Drogas: maconha, cocaína e crack Ronaldo Laranjeira



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Drogas: maconha, cocaína e crack

Ronaldo Laranjeira

Flavia Jungerman

John Dunn

Aceitando o convite da Editora Contexto, docentes das melhores universidades brasileiras redigiram os livros desta coleção especialmente para a nossa realidade, a partir de cuidadosas pesquisas e de longa prática de consultório

Stress, dor de cabeça, estômago, coluna, dores reumaticas, problemas de próstata, menopausa, de envelhecimento, de obesidade, de insônia, são alguns dos temas tratados nesta coleção com a finalidade de desmistificar, esclarecer e orientar o publico brasileiro


DROGAS: MACONHA, COCAÍNA E CRACK


Maconha e o inicio da escalada para o uso de outras drogas mais pesadas’ Quais os efeitos do uso da maconha, da cocaína e do crack? Como saber se seu filho esta usando drogas? Qual o papel mento do dependente? Neste livro, os Laranjeira e John Dunn e a psicóloga esclarecem os mitos sobre as drogas mi pais - maconha, cocaína e crack Uma para usuários, familiares, educadores

DROGAS


crack

Ronaldo Laranjeira

Flávia Jungerman

John Dunn

Ronaldo Laranjeira

Formado pela Escola Paulista de Medicina e PHD pela Universidade de Londres, e professor do Depar tamento de Psiquiatria da EPM-UNIFESP e também orienta professores e coordena a Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD)
Flávia Jungetman

Formada em psicologia pela PUC-SP, concluiu seu mestrado no National Addiction Centre - Instituto de Psi quiatna da Universidade de Londres Atuou como psicóloga clinica no Centro das Taipas - Centro de Atendimento para Toxicodepen dentes - em Lisboa Atualmente e psicóloga e pesquisadora da UNIAD
John Dunn

Inglês, formado em medicina pela Universidade de Nottmgham (Inglaterra) e em psiquiatria pelo Maudsle\ Hospital (Inglaterra) E pesquisador do Departamento de Psiquiatria da Escola Paulista de Medicina e co ordenador da UNIAD

DROGAS


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DROGAS

Ronaldo Laranjeira

Flávia Jungerman

John Dunn

Jaime Pinskw


Cordenadores: Dr. Paulo Palma e Dr. Carlos Domene

Preparação: Rose Zuanetti

Projeto gráfico Tânia Ferreira de Abreu

Diagramação: Niulze Aparecida Rosa

Ilustração da capa: Mônica Arghinenti

Revisão: Marcio Guimarâes de Araújo e Nancy Ricci

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (C1P) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Laranjeira, Ronaldo

Diogas / Ronaldo Laianjena, Flávia Jungeiman, John Dunn 2” ed - São Paulo Contexto, 1998

ISBN 85-7244-086 O

l Cocaína 2 Crack (Droga) 1 Maconha I Jungeiman, Flávia II Dunn, John in Título IV Séne

95-5110 CDD-16229



índices para catálogo sistemático:

l Drogas de abuso Problemas sociais 16229

1998

Proibida a reprodução total ou parcial Os imfratores serão processados na forma da lei EDITORA CONTEXTO (Editora Pmsky Ltda )


Editor Jaime Pinskw

Rua Acoplara, 199 - Alto da Lapa São Paulo-SP-CEP 05081-110

fAX (011)812-5818 e-mail contexto@wenet corn br

SUMÁRIO

Introdução 7



Maconha 9

Efeitos da maconha 14

Cocaína e crack

27

Efeitos da cocaína e do crack 34



Família 47

Tratamento 56

INTRODUÇÃO

É crescente a preocupação dos pais em relação ao ”uso das drogas; a imprensa falada e escrita tem

revelado com certa freqüência o mundo das drogas, recheando-o de imagens de destruição, violência e empobrecimento; em qualquer reunião de pais e professores se discute este tema, e mesmo famílias que não convivem com usuários de drogas já estão preocupadas em evitar que isso aconteça um dia a um dos seus; à sua maneira, as autoridades se interessam pelo problema, pois sabem que esse comércio ilegal movimenta a soma astronômica de 600 bilhões de dólares por ano no mundo, soma inferior apenas ao da indústria de armamentos; os profissionais da saúde também procuram orientar a sociedade passando as informações mais úteis aos usuários em potencial, aos usuários propriamente ditos, suas famílias e autoridades em geral. Mas tudo isso ainda parece pouco diante da dimensão da questão.

