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9Guilherme Piso, História Natural do Brasil Ilustrada (trad. do Professor

Alexandre Correia, comentada), São Paulo, 1948, livro II, capítulo XIX.

IOEntre as prostitutas européias no Recife holandês estava a holandesa

"lusitaríamente chamada Maria d'Almeida", denunciada ao Santo Ofício

(Gonsalves de Melo, neto, op. cit., pág. 37).

11Moreau, op. cít., pág. 53.

12Wãtjen, op. cit., pág. 192.

1SPires de Almeida, Homossexualismo, Rio de janeiro, 1906, pág. 75.

14Denuncíações de Pernambuco, Primeira Visitação do Santo Ofício às

Partes do Brasil, São Paulo, 1929, pág. 356.

15Pires de Almeida, op. cit., pág. 63.

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Z38 GILBERTo FREYRE: SOBRADOS E MUCAMBOS - 1.' Tomo 239



16"Resposta ao Inquérito da Câmara do Rio de janeiro" (1798). Anais

Brasilienses de Medicina, Rio de janeiro, 1846, vol. 2, n.' 5.

17Pires de Almeida, op. cit., pág. 46.

1SCunha, Herculano Augusto Lassance, A Prostituição, em Particular na

Cidade do Rio de Janeiro, Rio de janeiro, 1845, pág. 19.

19Pires de Almeida, op. cít., pág, 72.

201bíd.1 pág. 76.

2'Ibid., págs. 61-62.

221bid., págs. 70-71.

23Veja-se sobre o assunto o estudo de Alfredo Nascimento, 0 Centenário

da Academia Nacional de Medicina do Rio de janeiro - Primórdios e Evolu-

ção da Medicina no Brasil, Rio de janeiro, 1929.

Em jornais dos primeiros decênios do século XIX encontravam-se anun-

cios como este, no Diário do Rio de janeiro de 4 de fevereiro de 1822:

"[ .... 1 parteira boa para partejar senhoras e tambern entende de molestias

de barriga."

24EIísio de Araújo, Estudo Histórico Sobre a Polícia da Capital Federal

de 1808 a 1831, Rio de janeiro, 1898, pág. 109.

2517rei Miguel Ãngelo de Cattina e Frei Dionísio de Piacenza estiveram

no Brasil em 1667, a caminho do Congo. Seus depoimentos acerca do

nosso País foram recolhidos pelo historiador Afonso de E. Taunay em Non

Ducor, Duco, São Paulo, 1924.

26Escrevendo no meado do século XIX, dizia sobre o assunto um observa-

dor inglês dos costumes brasileiros: "Drunkness is almost unknown among

native Brazilians who have any shred of respectability left [ .... 1. Our

national character does not stand high in this respect there. The expression for

a dram is "urn Baeta inglez".. . (Brazil: Its History, People, Natural Produc-

tions, etc., Londres, 1860, pág. 176).

2713e Minas Gerais escreveu Saint-Hilaire que era muito raro encontrar-

-se vinho em casa de fazendeiro: "l'eau est leur boisson ordínaire, et

pendant la durée des repas comme dans le reste du jour on la sert dans un

verre immense porté sur un plateau d'argent et qui est touiours le même

pour tout le monde- (Voyage dans Untérieur du Brésil, Paris, 1830, 1,

pág. 212). Cardner, viajando pelo Centro e pelo Norte do Brasil, teve a

mesma impressão que Saint-Hilaire quanto ao uso do vinho (Travels in the

Interior of Brazil, Principally through the North of Provinces, Londres,

1846). No mesmo sentido é o depoimento do francês Alp. Rendu: "La

tempérance dans le boisson est une qualité commune au Brésil. . ." (Étude3

Topographiques, Médicales et Agronorniques, Paris, 1848, pág. 17).

2SBurton teve a impressão de que em Minas Gerais consumia-se muita

bebida alco6lica (Explorations of the Highlands of the Brazil, Londres, 1869).

29Burton, op. cit., pAg. 163.

