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Diligência realizada em Curitiba – Paraná Assembléia Legislativa, 01 de março de 2000



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2. Diligência realizada em Curitiba – Paraná
Assembléia Legislativa, 01 de março de 2000.


Depoimento de HISSAM HUSSEM DEHAINI

Brasileiro de origem libanesa, é empresário do ramo de hotéis e agência de carros e autopeças.

Declara que os celulares 99777151 e 99875858 são seus e de sua esposa IARA, e que por manter uma empresa de transporte aéreo, usa os telefones, fazendo e recebendo muitas ligações para e de outras cidades e estados.

Que presta serviço para o Governo do Estado e várias empresas, entre as quais a Petrobrás. Vendeu recentemente um outro helicóptero Longer Ranger, cuja propriedade mantinha com os sócios Herinque Nascimento e Paulo Nascimento, este último é piloto da Casa Civil do Governo do Estado

Que presta serviço para Helisul do empresário Eloi Biezos. Fazendo vôos em seu helicóptero, especialmente quando a Helisul está sem os seus aviões em Curitiba.

Declara que seu patrimônio, do qual consta a empresa de transporte aéreo, se originou de salários que recebeu como operário da fábrica SADIA, desenvolveu por seis meses em 1980/81; da venda de um terreno de seu sogro, de que lhe coube metade do valor apurado 15 mil reais (moeda de hoje), utilizados na aquisição de 15 carros, com que montou um empresa de compra e venda de veículos, tendo vendido muitos para a Petrobrás.

Nesse período seu faturamento anual foi de 70 mil reais em moeda atual

Com lucro do negócio de carro construiu um hotel, no qual chegou alojar 12 pessoas por quarto, em 20 apartamentos, depois disse serem 28, em seguida acrescentou que além desses quartos, tinha 12 alojamentos, na 1º piso. Esses quartos e alojamentos foram muitos usados pela Petrobrás e outras empresas para alojar seus operários. Disse que construiu esse hotel de 1986/87, em área de 1700 metros quadrados.

Em 1992 construiu um segundo hotel com 20 quartos.

Em 93 abriu uma locadora de carros com financiamento do Bradesco, por 18 anos. Que atualmente constrói outro hotel com 72 apartamentos, hotel vertical, com 8 pisos, também com financiamento do Bradesco, 800 mil reais, dos quais gastou 600 mil.

Disse, ainda, que possui dois postos de gasolina, um vende em média 70 mil litros por dia e, o segundo vende aproximadamente 200 mil litros diários. Que o primeiro posto de gasolina deu para seu filho.

Admite que o patrimônio acumulado em 10 anos é aproximadamente 4. 950 milhões de reais. E que a maioria de seus bens está em nome da esposa, com exceção do helicóptero, que está em nome dos dois. No entanto a participação da esposa nesse caso é de apenas 5%.

Nega envolvimento com o narcotráfico, diz que a pista de pouso existente na Chácara de Campo Largo era em co-propriedade com 18 pilotos de Curitiba. E que nesta chácara o que existia era um hangar e não laboratório de refino de coca. Que entre co-proprietários estão, um comandante da Vasp, um comandante checador da Transbrasil, o dono da Cassol . Por fim que seu direito na pista vendeu há 3 anos.

Declara que Samir Skandar foi seu cunhado, casado que fora com sua irmã. E que Ali Skandar é irmão de Samir, e que este tem uma casa no Jardim América.

De outros policiais só conhecer Edmir, e de vista apenas o Mário Canuto, a quem viu na empresa Helisul. Admite que Eloi Biezos é viciado em drogas, mas nega que este seja traficante.



Depoimento de REGINALDO MOREIRA

O depoente é policial, sendo seu os telefones 99912247, e o fixo n. 3676318, e do serviço o 3471122 e 3471608, no 11º Distrito Policial.

Declara que conhece Mário Canuto, que o número de sua conta é 002.494.65-4., Banestado, e conta Unibanco em conjunto com a esposa, na praça Carlos Gomes.

