DisfunçÃo temporomandibular: uma abordagem fisioterapeutica



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DISFUNÇÃO TEMPOROMANDIBULAR: UMA ABORDAGEM FISIOTERAPEUTICA
Adriele Fernanda Barbera Bassi - adrielebassi@hotmail.com

Regiane Sayuri Morimoto - regiane_sayuri@hotmail.com

Ana Cláudia de Souza Costa - anaclaudia@unisalesiano.edu.br

RESUMO
A disfunção temporomandibular (DTM) é uma síndrome que acomete as estruturas do sistema craniocervicomandibular, caracterizada por uma série de sinais e sintomas. De origem multifatorial, ela pode ocorrer na população em geral, porém tem predomínio no gênero feminino. A fisioterapia com seus diversos recursos atua como uma opção eficaz no tratamento de indivíduos portadores deste tipo de disfunção. O objetivo do presente estudo foi o de revisar a literatura e assim ampliar os conhecimentos de acadêmicos e profissionais sobre a disfunção temporomandibular e a atuação da fisioterapia.
Palavras-chave: Articulação Temporomandibular (ATM). Disfunção temporomandibular (DTM). Fisioterapia.

INTRODUÇÃO
A articulação temporomandibular (ATM) é do tipo sinovial, biaxial, capaz de realizar movimentos como elevação, depressão, protrusão e retração da mandíbula, além de movimentos de lateralidade. (Rizzolo,Madeira, 2004; Salvador, Ribeiro, Previlatto,2006 ).

Considerada um dos elementos do sistema estomatognático a ATM constitui um elo entre a mandíbula um osso impar (na qual se implantam os dentes inferiores) e o osso temporal que é par e constitui a caixa craniana. A postura, a mastigação, a fonação, deglutição e a respiração dependem do correto funcionamento da ATM juntamente com os diversos componentes do sistema estomatognático.(Rizzolo, Madeira, 2004; Anequini, Cremonez, 2009)

Quando existe alguma alteração na ATM, acontece o que chamamos de disfunção temporomandibular (DTM). Denominada também de desordem craniomandibular (DCM) é uma síndrome que envolve a região craniocervical, musculatura mastigatória e as ATM’s

Apesar de desconhecida a etiologia da DTM, as conexões nervosas existentes entre a região cervical, crânio e a mandíbula sugere-se que alterações posturais estejam relacionadas com sua gênese e perpetuação. (Barcelos, 2008; Souza, 2010).

A DTM é classificada como um conjunto de distúrbios, de origem multifatorial que leva a diversos sinais e sintomas. Considerada de difícil diagnostico, pois possui uma natureza heterogênea de sintomas, a etiologia da DTM pode estar relacionada a fatores psicológicos, alterações posturais, hiperatividade muscular, interferência oclusais, lesões traumáticas e/ou degenerativas da ATM ou a combinação entre os diversos fatores. (Anequini, Cremonez, 2009 ; Salvador, Previlatto, 2006 ; Oliveira et. al ,2003; Pereira et. al., 2005)

A intensidade dos sinais e sintomas pode variar de um individuo para o outro. Para Souza (2010) a prevalência ocorre principalmente em mulheres de 20 a 45 anos. Já Pereira et al (2005) observaram predomínio no gênero feminino na faixa etária de 21 a 40 anos. Para Cauas et al (2004) 21 a 30 anos foi a idade de maior ocorrência no gênero feminino.

Podem ocorrer estalos ou crepitações ao abrir e fechar a boca, mioespasmos e dor na musculatura mastigatória e região cervical, otalgia, zumbido, vertigem, dor facial ou cefaléias, luxações (nos casos mais graves) limitação, dificuldade e incoordenação dos movimentos mandibulares e sensibilidade a palpação. (Tosato, 2007; Granja, Lima e Machado, 2005; Souza, 2010; Carrara, Conti, Barbosa, 2010; Barcelos, 2008).

A fisioterapia é uma alternativa de tratamento para reabilitação dos indivíduos com DTM. As repercussões e os benefícios de seus recursos e procedimentos podem minimizar ou debelar os sinais e sintomas dos pacientes acometidos por essa patologia e assim contribuir para melhora da qualidade de vida. Com o objetivo de reestabelecer a função normal da ATM e estruturas associadas, modalidade terapêuticas como a acupuntura, cinesioterapia, eletroterapia e termoterapia, massoterapia podem promover analgesia e relaxamento da musculatura, coordenação muscular, recuperar a amplitude de movimento além de correção de posturas viciosas.



