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Caso Mário Ramos


Teria envolvimento com desmanche de veículos em conjunto com Samir (DD 34306). Teria sido sócio, há mais ou menos dois anos, de uma loja que vendia peças de automóveis que seriam roubadas (DD 34336). Teria ligações com Assis Simão Filho no tráfico de drogas (DD 34381). Receberia propina de 5 mil reais por mês dos ferro-velhos (entre eles: Saú, na Rua Salgado Filho, e Kadu, de Mandelli) para não dar “batidas” (DD 34910). Teria envolvimento com desmanche de carros e enriquecimento ilícito em conjunto com o investigador Altair (“Taico”, candidato a prefeito em Pombal). Receberiam as peças de Edson Souza, proprietário da auto-peças “Barão Vermelho”. Os locais utilizados seriam: Sítio 2 Km antes de Imbaú, Rua Via Veneto, Santa Felicidade, próximo ao Powling Snook Bar; Depósito de carros na Rua João Nico, 21, Mussungué; Depósito de peças na rua Gotardo Boza; um terreno na Rua Saturnino Miranda, próximo ao nº 664 ou lombada eletrônica (DD 35621) (Denúncias registradas pelo Disque Denúncia da Câmara dos Deputados). Na época em que era delegado do COPE, há uns 4 ou 5 anos, e o superintendente era Marcos Dentinho teria sido escondida carretas roubadas que foram apreendidas em São José dos Pinhais (estariam envolvidos também Carlos Massa “Ratinho” e seu irmão) (DE). Envolvimento na morte do Dr. Yussef, conhecido como Árabe, ex-proprietário do Restaurante Alpendre, ocorrida em São Paulo. Um testa de ferro de Mário Ramos de nome Geraldo estaria fazendo a transação para compra do referido Restaurante. As transações seriam feitas no escritório do advogado Dr. Moiraquitan Chaves. O contrato teria sido enviado por fax para Dr. Yussef que o assinou em São Paulo. O telefone usado para tal é 233-0718. No dia seguinte à assinatura o empresário teria se “suicidado” em São Paulo. Nestes dias Mário Ramos teria enviado equipe de policiais a São Paulo. Mário Ramos teria estado na reinauguração do restaurante, administrado por seu testa de ferro. O mesmo advogado (Dr. Moiraquitan Chaves) teria intermediado a compra da KYW Comércio e Representação de Produtos Alimentícios (Av. 7 de setembro, 3146, sala 32, que depois se mudou para a Rua Luiz França, 1384, fone 365-3119) e a exorção de 9 mil reais do proprietário da loja (Mohamede de Darabain). O pagamento teria sido feito através do policial Serginho com cheques do Banco HSBC, agência 99, conta corrente 6330-5, os cheques de número: 726911, de R$ 2 mil; 726891, de R$ 300; 726906, de R$ 1 mil; 726897, de R$ 110; 726896, de R$ 110; 726899, de R$ 110. Ainda o cheque da referida empresa, também do Banco HSBC, agência 644, conta corrente 59980-5, de n°: 336801, no valor de R$ 1 mil (DE) (Denuncias registradas pelo Disque Denúncia da Assembléia Legislativa do PR)
  1. RESUMO DOS DEPOIMENTOS

1. Diligência realizada em Curitiba – Paraná
Assembléia Legislativa, 29 de fevereiro de 2000.


Depoimento de MARCELO MATEUS DOS SANTOS

Depoente encontra-se por preso por uso de entorpecentes. É usuário de drogas desde os 15 anos, tendo sido preso pela primeira vez em 1989, incurso no art. 16 da lei. Em 1995, novamente preso, conheceu os policiais os Policiais Pacheco, Gonzáles e Índio, além do Delegado Ricardo Kepes Noronha .

Com a segunda prisão foi envolvido pelos policiais do 11º Distrito (antes lotados no 8ºDP) Germano, Carvalho, Reginaldo e Delegado Kyoshi Hatanda. os quais aproveitando-se de sua condição de usuário, envolveram-no no esquema de extorsão, tráfico e consumo de drogas (maconha, cocaína) por eles montado, aplicado contra usuários, traficantes e terceiros .

No esquema, o depoente aproximava-se de pessoas amigas, conhecidas ou meras usuárias, para comprar ou vender drogas, essas pessoas, em seguida, eram abordadas pelos policiais em supostas situações de flagrância, posteriormente, levadas para a delegacia de polícia sofriam extorsões, para se verem livres do flagrante, evitando inquéritos e processos penais.

