Do curso de medicina


Relação entre número de vagas e formação nos serviços de saúde



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3.3 Relação entre número de vagas e formação nos serviços de saúde

Desde o ano de 2010 a UNIFAP vem ofertando anualmente 30 vagas para o curso de Medicina, via processo seletivo e tem a perspectiva de aumento de mais 30 vagas, somando-se 60 em 2014. Para a composição do corpo docente foram realizados 06 concursos, sendo que atualmente o curso conta com 38 docentes efetivos, desses 63,15% são especialistas, 21,05% mestres e 15,80% doutores. E ainda, no último concurso – Edital nº 13/2013 foram ofertadas 6 vagas de docentes efetivos para Curso de Medicina.

Para garantir os estágios práticos dos alunos nos diferentes cenários, foram firmados os convênios descritosa abaixo


  1. Termo de Convênio nº. 01/2007 - UNIFAP/GEA-SESA-AP, já citado anteriormente, o Governo do Estado de Amapá, com duração de 10 anos, com a Secretaria de Estado da Saúde do Amapá disponibiliza a rede hospitalar e ambulatorial do Estado para a prática profissional dos discentes assim como a carga horária de profissionais pertencentes ao seu quadro de pessoal. Entre os hospitais disponíveis podemos citar: Hospital de Clínicas Alberto Alima, Hospital da Criança e Adolescente, Hospital de Emergência, Hospital e Maternidade Mãe Luzia, além da rede hospitalar do interior nos municípios de Santana, Laranjal do Jari e Oiapoque.

  2. Convênio com a Secretaria Municipal de Saúde de Macapá (SEMSA) de 2013, Convênio nº 003/2007 UNIFAP/HESCSL (Sociedade Beneficiente São Camilo – Hospital Escola São Camilo São Luis).

3.4 Integração com o Sistema Local e Regional de Saúde e o Sus

A articulação entre ensino e serviços de saúde será construída através de uma forte e estável parceria da Universidade com o Governo do Estado do Amapá e Prefeitura Municipal de Macapá. Essa parceira que envolve o curso de medicina e outros da área de saúde, a Secretaria Estadual de Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde pressupõem o trabalho articulado e participativo, no qual as instituições mantenham uma relação horizontal, respeitando e preservando a identidade e especificidades de cada uma. Os sujeitos envolvidos deverão analisar e compartilhar seus interesses e sua participação na resolução de situações, por meio de acordos baseados na cooperação mútua.

As estratégias para operacionalização desta parceria residem em:


  • Institucionalizar por meio de convênio focalizando ensino, pesquisa e assistência à saúde a “Rede Escola” que se comporá dos serviços de saúde, dentre eles os serviços hospitalares, ofertados pela Secretaria Estadual e Municipal de Saúde.

  • Redefinição das atribuições dos profissionais de saúde da rede de atenção a saúde do Município no âmbito do governo do estado e da prefeitura municipal, contemplando a participação desses na formação;

  • Criação da figura do professor colaborador para os trabalhadores de saúde com atuação direta nos processos de formação;

  • Estabelecer ações de Educação Continuada e Permanente desenvolvidos em parceria;

  • Formar equipes de professores e trabalhadores de saúde compartilhando e construindo coletivamente o processo de ensino-aprendizagem, entre outras.

Tais estratégias buscam integrar o mundo da aprendizagem com o mundo do trabalho construindo a aprendizagem significativa que contribuirá para a qualificação da atenção prestada à população. A parceria entre Universidade/Serviços estabelece, assim, uma articulação sistematizada e reflexiva entre o mundo do trabalho, da aprendizagem e a sociedade. Pressupõe que o Sistema de Saúde passa a operar com a lógica da formação e da educação permanente dos profissionais de saúde, em toda a rede progressiva de serviços.

O Governo do Estado de Amapá (de acordo com anexo), através da Secretaria de Estado da Saúde do Amapá disponibilizará a rede hospitalar e ambulatorial do Estado para a prática profissional dos discentes, assim como a carga horária de profissionais pertencentes ao seu quadro de pessoal.

No que se refere à questão da saúde atendimento à rede pública, o estado, de acordo com os dados do IBGE (INSTITUTO. ESTATÍSITICAS, 2002), possui 221 estabelecimentos de saúde, dos quais 170 são públicos e 51 privados. Dos estabelecimentos públicos 17 atendem em regime de internação. Com a construção na capital do Centro Médico Hospitalar, que inclui Hospital de Especialidades (1949), Hospital da Mulher (1950), Hospital da Criança (1974), Hospital de Emergência (1950) e Hospital de Santana e mais o de Laranjal do Jari (2001), existem seis hospitais em todo o estado.

