Do curso de medicina



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3.7 Residëncia Médica

A Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) do Ministério da Educação (MEC), por meio dos pareceres provisórios nº 162/2003, 55/2003 e 56/2003, autorizaram o funcionamento da Residência Médica do Estado do Amapá. No ano de 2004 foi dado parecer definitivo pelo MEC para o funcionamento de quatro programas de residência. Desta forma a lei Estadual nº 0791 de 29/12/2003, cria no âmbito da Secretaria de Saúde a comissão de Residência Médica.

A implementação dos Programas de Residência Médica seguiu com o Credenciamento dos Programas nas áreas de Clínica Médica, Pediatria, Cirurgia Geral e Obstetrícia–Ginecologia junto à Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) do Ministério da Educação (MEC).

Os cursos latu sensu sob a forma de Residência da Secretaria Estadual de Saúde - SESA, têm como parâmetros a resolução da CNRM/MEC e outros diplomas legais, reconhecidos plenamente pelo Sistema Federal de Ensino. As durações mínimas dos programas são de dois anos, com carga horária de 60 horas semanais, com um total de 2.800 horas anuais, sendo que o programa Ginecologia-Obstetrícia passou em 2007 para 3 anos de duração.

Os campos de Práticas são Peculiares a cada programa e desenvolvidos no Hospital das Clínicas Dr. Alberto Lima e seus anexos, Hospital da Criança e do Adolescente, Hospital da Mulher “Mãe Luzia”, Hospital de Emergência, e com extensão ao Hospital Escola São Camilo e São Luis, Policlínica da UNIFAP e Unidades Básicas da PMM.

A Residência Medica cumpre, ainda, papel importante para incrementar as possibilidades de implantação do curso de medicina no Estado do Amapá, impondo ao complexo hospitalar da SESA as exigências inerentes à medicina acadêmica. A comprovação dessa transformação é também a qualidade e os temas dos trabalhos defendidos ao final de cada curso de residência em que foram levantados dados epidemiológicos de grande relevância para o Estado.

A partir do ano de 2013 o Projeto Pedagógico da Residência Médica passou a responsabilidade direta da UNIFAP com a manutenção dos PRM de Clínica Médica, Pediatria, Cirurgia Geral, Obstetrícia–Ginecologia e Cirurgia do Trauma como continuidade do PRM de cirurgia geral. Com a anuência da Universidade ocorreu a abertura da Comissão de Residência Médica da UNIFAP, o que acarretará o fim gradativo dos PRM da SESA integralizando todos os programas sob a supervisão direta da UNIFAP. Conforme relatado na ata da 5a. Sessão ordinária da CNRM de 9 e 10 de maio de 2013.

Cabe salientar ainda a assinatura do convênio de cooperação técnica nº 003/2004, para a implantação da Policlínica da UNIFAP, entre Governo do Estado, UNIFAP e Prefeitura Municipal de Macapá. A celebração desse convênio deu suporte a parte ambulatorial da Residência Médica, tendo como eixo o programa Saúde da Família na área adstrita ao prédio da Policlínica da UNIFAP.

Essas ações e o presente projeto pedagógico apontam para a maturidade da Universidade e do poder público local para a criação do curso de medicina assentado sob uma parceira co-responsabilização na sua implantação e consolidação.
UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DA UNIFAP (POLICLÍNICA DA UNIFAP)
A Unidade de Básica de Saúde nasceu da necessidade de estruturar o Curso de Enfermagem, criado em 1991, bem como abrir caminho para a implantação do Curso de Medicina, que ocorreu em 2010, contudo já apresenta resultados palpáveis, uma vez que vem beneficiando principalmente a comunidade carente. Vale destacar que a UBS já é referência para o Governo do Estado, Prefeitura Municipal de Macapá e UNIFAP, no que diz respeito à qualidade nos serviços de saúde.

A implantação da Unidade de Saúde da UNIFAP, representou grande alcance social, uma vez que proporcionou a comunidade ações de promoção, prevenção e cuidados básicos com a saúde incluindo procedimentos ambulatoriais baseados na Proposta do Sistema de Atenção Básica de Saúde, em concordância com os programas desenvolvidos em nível nacional, garantindo o fortalecimento da base produtiva da sociedade amapaense ao disponibilizar para o mercado de trabalho novos profissionais qualificados.

A UBS contempla ensino - aprendizagem, tendo como objetivo a melhoria de qualidade de vida da comunidade dos bairros adjacentes a Unifap.