Declara não ter outra fonte de renda, sua esposa mantém comércio de roupa. Tem renda mensal de 900 reais, que se somam a um ganho médio da esposa de 300 a 500 reais mensais. Como bens declara possuir uma casa, adquirida antes de ingressar na polícia, uma linha telefônica, um celular, um veículo corsa 1997

Declara que está sendo denunciado como traficante em razão de sua atuação como policial da delegacia de Antitóxico, tendo nesta função prendido pessoas ligadas aos tráfico, e que agora estão se vingando.

Declara que conhece os policiais Samir, Mauro Canuto, com os quais nunca trabalhou na mesma unidade. Disse que é compadre de Germano, de cujo filho é padrinho.

Disse ter uma relação afetiva com o Dr. Adauto de Oliveira e com a Dra. Leila.

Declara não saber quem comanda o tráfico organizado no Estado. Desconhece que o Juarez Costa França ( Kadu), esteja envolvido com veículos roubados.

Disse que a droga vem de fora do Estado, propriamente de Santa Catarina, que abastece o Paraná. Que a equipe que trabalha inovou a efetuarem prisões e busca e apreensões. As têm cumprido fora da jurisdição do DP, inclusive fora do próprio do próprio Estado. (o que não deixa de ser curioso, por coincidir com denúncias formuladas neste sentido).

A maior apreensão de droga que já realizou foi 2 quilos e meio de cocaína, junto a dois elementos de Rondônia que se encontram presos no 8º DP, não se recorda o nome. Outra apreensão foi de 100 gramas de crack, trocou tiros com os traficantes, baleando um deles na cabeça.

As maiores bocas de fumo de Curitiba estão em Parolim, Vila Nossa Senhora da Luz, CIC, no centro da cidade, na rua Riachuelo e na Rua Vicente Machado.

Disse que Eva era uma das maiores traficantes da cidade e foi presa recentemente, atuava no bairro Nossa Senhora da Luz. Outro importante traficante preso seria Marcelo que atuava em Parolim, que foi preso pelo depoente.

Admite que já houve um fuga em massa na delegacia que trabalha de 148 presos 108 fugiram.

Desconhece que Mauro Canuto tenha estabelecimento comercial. E que neste sentido o “Valdo X Picanha” é de fato do Valdo e não de Canuta, embora já tenha ouvido comentários do contrário.

Disse que nunca trabalhou com os delegados Mário Martins e Ricardo Noronha. E que o delegado Kyoshi Hatanda tem reputação ilibada, sendo um excelente profissional, com que trabalhou por 5 anos, quando era superintente Paulo César Rodrigues.

Declara que Milena é sua cunhada, e que Monteiro foi expulso da corporação, e que conhece Paulo Paulada e Homero Andreatta Baggio.

Cita ainda como boca de fumo importante na cidade a da Vila Pinto. Ouviu falar do traficante Pedro Pompeu, encontrado morto na Baia do Paranaguá.

Admite que usa o jargão ” não adianta pé-de-chinelo para firma, queremos gente de dinheiro”. Na verdade quer significar que os policias querem prender traficantes graúdos e não só os pequenos. (Esse jargão Marcelo Mateus dos Santos disse ter ouvido do depoente, significando que ele exigia que Marcelo entregasse gente com mais dinheiro para que os policiais extorquissem).

Admite que as seguradoras pagavam um prêmio de 10% por carros recuperados, e que neste sentido havia um caixinha na delegacia.

Admite que ganha mais que Mario Canuto, que este recebe bruto 1048 reais e líquido 579 reais, e que o depoente recebe bruto 900 reais e líquido 780, Justifica por ser investigador de 3ª catergoria.

Depoimento de SHIRLEY APARECIDA P0NTES

A depoente é originária de Rondônia, de onde saiu fugida da justiça, foi condenada a 7 anos de prisão por tráfico de drogas. A polícia achou 9 gramas de cocaína em sua casa. Droga pertencia a seu namorado, que era usuário. Na ocasião não era envolvida com tráfico.

Em Curitiba se aproximou de pessoas no centro da cidade, que acabaram apresentando aos policiais. Estes passaram utiliza-la no esquema de extorsão de traficantes e usuário.

Cita a depoente o caso de Aparecida que trouxe cocaína de avião. A depoente foi instruída e treinada pelo delegado Ricardo Noronha para se apresentar como compradora, junto com outro policial que se fazia passar por deputado.