3.5 Ensino na área de saúde

Na área da Saúde a UNIFAP além do curso de Graduação de Medicina oferece o Curso de Enfermagem, Farmácia e Ciências Biológicas, com previsão de abertura do curso de Fisioterapia em 2014.



3.6 Impacto social na demanda de profissionais da área de saúde

O Brasil atual está em busca constante da retomada do seu crescimento econômico e esta é uma meta que precisa ser alcançada tendo por base um modelo político - econômico que reduza as suas desigualdades, principalmente nas áreas da saúde e educação. É notório que um dos mais abrangentes problemas que envolve esse tema e que atinge direta e indiretamente a população brasileira está na precariedade do sistema de saúde que inclui desde a carência de informações básicas em saúde para a população ao déficit em assistência por profissionais qualificados.

Com relação ao atendimento à saúde, através da rede pública, nota-se a premente necessidade de aprimoramento. Além dos problemas infra-estruturais, a carência de profissionais, em regiões específicas, interfere nos objetivos do país em alcançar suas metas. No estado do Amapá, essa situação assume proporções drásticas considerando seu isolamento geográfico (extremo norte do país, com acesso somente aéreo ou fluvial) dos grandes centros de formação especializada e produção do conhecimento e tecnologia na área de saúde.

Além de seu isolamento, o estado do Amapá tem desafios específicos a superar com relação aos serviços de saúde. Sua população concentra-se em 90% na zona urbana, mais especificamente nos municípios de Macapá e Santana, os quais, de acordo com os dados do IBGE, têm grande parte de seu crescimento decorrentes de migrações provenientes do Pará, Maranhão e Ceará. Em contrapartida, sua densidade populacional ainda é uma das menores do Brasil, com média de 4,69 habitantes por Km2, em decorrência da alta concentração urbana.

A formação étnica do estado apresenta grupos de origem afro-americana e indígenas. O Amapá é o primeiro estado brasileiro a ter todas as terras indígenas demarcadas.  O Estado abriga vários tipos de etnias, distribuídos em 49 aldeias. São eles: Galibi, Karipuna, Palicur, Tiriyó, Kaxuyana, Wayana, Apalaí e Waiãpi (Site do Governo do amapá, 2013). Esses grupos têm suas aldeias distribuídas em áreas sob a jurisdição da Fundação Nacional do Índio  FUNAI  com seus territórios demarcados e homologados, representando cerca de 8,6 % da área total do estado, localizando-se em dois municípios que são: TI Wajãpi entre os municípios de Pedra Branca do Amapari e Laranjal do Jari e TI Uaçá, Galibi e Juminã no município de Oiapoque. Na fronteira com o norte do Pará estão o Parque Indígena do Tumucumaque e a TI Parud estes também demarcados. De acordo com o IBGE, a população indígena soma 7408 indios (IBGE, 2010).

Com relação ao clima, a predominância é do equatorial superúmido. Apresenta vegetação sob forma de floresta de várzea, floresta densa de terra firme, manguezal, cerrados e campo de várzea (PERFIL, 1998/2000). Possui uma bacia hidrográfica constituída de muitos rios que se destacam pela sua importância econômica, dentre os principais pode-se citar o Araguari. É neste rio que fica localizada a Cachoeira do Paredão e a Hidroelétrica Coaracy Nunes, sendo que esta última fornece energia para grande parte do estado.

Como forma de diminuir a procura proveniente dos municípios, a secretaria de saúde do estado estabeleceu um fluxo de referência e contra-referëncia (AMAPÁ. SECRETARIA/RELATÓRIO, 2001a) no qual se concentra a microrregião que representa a base territorial de planejamento, de acordo com as características e estratégias de regionalização do estado, considerando as variáveis geográficas, sanitárias, epidemiológicas, de oferta de serviços e outros. Esse módulo assistencial que se constitui de uma área territorial que tem as condições de resolubilidade, constituído por um ou mais municípios, em que o município sede deve estar estruturado para atender a sua população e a dos municípios adscritos nas ações de Atenção Básica e Média Complexidade, conforme especifica o Quadro 5. De acordo com este quadro a unidade territorial de assistência básica, que corresponde à base territorial do município, garantirá a assistência à saúde apresentando um conjunto de ações e serviços, com estratégias mínimas de Atenção Básica.
Quadro 5. Fluxo de Referência de acordo com a microrregião, módulo assistencial e unidade territorial de assistência básica.

