Elton flaubert de figueredo



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1.2.3. A Escola do Recife.


Na cidade do Recife, com sua bela arquitetura, com seu ar moderno, mas aonde a memória e a nostalgia tinham o seu destaque, instalou-se um dos movimentos intelectuais mais importantes da época, que veio a ficar conhecido como “Escola do Recife”. O termo escola intelectual, em seu sentido mais estrito, passa a ideia de grupo de autores reunidos que propagam uma estrutura teórica ou metodológica, apesar de algumas divergências periféricas. Não se trata disso neste caso. Não havia uma filosofia, sociologia, teoria literária, ou método historiográfico comum a estes jovens recifenses. Eles formavam um grupo muito mais de sociabilidade, discussões, e proximidades teóricas, além da leitura comum, e propagação ou forte influência de uma série de autores evolucionistas, naturalistas ou positivistas. É neste sentido que usaremos o conceito de “Escola do Recife”22. Até mesmo, pela fama adquirida na formação das ciências humanas no Brasil.

Os seus integrantes queriam dar um fundamento científico nos estudos literários e culturais, pela forte influência das novas teorias embebecidas de progresso que chegavam. Com isto, a partir das noções de “raça”, “cultura” e “espaço geográfico”, buscavam o entendimento sociocultural da cultura e da crítica literária, como um epifenômeno material. Destacavam, assim, as relações entre elementos naturais e raciais com a cultura, e desta com as criações artísticas. Todavia, faziam isto solapando a importância estética das obras, e mesmo o ímpeto criativo do artista.

Menos do que um acerto dogmático a cerca de vários temas, os jovens intelectuais recifenses orbitavam em torno de novos autores, abordagens, e objetos. Tornando o debate e a elaboração artística e intelectual um fator de socialização, construíram sociabilidades, e trouxeram várias colaborações em comum. Não raro havia inúmeros debates e desavenças entre os jovens estudantes, o que dava ânimo a plateia. Ao mesmo tempo, estes jovens conseguem dar uma unidade a essa atmosfera, em busca de acertos na ação política, na critica as instituições do império, ao “atraso” da nação, e no otimismo com o progresso e com a civilização. A unidade era muito mais relacionada ao direcionamento progressista das inspirações políticas, de fundo cientificista, do que propriamente institucional.

O diferencial da Escola do Recife para outros grupos da geração de 1870 foi que, na capital de Pernambuco, predominou a influência do materialismo monista, do evolucionismo, do cientificismo, do naturalismo e do positivismo. Este grupo nasce deste processo de diferenciação do chamado “surto de ideias novas” dos anos sessenta e setenta do século XIX. Não há facções ou tendências, mas uma espécie de abordagens que se reivindicavam científicas, a partir da leitura das obras de: Littré, Taine, Spencer, Buckler, Haeckel, Darwin, e outros; tratando-se da reelaboração científica de vários campos da vida nacional e regional.

Na intersecção da leitura desses autores – e do que suas ideais representavam – com o desejo de reformar cientificamente o país, encontramos uma tensão constante na obra destes intelectuais. Eles estavam divididos entre o pessimismo pelo passado colonial e o otimismo com as promessas de progresso da civilização, ante uma realidade complexa. A ciência operatória e a orientação correta do pensamento precisavam intervir naquilo que eles chamavam de “atraso cultural” da nação ou da província. Para tal, era preciso buscar as causas deste “atraso” e propor soluções. Romero descreve esses tempos desta maneira:

“Quem não viveu nesse tempo não conhece por ter sentido diferentemente em si as mais fundas comoções da alma nacional. Até 1868 o catolicismo reinante não tinha sofrido nessas plagas o mais leve abalo; a filosofia espiritualista católica e eclética, a mais insignificante oposição; a autoridade das instituições monárquicas, o menor ataque sério por qualquer classe do povo; a instituição servil e os direitos tradicionais do feudalismo prático dos grandes proprietários, a mais apagada desavença reatora. Tudo tinha adormecido à sombra do manto do príncipe feliz... De repente, por um movimento subterrâneo que vinha de longe, a instabilidade de todas as coisas se mostrou e o sofisma do Império apareceu com toda sua nudez... um bando de idéias novas esvoaçou sobre nós de todos os pontos do horizonte... Positivismo, evolucionismo, crítica religiosa, naturalismo, cientificismo na prosa e no romance, folclore, novos processos de crítica e de história literária, transformação de intuição do direito e da política, tudo se agitou e o brado de alarma partiu da escola de Recife”23.

Era 1868, um ano diferente na vida do Recife. É o marco da ruptura com o saber tradicional para Romero. Surgem no Recife diversos jornais e revistas, divulgando as novas teorias científicas, sistemas filosóficos, combatendo o clericalismo dominante. Sílvio Romero chegara, encontrando um ambiente intelectual vivo, dinâmico, ávido pelo novo, convivendo nos estudos, nas polêmicas e nas folgas com alguns daqueles que, nas décadas seguintes, iriam frequentar com sucesso as tribunas, os cargos públicos, a imprensa, e as casas editoras. Entre estas figuras, podemos destacar: Antonio Herculano de Souza Bandeira Filho, futuro diretor da Instituição Pública do Distrito Federal; Joaquim Ferreira Chaves Júnior, mais tarde governador do Rio Grande do Norte, senador e ministro da Marinha e da Justiça; além de intelectuais como Domingos Olímpio, Araripe Júnior e Capistrano de Abreu.

