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PESSOAS OUVIDAS NAS DILIGÊNCIAS REALIZADAS POR DEPUTADOS EM OUTROS ESTADOS: 120



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PESSOAS OUVIDAS NAS DILIGÊNCIAS REALIZADAS POR DEPUTADOS EM OUTROS ESTADOS: 120


VIi – dos TRABALHOS INVESTIGATÓRIOS

CASO FORÇA AÉREA BRASILEIRA – FAB

A primeira investigação da CPI versou sobre o envolvimento de alguns oficiais da Força Aérea Brasileira com traficantes internacionais de drogas, no Estado do Rio de Janeiro, tudo propiciado por denunciadas falhas no sistema de segurança nas dependências do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Tom Jobim, antigo Galeão.

Trataremos da apreensão de 32,960 kg de cocaína encontrados dentro da aeronave C-130 Hércules da Força Aérea Brasileira, que tinha saído da Base Aérea do Galeão no dia 18 de abril e tinha como destino a cidade de Las Palmas, nas Ilhas Canárias, Espanha. A aeronave faria escala em Anápolis/GO e em Recife/PE.

A CPI ouviu várias pessoas que, de alguma maneira, tiveram os seus nomes envolvidos no caso dos 32,960kg de cocaína encontrados a bordo do avião C-130 da Força Aérea Brasileira.

As pessoas ouvidas pela CPI do Narcotráfico foram:

Ten. Cel. PAULO SÉRGIO PEREIRA DE OLIVEIRA

JOHN MICHAEL WHITE

LILA MIRTA IBANEZ LOPES

Major Av. LUÍS ANTÔNIO DA SILVA GREFF

LUIZ CÉSAR PEREIRA DE OLIVEIRA

Ten. Cel. WASHINGTON VIEIRA DA SILVA (reformado)



05/05/99
QUARTA-FEIRA

O primeiro a ser ouvido pelos Deputados Membros da CPI foi o Sr. Paulo Sérgio Pereira de Oliveira, Ten. Cel. Aviador, identidade nº 235.989 - Maer. A oitiva aconteceu no Plenário das Comissões, na Câmara dos Deputados.



1) Oitiva do Sr. PAULO SÉRGIO PEREIRA DE OLIVEIRA, Ten. Cel. Aviador, identidade nº 235.989 - Maer, que declarou:

Que, ninguém da tripulação tinha nada a ver com o ocorrido.

Que, quando a carga entra no Quartel, existe um processo de recolhimento, de registro da carga. Passa pelos depósitos que existem espalhados no Brasil. As cargas menores são colocadas nos postos do Correio Aéreo Nacional, feito através de um manifesto de carga, que depois recebe um número destinatário.

Que, as cargas maiores que vão para o exterior, para uma aeronave transportar é feito através da Diretoria de Material da Aeronáutica.

Que, “(...) tem coisa que a gente pede por amizade que a gente tem, que os pilotos tem, que todos tem na FAB. É pedido para ser transportado. Uma coisa pequena e, por delicadeza do piloto, ele conhecendo a pessoa, tendo amizade, a gente transporta (...)”.

Que, por duas vezes pediu para os pilotos transportar encomendas para seu irmão em Las Palmas (Espanha).

Que, o Ten. Cel. Washington há muito tempo pedia para que ele mandasse uma mala para um amigo dele em Las Palmas (Espanha).

Que, o Ten. Cel. Washington continuou insistindo. Quando o depoente foi transferido para Manaus, o Ten. Cel. Washington o encontrou e solicitou novamente que enviasse as malas para a Espanha.

Que, diante da insistência, acabou mandando as malas, mesmo sem saber o que existia nelas.

Que, conhece o Ten. Cel. Washington desde 1971 ou 1972.

Que, mandar encomendas pelos aviões da FAB é uma coisa normal.

Que, não conhece John Michael White.

Que, os vôos da FAB param em Las Palmas porque não existe outro local mais próximo para se pousar, por motivos de combustível.

Que, fez algumas ligações para o Roberto Monteiro Zau, para saber se iria buscar as malas.

Que, Roberto Zau tem relacionamento com o seu irmão Luiz César.

Que, o seu irmão Luiz César não conhece o Ten. Cel. Washington.

Que, o agente Adilson Nunes (Gina) se apresentou a ele com o nome de Marcelo e foi ele quem lhe entregou as malas que seriam do Ten. Cel. Washington.

