Este livro foi digitalizado por Raimundo do Vale Lucas, com a



Baixar 10.37 Mb.
Página1/110
Encontro18.09.2019
Tamanho10.37 Mb.
  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   110

Este livro foi digitalizado por Raimundo do Vale Lucas, com a

intenþão de dar aos cegos a oportunidade de apreciarem mais uma

manifestaþão do pensamento humano..
INTRODUÇAO A

HISTORIA DA SOCIEDADE PATRIARCAL NO BRASIL:


Aos volumes 1-2-3 Intitulados, 1, CASA-GRANDE & SENZALA (For-

mação da Família Brasileira sob o Regime de Economia Patriarcal) - 2,

SOBRADOS E MUCAMBOS (Decadência do Patriarcado Rural e Desen-

volvímento do Urbano) - 3, ORDEM E PROGRESSO (Processo de Desin-

tegração das Sociedades Patriarcal e Semípatríarcal no Brasil sob o Regime

de Trabalho Livre: Aspectos de um Quase Meio Século de Transição do

Trabalho Escravo para o Trabalho Livre; e da Monarquia para a República),

deverão seguir-se: volume 4, JAZIGOS E COVAS RASAS (Sepultamento

e Comemoração dos Mortos no Brasil Patriarcal e Semípatriarcal); volume 5,

SELEÇÃO DE MANUSCRITOS E DOCUMENTOS ILUSTRATIVOS DAS

RELAÇÓES MAIS CARATERISTICAS ENTRE PESSOAS, GRUPOS E

INSTITUIÇÓES NAS SOCIEDADES PATRIARCAL E SEMIPATRIAR-

CAL NO BRASIL, NAS SUAS PRINCIPAIS ÁREAS E NOS SEUS PE-

RIODOS DE INTEGRAÇÃO, EQUILIBRIO E DESINTEGRAÇÀQ NEM

SEMPRE COINCIDENTES `NAS VÁRIAS ÁREAS; volume 6, SELEÇÃO

DE REPRODUÇÓES DE PINTURAS, MAPAS, GRAVURAS, DAGUER-

REÓTIPOS E FOTOGRAFIAS ILUSTRATIVAS DOS TIPOS MAIS CA-

BATERISTICOS DE HOMENS, ANIMAIS, CASAS, MÓVEIS, VEICULOS,

TOMULOS E DOMINIOS PATRIARCAIS E SEMIPATRIARCAIS NO

BRASIL, NAS PRINCIPAIS ÁREAS DE MONOCULTURA, GADO E

MINERAÇÃO; volume 7, BIBLIOGRAFIA GERAL E INDICES. Todos

esses volumes aparecerão sob a denominação geral de INTRODUÇAO A

HISTORIA DA SOCIEDADE PATRIARCAL NO BRASIL

#

LIVRARIA JOSÉ OLYMPIO EDITORA



apresenta de

GILBERTO FREYRE

INTRODUÇÃO

A

HISTORIA DA SOCIEDADE PATRIARCAL NO BRASIL



2

SOBRADOS


MUCAMBOS

DECADÊNCIA DO PATRIARCADO RURAL

E DESENVOLVIMENTO DO URBANO

5.a EDKAO

flusiraçÓes de Lula Cardoso Ayres; M. Bandeira,

Carlos Leão e do autor

1.o TOMO

RIO DE JANEIRO/1977

'u'l

14 V


em convênio com o

INSTITUTO NACIONAL DO LIVRO

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA

BRASíLIA


#

6131~01A 1Data

NRIM 11, W_4_~L, e

Á'11 U, N.*

Copyright OC 1936 by Gilberto Freyre

Direitos desta edição reservados à

LIVRARIA JOSÉ OLY~1PIO EDITORA S.A.

Rua Marquês de Olinda, 12

Rio de Janeiro - República Federativa do Brasil

Printed in Brazil / Impresso no Brasil

Freire, Gilberto, 1900 -

F933s Sobrados e mucambos: decadência do patriarcado rural e desenvolvimento do urbano /por/ Gilberto Freyre; ilustraçÓes de Lula Cardoso Ayres,

M. Bandeira, Carlos Leão e do autor. 5.ed. Rio de Janeiro, J. Olympio; Bra-

sitia, INL, 1977.