30Entre os pernambucanos, em particular, Tollenare notou, como Saint-

-Hilaire, entre os mineiros, que nas casas da gente abastada era raro encon-

trar-se vinho. Bebia-se exageradamente água às refeições ("Notas Domíni-

cais tomadas durante uma Viagem em Portugal e no Brasil em 1816, 1817

e 1818" (Parte relativa a Pernambuco traduzída do ms. francês inédito por

Alfredo de Carvalho), Rev. Inst. Arq. Hist. e Geog. Pern., vol. XI, n.O 61).

#

31F. Denis escreveu sobre o Rio de janeiro dos princípios do século XIX



que, além dos vinhos-do-porto e da Madeira, usados só para as saúdes, e de

vinhos,de laranja e licores, bebia-se, nas casas tipicamente brasileiras, "une

eau limpide conservée dans les morinhas [sic] refraichissantes, dont les

formes sont quelquefois d'une élégance remarquable..." (Ferdinand Denis,

BrUI, Paris, MDCCCXXXIX, pág. 125).

32Aos almoços de Bento José da Costa refere-se F. P. do Amaral. em

Escavações - Fatos da História de Pernambuco, Recife, 1884.

33A adega de Manuel Ferreira da Câmara ficou célebre, na tradição mi-

neira, pela particulatidade de ser cavada na rocha.

34Antônio José de Sousa, Do Regimen das Classes Pobres e dos Escravos

na Cidade do Rio de Janeiro em seus Alimentos e Bebidas. Qual a Influencia

desse Regime sobre a Saude? (Tese apresentada à Faculdade de Medicina

do Rio de janeiro), Rio de janeiro, 1851. Veja-se também o estudo de

José Maria Rodrigues Regadas, Regimen das Classes Abastadas no Rio de

janeiro em seus Alimentos e Bebidas (Tese apresentada à Faculdade de Me-

dicina do Rio de janeiro), Rio de janeiro, 1852, precedido, aliás, pelo de

José Luciano Pereira Júnior, Algumas Considerações. sobre [ .... 1 o Regime

das Classes Abastadas do Rio de janeiro em seus Alimentos e Bebidas (Tese

apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de janeiro), Rio de Ja-

neiro, 1850.

35Francisco Fernandes Padilha, Qual o Regime das Classes Pobres do

Rio de Janeiro? (Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de

janeiro), Rio de janeiro, 1852.

30Antônio Corrêa de Sousa Costa, Qual a Alimentação de que vive a

Classe Pobre do Rio de janeiro e sua influencia sobre a Mesma Classe?

(Tese apresentada à Faculdade de Medicina do Rio de janeiro), Rio de

janeiro, 1865.

37Vejam-se as Memórias de um Cavalcanti (Félix Cavalcanti de Albu-

querque), coordenadas e anotadas por Diogo de Melo Meneses, introdução

de Gilberto Freyre, São Paulo, 1940.

3sSobre o pouco consumo de carne no Rio de janeiro, veja-se Antônio

Martins de Azevedo Pimentel, Subsídios Para o Estudo da Higiene no Rio

de janeiro, Rio de janeiro, 1890. Convém, entretanto, notar que é da ~nesma

época o reparo de Emile Allain no seu Rio-de-laneiro - Quelques Donnees sur

Ia Capitale et sur l'Administration du Brésil (Rio de janeiro - Paris, 1886):

"Rio est probablement une des villes du monde oú i] se mange le plus de

viande" (pág. 182). Incluía Allain nesse consumo a carne-seca, vinda do

Sul do País e principalmente das Repúblicas do Prata e que formava, com

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240 GILBERTo FREY"



SOBRADOS E MUCAMBOS - 1.0 Tomo 241

o feijão-preto, -le plat national brésilien, nommé feijoada (ragout de

haricots)" (pág. 183).