Que, o Ten. Cel. Washington lhe ligou e passou o telefone do “Gina”, quando pediu para que fizesse um contato com o “Gina” para acertar como seria entregue as malas que iriam para a Espanha.

Que, estava no Rio de Janeiro para resolver alguns problemas. Foi coincidência o fato de estar no Rio e o Ten. Cel. Washington mandar as malas para a Espanha.

Que, o piloto que ia fazer o vôo era o Major Tani.

Que, quando se encontrou com o “Gina”, na Ilha do Governador, conversaram e depois o “Gina” pediu que indicasse algum supermercado. Chegando ao supermercado SENDAS, “Gina” fez compras de vários produtos: café, cachaça, feijão, etc. Depois das compras “Gina” o convidou para fazer as malas, o que não foi aceito. Ficou combinado que o “Gina” lhe entregaria as malas no outro dia, pela manhã, no cassino dos oficiais na Base Aérea.

Que, quem montou esse vôo para Las Palmas foi a Diretoria de Material da Aeronáutica - o depoente não disse o nome do diretor, disse apenas que era um brigadeiro.

Que, transmitiu uma autorização para o Comando da Base Aérea de Recife, para a abertura das malas.

Que, o Ten. Cel. Washington estava pedindo o envio das malas desde janeiro. E o seu irmão e o Roberto Zau só foram para Las Palmas dias antes do vôo da FAB.

Que, recebeu uma encomenda do Ten. Cel. Washington de uma caixa de uísque, um casaco e uma mala.

Que, quando foi levar as malas até o avião “Gina” o acompanhou.

Que, não conhece o Cel. Aviador Latino da Silva Pontes.

Que, conhece Lila Mirta Ibanez Lopez.

Que, autorizou a entrada de “Gina” na Base Aérea. O “Gina” se identificou ao Corpo da Guarda e entrou de carro. Foi até o cassino, pegou o depoente, que o levou até o Esquadrão.

Que, acha que o seu irmão tem ligação com o Roberto Zau.

Que, não recebeu nada pelo embarque das malas.

Que, “(...) acho que realmente há alguma articulação em cima disso aí, deste fato ocorrido (...)”.



Dia 13/05
QUINTA-FEIRA

Os deputados da CPI solicitaram à Aeronáutica cópia do Inquérito Policial Militar - IPM.



1) Oitiva do Sr. JOHN MICHAEL WHITE, que declarou:

Que, foi preso em 1981, pelo Art. 12 - tráfico de drogas, e foi condenado há 5 anos.

Que, cumpriu uma parte da pena e foi expulso.

Que, retornou ao Brasil em novembro de 1997, sendo preso novamente no Rio Grande do Sul, devido a polícia ter encontrado drogas em um local que pegou fogo em São Leopoldo.

Que, foi até aquele local visitar o Senhor MILDIN HEMMING.

Que, não conhece o Ten. Cel. Washington, nem o Ten. Cel. Paulo Sérgio, nem o Major Griff.

Que, nunca passou mensagem pelo TELETRIM para o Ten. Cel. Washington, Ten. Cel. Paulo Sérgio e nem para o Major Grill.

Que, não confirma que participa de uma quadrilha que levava narcotráfico, pelos aviões da FAB.

Que, conhece o Adilson Nunes - “Gina”.

Que, conhece Roberto Zau, que lhe foi apresentado pelo Adilson Nunes - Gina. Roberto era casado com a cunhada de Adilson.

Que, o BMW que a sua sogra - Maria Angélica Soares - dirigia, não é dela, e sim da Auto Comercial LTDA.

Que, hoje vive de reservas econômicas.

Que, já esteve na Colômbia e na Bolívia.

Que, conheceu o “Gina” na prisão.

Que, não esteve na Amazônia.

Que, já esteve em Foz do Iguaçu, a passeio.

Que, foi preso em 1981 quando foi ao aeroporto pegar uma pessoa, a pedido de amigo seu de nome José Anes, e esta pessoa estava com 06 quilos de cocaína na mala.

Que, para voltar ao Brasil, saiu do EUA, foi para a Argentina de avião, depois pegou um ônibus para a fronteira, em seguida pegou um táxi e novamente um ônibus.

Que, residiu um tempo no Hotel Savoy, no Uruguai, na época do incêndio no apartamento em São Leopoldo (RS).

