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Diligência realizada em Foz do Iguaçu – Paraná Fórum Estadual, 02 de maio de 2000



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3. Diligência realizada em Foz do Iguaçu – Paraná
Fórum Estadual, 02 de maio de 2000.


Depoimento de PAULO ROBERTO OLIVEIRA

O depoente é policial há 6 anos. Foi informante da polícia por 3 anos. Atualmente está lotado em Londrina como investigador.



O depoente desecreve como se desenvolve o tráfico no Estado. A rota que vai para São Paulo, inicia-se por Foz do Iguaçu, Sta. Terezinha, Medianeira, Céu Azul , São Paulo .

A droga passa em fundos falsos dos carros, tanques de combustível, caminhões de carvão, caminhões de piche, com safras de soja e milho.

Diz que o empresário Eli Chitolina esquenta os documentos dos carros.

Disse que o tráfico de drogas é fruto da ação dos policiais civis.

Cita como traficantes os policiais cachorrão, que enviava drogas para o delegado Dr Luis Carlos de Oliveira, Siderval, o investigador Narciso.

Denuncia que o assalto à carga do PROFORTE, transportadora de valores, foi armação de policiais com assaltantes. O assaltante profissional Barelli de Cornélio Procópio participou. A ação teria que ocorrer no plantão do delegado Abraão, do investigador Ademilson, do superintendente Marcos Moreli.

Foi usado um S-O, os malotes foram entregues para o delegado Abraão e Ademilson, este recolheu as armas utilizadas. O dinheiro foi para Toledo para ser trocado por dólar para diminuir de volume.

Em Toledo o ex-policial César simulou um assalto, Bareli, o assaltante, ficou sem o dinheiro, o pessoal de Londrina , também. Os policiais passaram a perna no bandido.

O dinheiro foi partilhado da seguinte forma: César, que simulou o assalto, fico com 1 milhão, o investigador Wilson Urbano, mais 1 milhão, o delegado Lino, 1 milhão, o delegado Mario Ramos, 500 mil, o delegado Ricardo Noronha, mais 500 mil, delegado Luis Carlos, 400 mil, e o Secretário de Segurança Cândido Manoel Martins, 500 mil. Total 4. milhões e 900 mil.

Conta o depoente outra caso de roubo de carga, no caso da Nestlé . A carga foi recuperada, mas o delegado Luiz Carlos mandou liberar, ligando para o delegado de Cascavel.

No caso do assalto de Toledo houve a participação de um policial federal Rogério Trinkel, que trabalha com troca de dólares. Um informante que trabalha com o citado policial passou ao depoente os detalhes do caso. Estão envolvidos no caso também o delegado Vanderci .

O ex-policial César, conhecido por caveira, seria o responsável por assalto a ônibus oriundo do Rio Grande do Sul.

Disse que o Paulo Mandelli era protegido do Ricardo Noronha, nunca teve seu desmanche fiscalizado. Chegou a ter 150 motores, com as denuncias contra Noronha, desmanche não tem mais de 5 motores.

Entre os policiais só quem deposita dinheiro do esquema denunciado são Luiz Carlos e o Ivam, os demais depositam em nome de terceiros.

Não sabe do envolvimento do delegado Osnildo Carneiro Lemos com o esquema ilegal; não sabe do envolvimentos dos policiais Wanderley Batista de Oliveira, Gilberto Ardanaz.

O policial Olavo Pires Matos cobrava tudo dos presos na cadeia pública. Existia presos que passavam drogas; não sabe se Olavo passava armas no presídio

Sobre o delegado Luiz Carlos diz que é responsável pela morte de 68 pessoas, a maioria dólares, que não se submetiam ao esquema de extorsão . Foram mortos e oficialmente foram enterrados como indigentes. Isto ocorreu nos últimos 2 a 4 anos.

Luis Carlos liberou um estrangeiro, o depoente o denunciou à justiça, que determinou a abertura de inquérito. O delegado em represália mandou abrir outro contra o depoente.

As casas de câmbio estão de acordo com Luis Carlos

Envolvido com contrabando sabe do envolvimento do policial Domingão, que transporta do Paraguai uísque, objetos, drogas para Curitiba, na época do delegado Noronha e do Luis Carlos. Este na verdade não delegado concursado, mas assistente de segurança, com sala’rio de 1500 reais .

Outro que faz contrabando é Teles, assistente de segurança também, esse manda uísque, dinheiro, vídeo cassete para o secretário de segurança atual.

Samir Skandar faz contrabando em Curitiba.

Diz o depoente que coca da mais lucro. No Paraguai custa 2 mil e 500 o quilo, no Brasil custa 20 mil. Já a maconha lá custa 50 reais, é vendido no Brasil por 300 reais.

Declara que média de mortos em Foz do Iguaçu é de 400. Recentemente se verifica o desaparecimento de crianças.