MICROREGIÃO

MÓDULO ASSISTENCIAL

UNIDADE TERRITORIAL DE ASS. BÁSICA
Amapá
Área Oiapoque

Oiapoque


Área Amapá

Amapá, Calçoene, Tartarugalzinho e Pracuúba
Macapá
Área Macapá

Macapá, Cutias e Itaubal
Área Porto Grande

P.Grande, F.Gomes, S. Navio e P.B. Amapari

Santana

Área Santana

Santana e Mazagão

Área Laranjal do Jari

Laranjal do Jari e Vitória do Jarí

Fonte: Amapá. Secretaria/Plano. 2001, p 12.
Nessa direção, o suporte para o atendimento de média e alta complexidade encontra-se nos hospitais citados. O acompanhamento pelo Gráfico 8, das últimas décadas, permite perceber o crescimento do número de leitos para internação no estado a partir da década de 1950 no Amapá. Cabe destacar um incremento de 70% no número de leitos de 1994 a 1998 e um declínio de -3,69% no período 1998-1999, provavelmente associado às reformas que periodicamente vêm sendo realizadas nos hospitais. Em contrapartida, em relação a 1999-2000 ocorre um crescimento de 9,59%, sendo novamente computado um decréscimo de -1,68% para 2001-2002 por conta, novamente, de uma grande reforma no Hospital de Especialidades, ocasião em que alguns leitos foram temporariamente desativados passando de 831 para 817 leitos. A capacidade atual de leitos de internação no estado soma 1.137 leitos, de acordo com dados (DATASUS, 2013), sendo que a maior parte deste se concentra na capital, Macapá.
Gráfico 1: Leitos do Estado do Amapá – 1950-2013

Fonte: DATASUS 2013.


A partir dessa projeção verificou-se que a relação entre número de leitos e a população a partir da década de 1970 foi de 4,2/1.000 habitantes, em 2009 eram 1,58/1.000 e de 1,7 em 2013. Deve-se destacar que o crescimento do número de leitos para internação não tem conseguido acompanhar o ritmo do incremento populacional que vem ocorrendo no estado. Mesmo que essa proporção esteja de acordo com o padrão estabelecido pela OMS, a carência se configura nos leitos especializados já que o número total de médicos para atender essa demanda não é suficiente para a população que precisa desse tipo de atendimento.

Essa carência, somando-se à baixa resolutividade nas Unidades Mistas da capital e dos municípios, que não possuem equipamentos e instalações adequadas para assegurar o atendimento de maior complexidade, resulta no encaminhamento dos casos mais graves para a capital. Atrelado a essa situação destaca-se que cerca de 80% dos profissionais de saúde se concentram em Macapá. O Amapá no que se refere ao número de postos de trabalho de nível superior (DATASUS, 2013) em estabelecimentos de saúde possuía 2.770 em 2009 e, se tratando de profissionais formados em medicina, em 2010 0,75 médicos para cada 1000 habitantes, dos quais como já referido mais da metade estão alocados na capital. A oferta de um curso de Medicina para o Estado representaria um incremento no número de médicos, o que repercutiria na melhoria das condições de atendimento a população.

Quanto aos dados referentes às informações vitais e de morbidade dispomos de: Sistema de Informação sobre Mortalidade ─ SIM, Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos – SINASC –, Sistema de Informação sobre Agravos Notificados ─ SINAN –, Sistema de Informação sobre Internações Hospitalares ─ SIH. Esses dados possibilitaram diversas análises, entre as quais, o cálculo dos indicadores de saúde do Estado, que poderiam ser modificados e melhorados com a atuação de profissionais qualificados. Mediante essas informações pode-se perceber que, nos últimos dez anos, o número bruto de óbitos por 1.000 habitantes (DATASUS, 2010) do Amapá manteve-se de forma regular com variações entre 4,0 e 5,6 na série histórica 2000 a 2010.