Se por um lado o assunto drogas está em nosso dia-a-dia, por outro a qualidade das’ informações que permeiam esse debate é por demais superficial, sem credibilidade científica e rica de calor ideológico. Para os que se opõem às drogas, qualquer argumento é válido para manter sua família longe delas. Para os que querem experimentar ou estão experimentando alguma droga, a própria experiência ou a de amigos são usa-

das como evidência do exagero que existe em relação aos problemas decorrentes do uso das drogas.

Consideramos que o melhor argumento contra as drogas são as evidências científicas, claras e objetivas, sem a retórica evangélica e sem o desespero de querer convencer quem quer que seja. O objetivo deste livro é discutir os principais mitos que rondam as drogas ilegais no Brasil: a maconha, a cocaína e o crack. E todos os dados aqui apresentados basearam-se em pesquisas científicas publicadas nos últimos anos e na experiência dos autores no tratamento de pessoas com sérios problemas de dependência de drogas na UNIAD (Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas), da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.

com esta obra queremos orientar pais e professores, e estamos certos de que também vamos colaborar para a desmitifícação do tema e para a elaboração de políticas públicas adequadas pelas autoridades educacionais e de saúde.

MACONHA


onhecida também como marijuana, erva, fumo, dentre outros nomes, a maconha é produto de uma planta de nome Cannabis sativa. Uma resina grudenta cobre as flores e as folhas superiores, principalmente na planta fêmea, e contém mais de sessenta substâncias chamadas canabinóides. No entanto, a substância que produz os efeitos mentais desejados é o Thc (delta-9-tetraidrocanabinol). Existem outras quatrocentas substâncias químicas na maconha que, embora não resultem em efeitos para o cérebro, produzem outros no corpo.

O uso da maconha é conhecido há cerca de 12.000 anos. com a planta, os gregos e os chineses faziam cordas que eram utilizadas em navios. Como medicamento, começou a ser usada na China há 3.000 anos no tratamento de constipação intestinal, malária, dores reumáticas e doenças femininas. Por suas propriedades psicoativas, a planta era recomendada para melhorar o sono e estimular o apetite. Um pouco mais tarde, na índia, sua capacidade de produzir euforia foi descoberta e então a Cannabis passou a ser prescrita para reduzir a febre, estimular o apetite, curar doenças venéreas e como analgésico. Por volta de 1850, suas propriedades anticonvulsivantes, analgésicas, antiansiedade e antivômito foram pesquisadas por vários médicos europeus.

Foi no início do século XX que o uso da maconha como medicamento praticamente desapareceu do mundo ocidental com a descoberta das drogas sintéticas, muito mais seguras e eficazes. A partir daí, a maconha passou a ser usada quase que exclusivamente como droga de abuso, o que acontece até os dias de hoje.

O mito:


A concentração da maconha é sempre igual nas suas preparações.

A verdade

O conteúdo da substância ativa da maconha (Thc) varia conforme o clima, solo, plantação e tipo de planta. Existem evidências de que nos últimos anos a concentração de Thc na maconha vem aumentando: nos anos 60, ficava em torno de 1%; atualmente chega a 4%, podendo em algumas situações atingir

20%. Em alguns países, como a Holanda, produtores aparentemente criaram uma nova cepa da planta (netherweed] com concentrações de THC maiores que 20%, procedimento que pode alterar substancialmente as complicações provocadas pela droga num futuro muito próximo.

o mito:

Haxixe também é maconha.