Que, foi preso e solto através de habeas corpus.

Durante a oitiva JOHN MICHEL WHITE se negou a responder alguns questionamentos:


  1. Negou-se a responder se conhece a colombiana Lila.

  2. Negou-se a responder sobre a identidade falsa, em nome de Jorge Nogueira.

  3. Negou-se a dar informação de como conseguiu entrar no Brasil novamente, tendo sido expulso do país em 1982.

Segunda testemunha a ser ouvida na sessão do dia 13/05/99

2) Oitiva da boliviana Senhora LILA MIRTA IBANEZ LOPEZ, que declarou:

Que, não conhece o Ten. Cel. Paulo Sérgio, nem o Ten. Cel. Washington, nem Adilson Nunes (“Gina”) e nem o John Michel White.

Que, não tem ligação com essas pessoas.

Que, quando sua irmã foi presa, ela não tinha nada a ver com o fato, porque ocorreu em lugares diferentes, mas devido a denúncia, toda a família foi envolvida.

Que, a sua irmã foi presa com 200 quilos de droga.

Que, os organogramas que estavam em posse da CPI, várias pessoas já tinham saído da prisão, porque não tinham provas contra elas.

Que, foi um esquema feito quando da apreensão, conforme foram sendo feitas as investigações, as pessoas inocentes iam sendo liberadas.

Que, a sua ligação com sua irmã no tráfico de drogas se deu por causa do documento que foi encontrado em sua posse.

Que, no período da investigação a colocaram como cabeça da organização.

Que, quando vinha para o Brasil, era para prestar auxílio à sua irmã.

Que, é dentista formada, mas possui uma discoteca, um karaokê e uma floricultura em Puerto Suarez.

Que, atravessar a fronteira não tem mistério, mas para sair da fronteira sim.

Que, quando esteve no Rio de Janeiro alugou um apartamento em Botafogo, por temporada.

Que, não tem CIC, por isso a imobiliária arrumou um nome falso para poder concretizar o negócio.

Que, conseguiu documentos com nome falso de Marina Lopes - os documentos foram apreendidos - que os conseguiu aqui no Brasil, em Ponta Porã.

Que, foi investigada por causa do problema da sua irmã.

Que, seus bens estiveram bloqueados, mas já foram liberados.

Que, não conhece José Enes na Bolívia.

Que, não sabe o porquê de ainda estar com o pedido de prisão preventiva decretada.

Que, é falsa a informação que ela comprava droga na Bolívia ou na Colômbia e entregava no Brasil.

Que, era respeitada porque tinha muita influência na fronteira.

Que, esteve no Rio de Janeiro no dia 20 de março de 1999, quando veio fazer compras.

Que, quando veio para o Rio de Janeiro ficou primeiramente em um hotel, até conseguir um apartamento (não soube informar o nome do hotel).

Que, um dos motivos da sua estada no Rio foi para participar de um retiro espiritual. Mas a mãe-de-santo Mitinha, com quem iria se consultar, não estava no Rio.

Que, nunca usou drogas.

Que, quando veio para o Brasil trouxe a quantia de R$ 5.000,00 (cinco mil reais).

Que, fez algumas compras e mandou pela transportadora Andorinha, utilizando-se do nome falso de Marina Lopes.

Que, comprava flores em São Paulo e as mandava pela transportadora Andorinha, em caixas de papelão, para Corumbá.



3) Oitiva do Sr. LUÍS ANTÔNIO DA SILVA GREFF, Major-Aviador, que declarou:

Que, foi indiciado no Art. nº 200, baseado no Art. nº 290 e Art. nº 53 do Código Penal Militar.

Que, a denúncia foi oferecida pelo promotor público, que diz que ele esteve na Base Aérea do Galeão, o que é verdade, e que esteve no avião no dia da decolagem, o que também é verdade.

Que, não sabia que o Ten. Cel. Paulo Sérgio estava no Rio.

Que, o Ten. Cel. Washington lhe propôs uma sociedade na montagem de um a empresa de manutenção de aeronaves.

Que, um mês antes do embarque do avião, foi consultado pelo Ten. Cel. Washington se haveria algum vôo para a Europa. Procurou a informação e lhe passou, inclusive fornecendo o nome da tripulação.

Que, quando estava dando as informações o Ten. Cel. Washington pediu para se caso houvesse alguma modificação que ele fosse informado.

