeiro, 6 de março de 1822), "gamela grande" (Diário

do Rio de janeiro, 26 de março de 1825), "huma gamella de tomar banhos

deitado" (Diário do Rio de janeiro, 23 de março de 1824), "huma bacia

de cobre [ .... 1 para tomar banhos" (Diário do Rio de janeiro, 2 de março

de 1825), "hurn banheiro de folha de flandres" (Diário de Pernambuco, 5

de novembro de 1833).

105Hippolite Carvallo, Êtudes sur le Brésil au Poínt de Vue de Nnimi-

gratíon et du Corrimerce Français, Paris, 1858. Havia em 1857 no Brasil 43

fábricas na Corte, 9 na Província do Rio de janeiro, 10 na da Bahia, 4 na

de Pernambuco, 2 na do Maranhão, 1 na do Paraná, 1 na de Minas Gerais,

1 na de São Paulo, 1 na de São Pedro. Ao todo, 72. Dessas, 22 eram

de sabão e velas (pág. 57).

A técnica britânica colaborou no desenvolvimento da indústria do sabão

no Brasil. "Precisa-se de hum homem extrangeiro ou Nacional que saiba

fazer sabão inglez para administrar huma fabrica", dizia um anúncio no

Diário do Rio de Janeiro de 22 de fevereiro de 1822.

106Do mesmo modo que Martius e outros viajantes da primeira metáde

do século XIX se horrorizaram com a falta de higiene pública na cidade

do Salvador, onde não havia saneamento, vários se escandalizaram com as

duas outras principais cidades marítimas do Brasil colonial e dos primeiros

decênios do Império: o Rio de janeiro, no Sul, e, desde o declínio de Olinda,

Recife, no Norte. Veja-se sobre o assunto o estudo histórico de Plácido

Barbosa e Cássio Barbosa de Resende, Os Serviços de Saúde Pública no

Brasil, Especialmente na Cidade do Rio de janeiro de 1808 a 1907, Rio

de janeiro, 1909, 1.0 volume (esboço histórico).

Tendo estado aqui na primeira metade do século XIX, Ida Pfeiffer hor-

rorizou-se de ver numa das ruas principais da capital do Império "cadáveres

de cães e gatos e mesmo de uma mula" (Voyages Autour du Monde

(abrégés), Paris, 1868, pág, 15). E lamentou principalmente "le manque

complet d'egouts" (pág. 18). Semelhante inconveniente, parece ter sido

atenuado no Recife pelo fato de ser a cidade particularmente beneficiada por

dois rios; e é possível, também, que a ~resença dos holandeses naquela ci-

dade, no século XVII, tenha deixado traços persistentes no maior cuidado

dos administradores e da população com a higiene pública ou urbana. Foi,

pelo menos, a impressão do Conde de Suzannet: escreveu esse francês em

Souvenirs de Voyages (Paris, 1846) que, na ca~ital de Pernambuco "on se

croit transporté dans une ville neerlandaise . . ." (pág. 407). A mesma

impressão teria, cerca de trinta anos depois, William S. Auchincloss (Ninety

Days in the Tropics or Letters from Brazil, Del., 1874): ". . . one cannot

help intuitively attributing the great clealiness of the streets of Pernambuco

to the effect of the Dutch precepts and exernples" 21).

Entretanto, desembarcando em Pernambuco no meado do século XIX

o inglês Rev. Hamlet Clark experimentou a mesma sensação de pisar cidade

suja que, alguns anos antes, seu compatriota Charles Darwin: "We landed

[em Pernambuco] in the midst of the vilest stenches that noses were ever

#

subjected to" (Letters. Home from Spain, Algeria and Brazil during past



Entomological Rambles, Londres, 1867, pAg. 100).

107john Luccock, Notes on Rio de Janeiro and the Southern Parts of

Brazil, taken during a Residence of Ten Years in that Country from 1808

to 1818, Londres, MDCCCXX, pág. 112.

1081bid., pág. 115.

109"Posturas da Camara" (Recife), Diário de Pernambuco, 12 de de-

zembro de 1831. Vejam-se também as Posturas da Câmara de Salvador,

referentes à primeira metade do século XIX, conservadas em ins. no Arquivo

daquela cidade.

