Diretoria legislativa



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Introdução


1.1. Antecedentes

A C.P.I. esteve por três vezes no Paraná, realizando audiências e diligências em Curitiba, Foz do Iguaçu e Ponta Grossa.

A Comissão resolveu proceder a investigações no Estado do Paraná após receber denúncias que indicavam o envolvimento de autoridades com o crime organizado, além de, desde o início dos trabalhos, ter ficado convencida da importância de Foz do Iguaçu no esquema da lavagem do dinheiro.

1.2. Situação identificada

As audiências em Curitiba resultaram na identificação da seguinte situação: envolvimento da alta cúpula da Secretaria de Segurança Pública do Estado e da Polícia Civil no tráfico de drogas e no roubo e desmanche de carros, além de ligações com extorsões, achaque, tortura, enriquecimento ilícito, loteamento de delegacias importantes (furto de veículos, Foz do Iguaçu) entre outros.

Os dois personagens centrais, são: o ex-Delegado-Geral da Polícia Civil, Dr. João Ricardo Keppes de Noronha e o ex-Delegado-Chefe do COPE (Centro de Operações Policiais Especiais) Dr. Mário Ramos. Eles têm ligações diretas, recebendo propina mensal, com dois acusados de participar do esquema de roubo de carros e desmanche, juntamente com o narcotráfico, Paulo Mandelli e Juarez Costa França (vulgo “Caboclinho” ou “Kadu”). Participam diretamente desse esquema os policiais civis Mauro Canuto e Samir Skandar. Sobre o Ex-Secretário de Segurança Pública, Cândido Manuel Martins de Oliveira, pesam denúncias dando conta de participação direta no esquema e de conivência.

O esquema tem ramificações por todo o estado, com a participação de delegados e superintendentes, além de investigadores e os chamados assistentes de segurança (vulgo “bate-pau”, “X-9”, “calça-curta”), que são cargos não concursados agindo nas delegacias de polícia. Os delegados pagam propina aos dirigentes para serem nomeados e removidos, na maioria dos casos com interferência direta de políticos regionais. Estes policiais fazem “vistas grossas” à passagem da droga. Estão envolvidos: Delegados Emilio Wzorek e Cássio Denis Wzorek, de Ponta Grossa, João Almir Troyber, Superintendente em Ponta Grossa, Delegado Luiz Carlos de Oliveira, ex-delegado em Foz do Iguaçu, Delegado Lino , em Toledo.

O estado se caracteriza por ser rota de passagem, sobretudo através de Foz do Iguaçu e Guaíra, cidades fronteiriças, em rotas que se ligam sobretudo a São Paulo e Rio de Janeiro.



Há estreita ligação entre roubo de cargas e carros, desmanches e narcotráfico. A lavagem de dinheiro é forte; Foz do Iguaçu é a terceira cidade neste tipo de procedimento no país, ficando atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro.
  1. CASOS


Os casos relatados foram construídos com base em depoimentos feitos à Polícia Civil, ao Ministério Público, em dossiês entregues à CPI, pelo Disque-Denúncia e através de denúncias enviadas diretamente à CPI.

Caso Pelizzetti


Antônio Pelizzetti (Fone 41 352-4241), advogado criminalista, com escritório em Curitiba, teria sido sócio há cerca de 10 anos de Cândido Martins de Oliveira, ex-Secretário de Segurança. Nele trabalharam vários advogados. Tem estreita ligação com os delegados Dr. Noronha e Dr. Mário Ramos. Para ele trabalharam entre outros o policial Canuto. A mostra da ligação aparece em alguns casos como Crovador, Bitencourt, Mônica e Jaudê, Providência, entre outros (Cf. Dossiês). Foi advogado dos policiais da 6ª SDP (Foz) no caso de atentado a bomba na residência de Paulo Roberto de Oliveira no mês de setembro (ou início de outubro de 1999) (Cf. depoimento à Procuradoria da República de Foz).

Caso Granada (1995)


Envolve NORONHA e Pelizzetti. Dr. Hugo Ramos de Oliveira foi funcionário do Escritório de Antônio Pelizzetti, tendo sido afastado em 20 de janeiro de 1995, entre outros motivos pelo não acatamento à orientação dada para acompanhar o processo do policial civil Belfort César Bitencourt. No dia 22 de abril de 1995 o Dr. Hugo sofreu “atentado”, às 4 horas, com tiros de escopeta contra seu veículo Kadett, que estava estacionado na garagem de sua residência. No jardim da casa foi encontrada uma granada de efeito moral (próximo ao portão, do lado de fora, um pino – a granada foi jogada, segundo o policial militar que a desarmou, para que não detonasse). Ocorre que a granada está na lista dos materiais recebidos pelo Dr. Noronha das mãos de sua antecessora (Dra. Leila Bertolini), quando assumiu a coordenação do TIGRE em 12 de janeiro de 1995 e também na relação de entrega ao sucessor (Dr. Arthur Braga) (Folhas 74 e 84 do Inquérito 8/95 do 8º DP). A mesma granada teria saído da Sede do TIGRE, de acordo com depoimento do responsável, como de praxe, sem anotação, já que era de uso contínuo, sendo que declarou, também, que não havia pessoa responsável diretamente pela sua devolução. Nos autos, Pelizzetti declara que conhece Noronha e que acompanhou casos que eram registrados na DP do Delegado.

Caso Companhia Providência


O contador Nelson, da Companhia, estaria desviando dinheiro da empresa, de propriedade de um casal de suecos. O golpe foi noticiado pela imprensa à época. O contador foi preso. Para depoimento complementar, foi retirado do Presídio do Ahú pelo Delegado Noronha e pelo advogado Antônio Pelizzetti (que era seu defensor). O advogado, na ocasião, aproveitou para extorquir a esposa do contador, que teria pago 80 mil dólares a “Serginho” (Octaviano Sérgio Carvalho Macedo, amasiado da filha de Pelizzetti, Cláudia). Fazendo-se de desentendido, Pelizzetti extorquiu mais 100 mil dólares, que seriam entregues pessoalmente pela esposa do contador no escritório de Pelizzetti. A caminho do escritório foi assaltado por uma motocicleta na qual estavam dois homens armados, Serginho e o policial Canuto. Depois disso, os próprios donos da Companhia teriam sido ameaçados por Pelizzetti e Noronha para que o caso não fosse mais badalado.

Caso Mônica e Jaudê


Trata-se de Mônica Elaine Ceccon, funcionária do gabinete do Ex-Secretário Candinho. É amante de Rafael Pelizzetti, filho de Antônio Pelizzetti, de quem Candinho foi sócio em escritório de advocacia há cerca de 10 anos. Jaudê, irmão do ex-diretor geral da Polícia Civil, Newton Tadeu Rocha, teria cargo de confiança junto ao gabinete de Candinho e também manteria uma sala no escritório de Pelizzetti, que fica ao lado da sala de Jamil Cury (Ex-sócio do advogado Luiz Renato Crovador).



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