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) Oitiva do Sr. WASHINGTON VIEIRA DA SILVA



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2) Oitiva do Sr. WASHINGTON VIEIRA DA SILVA, Tenente-Coronel Reformado, que declarou:

Que, “(...) os problemas da Aeronáutica na região amazônica são, para quem não conhece a região amazônica, grandes e muitos, devido à fronteira ser muito grande, à falta de aeronaves adequadas para o controle do narcotráfico, à falta de policiamento mais ostensivo. Mas a Aeronáutica tenta, e tentou enquanto estive lá, sempre “brifar” todos os que operam naquela região. Um briefing detalhado, que nós temos o apoio da Polícia Federal, com o intuito de diminuir o envolvimento de qualquer militar naquela região. Então é um esforço muito grande com o intuito de “brifar”, de orientar o seu pessoal. Mas a falta de equipamentos é do conhecimento de todos (...)”.

Que, o Cel. Paulo Sérgio foi para a Amazônia em janeiro de 1991.Tinha pouco contato com ele. Em 1996, quando ele retornou para o Rio, voltei a encontrá-lo.

Que, trabalharam juntos no 5º COMAR, no mesmo setor, na mesma Organização.

Que, não tem uma explicação lógica para saber como o Cel. Pereira, como ele fez o embarque das malas através de quem, nem porquê.

Que, ele não tem nada a ver com as malas de cocaína.

Que, o Cel. Pereira só falou que as malas eram suas três dias após o primeiro depoimento dele.

Que, teve uma reunião antes do primeiro depoimento do Cel. Pereira com os elementos da Aeronáutica que durou quatro horas.

Que “(...) não acredito que a iniciativa partiu dos elementos da Aeronáutica que estavam com ele. Mas ele, para se eximir de qualquer culpa, que ele passaria a responsabilidade para mim, já que devem ter contado uma história para ele que eu era quem estava sendo investigado (...)”.

Que, D’Artagnam é um amigo seu, mas não tem nada a ver com isso. Saía todos os dias com ele.

Que, depois que soube da notícia do avião, na hora estava com o Major Greff, no trailer, permaneceu mais vinte minutos e foram embora. Já dentro do carro, pediu ao Major para que ele fizesse uma ligação para um amigo seu de nome D’Artagnam.

Que, o garimpo começou a operar em 1987. Quem tomava conta era o seu irmão. Somente em 1988, foi transferido para Manaus.

Que, o ouro retirado do garimpo era vendido para a Caixa Econômica Federal de Boa Vista.

Que, não sabe se declarou todo o ouro negociado em 1988.

Que, os seus superiores nunca souberam que ele tinha uma balsa no garimpo.

Que, o Sr. Roberto Zau, o Sr. “Gina”, o Sr. Paulo Sérgio, o irmão dele e o Sr. Greff, se conheceram desde 1998.

Que, o seu advogado teve acesso aos autos do Inquérito Policial Militar.

Que, acredita que só o Sr. Roberto Zau e o “Gina” falaram com o Sr. John Michael White.

Que, não conhece a Sra. Lila Ibanez.

Que, no dia em que o “Gina” se encontrou com o Cel. Paulo Sérgio, no trailer, eles não se falaram pelo telefone.

Que, o irmão que trabalhava com ele no garimpo era viciado em drogas.

Que, nunca despachou nada para ninguém e também nunca pediu a ninguém para despachar algo para si.

Que, quem conheceu primeiro o Sr. Roberto Zau e o “Gina” foi ele.

Que, não sabia que o Roberto Zau, o “Gina” e o Cel. Pereira se conheciam.

Que, conheceu o Cel. Paulo César na academia. Ele entrou em 1974 e o Cel. Paulo César em 1973.

Que, depois, nunca mais se viram. Somente em 1991, em Manaus.

Analisando as oitivas, da primeira colheu-se que quando a carga entra no Quartel, existe um processo de recolhimento, de registro da carga, que passa pelos depósitos que existem espalhados no Brasil. As cargas menores são colocadas nos postos do Correio Aéreo Nacional, feito através de um manifesto de carga, que depois recebe um número destinatário, enquanto as cargas maiores, que vão para o exterior, para uma aeronave transportar são feitos através da Diretoria de Material da Aeronáutica.