O Recife ainda estava agitado, com a população demonstrando entusiasmo com os feitos do seu bravo exército nos combates da guerra do Paraguai. A cidade agitava-se com os ideais abolicionistas. Os mais jovens colocavam a solução republicana em pauta. Entre estes jovens, estava Tobias Barreto, que com seus poemas de evocação nacionalista, dava um sentido social a poesia romântica, e tendo ao seu lado Castro Alves, fundando o condoreirismo24.

Castro Alves mudara-se para Recife em 1862, logo depois da morte de sua mãe. Primeiro, veio como o irmão Antônio morar no Convento de São Francisco, para, em seguida, mudar-se para a casa do pai com sua nova esposa. O poeta se tornaria colaborador dos jornais O Futuro e o Jornal do Recife, fundando logo depois o jornal A Luz.

Tobias, então um líder estudantil, conheceu Castro Alves, construindo um grupo de sociabilidade com ardor poético. Segundo Beviláquia (2012), estavam entre seus integrantes: Guimarães Júnior25, Araripe Júnior26, Plínio de Lima27, Joaquim de Sousa28. Além de José Jorge de Siqueira Filho, poeta que escreveu o drama A Expulsão dos Holandeses. Pelas ruas boêmias do Recife, com grupos de intelectuais, artistas e poetas, estes dois jovens declamavam seus versos.

O amor pela poesia, pelos versos, pelos saraus de recitações, era seguido pela paixão teatral. Foi no teatro que uma grande rivalidade cristalizou-se entre Tobias e Castro. Apesar dos espaços de sociabilidade criados entre esses jovens, os egos disputavam o predomínio poético. Assim, no tradicional Teatro Santa Isabel, deu-se uma acirrada polêmica entre Castro Alves e Tobias Barreto, por causa das atrizes Adelaide do Amaral e Eugênia Câmara. Tobias Barreto enaltecia Adelaide do Amaral; Castro Alves, Eugênia Câmara. Uma luta de titãs que empolgou a mocidade acadêmica, vibrando entre entusiasmo e aplausos os dois representantes de Victor Hugo no Brasil. A rivalidade estava posta. E a paixão do jovem poeta baiano, com apenas 16 anos, por Eugênia também.

Antes mesmo de entrar na faculdade de direito, Castro Alves marcou em 1863, a data de seu primeiro poema contra a escravidão, A Primavera. Frequentando o Teatro Santa Isabel com os jovens acadêmicos da época, Castro conhece a atriz portuguesa Eugênia Câmara. Ela larga um empresário com quem namorava, e vai morar com o poeta numa casa entre o Barro e Tejipió, no subúrbio recifense. Quatro anos depois, em 1867, eles partem para a Bahia, mudando-se depois para o Rio de Janeiro, onde conhece José de Alencar, que o apresenta a elite letrada da corte. Depois, Castro vai para São Paulo e ingressa no terceiro ano da Faculdade de Direito do Largo do São Francisco. Em 1868 rompe com Eugênia.

O desaparecimento dos dois poetas rivais, irascíveis em sua posição, coincidiu com o incêndio do Teatro Santa Isabel e com o término da guerra. As recitações de poesia e os duelos pararam. Os áureos tempos de boemia, liberdade, poesia, e desmedida, tornaram-se labaredas de entusiasmo. Era hora de fazer ciência. Tobias mira-se nos embates, atirou-se a crítica, propôs novas leituras. Afirma Romero sobre tais momentos:

“O período antecedente (1863-69) foi no Recife de uma efervescência romântica formidável. Era o tempo da guerra com o Paraguai. As festas patrióticas multiplicavam-se; o teatro, sob o influxo de dignos artistas, estavam também numa fase de esplendor; o salão tomara, por outro lado, com o recitativo, um brilho novo. Acima de tudo isto dois espíritos dotados em grão muito elevado do talento poético fizeram escola. O mais velho e fecundo, Tobias Barreto de Menezes introduzira pela vez primeira entre nós o estilo de Victor Hugo; o nobre poeta fora, porém, sempre moderado.

O outro, Antônio de Castro Alves, seguíra-lhe as pisadas com um talento mais que muito apreciável; ele, contudo, era um homem de imaginação mais que de sentimento. Exagerara o estilo. Uma turma de anônimos em seguida encarregou-se de transforma-lo ainda mais, e deu-nos essa maneira áspera e retumbante de poetar, que de então para cá, tem valido por uma aluvião. (...)

Depois Castro Alves, levada a doutrina para São Paulo, morreu, e Tobias Barreto atirou-se a crítica, de que representa incontestavelmente o melhor quinhão que possuímos”. (ROMERO, 1878: p. 71).

Outro nome de destaque neste grupo era Franklin Távora. Ele era o mais velho do grupo, formado desde 1863 na faculdade de direito. Ele e Tobias participam da redação do jornal “O Americano”. Foi nesta época a transição de Tobias do romantismo inspirado pelo hugonismo para o realismo. Tobias aproxima-se de Celso Magalhães29, Generino dos Santos30, Sousa Pinto31. É neste cenário de efervescência entre os moços acadêmicos, que Sílvio Romero entra na Faculdade de Direito.