Com relação à Mortalidade Infantil, considerando o sub-registro de nascidos vivos, e as condições ambientais, observaram-se oscilações nos anos anteriores, mantendo-se em 25,4 por mil nascidos vivos (DATASUS, 2010). Nessa direção Oliveira (2004) destaca que o Brasil mantém um percentual de aproximadamente de 40% das mortes de menores de um ano associado aos fatores ambientais. Cabe referir que medidas como campanhas de vacinação, atenção ao pré-natal, incentivo ao aleitamento materno e ação de agentes comunitários de saúde na população materna contribuíram para redução da mortalidade infantil. Nos menores de um ano, as causas que mais se registram são afecções originadas no período perinatal (DATASUS, 2010). Esse grupo também sofre com a baixa cobertura de serviços de saúde pela insuficiência de profissionais da área médica, aliada às condições ambientais, culturais, e socioeconômicas.

No tocante a Mortalidade Materna na faixa etária de 15 a 49 anos, percebe-se que tem sido determinada por níveis constantes desde o início da década de 1990. Entretanto, só a partir de 1996, observou-se uma redução bastante significativa em função da elevação na cobertura dos serviços, em 2012 foram notificados apenas 6 óbitos maternos no Amapá (DATASUS, 2013). Mesmo com esses resultados a Coordenação de Materno-Infantil do Amapá considerou importante implantar o Comitê de Investigação de Mortalidade Materna.

Com relação às causas de óbitos, considerou-se de grande importância verificar as principais causas em décadas passadas, para estabelecer um parâmetro de avaliação. Para isso deve-se destacar os resultados de Andrade (1995). Esse autor destaca que, para as décadas de 1970 e 1980 no estado do Amapá, as principais causas foram: gastroenterite, pneumonia, acidentes de trânsito, acidente vascular cerebral, e algumas enfermidades hoje já controladas como: tuberculose, diabetes, sarampo e malária. No tocante à década de 1990 pode-se perceber uma mudança neste perfil, onde as principais causas relatadas foram: causas externas, doenças do aparelho circulatório, algumas infecções originadas no período perinatal, neoplasias, doenças do aparelho respiratório, algumas doenças infecciosas e parasitárias; doenças do aparelho digestivo, anomalias congênitas e doenças do aparelho geniturinário.


Gráfico 2: Distribuição dos 7 grupos de causas de mrtalidade do Estado do Amapá 2007-2010

*em porcentagem

Fonte: DATASUS, 2013


Entretanto quando se visualizam as causas referentes ao período 2007 a 2010, apresentado no Gráfico 9, pode-se identificar uma estagnação desse quadro, visto que é pequena a variação anual, sendo que as Demais causas definidas de óbito tem estado na terceira posição nos últimos três anos pesquisados e neoplasias em quarta no ultimo ano. A partir desses resultados a situação atual do estado é preocupante, uma vez que tem ocupado os primeiros lugares no ranking nacional no que se refere a morte por causas externa,1 o que confirma os resultados do MS (SAUDE BRASIL, 2011) nos quais a proporção por óbitos por causas externas no Amapá apresenta uma taxa de 96,1 por 1.000 habitantes, taxa esta superior à do Brasil que é de 76,9 e da Região Norte de 96.0. Também se considera importante referir nesse grupo o suicídio2 que, por apresentar uma incidência alta no estado, vem preocupando as instituições competentes.
Gráfico 3: Demonstrativo das dez principais causas de internação*, Janeiro de 2010 a Julho de 2013.

*numero bruto de internações por ano


Fonte: DATASUS, 2013
Percebe-se, no Gráfico 10, as principais causas de internação – complicações da gravidez, parto e puerpério – são agravos que vêm se mantendo e apresentando os maiores índices nesses quatro anos. Esses resultados demonstram que apesar dos investimentos no setor, a expansão na oferta não tem sido suficiente para a cobertura dos serviços de saúde, face ao constante aumento da demanda populacional. Também os fatores de saneamento básico, sócio-cultural, econômico e ambiental, interferem nesses dados. Quanto às doenças infecciosas, que se mantém no grupo suscetível, e as do aparelho respiratório, características do grupo etário de 50 anos, apresentam uma incidência bastante elevada, demonstrando a fragilidade desse grupo diante do quadro socioeconômico em que vivem identificando a necessidade de prevenção e proteção do indivíduo através de ações básicas de saúde.
Quadro 4: Tipos esquemáticos da Curva de Mortalidade Proporcional.

Fonte: Moraes, apud Forattini, 1976, p. 77.


