Em engenharia no brasil



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PROSPECÇÃO TECNOLÓGICA E EDUCAÇÃO

EM ENGENHARIA NO BRASIL

Marta Lucia Azevedo Ferreira – mlferreira@cefet-rj.br

Cristina Gomes de Souza – cgsouza@cefet-rj.br

Ilda Maria de Paiva Almeida Spritzer – spritzer@cefet-rj.br

CEFET-RJ, Diretoria de Pesquisa e Pós-Graduação, Programa de Mestrado em Tecnologia

Av. Maracanã, 229 - 5º andar - Maracanã

CEP 20271 110 – Rio de Janeiro - RJ




Resumo: Este artigo propõe-se a refletir sobre a inserção do tema prospecção tecnológica na educação em engenharia no Brasil. A partir de uma perspectiva sistêmica e multidisciplinar e tendo como metodologia a pesquisa bibliográfica, propõe-se a relação entre inovação, aprendizagem tecnológica e educação em engenharia. A seguir, tem-se uma breve revisão da literatura sobre prospecção tecnológica e discute-se sua aplicação na educação em engenharia, destacando-se o monitoramento de informações tecnológicas por meio de publicações científicas e documentos de patentes, que são apresentadas como importantes fontes de informação a serem utilizadas de maneira prática nos cursos de engenharia no país. Posteriormente, são apresentadas as considerações finais.
Palavras-chave: Inovação, Aprendizagem Tecnológica, Educação em Engenharia, Prospecção Tecnológica, Monitoramento de Informações Tecnológicas.

  1. introdução


Como contraponto ao avanço da globalização, cresce desde meados dos anos 80 o reconhecimento da importância das fronteiras nacionais e da dinâmica social, sistêmica e complexa da inovação. Verifica-se o renascimento do interesse na compreensão das mudanças técnicas e das trajetórias históricas e nacionais na direção do crescimento econômico e do desenvolvimento, dando origem ao conceito de Sistema Nacional de Inovação (SNI). Este se configura como um conjunto de atores, redes e instituições que contribui para o desenvolvimento da capacidade de inovação e aprendizagem dos países e também o afetam.

Desde então, um novo padrão de competitividade baseado no desenvolvimento tecnológico e na inovação, vem levando à crescente utilização da prospecção tecnológica para compreensão e antecipação de tais processos. De fato, esta vem sendo adotada em muitos países por atores envolvidos em projetos de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I), devido à incerteza inerente ao progresso técnico, aos altos investimentos necessários à geração e difusão de tecnologias e à necessidade de redução dos riscos de seus empreendimentos. Esta é a razão pela qual o termo prospecção em C,T&I vem sendo associado a esta prática, que tende a incorporar ainda elementos sociais, culturais e estratégicos.

A engenharia tem ativa participação na moldagem da sociedade tecnológica atual, ao mesmo tempo em que é por ela fortemente influenciada, tornando necessária a reflexão sobre o seu papel e suas práticas, bem como sobre os desafios e novos requisitos envolvidos na formação dos engenheiros. Assim, este artigo propõe-se a refletir sobre a inserção do tema prospecção tecnológica na educação em engenharia no Brasil. Considera-se oportuna a discussão proposta, na medida em que se trata de um campo novo e de importância crescente no país, seja quando considerado em sentido estrito como método de análise de informações tecnológicas, seja quando considerado em sentido amplo como método de intervenção no sistema brasileiro de inovação.

  1. INOVAÇÃO, APRENDIZAGEM TECNOLÓGICA e EDUCAÇÃO EM ENGENHARIA


Patel & Pavitt (1994) propõem uma tipologia segundo a qual os países podem ser classificados em três níveis de desenvolvimento tecnológico: maduros, quando mantêm-se próximos da (ou na) fronteira tecnológica internacional; intermediários, quando encontram-se voltados basicamente para a difusão da inovação, embora possuam forte capacidade endógena de absorção das tecnologias geradas nos países do primeiro nível; e incompletos, quando possuem pequena infra-estrutura de C&T e quando esta possui baixa articulação com o setor produtivo.

Albuquerque (1999) estabelece uma tipologia em quatro níveis e considera o processo de catching up como elemento diferenciador entre os países. Este pode ser entendido como propõem Mazzoleni & Nelson (2007, p. 1512): “o resultado de esforços deliberados para modificar e adaptar tecnologias e práticas às condições nacionais”. Assim, o autor define que os países-membros da OCDE possuem sistemas de inovação maduros, enquanto os países em processo de catching-up caracterizam-se por sistemas de inovação intermediários ou em transição, como a Coréia do Sul. Já os países não-membros da OCDE, como o Brasil, possuem sistemas de inovação incompletos ou imaturos, embora à frente dos países com sistemas de inovação inexistentes.