A droga foi tomada da mulher assim como o avião. A droga foi posteriormente dividida na casa do policial Albuquerque. Divisão participou o delegado Ricardo Noronha. A Mulher teve que pedir que o marido viesse com dinheiro para ser libertada.

Disse que foi presa pelo delegado Ricardo Noronha, que cumpriu mandado de prisão expedido pela Justiça de Rondônia.

Declara que o Dr Albuquerque mandava droga em carreta para Noronha , e que o grupo tinha uma fazenda em Engenheiro Beltrão com pista de pouso onde desce avião Sêneca e helicópteros, usada no tráfico de drogas.

Estavam envolvidos policiais Edson Lambe- Lambe, Edson Mcgaiver. Paulo Paulada, Altamir (Taíco), Lugerri e Atílio.

A droga vinha de Corumbá de avião e de Rondônia vinha de carreta.

No caso da droga apreendida de Aperecida, foi acondicionada em fundo falso de uma D-20, e foi transportada para o Rio de Janeiro, pelo policial Jerri.

Outros delegados participavam: Dr. Júlio Reis , José Carlos e Mário Martins. Este último atua com carro roubado, tem um desmanche também. Ele determinava que os ladrões da carreta ficassem na casa da depoente. Albuquerque mandava apanhar as carretas.

Disse que o fundo falsa na D-20 foi feito em ferro velho de um policial de Maringá , na avenida por onde se chega, estrada à direita no sentido de Goio Erê.

A depoente indica nome de vários presos que podem confirmar o envolvimento de policiais: Cléia Rodrigues que esta no presido feminino em Piraquara , Teresa Fernandes Capel, e Luiz Rosa Alexandre.

Depoimento de SAMIR SKANDAR

O depoente é policial, e ex-cunhado de Hissam Hussei Dehaimi; encontra-se separado da irmã deste há 9 anos. É proprietário do celular 99726872.

Trabalhou com Mário Canuto em 93/94 na delegacia de homicídios, e há quatro meses voltaram a trabalhar juntos na mesma delegacia. De 1994 a 97 o depoente viu esporadicamente Canuto.

Disse que os comentários dirigidos contra Hissam ocorre em razão da fama que se estabeleceu de traficante, mas que ele é trabalhador.

Disse que o grande traficante da cidade foi preso quando o depoente trabalhava na delegacia Antitóxico , em 1987, preso com 3 quilos de cacaina.

Disse que Eloi foi apresentado a Valdo por Mario Canuto no “X Picanha”. E que Mauro e Eloi são amigos .

Declara com bens seus um carro, dois terrenos , um apartamento Quanto a casa no Jardim América, diz que o Hissam se enganou, posto que a casa não é sua e sim da Hassam, só o terreno é seu.

O carro é um Vectra 96, cor prata, veículo sinistrado. Se fosse financiado seria de 18 a 19 mil. Em seguida admitiu que teve cinco carros, 2 dos quais não possui mais. Um Opala cinza e um Voyage bege. Tem ainda uma Ford F1000.

Disse que conhece Reginaldo Moreira, que é policial, com quem nunca trabalhou. Conhece Edmir Silveira, comque trabalhou na delegacia de homicídios.

Declarou que o combate ao furto de carro se dá através da Operação centopéia, quando Receita Federal, Policia Rodoviária Federal, Policia Militar e Civil fecham as estradas para a fiscalização.

Fora a citada operação disse que a delegacia de Furtos e Roubos de Veículos faz fiscalização nos desmanches, mas é difícil identificar peças roubadas.

Declara que nunca andou de carro importado, não possui uma Ferrari. Mas em seguida admitiu que andou num Passat Alemão Placa APZ 2420, cor branca, que seria de Paulo Mandelli, dono de desmanche. Esclareceu que seu carro estava em conserto na loja do Mandelli, que gentilmente emprestou o carro. E de fato ficou com o carro por três horas. Em seguida disse que Mandelli havia emprestado para que o depoente procurasse peça para seu carro.

Disse que na época que esteve na delegacia de Furtos e Roubos de Veículos caiu o numero de roubos de carros na cidade, antes era de 28 a 30 por dia, caiu para 10%.

Disse que quem comandava o roubo de carros era uma pessoa de nome Barreto e dois mecânicos de quem não se recorda o nome.

