Escola Secundaria de Monserrate Analise do Poema



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Analise do Poema

Aquela cativa, que me tem cativo

I

O Poema


A üa cativa com quem andava d´amores na Índia chamada bárbora

Aquela cativa,

que me tem cativo,
porque nela vivo,

já não quer que viva.


Eu nunca vi rosa,

que em suaves molhos,


que para meus olhos,

fosse mais fermosa.
Nem no campo flores,

nem no céu estrelas,


me parecem belas,

como os meus amores.


Rosto singular,

olhos sossegados,
pretos e cansados,


mas não de matar.
üa graça viva,

que neles lhe mora,


para ser senhora,

de quem é cativa.


Pretos os cabelos,

onde o povo vão
perde opinião,


que os louros são belos.
Pretidão de Amor,

tão doce a figura,


que a neve lhe jura,

que trocara a cor.


Leda mansidão,

que o siso acompanha:


bem parece estranha,

mas bárbara não.
Presença serena,

que a tormenta amansa:


nela enfim descansa,

toda a minha pena.
Esta é a cativa,

que me tem cativo,
e, pois nela vivo,


é força que viva.

II

Análise geral do poema



  • O Tema – O Amor sentido por Camões;

  • O Assunto – A descrição da mulher amada,

  • Estrutura – A trova é composta por cinco estrofes, que são oitavas. Cada verso é composto por 5 sílabas métricas, correspondendo a redondilha menor. O esquema rimático é ABBACDDC, portanto: interpolada nos 1,4,5,8 versos e emparelhada nos 2,3,6,7 versos.

III

Analise pormenorizada do poema







  • Aquela cativa, que me tem como cativo” - O sujeito poético começa com o jogo de palavras cativa/cativo, que é de um certo modo um subjetivo da escravidão do sujeito poético. Se Barbara é escrava socialmente o sujeito poético também o é. Escravo do seu amor.

  • Eu nunca vi rosa” Os elementos da natureza ajudam a traduzir a beleza da amada.

  • Que pera meus olhos, fosses mais fermosa” O sujeito poético faz um elogio a amada, usando a tradicional hipérbole que superioriza a amada.

  • Nem no campo flores, nem no céu estrelas” - Comparativamente com as flores e/ou as estrelas, a sua amada é muito mais bela. Note-se que todo o elogio é pessoal, ou seja, parece ao sujeito poético que a sua amada tem uma beleza incomparável à beleza da grandiosidade da Natureza. Esta presente uma comparação.

  • Como os meus amores”O Rosto da amada não é muito banal é singular/diferente/único, ou seja não corresponde a padrões habituais.

  • Olhos sossegados, pretos e cansados”Mais uma vezes os olhos são apresentado como um espelho da alma, neste caso estão sossegado, o que reforça a ideia de serenidade na mulher camoniana. Mas logo de seguida, apresenta características que se opõem ao modelo de mulher “olhos pretos e cansados”.

  • Mas não de matar” De novo o poeta introduz a descrição do olhar, descreve este como não fatal, não de seduzir e de inspirara paixões. Um olhar só capaz de seduzir para Luís Vaz.

  • ua graça viva”O reforço da graciosidade da mulher que se assemelha ao modelo de mulher.

  • Para ser senhora, de que é cativa”Mais uma vez se joga com as palavras “senhora” e “cativa”, reforçando a ideia de que apesar de ser cativa/escrava, domina, é senhora dos corações apaixonados.

  • Pretos os cabelos, onde o povo vão, perde a opinião, que os louros são belos”O “povo vão”, ou seja, a opinião geral e pouco acertada é de que os cabelos louros são que são belos. O sujeito poético põe em causa o modelo da época e substitui – o por outro.

  • Pretidão de amor”Inicia esta oitava com uma apostrofe à mulher amada, pondo em destaque precisamente as características que se opõem ao modelo de mulher da época.

