ElaboraçÃo de atlas histológico digital do sistema muscular como instrumento facilitador do processo ensino-aprendizagem



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ELABORAÇÃO DE ATLAS HISTOLÓGICO DIGITAL DO SISTEMA MUSCULAR COMO INSTRUMENTO FACILITADOR DO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM

Rafael Sá de Pontes (Voluntário)

Giciane Carvalho Vieira (professora orientadora)
Centro de Ciências da Saúde/ Departamento de Morfologia/ MONITORIA

RESUMO

O uso de imagens digitalizadas facilita a apresentação da imagem a um grupo maior de alunos e contribui para a discussão em grupo. A monitoria é uma atividade que vem sendo cada vez mais requisitada pelos alunos para assegurar uma melhor fixação dos conteúdos e, consequentemente, melhor desempenho na disciplina Na monitoria da disciplina Histologia do campus I da UFPB foi necessária a criação de um atlas histológico digital das lâminas utilizadas no ensino teórico-prático da disciplina aos alunos da área da saúde para facilitação do acesso ao conteúdo e do aprendizado com uma melhor sedimentação do conteúdo, visto que a procura para esclarecimentos de dúvidas era significativa. Para realização do trabalho foi utilizado um microscópio óptico (Leica DM750) acoplado a uma câmera digital (Leica DFC295) para a captação das microfotografias dos tecidos pertinentes ao ensino. As lâminas foram cuidadosamente analisadas sendo fotografadas as estruturas necessárias e escolhidas as com melhor caráter pedagógico. Posteriormente, as lâminas foram descritas observando-se as características do tecido, e relacionando-as com as estruturas necessárias ao estudo. A efetivação do atlas virtual não deverá substituir o laboratório de microscopia, mas será um ambiente de consulta que poderá selecionar as dúvidas mais pertinentes com o melhor aproveitamento das monitorias.



Palavras-chave: Histologia, Fotomicrografia, Ensino, Muscular.

INTRODUÇÃO

A histologia é o ramo da anatomia que estuda os tecidos dos animais e das plantas. Entretanto, trabalharemos apenas com tecidos de animais e, mais especificamente, humanos. Em seu sentido mais amplo, a palavra histologia é usada como se fosse sinônimo de anatomia microscópica, por seu campo englobar não somente a estrutura microscópica dos tecidos, mas também a das células, órgãos e sistemas de órgãos.

A monitoria da disciplina Histologia vem sendo desenvolvida no campus I da UFPB cronologicamente de acordo com os assuntos ministrados pelo professor em sala de aula e pelas dúvidas dos alunos matriculados nos cursos da área da saúde.

A atividade vem sendo cada vez mais requisitada pelos alunos para assegurar melhor fixação dos conteúdos e, consequentemente, melhor desempenho na disciplina. Apesar da disciplina seguir um conteúdo programático adequado, há dificuldade por partes dos estudantes devido a quantidade de conteúdo e a pela pouca experiência na visualização de estruturas ao microscópico óptico.

Portanto, fez-se necessário a criação de estratégias para facilitar o aprendizado e a sedimentação do conteúdo teórico-prático como a criação de um atlas digital. Segundo Downing (1995), o uso de imagens digitalizadas reduz substancialmente o tempo laboratorial, facilita a apresentação da mesma imagem a um grupo maior de alunos e contribui para a discussão em grupo. Além disso, um dos pontos considerados mais relevantes para Downing (1995) e Kumar et al (2004) é o fato da imagem sempre estar no foco, com a iluminação adequada e proporcionar ao aluno um maior domínio da secção estudada.

OBJETIVO

O objetivo do presente trabalho foi desenvolver um instrumento facilitador por meio de atlas virtual que estimulasse o interesse do aluno ao aprendizado e atualização da disciplina, estando sempre disponível para esclarecimento de dúvidas e favorecendo a construção de conhecimentos que contribuem para a melhoria da relação ensino-aprendizagem de Histologia.



METODOLOGIA

Foi realizada a análise de 10 microfotografias de lâminas histológicas, coradas por Hematoxilina e Eosina (HE), referentes ao Sistema Muscular, do acervo do Departamento de Morfologia da Universidade Federal da Paraíba. Para tanto foi utilizado um microscópio óptico (Leica DM750) acoplado a uma câmera digital (Leica DFC295). As imagens foram capturadas em diferentes objetivas (aumento de 10x e 40x), possibilitando a visualização do tecido em diferentes escalas de ampliação e, posteriormente, foram editadas a fim de inserir as descrições das lâminas e das estruturas observadas.



