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nine Character - History of an Ideology, Nova Iorque, 1949.

11Ellis, op. cit., pig. 193.

12Viola Klein, op. cit., pig. 171. Alexander Goldenweiser, "Sex and Pri-

mitive Society", in Sex in Civilization, coordenado por Calverton e Schma-

Ihausen, cit.

13Goldenweiser, loc. cit. Veja-se do mesmo antropólogo social o estudo

"Man and Wornan as Creators", Our Changing Morality - A Sympo-

sium, Nova Iorque, 1930, pág. 129. E, mais, Meyrick Booth, Wornan and

Society (Londres, S. d.), Robert Briffault, The Mothers (Londres, 1927),

William Thomas, Sex and Society (Chicago, S. d.) e Georg Simimel, "Das

Relative und das Absolute im Geschechterproblem", Philosophische Kultur,

Leipzig, 1911, onde o sociólogo alemão sustenta que os desenvolvimentos

*puramente objetivos da cultura representam "o espírito varonil" da mesma

cultura, teoria que nos parece vulnerável em pontos essenciais.

14EIlis, op. cit., pigs. 407-8. Diz Ellis: "Women dislike the essentially

intellectual process of analysis. . ."

150 Carapuceiro, Recife, 1842.

IOLuís Correia de Azevedo, "A Mulher Perante o Médico", Anais Brasí-

lienses de Medicina, Rio de janeiro, agosto de 1872, tomo XXIV, n.o 3,

pág. 93. Acrescenta Correia de Azevedo, das meninas do Brasil do seu

tempo - isto é, das da classe alta ou dos sobrados nobres - que eram

11 objetos muito queridos" mas "muito abandonadas aos caprichos dos cos-

tumes e dos trajes"; "e desde que o título de - bonita - lhes pode caber,

chega-se ao cámulo de satisfação materna e paterna". E ainda: "Chega a

idade crítica da puberdade, e em suas grandes transformaçÓes orgânicas,

acha-se a menina ou entregue a cuidados perniciosos ou a um estado de

ignorância prejudicial. A educação aqui comete o mais criminoso atentado

contra a futura mulher; a leitura dos romances de todo o gênero, os enfeites,

os exemplos de sensualidade e vertigem tornam-se outros tantos agentes

daqueles órgãos que passam por grande transição. E o -átero, a sede de

todas as excitaçÓes e anormalidades nervosas, funciona mal" (pág. 101).

"Da infância à idade provecta, apresenta-se a mulher ante o médico como

um complexo de defeitos, atuando em sua organizção física como na sua

organização moral", concluía o ilustrado membro da Imperial Academia de

Medicina já consciente da responsabilidade que cabia ao médico, numa so-

ciedade como a brasileira do meado do século XIX, na qual, nas principais

cidades e nas áreas rurais mais adiantadas, a figura do médico como orien-

tador da formação da mulher vinha substituindo a do capelão e compro-

metendo a onipotência do chefe de família.

17joão Vicente Torres Homem, Elementos de Clínica Médica, Rio de

janeiro, 1870.

#

1SLuís Correia de Azevedo, "Concorrerá o Modo por que são Dirigidos



entre Nós a Educação e Instrução da Mocidade para o Benéfico Desenvol-

vimento Físico e Moral do Homern?- (Questão imposta pela Imperial Aca-

demia de Medicina e desenvolvida e respondida pelo seu membro titular

Luís Correia de Azeveão), Anais Brasilienses de Medicina, Rio de janeiro,

abril, 1872, tomo XXIII, n.0 11, págs. 416-440. Critica o autor o afrancesa-

mento da educação das meninas brasileiras no sentido da coquetterie, escre-

vendo: "Uma boneca saída das oficinas as mais caprichosas de Paris traria

menos recortes, menos babados, menos guizos, mènos fitas e cores do que

essa infeliz criança a quem querem fazer de tenra idade logo, que a

mulher deve ser uma escrava dos vestidos e das exterioridades, para mais

facilmente tornar-se do homem a escrava" (pág. 431). O médico Correia de

Azevedo parece-nos ter surpreendido os motivos mais íntimos da excessiva

ornamentação do chamado "belo sexo" ou "sexo frágil" dentro de um sistema

patriarcal, como o do Brasil, empenhado em fazer do homem senhoril o sexo

dominante e de afastar a mulher de preocupaçÓes ou responsabilidades de

direção ou de mando.