2t. ibist. (Introdução à história da sociedade patriarcal no Brasil, 2)

Dados biobibliográficos do autor

Bibliografia

1. Brasil - CondiçÓes sociais 2. Brasil - Vida e costumes sociais

3. Antropologia social - Brasil 1. Instituto Nacional do Livro Il. Título

III. Título: Decadência do patriarcado rural e desenvolvimento do urbano

IV. Série.

CCF/SNEL/RJ-77-0105

~~ Powica -~ viamu,

CDD - 309.181

301.2981

CDU - 308(81)

39(81)

I

t



#

A meu pai e a memOria de minha mãe

EM CUJA CASA AINDA MEIO PATRIARCAL, E AGORA

JÁ DEMOLIDA, DA ESTRADA DOS AFLITOS, NO RE-

CIFE, FOI ESCRITA GRANDE P., TE DESTE TRABALHO.

#

SOBRADO PATRIARCAL



SEMI-URBANO DO

MEADO DO SÉCULO XIX

(Desenho de M. Bandeira 1

1-SOBRADO

2 - JARDIM

3-PALANQUE

4 - CASA DE AVEN-

CAS


3 - VIVEIRO DE

PASSARINHO

6-POMBAL

7 - CACIMBA

8 - TANQUE DE LA-

VAR ROUP-

9 - GALINHEIRO

10 - CHIQUEIRO

11 - COCHEIRA

12 - CASA DE

CHORRO

13-SENZALA



14 - VIVEIRO

PEIXE


15 -BAIXA DE C

PIM


16 - ESTABULO

17 -LUGAR DE MA-

TAR PORCO,

CARNEIRO, ETC

18 - PASTO

19 -MURO COM C.

CO DE VIDRO

20 - BANHEIRO

21 - MUCAMBOS

#

#



SUMARIO

NOTA DA EDITORA: DADOS BIBLIOGRÁFICOS Do AUTOR

BIBLIOGRAFIA DE & SOBRE GILBERTO FREYRE .

tr

1.0 TOMO



rág3.

X1

XXI



PnEFÁcio À TERCEIRA EDIÇÃO .........xxxiii

PREFÁCIO À PRIMEIRA EDiçÃo .............................

PREFÁCIO À SEGUNDA EDIÇÃO .............................

INTRODUÇÃO À SEGUNDA EDIÇÃO ..........................


1 - 0 Sentido em que se modificou a Paisagem Social do Brasil

Patriarcal durante o Século XVIII e a Primeira Metade

do XIX ........................................

NOTAS AO CAPíTULO 1 ...........................

II - 0 Engenho e a Praça; a Casa e a Rua ..................

NOTAS AO CAPíTULO II

III - 0 Pai e o Filho

NOTASAO CAPíTULO 111

IV - A Mulher e o Homem

NOTASAO CAPíTULO IV

V - 0 Sobrado e o Mucambo ............................

NOTAS AO CA-PíTULO V ..........................

VI - Ainda o Sobrado e o Mucambo .. ....................

NOTAS AO CAPíTULO VI ...

VII - 0 Brasileiro e o Europeu .
XXXV111
L1I

LVIII
3


23

30

56



67

89

93



140

152


234

264


305

308


#

345


VIII - Raça, Classe e Região .......................
NOTAS AO CAPíTULO VIII ...............

IX - 0 Oriente e o Ocidente .


NOTAS AO CAPíTULO VII
2.0 TOMO

NOTAS AO CAPíTULO IX .........

X - Escrava, Animal e Máquina .........
NOTAS AO CAPíTULO X .........

XI - Ascensão do Bacharel e do Mulato ...


NOTAS AO CAPíTULO X1 .........
353

400


424

475


489

551


573

625


#

XII - Em Torno de uma Sistemática da Miscigenação no Brasil

Patriarcal e Sernipatriarcal ...................

NOTAS AO CAPíTULO XII .......................


BrBLiocRAFiA

INDICE ONO"STICO

INDicE DE AssuNTos
SUMÁRIO DAS ILUSTRAÇOES

1.0 TOMO


632

662


667

708


734

pfigs.


Sobrado patriarcal semi-urbano do meado do século XIX VI-Vil

Interior de sobrado patriarcal do meado do século XIX LVI 1

Pátio interior de sobrado mineiro do século XIX ..............