Aqui, a infra-estrutura tecnológica é heterogênea, exibindo contrastes entre alguns poucos setores que constituem “ilhas de excelência”, setores estratégicos a serem desenvolvidos e a grande maioria de setores que apresentam deficits de acumulação tecnológica. Bell & Pavitt (1993) constituem referência ao distinguirem os conhecimentos e habilidades necessários à operação e manutenção dos sistemas produtivos (capacidade de produção) daqueles necessários à geração e introdução de novas tecnologias (capacitação tecnológica) e destacam a importância da acumulação tecnológica, isto é, da acumulação de capacitação tecnológica.

Porém, Viotti (2003) argumenta que nos países com sistemas de inovação imaturos, a inovação constitui fenômeno raro, motivo pelo qual prefere considerar a aprendizagem tecnológica como fenômeno típico desses países. O caso brasileiro reflete a predominância da aprendizagem tecnológica passiva, que envolve basicamente a capacidade de produção. A aprendizagem tecnológica ativa, por outro lado, envolve a capacitação tecnológica e é característica dos países com sistemas de inovação em transição, que adquirem domínio sobre as tecnologias assimiladas como resultado de esforço tecnológico deliberado. A inovação, por sua vez, é o fenômeno característico dos países com sistemas de inovação maduros.

Verifica-se que o desafio do Brasil é transformar seu sistema de C&T em um sistema de C,T&I, ou seja, ingressar no grupo dos países em processo de catching-up. Isto implica a opção clara e hegemônica pelo desenvolvimento tecnológico de longo prazo, o que envolve ações conseqüentes de estímulo aos processos de aprendizagem tecnológica ativa e de inovação. Neste caso, a participação da engenharia nacional é fundamental. Igualmente, a educação em engenharia nacional constitui-se como pilar estratégico.

No entanto, Ferreira et al. (2008a) afirmam não ser mais possível lidar apenas com o paradigma da engenharia e da educação em engenharia modernas, uma vez que as empresas hoje vêm experimentando novas formas de relacionamento e estruturas capazes de propiciar maior agilidade diante dos desafios de mercado. De fato, especialização, flexibilidade e capacidade de integração são novos e importantes requisitos para os engenheiros, sobretudo quando se leva em conta os oligopólios globais e as redes de empresas atuais, tão diferentes do modelo típico da grande empresa do século XX ou da pequena empresa do século XIX.

É necessário um novo paradigma para a engenharia e a educação em engenharia, não mais voltado para a sociedade da produção em massa e para a educação de massa, mas para um novo tipo de sociedade que exige uma engenharia de natureza mais abstrata, complexa e multidisciplinar. Trata-se de deslocar o foco de atenção do professor e do ensino para o aluno e a aprendizagem, pois hoje se tem também um novo perfil de estudante mais informado que deve ser estimulado por processos de busca, análise e síntese de dados, informações e conhecimentos provenientes de várias fontes e disciplinas. Este novo paradigma envolve uma nova atitude do estudante não apenas empreendedora e inovadora, mas fundamentalmente prospectiva. Eis porque a prospecção tecnológica é um tema cuja inserção merece ser considerada na formação em engenharia.

3 PROSPECÇÃO TECNOLÓGICA: BREVE REVISÃO DA LITERATURA


Para Coates et al. (2001), os estudos de prospecção tecnológica têm por objetivo entender e antecipar as características, potencialidades, evolução e efeitos das mudanças tecnológicas, em especial sua invenção, inovação, adoção e utilização. Segundo Santos et al. (2004), os procedimentos participativos constituem a variável-chave dos processos de prospecção. São muitas as possibilidades de analisar o futuro e estas tendem a se expandir, o que explica a complexidade do campo e a dificuldade de demarcação de diferenças significativas entre suas múltiplas terminologias e metodologias.

As principais referências quanto à classificação de métodos e técnicas utilizados em atividades prospectivas são atribuídas a Porter et al. (2004) e Coelho (2003). Para efeito deste artigo, destaca-se o monitoramento, embora os autores não o considerem, em sentido estrito, uma técnica de prospecção, na medida em que significa a busca de informações e de atualização sobre o tema da prospecção. No entanto, o entendimento propiciado pelo monitoramento é indispensável à antecipação, razão pela qual este é o método mais amplamente utilizado.