39A escassez e ao alto preço de carne esteve sempre ligado, no Brasil, o

fato de se desprezarem, nas áreas de monocultura como na de mineração,

tanto a cultura de legumes como a criação de gado, permitindo grandes

explorações da parte de marchantes e intermediários. Em 1626, na Cidade

do Salvador a Câmara cuidava do assunto em face das "queixas" dos "povos"

contra os marchantes (Documentos Históricos do Arquivo Municipal, Atas da

Câmara, 1625-1641, Salvador, s. d., 1, pág. 41). Outras Câmaras e governos

coloniais tiveram que enfrentar o assunto que na área mineira chegou a ex-

tremos alarmantes. Em 1703 pagavam-se por um boi, nessa área, muitas

"arrobas de ouro em pó- ("Esboço Histórico do Município de Januária",

Rev. Arq. Púb. Min., Belo Horizonte, 1906, ano XI, pág. 374). Sobre os

aspectos quase tão graves quanto em Minas Gerais que o problema apresen-

tou aos administradores do Rio de janeiro, veja-se o vasto material existente

no Arquivo Geral da Prefeitura sobre "carnes verdes, matadouros e talhos,

impostos de gado", documentação de que diz o historiador Noronha Santos

que "expressa um dos assuntos mais palpitantes da vida da cidade", incluíri-

do informações sobre "monopólios" e "explorações mercantis as mais desa-

busadas" (Resenha Analítica de Livros e Documentos do Arquivo Geral da

Prefeitura, Rio de janeiro, 1949). Também a Seção de Mss. da Biblioteca

Nacional contém, sobre o assunto, interessante documentação por nós exa-

minada.


40Na Bahia, como em Pernambuco, tanto quanto a ação dos atravessado-

res da carne se fez sentir, contra o interesse público, a dos atravessadores

do peixe. Vejam-se sobre o assunto as citadas Atas, I, págs. 6, 7, 36, 48, 341

e a Recompilação de Notícias Soteropolitanas e Brasílicas (ano de 1802),

Bahia, 1921, de Luís Santos Vilhena (I, pág. 328).

41Vilhena, op. cit., I, pág. 350.

42Sr. Frézier, Rélation du Voyage de Ia Mer du Sud aux Côtes du Chily

et du Pérou, fait pendant les années 1712, 1713 et 1714, Paris, MDCCXVI.

Veja-se também do Sr. Froger, Rélation du Voyage faít en 1695, 1696, 1697,

aux Côtes d'Afrique, Détroit de Magellan, Brésíl, Cayenne & les Isles Antilles

par une Escadre des Vaisseaux du Roi commandée par Monsieur des Gennes,

Paris, MDCC.

43Le Gentil de Ia Barbinais, Nouveau Voyage Autor du Monde, etc.

Amsterdã, MDCCXXVIII.

44Talvez em nenhuma área do Brasil colonial tenha se acentuado tanto

quanto na da mineração a hostilidade da gente de cor aos dominadores bran-

cos, ou reinóis, explicando-se assim a freqüência de bandos como o de 30 de

dezembro de 1717 contra elementos da população que deviam sofrer parti-

cularmente os efeitos dos altos preços da carne e de outros gêneros e fugir

às exigências de um trabalho como o das minas, excepcionalmente penoso,

tomando-se, assim, "malfeitores", "maos pagadores" e até "ladrões" e "ma-

tadores-. 0 referido bando proibia, sob severas penas, que se desse couto

a tais elementos bem como "o uso de armas pelos negros, mulatos, bastardos

ou carijós, inclusive bastões ou paos guarnecidos de castões de metal, ou

#

paos agudos, porretes e machadinhas". Só acompanhando seus senhores



podiam os negros "conduzir armas licitas e não prohibidas por lei". Outros

bandos do período revelam o pavor em que viviam autoridades e ricos, em

face daqueles elementos da população, alguns dos quais seriam levados a

cometer crimes contra a propriedade pela situação angustiosa em que viviam

então em Minas Gerais os que não dispunham de muito ouro. Este muito

ouro não era só o retirado. das minas, mas principalmente subtraído dos

bolsos de mineiros, por meio de fornecimento de gêneros a preços elevadís-

simos ou de empréstimos a juros maiores "que os estabelecidos em lei" isto

é, de "4, 5, 6, 7, 8 e até 12 por cento ao mez-, o que uma ordem régia de

2 de maio de 1718 considerava "violência" (Códice n.' 11, "Cartas, Ordens,

Despachos e Bandos do Governo de Minas Gerais, 1717-1721", Arquivo

Público Mineiro).