Os estilos de barba mais comuns no Brasil do século XIX ......

Sala de visitas de sobrado brasileiro do século XIX ..........

0 corpo da mulher em relação com as modas de exagero dos

caraterísticos de sexo, típicas do século XIX

Mulher brasileira do meado do século XIX ......

Reprodução da primeira página de Mirzalina ....

Anúncio típico de "Retratos Americanos" ........

Planta de uina casa de chácara do Rio de janeiro - 1.0 andar

Planta de uma casa de chácara do Rio de janeiro - andar térreo

Anúncios de jornais brasileiros do meado e do fim da era imperial

(Grupo I) .......................................

Planta de uma chácara do Rio de janeiro .................

Dois tipos de mucambo ..................................

Anúncios de jornais brasileiros do meado e do fim da era imperial
11

69

113


119

131


146

160


169

175


186

189


207

(Grupo II) ..........................212

Sobrado nobre do Rio de janeiro (1850) 222-223

Anúncios de jornais brasileiros do meado e do fim da era imperial

(Grupo III)

Sinhazinha de sobrado

Anúncios de jornais brasileiros do meado e do fim da era imperial

(Grupo IV)

Anúncios de jornais brasileiros do meado e do fim da era imperial

....... 280

9 q 1)~

#

#



Anúncios de jornais brasileiros do meado e do fim da era imperial

(Grupo VI) .......................................

Anúncios de jornais brasileiros do meado e do fim da era imperial

(Grupo Vil) ...........

304

............................ 314



Substituição da casa chamada "colonial" pelo chalé assobrwlado 317

Sobrado de residência senhoril urbana, já rceuropeizada, do

Recife

Sobrado do Rio de janeiro



Anúncios de jornais brasileiros do meado e do fim da era impeiial

(Grupo VIII)

323

329


Anúncios de jornais brasileiros do meado e do fim da era iaiperia . 1

(Grupo IX) ..........................342

FORA DO TEXTO:

Reprodução da capa de Mirzalina ...........

Sobrados de Salvador colonial e os arcos de Mercado .......

Outro aspecto de sobrados coloniais de Salvador .....

Sobrados patriarcais de centro comercial .............

2.' TOMO


Entre págs.

130/131


130/131

... 146/147

...146/147

Sobrado pafriarcal serni-urbano da segunda metade do século XIX vi-vil

Anúncio de famosa loja de chapéus-de-sol do Recife 385

Anúncios de jornais brasileiros do meado e do fim da era imperial

(Grupo X) ...........................428

Anúncios de jornais brasileiros do meado e do fim da era imperial

(Grupo XI) .......................446-447

Anúncios de jornais brasileiros do meado e do fim da era imperial

(Grupo XII) .......................................

Anúncio de espetáculo no Teatro Santa Isabel do Recife ......

Anúncios de jornais brasileiros do meado e do fim da era imperial

(Grupo XIII) ......................................

Anúncio de casa de chapéu-de-sol (1870) ..................

492


518

548


610

#

NOTA DA EDITORA



DADOS BIOBIBLIOGRÁFICOS

DO AUTOR


GILBERTO [DE MELLOI FREYRE nasceu na cidade do Recife, no dia

15 de março de 1900, filho do Dr. Alfredo Freyre e de D. Francisca

de Mello Freyre. Seus estudos iniciais foram feitos com professores

particulares, entre outros o inglês Mr. Williams, M- Meunier, fran-

cesa, e o próprio Pai, com quem se iniciou no estudo de Latim e

no de Português. Teve também Teles Júnior por professor particular

de desenho. Aos dezessete anos completou, com o grau de Bacharel

em Ciências e Letras, os estudos secundários no Colégio Americano

Gilreath, de Pernambuco, seguindo imediatamente para os Estados

Unidos. Aí bacharelou-se em Artes Liberais, especializando-se em

Ciências Políticas e Sociais na Universidade de Baylor e fazendo, em

seguida, estudos pós-graduados (de Mestrado e Doutorado) de Ciên-

cias Políticas, Jurídicas e Sociais na Universidade de Colúmbia, onde

teve por mestres, entre outros, o antropólogo Franz Boas, o sociólo-

go Giddins, o economista Seligman, o jurista John Bassett Moore,

o também mestre de Direito Público Munro, o jurista e internacio-

nalista inglês Sir Alfred Zimmern, este de Oxford. Conviveu nos Es-

tados Unidos com o filósofo John Dewey, com os poetas William

Butler Yeats, Vachel Lindsay e Amy Lowell, com os críticos H. L.