19josé Bonifácio Caldeira de Andrade Jánior, Esboço de uma Higiene

dos Colégios Aplicável aos Nossos (tese), Rio de janeiro, 1885.

20Correia de Azevedo, loc. cit., pág. 420.

21Nicolau Joaquim Moreira, "Estudos Patogênicos - QuestÓes de Hi-

giene", An. Br. de Med., Rio de janeiro, novembro de 1867, tomo XIX,

mo 6, pág. 260.

22Tanto quanto Joaquim de Aquino Fonseca, o médico José Joaquim

de Morais Sarmento mostrava-se, na primeira metade do século XIX, con-

trário, do ponto de vista da higiene, à "exótica imitação dos hábitos da

Europa entre nós, a essa louca imitação do luxo dos climas frios na zona

tórrida [ .... 1--- ("Relatório dos Trabalhos da Sociedade de Medicina de

Pernambuco", Anais da Medicina Pernambucana, Recife, 1843, n.0 3,

pág. 110.)

23Ainda de acordo com seu colega Joaquim de Aquino Fonseca e com

outros médicos da época, formados na Europa, Morais Sarmento critica no

seu relatório de 1843 as imitaçÓes de modas européias num meio e num

clima como os do Brasil: imitação que se teria tornado mais ativa "com

a vinda do Sr. D. João para o Brasil" e que talvez, com "a chegada da

expedição à Corte", tivesse tomado em 1817 "maior vigor nesta Província

[Pernambucol, transformando a primitiva leveza e simplicidade do vestuario

em pezados casacos de massiços pannos, em apertadas calças de lanificios

com repuxadas presilhas [ .... ]" (loc. cit., pia. 110).

24Louis de Freycinet, Voyage Autour du Aionde, Paris, 1827, 1, pág. 166.

25São numerosos nos jornais da primeira metade do século XIX, não só

#

M=ALINA SOBRADOS E '.NIUCAMBOS - 1.' Tomo 147



Música dí- D. José Amat. os anúncios de sobrados urbanos ou suburbanos com

oratório - típico desses

Poesia de A. C. de Andrade Machado. anúncios podendo ser considerado o seguinte:

"Aluga-se huma casa de so-

o

brado com cocheira, e cavalherice, e bastantes commodos para grande fa-



milia, e Oratorio para Missa, perto do Rocio, em boa rua, com chacara que

e. . 1 1 11 1 11 da capim para 4 ou 6 bestas (Diário do Rio de Janeiro, 4 de

junho

VikNO de 1822) como os de sacerdotes que se oferecem para



capelanias não só cri

1 1 - o , - 2~ - 1 - 1 casas-grandes de fazenda como em chácaras. Típico é o anúncio no Diáro

1, 1 , ~r.................................do Rio de janeiro de 18 de junho de 1830:

"Hum Sacerdote [ ..................................1 procui a

Li

~t emprego não muito distante da Corte, huma capellania em chacara ou 1 1 1



, O; e ~ ~ ! `-~ . -~, - fazenda."

1 i' ~ 1 ~ i ~, !'I MM o

So o, o o O1 1 i - - w, 1, 1 - 26Em carta datada do Rio de janeiro,

14 de setembro de 1886 ("Inter-

breescarpada ro- cha eis Ia sen Ia da Sangrano-lheas nunziatura Apostolica

nel Brasile"), o então Internúncio, e Arcebispo de

Otranto, num assomo e ortodoxia um

tanto desdenhosa de condiçÓes de

espaço físico e de espaço social

peculiares ao Brasil, repetiu o gesto antes

romântico que romano, de Dom Vital - o

de lançar-se contra as transigências

È' 1 11 ~ z~ da Igreja, no Brasil, com a maçonaria

brasileira - levantando-se contra as

OP ; -o. ~i

transigências dos bispos brasileiros

com os senhores das casas-grandes e dos

EEE~_=É 1 .1 11 sobrados patriarcais. Não tem outro sentido sua radical condenação do "incon-

Emondas d'ela-ra veniente ou abuso introduzido em algumas dioceses": o de "celebrar-se a

p és i i~

e a C~_ o~a de& - gre-uba- da a

1 1. Santa Missa ubique até em casas particulares. Certos párocos não só julgam 1

ser isto uma de suas faculdades ordinárias como também autorizam outros

Sacerdotes a celebrarem em casa desta ou daquela família, e de ordinário

só por interèsse. O abuso é grave... Foi sempre condenado pela Santa Só

e por diversas vezes os meus antecessores reclamaram a cessação dele."