Por fim diz o depoente que responde 2 processos administrativos. Um já citado do caso do libanês que foi liberado pelo delegado Luis Carlos e , um segundo, a partir de representação de presos pegos com uma F100, um ômega, com dois carregadores de pistola 9 milímetros e mais 12mil dólares. Acusam o depoente de ter extorquido em 5 mil reais.

Ocorre que momento da suposta extorsão estava no Paraguai para prender um seqüestrador, acompanhando a Dra. Artigas.

Declara possui como patrimônio possuir um prédio e construção, que recebeu como pagamento de dívida de uma cooperativa para qual construiu 3 casas e 3 sobradinhos. Além de um terreno. No futuro esse prédio vai lhe render 600 mil, mais descontadas as despesas no valor de 500 mil, terá lucro 100 mil. O prédio encontra-se sub judice, foi penhorado.

Depoimento de CLAUDEMIR MESSIAS DE OLIVEIRA

O depoente encontra-se preso na cidade de Assis Chateaubriand.

Declara-se como condutor de cabrito, gíria para carro roubado transportado para o Paraguai.

Foi acusado pelo assalto ao supermercado Trento, sendo ao final absolvido. Passou a ser extorquido pelo policial Zanette , que o envolveu no esquema dos policiais de extorsão, tráfico de drogas, assalto.

Conta que usou colete a prova de balas dado por Zanette, em ação na casa do traficante Gilberto. Bem como foi a mando do policial para Santa Catarina e ciudad de Leste no Paraguai.

O depoente recebeu coletes de policia e armas de Zanete para seqüestrar ônibus turismo na BR e trazer para Assis para que os passageiros fossem extorquidos

O depoente também foi usado para trocar 325 mil reais por 180 mil dólares no Paraguai. Sua casa foi invadida pelo policial Medina a mando de Zanette, que estava com medo depoente ter desaparecido com dinheiro.

Acusado pelo assalto à Caixa Econômica em Assis Chateubriand fez acordo com Zanette um carro mais 30 mil reais

Foi preso acusado de estelionato por ter assinado no verso de um cheque de 40 reais.

Também tem uma condenação em processo provocado pelo mesmo policial, em 1996.

Declara que a cidade de Assis está na rota do contrabando de carro importado roubado, por policiais , que depois devolvem a segurados e ganham o prêmio do seguro de 18%.

Depoimento de OSNILDO CARNEIRO LEMES

Delegado de policias há 30 anos, trabalhou em Curitiba, Londrina, Cascavel, Maringá.

Suas transferências sempre foram determinadas pelo Departamento de Policia Civil.

Disse que Cascavel não existem grandes traficantes mais usuários de drogas, é corredor. Roubo de carros havia muito até a chegada do depoente que reduziu o número de 50/55 por mês para apenas 3.

Disse desconhecer que policiais de Cascavel estivessem envolvidos com furtos de veículos. Disse conhecer Danielzinho assistente de segurança. Esclarecendo que esses assistentes não são concursados, mas nomeados, diretamente pela Secretaria de Segurança. Danielzinho foi nomeado possivelmente pelo atual secretário.

Esse cargo é disputados pelos políticos. O assistente pode ser nomeado como delegado de polícia em cidades pequenas sem comarcas ( delegados calças curtas). Devem existir de 600 a 800 assistentes de segurança no Estado.

Nega a acusação de extorquir sacoleiros. Nega ter sido o delegado que atuou no caso de Eder de Sá, menor, envolvido na morte Luiz Antonio Canceli. O rapaz foi morto em circunstâncias não esclarecidas.

Atuou como testemunha no caso do policial Gilberto Ardanaz. Nega ter dado segurança aos contrabandista de pneus de carro. Delito comum em Cascavel.

Nega a existência do pagamento de pedágio para o cargo de delegado.

Depoimento de SAULO IVO LAMB

O depoente é presidente do Sindicato de Empresas de Transporte e Vice Presidente da Federação da Paraná.

Teve quatro caminhões roubados, recuperou dois, não usando as vias normais. Quando recuperam regularmente seus carros os donos sofrem um via crucis para liberar o caminhão no Brasil. Critica as seguradoras que não se empenham em combater o furto. O IRBEM que cuida do setor é empresa do governo, que repassa a ela os custos que a mesma tem com seus gastos.

Depoimento de CELLEDONIA EREMI CABALHEIRO

Nascida em Villa Rica no Paraguai mora desde 1953 em Foz do Iguaçu. Seu pai foi fazendeiro na região. Já foi presa por porte de armas, e tem um filho viciado em crack, não conhece Maria e nem Noêmia. Foi condenada a 2 anos e cumpre sursis.

Tem duas filhas, uma solteira e uma casada, esta mora em Jardim Lindóia.