Mencken e Carl van Doren, com Tagore, Leon Kobrin, o Príncipe

Alberto, de Mônaco, o jurista Brown Scott. Em Paris e Oxford con-

viveria com Imagistas, Expressionistas, Modernistas de várias tendên-

cias e também com, os intelectuais do grupo Péguy, da Action Française

(Maurras e outros) e da corrente chestertoniana Católica - novas ten-

dências das quais adaptaria valores contraditórios ao Brasil, ande ini-

ciaria o seu próprio "Modernismo" em, 1923, sem seguir o do Rio-São

Paulo. Percorreu, depois, a Europa, em viagem de estudos, demoran-

do-se em vários centros de cultura universitária, inclusive Oxford, em

museus de Antropologia e de Histórias Culturais - suas especialidades

- da Inglaterra, Alemanha, França e Portugal, freqüentando cursos

e conferências sobre assuntos antropológicos. Sua tese universitária,

publicada em inglês, foi sobre o Brasil e nela sustentou que a situa-

ção do escravo no Brasil patriarcal fora superior à do operário euro-

peu no começo do século XIX. Tem os graus universitários de

Bacharel (B. A. ou A. B., Artium Baccalaureus) - Mestre (M. A.

xi

#



ou A. M., Artium Magister) ou Licenciado em Ciências Políticas

(inclusive Direito Público) e Sociais - Doutor em Letras (D. Litt.,

Doctor Litteris) - Doutor (ou Professor) h. c. (Doutor Honoris Cau-

sa), que raras vezes usa: só em trabalhos ou ocasiÓes estritamente

universitárias. Já recusou comendas e condecoraçÓes.

Preferindo dedicar sua vida principalmente à atividade de escritor,

por considerar esta a sua vocação máxima, e temer o que chama "a

rotina pedagógica", Gilberto Freyre tem recusado cátedras em uni-

versidades do país e do estrangeiro. Assim, deixou em 1942 de aceitar

a de Filosofia Social na Universidade de Yale; em 1943, a de So-

ciologia, na Universidade do Brasil; em 1943, a de Estudos Sociais

Brasileiros, na Universidade de Harvard; em 1944, a de Sociologia, na

Universidade da Bahia; em 1949, a de Sociologia, na Universidade do

Recife; e convites das Universidades de Califórnia, Princeton e Berlim

Ocidental. Nen, por isso lhe falta, além de formação universitária

sistemática, experiência didática, pois já foi lente ou professor extraor-

dinário das Universidades de Stanford, Michigan, Indiana, Virgínia,

Salamanca, Coimbra, sendo da última Professor Doutor H. C. com o

direito de intitular-se Doutor por extenso, e dirigiu em 1938 um se-

minário para pós-graduados, na Universidade de Colúmbia, sobre "So-

ciologia da Escravidão". Além disso é fundador de várias cátedras no

Brasil.


É um dos sete membros honorários da American Sociological So-

ciety. E membro titular da American Anthropological Association e

da American Philosophical Society. Pertence aos conselhos diretores

de: Sociedade Marc Block para o Estudo das CivilizaçÓes (Paris),

Instituto Internacional de CivilizaçÓes Diferentes (Bruxelas), revista

Cahiers Internationaux de Sociologie (de Paris), revista de Filosofia e

Ciências do Homem, Diogène (de Paris). Em 1955 foi, à sua revelia,

escolhido membro correspondente da Academia Pernambucana de Le-

tras, quando ainda estudante no estrangeiro, aos 19 anos. É ainda

membro do Royal Anthropological Institute, de Londres, da Academy

of Science and Arts, de Boston, da Academie de Sciences (ultramar) de

Paris.