O quadro 6 apresenta os quatro tipos de curva com a especificação dos níveis de saúde (MORAES, apud FORATTINI, 1976, p. 77). O Tipo I identifica o nível de saúde muito baixo, Tipo II baixo, Tipo III regular e Tipo IV elevado. Essa curva, permite avaliar o estado de saúde de uma determinada área em épocas diferentes ou de regiões distintas na mesma época, que segundo Forattini (1976) foi idealizada por um sanitarista brasileiro, Nelson de Morais, como recurso para traçar o nível de saúde de uma determinada população. É calculada com base nos percentuais de óbitos nos seguintes grupos etários: menos de um ano, um a quatro anos, cinco a 19 anos, 20 a 49 anos e 50 anos e mais.
Gráfico 5. Curva de mortalidade proporcional do estado do Amapá – 2003.

Fonte: BRASIL. Ministério da saúde/mortalidade, 2011.


No que se refere à mortalidade proporcional, pode-se evidenciar pela curva (Gráfico 11) para o estado do Amapá, que há uma tendência de redução da mortalidade nos menores de um ano; em contrapartida, a faixa etária de dez a 59 anos vem apresentando um aumento na mortalidade, muitas delas ocasionadas de acordo com MS (SAUDE BRASIL, 2011) por causas violentas. De acordo com as Estatísticas de MS (SAUDE BRASIL, 2011), a mortalidade padronizada do sexo masculino ainda é quase de 50% maior que a feminina, mesmo reduzindo de 7,5 em 2000 para 6,0 em 2010. De 2000 a 2010 houve uma na mortalidade de tecnicamente todas as faixas etárias no estado do Amapá..Desse modo quando se analisa os resultados apresentados pelo MS (SAUDE BRASIL, 2011), depara-se com o Amapá apresentando taxas de mortalidade padronizada por causas externas levemente menor em 2010 em relação a 2000, mas o que já uma melhora no quadro.

Constata-se também, a partir desses dados que, na faixa de 10 a 19 anos, o estado do Amapá se encontra em primeiro lugar, sendo o segundo ocupado pelo estado do Pará em mortalidade proporcional (SAUDE BRASIL, 2010). Como se tem observado o fenômeno da violência vem se acentuando em todas as regiões brasileiras e principalmente no Amapá o que tem sido comprovado pelos dados apresentados.

Entretanto a perspectiva de anos de vida da população está aumentando sendo, nesse estado, de 66 anos (CONSELHO, 2004) um pouco acima da expectativa do Brasil que para 2000 foi estimada em 65 anos (OLIVEIRA, 2004). De acordo com a convenção da curva acima descrita, esse estado apresenta um nível de saúde regular. Evidencia-se, claramente, que no período analisado, o aumento da mortalidade na população jovem, faixa mais vulnerável, fez com que as causas externas obtivessem um crescimento considerável, destacando-se como primeira causa de mortalidade e, em seguida, as doenças do aparelho circulatório, no grupo etário acima de 50 anos.

Esse quadro reflete a realidade das condições socioeconômica de parte da população, resultando como conseqüência que esses agravos se acentuam nos segmentos populacionais mais vulneráveis, exigindo ações efetivas para o enfrentamento desses desafios, na busca da equidade e da universalização da assistência no Amapá. A baixa resolutividade nos atendimentos dos serviços da assistência básica de saúde nos municípios gera uma demanda espontânea, excessiva e desordenada, que migra para a capital, que não consegue absorvê-la, tornando-a reprimida. Apesar de sua estrutura física ter sido ampliada, ainda conta com um quadro reduzido de profissionais de nível superior, em especial, médicos.

Considerando a concentração urbana do estado e o fato de que a capital, Macapá, possui 437.255 dos 669.526 habitantes do estado, o quadro descrito se refere, de maneira particular, às condições de saúde deste municio.

De maneira mais específica, a secretaria municipal de saúde de Macapá destaca as patologias: Infecções Respiratórias, Parasitoses Intestinais, Diarréias, Vulvovaginites, Infecções Urinárias e doenças do aparelho cardiovascular e neoplasias com maior incidência sobre a população.

Os dados demográficos do município são:


  • Menor de 1 ano = 8.058 hab.

  • 1 a 4 anos = 31.161 hab.

  • 5 a 9 anos = 39.933 hab.

  • 10 a 14 anos = 45.057 hab.

  • 15 a 19 anos = 42.816 hab.

  • 20 a 29 anos = 81.487 hab.

  • 30 a 39 anos = 64.157 hab.