Pelo que, qualquer sacerdote que celebrasse fora dos lugares autorizados ou

em casas particulares, fosse ou não pároco, passava a incorrer "ipso-facto

1 na pe

s~io &h! e el -1 a el Ia esq - ta eas ou-das pertoit na de suspensão



ad celebratione Missx reservada a esta Internunciatura

Apostólica". Era a Igreja a desafiar, no Brasil, o feudalismo patriarcal naquilo

#

. 10 1 o , i a ~ Â - que esse feudalismo conservava, na segunda metade do século XIX, de mais



v- O1 *_, ~ ; "*, 4 ; ft vivo e de mais identificado com o sentimento popular: o seu ritual, a sua

1 = -::- i ; ~~ 1 ~, liturgia, o beija-mão dos negros aos

brancos, dos filhos aos pais, dos moços

w aos velhos, a integração das casas-grandes e dos sobrados patriarcais em

------ =~ funçÓes que excediam as de simples residências de ricos ou nobres para

incluírem atividades, nitidamente sociais, de capelas e de casas de caridade

1 1

fJ ho 1 1 o ~-0



ha, -das se ro-lio mansa-meu-te junto del-laparaescae de assistência médica aos pobres. Veja-se a carta do Internúncio na obra

do Cônego Raimundo Trindade, Arquidiocese de Mariana - Subsídios para

a sua História, São Paulo, 1928, 1, pág. 502.

4~a _* ~ * ~ ~ W1 jÇ i

i[ 4 I:M i

27Antevei,do a revolta à atitude radical do Internúncio, o então Bispo 1

Py= 1 '. N 8 O ~_ , w 1 r. íEd . 1

de Mariana, D. Antônio Maria Correia de Sã e Benevides, apressou-se em

escrever ao Arcebispo de Otranto: "V. Ex.a Rev.ma compreende que sendo

vastíssimas nossas Freguesias, muitas de dez léguas e algumas de 20, 30

e até de 50 léguas de uma a outra extremidade, a maior parte da gente

REPRODUÇÃO DA não pode ir à Igreja não digo uma vez no ano, mas nem uma vez na vida."

PRIMELRA PÁGINA DE MIRZALINA o

i

modinha da era imperial brasileira. Segundo D. Antônio, a teologia do Interrilâncio sobre o assunto "divergia



(Col. Almir de Andrade.) radicalmente da que corria em Mariana" (ibid., pág. 505), Do mesnio

1

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Poesia de A. C. de 2

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ratórios em fazendas com entradas

os sempre como públicos e suprem

~ lhes falta para o rigor de públicos

res, e não para terrenos públicos,

Brasil. Estes oratórios são o remédio

povo simples e religioso dos nossos

n-se, etc. em grande número [ .... 1.

io tivesse em mente destruir o que

Brasil [ .... F'. Segundo Monsenhor

Breve à Nunciatura: mas "para si

,a nos oratórios das casas ou sobrados

.ido os Breves, os fazendeiros farão

,iente domésticos, dos quais podem

~r como agora, que recebem todo o

mundo com grande incômodo dos donos da casa, obrigados a sustentar e

muitas vezes agasalhar e hospedar dezenas de pessoas estranhas, o que

fazem por serem os oratórios tidos como públicos- (ibid., I, págs. 505-506).

Tais foram as resistências à circular do Arcebispo de Otranto que seu

sucessor considerou-a sem efeito. Deixou-se, assim, que, aos poucos, se

desfizesse a simbiose Igreja-Casa Patriarcal, representada pelo Oratório

mantido por particulares. Evidentemente muitos foram os abusos e inconve-

nientes para a Igreja e para o povo miúdo que se praticaram à sombra

dessa simbiose; mas não poucos foram os benefícios, em face da impossibi-

lidade da Igreja competir com sistema tão poderoso como o patriarcal, no

Brasil, até os fins do século XIX.