A verdade

O haxixe deriva da mesma planta que a maconha, porém esta última é preparada a partir dos topos floridos secos e das folhas da planta colhida. Haxixe, ou hash, é a resina da planta seca e das flores comprimidas. A diferença fundamental reside no fato de o haxixe ser de cinco a dez vezes mais potente do que a maconha comum.

Há ainda uma terceira forma popular da droga: o óleo de hash, altamente potente e viscoso, é obtido pela extração do Thc do

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haxixe ou da maconha com um solvente orgânico, concentrando o extrato filtrado e, às vezes, submetendo-o à futura purificação. No Brasil, a forma mais popular de consumo é mesmo a maconha usada como cigarro.



O mito:
Qualquer um reconhece a maconha.

A verdade

A maconha tem aparência marrom-esverdeada, apresenta folhas secas e é mais comumente fumada com as folhas ”dichavadas” (separadas) num papel de cigarro ou seda. O produto final tem aspecto de cigarro e é conhecido como baseado, no qual algumas pessoas inserem um filtro para tornar a inalação mais fácil e menos direta. Às vezes a maconha é misturada com tabaco comum para diminuir sua potência; os usuários mantêm a fumaça da maconha nos pulmões por vários segundos, quando querem aumentar a absorção da droga.



O mito:

A maconha demora para fazer efeito.

A verdade

Cannabis na forma de maconha fumada não demora para fazer efeito e atinge seu pico após vinte minutos do início do uso, começando, a partir daí, a diminuir. O efeito da maconha dura de

5 a 12 horas, dependendo da quantidade usada.

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O mito:

Nenhum exame clínico consegue determinar se uma pessoa fumou maconha ou não.



A verdade

Através do exame de sangue é possível determinar se a maconha foi usada e se o uso foi recente (mas não é possível indicar com exatidão o quão recente). No caso de consumidores crônicos e diários, o organismo fica limpo do ThC depois de 19 a 27 horas; nos usuários menos crônicos, de 50 a 57 horas. Atualmente existem alguns exames que podem detectar quantidades de maconha na urina. É um procedimento bastante simples, e com ele fica-se sabendo se o indivíduo usou a droga nos últimos dois dias. Este exame está sendo muito usado nos EUA.



O mito:

A legalização da maconha aumenta o consumo da droga.

A verdade

Esse assunto é polêmico no mundo todo. Existem países, como a Holanda, onde a maconha é tolerada para venda até certas quantidades. Esses países são adeptos de uma política de diminuição de risco: já que há consumo, que ele seja feito então da forma mais segura. No Brasil, essas idéias começam a ser discutidas.

Um dos aspectos importantes dessa questão é se a eventual legalização, ou seja, a descriminação da maconha, levaria ao aumento de seu consumo. Existem evidências de que a legalização das drogas vem acompanhada de maior consumo e, portanto, maior risco de dependência dos usuários.

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As pessoas têm a tendência de encarar a maconha como uma droga leve, no entanto ela passou a ser mais perigosa nos últimos tempos devido ao aumento de sua concentração. Nesse sentido, a sua legalização ficará cada vez mais difícil de se sustentar.



Mito: A maconha pode ficar no organismo.

A verdade

Pesquisas mostram que o THC pode permanecer de três a cinco dias no organismo de usuários crônicos. Existem evidências de que esses usuários ficam com quantidades significativas de ThC na gordura do corpo. Ainda não se sabe exatamente as conseqüências da acumulação e de como se dá tal processo, mas todos os usuários deveriam saber disso.



O mito:

Não há quem não tenha experimentado maconha.

A verdade

A maconha é a droga ilícita mais experimentada no Brasil: 60% dos meninos de rua usaram maconha pelo menos uma vez; por volta de 10% dos estudantes de 1ª grau já experimentaram a droga; pesquisa feita com universitários da cidade de São Paulo em

1995 mostra que 26% deles já experimentaram maconha. Esses dados, no entanto, comprovam que nem todo mundo já fumou maconha.