  • Tão doce … Leda mansidão … o siso acompanha”Sucedem – se características psicológicas que se adequam ao modelo de doçura, ternura, alegria …

  • Mas barbara não” Caracteriza de novo a amada, dizendo desta feita que não é agressiva, ofensiva (“barbara”).

  • Que a tormenta amansa” Novamente o reforço da serenidade. E também a presença da antítese, que põe em destaque as contradições amorosas e os conflitos de opinião.

  • Nela, enfim descansa” O sujeito poético encaminha – se para a conclusão de todos este elogios, dizendo que nela se concentra a sua inspiração poética e sofrimento.

  • Esta é a cativa” – “Esta” implica proximidade, pois agora as características desta personagem são conhecidas. Logo de seguida a este verso enunciam – se, de novo, os 4 primeiros versos.

  • Nota:

O retrato da mulher em Camões

Em Camões, a mulher aparece idealizada através de um retrato físico e espiritual de perfeição equivalente.

A descrição física é, frequentemente, impessoal, anunciando uma beleza convencional, quase sempre idêntica: olhos louros, “tez” branca, faces rosadas. Psicologicamente, a mulher é caracterizada por uma serenidade clássica: por vezes fria no acolhimento das homenagens de amor, possuidora de um “doce” riso, um “gesto brando e sossegado”. Esta mulher simboliza a teoria platónica do amor ideal e inacessível, representado a imagem clássica da deusa Vénus.

IV

Analise Estilística do poema



  • Uso de trocadilhos – Cativa/cativo e vivo/viva (1º e ultima estrofe)



  • A antítese – Entre a condição social de dependência (cativa) e a ascendência na relação amorosa:

Senhora = Cativa

  • A Hipérbole – Que encarece a beleza da amada

que a neve lhe jura, que trocara a cor” – (vv.27-28)

Nem no campo flores, nem no céu estrelas” – (vv.9-10)

  • A Comparação – Que assume até uma dimensão hiperbólica, é também usada para salientar os dotes físicos da amada e a profundidade dos seus sentimentos

Nem no campo flores, nem no céu estrelas, me parecem belas como os meus amores” (vv. 9-12)

  • A personificação

Que a neve lhe jura, que trocara a cor” (vv. 27-28)

  • A adjetivação expressiva e abundante – suaves, fermosa, belas, singular, sossegado, pretos e cansados, doce, leda, estranha, serena …



  • Da figura de barbara desprende – se, sobretudo, uma imagem de doçura e serenidade, conseguida através de uma cuidada caracterização física e psicológica:

A suavidade da sua beleza” (vv. 5-8)

A singularidade do rosto e o sossego do olhar” (vv. 13-14)



V

Questionário sobre o poema



  1. Nestas endechas, Camões exalta a beleza oriental e exótica de Bárbara.

    1. Indica os processos de superlativação usados para enaltecer a sua beleza.

  2. Recorda o modelo da mulher petrarquista.

    1. O retrato de Bárbara enfatiza ou contraria esse modelo? Justifica a tua resposta.

  3. A linguagem do poema é enriquecida pelo recurso aos trocadilhos e às antíteses.

    1. Identifica – os.

    2. Comenta a sua expressividade.

  4. Estabelece uma relação de sentido entre o determinante e o pronome demonstrativo usados: “Aquela cativa” (v.1) e “Esta é a cativa” (v.37).

  5. Classifica cada uma das seguintes orações introduzidas por que:

    1. que a neve lhe jura” (v.37)

    2. que viva” (v.40)

  6. Explica o valor da conjunção “mas” utilizada nos versos 16 e 32.

  7. Identifica a função sintática desempenhada pelo pronome pessoal “me” (v.11) e pelo adjetivo “belos”(v.24).

  8. O eu lírico está tomado por um sentimento amoroso que lhe dá leveza de espírito e alegria.

    1. Aponta elementos formais que dão conta desse estado de espírito.

  9. Indica o tema do poema e relaciona – o com a vida do poeta.

  10. Indica o esquema rimático do poema.







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