Em 1948, no Conclave dos Oito, que reuniu em Paris oito especia-

listas mundiais em Ciências do Homem, cada um deles representando

uma Ciência e uma Área - conferência convocada pela UNESCO,

sem interferência 'de governas nacionais, para o fim especial de se

estudarem as tensÓes entre os grupos humanos, em geral, e os na-

cionais em particular - a Antropologia ou a Sociologia Cultural par-

ticipou do importante conclave internacional na pessoa de Gilberto

Freyre, que recebeu tal delegação daquele organismo das NaçÓes

Unidas, através do seu então presidente, o prof. Julian Huxley. Re-

X11


#

presentou ele também no conclave as "áreas não-européias, além dos

Estados Unidos". No mesmo conclave tomaram parte também Geor-

ges Gurvitch, professor de Sociologia na Universidade de Paris (Sor-

bonne), Gordon W. AlIport, professor de RelaçÓes Sociais da Univer-

sidade de Harvard, o professor Max Horkheimer, da Alemanha, o

filósofo escandinavo A ume Naess, de Filosofia, na Universidade de Oslo,

o psic6logo John Rickman, M. D. diretor do British Journal of Medical

Psychology, de Londres, o psiquiatra Harry Stack Sullivan, M. D. da

Washington School of Psychiatry, o economista-soci6logo Alexander

Szalai, de Sociologia da Economia na Universidade de Budapeste, e

representante dessa especialidade e do ponto de vista da área comu-

nista-soviética. Os trabalhos da Conferência dos Oito constam de livro

já publicado em inglês sob o título Tensions that Cause Wars (TensÓes

que Causam Guerras), editado pela Imprensa da Universidade de Illi-

riois, sob a direção do prof. H. Cantril (já com ediçÓes em francês,

japonês e outras línguas).

Fazendo ligeiro interregno na política, mas sem com isso paralisar

a sua atividade de homem de letras, Gilberto Freyre, a instâncias da

mocidade universitária, deixou que seu nome fosse apresentado para a

Constituinte de 1946, permanecendo até 1950 deputado pelo Estado

de Pernambuco, sem compromissos com qualquer partido, embora na

legenda da UDN. Foi vice-presidente da Comissão de Educação e

Cultura da Câmara, e de sua atividade parlamentar nos dá conta par-

cialmente seu livro Ouase Política. Apresentou emendas de importância

sociológica ao projeto de Constituição, sendo responsável pela redação

final de dispositivos relativos à Ordem Econômica e Social e aos di-

reitos de naturalizados. Em parecer, depois de ter feito a Comissão de

Educação e Cultura proceder a longo inquérito, no qual foram ouvi-

dos educadores, professores, editores, mostrou a complexidade do

problema do livro didático no Brasil, ligado ao do papel, e a impos-.