A droga chegou ao avião da FAB, segundo ele, pelo processo que denominam “favores pessoais”:

(...) tem coisa que a gente pede por amizade que a gente tem, que os pilotos têm, que todos têm na FAB. É pedido para ser transportado. Uma coisa pequena e, por delicadeza do piloto, ele conhecendo a pessoa, tendo amizade, a gente transporta (...)”

O primeiro depoente disse também que por duas vezes pediu para os pilotos transportar encomendas para seu irmão em Las Palmas (Espanha) e que o Ten. Cel. Washington há muito tempo pedia para que ele mandasse uma mala para um amigo dele em Las Palmas (Espanha).

Nesses “favores” se embutia a possibilidade do narcotráfico. Seguindo o depoente:

(...) o Ten. Cel. Washington continuou insistindo. Quando o depoente foi transferido para Manaus, o Ten. Cel. Washington o encontrou e solicitou novamente que enviasse as malas para a Espanha.



Que, diante da insistência, acabou mandando as malas, mesmo sem saber o que existia nelas.

Que, conhece o Ten. Cel. Washington desde 1971 ou 1972.

Que, mandar encomendas pelos aviões da FAB é uma coisa normal.”

Sempre com essa mesma alegação de “normalidade” tentaram se justificar os envolvidos, embora o aprofundar das investigações tenha mostrado claramente que o narcotráfico já estendeu suas garras até dentro das fileiras das forças armadas brasileiras. Por si só isso revela o perigo que nossa sociedade corre: um incidente desses não e´ meramente um ilícito isolado, é a mostra da fragilidade de nossas instituições e do pouco que nosso país tem investido em segurança e defesa de suas fronteiras e dos que as defendem.

A certeza de impunidade dos narcotraficantes é tão grande, sua audácia é tal que não hesitam em usar até o aparato militar de nosso país!

Abaixo descrevemos o funcionamento da organização criminosa responsável pelo Caso FAB, e sua diversas ramificações internacionais. Todos os elencados são INDICIADOS neste inquérito parlamentar.



JONH MICHAEL WHITE- É o chefe da organização criminosa que foi responsável pelo Caso FAB. Mantém contatos com narcotraficantes na Colômbia, Peru, Bolívia, Chile e Espanha. Possuí imóveis no Uruguai, onde mantém um esquema de lavagem de dinheiro. Em 1997 foi indiciado por tráfico de drogas juntamente com NEODIR HEMING, ROSANI MARIA HEMING E SÔNIA HELENA SOARES DE MELLO WHITE, quando da explosão de um laboratório de crack no Rio Grande do Sul. Relaciona-se com os chilenos Carlos Nicolas Silva Rojas, Fernando Rey Marupa, Rene Meijas Soto e Juan Enrique Orelíana Neira, elementos envolvidos com a Camorra Italiana.

Michael White já fora condenado por tráfico de drogas e extraditado do Brasil, entregue à polícia norteamericana. Pouco depois, voltou ao nosso país, a comandar importante “linha” do tráfico internacional (para a Europa....)

O governo norte-americano jamais passou informações acerca dele para o governo brasileiro. Depois de ter sido preso mais uma vez, a Embaixada dos E.U.A. , consultada, informou que nada constava sobre esse cidadão norte-americano.

Passados nove anos, permanecem verdadeiras as afirmativas contidas no Relatório Final da C.P.I. da Câmara dos Deputados que, em 1991, investigou o narcotráfico.



... Para atingir seu objetivo, os Estados Unidos iniciaram um amplo programa de treinamento das polícias latino-americanas e de algumas de suas forças armadas (de modo a impedir que a droga chegasse aos Estados Unidos), através de um órgão especializado e integrante de seu Departamento de Estado, o DEA (Drugs Enforcement Agency) que, sem poupar recursos, acabou por monopolizar as ações de inteligência e repressão na América Latina. As rotas do tráfico para o mercado consumidor norte-americano foram comprimidas, mas a produção permaneceu intocada – o que levou à natural e previsível criação de mercados alternativos. O desenrolar desse processo atingiu de maneira perversa os países sul-americanos não produtores de droga: apanhados sem qualquer esboço de uma política interna capaz de enfrentar o fenômeno dentro de suas fronteiras, viram aumentar a dependência de seu aparato policial ao assessoramento do DEA ...