Battaglia (1999) refere-se ao dado como matéria-prima bruta dispersa em documentos e à informação como construção derivada da composição de dados. O monitoramento pode ser realizado com ampla abrangência, graças à análise de quatro tipos de informação: científica, técnica, tecnológica e técnico-econômica. A primeira circula principalmente no meio acadêmico, encontrando-se contida em periódicos, teses, relatórios técnicos e anais de congressos, enquanto a segunda é encontrada principalmente em documentos de patentes. A terceira corresponde à informação industrial que complementa as informações encontradas nas patentes e a última engloba as informações do micro-ambiente concorrencial e comercial.

Entretanto, Álvares (1997 apud Jannuzzi & Montalli, 1999, p. 7) considera a informação tecnológica com um escopo mais amplo, na medida em que é entendida como “todo tipo de conhecimento sobre tecnologias de fabricação, de projeto e de gestão que favoreça a melhoria contínua da qualidade e a inovação no setor produtivo”. Neste sentido, engloba tanto a informação científica como a técnica, sobretudo quando aspectos relativos à inovação e às tecnologias industriais básicas encontram-se envolvidos. Neste artigo, são focalizadas as publicações científicas e os documentos de patentes como importantes fontes de informação quanto ao estado da arte e da técnica.

No caso das publicações científicas, Balancieri et al. (2005) afirma que elas refletem o resultado da atividade de redes de pesquisa que potencializam o intercâmbio de informações, conhecimentos, competências e inovações entre grupos de pesquisadores que trabalham em questões comuns. Oliveira (2005) acrescenta que os periódicos científicos constituem hoje o principal canal de comunicação científica formal. De fato, a divulgação do andamento e dos resultados das pesquisas é de vital importância para que o ciclo da comunicação científica se complete (pesquisa - divulgação - leitura - validação e aceitação pelos pares - pesquisa).

Em especial, os artigos científicos trazem importantes informações quanto ao estado da arte em determinado campo do saber, tais como: identificação de especialistas, a partir da autoria da publicação; mapeamento das redes de colaboração, através das co-autorias; instituições e países que estão investindo em uma área específica, com base no vínculo dos autores; especialistas que vêm exercendo influência na construção do conhecimento, através de citações e co-citações; e evolução do interesse acadêmico no tema, a partir da quantidade de artigos publicados ao longo dos anos (SOUZA et al., 2008).

Os autores destacam que os documentos de patentes, por sua vez, apresentam grande relevância por conterem a informação mais recente em relação ao estado da técnica, uma vez que as patentes incorporam os requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicabilidade industrial. Cerca de 70 a 80% das tecnologias têm divulgação exclusiva através destes documentos. Além de protegerem seus titulares contra imitações, favorecendo a recuperação dos investimentos realizados no processo de P&D, estimulam a difusão do desenvolvimento tecnológico a partir das informações públicas disponibilizadas. Além de recentes e públicas, as patentes contêm informações sistematizadas.

Como informações estratégicas que podem ser obtidas a partir dos documentos de patentes, ressaltam: monitoramento da dinâmica tecnológica com a identificação de tecnologias emergentes; soluções tecnológicas disponíveis, evitando-se a duplicação de esforços e investimentos desnecessários em P&D; mapeamento de mercados potenciais para determinada tecnologia, em função dos países em que a proteção foi solicitada; localização de mercados onde a tecnologia encontra-se disponível para comercialização, por não ter ocorrido a solicitação de proteção patentária; acompanhamento da estratégia dos concorrentes em relação às tecnologias nas quais estão investindo; e identificação de especialistas em determinada tecnologia, a partir dos nomes dos inventores.

O monitoramento de informações tecnológicas torna-se, assim, uma atividade crítica diante do dinamismo do ambiente de negócios atual, das opções simultâneas de tecnologias emergentes, da incerteza quanto à tecnologia que irá se tornar o projeto dominante e dos altos custos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Não apenas favorece que sejam mitigados os riscos de investimentos equivocados, como também oferece subsídios para a prospecção tecnológica.

Vale destacar que esta pode ser utilizada em sentido estrito como método de análise de informações tecnológicas, ou em sentido amplo como método de intervenção em sistemas de inovação, setores de atividade econômica e redes de P&D. Assim, seu uso estende-se das empresas e setores econômicos até o nível macro das políticas. Neste caso, pode ser considerada uma política de mobilização de diferentes atores em prol de objetivos e metas de longo prazo.