1 METODOLOGIA
A realização deste estudo teve como bases de pesquisa: livros, artigos científicos e trabalhos de conclusão de curso.

2 RESULTADO E DISCUSSÃO
Segundo Bove, Guimarães e Smith (2005) a disfunção temporomandibular é uma especialidade da odontologia que atualmente está sendo considerada como multidisciplinar, devido às características apresentadas pelos pacientes que procuram tratamento.

A DTM é caracterizada pela presença de sinais e sintomas que podem surgir concomitantes como: ruídos articulares, redução da amplitude ou alteração dos movimentos mandibulares, limitações funcionais, dores na musculatura mastigatória, na região pré-auricular e/ou na própria articulação. Além destes sintomas acima, a queixa de dificuldades ou desconforto durante a fala é verificada e relatada por indivíduos com DTM. (TAUCCI, BIANCHINI, 2007)

José Junior et al afirmam que a dor será capaz de determinar mecanismos de proteção que interferem nos padrões fisiológicos de estruturas próximas, como no caso do ouvido e da ATM. Movimentos fisiológicos da mandíbula, que promovem a deglutição, mastigação e sucção são modificados pelo sistema nervoso central, no intuito de minimizar o dano progressivo nos tecidos articulares, que pode determinar a degeneração da articulação e, de maneira mais irreversível, sua anquilose.

Os avanços científicos nessa área de conhecimento exigem dos profissionais constante atualização. Terapias inadequadas podem gerar iatrogenias, permitir que a dor se torna crônica, além de induzir o paciente a acreditar, equivocadamente, que sua patologia deveria ser tratada por profissional de outra especialidade. O objetivo do tratamento da DTM é controlar a dor, recuperar a função do aparelho mastigatório, reeducar o paciente e amenizar cargas adversas que perpetuam o problema.(CARRARA, CONTI, BARBOSA, 2010).



A fisioterapia tornou-se parte integral da abordagem interdisciplinar advogada no tratamento da dor e da disfunção associadas com a desordem temporomandibular e outras condições de dor orofacial, (FRICTION et al., 2003).

De acordo com Mourão e Mesquita (2006) a fisioterapia atua no tratamento reversível, tentando devolver a função da articulação comprometida. Para isso, necessita de uma avaliação precisa, englobando o indivíduo como todo, mas focalizando-o para os sinais e sintomas apresentados na DTM. Exercícios de relaxamento ou de adaptação para a função muscular têm se mostrados efetivos na redução de distúrbios funcionais dos músculos e para distender os músculos abdutores.



Segundo ALVES et al. (2003), a fisioterapia tem como objetivo evitar a cirurgia, reposicionar a mandíbula ao crânio para melhorar a função, minimizar a dor muscular, melhorar a ADM, melhora da postura, reeducação do paciente em relação ao posicionamento correto da mandíbula, redução da inflamação, redução da carga na articulação temporomandibular e fortalecer o sistema músculo-esquelético.

Para o inicio desse tratamento, a utilização de procedimentos fisioterapêuticos são essenciais. Pode-se trabalhar nessa musculatura com manobras de relaxamento e reeducação postural que promoverão grande melhora na sintomatologia, principalmente nas crises dolorosas, (BARROS & RODE, 1995).

A primeira medida fisioterapêutica consiste na educação do paciente a respeito da natureza do seu problema e da maneira para reduzir os sintomas, diminuindo a intensidade da atividade dos seus músculos mastigatórios. Após a utilização de determinados recursos fisioterapêuticos para reduzir ou eliminar a dor são ensinados ao paciente os exercícios para o relaxamento que deverão ser supervisionados pelo fisioterapeuta e que deverão ser realizados periodicamente, (ALVES et al., 2003).

CONCLUSÃO
Neste estudo analisamos a importância da fisioterapia no tratamento da DTM. Para isso foi preciso conhecer um pouco mais sobre esta articulação, suas possíveis disfunções, sintomatologia e etiologia, que por ser multifatorial, faz-se necessária uma intervenção interdisciplinar, tornando o tratamento mais completo e com melhores resultados.

REFERÊNCIAS
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Universitári@ - Revista Científica do Unisalesiano – Lins – SP, ano 2, n.5, Edição Especial, outubro 2011







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