O depoente cita vários casos como de Zanom, amigo seu, que ele entregou para os policiais, cujo o pai, ex-militar, teve que pagar 30 mil reais para o delegado Kyoshi Hatanda.

O depoente tentou por todos os meios escapar dessa situação, o que se revelou infrutífero, os policiais freqüentavam sua casa, alimentavam seu vício entregando-lhe drogas, que o depoente pagava com dinheiro ou entregando-lhes os seus pertences pessoais.

Os policiais guardavam droga na própria delegacia de polícia, em seus armários. Ali também faziam uso de drogas. O Distrito Policial funcionavam com centro de distribuição onde pessoas, como o depoente, recebiam droga para o consumo e venda.

O depoente também era abastecido pelos policiais Paulo César Rodrigues, Superintendente do DP, escrivão Ezequiel, Samir, Mario Canuto, Edmir, Paulo Paulada.

Em verdade, havia vários grupos de policiais que participavam do esquema, dividiam a Curitiba em territórios, cada qual atuando em um determinado. Samir e Mario Canuto, por exemplo, atuavam no centro da cidade, na Rua Vicente Carvalho, entre outras.

Todos os segmentos sociais, da classe A a D, compravam drogas dos policias. Muitas pessoas vendiam drogas para eles e, se não o fizessem eram exterminados ou presas. O depoente suspeita, por relato dos próprios policias, que o grupo seja responsável pela morte do traficante do traficante Pedro Pompeu, encontrado na Baia de Paranaguá em 1997.

A cocaína era a droga mais preferida, a maconha além de volumosa, dava menos lucro.

O depoente indica como sendo chefe do grupo Hissam, de Araucária, e os policias Samir, Homero e Reginaldo.

O depoente cita casos onde o delegado Ricardo Noronha participou pessoalmente de extorsão, a exemplo da ação no Morro do Formiga, situado atrás do fabrica de papelão Trubini, em que o traficante foi abordado, fez acordo e em seguida foi liberado. Outra vítima do grupo foi a Aloísio, aprovado em concurso para a policia civil, que foi obrigado a dar aos policiais um camionete RANGER, além de pagar de 7 a 8 mil reais.

O grupo atuava em outras cidades e até fora do estado, usando o depoente para passar por barreiras policiais, apresentavam-no como preso, cujos os comparsas seriam capturados. Desta forma, com ampla liberdade de ação, aplicavam golpe em traficantes onde estivessem, removendo-os para Curitiba, onde sofriam a extorsão.

Faziam parte do esquema lojas de desmanche de carros, as maiores eram do KADU, de propriedade de Juarez, conhecido por caboclinho e a de PAULO MANDELLI. Havia menores como a do Emerson Ferro Velho, situada próximo do terminal do bairro Santa Felicidade. Os desmanches pagavam cotas às delegacias, sobretudo às de Furtos e Roubos de Veículo e a Antitóxico.

Depoimento de EDNA TAVARES STROPA

A depoente foi envolvida pela amiga Teresa no tráfico de droga. Funcionaria como “mula”, atravessando pela fronteira cocaína da Bolívia para o Brasil.

Conta a depoente que por três meses foi mantida em cárcere privado na Bolívia por um traficante, conhecido por Índio, a quem foi apresentada pela amiga Teresa. O traficante resolveu depois de algum tempo utiliza-la no tráfico, antes tomou como reféns os filhos de Teresa, além de ameaçar fazer mal à filha de Edna, a quem conhecera em viagem ao Brasil.

A depoente conta que fez contado com uma pessoa de nome Chico em Curitiba, a quem seria remetido à droga. Os telefonemas dados ao Brasil revelaram como pretensos compradores policiais da delegacia de Furtos e Roubos de Automóveis em Curitiba; inclusive um dos números de telefones fornecidos para contato era da própria delegacia, o outro, era telefone celular do policial SAMIR.

Em Curitiba a depoente e o motorista que trouxera a droga se hospedaram em um hotel, ali estabeleceram contato telefônico com os compradores da droga. No dia seguinte na rua foram interceptados por um grupo de policiais chefiados por um que se identificou como Samir, os quais tomaram 8 quilos de cocaína transportados pela depoente.