Que, não conhecia os Srs. Adilson Nunes, Roberto Zau, Luiz César Pereira de Oliveira.

Que, o Ten. Cel. Washington pediu para que ele levasse três caixas de cachaça e uma caixa de café para o irmão do Cel. Pereira, em Las Palmas.

Que, para mandar essas caixas seria necessário ser feito um manifesto nacional e um internacional. O que foi colocado ao Ten. Cel. Washington, como não havia tempo hábil para se fazer os manifestos, as caixas não foram enviadas.

Que, no domingo pela manhã, o Ten. Cel. Washington ligou pedindo para que fosse até o avião para embarcar uma sacola de café e para que ele verificasse se os volumes do Cel. Pereira estavam a bordo.

Que, após verificar se estava tudo a bordo do avião da FAB, ligou para o Ten. Cel. Washington para lhe informar.

Que, o Ten. Cel. Washington pediu para que ele ligasse para uma pessoa para que ela lhe desse um número de telefone público para que ele entrasse em contato.

Que, o Ten. Cel. Washington nunca depositou nada em sua conta bancária.

Que, o Ten. Cel. Pereira às vezes aparecia no trailer onde ele e o Ten. Cel. Washington tomavam cerveja.

Que, após a sua esposa lhe ligar, para informar que haviam encontrado cocaína a bordo do avião Hércules C-130, voltou à mesa onde estava o Ten. Cel. Washington e passou a informação, questionando-o se ele tinha alguma coisa a ver com o que estava ocorrendo. O que foi negado pelo Ten. Cel. Washington.

Que, depois dessa conversa, fecharam a conta e foram andar pela Ilha do Governador. Na ocasião, o Ten. Cel. Washington pediu para que ele fizesse uma ligação para um pessoa de nome D’artgnam.

Que, conheceu o Ten. Cel. Washington em 1997, quando lhe foi proposto a montagem de uma empresa de manutenção de aeronaves.

Que, no domingo pela manhã, antes da decolagem, esteve dentro do avião.

Que, não existe uma fiscalização nas bagagens, e sim um limite de peso, quando as pessoas utilizam o Correio Aéreo Nacional.

Que, quando o Ten. Cel. Pereira foi transferido para Manaus, eles perderam o contato.

Que, o Ten. Cel. Washington pediu para ligar para uma pessoa de nome D’Artagnam, para que este lhe informasse o número de um telefone público.

Que, quando entrou em contato com este D’Artagnam, ele perguntou se o assunto era urgente, o que foi respondido positivamente pelo Ten. Cel. Washington.

Sessão do dia 19/08/99
QUINTA-FEIRA


1) Oitiva do Sr. LUIZ CÉSAR PEREIRA DE OLIVEIRA, Oficial da Marinha Mercante, que declarou:

Que, no final de julho, início de agosto de 1999, Roberto Zau ligou em sua casa, querendo lhe conhecer pessoalmente.

Que, Roberto Zau disse que conseguiu o seu telefone por meio de um amigo dele que era Oficial da FAB.

Que, Roberto Zau ligou convidando-o para fazer o projeto de som para uma casa noturna que iria montar em Las Palmas, assim como também auxiliar um colega dele na compra de equipamentos de informática.

Que, Roberto Zau lhe ofereceu três mil reais para cada vez que tivesse que realizar uma viagem como ele para o exterior, mais as despesas de hospedagem, passagens, alimentação e cerca de oitocentos dólares para sua locomoção.

Que, passados de quinze dias a vinte dias, Roberto Zau voltou a ligar querendo saber se havia disponibilidade para acompanhá-lo até a Europa.

Que, Roberto Zau lhe disse que teria que ir até Lisboa, e que ele fosse até Madrid, e Las Palmas, onde depois se encontrariam.

Que, Roberto Zau havia lhe perguntado se ele poderia pedir ao seu irmão para que mandasse, através de um avião da FAB, algumas coisas para Las Palmas.

Que, respondeu ao Roberto Zau, que não sabia se levar cargas em aviões da FAB era normal. Porém, questionou o que seria remetido, o que Roberto respondeu que seriam coisas típicas do Brasil como: cachaça, café, guaraná, etc.

Que, quando questionou a seu irmão, o Ten. Cel. Paulo César, que é oficial da Aeronáutica, este respondeu que não havia nenhum empecilho.