... O Brasil, integrado e submetido a esse contexto internacional, limita-se a assistir à degradação de parcela importante de sua juventude.

... Não é admissível que a solidariedade internacional, necessária ao combate ao narcotráfico, reduza a participação da polícia brasileira a não permitir que a droga chegue a Nova York ou Miami – e quase nada faça para evitar que se espalhe pelas cidades brasileiras.”

ADILSON NUNES (GINA) é o responsável, dentro da organização Criminosa, pelos contatos com traficantes fornecedores de cocaína bolivianos e colombianos e pelo envio da droga para a Europa através de aeronaves militares e civis. Relaciona-se com o traficante italiano Dino Lonardi e traficantes nigerianos. Em fevereiro de 1999 foi detido com 80 milhões de pesetas espanholas, que seriam lavados no Uruguai.

WASHINGTON VIEIRA DA SILVA, Tenente Coronel da Aeronáutica da reserva. Responsável pelos embarques de drogas em aeronaves militares da Força Aérea Brasileira. Negociou a compra de um imóvel de propriedade da leiloeira pública ZALFA NASSAR, esposa do traficante JOSÉ GERMANO NETO, preso nos Estados Unidos da América por tráfico de drogas e condenado na França.

PAULO SÉRGIO PEREIRA DE OLIVEIRA, Tenente Coronel Aviador da Aeronáutica, servindo no 7º COMAR-Manaus, chefe do Centro de Operações da Aeronáutica na Região Norte. Ter tido contatos com o traficante de armas preso no Rio de Janeiro de nome LATINO DA SILVA FONTES. Considerado como um dos responsáveis pelo embarque de drogas nos vôos da FAB. Embarcou duas malas com cerca de 30kg cada, para o seu irmão em Las Palmas, através do Ten. Cel. Aviador Celso Andrade Capote, com o conhecimento do Cap. Aviador GILBERTO GUILHERME MATTOS. Segundo o Cap. Aviador SAULO VALADARES DO AMARAL, o Ten. Cel. Paulo Sérgio recebeu quatro volumes enviados pelo Manolo, de Las Palmas. Segundo o Major Antônio Takuo Tani, as duas malas apreendidas com cocaína em Recife, seriam do Ten. Cel. Paulo Sérgio para o seu irmão em Las Palmas. Sua esposa, Silvia Albuquerque de Goes Teles possui uma empresa comercial em sociedade com o professor universitário Paulo César Welerson de Albuquerque, denominada Parking Boat, em São Pedro da Aldeia no Rio de Janeiro.

PAULO CÉSAR WELLERSON DE ALBUQUERQUE - professor universitário, acusado de receptar carros roubados. É ligado ao TEN. CEL. AVIADOR PAULO SÉRGIO PEREIRA DE OLIVEIRA. Os carros encontrados com o professor eram roubados por encomenda. O Tenente Coronel Aviador Paulo Sérgio é fiador de Paulo César - acusado de integrar quadrilha que roubava carros importados - na empresa Parking Boat, de aluguel de carros, que fica em São Pedra da Aldeia, na Região dos Lagos - no Rio de Janeiro.

LUIZ CÉSAR PEREIRA DE OLIVEIRA, irmão do Ten. Cel. PAULO SÉRGIO PEREIRA DE OLIVEIRA, encarregado de receber a droga na Base Aérea de Las Palmas, Espanha, e passar para JOSÉ ROBERTO ZAU. Possuí dois contatos em Portugal de nome José Joaquim Custódio Correia e Carlos Augusto Rosa Leal. Afirma que foi convidado por Roberto Zau para cuidar de um projeto de inauguração de uma casa de shows em Las Palmas, onde receberia passagens para se deslocar do Brasil para a Espanha, 3 mil reais, mais 800 dólares que seriam para ajuda de locomoção.

LUIZ ANTÔNIO DA SILVA GREFF, Major Aviador, chefe do Esquadrão de Suprimento e Manutenção da Base Aérea do Galeão. É de acordo com informações da ABIN, o principal contato do Ten. Cel. Washington para fornecer informações sobre vôos e tripulações militares com destino à Europa. Afirma ter recebido proposta do Ten. Cel. Washington para abrir uma empresa de manutenção de aeronaves.