O apoio das Secretárias da Saúde do Estado e do Município de Macapá, que firmaram convênio com a UNIFAP, com vistas ao funcionamento da Unidade de Saúde, possibilitou a realização de: 1.178 (um mil, cento e setenta e oito) consultas, 316 (trezentos e dezesseis) exames e 815 (oitocentas e quinze) vacinas aplicadas. Além dos 1.796 (um mil, setecentos e noventa e seis) exames que foram realizados no Laboratório de Análises Clínicas da UNIFAP.

Em maio de 2005 a Unidade de Saúde foi inscrita no SUS, o que possibilitou o repasse de informações ao SAI - Sistema de Informação Ambulatorial, e ao SIAB - Sistema de Informação da Atenção Básica.

Em setembro de 2005, iniciou-se o Programa de Pré-natal o os demais programas. De acordo com o relatório anual das atividades desenvolvidas nesta Unidade de Saúde de janeiro a dezembro de 2005, foram atendidas 21.880 pessoas, e no período de janeiro a agosto de 2006, foram atendidas 22.573.

No momento há 8.298 clientes inscritos neste Setor. Os programas estão em plena atividade e com a inscrição da Unidade (Policlínica) no SUS, está programada a expansão desta UBS atendendo os seguintes setores:

1 - Ampliação do Laboratório de análises clinica - para instalação do aparelho fluxo laminar, destilador industrial de água, sala para coleta de exame, vestiário para funcionários do laboratório com armário;

2 - Ampliação do almoxarifado;

3 - Ampliação da sala de esterilização, com ambiente para guarda de material esterilizado;

4 - Vestiário para funcionários com armários;

5 - Ambiente para instalação de mais um gabinete odontológico;

6 - Sala de Raio X;

7 - Sala para ultra sonografia;

8 - Sala para nebulização;

9 - Auditório para 60 pessoas, onde serão realizados o Programa de Educação e Saúde e orientação pedagógica aos acadêmicos e residentes;

10 - Ambiente para fisioterapia;

11 - Construção de consultório para os seguintes profissionais:

(01) Um consultório para Psicólogo

(01) Um consultório para Fonoaudiólogo

(01) Um consultório para Fisioterapeuta

(01) Um consultório para Nutricionista

(02) Um consultório de Enfermagem

(01) Um consultório Ginecológico com aparelho de citoscopia

(01) Um consultório Pediátrico

(01) Um consultório Clinico

(01) Um consultório Oftalmologia

(01) Um consultório Psiquiátrico

(01) Um consultório para Cirurgia Geral

Hoje a Policlínica da UNIFAP atende em torno de 6.500 consultas por mês, em diversas áreas das especialidades médicas, como também neste ambiente funcionam as práticas da Residência Médica em Saúde Comunitária, a Residência de Enfermagem em Saúde da Família e os estágios do curso de enfermagem. Em breve será implantada a Farmácia Popular, cujo projeto já se encontra em análise na Coordenação do Programa da Farmácia Popular do Brasil no Ministério da Saúde.


Missão do Curso

A missão do curso médico da Universidade Federal do Amapá é a formação de profissionais capazes de:

Desenvolver elevados padrões de qualidade no exercício da medicina, na geração e disseminação do conhecimento científico e de ações que expressem efetivo compromisso com a promoção, prevenção, recuperação, reabilitação da saúde e com os direitos das pessoas.
Concepção do Curso

A Universidade Federal do Amapá consolida-se em uma época em que as Instituições de Ensino Superior, em sua maioria, estão marcadas pela objetivação e fragmentação da estrutura curricular, pela visão do mercado, especialização e compartimentalização das ciências.

A compreensão crítica desta realidade conduz ao entendimento da educação do ensino superior sendo constituído por múltiplas dimensões do conhecimento humano que assegure ao acadêmico-profissional uma formação teórico-prática fundamentada no rigor científico, técnico, nas reflexões humanistas e na conduta ética. Com isso a UNIFAP optou por desenvolver o projeto pedagógico do Curso de Medicina utilizando a Metodologia da Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) ou PBL (Problem Based Learning).

A metodologia da Aprendizagem Baseada em Problema foi implantada no final da década de 60 na Universidade de McMaster, no Canadá, e, pouco depois, na Universidade de Maastricht, na Holanda. No Brasil, inicialmente a Faculdade de Medicina de Marília e o Curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina iniciaram um novo currículo baseado em ABP em 1997 e 1998, respectivamente. Logo em seguida a Universidade Federal de São Carlos avançou na perspectiva de implantação dessa metodologia. Atualmente, o número de Universidades Federais, Estaduais e Particulares, Faculdades e Centros Universitários que aderiram a Metodologia de PBL em seus Cursos de Medicina é bastante significativo. Na Região Norte por exemplo, além da UNIFAP, mais duas Universidades e um Centro Universitário já trabalham com PBL no Curso de Medicina, que são: Universidade Federal de Roraima, Universidade Estadual do Pará/Santarém e Centro Universitário do Estado do Pará.