Entre os diversos professores da faculdade desta época, destacava-se Aprígio Guimarães: católico fervoroso, defensor do liberalismo de Bossuet e Fenelon, e incentivador das leituras de Spencer. Mas são dois capelos doutorais e futuros professores que prepararão o terreno para renovação intelectual que Tobias irá realizar na década de 1880: João Vieira de Araújo e José Higino Pereira.

João Vieira de Araújo formou-se em 1864, ganhou o capelo doutoral em 1873, e tornou-se professor em 1877. Ele foi pioneiro no incentivo às leituras de positivistas e evolucionistas, como Comte, Spencer e Ardigó. Em matéria de direito criminal, era influenciado pelas teorias raciais de Lombroso. Para Vieira, a evolução da espécie apareceria na psique de cada homem, onde o aperfeiçoamento moral se daria pelo instinto e pelas camadas culturais. Dessa maneira, o criminoso não passa do indivíduo que conserva o caráter do homem primitivo, sem adquirir a civilização em seu interior. Araújo torna-se o representante mais conhecido da criminologia brasileira, sendo um dos contribuintes e vulgarizadores destes temas no Brasil.

Outro professor de destaque foi José Higino Pereira, que se formou em 1867, e obteve o capelo doutoral em 1876. Higino Pereira era promulgador do evolucionismo spenceriano. Ele foi também constituinte da República, defendendo junto com Antifólio Botelho, um dos integrantes da “Escola do Recife”, a centralização do poder e não o federalismo, sob o argumento de que a soberania seria indivisível. No combate a Lombroso e Ferri, Higino trouxe a influência de Gustave Le Bon, psicólogo e sociólogo francês.

Formaram-se na turma de direito de 1869: Tobias Barreto (SE), Araripe Júnior (CE), Guimarães Júnior (RJ), Anfilófio Botelho (BA). No ano de 1870 formou-se Herculano Bandeira e Joaquim Nabuco. No ano de 1873 foi a vez da turma de Sílvio Romero, e junto com ele: Antônio de Sousa Pinto (Portugal), poeta; Celso da Cunha Magalhães (MA), poeta popular; Domingos Olímpio Braga Cavalcanti (CE), participou do jornal O Movimento; Joaquim Ferreira Chaves Júnior (PE), futuro governador do Rio Grande do Norte. Em 1869, Capistrano de Abreu aporta no Recife para um curso preparatório de humanidades, e entra em contato com os jovens intelectuais recifenses. Capistrano volta ao Ceará em 1872, para fundar a “Academia Francesa do Ceará”, combatendo o romantismo. A convivência entre estes jovens, longe de harmônica, era repleta de debates, desavenças, disputas intelectuais. Mas os interesses políticos, o desejo reformador, e as obras lidas orbitavam em torno do mesmo centro.

A voz do novo emana pelos jornais dando experiência social a esse bando de ideias novas. Da poesia condoreira da década de 1860 passamos para a avidez por fazer ciência. Tobias com interesse crescente pela filosofia, e Sílvio Romero na crítica literária. A reação de Tobias começa na imprensa, no final da década, com o artigo A propósito de uma teoria de São Tomás de Aquino, e logo depois, com dois textos no Correio Pernambucano: Fatos do espírito humano e Religião natural. De poeta romântico tornou-se filósofo monista, combatendo a poesia de Victor Hugo e o romantismo que antes promulgava.

A partir de 1868, Tobias continua rompendo com o romantismo, como mostram o seus artigos: Teologia e teodiceia não são ciência, e Moises e Laplace. Ele demonstra a influência intelectual exercida por suas leituras de Haeckel, Cousin, Jouffrey, Vacherot, Guizot, Scherer. Littré, Spencer, Taine, Buckle, Le Play, Buechner, Le Bon. E adentra ao estudo de ciência da religião, com Strauss, Renan, Doullinger, e Ewald.

Tobias já era um famoso polemista na cidade, e os seus embates com Castro Alves, foram sucedidos pelos embates contra Pedro Autran32, Taunay e Franklin Távora. Tobias afasta-se do condoreirismo, e o seu germanismo filosófico vai atraindo outro grupo de jovens, também ligados à faculdade de direito. Em torna de sua figura, unem-se nomes como: Sílvio Romero, Barros Pimentel33, Altino de Araújo34.

Apesar das leituras, Tobias não tinha aderido ao positivismo de Comte, sendo antes influenciado por Haeckel, Jhering, e Darwin. Ele irá adaptar a filosofia monística ao direito, que, para ele, seria um produto cultural. Sua visão culturalista do direito teria como discípulos na geração posterior: Graça Aranha, Gumercindo Bessa, Artur Orlando, Martins Jr., Fausto Cardoso, Abelardo Lobo, Viveiros de Castro, entre outros.

As influências de Tobias em Romero sempre foi alvo de controvérsia. Romero ao mesmo tempo em que o admirava, recusava a alcunha de seguidor teórico de Barreto. Sobre isto, nos diz:

“Filhos ambos de Sergipe, não nos conhecemos ali. Só em Pernambuco, em fevereiro de 1868, é que vi aquele patrício pela primeira vez. Cursava ele o quarto ano da Faculdade de Direito; eu ia do Rio de Janeiro, com os preparatórios feitos, para matricular-me naquele curso. Tobias foi, portanto, meu contemporâneo nos estudos acadêmicos. Nunca foi meu professor.

