Ela pediu apenas para vc complementar com dicas para as pessoas que tomam analgésicos de 2 a 3x por semana há um tempo, por exemplo



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Encontro17.09.2019
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Dor de cabeça e auto-medicação:
Para acabar com o sofrimento da dor, grande parte da população adquiriu o péssimo hábito de consumir analgésicos exageradamente. Em busca do alívio imediato da dor, tomam-se esses medicamentos sem prescrição ou acompanhamento médico. Estudos indicam que alguns indivíduos chegam a consumir de 14 a 30 comprimidos por semana, sendo que alguns tomam de 10 a 12 por dia. No entanto, tomar esses medicamentos mais de duas vezes por semana representa um sério risco para a saúde, pois o exagero na medicação altera o sistema analgésico do próprio organismo e anula seus efeitos. Ou seja, o uso de analgésicos acima da dose semanal, durante três meses seguidos, induz a cronificação da dor. A dor que vinha duas vezes na semana, passa a vir três vezes, quatro vezes e, em algum tempo, pode se tornar diária. Além disso, o excesso desses remédios causa cansaço excessivo, enjôo, agitação, ansiedade, irritação, problemas de memória, dificuldade de concentração, depressão, insônia e, num estágio mais avançado, pode causar até úlceras gástricas e hepatite medicamentosa. Portanto, a melhor solução é a suspensão dos analgésicos e o tratamento preventivo com medicamentos que vão agir na causa da dor. Portanto, não deixe de procurar um especialista no assunto para fazer o tratamento correto.
O auxílio médico é indicado para um diagnóstico preciso. A forma como as dores de cabeça se apresentam também pode indicar o momento de procurar um neurologista: dores de cabeça freqüentes ou intensas, ocasionando perda de qualidade de vida; dor de cabeça de início recente; dor de cabeça diferente da pré-existente; dor de cabeça iniciada em indivíduos com mais de 50 anos; dor de cabeça associada a outros sintomas – febre, vômitos, rigidez do pescoço, crises convulsivas, paralisia facial, confusão mental ou queda da pálpebra. Dores de cabeça que ocorram durante esforço físico, atividade sexual ou tosse também devem ser investigadas, embora existam formas benignas dessas cefaléias.
Para amenizar as crises em geral e diminuir a necessidade da droga, existem algumas dicas eficientes: pode-se aplicar uma pomada à base de cânfora nas áreas da dor; colocar uma toalha umedecida com água gelada sobre a região afetada e evitar comer ou beber no momento da crise, para evitar náusea e vômito. Se o quadro estiver avançado, a pessoa deve parar o que está fazendo, procurar um local fresco e escuro para recostar (sem se deitar). Outra dica, para ser feita fora do momento da crise, é praticar exercícios aeróbicos regularmente, pois essa prática aumenta a produção das endorfinas e da serotonina no organismo, substâncias que protegem contra a dor. Em caso de enxaqueca, uma forma crônica de dor de cabeça, alimentos com substâncias vasodilatadoras como queijo amarelo, frutas cítricas, álcool e alimentos embutidos, devem ser evitados.

 

Maria Eduarda Nobre é neurologista especialista em dores de cabeça, mestre e doutora em neurologia pela UFF, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Cefaléia e autora do livro Cefaléia em Salvas.




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