Destaque-se que uma das práticas associadas à simbiose Igreja-Casa

Patriarcal foi dos santos padroeiros de fazendas, de engenhos ou de suas

em geral os de nomes correspondentes aos dos patriarcas

que, por esse meio, afirmavam seu poderio pessoal ou de família. Destaque-

-se, também, que os capelães de casas nobres sentiam-se mais dependentes

dos mesmos patriarcas do que dos bispos, embora, segundo Quintiliano, Vi-

gário de Congonhas do Campo em 1788, a Igreja não tenha julgado conve-

nientemente "em tempo algum que os Pastores vivessem na dura depen-

dencia de mendigar o pam daquelles mesmos a quem deviam increpar e

corrigir" (Cônego Raimundo Trindade, op. cit., 1, páa. 1036). Tal dependên-

o

cia foi diminuindo ao tomarem relevo, na paisagem brasileira, os sobrados



#

urbanos ou serni-urbanos que, embora com oratórios particulares, estavam

à sombra de sés, catedrais ou igrejas.

Não ostentavam os sobrados suas capelas particulares do mesmo modo

que as ostentavam as casas-grandes. Eram as capelas dependências discretas

das casas de sobrado das cidades.

Com relação a capelas particulares que o sistema patriarcal-agrário absor-

vera com prejuízo não só para a autoridade da Igreja como para o decoro

de culto religioso, é interessante o documento de 1704, citado pelo Cônecro

Baimundo Trindade à página 139 de InstituiçÓes de Igrejas no Bispado de

capelas terem sido,

SOB~OS E MUCANU3OS - 1.' Tomo

149

Mariana (Rio de janeiro, 1945) sobre certa capelinha da Conceição das



Almas "que hum devoto a tinha mandado fazer com interesse de ter neste

lugar Missa para a sua família, a qual hera tam indecente que, excepto o

tempo da Missa, servia depois de agazalho de animaes immundos..." Com-

preende-se assim que os alpendres diante ou em torno das capelas significasse

a absorção da arquitetura religiosa pela doméstica e patriarcal, como já

sugerimos mais de uma vez em estudos em torno do assunto, isto é, prepon-

derância do complexo patriarcal sobre os demais complexos que concorreram

para a formação social do brasileiro e para a composição da paisagem social

do Brasil. Nessa paisagem, o aburguesamento do sobrado patriarcal teria

que representar, como representou, o fortalecimento da sé, da catedral, da

igreja.

Note-se que nem sempre foram cordiais as relaçÓes entre cristãos-velhos,



senhores de sobrados nobres, e os bispos, um dos quais, bispo do Rio de

janeiro no século XVII, D. José de Alarcão, referiu-se aos moradores da

mesma cidade, dizendo serem ---osmelhores cidadãos cristãos-novos, des-

cendentes de mouros e de judeus" (Vivaldo Coaracy, O Rio de janeiro no

Século 17, Rio de janeiro, 1944, pág. 197). Talvez porque fossem estes

mais acomodatícios, em face da autoridade eclesiástica, do que os cristãos-

-velhos ricos e poderosos que viam nessa autoridade uma forma de intrusão

no seu poder patriarcal de senhores de sobrados.

28Thomas Lindley, Narrative of a Voyage to Brazil I with General

Sketches of the Country, its Natural Productions, Colonial Inhabitants and

a Description of the City and Provinces of St. Salvador and Porto Seguro,

Londres, 1805.

29Muita era a simulação de fidalguia, de grandeza e de branquidade,

em Minas Gerais, durante os dias coloniais, simulaçÓes de que os pais de

moças ricas mais escrupulosos em guardar a pureza do sangue ou a fortuna

se defendiam, fazendo das filhas freiras e enviando-as para o Reino, isto é,

Portugal. Vejam-se a correspondência de Dom Lourenço de Almeida e tam-

bém as cartas régias por ele recebidas. "Governo de Dom Lourenço . de

Almeida", Rev. Arq. Púb. Min., Belo Horizonte, 1901, ano VI.