 Quando o conheci, suas ocupações espirituais diletas eram a poesia e a filosofia. Naquela tinha sido o inaugurador do lirismo condoreiro a datar de 1862, e ainda era um eterno recitador de versos nos teatros, nas festas patrióticas e nos salões. Este prurido acabou quase completamente em fins de 1870. Na filosofia, que sempre o preocupou de modo especial e característico, já ele havia feito, em 1867, o célebre concurso em que aniquilara o afamado tomista pernambucano Dr. José Soriano de Souza. De 1868 datam as suas primeiras publicações nessa matéria. Cournot, Taine e Vacherot já lhe eram familiares. Em fins daquele ano travou conhecimento com o positivismo diretamente pelo "Cours de Philosophie Positive" de Comte. Stuart Mill e Littré vieram mais tarde e não foram nunca muito apreciados. Em tal assunto o meu amigo preferia diretamente o chefe da escola. O velho espiritualismo francês já estava posto de lado. Ainda também não havia o conhecimento de Darwin, de Haekcel, de Hartmann, de Noiré, do monismo e do transformismo em suma. Tudo isto veio depois, a datar de 1871.

 Nessas condições é que encontrei o poeta. Eu levava do Rio de Janeiro bons estudos de preparatórios, feitos de 1863 a fins de 1867, o amor dos livros, a ânsia de saber. Atirei-me à leitura de etnografia, linguística, antropologia, crítica literária e filosofia. As predileções eram, pois, diferentes, as leituras diversas pela diversidade ingênita dos dois espíritos. Em nossas longas conversações comunicávamos mutuamente as nossas impressões, as nossas ideias, os nossos planos de trabalho. Por ser ele um tanto mais velho, mais adiantado no curso acadêmico, já imensamente popular em Pernambuco, e, sobretudo, por conhecer-lhe o vigor e a força da inteligência, acostumei-me, eu que chegava simples calouro, a ter-lhe peculiares atenções e verdadeiro respeito. Mas nunca lhe sacrifiquei minhas ideias, nem lhe subordinei o meu sentir, nem apaguei jamais diante dele as diferenças nativas do meu temperamento.

Outro tanto praticava-o ele, havendo sempre em nossas relações espirituais plena liberdade e decidida franqueza. Dando conta do meu livro publicado em 1878, A Filosofia no Brasil, depois de alguns elogios iniciais, escrevia Tobias: "Tudo isto, porém, não significa, não quer significar, que eu me limite a formar um duetto, que eu acompanhe em todos os motivos, fazendo segunda voz, o pensamento de Silvio Romero. Em mais de um ponto estamos separados; e como, numa ou tal comunhão de princípios, que entre nós existe, avulta o da mais lhana despreocupação pessoal, o da mais pura sinceridade recíproca, indicarei, precisamente, as razões do meu desacordo

Como quer que fossem diversas entre nós as índoles mentais, cada um foi fazendo a sua obra e a mais rápida observação é suficiente para notar facilmente as diferenças de estilo, de assuntos, de métodos, de doutrinas”. (ROMERO, 2002: p.243-244).

Sílvio adquiriu de Tobias, sobretudo, o calor da disputa, o gosto pelo embate, a busca minuciosa pela verdade, a paixão das letras e pela ciência. O brilho de Tobias magnetizou Romero, mas a convivência proporcionou leituras de novos autores que marcou sua formação intelectual. Em comum, tiveram a insatisfação com a vida universitária e com a ação nas margens da cultura letrada.

Neste ambiente de efervescência intelectual, Sílvio Romero iniciou sua carreira literária redigindo o jornal acadêmico A Crença. Ao longo dos anos na Faculdade de Direito viria a colaborar com poesias e artigos de crítica em diversos jornais pernambucanos, quase todos efêmeros: O Americano, O Correio Pernambucano, O Movimento, O Liberal, A República, Jornal do Recife, e O Diário de Pernambuco. Romero aparece combatendo o romantismo e a metafísica religiosa. Sobre a importância dos jornais, nos fala:

“É no jornal que têm todos estreado os seus talentos; nele é que têm todos polido a linguagem, aprendido a arte da palavra escrita; dele é que muitos têm vivido ou vivem ainda; por ele, o que mais vale, é que todos se têm feito conhecer, e, o que é tudo, poderia ser mais se houvesse um acordo e junção de forças; é por onde os homens de letras chegam a influir nos destinos deste desgraçado país entregue, imbele, quase sempre à fúria de politiqueiros sem saber, sem talento, sem tino, sem critério, e, não raro, sem moralidade... E aqui faz ponto seu admirador." (ROMERO, 1905 apud Do Rio, João, 1905, p. 29-38)

Depois de alguns artigos publicados no jornal acadêmico, Sílvio estava pronto para sua estreia perante os leitores recifenses. Em Maio de 1870, no jornal O Americano, com o artigo A poesia das ‘Espumas Flutuantes’, em que ele criticava a poesia de Castro Alves, Romero apresentou-se. O Americano era um jornal semanal, com quatro páginas e inclinação republicana, que tinha como proprietários Franklin Távora e Minervino de Sousa Leão. Tobias Barreto ocupava a Parte Literária, e publicava sua série de artigos intitulada A religião perante a psicologia. O jornal fechou suas atividades em 1872.