Essa metodologia apresenta como características principais o fato de ser centrada no aluno, se desenvolver em pequenos grupos tutoriais, apresentar problemas em contexto clínico, ser um processo ativo, cooperativo, integrado e interdisciplinar e orientada para a aprendizagem do adulto. Os estudos sobre a metodologia do ABP têm se enriquecido com os conhecimentos sobre a gênese do processo cognitivo, da aprendizagem do adulto e da fisiologia da memória, ressaltando-se a importância da experiência prévia e da participação ativa como pontos fundamentais para a motivação e aquisição de conhecimentos.

A metodologia da Aprendizagem Baseada em Problemas estimula no aluno a capacidade de aprender a aprender, de trabalhar em equipe, de ouvir outras opiniões, mesmo que contrárias as suas e induz o aluno a assumir um papel ativo e responsável pelo seu aprendizado. A metodologia da ABP objetiva, ainda, conscientizar o aluno do que ele sabe e do que precisa aprender e motiva-o a ir buscar as informações relevantes.

Essa metodologia exige, também, uma mudança radical no papel do professor que deixa de ser o transmissor do saber e passa a ser um estimulador e parceiro do estudante na descoberta do conhecimento.

O currículo do curso, organizado tendo como referência essa metodologia, reflete os pressupostos filosóficos, políticos e sócio-culturais, que norteiam a construção dos objetivos educacionais para desenvolvimento de competências do futuro médico. Esse currículo é integrado, está centrado no estudante, baseado em problemas e orientado à comunidade.

O currículo integrado requer a articulação entre teoria e prática, entre a universidade e os serviços de saúde, entre as distintas áreas de conhecimento, entre os aspectos objetivos e subjetivos num processo de formação flexível e multiprofissional, sendo capaz de levar em conta os saberes, as necessidades individuais de aprendizagem e os problemas da realidade. Nessa perspectiva, as dimensões psicológica e pedagógica da aprendizagem, selecionadas para o desenvolvimento de competência, estão referenciadas na concepção construtivista do processo ensino-aprendizagem, na integração teoria-prática, nos referenciais da aprendizagem significativa e de adultos e na utilização de metodologias ativas de aprendizagem.

Os conceitos sobre currículo centrado no estudante e baseado em problemas se explicitam quando se observa as idéias de Barrows e Tamblyn (1980), que apontam a direção do processo ensino-aprendizagem para o desenvolvimento da capacidade do estudante de construir ativamente seu conhecimento, considerando seus conhecimentos prévios e o estímulo proporcionado pelos problemas de saúde-doença selecionados para o estudo. A aprendizagem baseada em problemas, realizada em pequenos grupos, se conecta integralmente com a formulação de questões de aprendizagem pelos estudantes, segundo suas próprias necessidades de aprendizagem.

O currículo do curso médico, também focaliza a ampliação do modelo biomédico por meio da inclusão das dimensões psicológica, política e social na compreensão do processo saúde-doença e na formulação do plano de cuidados para os pacientes.

A orientação à comunidade refere-se não somente à utilização dos problemas prevalentes e relevantes como base para a aprendizagem dos estudantes, mas também à parceria da escola com os serviços de saúde do município e do estado na busca da resolução dos problemas de saúde e da melhoria do cuidado prestado a essa comunidade.

O curso tem, ainda, estrita observância as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina, resolução CNE/CES n. 1133 de 03 de março de 2001.

Os pressupostos norteadores da construção desse projeto estimularão os acadêmicos a desenvolver suas potencialidades e habilidades imersos em um contexto de integralidade do conhecimento e ético frente às diversidades sociais, políticas e culturais da região.

Considerando estes pressupostos, o Curso de Medicina da UNIFAP concebe uma formação profissional generalista e humanista. O Médico egresso da UNIFAP será um profissional ativo nas diversas áreas de conhecimento, nos processos de planejamento e implantação de programas destinados à educação, promoção, proteção, prevenção e restauração da saúde, atuando como agente da saúde integrado às necessidades da comunidade. Deverá ser crítico e reflexivo apoiado no rigor científico, cultural e intelectual, levando em consideração a harmonia e a qualidade assistencial em seu trabalho podendo integrar-se a uma equipe multidisciplinar, sem renunciar a sua independência ético/profissional.




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