4 PROSPECÇÃO TECNOLÓGICA E EDUCAÇÃO EM ENGENHARIA NO bRASIL


A Resolução CNE/CSE 11, de 11 de março de 2000, institui as diretrizes curriculares nacionais dos cursos de graduação em Engenharia e estabelece que o engenheiro deve ter “formação generalista, humanística, crítica e reflexiva, capacitado a absorver e desenvolver novas tecnologias, estimulando a sua atuação crítica e criativa na identificação e resolução de problemas, considerando seus aspectos políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais, com visão ética e humanística, em atendimento às demandas da sociedade”. A Resolução torna evidente a ampla responsabilidade que é atribuída aos engenheiros e que deles é demandada e coloca em relevo a necessidade de ampliação dos requisitos para uma formação mais plena e compatível com o cenário atual.

Como reafirmam Silveira et al. (2007), todo problema de engenharia é multidisciplinar, o que conduz necessariamente ao trabalho em equipes multidisciplinares (eventualmente distribuídas mundialmente) e à necessidade de uma formação multidisciplinar. Sob esta nova perspectiva, é possível conciliar a atitude individual do engenheiro técnico com a atitude relacional do engenheiro empreendedor e inovador necessária ao trabalho em equipes e redes. Preocupações semelhantes são encontradas no documento Inova Engenharia, que contém propostas para a transformação da educação em engenharia no Brasil, inclusive a partir do resultado de pesquisas junto aos segmentos empresarial e acadêmico.

Embora bem avaliados por representantes das empresas líderes dos principais setores brasileiros e também da academia, os engenheiros formados no país vêm deixando a desejar justamente nas novas habilidades exigidas de forma crescente pelo mercado de trabalho. “Ou seja, eles têm boa formação técnica, mas demonstram dificuldades em atitude empreendedora e capacidade de gestão, de comunicação, de liderança e para o trabalho em equipes multidisciplinares. Nesses quesitos cada vez mais cruciais, tanto a indústria como a academia opinam que a defasagem é crescente” (IEL, 2006, p. 66).

O documento destaca ainda a forte necessidade de aproximação entre empresas e universidades, mais uma vez evidenciando o problema da fraca articulação entre estes atores críticos do sistema brasileiro de inovação. Embora seja uma questão cada vez mais abordada na literatura, requer mudanças significativas nos projetos pedagógicos e práticas do ensino de engenharia das universidades brasileiras, que já não podem mais manter-se restritas à educação técnico-científica tradicional. Em outras palavras, o paradigma da educação em engenharia moderna precisa ser superado.

Acrescenta-se que na reportagem intitulada “Procura-se um Engenheiro”, publicada em dezembro de 2007 na Revista Veja, Marcos Todeschini (2007) afirma que estes profissionais se encontram em falta no mercado de trabalho e que somente formando mais engenheiros, o Brasil terá condições de crescer economicamente como precisa. A quantidade de engenheiros necessária para os países em desenvolvimento é de aproximadamente 25 para cada grupo de 100.000 habitantes e o Brasil apresenta o alarmante resultado de seis engenheiros por 100.000 habitantes, colocando-se muito abaixo do valor indicado, que se verifica na China e na Coréia do Sul, além da Índia, onde há 22 engenheiros por 100.000 habitantes.

Apesar dos grandes desafios que se impõem ao país de atingir esta meta e de fortalecer seu SNI, dada sua dimensão e complexidade, o cenário atual exige que as universidades concentrem esforços na promoção de novos conhecimentos, habilidades e atitudes capazes de tornar os futuros engenheiros brasileiros mais aptos para o mercado de trabalho e para participarem ativamente do desenvolvimento tecnológico nacional. Como afirmam Ferreira et al. (2008a, p. 13), “o conhecimento de C&T é importante, mas insuficiente para os engenheiros no cenário contemporâneo, devendo combinar-se ao conhecimento sobre empresas e mercados, de modo a contribuir para compor o sistema de C,T&I”.

Se a tecnologia é o objeto de estudo e de formação dos engenheiros e a prospecção tecnológica tende a tornar-se uma prática comum e para eles cada vez mais útil, nada mais adequado do que inserir este tema nos currículos dos cursos de engenharia, não apenas em termos de teorias e discussões mas, sobretudo, de atividades de base empírica como simulações e estudos de casos, de modo a contribuir para estimular nos futuros profissionais o espírito científico, a atividade inventiva e a capacidade de resolução de problemas contextualizados.