8011ermann Burmeister, Reise nach Brasilien, Durch die Provinzen von

Rio de janeiro und Minas Geraes, Berlim, 1852. De Freycinet, op. cit., I,

pág. 150. Sellin atribui ao maior contato do Brasil com a Europa, depois do

#

meado do século XIX, o fato das moças solteiras terem ganho alguma liber-



dade. Refere-se, também, ao declínio do que chama "a romântica do rapto",

que chegou, na verdade, a tomar-se quase moda marcando significativa

reação ao poder absoluto dos pais. Das jovens brasileiras do tempo em que

observou o Brasil, escreveu Sellin que "vinham rompendo as peias impostas

à sua emancipação" (A. W. Sellin, Geografia Geral do Brasil, trad., Rio de

janeiro, 1889, pág. 105).

Um dos meios por que algumas mulheres procuraram aproximar-se dos

pais, dos maridos, dos irmãos, dos próprios filhos, foi a leitura de romances

e poemas. No seu recente Casimiro de Abreu (Rio de janeiro, 1949), e

I

I



I

#

150 GILBERTO FREYRE SOBRADOS E MUCAMBOS - 1.' Tomo



Sr. Nilo Bruzzi recorda o caso da mãe de Casimiro que "envelhecida aos

trinta e nove anos- debruçava-se sobre a cartilha, à luz da lamparina, na

mesa da sala de jantar da fazenda, aprendendo o alfabeto já avó ... para

ler os versos do filho "que, aliás, a desprezava" (pág. 102).

31Sylvia Kopard, "Where are the Female Geniuses?", Our Changing

Morality, cit., pig. 107. Trata-se da aplica~do do m6todo de Boas ~ inter-

pretação das desigualdades entre os sexos. Vejam-se também sobre o assunto:

A. M. B. Meakin, Woman in Transition, Londres, 1907, F. W. Tickner,

Women in English Economic Historq, Londres, 1923, A. V. Nvemilov, The

Biological Tragedy of Woman, trad., Londres, 1932, H. H. Ploss e P. Bartels,

Wornan, trad., Londres, 1935, C. W. Cunnington, Feminine Attitudes in the

19th Century, Londres, 1935, jeari lzoulet, La Cité Moderne, Metaphysique

de Ia Sociologie, Paris, cit. por Viola Klein, op. cit., pág. 169, A. C. Spencer,

Woman's Share in Social Culture, Filadélfia, 1913.

322.' edição, EinsiedeIn, 1906.

33Do Rio de janeiro lembra o Sr. C. J. Dunlop à página 2 dos seus

Apontamentos para a História da Iluminação na Cidade do Rio de Janeiro

(Rio de janeiro, 1949) que em 1763, por ocasião da cidade tornar-se resi-

dência dos vice-reis em substituição a Salvador, a iluminação consistia em

"lampadários suspensos na frente de alguns edifícios religiosos e dos nichos

e oratórios que ornavam as esquinas das ruas, nos quais se acendia de noite

um candeeiro de azeite ou uma vela de cera". E informa: "Somente em

1794, no vice-reinado do Conde de Rezende, é que a iluminação passou a

ser subsidiada pelos cofres públicos [ .... 1 100 lampiÓes com candeeiros

de azeite de peixe [ .... 1 na parte da cidade compreendida entre a Rua

Direita e o Campo de Santana", isto é, "a Corte propriamente dita", pois

nessa área, ecologicamente dominante, estavam as sedes do governo, a

polícia, o alto comércio, o corpo diplomático, as colônias estrangeiras, as

escolas, os teatros. Melhorou a iluminação da cidade com a transferência da

Corte portuguesa para o Rio de janeiro e no serviço de lampiÓes foram

aproveitados negros cambaios, coxos, corcundas, de pernas arqueadas, caolhos.