Em 1871, Sílvio contribuiu com dois jornais de maior circulação: o Diário de Pernambuco e o Correio Pernambucano. O primeiro era o maior jornal de circulação da cidade, e é nele que Romero publica seu artigo mais importante até então: O caráter nacional e as origens do povo brasileiro. O Correio Pernambucano era um jornal diário, com quatro páginas, e de propriedade de Mamede Lins de Almeida, com tendência conservadora. O jornal contou com dois artigos de Romero: Sistema das contradições poéticas e A poesia e nossos poetas.

O ano de 1872 foi repleto de artigos de Romero para o jornal O Movimento. Este tinha como redatores: Domingos Olímpio, Feliciano Prazeres, e Pereira Batista. O Movimento tinha quatro páginas, sendo publicadas quatro vezes por mês. Era um jornal mais acadêmico, que trazia discussões, e muita literatura. Dizia no seu edital: “A aparição de um jornal acadêmico era uma necessidade palpitante, porque uma corporação de moços, que tem no coração sentimentos que refervem, e no cérebro ideias que se amontam, não pode permanecer quieta” (NASCIMENTO, 1950: p. 330). As atividades foram encerradas no oitavo número, em 21 de Setembro de 1872. Entre os artigos de Romero, destaca-se: Realismo e Idealismo, A poesia e a religião, e A poesia e a ciência. Neste ano, Romero ainda irá colaborar com o Jornal do Recife e A República, com um artigo em cada.

O próximo jornal com que Romero colaborou foi O Liberal. Fundando em 14 de abril de 1872, ele continha quatro páginas, e era dividido em: história pátria, parte literária, e parte noticiosa. Job Pereira de Bastos era o editor e administrador, e o jornal tinha como linha o liberalismo radical, representando profissionais liberais empolgados com o progresso do mundo ocidental e das luzes, e que deveria se impor à “civilização do açúcar”. No transcorrer das edições, que foram até 1874, apareceram as defesas ao princípio republicano. Em polêmica com o Jornal A Província, no último trimestre de 72, José Maria de Albuquerque fez árdua defesa destes princípios. O jornal era crítico radical da Monarquia, comparando-a ditaduras, e fazia também campanha contra os jesuítas.

Na edição de 13 de março, O Liberal divulgou o "Manifesto da Republica", numa tiragem extraordinária de 3.000 exemplares, para distribui-lo gratuitamente, verberando, ao mesmo tempo, em editorial, o assalto da policia carioca ao órgão republicano. O jornal contou com a contribuição de Tobias Barreto, com a “crítica literária e jurídica”, que lhe serviu de ringue para o embate com Franklin Távora sobre Alexandre Herculano. Assim Tobias era apresentado pelo jornal:

“Sob esta epigrafe encetamos hoje uma serie de importantes artigos sabidos do luminoso penado do Dr. Tobias Barreto de Menezes, sobre as obras do Sr. Pimenta Bueno, hoje marquês de São Vicente. Reproduzimos hoje o primeiro artigo que já foi publicado no Jornal do Recife. O interesse que despertamos nos escritos do Dr. Tobias nos quais encontra-se sempre muita filosofia, força de raciocínio, e grande cópia de conhecimentos, dispensem nos de chamar para eles atenção pública”35.

Outros colaboradores do jornal eram: Afonso de Albuquerque Melo, Campos Carvalho e Amaro Pessoa. Além de Sílvio Romero, que utilizou o jornal publicando dois artigos, em 11 e 18 de Julho de 1873, estabelecendo uma polêmica com Albino Meira36. Assim falou Araripe Jr. sobre o impacto dos artigos de Sílvio no meio acadêmico do Recife:

“A irrupção do polemista foi tremenda e nos círculos acadêmicos operou-se o mesmo que numa reunião popular quando um homem audaz avança brandindo uma lâmina afiada. Formou-se um vácuo em torno do agressor. Uns fugiram. Outros, puseram-se, de longe, a incentiva-lo”. (ARARIPE JR., 1905 apud MENDONÇA, Carlos Sussekind de, 1938: p.78).

Em 1873, enquanto preparava sua volta para Sergipe no próximo ano, Romero contribuiu com artigos para o jornal Trabalho. Surgido em 15 de Abril de 1873, este jornal tinha por donos: Antonio de Sousa Pinto e o poeta Generino dos Santos; sendo quinzenal e contando com oito páginas. A maior parte dos assuntos era literária, e contava com a colaboração de Celso de Magalhães e Sílvio Romero. Este lançou no jornal a coletânea de artigos sobre o romantismo no Brasil.

Durante o período acadêmico, Romero concentrou seus artigos nos jornais na crítica ao romantismo, só no decorrer da década que aprofundou questões filosóficas já esboçadas nesse período, sendo, portanto, um período de construção da sua base intelectual, do seu método crítico, e do interesse pela interpretação cultural brasileira, a partir da literatura e da etnologia. A recorrência da escrita nos jornais foi fundamental para fomentar o estilo agressivo de Sílvio, e o seu gosto pelo embate e pelas polêmicas.