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EFEITOS DA MACONHA



Os efeitos prazerosos da maconha geralmente relatados são:

sensação generalizada de relaxamento e de paz;

- os cinco sentidos parecem mais aguçados, ou seja, ocorre um aumento da sensibilidade aos aromas, aos sabores, ao toque, aos ruídos;

- qualquer coisa, por mais banal que seja, torna-se um divertimento;

- euforia;

— aumento do prazer sexual.

Incluindo os acima mencionados, os efeitos adversos agudos psicológicos e de saúde que podem ocorrer são:

- ansiedade, pânico e paranóia, especialmente em usuários menos experientes;

- diminuição das habilidades mentais, especialmente da atenção e da memória;

- diminuição da capacidade motora;

- aumento do risco de ocorrerem sintomas psicóticos entre os usuários com predisposição para tal.

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Quadro l - Principais efeitos do uso agudo da maconha



Sistema

Efeitos

Geral


Relaxamento / euforia Pupilas dilatadas Conjuntivas avermelhadas Boca seca

Aumento do apetite Rinite/faringíte

Neurológico

Comprometimento da capacidade mental Percepção alterada Coordenação motora alterada Voz pastosa (mole, preguiçosa)

Cardiovascular

Aumento dos batimentos cardíacos

Aumento da pressão arterial

Psíquico


Despersonalização

Ansiedade/confusão

Alucinações

Perda da capacidade de msights

Os efeitos adversos crônicos psicológicos e de saúde são:

- distúrbios respiratórios como, por exemplo, bronquite, se a via de uso for a fumada;

- desenvolvimento de uma síndrome de dependência, caracterizada pela incapacidade de se abster ou controlar o uso;

- diminuição sutil das capacidades cognitivas, com ou sem possibilidade de melhora após abstinência prolongada;

- aumento do risco de diminuição do peso do bebê se a maconha for usada na gravidez.

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Quadro 2 - Principais efeitos do uso crônico da maconha



Sistema

Efeitos

Geral


Fatiga crônica e letargia Náusea crônica

Dor de cabeça Irritabilidade

Respiratório

Tosse seca

Dor de garganta crônica

Congestão nasal (

Piora da asma

Infecções freqüentes dos pulmões

Bronquite crônica

Neurológico

Diminuição da coordenação motora Alteração da memória e da concentração Alteração da capacidade visual (profundidade e cor) Alteração do pensamento abstrato

Reprodutivo

Infertilidade

Problemas menstruais

Impotência

Diminuição da libido e da satisfação sexual

Psíquico

Social


Depressão e ansiedade

Mudanças rápidas do humor/irritabilidade

Ataques de pânico

Mudanças de personalidade

Tentativas de suicídio

Isolamento social

Afastamento do lazer e de outras atividades sociais

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Alguns efeitos adversos da maconha precisam de confirmação científica, como:



- desenvolvimento de câncer no trato aerodigestivo;

- risco de leucemia em bebês de mulheres expostas à maconha durante a gravidez;

- declínio na atividade ocupacional, marcado nos adultos por dificuldades no trabalho e, nos adolescentes, por dificuldades nos estudos (síndrome amotivacional};

- defeitos congênitos em bebês de mulheres expostas à maconha durante a gravidez.

mito:

Fumar maconha faz menos mal do que fumar cigarro.

A verdade

É sempre difícil comparar duas drogas. A maconha e o fumo produzem efeitos adversos e distintos em seus consumidores, mas também compartilham alguns efeitos agudos e crônicos, dentre eles os irritativos nos pulmões e os estimulantes no coração (advindos tanto da nicotina como do ThC), principalmente em pessoas com algum problema prévio nesses órgãos.