A primeira tentativa para o emprego de gás na iluminação de cidade

brasileira foi, como era natural, no Rio de janeiro: em 1828, recorda o

mesmo pesquisador à página 7 do seu estudo, "foi concedida ao cidadão

Antônio da Costa a faculdade de organizar uma companhia de acionistas

brasileiros e ingleses para empreender esse serviço. . .- Concessão que ca-

ducou enquanto a iluminação de azeite de peixe foi se estendendo pela

capital do Império do mesmo modo que por outras cidades brasileiras. Os

acendedores, pormenoriza Dunlop que "eram escravos que dormiam ao re-

lento, nas calçadas, trazendo o corpo e a roupa sempre untados de azeite".

E quando a folhinha anunciava luar, `não havia iluminação". O azeite de

peixe não ardia nos lampiÓes. Os escravos negros descansavam.

A segunda tentativa para iluminar-se o Rio de janeiro a gás, libertando-

-se esse ser,,iço do azeite de peixe e do braço do escravo, foi em 1833.

Cliarles Crace e William Glegg Gover di, a obt,~r pri~ilégio para ilia-

minarem a cidade por vinte anos. Também essa tentativa ficou no papel

* no scnho. E conta Dunlop que um desembargador tendo de informar sobre

* pretensão de Grace e Gover, chegou a declarar que os dois ingleses eram

#

uns impostores "uma vez que não podia haver luz de lampião sem torcida-.



Seguiram-se duas outras tentativas igualmente vãs, Várias outras propostas

de modernização do sistema de iluminação da capital do Império. Até que

apareceu Ireneu Evangelista de Sousa que em 1852 deu começo à cons-

trução do edifício da fábrica do gás do `Aterrado. Uma revolução na pai-

sagem brasileira, Temia-se o horror das explosÓes mas havia curiosidade

pela inovação. Chegaram da Europa engenheiros, técnicos e até operarios.

Chegou da Inglaterra o primeiro carregamento de máquinas, aparelhos, in-

gresias. Mas estava escrito que não seria uma revolução branca. Que teria

seus mártires louros. Pois coincidindo a montagem das máquinas que subs-

tituiriarn o azeite de peixe e o braço do escravo africano com terrível

surto de febre amarela, todos os mecànicos chegados da Inglaterra

informa Dunlop à página 19 do seu estudo que foram "atacados de vômito

negro". Dez faleceram. Outros vieram para substituí-los com "ordenados fa-

bulosos" para a época: 600$000 por mês. Até ciuc em 1854, "conduzido

através de vinte quilômetros de encanamento de ferro, o gás iluminou os

primeiros combustores de algumas ruas da cidade. . ." Interessante o parecer

da comissão nomeada pelo Governo para fiscalizar a execução do contrato.

Verificaram seus técnicos que a intensidade da luz dos combustores era

superior à dos combustores de Londres e não inferior à de Manebester. A

Europa curvando-se ante o Brasil. Opinaram, por outro lado - do ponto

de vista do que poderíamos denominar a sociologia da iluminação pública

- que "os logradouros mais freqüentados deviam ser bem iluminados"

enquanto nas ruas desertas bastava que a luz fosse "suficiente para evitar

o crime e distinguir-se o criminoso".

Outras conseqüências sociologicamente expressivas teria a substituição

da luz de azeite de peixe ou de mamona, ou de vela, pela de gás: facilitar

a dispersão da família, por exemplo, que até então a luz difícil ou única

obrigava a concentrar-se na sala que fosse o centro da convivência familial

ou patriarcal. Ou pelo menos a concentrar-se ordinariamente na casa ou no

sobrado, raramente abandonado à noite para o teatro ou a festa de igreja.

Mas este aspecto da transição da convivência doméstica para a urbana será

principalmente versado em ensaio próximo.

34Lisboa, 1940, pág. 111. Sobre o cultivo de especiarias ao lado de

flores junto a casas brasileiras do século XVIII veja-se Luís Ascendino

Dantas, São Marcos e Rio Claro, Rio de janim, 11)3(~, p,' , _ 18.

35Valor SocialdaAlimenlasio (2.', -.), Eio&j,iii,,',-19.47, ~á,,, C`I

I

i

#



O SOBRADO E O MUCAMBO

A casa, o tipo de habitação, sabe-se que é uma das influên-

cias sociais que atuam mais poderosamente sobre o homem.

Sobre o homem em geral; mas, em particular, sobre a mulher,




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