A depoente procurou a delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, com o propósito de receber o pagamento pela droga. Ali manteve contato com Samir, que descobriu não ser exatamente a mesma que ficara com a droga, mas outra. Samir a levou à Policia Federal. A depoente acabou por identificar em álbum da polícia, que a pessoa que ficara com a droga na verdade fora MARIO CANUTO.



Depoimento de HUMBERTO APARECIDO TERÊNCIO

O depoente é ex-policial militar, atuou no Comando do Policiamento do Interior, tendo sido, também, bancário por 10 anos. Foi preso em 5 de novembro de 1998 pelo delegado Adauto Abreu de Oliveira, por tráfico de drogas, com 2.600 bolas de haxixe e 400 gramas de maconha.

Revela a existência de esquema organizado por policiais para comandar o tráfico em Curitiba e outras cidades do Paraná tendo à frente os delegados Ricardo Kepes Noronha e Mário Martins, com o envolvimento de outros delegados a exemplo de Kyoshi Hatanda e dezenas de policiais, superintendentes, escrivães e investigadores

O esquema consiste em extorsão, tráficos de drogas, furtos, roubos, desmanche de carros, e quaisquer outros ilícitos, que produzam renda aos policiais. O grupo estaria associado ainda à empresários e advogados. Esquema do qual o depoente fazia parte.

Quando foi preso o depoente articulava com a equipe do delegado Ricardo Noronha a interceptação de carreta Volvo que transportava 40 quilos de cocaína de Tangará da Serra para Curitiba. Participavam do planejamento os policiais Edmir, Homero, a policial Volga e o escrivão Nei Prosdócimo, do COPE.

Denuncia o depoente a existência de uma caixinha nas delegacias, que distribuía entre os policias 10% de tudo que é arrecadado no mês, fruto de extorsões, apreensões de drogas, flagrantes.

Conta que delegados pagam um “pedágio” para cúpula da polícia para permanecer ou serem transferidos para delegacias que dão lucro; o filé das delegacias seria de Foz do Iguaçu, por estar na rota do tráfico, roubos de carros, etc. Outras delegacias importantes seriam a de Furtos e Roubos de Veículos e Antitóxico.

A delegacia de Furtos e Roubos ainda tem o esquema de recuperação de carros roubados, em que as seguradoras pagam o prêmio de 10% do valor do seguro para quem recuperar os veículos. Ocorre no caso uma farsa, os policiais comandam o roubo de carro na cidade, e de 10 roubados, devolvem 7 para as segurados, e distribuem 3 para os desmanches. Ganham dos dois lados.

Esse esquema ainda permite a propaganda em favor da polícia, que passa por eficiente na medida que recupera em média 80% dos carros roubados.

Desse esquema os desmanches participam pagando 50 mil reais mensais para a caixinha das delegacias.

Conta que os chefes do tráfico seriam os policiais Mario Canuto, Edmir, Homero, Samir Skandar. Estes teriam apoio do delegado Ricardo Noronha.

Samir Skandar estaria ligado a roubo de carros e de drogas. Seria policial vinculado a Hissam, empresário do ramo de hotéis e agência de carros, e chefe maior do narcotráfico.

Hissam teria um chácara com pista de pouso para helicópteros e um laboratório para o refinamento de cocaína.

Quando foi preso os policiais contrataram para defende-lo o Dr. Pellizzetti ; o advogado também faz parte do esquema , assim como fazia o recentemente falecido Dr. Renato Crovador.



Depoimento de GILBERTO CHAGAS RAMOS

O depoente foi policial civil por 26 anos. Envolvido com o tráfico de drogas foi preso duas vezes. A primeira vez com 12 quilos de cocaína e 10 quilo de crack. Era ligado ao pessoal da 12ª DP, policial Samir Skandar, Vera Regina Zuncoloski e Ali Hassam. Já trouxe droga de Joinville.

Fazia entrega de droga para o policial Elisário Rodrigues da Silva, no Morro do Piolho.

Manteve um relacionamento mais distante com Hissam, a quem Samir é ligado. O depoente trabalhou com os policiais Mário Canuto, Espósito, Moacir Rocha. Esses policiais eram apoiados pelo delegado Ricardo Noronha, que transferia esses e outros do esquema quando ficavam manjados nas áreas onde atuavam. Distribuía entre as divisões da capital e do interior.