45Na área mineira chegou a ser quase absoluta n vitória dos atravessadores;

e negocistas sobre os produtores, o próprio Governo da Capitania, tão exi-

gente na cobrança da sisa para Sua Majestade sobre as rendas dos bens de

raiz dos moradores estáveis (conforme se vê por carta de 30 de abril de

1718, do mesmo Códice n.' 11), recomendando ao procurador dos quintos

de Vila Rica e a outros não procederem com demasiado rigor para com os

mercadores vindos do Rio de janeiro "negociando com fazendas ern pé"

(Carta de 13 de fevereiro de 1719, do mesmo Códice n.O 11).

Eram as vantagens para os negociantes evidentemente destinadas a prote-

ger os reirióis contra os homens da terra. É claro que entre os reinóis não esta-

vam os ciganos, objeto de medidas severas da parte das autoridades tanto na

área mineira como noutras áreas coloniais. Veja-se João Domas Filho, Os

Ciganos em Minas Gerais, Belo Horizonte, 1948.

46No Rio de janeiro, distinguiu-se o Conde da Cunha pela sua ação con-

tra os atravessadores e negocistas, como lembra o Professor Delgado de

Carvalho na sua História da Cidade do Rio de Janeiro, Rio de janeiro, 1926.

47Pereira da Costa, "Dom Thomaz José de Mello em Pemambuco", ins.

na Seção de Mss. da Biblioteca do Estado de Pernambuco.

4SIbid.

49Ibid.


5OMs., Seção de Mss. da Biblioteca do Estado de Pernambuco.

51"Correspondencia com a Corte", Seção de Mss. da Biblioteca do Esta-

do de Pernambuco.

52Caetano Pinto de Miranda Montenegro, oficio ins. cit. Vejam-se tam-

bém "Commercio das Carnes Seccas" (Ms., Cod. 29-12, Biblioteca Nacional),

"Informação da Fazenda Real de Pernambuco-, de 14 de dezembro de 1787

(Ms., Cód. 29-12, Biblioteca Nacional), ---Cartaao Marquez de Angeja, de

José Cezar de Menezes de Rec.e de Pem.cO, 28 de setembro de 1784 (NIs.,

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o feijão-preto,

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o Governador se refere à "exactis-

verdadeira cauza da falta de carne

ie com hum total vexame do

,tos sessenta e oito em dean-

_;oncorria grandemente para a

,igada que se tem feito e continua

agravada pelo aumento de popula-

.ral dos habitantes deste fecundo conti-

ae do Reyno e das Ilhas se tem aqui vindo

pãos muitos engenhos que de novo se tem

num grande numero de negros que sempre vem

.d Africa. . . " Com o boi reduzido a carne-seca era

,ara o governo: "... hum boi que peza de oito a doze

sendo seco ou salgado fica em duas, com pouca diferença:

aquelle boy que vendendo-se no açougue pagaria de subsidio,

arrobas, mil e setecentos reis secando-se e ficando em duas vem

,er somente trezentos e vinte reis". Outro ms. da época e da mesma

ição, Carta de José Cezar de Menezes ao Marquês de Angeja de 27 de

dbril de 1787 fixa duas opiniões significativas da junta em tomo do assunto.

A primeira: "Sabe muito bem esta junta que o Conunercio só pode subsistir e

augmentar-se com a liberdade porem tão bem sabe que esta não he admissivel

illimitadamente na exportação de hum genero de primeira necessidade qual

be o da carne". A segunda: que era opinião dos "Physicos" dever ser con-

denada a carne-seca, boa somente quando não houvesse a fresca.

#

53MS., Seção de Mss. da Biblioteca do Estado de Pernambuco.



54Ibid.