Depoimento de ADELAR JOSE ZANOLA

O depoente esta preso por furto de carro. É dono de ferro velho desde 1990.

Tem um barracão onde trabalha e mais 3 alugado. Fatura 25mil reais por mês. Foi preso pelo delegado Noronha. A prisão decorreu do fato de um policial rodoviário federal Valdeci de Lima de Cascavel pedir para deixar uma carro no Ferra Velho enquanto ia ao Paraguai, antes, o policia pedira se o depoente não teria um eixo de dianteiro de F1000, minutos depois Noronha chega e faz vistoria e diz que o carro era roubado,

O delegado Noronha dois antes queria que pagasse 30 mil para poder trabalhar. A prisão ocorreu no dia 13 de outubro de 1999.



Depoimento de VANDERLEI BATISTA DE OLIVEIRA

É policial da 6º Subdivisão Policial, trabalha no setor de Funrespol, área de fiscalização e arrecadação. Antes trabalhou com chefe da carceragem da Cadeia Pública.

Os presos recolhidos foram condenados por assalto e tráfico de drogas.

Diz que conhece Teles que trabalhou na cadeia e assistente de segurança. Ele viaja constantemente para Curitiba em viaturas policiais

Diz que a cadeia não tem conta corrente especifica em banco. De modo que as verbas repassadas pela Secretaria de Segurança depositava em sua conta pessoal

Diz não haver irregularidade alguma com as verbas públicas, sendo explicável a diferença de 11 mil de seus salários e o movimento de 37 mil em 1997.

Disse que pagava do próprio bolso o salário de alguns presos que prestavam serviço na cadeia pública.

Depoimento de GILBERTO ARDANAZ

O depoente é investigador de policia há 18 anos , faz faculdade na cidade de Umuarama e trabalha na delegacia desta cidade. Responde processo por delito tipificado no art. 317 do CP – corrupção passiva.

Declara que conhece Sidney Íris Marcos, desconhece Juliana Martins. Admite que participou da fiscalização de sacoleiros em 8 de novembro de 1997, mas nega que tenha praticado extorsão contra quem quer que seja.

Quanto às acusações ele próprio pediu que fosse instaurado procedimento investigatório.



Depoimento de SILMAR JOÁO ZANETTE

O depoente é investigador de policia a 4 anos em Assis Chateuabriand.

Disse que 50% dos presos na delegacia são envolvidos com drogas.

Que conhece Claudemir e que este responde por crimes dos artigos 171, 157, formação de quadrilha, furtos (5 casos), tráfico de drogas (cocaina).

Declara que Claudemir foi preso em flagrante com drogas na mão. Diz que o carro que Claudemir o acusa de ter subtraído foi comprado pelo depoente de Sergio Micheloni, reporte policial de Assis Chateaubrind

Depoimento de ANTONIO CARLSO BRANDÃO

O delegado de polícia de 3 classe da polícia civil. Titular da delegacia de homicídios por 10 anos, Superintendente de Delegacia de Homicídios de Curitiba, delegado adjunto da delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de Curitiba.

Declara que conhece Mario Sergio Soares,preso que fugiu da cadeia do depoente em Matelandia. Conhece igualmente o Ferro velho Lateral, porque ele foi fechado, onde foi achado o carro roubado , uma camionete F1000 de um delegado de polícia civil de Santa Catarina.

Diz que a cadeia de Matelândia é modelo, os presos trabalham de macacão, plantar horta, trabalho em aviário. Esse trabalho foi escolhido para representar o Brasil pelo Ministério da Justiça junto a ONU, pelo tratamento dispensado aos presos.

Sobre denuncia contra o depoente, envolvendo com esquema de extorsão e narcotráfico apresenta cartas do delegado chefe de Cascavel, do Ministério Público e da Câmara de Vereadores que atestam sua conduta ilibada.

Declara que não acreditar não serem verdadeira as denuncias contra o delegado Ricardo Noronha, que conhece como homem honesto e trabalhador.

Faz a defesa de Policia Civil que é imaculada. Aponta com grande traficante no Estado Dinarte que se encontra preso, que atuava em Pontal do Sul e Matinhos.

Depoimento de LUIS EDUARDO DE SOUSA

É advogado. Confirma que foi advogado de Claudemir, que apresentou este a um cliente que pretendia vender um carro, e quis faze-lo ao Claudemir em que pese ter sido por ele alertado da inconveniência. E que esse cliente, dono da Retífica de Motores Continental, de nome Osvaldo, dias depois o comunicou do desaparecimento de Claudemir.

Tempos depois foi contatado por Claudemir que queria certidão negativa de antecedentes, e que este estava com problemas com a polícia.

O advogado orientou seu cliente a fazer ocorrência de apropriação indébita contra Claudemir pelo carro, para se resguardar.





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