Que, pediu para o seu irmão preparar uma mala com os produtos pedidos pelo Roberto Zau, e também com livros e apostilas de informática.

Que, quando chegou em Las Palmas, foi até o hotel indicado por Roberto Zau. Lá recebeu um recado pela recepcionista que disse que tinha um brasileiro que queria falar com ele - era exatamente o Roberto Zau.

Que, foi o Manolo - taxista - que o pegou no aeroporto. E também foi ele que os levou para conhecer a ilha.

Que, recebeu uma proposta de Roberto Zau para realizarem um festival de música brasileira em Las Palmas.

Que, retornou ao Brasil por volta de janeiro ou fevereiro, quando recebeu uma nova ligação de Roberto Zau chamando-o para retornar a Las Palmas - na época do carnaval em Las Palmas.

Que, nessa segunda viagem, Roberto solicitou novamente para ver se o seu irmão poderia mandar mantimentos para Las Palmas pelo avião da FAB, dizendo que esses produtos brasileiros tinham como objetivo conquistar os patrocinadores do festival.

Que, pelos seus cálculos, seriam investidos no festival cerca de 1,5 milhão de dólares, e o retorno previsto seria de 3 milhões de dólares. Cada investidor entraria com 300 mil dólares e receberia 600 mil dólares.

Que, ele estava encarregado de toda a parte técnica do festival e o Roberto Zau estava encarregado dos patrocinadores.

Que, retornou novamente ao Brasil e o Roberto Zau foi para Lisboa resolver alguns problemas referentes à casa de show.

Que, já no Brasil começou a trabalhar para realizar o festival, que seria em julho, e já era fevereiro.

Que, falou com Roberto que teria que retornar a Las Palmas em março, para apresentar o projeto do festival.

Que, Roberto comprou as passagens pela VARIG, para viajar no dia 08 de março, mas ele ligou pediu para alterar para o dia 10 de março e em seguida pediu para trocar para o dia 14 de abril.

Que, quando retornou para o Brasil, pela segunda vez, Roberto pediu para que falasse com o seu irmão - Ten. Cel. Paulo César -, para ver se ele poderia mandar algumas malas pessoais, para amigos dele.

Que, informou para o Roberto que achava pouco provável, pois o seu irmão estava sendo transferido para Manaus, mas de qualquer forma fez o pedido para o seu irmão, o qual negou o envio.

Que, quando comunicou da negativa para Roberto, este disse que não tinha problema, pois iria entrar em contato com um amigo seu para ver se ele conseguiria embarcar as bagagens no avião da FAB, embora este seu amigo não estivesse mais na ativa.

Que, foi junto com o Roberto nessa viagem. Chegaram em Lisboa e Roberto lhe disse que tinha que resolver um problema de uma esposa de um amigo seu.

Que, no dia seguinte embarcou para Las Palmas. Roberto informou que no dia 19, segunda-feira, chegaria um avião da FAB em Las Palmas e que o seu amigo havia conseguido embarcar as malas.

Que, no sábado, Roberto Zau lhe disse que teria que resolver um problema urgente em Lisboa, no domingo. Na oportunidade, informou a Roberto que teria que ir à Barcelona na segunda-feira, para conseguir nomes de produtores e de empresas que trabalhavam com som e iluminação para o festival.

Que, ao perguntar ao Roberto quem pegaria as malas, ele respondeu que era para avisar o Manolo, para que o taxista pegasse as malas e as levasse até o apartamento.

Que, não conhece o Cel. Washington, e o seu irmão Cel. Paulo César não conhece o Roberto Zau.

Que, quem os colocou nesta situação foi Cel. Washington e o Roberto Zau.

Que, tinha certeza que o seu irmão, Cel. Paulo César, não sabia do conteúdo das malas.

Que, “(...) Bom, o que eu afirmo aqui é que eu e meu irmão nunca estivemos envolvidos com absolutamente nada com relação a drogas. Ninguém na nossa família tem nada a ver com drogas (...)”.

Que, no início de fevereiro, quando marcou uma viagem para Las Palmas, Roberto marcou para pegar a passagem em uma agência em Copacabana. Chegando na agência, o Roberto encontrava-se com dois senhores, que foram apresentados como sendo um o seu sócio e o segundo como seu sogro (Jonh Michel White).