LILA MIRTHA IBANEZ LOPEZ - Encontra-se constantemente com o grupo de JONH MICHEL WHITE, no Rio de Janeiro, e possivelmente fazia papel de ligação da quadrilha com os fornecedores bolivianos e colombianos. Tem uma irmã -MARIA EULÁLIA LOPEZ – que encontra-se presa na Bolívia por tráfico de drogas.

JUAN MANOLO GONZALEZ ALEMAN (MANOLITO) - motorista de táxi. Principal contato de Luiz César e José Roberto Zau, em Las Palmas - Espanha. Era o responsável por receber e enviar as encomendas endereçadas ao Ten. Cel. PAULO SÉRGIO e seu irmão LUIZ CÉSAR.

ZALFA NASSAR - Esposa do traficante internacional JOSÉ GERMANO NETO - ZECÃO -, preso nos Estados Unidos. Vendeu uma cobertura para o Ten. Cel. Washington. A renda que declarou em 1996 e 1997 é incompatível com a movimentação financeira verificada no período. Em 1998 não apresentou declaração de renda, apesar da expressiva movimentação bancária naquele ano.

JOSÉ ROBERTO MONTEIRO ZAU - Foi o responsável pela aquisição de aparelhos celulares para a Organização Criminosa. Mantém contatos e recebe a droga no exterior.

LUIZ FERNANDO DA COSTA - Trata-se de traficante responsável pelo fornecimento de cocaína ao grupo de Adilson Nunes - GINA - através de Lila Mirtha. Encontra-se foragido em Pedro Juan Caballero, Paraguai. É proprietário da padaria DOIS IRMÃOS, que fica na Beira Mar, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro.

É muito provável que o envio de drogas, utilizando-se de aeronaves da FAB, tenha ocorrido outras vezes. Aconteceram outros vôos da FAB com destino à Europa, que tiveram como escala ou destino a cidade de Las Palmas, na Espanha.

Estes vôos ocorreram em:

1 - 14 de novembro de 1998;

2 - 30 de janeiro de 1999;

3 - 08 de fevereiro de 1999;

4 - 18 de abril de 1999 (vôo onde foram apreendidos os 32,960 kg de cocaína)

A CPI realizou diligências em que visitou a Base Aérea do Galeão para verificar sua condições. Na primeira delas, verificou a Portaria da Base Aérea, a Administração , o Hotel de Trânsito dos Oficiais e a Pista de Pouso e Decolagem.

Também esteve nas dependências da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, onde foi vistoriado o sistema de segurança do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro - Galeão - Tom Jobim e da Base Aérea do Galeão.

Nessas diligências se constataram vários problemas. O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro - Galeão - Tom Jobim, é muito vulnerável às ações de traficantes de drogas e de armas, assim como também, à atuação de ladrões de cargas e de contrabandistas, tanto por falta de pessoal como por falta de recursos.

A falta de segurança permite, até com uma certa facilidade, o desvio de mercadorias que ficam no pátio do Aeroporto e no Terminal de Cargas. Ali também ocorrem as trocas de mercadorias mais caras por mercadorias mais baratas.

Durante a inspeção, a comitiva pôde comprovar um dos golpes que é aplicado nas cargas que ficam no Terminal de Cargas do Aeroporto. O inspetor PEDRO TOFLE, da Receita Federal, estava demonstrando como agem os fiscais, e, ao abrir uma caixa, onde deveria ter equipamentos de telefonia celular, vindos de Miami, e estavam relacionados no documento da carga com o valor estimado em US$ 10.266,00 (dez mil, duzentos e sessenta e seis dólares), o que foi encontrado, foram apenas algumas peças baratas de cerâmica nacional. A Receita, órgão responsável pela apuração do caso, não soube explicar onde ocorreu o desvio dos aparelhos. Provavelmente o desvio ocorreu entre os quatro quilômetros que separam o aeroporto e o Terminal de Cargas.



SEGURANÇA DO AEROPORTO

Hoje, o contingente de Policiais Federais no aeroporto não passa de 88 agentes e 183 homens da Receita Federal, que se revezam em plantões .