55COMO lembra o historiador Ernesto Cruz no seu Nos Bastidores da

Cabanagem (1942), os cabanos (originariamente os revoltosos de Pernam-

buco e Alagoas, durante o movimento restaurador de 32, depois os paraen-

ses que se levantaram em armas contra o governo legal) eram assim cha-

m . ados pela sua condição humilde; ou de 'habitantes de 1, cabanas, palhoças,

tejupares ou - ranchos de sapé", como diz Basílio de Magalhães (Estudos

de História do Brasil, pág. 15), citado pelo mesmo historiador. Ou mora-

dores de mucambos, acrescentamos nós. A interpretação da Cabanagem

como insurreição popular e nativista contra os ricos e brancos, lembra o

Sr. Ernesto Cruz que foi oferecida por Handelmann: "... uma guerra de

índios contra brancos, dos destituídos de bens contra os que possuíam bens"

(op. cit., pág. 18). Também Artur Viana, citado pelo historiador Ernesto

Cruz, destacara em seu Pontos de História do Pará ter sido uma das "causas

determinantes" da Cabanagem o "odio dos brasileiros de cor (pretos, mula-

tos, caboclos, mamelucos, etc.) pelos portugueses" (op. cit., pág. 33), opinião

também do Professor Basílio de Magalhães, que chega a reconhecer nos

insurretos das cabanas paraenses "confuso socialismo" (op, cit., pág. 39) e

do ensaísta Caio Prado júnior que considera aquele movimento "o mais na-

SOBRADOS E MUCAMBOS - 1.' Tomo

243

turaI movimento popular do Brasil" (op. cit., pág. 41). Euclydes da Cunha



viu a Cabanagem com outros olhos: como aspecto do "crescente desequilí-

brio entre os homens do sertão e do litoral", de que seriam outras expressões

o "balaio" no Maranhão, o "chimango" no Ceará, o "cangaceiro" em Per-

nambuco, o "jagunço" na Bahia (op. cit., pág. 41). 0 que parece é

que a Cabanagem foi tudo isso sem ter tido nitidamente um significado

exclusivo ou único. Parece ter sido desajustamento, ao mesmo tempo,

de classe, raça e religião, representado principalmente por moradores

de casas de palha e de feitio africano ou indígena em face dos senhores de

casas-grandes ou dos ricos dos sobrados.

5OLivro ms. Câmara do Recife, 1823, na Seção de Mss. da Biblioteca do

Estado de Pernambuco.

57j. F. Normano destaca no seu estudo Brazil: A Study of Economic

Types (Chapel Hi11, 1935) a importância dos "produtos-reis" na formação

econômica do Brasil.

58Sebastião Ferreira Soares, Notas Estatísticas Sobre a Produção Agrícola

e Carestia dos Gêneros Alimentícios no Império do Brasil, Rio de janeiro,

1860. Para Soares o decréscimo na produção brasileira desde o meado do

século XIX resultara do emprego de braços, exclusivamente, na grande

lavoura (págs. 18-19).

. 590 inquérito sobre "a carestia de gêneros alimentícios" realizado em

1858 pelo Governo Imperial e que consta corno Anexo C, do Relatório

Apresentado à Assembléia Legíslativa pelo Ministro e Secretário dos Negó-

cios do Império, Marquês de Olinda (Rio de janeiro, 1858) revela que

urna das causas da elevação de preços seria "a superabundância de capital"

(pág. 3) e outra, a crescente absorção de braço pelas culturas por nós deno-

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minadas imperiais como "o açúcar" e "o café" (pág. 8).



6OVejam-se Atas da Câmara do Salvador, citadas, sobre marchantes que

já no século XVII se aproveitavam da monocultura para explorar o consu-

midor com altos preços. Veja-se também sobre o assunto a memória que a

Prefeitura do Rio de janeiro fez publicar em 1909, para a Exposição Inter-

nacional de Higiene, sob o título Memória Sobre os Matadouros no Rio

de janeiro.

O'Manuel da Gama Lobo, "Ophtalmia Brasiliana", Anais Brasiliense3

de Medicina, Rio de janeiro, 1865, vol. XXX, pág. 16. Cama Lobo foi um

dos primeiros estudiosos dos problemas brasileiros de alimentação a se apro-

ximarem de um critério regional de exame do mesmo problema, partindo

de investigações de médico sobre os males de subnutrição acentuados, nas

áreas de monocultura.