RESULTADOS

1. Análise do Tecido Muscular Estriado Esquelético:

Na microfotografia 1.1 é possível observar uma célula longa, cilíndrica, de coloração rosa ao vermelho, característico de tecido muscular. Observando a fibra muscular é possível visualizar estriações devido a organização de suas miofibrilas o que permite diferenciá-lo do músculo liso. A fibra muscular é multinucleada, cujos núcleos se localizam perifericamente, podendo assim ser classificado em esquelético em um corte longitudinal (GARTNER,1999).

A microfotografia 1.2 é possível observar várias fibras musculares em corte transversal formando fascículos. A visualização da existência de mais de um núcleo em algumas fibras, não é perceptível em todas pelo nível do corte, e o fato de serem periféricos permite classificá-lo no tecido citado em um corte transversal. Para a microfotografia 1.3 pode ser percebida as mesmas características da anterior com melhor visualização do tecido conjuntivo que envolve as fibras musculares chamado de endomísio, este é formado de fibras reticulares e por uma lâmina basal (JUNQUEIRA, 2008).

Na microfotografia 1.4 o tecido conjuntivo denso não-modelado que envolve os fascículos chamado de perimísio e o que envolve o músculo chamado de epimísio pode ser identificado. Dessa forma a força muscular é transferida para esses tecidos que são contínuos com tendões e aponeuroses (JUNQUEIRA, 2008).

2. Análise do Tecido Muscular Estriado Cardíaco:

Na microfotografia 2.1, uma visualização no aumento de 10x, é visualizado a presença de células alongadas de coloração rosa a vermelho. No tecido esquelético é possível observar estriações pela variação de cores que as miofibrilas imprimem no citoplasma da célula, porém as células são ramificadas e anastomosadas dispostas em camada, pois ocorrem bifurcações da fibra muscular. Em geral, apresenta um núcleo grande, oval e central. Portanto, pode ser classificado em cardíaco em corte longitudinal. É encontrado no coração e nas veias pulmonares próximas do mesmo (GARTNER,1999).

Na microfotografia 2.2, em um aumento de 40x para melhor visualização de umas das principais características do tecido muscular estriado cardíaco que é o disco intercalar é indentificado uma linha reta ou em escada de coloração mais forte na junção de duas células cardíacas. Esse local é rico em zônula de aderência e desmossomos com maior proximidade das membranas plasmáticas. Outra importante característica é o grande número de junções comunicantes que possibilitam comunicação eletroquímica e assim a contração das fibras musculares (JUNQUEIRA, 2008).

A microfotografia 2.3 apresenta em corte transversal um núcleo por célula sendo este central e oval, devendo ser observado também uma certa proporção núcleo/citoplasma para facilitar a diferenciação do tecido muscular liso na visualização desse corte que por vezes é confundido (JUNQUEIRA, 2008; GARTNER,1999).

3. Análise do Tecido Muscular Liso

A microfotografia 3.1 traz um corte longitudinal de células alongadas, fusiformes, núcleo central e oval com um ou dois nucléolos, citoplasma com coloração rosa a vermelho, porém sem estriações, daí a denominação liso. É encontrado nas paredes de vísceras ocas (p.ex., trato gastrointestinal, algumas do trato reprodutivo, e trato urinário), nas paredes de vasos sangüíneos, nos grandes dutos de glândulas compostas, nas passagens respiratórias e em pequenos feixes na derme da pele (JUNQUEIRA, 2008).

A microfotografia 3.2 proveniente do trato gastrointestinal permite a comparação entre o corte do tecido longitudinal e transversal com o núcleo único no corte transversal com a proporção núcleo/citoplasma bem maior do que a célula do músculo cardíaco. Algumas células só são verificadas com uma fina porção de citoplasma. As células que não foram visualizados o núcleo é devido a direção do corte (GARTNER,1999), (JUNQUEIRA, 2008).



CONCLUSÂO

O atlas virtual será, principalmente, um instrumento de facilitação para que quando o aluno tiver contato com a lâmina ao microscópio já tenha o direcionamento de que tecido será analisado e das estruturas que devem identificar procurando associar com a histofisiologia do tecido. As dúvidas, provavelmente, serão minimizadas e o conteúdo mais facilmente assimilado.



REFERÊNCIAS

GARTNER, L.P; HIATT, J.L. Tratado de histologia em cores. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.

JUNQUEIRA, L.C., CARNEIRO, J. Histologia básica. 8 ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

DOWNING, S.W. A multimedia-based histology laboratory course: elimination of the traditional microscope laboratory. Medinfo. 1995;8(Pt 2):1695.



VASCONCELOS, Daniel Fernando Pereira e VASCONCELOS, Any Carolina Cardoso Guimarães. Desenvolvimento de um ambiente virtual de ensino em histologia para estudantes da saúde. Rev. bras. educ. med. [online]. 2013, vol.37, n.1, pp. 132-137. ISSN 0100-5502.
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