Os Deputados estiveram em várias dependências como o Centro de Operações, onde examinaram o sistema de câmeras do aeroporto, as áreas de atuação restrita da Polícia Federal e da Receita Federal, as instalações das esteiras de bagagens, neste local existem denúncias de desvio de bagagens.

A comitiva destacou que o manguezal, que fica próximo ao aeroporto, é um local que propicia ações de traficantes e outros tipos de criminosos.

A INFRAERO consegue ao menos manter o isolamento dos 14 quilômetros do que compreendem o aeroporto que é feito com cercas.

BASE AÉREA

Durante a visita da CPI, se verificou que não existe praticamente controle de entrada de civis. Para entrar na Base Aérea, basta o civil alegar ter um conhecido militar. SE pode constatar também, in loco, que os civis também utilizam aviões da FAB para viajar.

Pela alegada relação de amizade entre civis e militares, quando os civis se utilizam dos aviões da FAB para viagem, não é feito nenhum tipo de fiscalização em suas bagagens. O que possibilita, assim, e com certa facilidade, o transporte de drogas nas aeronaves da Força Aérea Brasileira.

PROBLEMAS IDENTIFICADOS NO AEROPORTO DO GALEÃO

A CPI pode identificar que um dos maiores problemas no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro é que na fiscalização realizada nas bagagens dos passageiros, ela é feita por amostragem, por só existir um aparelho de Raio-x no aeroporto.



ACESSO À BASE AÉREA DO GALEÃO

A comitiva da CPI refez o trajeto que o ex-policial civil Adilson Nunes - GINA - percorreu na Base Aérea para entregar as duas malas de cocaína ao Ten. Cel. Aviador Paulo Sérgio Pereira de Oliveira, que foi preso no Recife. Os deputados descobriram que para ”Gina" entrar na Base Aérea só foi preciso se identificar como sendo amigo do Tenente Coronel Paulo Sérgio.

Um outro problema identificado pela comitiva é o fato de que muitas empresas de aviação trabalham como prestadoras de serviços em área de segurança. Funcionários terceirizados têm acesso às áreas de desembarque do Aeroporto.

Ficou claro aos deputados da CPI o poder de corrupção do narcotráfico no Brasil.

ACRE

De 30 de agosto de 1999 a 02 de setembro de 1999 a CPI realizou seu primeiro deslocamento ao Acre.

Na chegada ao Estado os membros da CPI foram recebidos no aeroporto pela Sra. Secretária de Estado Dra. Maria de Salete Costa Maia, pelo Sr. Comandante da Polícia Militar Coronel Gilvan de Oliveira Vasconcelos, pelo Sr. Superintendente da Polícia Federal Delegado Glorivan, pelo Deputado Federal Hildefonso Cordeiro e pelo Procurador da República Dr. Luiz Francisco Fernandes de Souza, além de uma grande equipe de policiais. A Comitiva se dirigiu diretamente, por volta das 22:00h, à sede do governo do Acre para reunião com o Sr. Governador Jorge Viana. Lá aguardavam, além do Sr. Governador, o Diretor da Polícia Civil do Acre Dr. Félix Alberto, o Sr. Procurador da República Dr. Cláudio Cristani que reveza com o Dr. Quiazenski, a cada trinta dias, a chefia da Procuradoria no Estado; e os senhores Deputados Estaduais Naluh Gouveia e Sérgio Petecão - Presidente da Assembléia Legislativa.

O Governador, assim como sua equipe de segurança pública, deixou clara suas preocupações sobre a necessidade de desmonte de grupos clandestinos que agem no crime organizado. Manifestou sua gratidão pela visita da CPI, e principalmente por, a partir das provas conseguidas, ensejar a reabertura de diversos inquéritos.

Acrescentou a necessidade de auxilio da Polícia Federal, em virtude do Estado não ter efetivo suficiente, para o combate do crime organizado, principalmente nos 2300 km de fronteira e apresentou as transformações ocorridas a partir de 1° de Janeiro, especialmente da Colônia Penal.

Destacam-se, a seguir, depoimentos colhidos:



1) Dra. MARIA SALETE COSTA MAIA ‑ Secretária de Segurança Pública do Estado do Acre, DECLAROU de forma resumida:

Que, tem conhecimento, que durante anos uma família acreana dominou uma facção considerável da PM e que esse domínio sempre levado para o mal, para a criminalidade.