Declara que no 11º Distrito o delegado adjunto Reinado Alves Natel cobrava uma taxa mensal de 1500 reais de cada traficante.

Conta que no esquema o policial mais forte é Samir pelo envolvimento com os desmanche de carros roubados, sendo os mais expressivos o do KADU e PAULO MANDELLI.

Declara que há seis anos atrás vendeu droga para o deputado. Luciano Pizzato. E que o filho do deputado estadual Alborghetti e o repórter policial ?, participam do esquema. Márcio Alborghetti é viciado em droga, usa o seu programa na rádio para extorquir os policiais.

O depoente conta que teve problema com a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículo e foi obrigado a pagar 15 mil dólares para o delegado Gerson Machado e Dr. Mário Ramos. Um preso de confiança dos delegados citados vendeu droga para o depoente e este para não responder inquérito pagou a quantia acima citada.

O depoente confirma a participação do esquema criminosa os policiais Edmir da Silveira, Reginaldo Moreira e Marcos Antonio Germano. Luiz Carlos Bora e sua esposa.

Declara que fez para o pessoal da 12ª DP de 4 a 5 viagens com 8, 10, 12 quilos de cocaina, em que contava com esquema de segurança nas estradas, além do carro em que transportava, havia um outro que dava cobertura; quando foi preso, o pessoal estava atrás num carro vermelho, que não foi percebido pela polícia. O carro era roubado e era usado pelo pessoal da 12ª DP.

Declara que em Joinville o traficante Ismael trazia droga direto da Colômbia; por via terrestre a droga era transportada em caminhões. Com carregamentos de 20 a 30 quilos normalmente. Não sendo raro carregamentos de 80 a 100 quilos. A droga saia da Colômbia passando por Mato Grosso, sendo distribuída depois pelos estados até Curitiba.

Confirma a participação de desmanches no esquema, que o do KADU recebia em média 30 carros. O Paulo Mandelli teria sido policial civil em São Paulo. A segurança desses desmanche era feito pela própria polícia. Entre os desmanches conhecia o do Gregório, vulgo Grego e o de Gilmar Ferrari.

O depoente declara que Eloi Biezus, da empresa Helisul, seria sócio do policial Mario Canuto. E este teria um helicóptero esquilo.

Conta que o policiais do tráfico tramaram a morte de um promotor de justiça; usariam dois menores, simulariam um assalto. Desconfia que a morte de um policial federal que investigava a conexão do tráfico com a Itália foi obra do pessoal da 12ª DP. O policial foi morto na praça do Campo do Atlético. Um preso da delegacia teria cometido o assassinato. Fato é que a policial Vera, superintendente da 12ª, fez viagem para a Itália.

Os policiais Homero e Gaede também são envolvidos com tráfico de armas, transportando do Paraguai, via Foz do Iguaçu. São armas automáticas, fuzis, 662, vendidas na oficina de NENI CRENTE, no bairro de Santa Quitéria.

O depoente denuncia que escriturários da 1ª e 5ª Vara Criminal, colaboram com o policial Elisário, vendendo informação sobre processos, e interferem no andamento dos processos para impedir a decretação de prisão preventiva do traficante e de outros.



Depoimento de VERA LÚCIA BITTENCOURT CROVADOR

A depoente é esposa do advogado Renato Crovador, morto recentemente. E que sua morte está relacionada com traficantes de drogas ligados aos policias.

Cita como policiais o delegado Ricardo Noronha, o delegado Mario Ramos, Roberto de Almeida, aos policias Altair, conhecido como Taíco. A morte do marido deve ser debitada também aos clientes dos donos de desmanche Paulo Mandelli e Juarez França Costa, o caboclinho do desmanche KADU.

Esses policiais levaram a depoente para a delegacia e quiseram que assumisse o assassinado do marido. O motivo seria seu envolvimento com um rapaz, que namorava. Favorecendo a tese de crime passional

Há uma solicitação da delegada Alcelina Cunha Artigas, que considerando que a depoente corre risco de vida no 9º Distrito onde estava presa, requer que a mesma cumpra medida de segurança no Sistema Penitenciário.

Não sabe as razões pelas as quais o marido foi morto, mas que este era efetivamente ligados aos traficantes. Declara que o rapaz que namorava foi orientado pelos policiais para se aproximar dela. Hoje ele está desaparecido.

Na delegacia que fez a proposta para que assumisse a morte do marido foi o Paulo Mandelli.




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