Por fim , o depoente confirmou a história de Edna Stropa , que conta que Mauro Canuto se fez passar por ele. Contudo, Canuto negou. Acrescentando que não houve sequer indiciamento no caso.

Para justificar a incompatibilidade de renda com seu patrimônio disse que exerce o comércio de carros.

Nega as acusações feitas por vários depoente de que seria traficante. Disse que tem um sobrinho de nome Jamil que foi viciado por Gilberto “Marrom”.

Depoimento de EDMIR DA SILVEIRA

O depoente é policial civil, encontra-se afastado das funções. O depoente chegou a integrar grupo de elite da policia denominado TIGRE. Mas saiu, foi chamado a voltar paro grupo, mas preferiu ficar na delegacia de Furtos e Roubos de Veículos. Há dois anos participando numa missão fez disparos, que resultaram na morte de uma pessoa.

Por esse fato responde processo administrativo e foi denunciado por homicídio, mas foi absolvido.

Atualmente comparece na delegacia só para assinar o ponto pela manhã, Sua renda vem do comércio de carros usados, que faz por intermédio da empresa VS. Concerta os carros que vende na oficina Air Place. Situada e Araucária. É auxiliado por sua esposa que despachante, e tem um cunhado que é advogado e trabalha no 8º Tabelionato de Notas de Curitiba.

Disse que não tem relacionamento com Hissam, mas admitiu que a oficina acima menciona fica do lado da casa dele

Disse que conhece Kadu e o Mandelli só de vista.

Explica que a quantidade de furto de carro na cidade decorre da proximidade de Curitiba com a fronteira do Paraguai (que não é correto). E que o furto é maior de carros importados, e a dificuldade que se tem para combater essa prática, decorre do fato dos ladrões usarem vias secundárias.

Não sabe quem comanda o trafica em Curitiba. Sabe, entretanto que os traficantes são de fora. O maior é Humberto Aparecido Terêncio, que é de São José dos Pinhais.

Disse que já foram presos traficantes grandes, um deles com sobrenome Escobar, e o Edson que é de Santa Catarina, este foi interceptado na Avenida Kennedy , com 6 quilos de cocaína.

Disse que esteve por várias vezes na casa de Samir. Acrescentou que quando trabalhou na delegacia de Furtos e Roubos de Veículo realizou apreensões de peças roubadas em desmanches, fato que pode ser comprovado nos termos arquivados na delegacia.

Admitiu que possui, ainda outros carros: um Santana/96, um Vectra antigo, um Gol 97/98, um Monza 96, e um Alfa Romeu/96 e um BMW placa 9898. Mas que esses veículos são da atividade que desenvolve de comércio e venda de carros. ( Ora o depoente aufere lucro com essas vendas, logo os carros integram o seu patrimônio).

Declara que esposa teve seu carro roubado, deu queixa na delegacia, dai o depoente entrou em entendimentos com a seguradora para receber o seguro. No entanto foi aberto um inquérito contra ela por comunicação falsa de crime.

O depoente e Samir Skandar foram acareados com Humberto Aparecido Terêncio, Marcelo Mateus dos Santos, Gilberto Chagas Ramos, Edson Fábio Nunes, Vera Lucia Bittencour, as quais sustentaram todas as denuncias que fizeram contra eles.

Depoimento de HUGO RAMOS DE OLIVEIRA

Advogado militante em Curitiba. Declara que conhece o advogado Antonio Pellizzetti desde o tempo da faculdade, que em 1994 foi compor o escritório com esse colega. Trabalhou em seu escritório por 1 ano. Disse que Pellizzetti recebia muitas pessoas importantes, e outras tantas que queriam ser indicadas para algum cargo público. Freqüentava o escritório a então Diretor Geral da Polícia Civil Antonio Favete. Ou seja Pellizzetti tem um grande poder político no Estado. Indica e nomeia autoridades, especialmente na área policial. Passou a freqüentar esse escritório Ricardo Noronha. Diga-se que nos idos de 1980 integrava o corpo de advogadoss o atual Secretário de Segurança.

O depoente foi indicado para atuar na defesa de Belfort Bitttencourt, acusado de trafico de drogas. Investigou e diferente da orientação que recebera escritório mudou à estratégia de defesa, orientando as testemunhas a contarem a verdade, inocentando o acusado. Soube depois que havia um acerto para que Bittencourt fosse eliminado na prisão.

