Divórcio: Sintoma ou Causa?



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Encontro18.09.2019
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DIVÓRCIO; SINTOMA OU CAUSA ?

Não é muito fácil falar sobre o divórcio, pois trago em mim as marcas da separação. Não somente como con­selheiro e Pastor, mas como filho de um lar que se desmoronou.

Posso lembrar de cada detalhe do que aconteceu com meus pais e tam­bém com cada um dos membros de nossa família. Sinto, com as pessoas que estão vivendo as crises da família, as mesmas emoções do passado. Quantas vezes me vejo recolhendo meus próprios pedaços quando estou comparti­lhando a esperança e a fé com alguém que já a perdeu. Digo o que gostaria que tivessem dito aos meus pais: Não desistam!

Às vezes pensamos que o divórcio é um problema da sociedade moderna e corrompida nos seus valores, mas não é bem assim, este é um problema bem antigo na humanidade. Problema anterior aos tempos de Moisés no Ve­lho Testamento. Vem como um estigma acompanhando a sociedade, fazendo com que alguns acreditem na eminente falência da família, assim como a conhecemos, e no surgimento de um novo modelo social. Não posso concordar com quem pensa deste modo, pois, por mais que o homem tente mudar, encontra-se dentro dele a ne­cessidade de fazer e ser parte de uma família.

Se este é um problema tão antigo, como podemos entendê-lo ou ana­lisá-lo ? Jesus mesmo pode nos ajudar a compreendê-lo: "Então por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio e repudiá-la? Disse-lhes ele: Pela dureza de vossos corações Moisés vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas não foi assim desde o princí­pio." Mt 19.8

O que Jesus nos ensina é que o divórcio é o sintoma de uma doença chamada dureza de coração . Ela se manifesta de muitas maneiras diferen­tes. E normalmente, em ambas as partes, na forma de ressentimentos que não são perdoados e restaurados; na tirania das palavras; nas agressões; na falta de sensibilidade às necessidades do outro.

A dureza de coração é como um pequenino vírus que se aloja na inti­midade do relacionamento conjugal. A primeira vista ninguém o vê ou é ca­paz de percebê-lo. Mas ele vai aos poucos minando a comunicação do ca­sal, o sentimento de respeito, o prazer de estar um com o outro. E, de repente, eclode em uma sensação de que seria melhor separar-se do que con­tinuar sofrendo a presença e o desamor pelo outro.

Neste processo crescente de enfermidade conjugal, surgem os microorganismos oportunistas que criam maior dano. Estes, às vezes, são os próprios familiares que, ao invés de buscarem restauração, partem para a defesa de uma das partes e até a incentivar a separação. Outras vezes são pes­soas que, aproveitando-se da carência afetiva e das mágoas, insinuam-se com o ombro amigo e consolador da aventura extraconjugal.

Mas há cura para esta doença! O Senhor Jesus, falando à Igreja de Éfeso no Apo­calipse, utiliza justamente a figura do divórcio para mostrar o que acontece com o crente ou a Igreja que se esfria espiritualmente, mostrando, também , como esta doença pode ser curada. "Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te ar­rependeres."(Ap 2.4-5)

O primeiro passo na receita do Senhor para esta cura é "Lembrar onde vocês caíram". Em algum momento da vida conjugal algo começou a mu­dar. Nas palavras, nas atitudes, nos costumes e, quem sabe, até nos olha­res.

É preciso que o casal pare um pouco e tente lembrar o que mudou. Quando olham para o passado e para si mesmos, descobrem que a mudança principal ocorreu em pequeninas coisas que pareciam ser de menor impor­tância diante das grandes decisðes e problemas da vida. Na verdade foram estas pequeninas coisas que tinham atraído um para o outro e os le­vado até o casamento.

Pequenas coisas como o tempo para namorar, o elogio à beleza ou ao afeto, o ouvido amigo, a prioridade que um dava ao outro, o respeito e a valorização dos sentimentos um do outro.

Às vezes esta dureza de coração não é encontrada em todas as áreas do casamento, no entanto, basta apenas uma área sensível e infectada por este ví­rus para que alguém se sinta doente.

Lembro-me de uma senhora que atendi, seus filhos crescidos, marido aposentado e a família necessitando suplementar a renda proveniente da aposentadoria. Então ela descobre um novo dom; sabe comerciar e torna-se vendedora autônoma de roupas. Apesar disso ter sido tão empol­gante, tornou-se um peso continuar suportando a tirania finan­ceira de seu esposo que, durante toda a sua vida conjugal, nunca havia dito quanto ganhava e agora não permitia que ad­ministrasse os recursos financeiros das suas vendas. Nas outras áreas ele tinha consideração, mas a dureza de coração es­tava presente na área finan­ceira.

Não sei qual é a área da sua dureza de coração, talvez para você seja até mais fácil apontar a área da dureza de coração do seu côn­juge, mas agora, enquanto você lê esta revista pense: em que áreas o seu coração tem estado endurecido ? Como isto afeta o seu cônjuge? E tome a atitude que Jesus orientou: Dê meia volta, faça uma conversão de 180 graus e pratique aquelas primeiras coisas que representavam o amor, o roman­tismo e que os levaram ao casamento.

Nesta hora talvez você esteja pensando: e o meu marido ou e a minha esposa quando é que vai mudar também ?

Uma das coisas mais preciosas que tenho aprendido é que quando nós mudamos fazemos com que o nosso ambiente mude e quando o nosso ambiente muda as pessoas precisam se readaptar a mudança. Algumas vezes testam-nos para ver se isso ocorreu de fato, mas depois são incomodadas pela nossa mudança e reagem à ela.

Mas você pode estar pensando: "você não conhece a minha história, não pode imaginar o quanto fui magoado, não sei se consigo vol­tar atrás no tempo e redescobrir alguma coisa daquilo que era tão belo e pre­cioso para nós. Não sei se quero me dar ou me tornar vulne­rável de novo." E eu terei de concordar com você; talvez você não possa mesmo. Mas eu gostaria de lembrar-lhe algumas promessas da pa­lavra de Deus : "Ele me disse: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fra­queza... Porque quando estou fraco então é que sou forte."(2Co 12.9-10) "Não por força nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos"(Zc 4.6)

As vezes, no meio das nossas crises, perdemos a perspectiva do po­der do nosso Senhor. Talvez você não possa, talvez esta seja a sua área vul­nerável, mas o Senhor está lhe prometendo que é justamente em meio à sua fraqueza que ele quer ajudá-lo, não apenas com os psicologismos huma­nos e limitados, mas com o seu Espírito Santo.

Tanto você como o seu cônjuge precisam ser restaurados. Neste ins­tante é você quem está sensível a esta realidade, então deixe o Senhor, mediante o seu Espírito Santo, prover a força de que você precisa pois : "Para Deus nada será impossível"Lc 1.37



Eu não sei se você já assistiu um restaurador de obras de arte tra­balhar. É algo lindo! A peça de arte parece irrecuperável, digna da lata do lixo, então ele inicia o seu lento e minucioso trabalho e, quando está terminado a arte volta a ser bela novamente.

O seu casamento é a obra de arte que Jesus quer restaurar. A sua vida precisa ser restaurada primeiro. Pode, a princípio parecer dolorido e impossível, mas deixe o Mestre fazer o seu milagre. Siga as suas or­dens. Ele quer tratar tanto os sintomas como as causas da sua dor. Não desista, pois ele nunca vai desistir de você.




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