No que se refere aos efeitos crônicos, tanto o cigarro como a maconha geram distúrbios respiratórios, como bronquite, e, provavelmente, câncer de pulmão, boca, esôfago e estômago. O fato de o usuário de maconha reter a fumaça por mais tempo nos pulmões do que o fumante de cigarro comum facilita o aparecimento de irritação nos órgãos e o desenvolvimento do câncer. Além disso, a maconha é geralmente fumada sem filtro e sua fumaça tem cerca de 50% mais substâncias cancerígenas, o que contribui para um maior risco de desenvolvimento de câncer. As pessoas

que associam o uso do cigarro com o da maconha estão se arriscando a desenvolver problemas pulmonares graves.

Vários outros efeitos também deveriam ser considerados nessa questão. Certamente as alterações cerebrais produzidas pela maconha (ThC) são mais pronunciadas do que as produzidas pela nicotina. A maconha provoca alterações significativas no eletrencefalograma e no fluxo sangüíneo cerebral. Ademais, causa alterações consideráveis de memória e de capacidade mental, além de problemas psiquiátricos que a nicotina não causa.

O mito:

A maconha faz menos mal do que o álcool.

A verdade

O uso agudo da maconha traz (pelo menos) os mesmos riscos que a intoxicação pelo álcool. Em primeiro lugar, as duas drogas produzem alteração da coordenação motora e comprometimento mental (com relação à memória e à capacidade de planejamento intelectual). Esse tipo de comprometimento aumenta as chances de ocorrerem vários tipos de acidente e acaba estimulando comportamentos de risco, como dirigir perigosamente, manter relações sexuais sem proteção, ter comportamentos anti-sociais etc.

com relação ao uso crônico, tanto a maconha quanto o álcool produzem:

- Dependência: Caracterizada pela dificuldade de interromper e/ou controlar o uso e pelo desconforto após sua interrupção.

- Alterações mentais significativas: A maconha pode produzir um quadro de psicose (desorganização mental grave), precipitar doenças mentais em indivíduos predispostos ou

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exacerbar sintomas mentais em indivíduos com doenças mentais já instaladas, como depressão e esquizofrenia.



- Comprometimento do desempenho profissional: Tanto o álcool quanto a maconha diminuem a capacidade mental de concentração e, portanto, alteram o desempenho no estudo e no trabalho.

- Aumento dá mortalidade por acidentes, suicídio e violência: Pesquisas têm sugerido que o álcool e a maconha aumentam a probabilidade de mortes desse tipo,


O mito:
A maconha pode deixar o usuário louco, isto é, psicótico ou esquizofrênico.

A verdade

Existem evidências suficientes de que a maconha produz, em usuários ”pesados”, uma psicose aguda (desorganização mental grave) com os seguintes sintomas: confusão mental, perda da memória, delírio, alucinações, ansiedade, agitação. Porém, não há dados que comprovem que seu uso possa gerar uma psicose crônica que perdure após o período de intoxicação. Já foi descrita uma síndrome amoüvadonal em usuários crônicos, caracterizada pelo declínio do interesse pelas atividades diárias em geral, quando o indivíduo não tem motivação para fazer nada a não ser usar a maconha. Essa síndrome ainda não é aceita por muitos cientistas.

Contrariamente, há fortes evidências de que a maconha pode precipitar o aparecimento de um quadro psicótico, como a esquizofrenia, em pessoas com predisposição para tal. Outros dados sugerem que o uso da maconha exacerba os sintomas nas pessoas que já apresentam alguma doença mental, como a esquizofrenia ou a depressão.

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mito;



A maconha queima neurônios.

A verdade

Não está provado que a maconha causa danos cerebrais irreversíveis nos seres humanos. Porém, o seu uso crônico traz conseqüências mais sutis à atividade cerebral, como a diminuição das habilidades mentais, especialmente da capacidade de prestar atenção nos fatos e da memorização de acontecimentos mais recentes. A médio e a longo prazo, a redução dessas habilidades persiste enquanto o usuário se mantiver cronicamente intoxicado e pode ou não se reverter após o uso descontínuo da droga ou a sua abstinência por um tempo prolongado.