A partir de então o depoente passou a sofrer toda sorte de perseguição, chegando se vítima de atentado em sua residência, que foi metralhada, atirando-se contra ela ainda um granada, que felizmente não disparou. Os exames técnicos indicaram que a mesma pertencia ao grupo TIGRE dirigido por delegado Ricardo Noronha.

Noronha teve problema de prestação de contas na delegacia que atuava. O caso foi relatado pelo atual Secretário de Segurança do Estado, então conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Que acabou por dar parecer favorável a Noronha.

Posteriormente, Noronha viria atuar em caso da morte de um motoqueiro, em que o causador foi a filha do atual Secretário. Resultando que o caso não foi adiante.

No primeiro governo Lerne, o Dr. Cândido de Oliveira, foi indicado a Secretaria de Segurança Pública com a ajuda de Pellizzetti. Na função nomeou Ricardo Noronha para diversos cargos importantes, inclusive ao cargo de Diretor Geral da Polícia Civil.

Nesse período vários clientes do depoente passaram provações terríveis. Cita ele o caso de Sandrovane Batista de Sousa, proprietário da uma padaria, foi acusado de roubo de um máquina calculadora, levado para a delegacia antitóxico, teve que dar um Gol GTI cor Azul para o policiais Wagner Coelho e Rsosalice Carrel Bennet. Na ocasião ameaçaram de estuprar a noiva do rapaz e bem como de sevícias o pai de Sandrovane.

Outro caso citado foi o de Marcos Vinícius Moraes Filho, pego com uma grama de coca não pagou a extorsão foi submetido a torturas, uma das quais a introdução de sabão em pó em mediante uso de mangueira dágua, que levou o rapaz a um profundo estado de coma, encefatopatia anoxica, ou seja, falta de oxigênio no sangue. O rapaz foi internado nos Hospital das Clínicas.

O depoente responde processo disciplinar na OAB em razão das denuncias e medidas que tomou.

Conclui o depoente que as relações entre esses personagens continuam, o que põe sob suspeita também o próprio Secretário de Segurança do Estado.

Depoimento de ELISÁRIO RODRIGUES DA SILVA

O depoente é policial e tem 15 anos de serviço público, contando o tempo na polícia e outros órgãos. Atuou em diversos distritos policiais 10º, 2º, Furtos e Roubos, delegacia de São José dos Pinhais, Campo Largo, Araucária, atualmente está na delegacia de Colombo. Sofreu um acidente de moto anos atrás que o afasta do serviço de rua, embora seja investigador. Não da delegacia. E por isso não quer envolvimento com traficantes, de modo que não sabe que são os maiores, os que comando o tráfico, nem mesmo no Morro do Piolho, onde mora. Aliás diz que não mora no morro, mas do lado em Conjunto da COHAB.

Diz, enfim, que é um mutuário da COHAB. No entanto, ao declarar seus rendimentos, formados por recursos oriundos de torneios bimensais que promove, com pagamento de taxa de inscrição dos clubes participantes, mais renda do bar que é proprietário, salário de policial, renda da própria esposa, sabe-se que sua renda mensal chega a 6500 reais. Ou seja, não é um pobre mutuaria como diz.

Declara que não sabe quem era os traficantes nas regiões das delegacias onde trabalhou. Nega que os policias Edmir Silveira, Samir Skandar, Mario Canuto, sejam importantes traficantes. Também nega que o desmanche do Kadu e de Paulo Mandelli trabalhem carros roubados. Esclarece que a palavra desmanche é uma gíria, significa loja de peças usadas de carro.



Depoimento de CODINOME JOÃO

O depoente está preso comparece à CPI como réu colaborador. Diz que participa do esquema de extorsão comprando e vendendo drogas para traficantes e usuários.

Conta que uma das estratégias era deixar que gente com ele fosse presa, permitindo que carga maior de drogas passasse em seguida.

Foi o planejado para o depoente quando um foi buscar droga para a Agência Cleverson de Automóveis em Joinville-SC

Atesta o envolvimento de dezenas de policiais no esquema: delegado Kyoshi Hatanda, superintendente Paulo César Rodrigues, Reginaldo, Gerson, Germano.