Que, tem conhecimento de ramificações desse período dentro da Polícia Civil.

Que, a Polícia Civil é extremamente desqualificada e que dos t36 integrantes da força policial civil, tem registro de que apenas 17 ingressaram por concurso público.

Que, a grande maioria não tem 1° grau e entraram por indicação política.

Que, descreveu o quadro caótico que encontrou com relação a estrutura da Polícia Civil do Estado.

Que, deseja que a população se conscientize que também é responsável e que pode contribuir, denunciando, para acabar com o estado de medo em que vive a sociedade.

Que, o narcotráfico está inserido no contexto do crime organizado que instalou‑se no Acre.

Que o Acre, é rota de entrada de droga.

Que a família que dominou as Polícias e conseqüentemente a deteriorou, é a família de HILDEBRANDO PASCOAL.

Que, em um dossiê organizado pelo Centro de Defesa dos Direitos Humanos, foram relatados fatos desde a década de 80, sobre crimes misteriosos acontecidos no Estado e que o nome do HILDEBRANDO PASCOAL já estava sendo citado com muita freqüência. Que, o mito sobre a família do HILDEBRANDO PASCOAL foi fortalecido quando na década de 80, eles mataram um capitão do Exército médico, e que foram absolvidos. Que esse mito de que enfrentavam o Exército, matando um capitão, gerou no povo, a concepção de que tinham poder.

Que, na época da eleição, pelo menos isso é voz corrente, se chegava na casa do policial, relacionava, pegava os títulos, via quantas pessoas eram eleitoras, anotava‑se o número do título de eleitor, a seção em que votava e dizia: " Se nessa seção não tiver tantos votos, vão ver". E é isso que corre no Estado a boca pequena.

Que, dentro da PM as pessoas tinham medo da família do HILDEBRANDO PASCOAL.

Que, houve um outro fato impune que gerou toda a audácia da família, quando o então Major HILDEBRANDO PASCOAL, se envolveu num tiroteio no meio da rua com um Policial Civil, chegando inclusive a correr atrás da pessoa baleada, que pegou um ônibus, e mandando o ônibus parar para que ele entrasse e acabasse de matar. E que nada aconteceu, até o inquérito foi arquivado.

Que, quando da morte de Itamar Pascoal, cadáveres apareceram mutilados no meio da rua, com crianças e mulheres sendo seqüestradas e autoridades atrontadas.

Que, é voz corrente que o Deputado e seu primo AURELLANO PASCOAL, chegaram a adentrar um recinto onde se realizava uma reunião, salvo engano, no Tribunal de Justiça, com a presença do Presidente , do Vice‑Presidente, alguns Promotores , e diziam que matavam não somente os seus desafetos, mas também todos aqueles que se interpusessem nos seus caminhos.

Que, os diversos inquéritos arquivados no Ministério Público, sem solução, também contribuíram para que a população tenha medo.

Que, o Judiciário vivia amedrontado. Que, o Ministério Público parcela dele é dominado e a Assembléia Legislativo não tinha coragem em absoluto de manifestar‑se. Que, eram poucas vozes que procuravam D. Moacir, muitas vezes na calada da noite, marcando encontros que não na casa dele ou nas suas casas, mas nos lugares mais distintos, para poder fazer um relato desses fatos.

Que, essa série de fatos levou a esse estado de medo, de insegurança que o povo vive hoje.

Que, não teve conhecimento da festa que houve dia 3 de outubro para comemorar a eleição do Deputado.

Que, a Colônia Penal do Estado era chamada de Colônia de férias, quando era administrada pela PM. Que, segundo informações que tem, que além do tráfico de influência, era amplamente divulgado o tráfico de drogas e até de prostituição infantil. Que as pessoas saíam. Até se tem notícia também que pagavam alguns policiais para sair. Que, é voz corrente, os jornais noticiam que, naquela época também, inúmeros presos saíam de lá para cometer crimes na calada da noite e voltavam servindo o fato de estar preso de álibi em sua defesa. Mas que hoje a situação está normal.