Quanto mais tempo a maconha for usada, mais afetadas ficarão as habilidades mentais. Esse tipo de efeito é especialmente importante entre os adolescentes, que ainda estão em fase de desenvolvimento.

Omito:
Fumar maconha durante a gravidez não é tão perigoso.

A verdade

Estudos sugerem que o uso da maconha durante a gravidez, principalmente no primeiro trimestre, provoca dificuldades de desenvolvimento fetal e nascimentos de bebês com menor peso, pois a maconha estimula o parto prematuro. Há algumas evidências de que a exposição do feto à maconha durante a gestação aumente a

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possibilidade de defeitos congênitos, bem como distúrbios de comportamento e desenvolvimento durante os primeiros meses depois do nascimento. Portanto, é recomendável que mulheres grávidas ou com intuito de engravidar evitem usar a maconha.



O mito:

A maconha estimula a atividade sexual.

A verdade

Pode ser que o efeito relaxante da maconha diminua a resistência dos usuários, tornando-os mais disponíveis a qualquer contato social, afetivo ou sexual, mas uma grande parte dos usuários acaba se desinteressando das atividades sexuais em função desse relaxamento e da introspecção produzida pelo uso da maconha.

Está provado que, em animais, altas doses do ThC afetam o aparelho reprodutor tanto feminino como masculino, diminuindo a produção de hormônios, a motilidade e a viabilidade dos espermatozóides em machos e interferindo no ciclo ovulatório em fêmeas. O quanto isso é aplicável aos humanos ainda não foi comprovado.

O mito:

Todos os fumantes de maconha

correm os mesmos riscos.

A verdade

Como afirmamos anteriormente, além das grávidas e das pessoas com algum distúrbio preexistente (desde pessoas com pro-

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blemas cardíacos, respiratórios, com esquizofrenia ou dependentes de outras drogas), os adolescentes em geral correm mais risco ao usar maconha, pois estão em fase de formação de caráter e o uso da maconha pode desviar seu desenvolvimento normal. Adolescentes, em geral, já têm certa tendência às dificuldades de adaptação a uma percepção de mundo que está em constante mudança, fato que pode desencadear problemas de comportamento e de inserção, além de dificultar o aprendizado na escola. O uso da maconha pode exacerbar essas dificuldades, gerando diminuição das habilidades mentais ou piorando o desempenho naqueles indivíduos em quem essas dificuldades já existiam.



O mito:

A maconha é o início da escalada para o uso de outras drogas mais pesadas.

A verdade

Há muita polêmica em relação a essa questão. O que se sabe é que um sujeito que já usou a maconha está mais propenso a experimentar as drogas ditas ”pesadas” do que outro que nunca viu um cigarro de maconha. E isso não se deve aos efeitos da maconha em si, mas a algumas circunstâncias: na maioria dos casos o usuário tem contato com pessoas que consomem outras drogas e faz programas em que a maconha está sempre presente. Portanto, o ciclo de amizades, os locais que freqüenta, bem como os programas, podem estimular a curiosidade em relação a outras drogas. Sabe-se também que adolescentes que começam a fumar maconha muito cedo têm mais chance de progredir para um uso crônico da droga (caindo muitas vezes na dependência) e de usar outras drogas mais pesadas.

Outro aspecto polêmico desse mito é o de se poder classificar as drogas em leves (incluindo o álcool, o cigarro e a maconha) e

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pesadas (a cocaína e o crack). É preciso relativizar a questão. Para um dependente, a sua droga de consumo é o seu maior problema: para um alcoólatra, por exemplo, a cocaína não é um risco, e as conseqüências do uso crônico do álcool são por demais severas para se considerar esta droga como leve. Quando se fala nessa classificação, devem-se levar em conta dois fatores:



1. O poder de uma droga gerar dependência no usuário Considerando esse fator como preponderante, o crack seria a mais pesada das drogas, pois a maioria dos consumidores ficam dependentes num curtíssimo espaço de tempo desde a primeira fumada.