Conta que fez a aproximação com Eliana que depois foi presa junto com o depoente, e teve que pagar 5 mil reais. Conta que neste caso e outros Reginaldo pagou ao depoente pelo trabalho, normalmente de 200, 330, reais.

Depois da extorsão era o Reginaldo que fazia as ligações para que a vítima fosse liberada. Como no caso do Polaco.

Acompanhou Reginaldo a S. José dos Pinhais para atrair o traficante Mauricio. O depoente recebia droga e dinheiro dos policiais para se apresentar ao traficante e deste modo ganhar confiança, depois era aplicado o golpe. Maurício foi preso trazido para o 5º Distrito Policial e teve que pagar 18 mil reais e entregar um Voyage, mais uma chácara,

Cita o caso do policial Loyola, com quem foi à favela Paolin, foram no Escort verde pertencente a esposa do policial, que era escrivã de policia. Durante um três meses entregou droga para duas traficantes Preta e d. Nice, que depois fora presas, as quais, depois, passaram a fazer parte do esquema. Isso ocorreu dois anos atrás.

Fez a mesma coisa com traficante Edson, sob a orientação de Moacir. Este policial mora no bairro de Uberaba.

Outro policial para quem trabalhou foi Valdomiro, que atualmente está afastado.

Certa vez fez apreensão de drogas na Vila Trindade, conhecido por Ceará, foram 250 gramas de cocaina

Conta que trocou droga, um quilo e meio de crack por um carro, foi como o policial Elisário.

O depoente acareado com Elisário repetiu o que dissera, o policial negou o fato, mas admmitiu que o carro envolvido no negocio fora um Kadett, ou seja, confirmou o relacionamento com o depoente.



Depoimento de ROGÉRIO LUIZ DE CARVALHO

O depoente conta que envolveusse com o esquema dos policiais no tráfico de drogas quando tinha 17 anos, em 1994. O primeiro serviço foi com Eliana que se aproximou para vender droga. Era conhecida da esposa do policial Paulo César Rodrigues.

Comprou droga com Eliana, e depois ela e o depoente foram presos, ela teve que pagar para sair.

Conta que o golpe foi aplicado também contra traficante Márcio do balneário Camboriú, que foi preso e teve que pagar ser liberado.

Conta que também fez uso de dólares falsos, os quais lhe eram entregues pelos policiais.

Trabalhou ainda com o policial Joel, em Curitiba, e aplicaram o golpe em um cabeleireiro, que para se livrar envolveu os próprios pais para pagar a extorsão.

Acrescenta que atuava na Danceteria Fórum no centro da cidade, e ali se escolhia as vítimas que tinha mais dinheiro. Conta que o caso de Palotina, caso do estudante de direito, o pai era dono de um hospital, que teve que pagar 4500 reais para liberar o filho.

Conta que conheceu vários informantes e pessoas que faziam o mesmo trabalho para os policiais, é o caso de “Tiazinha” protegida do policial Cláudio do 8º DP. Eric que atuava com Reginaldo, Paulo Paulada e Mauro Canuto.

Chegou a atuar em bar famoso de Curitiba em parceria com a namorada do policial Reginaldo, de nome Juliana.

Ao todo realizou para a “Firma” um 20 serviços como os acima relatados.



Depoimento de IPEGUARI SANTOS

O depoente é comerciante de jóias. Há uns cinco anos atrás teve sua casa invadida pelo delegado Ricardo Noronha, que dizendo estar investigando o dispara de armo de fogo, que atingira prédio em frente ao do depoente, onde se localizava a OAB, roubou, junto com sua equipe, da casa do depoente, 7 mil e 900 reais , duas pulseiras de ouro 18 quilates, com 15 gramas de peso e outra com 12 gramas, relógio seiko automático, calendário duplo, caixa e pulseira folheados a ouro, óculos Baush e Lamb, modelo caçador,de armação folheada, objetos pessoais, diário.

O depoente reclamou o desaparecimento de objetos pessoais, foi ameaçado com armas apontadas para si, para os filhos; as crianças passaram a chorar. Depois foi levado para a delegacia e submetido a torturas.