Que, instada sobre o COE, disse que foi criado na Gestão do CORONEL AURELIANO PASCOAL com uma concepção errônea. Que esse grupo, naquela época, se notabilizou pelo terror que impunha à sociedade, pelo arbítrio, pela violência com que se conduzia. Mas que hoje a situação está normalizada. : Que, tinha notícia que naquela época o grupo usava capuzes.

Que, da família PASCOAL, ligado diretamente ao crime se ouve de forma mais direta o nome de HILDEBRANDO PASCOAL, mas aqui e acolá se faz referência também a seus irmãos. E o caso evidente era o do ITAMAR, que era seu irmão, que matou o Capitão. Depois teve esse problema que a imprensa toda noticiou, que as pessoas comentam, que existia facilitação na libertação de presos, e que foi numa libertação irregular de preso que se deu a morte do ITAMAR PASCOAL. "Que tem também o SETTE e o PEDRO".

Que o PEDRO é citado na investigação que foi feita pela subcomissão como tendo sido um dos homens que participou do seqüestro de famílias e que teria ele próprio assassinado o filho do "BAIANO".

Que essas notícias constam de depoimentos, de afirmações de testemunhas no relatório da Subcomissão.

Que, tem conhecimento que o SETTE também já se envolveu num crime e que foi condenado em Marília/SP, porque esfaqueou uma moça que morava com ele, o pai da moça ou o seu namorado Que, foi condenado há 6 anos e foi cumprir a pena no Acre.

Que, mais recentemente, há um receio e informações também, que a própria família teria deliberado e segundo informações, isso é dito para quem quiser ouvir, até mesmo pelo Deputado COSMOTY PASCOAL na Assembléia, que a família tomou uma decisão, que em havendo a cassação do HILDEB8ANDO PASCOAL, que reagirão e que já se organizam.

Que, sabe que o HILDEBRANDO PASCOAL cometeu crimes. Que toda a população do Acre sabe de seu envolvimento com o "esquadrão da morte".

Que, sabe do domínio da família e da inquietação da população com uma possível retaliação dependendo do resultado da CPI. Que isso se comenta a boca pequena.

Que, tem esperança de desarquivar os crimes de autoria desconhecida com os fatos novos apresentados pela CPI.

Que, o caso do tiroteio do HILDEBRANDO PASCOAL com o policial civil SEAB JASUB foi arquivado pelo Ministério Público, porque o Promotor de Justiça à época disse que era briga de gangue e o juiz arquivou sem nenhum questionamento.

Que, diz que nos depoimentos dados à subcomissão de Direitos Humanos há crimes que tem relação com a polícia, e que dão conta de inúmeros fatos criminosos atribuídos a esse grupo. E que pode citar, da PM, como participando desse grupo tão evidenciado e tão noticiado nos últimos tempos, o "SARGENTO ALEX”, "SARGENTO EURICO", o "SARGENTO HÉLIO DA SILVA" (inclusive foi preso em SP no episódio do seqüestro da mulher do Hugo) e outros PMs também.

Que, na Polícia Civil tem vários nomes e um também muito noticiado nos últimos tempos, que é o DELEGADO BAYMA. E outros agentes policiais como "ZÉ BRANCO" e "ZÉ ELOI". E tem vários nomes indicados suspeitos a partir das investigações realizadas pela Subcomissão e pela CPI do Narcotráfico.

Que, os assassinatos das pessoas que morreram mutiladas, crivadas de balas, jogadas nos igarapés, com a cabeça decepada, segundo foi apurado, tinham ligação com o narcotráfico.

Que, muitas dessas mortes nem eram investigadas ou então se faziam "de conta" que investigavam. Que havia uma cumplicidade dos governos, a grande maioria deles, em acobertar, porque mantinham nas direções das polícias, pessoas que não tinham esse compromisso com a sociedade. Tinham um compromisso com o grupo que dominava, que detinha o poder no momento e que muitas vezes eram ligadas a criminalidade.

Que, o "SARGENTO ALEX”, segundo informações, além dos crimes contra pessoa, tem ligação direta com o narcotráfico. Que ele domina uma certa região da cidade aonde contém várias bocas de fumo.

Que, instada sobre se já ouviu que o HILDEBRANDO PASCOAL ou sua família estivesse envolvida em narcotráfico disse que outras pessoas de sua família não. Elas estão surgindo agora.