Das posturas do Rio de janeiro se encontra síntese interessante na Conso-

lidação das Leis e Posturas Municipais, enquanto algumas das "vereanças"

mais significativas, dos princípios do século XIX, do ponto de vista históri-

co -social se acham na revista Arquivo do Distrito Federal (Rio de janeiro,

1894-1897). 0 pesquisador Noronha Santos destaca também, como "precio-

sas achegas" aos historiadores, os documentos que, sob o título "Registro

dos Regimentos", se acham "no livro de Vereanças que serviu de 1735 a

1808". Acrescenta ele que as infrações a posturas municipais constituem

igualmente, "fontes de maior apreço [ .... F, ou 1. um cabedal informativo

digno de grande interesse" (-Resenha Analítica de Livros e Documentos do

Arquivo Geral da Prefeitura elaborada pelo Historiador Noronha Santos", Rio

de janeiro, 1949, págs. 14-15). Da nossa parte temos encontrado valiosas

fontes de informação sobre o assunto, nos livros de Câmaras Municipais

que registram reclamações das Câmaras aos Presidentes de Província, como

a reclamação referente ao contrato ou monopólío de carnes verdes em Per-

nambuco, "fixado nas mãos de um só homem com excluzão da liberdade

de que todos devem gozar", notando-se que "nas Villas em que não havia

contracto tinham carnes melhores e mais baratas" U'Camaras Municipaes",

"Da Camara do Recife ao Prezidente da Província, Recife, 1823", ins. na Seção

de Mss. da Biblioteca do Estado de Pernambuco), ou a reclamação da mes-

ma Câmara (ofício de 1 de outubro de 1834 ao então Presidente da Provín-

cia le Pernambuco, Francisco do Rego Barros), na qual se diz: "Não tendo

o Cap. LO, titulo 1.1 da Lei Provincial ri. 79 de 4 de maio do corrente

armo marcado a cota precisa pa. o enterramento dos cadaveres que appare-

cem quasi sempre tanto nas Ruas desta cidade como nas Praias, e não

devendo ellas ficarem insepultas sem darrino da Saude Publica, e mesmo

p. não ser conforme com a nova Religião Catholica a Camara Municipal

leva ao conhecimento de V. Ex.' que, tem determinado mandar fazer os

enterramentos de taes cadaveres pa. cota destinada a limpeza das Ruas

(Mss., Seção de Mss. da Biblioteca do Estado de Pernambuco).

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252



GrL.BERTo FREYxtE

110j. M. Macedo, As Mulheres de Mantilha, Rio de janeiro, 1870. E

especialmente Memórias da Rua do Ouvidor, edição de 1937, Rio de janeiro,

pág. 103. Recorda o cronista que o Marquês de Lavradio tinha "acabado com

as peneiras das portas das casas . . ."; o Conselheiro Paulo Fernandes, in-

tendente-geral da polícia, "fuhninou as rótulas e gelosias dos sobrados, cos-

tume quase bárbaro e de origem mourisca. . ." Nos sobrados mais severos,

pormenoriza o cronista que "as grades de madeira eram completas" e atin-

giam a altura dos sobrados que "assim tomavam feição de cadelas".

"'John Mawe, Travels in the Interior of Brazil, cit., pig. 119.

112Vários anúncios de jarros de louça para jardins aparecem nos jornais

do Rio de janeiro da primeira metade do século XIX. Destacamos este do

Diário do Rio de janeiro de 7 de março de 1822: "vasos para jardim de

louça superior".

113Aparecern com freqüência nos anúncios de casas ou chácaras dos jor-

nais brasileiros da primeira metade do século XIX "carramanchões de uvas"

ou parreirais. Pode ser considerado típico o anúncio publicado no Diário do

Rio de Janeiro de 21 de janeiro de 1825, onde se destaca como um dos

valores da chácara anunciada para vender um "carramanchão de uvas ex-

cellentes. . . "

1140useley, em Description of Views in South Ameríca (Londres, 1852),

depois de ter notado a boa situação das chácaras mais elegantes da cidade do

Salvador - as da Vitória - e de denomim'í-las "quasi country residence~"

(pág. 13), faz o elogio do jardim e da horta de uma chácara representativa

do tipo mais adiantado de chácara que conheceu no Rio de janeiro

(pág. 40).

£ interessante o reparo do cronista A. J. de Melo Morais (op. cit., pág.

151): "A cidade de S. Sebastião do Rio de janeiro, capital do Brasil [ .... 1

era tão circunscrita que em 1700 escassamente chegava a sua povoação à Rua

da Vala [ .... 1. Todo o mais território que forma hoje os cinco grandes vales

onde está assentada a cidade era ocupado por chácaras, roças e estabeleci-

mentos rurais e industriais."

115São muitos os anúncios de casas - "casas-grandes", "grandes casas",

casas nobres", "casas assobradadas" - nas gazetas brasileiras da primeira

metade do século XIX, nos quais se salienta o fato de juntarem às casas

baixas de capim, olhos-d'água, arvoredo,. cocheira, "formosos jardins", Pode




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