Os que foi roubado era para pagar fornecedores, prestação de ma’quina xerox que comprara e empregados trabalhadores. O depoente perdeu a loja e hoje trabalha como assalariado. A família está traumatizada até hoje.



Depoimento de GERSON ALVES MACHADO

O depoente é delegado de polícia e oriundo da PM, do 5º Batalhão de Londrina.

Trabalhou de 93/94 na delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, o titular era o Dr. Aparecido, e ele era adjunto. Desconhece o fato de policiais estarem envolvidos com o tráfico de drogas. Declara que não saber nada que desabone a conduta do delegado Ma’rio Martins.

Atuou ainda no 7º e 11º Distritos Policiais, retornado a delegacia de Furtos e Roubos de veículos, depois delegacia de estelionato, 3º DP, onde se encontra como delegado adjunto.

Disse que conhece, mas não trabalhou com os policiais Marcos Germano e Reginaldo Moreira e Paulo Paulada..

Declara que indiciou Gregório, vulgo grego, em vários inquéritos em e cumpriu contra este cartas precatórias de outros estados, Sta Catarina, São Paulo, pela prática de crime de receptação.

Gregório ainda responde por receptação de veículos roubados e furtados nas comarcas de Ponta Grossa, e teve prisão temporária decretada em campo Largo e Curitiba.

Sobre o caso de Fernando Davi Rabelo que teve seu carro e celular roubados, disse não saber o que foi investigado, embora o caso fosse da alçada de sua delegacia. Neste caso o ladrão ligou da celular vítima para a delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, exatamente onde a vítima fora fazer a ocorrência. O fato indica que o ladrão queria saber o que fazer com o carro. Disse o delegado que o caso foi investigado por outro delegado Simeão e sua equipe, nada sabendo sobre ele.



Depoimento de ALMIR DENI SCHIMIDT

O depoente é motorista de caminhão, encontra-se preso acusado da morte do Rafael Zanella.

Disse que trabalhou no 12 DP como motorista embora não fosse servidor público, nem fosse policial. Eram delegados os dr. Francisco e Mauricio Flower, e superintendente Daniel. Foi trabalhar na equipe do policial Airtom e Juliano Ricci, escrivão Carlos, em 1997.

Participou da extorsão do traficante Nato do bairro de Santa Felicidade, o traficante foi preso com 200/300 gramas de cocaína.

Conta a historia de conflitos entre policiais por drogas e teritório Cita o caso do policial Zoio de Gato, que a partir do informante Chico pretendia fazer uma apreensão, e em seguida a extorsão, ocorre que outra equipe sobre da droga e pretendia a mesma coisa, as duas encontraram e por pouco não houve tiros entre ambas.

Conta que Gregório não é policial mais dono de desmanche de carro roubado, tem contra si 26 mandados de prisão que não são cumpridos. Já Emerson também de desmanche atua no bairro de Santa Felicidade.

Os dois maiores dos desmanche sem dúvida são o Kadu e Paulo Mandelli, atuam com carros roubados.

Conta o caso de Rafel Zanella, que ocorreu em 28 de maio de 1997.

O depoente acompanhava a equipe dos policiais Reinaldo, Airton, Jorge, Guilherme, e mais duas moças usadas como isca por Reinaldo. Iria se fazer a extorsão do traficante Camarão; as moças comprariam drogas, em seguida os policiais fariam o flagrante.

Foram até a área onde atua Camarão, as moças fizeram a aproximação, compraram a droga, ocorre que antes dos policias agirem, chegou um carro com rapazes e apanharam o Camarão, quando o carro passou pelos policiais Airton e Reinaldo fizeram disparos acertando Rafael Zanella.

Reinaldo e Guilherme foram para a delegacia com os rapazes, que estavam com Zanella, e as meninas, Airton chamou o delegado Maurício. Em seguida foi armada a cena do crime, colocaram droga no carro de Rafael e deixaram uma arma, pretendendo insinuar uma reação do rapaz diante da abordagem dos policiais.

O delegado Maurício conduziu o inquérito, quando souberam tratar-se de pessoa de família influente, fizeram com que o depoente assumisse o crime, alegando que a arma disparara acidentalmente, quando este tropeçou, atingindo Rafael.