2. As reações adversas que a droga pode gerar-Vários aspectos devem ser levados em conta nesse fator, seja no caso do consumo da droga impura, seja no de overdose, a saber: quem usa a droga, qual droga é usada, qual a qualidade dela e em que circunstância e quantidade é consumida. Nesse sentido, fica muito difícil generalizar e categorizar as drogas entre leves e pesadas.

O mito:

A maconha gera dependência.

A verdade

A dependência é medida pela dificuldade do usuário em diminuir ou cessar o consumo da droga e pelo modo como sua falta é sentida no corpo (chamada de sintomas de abstinência). No caso da maconha, apesar de estar provado que o seu uso crônico não resulta em severos sintomas de abstinência, existem pessoas que os acusam.

Os principais sintomas da falta de maconha (abstinência) são: insônia, náusea, dores musculares, ansiedade, inquietação,

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irritabilidade, sensação de frio, suor, diarréia, falta de apetite, sensibilidade acentuada à luz, vontade intensa de usar a droga, depressão, perda de peso, tremores discretos.



Há evidências de que o uso da maconha altera o grau de tolerância à droga, isto é, com o tempo o usuário precisa ir aumentando as doses para que a droga continue a fazer efeito.

A dependência psicológica é o fenômeno mais comumente observado em usuários de maconha. Ainda que não ocorram os sintomas físicos da abstinência, a ansiedade, a depressão etc. são suficientemente fortes para que o usuário continue fazendo uso da maconha. Na sua essência, os sintomas da dependência psicológica advêm de mudanças no cérebro devido à falta da droga.



O mito:

Os efeitos indesejáveis da maconha não precisam de primeiros socorros.



A verdade

Apesar do poder relaxante da maconha, a maioria das pessoas sente algum tipo de efeito desagradável ao fumá-la pela primeira vez. Quase sempre os usuários toleram os efeitos indesejáveis da maconha ou seus próprios companheiros de uso acabam socorrendo-os com medidas gerais de apoio, que são suficientes.

No entanto, algumas pessoas, principalmente as menos experientes com a droga, tornam-se muito ansiosas, podendo ter reações semelhantes às de um ataque de pânico. Nessas situações, elas deverão ser orientadas e asseguradas por alguém experiente, num local calmo e iluminado. Em raras ocasiões, um calmante leve, como Diazepam, Valium, Lexotan, pode ajudar.

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Omito:



A maconha tem efeitos terapêuticos.

A verdade

Esse é outro ponto polêmico em relação à maconha. No século XIX, alguns derivados da Cannabis eram recomendados pela medicina americana para tratar gota, reumatismo, tétano, convulsões, depressões e deliriam tremens. Existem evidências de que algumas das substâncias presentes na maconha possam agir de forma terapêutica em alguns casos:

- diminui a náusea em pacientes que fazem quimioterapia. Lembramos que existem medicações muito melhores e mais seguras que produzem esse mesmo efeito;

- estimula o apetite em aidéticos. No entanto, o fato de haver evidências de que a maconha também diminui a resposta imunológica faz com que seu uso não seja recomendado em pacientes já debilitados e com risco maior de infecção;

- é auxiliar no tratamento do glaucoma. Frisamos que existem medicações mais efetivas e seguras para esse efeito.

Seu potencial como analgésico, antiasmático, antiespasmódico, anticonvulsivante e antidepressivo ainda está em estudo, mas com poucas evidências. A pesquisa sobre o uso da maconha de forma terapêutica não tem sido estimulada, já que o ThC (componente da Cannabis de maior potencial terapêutico) é também aquele que gera os efeitos psicoativos nos usuários esporádicos (não-dependentes).

As tentativas de separar os efeitos colaterais indesejáveis da droga dos seus efeitos terapêuticos têm-se mostrado frustrantes. Além disso, não existem evidências suficientes de que o uso da maconha como medicamento seja útil, especialmente quando comparado aos medicamentos já existentes.

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O mito



é perigoso misturar maconha com outras drogas.




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