Efeitos da derivação duodenojejunal sobre a população de células caliciformes do jejuno na alça alimentar em ratos Wistar obesos



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Efeitos da derivação duodenojejunal sobre a população de células caliciformes do jejuno na alça alimentar em ratos Wistar obesos
Mylena de Campos Oliveira (PIBIC/Fundação Araucária/Unioeste), Rose Meire Costa Brancalhão, Allan Cézar Faria Araujo, Marcia Miranda Torrejais, Angelica Soares (Orientador), e-mail: mylenac.oliveira@hotmail.com
Universidade Estadual do Oeste do Paraná/Centro de Ciências Biológicas e da Saúde/Cascavel, PR.
Ciências Biológicas/Morfologia
Palavras-chave: dieta de cafeteria, cirurgia bariátrica, intestino delgado.
Resumo

O objetivo do trabalho foi avaliar os efeitos da derivação duodenojejunal sobre a população de células caliciformes do jejuno, na alça alimentar, em ratos com obesidade induzida por dieta de cafeteria. Os animais foram distribuídos em quatro grupos: controle (CON), cafeteria (CAF), pseudocirurgia (PC-DDJ) e derivação duodenojejunal (DDJ). As cirurgias foram realizadas após 32 semanas, e após 38 semanas os animais foram eutanasiados e os tecidos adiposos viscerais e o intestino delgado foram coletados. Amostras do jejuno foram submetidas a processamento histológico e coloração pela técnica Ácido Periódico de Schiff (PAS) para quantificação das células caliciformes. A dieta de cafeteria promoveu ganho de peso corporal e adiposidade visceral, parâmetros que foram mantidos nos animais submetidos às cirurgias. Houve redução na proporção de células caliciformes no grupo CAF, e a manutenção na proporção celular nos grupos PC-DDJ e DDJ leva a inferir que a DDJ não parece influenciar este parâmetro.


Introdução
A obesidade é decorrente do acumulo de gordura no organismo que está associado a riscos à saúde, incluindo comorbidades como doenças cardiovasculares, diabetes e câncer (WHO, 2016). A sua crescente prevalência deve-se principalmente ao consumo de dieta rica em calorias e gordura (Bray, 2011). Portanto, para simular esta condição, um dos modelos experimentais mais consistentes é a dieta de cafeteria (Scoaris et al., 2010; Ebertz et al., 2014).

Para a condução clínica de alguns casos de obesidade, os procedimentos cirúrgicos têm se mostrado de grande auxílio. Dentre eles, a cirurgia de derivação duodenojejunal, que mantém o volume gástrico e exclui o intestino delgado proximal do trânsito de nutrientes (Rubino et al., 2006), promove melhora da secreção (Araujo et al., 2012) e sensibilidade à insulina (Geloneze et al., 2012; Hu et al., 2013).

Em cirurgias de ressecções intestinais, há relatos de hiperplasia da mucosa nos segmentos funcionantes (Sukhotnik et al., 2004). Considerando que as células caliciformes fazem parte do epitélio da mucosa intestinal (Van Der Flier & Clevers, 2009), este trabalho foi realizado com o objetivo de avaliar os efeitos da derivação duodenojejunal sobre a proporção de células caliciformes do jejuno distal, na alça alimentar, em ratos com obesidade induzida por dieta de cafeteria.
Material e Métodos
Os procedimentos que envolveram o uso de animais foram aprovados pelo Comitê de Ética em Experimentação Animal e Aulas Práticas - CEEAAP/UNIOESTE.

Ratos Wistar machos com 12 semanas de idade foram distribuídos nos grupos: controle (CON) (n=5), que recebeu ração padrão e água; e cafetaria (n=15), que recebeu dieta de cafeteria (Prada et al., 2005) e refrigerante durante o período de 38 semanas. O grupo cafeteria foi distribuído em três grupos (n=5 cada): cafeteria controle (CAF), pseudocirúrgico (PC-DDJ) e cirúrgico (DDJ). Após 32 semanas, os grupos PC-DDJ e DDJ foram submetidos à pseudocirurgia e cirurgia de derivação duodenojejunal (DDJ), respectivamente (Rubino et al., 2006).



Ao final de 38 semanas, realizou-se a eutanásia e coleta das gorduras retroperitoneal e periepididimal e do intestino delgado. Amostras do jejuno de cada animal (segmentos da alça alimentar, anteriores à anastomose da alça biliar à alça alimentar no grupo DDJ) foram submetidas a processamento histológico e coloração pela técnica Ácido Periódico de Schiff (PAS). As células caliciformes em um lado dos vilos e o número total de células no mesmo lado foram quantificadas, totalizando aproximadamente 2500 células por animal. Os dados foram analisados por meio de análise de variância (ANOVA) seguida de pós-teste de Bonferroni ou teste não paramétrico equivalente, com nível de significância de 0,05.
Resultados e Discussão
A dieta de cafeteria induziu obesidade, promovendo maior ganho de peso corporal no período pré-cirúrgico e adiposidade visceral ao final do período experimental (Tabela 1). A comparação do peso corporal e do peso das gorduras retroperitoneal e periepididimal entre os grupos PC-DDJ e DDJ não revelou variação significativa (Tabela 1). Resultados semelhantes foram verificados por Kindel et al. (2001) em ratos obesos submetidos à DDJ, e são consistentes com o fato da DDJ não preconizar perda ponderal de peso, mas sim a homeostase glicêmica (Geloneze et al., 2009), possivelmente por preservar a anatomia do estômago (Hu et al., 2013).

Tabela 1 - Peso corporal, peso das gorduras retroperitoneal e periepididimal, e proporção de células caliciformes no jejuno de ratos alimentados com ração padrão (CON) e dieta de cafeteria (CAF), e submetidos à pseudocirurgia (PC-DDJ) e cirurgia de DDJ (DDJ).