A sua insatisfação com o saber apresentado pela universidade crescia. O sergipano estava impaciente diante das leituras que fazia vindas de fora do país, e as temáticas e abordagens internas em pouca consonância. O espírito irascível e sua adesão à ideologia do progresso facilitavam seus arroubos pelas vogas científicas em voga, e dificultava sua reflexão mais profunda a cerca do saber tradicional.

Formando-se em ciências jurídicas e sociais em 1874, Sílvio Romero é nomeado promotor público da comarca de Estância e eleito deputado provincial por Sergipe. Na cidade de Lagarto, Romero reencontrou a si, sua infância, sua memória, e a linguagem genuína do nosso povo.

No mesmo ano, Romero proferiu Um Discurso na Assembleia Provincial de Sergipe, discutindo projeto de lei para a elaboração da História do estado, passando a ser, em abril de 1874, o seu primeiro livro publicado. Não era um livro, mas um folheto, que, tomando a deixa da história sergipana, criticava “o método retrógrado e anticientífico dos nossos historiadores”. A partir desta volta a Lagarto, Romero demonstra mais preocupação com as ciências sociais, com a formação do nosso povo, e mais preocupação no estudo da poesia popular e do folclore nordestino, que revelariam o caráter do Brasil na província. Notamos também no sergipano, uma influência crescente de Spencer.

Abandona o cargo, contudo, regressando a Recife, onde se dedica à elaboração de seus primeiros trabalhos de etnologia e filosofia. Romero irá tentar a cátedra no Colégio das Artes, e consegue conquistar o primeiro lugar. No entanto, por problemas burocráticos, o concurso é cancelado. Seu primeiro livro, Etnologia Selvagem, é publicado em 1875, mesmo ano em que ocorre um incidente durante a defesa da tese de doutoramento da sua tese intitulada Razões justificativos do art. 482 do Código Comercial.

Este episódio é relatado na “Ata da congregação”, reunida do dia 13 de março, escrita pelo lento catedrático, e foi descoberta por Clóvis Beviláqua no seu livro sobre a história da faculdade de Recife. A confusão começa quando Sílvio Romero entra num embate com um dos julgadores, o catedrático Coelho Rodrigues. A crença de Romero no progresso e suas críticas à metafísica ficam ainda mais claras. Assim, conta-se sobre o diálogo travado:

“ – Nisto não há metafísica, há logica.

– A lógica não exclui a metafísica, replicou o arguente.

– A metafísica se não sabia, o saiba, treplicou o doutorando.

– Não sabia, retruca esse.

– Pois vá estudar e aprender para saber que a metafísica está morta.

– Foi o senhor quem a matou? Perguntou-lhe então o professor.

– Foi o progresso e a civilização”37,

Romero, em seguida, se levantou e proclamou: “Não estou pronto para aturar essa corja de ignorantes, que não sabem de nada”38. Conta Bevilaquia (2012: p.217) que, desde esse episódio, o sergipano ficou marcado na faculdade, fechando as portas para qualquer possibilidade de avanço institucional. Araripe Jr. assim descreveu o incidente e o seu impacto:

“É célebre a cena que o crítico (Romero) provocou quando, pela primeira vez, encontrou-se em tête-a-tête com a ciência oficial (...) Fora incumbido de cortar-lhe as asas no voo temeroso o Dr. Antônio Coelho Rodrigues, ex-senador federal e então uma das mais recentes e fogosas ilustrações daquela corporação. A arguição tinha começado sob os auspícios das doutrinas filosóficas de Cousin, e os lentes, de Charma em punho, buscavam amordaçar o doutorando, com argumentos fariscados em Benjamin Constant, Oudot, Tapareli, Toplong, Berguer, Ortolan, e tutti quanti. O arguido ouviu as primeiras objeções. Não tardou porém em inflamar-se e, estranhando que professores ilustrados se ocupassem ainda com as célebres distinções entre o direito e a moral, ergueu-se (...). Não se imagina a indignação que se levantou no espírito daquele que já ousara criticar os melhores poetas e escritores do Brasil. No decurso da discussão, que se travara mais acesa com o ilustre romanista acima citado, surgiu incidentemente a frase: “a metafísica morreu”. (ARARIPE JR., 1905 apud MENDONÇA, Carlos Sussekind de, 1938: p.128-129).

Apesar da diretoria da faculdade levar o fato ao conhecimento do governo imperial sob acusação de crime de injúria, de acordo com o código criminal, a situação foi assentada, e nada de mais grave ocorreu. No entanto, o episódio faz Sílvio Romero desistir do capelo doutoral, da faculdade e do Recife, vendo que os seus espaços nas instituições de conhecimento estavam bloqueados. Sílvio abandona a cidade em novembro de 1876, e volta a Sergipe, para depois seguir para a Corte. No final do mesmo ano, é nomeado Juiz Municipal de Direito da Comarca de Parati, na Província do Rio de Janeiro, onde viverá até 1879.