Como se trata de um campo extenso, o foco prático no monitoramento de informações tecnológicas pode ser destacado, uma vez que é cada vez mais necessário que os engenheiros saibam quais informações monitorar; quando, ou seja, em que etapa o monitoramento deve ser feito; onde encontrar as informações; como coletá-las, organizá-las, processá-las e analisá-las; e como, a partir delas, gerar conhecimento e inteligência, antecipando-se às mudanças tecnológicas.

Como afirma Stollenwerker (1997 apud Battaglia, 1999), a relação entre dados, informações, conhecimento e inteligência mantém íntima relação com a gestão estratégica e promove redução de custos, vantagem competitiva e diferenciação de produtos e processos. Em especial, as publicações científicas e os documentos de patentes constituem duas importantes fontes de informação que podem ser utilizadas de maneira prática nos cursos de engenharia, não só pela relevância das informações que contêm, mas porque se encontram disponíveis gratuitamente em bases de dados eletrônicas e acessíveis via internet, o que facilita sua utilização.

Assim, partindo-se da necessidade de monitorar determinado tema ou tecnologia específica por meio da utilização de ferramentas de busca na internet, tanto em bases de dados internacionais, como nacionais, os estudantes podem realizar a análise preliminar de sua emergência e relevância através de publicações científicas. A partir deste mapeamento inicial, podem detectar o grau de desenvolvimento e de inovação tecnológica por meio da análise de documentos de patentes concedidas em outros países e também no Brasil, e a seguir avançar em análises de natureza prospectiva. Vale assinalar que em publicação anterior, as autoras discutiram a gestão prospectiva a partir de patentes em países em desenvolvimento, em especial no Brasil (FERREIRA et al., 2008b).


5 CONSIDERAÇÕES FINAIS


Pretendeu-se destacar neste artigo a relevância da prospecção tecnológica em países com SNI imaturos como Brasil, onde os processos de aprendizagem tecnológica ativa e de inovação precisam prevalecer sobre os de aprendizagem tecnológica passiva. Aqueles processos apóiam-se fortemente em atividades de engenharia, cujo desempenho mais condizente com o cenário atual exige não apenas maior número de engenheiros, mas, sobretudo, novos requisitos para sua formação. Trata-se de promover capacitação tecnológica e acumulação tecnológica nacionais. É urgente, pois, que as universidades brasileiras sejam capazes de incorporar novos conhecimentos e metodologias que levem os estudantes a desenvolver habilidades e atitudes empreendedoras, inovadoras e prospectivas.

Estimular nos estudantes de engenharia uma atitude crítica e reflexiva diante dos complexos e desafiadores problemas tecnológicos contemporâneos é tão importante quanto desenvolver neles a capacidade inventiva e de resolução de problemas contextualizados. A flexibilidade e a capacidade de integração agregam-se à especialização como novos e importantes requisitos profissionais, sobretudo quando se leva em conta a necessidade do trabalho em equipes e redes multidisciplinares de alto desempenho, bem como o estreitamento da relação entre tecnologias hard (máquinas e equipamentos) e tecnologias soft (práticas de gestão).

No mundo atual, os futuros engenheiros precisam menos do acúmulo de informações e mais de oportunidades de aprender a coletá-las, entendê-las, organizá-las e analisá-las criativamente e prospectivamente, gerando novos conhecimentos e inovações. Mais, precisam saber identificar informações estratégicas que lhes permitam obter melhores resultados em suas atividades diárias e projetos e em suas trajetórias profissionais. Com efeito, o monitoramento e a prospecção tecnológica são fundamentais nas atividades de P&D, que são típicas da engenharia, motivo pelo qual foram objeto deste artigo.

Espera-se que as reflexões propostas conduzam a novos estudos no campo da educação em engenharia, sobretudo aqueles de natureza empírica voltados para a aplicação do monitoramento e da prospecção tecnológica em metodologias de ensino que estimulem a aprendizagem ativa, tanto individualmente, como cooperativamente.



referências bibliográficas

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TECHNOLOGICAL PROSPECTION AND ENGINEERING

EDUCATION IN BRAZIL


Abstract: This article aims at to present a reflection upon the role of technological prospection in engineering education in Brazil. Based on both systemic and multidisciplinary view and according to a literature survey, it provides links to innovation, technological learning and engineering education. Also it discusses the main concepts involved in technological prospection and its application in engineering education. The technological information scanned by scientific publications and patents documents are presented as important mechanisms that will be used in engineering courses in Brazil. In conclusion, it presents the final considerations.
Key-words: Innovation, Technological Learning, Engineering Education, Technological Prospection, Technological Scanning Information.

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