Que, não se falava no Acre que ele tinha envolvimento com o tráfico de drogas, mas que tinha conhecimento da ligação dele com criminosos.

Que, sempre se inquietou. Ainda em 97, viu um inquérito instaurado pela Polícia Federal quando prendeu em flagrante um cidadão portando uma quantidade considerável de drogas e armas, armas pesadas, inclusive pistolas automáticas.

Que, com esse cidadão foi apreendido em bilhete do HILDEBRANDO PASCOAL que lhe dava uma espécie de "salvo conduto" para que ele passasse livremente pela polícia. Que fatos dessa natureza eram freqüentes. Que dava esses bilhetes para muitas pessoas, não só para bandidos.

Que, não sabe de uma sociedade voltada para o narcotráfico entre o ex‑governador ORLEIR CAMELLI e o HILDEBRANDO mas que, existia uma aproximação entre eles.

Que, se comenta no Acre que o HILDEBRANDO tinha relações de até pagar voto com droga. Que chegava e oferecia dinheiro. E que dizia depois que quem viesse cobrar ele não pagava e até matava. Que não tem conhecimento formal, mas que todo mundo comenta e que a CPI deixou evidenciado.

Que, constam do processo, de apuração da Subcomissão de Direitos Humanos, que as passagens para o Sargento que teria ido para São Paulo acompanhando a mulher do HUGO naquele seqüestro, foram pagas pelo Gabinete Civil. Que no processo constam os bilhetes de passagens e a confissão do próprio "SARGENTO COROINHA".

Que, a família PASCOAL adquiriu muito poder em razão da impunidade. Que não pode deixar de conhecer que é formada por pessoas trabalhadoras, que vivem trabalhando sim, mas que tem uma veia violenta voltada para o crime.

Que, o Acre viveu um situação de desgoverno últimos anos, mas que está mudando.

Que, saiu nos noticiários locais e nacionais a publicação da transcrição da escuta telefônica na qual o Deputado diz que, com GERCINO, só tinha um jeito: matá-lo no meio da rua.

Que, a mídia no Acre era totalmente comprometida não somente com o grupo mas com todo crime organizado. Com o governo "baixando a cabeça". Que a sociedade como um todo também. Muita gente tinha vontade de falar, mas tinha medo, aliás, tem medo, aliás, tem medo.

Que, muitas fortunas em Cruzeiro do Sul são incompatível com a estória de seus detentores.

Que, não tem conhecimento que o Deputado foi o primei a serrar o "BAIANO".

Que, o policial que trocou tiros com o HILDEBRANDO PASCOAL, foi levado para o hospital e teve de ser mantido sob forte vigilância, porque naquela época também era costume grupo encapuzados invadirem hospitais.

Que, narra o fuzilamento de um cidadão conhecido por "PIABA", que matou um policial e foi baleado dentro da delegacia depois de preso e levado para o pronto socorro. Quando estava sendo operado, um grupo de encapuzados, que todo mundo sabe, que inclusive identificaram os coturnos que eram da PM, invadiram o hospital e metralharam o homem lá dentro.

Que, invadir delegacias e matar pessoas, tirar das mãos de oficiais de justiça e da polícia, quando conduzidos os presos para serem ouvidos no fórum ou durante sua condução. Aconteceu várias vezes.

Que, a imprensa do Estado é comprometida, porque as empresas de comunicação estão sempre vinculadas a um grupo político. Que as pessoas que trabalham na imprensa são em sua maioria desqualificadas não tendo curso superior. Que fazem o jogo político do dono da empresa de comunicação e transmitem a mensagem que ele quer passar para a população porque querem manter seu emprego.

Que, dos 477 detentos no presídio Rio Branco, 137 são condenados por tráfico de drogas. Que praticamente 30% são delitos da chamada drogas ilícitas.

Que, esclarece que a grande maioria da força policial é formada por pessoas de bem e que parte é comprometida.

Que, não tem nada a dizer contra a Dra. VANDA, cunhada do Deputado.

Que, já ouviu falar que a Sra. SAMIA HADDOCK LOBO teria ligações com narcotraficantes mas não tem conhecimento formal dessa situação.




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