Depoimento de CANDIDO MANUEL MARTINS DE OLIVEIRA

O depoente é Secretário de Segurança Publica do Paraná.

Historiou todas as medidas que foram tomadas pelo Governo do Estado para enfrentar o narcotráfico, criou-se equipes especializadas nas policias civil e Militar, FERA e ÁGUIA. Realização de concursos públicos, contratação de novos policiais, reestruturação dessas policiais.

Registra a queda da criminalidade em geral, a exemplo de casos de seqüestros e outros. Embora no campo do narcotráfico muito tenha que se fazer.

Desde que as autoridades do Estado souberam que a CPI se deslocaria ao Paraná, tomaram todas providências para houvesse êxito nessas atividades. Quanto a continuidade das investigações iniciadas pela CPI, já constitui equipe que contara com mais de 15 policiais que ficará à disposição das investigações.

Disse que desconhecia o envolvimento de policiais com narcotráfico na dimensão revelada durante as atividades da CPI no Estado. E que já foram tomadas todas as medidas para afastar em princípio provisoriamente os policiais acusados, e outros em definitivo, das funções que exerciam como é o caso de delegado Ricardo Noronha.



Depoimento de ARTHUR OSCAR CORREIA BORGES

O depoente é delegado de polícia e exerceu o cargo de delegado geral de polícia do Estado entre 97/98.

Os delegados Noronha e Mário Martins foram seus desafetos. Lamenta não ter conseguido afastar Noronha do COPE. Disse que ao ser criada a delegacia de furtos e roubo veículo já designaram Ma’rio Martins como delegado.

Na gestão de Mário Martins aumentou o número de roubos de carros, a partir daí o depoente o afastou dessa delegacia, e, curiosamente o número de furtos caiu.

Recebeu inúmeras denúncias anônimas contra Maria Martins e outros delegados dando conta do envolvimento deles com desvio de cargas em Curitiba e Foz de Iguaçu.

Essas pessoas cedo deram sinais de enriquecimento ilícito, Mario Martins passou a andar de BMW.

Conta o caso de um traficante que preparava assalto aos carros de empresas pagadoras, Mardo Moacir Barelli, foi preso em Cornélio Procópio, pelo delegado Dr. Adriano. Noronha e Martins conseguiram transferi-lo para o COPE. Dele extorquiram 230 mil reais, depois o bandido fugiu; 15 dias depois ocorreu o assalto ao carro da PROFORTE, com roubo de 4 milhões de reais.

Noronha e Martins extorquiram mais 350 mil reais da mãe do assaltante.

Conta o depoente ouviu falar da Mario Canuto; de Samir, sabe que é ladrão de carro e mexe com pó. Já Reginaldo foi bom policial no início.

Disse que a amizade de Cândido e Noronha começou quando este estava na delegacia de Armas, Explosivos e Munições. Na sua gestão caiu a arrecadação de armas, houve um pedido de auditoria, o relator do processo o Tribunal de Contas foi o Cândido.

Depois no primeiro governo Lerne, Cândido foi nomeado secretário de segurança. Noronha era delegado de 2ª Classe não poderia assumir o cargo de delegado geral, foi nomeado para Foz de Iguaçu, Voltou de lá promovido para delegado de 1º Classe, foi para o Instituto de Identificação e depois para o COPE. Nesse período houve um aumento de roubos de carro para 40/50 carros por dia.

Disse que não havia a caixinha na sua gestão como delegado geral, tão pouco na do Dr. Renato Hortollandi de Sousa e Dr. Vicente Amaral.

Disse que Homero Andreatta Baggio é traficante e ladrão. Já Albuquerque de Campo Mourão é um corrupto, tinha uma Calibra, carro importado na época, valia uns 50 mil dólares; o promotor de justiça , seu vizinho, tinha um fusca. O depoente afastou o delegado omisso.

Sobre Edmir disse que era bom policial no início, foi levado ao para o grupo de elite da policia TIGRE, depois foi para o antitóxico. Depois não quis voltar, preferiu ficar na antitóxico, isso é muito suspeito.



Depoimento de WALDIR COPPETI NEVES

O depoente é Major Comandante do Grupo da PM denominado Águia.

Faz relato das investigações realizadas pelo grupo. Cita casos apurados envolvendo policiais e outras traficantes.




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