  • 40 a 49 anos = 41.060 hab.

  • 50 a 59 anos = 24.037 hab.

  • 60 a 69 =11.803 hab.

  • 70 a 79 = 5.965 hab.

  • 80 anos e mais = 2.740 hab.

Vale destacar, diante destes dados que o total de habitantes acima de 59 anos: 20.728 hab. compõem 4,7% da população (IBGE - 2010) o que demanda serviços específicos de saúde.
Serviços de saúde oferecidos pelo município.


  • Unidades Básicas de Saúde - 16

  • Postos de Saúde - 54

  • Módulos de Saúde - 06

  • Equipes de Saúde da Família –PSF - 34

  • Agentes Comunitários de Saúde - PACS - 26

  • Unidade de Vigilância Sanitária - 01

  • Médicos da UBS - 75

  • Médicos Plantonistas - 20.

Dentre as 16 UBS, 06 fazem atendimento em regime de 24h, 10 Unidades fazem atendimento em regime de 12h.

Este quadro evidencia a necessidade de implantação emergencial de políticas para melhoria das condições de saúde no município e no estado. A Universidade, consciente de seu papel social e compromissada com a melhoria na qualidade de vida da população e com o desenvolvimento socioeconômico do Amapá, apresenta seu projeto em execução do curso de medicina, em parceria com os governos municipal e estadual, com uma das ações de impacto a curto e médio prazo que associada a formação de enfermeiros e implantação dos cursos de farmácia e fisioterapia elementos potencializadores da transformação dessa realidade.

No Estado do Amapá e na Região Amazônica, mais do que em qualquer outra região, à grande carência de profissionais de saúde, soma-se a necessidade de profissionais formados e qualificados, identificados e comprometidos com o SUS e com a região, apresentando-se, portanto, oportunidade estratégica de inovação. A criação na UNIFAP, de cursos de saúde com formação ampla e integradora - em especial o curso de Medicina, vem colaborar com o Estado e com a comunidade tanto pela sua condição de nova Universidade Federal, como pela condição de importante instrumento promotor de novos conhecimentos e saberes articulados com o processo de desenvolvimento e integração regional.

No Estado do Amapá, como no restante do país, as ações em saúde somente poderão ser concretizadas com articulações políticas entre as três esferas do governo. Neste sentido, as parcerias entre a UNIFAP e as Secretarias de Saúde, Municipal e Estadual e com o apoio do Ministério da Saúde, representam uma estratégia prioritária para construção de um sistema de saúde fortalecido no nosso estado. Considerando a carência de pessoas identificadas com a problemática de interiorização do atendimento da Saúde no Estado e a deficiência de formação de conhecedores do Sistema Único de Saúde, a associação entre as entidades públicas favorecerá a formação de profissionais com diferenciais de qualificação que poderão, no futuro, suprir esta demanda. As parcerias fortalecidas permitirão efetivar a formação de profissionais comprometidos e identificados com este Estado e região, na tentativa de suprir as necessidades do atendimento à saúde da população e fortalecer um Sistema Único de Saúde atuante e resolutivo, composto por equipes qualificadas e humanizadas na gestão do sistema e serviços e na promoção da saúde, em toda sua integralidade, além de proporcionar a oportunidade autônoma e gratuita de uma educação permanente da população amapaense.

Uma prática da parceria com a UNIFAP é a proposta de transformação do Hospital de Especialidades Dr. Alberto Lima em Hospital de Ensino tornando-se uma referência de saúde para o aprendizado prático do aluno, integrando ensino e serviço, sendo um ambiente propício às relações multidisciplinares, permitindo uma visão global, integrada e integradora da saúde e de seus atores.

Mesmo com os avanços ocorridos com a municipalização das ações e serviços de saúde, Macapá ainda enfrenta algumas dificuldades para a consolidação do SUS, entre os quais a demanda superior a oferta de serviços e quadro profissional limitado quali-quantitativamente. A proposta de criação do curso de Medicina na UNIFAP, e dos demais cursos da área da saúde, é um desafio para suprir esta carência na cidade e na região, visando consolidar um sistema de saúde com base nos princípios do SUS e o valor da saúde pública como direito de cidadania.

O mercado de trabalho para o curso de Medicina é bastante amplo, devido à real necessidade desses profissionais em todas as instituições de saúde, no estado e região que, distantes dos grandes centros, carecem de programas crescentes da interiorização de profissionais de saúde.




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