Que, os contatos que foram feitos que ele tinha alguma coisa por escrito, foram contatos que ele fez com uma produtora do Rio de Janeiro, a PROMOV, com artistas que eles iriam contratar, através do seu pedido. Foram feitos contatos telefônicos para serem trocados. Os contratos seriam efetivamente realizados, contrato no papel, nesta última viagem.

Que, quando foi pegar as passagens na agência de viagens, o Roberto Zau lhe apresentou uma pessoa, que seria o Sr. John Michel White, que tem uma cicatriz no rosto.

Que, não morava em Las Palmas, e sim e encontrava-se em viagem, o que fez por três vezes.

Que, os produtos mandados, por meio dos aviões da FAB, para Las Palmas, tinham como destino os patrocinadores que o Roberto estava procurando.

Que, quando enviou bagagens da Europa para o Brasil, elas continham uísques, licores, camisas da marca Hard Rock, etc.

Que, pelo que ele soube quem entregou as malas para o seu irmão foi o “Gina”.

Que, quem recebia as malas em Las Palmas era o motorista Manolo, que as pegava e as levava para o hotel.

Que, o Cel. Washington passou o telefone do “Gina” para o seu irmão, pois era o policial quem iria entregar as malas que seriam enviadas para Las Palmas.

Que, se apresentou ao 3º COMAR, seguindo orientações do próprio Comandante encarregado do IPM.

Que, “(...) Roberto me disse que essas malas chegariam no dia 19, e ele mandou que eu falasse com o Manolo para deixar no apartamento. E fez contato com o Manolo, quando estava embarcando para Barcelona, perguntou se o avião da FAB já tinha chegado. Ele disse que não, que estava atrasado. Quando cheguei em Barcelona, ele diz de novo para ele: “Vem cá, já chegaram, o avião já chegou, da FAB?” “Não”. Aí, eu liguei para o meu irmão, que me disse que tinha acabado de saber que tinham sido encontradas drogas nesse avião (...)”.

Que, não conhece José Joaquim Custódio Corrêa e Carlos Augusto Rosa Leal.

Que, “(...) Eu não recebi mala nenhuma na base... O Manolo, quando ele pega a tripulação, ele leva a tripulação, ele consegue hotéis mais baratos, consegue transporte e leva. Então, ele me informou, nas outras duas viagens, onde a tripulação estava, e eu fui lá pegar essas malas. As malas que eu pedi ao meu irmão, que realmente chegaram as malas com cachaça (...)”.

Que, “(...) O meu irmão, quando eu liguei para ele de Barcelona, a preocupação dele foi saber se eu estava em Las Palmas, se o Roberto estava comigo e pediu para eu sair, sair de lá, porque tinha medo, tinha medo do risco que eu pudesse estar correndo. Foi esse, o telefonema do meu irmão foi esse, quando ele soube do negócio (...)”.

Que, se apresentou à Aeronáutica por orientação do seu advogado.

Que “(...) por orientação, ele consultou o Comandante da Base, justamente a pessoa encarregada do Inquérito Policial Militar. Ele recebeu esse tipo de informações (...)”.

Que, “(...) foram em duas viagens que as malas foram preparadas, pelo meu irmão, para mim levar com cachaça. Foi em agosto ou setembro do ano passado, não me lembro exatamente a data, e uma no final de janeiro. Nessa terceira, as malas estavam com cadeado, e meu irmão, de Manaus, mandou arrombar essas malas, porque ele não sabia. Se as malas fossem dele, ele saberia qual era o segredo das malas (...)”.

Que, o Capitão Cordeiro, um oficial aviador da FAB, é um amigo em comum seu e do seu irmão.

Que, na primeira viagem quem levou uma mala para ele foi o Cap. Coelho, que era comandante da aeronave na ocasião, e o Cap. Cordeiro era um dos oficiais da viagem.

Que, ele e o Roberto Zau pegaram uma mala com o Cap. Cordeiro e com o Cap. Coelho.

Que, a carta na qual ele dizia que as malas estavam com cadeados, foi escrita por orientação do advogado da época, Dr. Edson Ribeiro, mas na verdade, as malas não estavam com cadeado.

Que, a carta fazia parte da estratégia do advogado, mas não ficou satisfeito e mudou de advogado.

Que, na segunda viagem, quem entregou a mala foi o Cel. Capucci.

Que, quem fazia reserva de hotel, em Las Palmas, era o Manolo.




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