Ainda no ano de 1876, Sílvio Romero tinha se casado com Clarinda Diamantina Correia de Araújo, de 15 anos de idade, natural do Recife, irmã do seu amigo da faculdade de Direito, Francisco Altino Correia de Araújo. O primeiro filho do casal, André, nasceu em Parati, em 1877; os demais filhos, João, Edgar e Clarinda, nascem no Rio de Janeiro. Segundo Beviláquia (2012), Altino de Araújo era muito próximo do grupo de intelectuais próximos a Tobias. A família Correia de Araújo fazia parte da elite política. Joaquim Correia de Araújo foi professor da Faculdade de Direito e governador de Pernambuco. E Antônio Correia de Araújo foi governador de Sergipe. Entretanto, não há qualquer indício biográfico de que Romero tenha obtido algum tipo de ajuda na escala da burocracia pelo casamento. Certamente que, para ocupar o cargo em Parati, obteve-o através de contatos, mas nunca se soube ao certo quais eram, e ele sempre ocupou cargos marginais na burocracia imperial. As famílias na época eram muito extensas, cheias de ramificações, e nem sempre, o nome era garantia de qualquer influência, ou de ausência de méritos, como imaginam alguns historistas extemporaneamente, às vezes conduzidos por julgamentos alheios de rancores pessoais, registrados pelos que aspiravam mais.

Em Parati, Sílvio Romero escreve alguns estudos filosóficos e culturais do Brasil, publicando A Filosofia no Brasil, e o livro de poemas Cantos do Fim do Século, no Rio de Janeiro, ambos em 1878. Começa, também, a publicar seus ensaios sobre a poesia popular, organizando-os depois no livro “Estudos sobre a Poesia Popular do Brasil”.

No entanto, Romero ambicionava adentrar a efervescência cultural do Rio de Janeiro, que era o centro intelectual do país. Muitos intelectuais nordestinos tinham ido para lá: Capistrano de Abreu, José Veríssimo, Joaquim Nabuco, Araripe Jr., Joaquim Távora, José de Alencar, entre outros. Em 16 de maio de 1879, Romero muda-se para o Rio em busca de mais visibilidade. O sergipano começa a colaborar para o jornal O Repórter, criticando o estabelecimento político e a cultura letrada de até então.

Neste momento, começa a se cristalizar o amor pela província, e os seus escritos irão dar vazão a isto. Romero se estabelece como inimigo do ambiente da corte, dos falsos adornos e aparências, da mediocridade cotidiana, da opulência oca, das igrejinhas literárias da cultura letrada, onde um badalava o outro, sem acura crítica. Silvio passa a admirar ainda mais Tobias Barreto por ser um “proviniciano independente”, e considerar a corte como a capital do império do charlatanismo intelectual, um símbolo dum país que ele gostaria de se desfazer. Em seu sentimento, opõe-se o cotidiano intelectual da corte contra a nostalgia da vida na província.

As ácidas críticas do sergipano a vida política brasileira e a figuras específicas, praticamente inviabilizam sua continuidade no jornal carioca que até então escrevera seus artigos. Um convite de Franklin Távora, seu conhecido em Recife, para escrever na Revista Brasileira, facilita sua vida intelectual. Nela, vários escritores renomados deixavam suas palavras: Machado de Assis, Carlos Perdigão, Herculano Bandeira, e o próprio Távora. Este convite ajudou na aclimatação de Romero, e permitiu sua entrada na tão criticada elite letrada carioca.

Um ano depois, em 1880, ele ingressa no magistério, como professor do Colégio Pedro II. Defendendo a tese Interpretação Filosófica na Evolução dos Fatos Históricos, Sílvio Romero é aprovado para a cadeira de Filosofia, iniciando uma atividade de 30 anos, conciliando as pesquisas, as colaborações jornalísticas, com a organização da vasta obra de crítico, historiador, cientista político e pensador da cultura brasileira. De lá, partiu várias polêmicas como as com Machado de Assis e José Veríssimo.

Nos anos 80, Sílvio Romero consolida a sua obra de crítico e de historiador da literatura brasileira e reúne o farto material recolhido diretamente do povo, publicando Cantos Populares do Brasil e Contos Populares do Brasil, inaugurando uma nova bibliografia da cultura brasileira. Ele combina o entusiasmo pelas novidades científicas e pelos novos espaços públicos com a busca pela identidade nacional e as tradições da província; tudo isto, com uma boa dose de personalismo e polêmica.

Romero iria agora polemizar nos meios literários da corte, mas a base do seu pensamento já estava estruturada e formulada, sendo posteriormente desenvolvida, nas condições materiais e intelectuais da província, em Lagarto e no Recife, no engenho e na cidade grande. Do tempo recifense, ele traz em toda sua embriaguez de divulgação: a crítica ao romantismo, a proposição de bases modernas (científicas) ao nosso pensamento, o estudo de nossa cultura. Em 1880, completa sua formação crítica e o arcabouço de sua base intelectual, já formulando sua obra a cerca da poesia, da filosofia, do folclore, da etnografia brasileira. Estes debates e construções permitiram a construção das ciências humanas no Brasil.

Da sua obra no período de formação (1865-1880), podemos separar três vertentes que se cruzam: o embate contra a metafísica, e a favor de uma verdade (relativa) da época, que seria científica, donde formularia seu método crítico para as ciências humanas; o embate contra o romantismo, uma corrente que representava uma reação à sociedade liberal do século XIX, sendo um atraso para os progressistas cientificistas; e a construção de um pensamento social brasileiro, que deveria ser fundado cientificamente, a partir da coleta de dados folclóricos, e utilização de métodos etnológicos, para analisar a cultura popular, além de uma tímida contribuição a respeito da política. Estas três vertentes serão os assuntos dos próximos capítulos.