. já Sebastião Ferreira Soares (op. cít.) chegara' à conclusão de que a

carestia dos gêneros alimentícios, acentuada no Brasil no meado do século

XIX, "não tinha por principal causa a cessação do tráfico" e sim "o mono-

pólio dos especuladores", visto que nas províncias do Rio Grande do Sul

e Santa Catarina (isto , nas províncias mais livres da monocultura) os

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240 SOBRADOS E MUCAmBos; - 1.' Tomo245

o feijão-preto,

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Paulo e de Minas Gerais.

erações Sobre a Higiene dos

je Medicina do Rio de janeiro),

de senhores com escravos, são expres-

,drcal, como - para citar documento típico

#

~ão Vieira, Maranhão, 1798, nis., Registro da



pois da minha morte separem cartas de alforria

,ois filhos o Mulatto Clemente e a Mulatta Eugenia

,osinheiro João da Costa Preto Angola . . ."

cit., pág. 118.

, op. cit., pág. 29. Ainda que nos começos do século XIX

erosos os sobrados em cidades como o Recife, Salvador e Rio

eram em grande número as casas térreas de pedra e cal - isto

-smo material de construção dos sobrados nobres mas sem as di-

,es que os aristocratizavam ainda mais que o material de construção.

Rio de janeiro, eram as casas térreas 'Uo térreas que em alçando a

mão logo se lhes tocava a beira do telhado", corno lembra, baseado no estudo

de documentos da época, H. J. do Carmo Neto à pág. 17 do seu 0 Intendente

Aragão (Rio de janeiro, 1913) e como indicam processos de construção e

reconstrução de prédios, contendo plantas e croquis que constituem parte

valiosa dos niss. do Arquivo Geral da Prefeitura do Rio de janeiro. Note-se,

também, que fulminadas as rótulas, gelosias ou urupemas nos sobrados, pelo

edital de 11 de junho de 1809, continuaram, por longos anos, toleradas nas

casas térreas, ao que parece por ser impossível aos seus proprietários substi-

tuírem as grades de pau ou de madeira por varandas de ferro inglês e jane-

las guarnecidas de ferro também. inglês. Os anúncios de jornais, desde os

primeiros anos do século XIX, referem-se a casas térreas, indicando a pro-

cura considerável de habitações desse tipo médio - e também de sobradinhos

- da parte de uma população também média nos seus hábitos e nos seus

recursos.

A procura de casas desse tipo parece ter~se acentuado durante o se-

gundo e o terceiro decênios do século, podendo ser citados como típicos

estes anúncios de casas a venda: "huma caza terrea nova- inda por acabar

por dentro, no Forte de S. Pedro" (Idade d'Ouro do Brazil, 25 de setembro

de 1818), "huma morada de casas terreas de porta e janela, sitas na rua

Nova que bota para o Saco do Alferes, os cujos; comniodos que ella tem

são duas salas, duas cosinhas, tãobem corredor [ .... ] são todas assoalhadai

desde a porta da rua até a cosinha, são todas amuradas de pedra e cal em

redor e tem hum poço" (Diário do Rio de janeiro, 4 de junho de 1822).

No mesmo Diário haviam aparecido no mesmo ano estes anúncios: "Preciza-

-se de huma casa terrea para huma pequena Familia" (29 de maio), "Preci-

za-se de huma casa terrea, ou de sobrado [ .... 1 não excedendo o seu alu-

guel a dezaseis; mil reis mensalmente. . ." (29 de maio), "Vende-se [ .... 1

morada de cazas terreas, pequena, de 2 portas" (18 de fevereiro), "Deze-

ja-se [ .... 1 casa terrea sendo envidraçada [ .... 1 para huma pequena fami-

lia e do Campo de S. Arma para baixo, não excedendo o seu aluguer 12$000

por mez" (4 de junho). Típico de anúncios de sobradinhos pode ser con-

siderado o seguinte, extraído do Diário do Rio de janeiro de 25 de janeiro

de 1825: "Vende-se [ .... 1 hum sobradinho com sua loja e cosinha separada

das casas, com sua aria no meio e hum bom quintal".




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