sibilidade de promover-se o barateamento desse tipo de livro por me-

didas simplistas, que apenas atingissem atividades editoriais, editores

e autores. Também foi seu o parecer no sentido de só se federalizarem

no Brasil universidades de importância regional ou de amplitude trans-

tadual


Em 1949 foi escolhido pelo Governo Brasileiro para representar

nosso país na Assembléia-Geral das NaçÓes Unidas, tendo sido mem-

bro da Comissão Social e Cultural. Seu discurso, proferido em inglês,

concorreu decisivamente para alterar a política da ONU, até então de

auxílios à Europa e desde então de assistência a países não-europeus,

inclusive o Brasil

Em 1954, em cerimônia na Catedral Anglo-Católica de São João

Teólogo, presidida por S.M. a Rainha-Mãe da Grã-Bretanha, foi sa-

#

grado Doutor Honoris Causa pela Universidade de Colúmbia. Em



1956, foi recebido com distinçÓes excepcionais pelas Universidades de

Oxford, Cambridge, Edimburgo, St. Andrews, Londres, Glasgow, na

Inglaterra e na Escócia; pelas Universidades de Madri, Escorial e Sa-

lamanca, na Espanha; pela.Sorborme, na França; pelas de Heidelberg,

Münster, Berlim, na Alemanha; pela Universidade de Utrecht e pelo

Real Instituto dos Trópicos, na Holanda. Proferiu conferências em vá-

rios desses centros culturais e noutros dirigiu seminários de estudos

pós-doutorais. Visitou esses e outros países da Europa, a convite dos

respectivos governos, tendo sido convidado pela Universidade de Ber-

lim a voltar à Alemanha para ocupar uma de suas cátedras de Ciên-

~ias Políticas e Sociais, e pelas de Bonn, Heidelberg e KÓln, a proferir

conferências em 1958. Já as proferira de interpretação sociológica não

só da História Americana, em particular, como do Homem, em geral,

principalmente do "Homem Situado nos Trópicos", nas Universidades

de Londres, Coimbra, Virgínia (EUA), San Marcos (Lima). Em

1957, fez conferência sobre o mesmo tema no Colégio Pio-Brasileiro

da Universidade Gregoriana de Roma. No Instituto de Goa (India),

esboçou em 1951 sua tese do Lusotropicalismo, em que apresenta

sugestÓes para a criação de uma nova ciência - a Tropicologia -

que se particularize numa Lusotropicologia, sugestão desenvolvida de-

pois no livro Um Brasileiro em Terras Portuguesas, de 1953, e que

em 1957 recebeu os aplausos dos antropólogos, sociólogos, economis-

tas, juristas, geógrajos, reunidos em conclave, em Lisboa, pelo Ins-

tituto Internacional de CivilizaçÓes Diferentes, com sede na Bélgica.

Em 1935, fora designado pelo Ministro da Educação, Gustavo Capa-

nema, professor extraordinário de Sociologia na Faculdade de Direito

do Recife, onde realizou um curso pioneiro de Sociologia moderna,

tendo antes, em 1928, ocupado por dois anos, na Escola Normal do

Recife, a cátedra recém-criada da mesma matéria, a cujo ensino im-

primira rumos novos, acompanhados de pesquisa, marcando assim o

início do ensino de Sociologia acompanhado da pesquisa de campo,

no Brasil. Ainda em 1935, inaugurou na então Universidade do Dis-

trito Federal, a convite do seu criador, o saudosde eminente professor

Anísio Teixeira, as cátedras de Sociologia, Antropologia Social e Cul-

tural e Pesquisa Social, estas, as primeiras dessa matéria estabelecidas

no Brasil e talvez na América do Sul. Realizou, igualmente, em dife-

rentes oportunidades, conferências nas Faculdades de Direito de São

Paulo e da Bahia e nas de Medicina e Filosofia também da Bahia.

Da última, Gilberto Freyre é Professor-Honorário de Sociologia, honra

que lhe foi também conferida solenemente em 1956 pela Universidade

do Recife. É Adstrito Honorário de Sociologia da Universidade de

Buenos Aires. É também membro honorário do Instituto de Cultura

x1v

al

#



Hispânica, de Madri, do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro,

e membro do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambu-

cano. Entre outras distinçÓes de que tem sido alvo, cabe ressaltar

ainda a sua eleição, em 1942, para oConselho da American Philo-

sophical Association, e também para integrar o Conselho dos Archives

de Phílosophie du Droit et de Sociologie Jundique (Pa * ). Em 1949

r r% Sorbonne.

o estudo de sua obra foi incluído em curso de líteratuí~

Sua obra é também sistematicamente estudada, como literatura e como

ciência, na Universidade de Colúmbia. Seu estilo e sua linguagem têm

sido analisados, como "renovação estética da língua portuguesa", pela

Dr.11 Dorothy Loos, da mesma Universidade. Proferiu em 1956 uma

conferência na Escola de Altos Estudos da Sorbonne sobre tema socio-

lógico, após a qual foi saudado por Georges Gurvitch, como "um dos

maiores, senão o maior, sociólogo moderno". Também em 1956, assis-

tiu em Paris ao lançamento, por Gallimard, do seu livro Nordeste, tra-

duzido pelo prof. Orechioni com título Terres du Sucre. Nesse mesmo

ano, os editores Fratelli Bocca, de Rema, lançaram a tradução italiana

de Interpretação do Brasil. Em 1955 foi o único brasileiro convocado

a participar do radio-simposium em Washington sobre "o início da ci-

vilizaVdo at6miea", ao lado de Winston Churchill, Jacques Maritain,

Walt Disney, Jung, Bertrand Russell, Toynbee, Le Corbusier, etc. Cada

-um traçou o provável desenvolvítnento de sua arte ou ciência no pró-




  1   2   3   4   5   6   7   8   9   ...   110


©aneste.org 2017
enviar mensagem

    Página principal