Como vimos neste capítulo, o mundo, o seu país, e sua região, passam por modificações no seu fazer, nas suas estruturas, no seu cotidiano com as evoluções técnicas, ajudando a criar outras sensibilidades do mundo que nos cerca. A elite letrada alarga-se, encontra-se em vários lugares de sociabilidade, destoa da ordem saquarema, e se encanta com o progresso moderno. Mas estas questões e modificações não são unívocas, elas apresentam questões ambíguas, como a contradição entre a sociabilidade trazida pelo trabalho assalariado e a igualdade perante a lei, versus as tradições patrimonialistas, de um estado centralizador, onde ser amigo de alguém poderia acarretar benefícios. Como a contradição entre uma sociedade que se constrói, torna-se dinâmica, mas que tem seus passos decididos pelo Estado. Ou mesmo, dentro da própria elite intelectual que se criava, querendo pensar a identidade nacional, a origem do nosso povo, os caracteres de nossa formação, a cultura popular, ao mesmo tempo em que se apaixonava pelas ideias transformadoras de fora, de progresso contínuo, de mudanças que apagavam esses traços. Era preciso consolidar este processo de fundação de uma identidade nacional no ritmo frenético da Segunda Revolução Industrial.

Estas ambiguidades nos apresentam dificuldades históricas do país, como também de suas elites letradas. E por isto, a obra de Romero em sua formação por condensar este momento, pode nos apresentar em suas ambiguidades, muitas questões. Será neste sentido que apresentarei suas ideias, observando os seus aspectos internos, e quais suas relações com os aspectos externos, que lhe rodeava. Num diálogo simbólico e estrutural, que contemple essa incompletude, esta ambiguidade humana.



TABELA 1

Lista da produção bibliográfica de Sílvio Romero, por ordem cronológica, entre o período estudado (1869-1880).

Ano

Título

Tipo

1869

A Poesia Contemporânea e a sua intuição naturalista

Monografia




A poesia dos “Harpejos Poéticos”

Artigo

1870

O que entendemos por Poesia Crítica

Artigo




Cartas a Manoel Quintiliano da Silva

Artigo




A poesia das “Falenas”

Artigo




A poesia das “Espumas Flutuantes”

Artigo




Ainda a poesia das “Espumas Flutuantes”

Artigo

1871

Sistema das contradições poéticas

Artigo




A Poesia e os nossos poetas

Artigo




A propósito de um livro

Artigo




O caráter nacional e as origens do povo brasileiro

Artigo

1872

Uma página sobre Literatura Nacional

Artigo




Realismo e Idealismo

Artigo




As Legendas e as Epopeias

Artigo




A Poesia e a Religião

Artigo




A Poesia e a Ciência

Artigo




Camões e os “Lusíadas”

Artigo




A Rotina Literária

Artigo




As cartas de Sempronio e Cincinato contra Sênio

Artigo




Uns versos de moça

Artigo

1873

A Crítica Literária

Artigo




O Romantismo no Brasil e em Portugal

Artigo




A Poesia de Hoje

Artigo




Si a Economia Política é uma ciência

Dissertação




Discurso na Assembléia Provincial de Sergipe

Discurso

1874

O espírito novo em filosofia

Artigo




Os princípios fundamentais da evolução

Artigo




A concepção monística do universo

Artigo




O problema histórico das raças

Artigo




O indianismo e o sentimento nacional em literatura

Artigo




Síntese do movimento literário brasileiro atual

Artigo




Um etnólogo brasileiro: Couto de Magalhães

Artigo

1875

Etnologia Selvagem

Livro




Razões justificativas do art. 482 do Código Comercial brasileiro

Tese

1878

Cantos do Fim do Século

Livro




A Filosofia no Brasil

Livro

1879

Couto de Magalhães e a influência dos selvagens no folk-lore brasileiro

Artigo




A Filosofia no Brasil e o sr. Souza Bandeira

Artigo




Visão sintética sobre o folk-lore brasileiro

Artigo




A Literatura brasileira: suas relações com a portuguesa, o neo-realismo

Artigo




A linguagem genuína do povo

Artigo




O gosto do público pelos espetáculos parlamentares

Artigo




José Bonifácio

Artigo




Joaquim Nabuco

Artigo




Cansanção de Sinimbú

Artigo




Lafayete Pereira

Artigo




Afonso Celso

Artigo




Uns Ministros Anônimos

Artigo




O Barão de Cotegipe

Artigo




Silveira Martins

Artigo




O Visconde de Rio Branco

Artigo




João Alfredo

Artigo




A situação do Brasil sob o Segundo Reinado

Artigo




Estudos sobre a poesia popular no Brasil

Artigo




A prioridade de Pernambuco no movimento espiritual brasileiro

Artigo

1880

O Poema das Américas

Artigo




A Camões

Artigo




A Literatura Brasileira e a Crítica Moderna

Livro




Visão Geral sobre a escola literária do Recife

Artigo




Da Interpretação Filosófica na Evolução dos Fatos Históricos

Livro

Fonte: MENDONÇA, Carlos Sussekind de. Sílvio Romero: sua formação intelectual. São Paulo: Brasiliana, 1938. (p. 307-309).



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