CON

CAF

PCDDJ

DDJ

Peso pré-cirurgia (g)

498±6,6a

599,6±17,52b

616±23,31b

592,4±17,92b

Peso corporal final (g)

484,4±4,03a

621,2±31,82a

608,4±26,9a

552,4±54,36a

Gordura retroperitoneal (g)

5,82±0,41a

29,45±3,02b

32,43±3,85b

25,40±3,89b

Gordura periepididimal (g)

6,38±0,40a

15,84±1,34a

16,19±1,28a

14,22±2,41a

Células caliciformes (%)

16,32±0,43a

13,07±0,56b

12,78±0,23b

13,58±0,63ab
Os valores são expressos como média ± erro padrão (n = 5). Diferentes letras indicam diferença significativa (p < 0.05).


Figura 1 – Fotomicrografias de secções longitudinais do jejuno de ratos. As setas indicam as células caliciformes nos grupos alimentados com ração padrão (A) e dieta de cafetaria (B), e nos grupos submetidos à pseudocirurgia (C) e cirurgia de DDJ (D). PAS. Barra de calibração = 100 µm.
Com relação à população de células caliciformes (Tabela 1 e Figura 1), observou-se diminuição de 20% na proporção destas células no grupo CAF em relação ao CON, sem diferença significativa quando comparado o grupo DDJ com os demais grupos. A diminuição no número de células caliciformes em decorrência da dieta de cafeteria pode ser devido a alterações na consistência da dieta, por causa do elevado teor de gordura e fibras reduzidas, resultando em menor abrasividade à parede do órgão e menor necessidade de produção de muco (Scoaris et al., 2010).

Já os dados dos animais submetidos à DDJ sugerem a manutenção na proporção destas células (grupo DDJ comparado ao grupo PC-DDJ), porém, levam a inferir uma possível influência da cirurgia, visto que tenderam a aproximação aos valores do grupo CON, o que poderia ser justificado pela aproximação deste segmento jejunal ao estômago. Na literatura, ao que temos conhecimento, não há estudos sobre os efeitos de cirurgias bariátricas sobre a população de células caliciformes. É possível que os resultados obtidos no presente estudo sejam devido ao longo período de avaliação após a cirurgia, que pode ter sido suficiente para o segmento se adaptar a nova anatomia, visto que o epitélio intestinal de roedores sofre renovação em três a cinco dias (Schimidt et al., 1985). Em concordância com esta hipótese, a avaliação de parâmetros morfométricos da parede jejunal em segmento desfuncionalizado relata atrofia da mucosa e parede intestinal com três dias de realização do procedimento cirúrgico (Kovalenko & Basson, 2012).


Conclusões
O consumo de dieta de cafeteria promoveu obesidade nos animais e a cirurgia de derivação duodenojejunal não alterou este quadro. A menor proporção de células caliciformes observada nos grupos alimentados com dieta de cafeteria e submetidos às cirurgias leva a inferir que a dieta foi o fator de maior influência neste parâmetro.
Agradecimentos
A Fundação Araucária pela bolsa de Iniciação Científica.
Referências
Araujo, A.C.F., Bonfleur, M.L., Balbo, S.L., Ribeiro, R.A. & Freitas, A.C.T. (2012). Duodenal–jejunal bypass surgery enhances glucose tolerance and beta-cell function in western diet obese rats. Obesity Surgery 22, 819–826.
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Ebertz, C.E., Bonfleur, M.L., BertassoI, I.M., Mendes, M.C., Lubaczeuski, C., Araujo, A.C.F., Paes, A.M., Amorim, E.M.P. & Balbo, S.L. (2014). Duodenal jejunal bypass attenuates non-alcoholic fatty liver disease in western diet-obese rats. Acta Cirúrgica Brasileira 29, 608-614.
Geloneze, B., Geloneze, S.R., Chaim, E., Hirsch, F.F., Felici, A.C., Lambert, G., Tambascia, M.A. & Pareja, J.C. (2012). Metabolic Surgery for Non-Obese Type 2 Diabetes: Incretins, Adipocytokines, and Insulin Secretion/Resistance Changes in a 1-Year Interventional Clinical Controlled Study. Non-Randomized Clinical Trial 256, 72-78.
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Kindel, T.L., Yoder, S.M., Martins, P.J.F., Jandacek, R.J., Seeley, R.J., D’Alessio, D.A., Obici, S. & Tso, P. (2011). Bypassing the Duodenum Does Not Improve Insulin Resistance Associated With Diet-Induced Obesity in Rodents. Bariatric Surgery 19, 380-387.
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Schimidt, C.H., Wilkinson, M.M. & Ponder, E.A.J. (1985). Cell migration pathway in the intestinal epithelium: an in situ marker system using mouse aggregation chimeras. Cell 40, 425-429.
Scoaris, C.R., Rizo, G.V., Roldi, L.P., Moraes, S.M.F., Proença, A.R.G., Peralta, R.M. & Natali, M.R.M. (2010). Effects of cafeteria diet on the jejunum in sedentary and physically trained rats. Nutrition 26, 312–320.
Sukhotnik, I., Mor-Vaknin, N., Drongowski, R.A., Miselevich, I., Coran, A.G. & Harmon, C.M. (2004). Effect of dietary fat on early morphological intestinal adaptation in a rat with short bowel syndrome. Pediatric Surgery International 20, 419–424.
Van der Flier, L.G. & Clevers, H. (2009). Stem cells, self-renewal, and differentiation in the intestinal epithelium. Annu Rev Physiol 71, 241–260.
WHO (2016). Obesity. http://www.who.int/topics/obesity/en/. Acesso em: 02 de agosto de 2016.



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