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DILIGÊNCIA EM CORUMBÁ-MS Nº 0151/00 - 15/03/00



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DILIGÊNCIA EM CORUMBÁ-MS Nº 0151/00 - 15/03/00

DEPOENTES:

1. FRANCISCO DE ASSIS JOCA

2. ARMANDO DE AMORIM ANACHE

3. LUIZ ANTÔNIO MARTINS

4. JOSÉ ARTURO IUNES BOBADILHA GARCIA

5. ANTAR MOHAMED

6. JAIR PONTES

OBS.: JOÃO BATISTA DE SÁ foi convocado a depor, mas não compareceu nem prestou qualquer esclarecimento, o que implica seu indiciamento pelo crime de desobediência .

JOÃO BATISTA DE SÁ


Proprietário do Hotel Internacional de Corumbá (MS). Foi indiciado em três inquéritos nos art. 12, 14 e 18, da Lei 6368/76. É inclusive acusado por traficantes presos na Espanha de atuar no narcotráfico.

Por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), JOÃO BATISTA DE , responde o processo em liberdade.

Devemos ainda informar que, informações sigilosas recebidas por esta Comissão mostram, que coincidência ou não, o juiz CARLOS ALBERTO PEDROSA e o advogado do acusado viajaram em 1999 para o estado da Flórida (EUA), com intervalo de apenas um dia. É necessário que esta denúncia seja investigada pelo Ministério Público, através da empresas aéreas e possíveis contas bancárias internacionais.

1 . FRANCISCO DE ASSIS JOCA


Cumpre pena há um ano e meio em Corumbá (MS). É condenado a 13 anos e 6 meses. Aguarda resultado do recursos em 1ª instância. Declara que adquiriu uma fazenda na região do Paiaguás, de 970 hecatares, com a finalidade de construir uma pousada para passeios ecológicos. Diz que continuou morando em São Paulo e que o Sr. ANDRÉ LUIZ VILALVA DA COSTA era o administrador da fazenda e de seus bens em Corumbá.. Era dono de um avião bimotor.

Chegou a ter dois aviões, comprados a prazo. A segunda aeronave foi comprada do senhor ADÉLIO. Informa que o senhor ANDRÉ, juntamente com o senhor REINALDO ROMANIOLI, usavam seu avião, sem sua autorização, para traficar cocaína e sua fazenda de apoio, pousando e decolando com os carregamentos da droga, uma vez que na fazenda vizinha, de propriedade do Sr. REINALDO a pista estava constantemente alagada.

Consta nos autos do processo que a Polícia Federal interceptou um carregamento na fazenda Tarumã, no Pantanal Sul-Mato-Grossense, de propriedade da organização criminosa que FRANCISCO liderava, com 90 quilos de cocaína vindos da Bolívia. Foram presos em flagrante. No decorrer do cumprimento da pena, FRANCISCO prestou declarações à autoridade policial federal de Corumbá em que denuncia o uso de suas aeronaves apreendidas para atividades ilícitas, tanto no território nacional como no Paraguai e Bolívia.

Cita o nome do senhor ADÉLIO DE OLIVEIRA FILHO, que teria tomado um dos seus aviões como pagamento do outro comprado a prazo e acautelou o segundo, que estava sob a responsabilidade do hangar UNIÃO, na cidade de Atibaia (SP), usando “testas-de-ferro”. Está traficando livremente, não só cocaína como contrabando de armas e pneus, usando seu comércio local como fachada para a prática criminosa. Declara ter sido informado que existe um mandado de prisão para ADÉLIO DE OLIVEIRA FILHO no Mato Grosso, acusado de ser o mandante do assassinato de um delegado de polícia em Cuiabá.

Que conhece de nome o senhor LUIZ ANTÕNIO MARTINS, dono do Hotel Nacional em Corumbá (MS) e JOÃO BATISTA DE SÁ, dono do Hotel Internacional, pelos comentários de tráfico de drogas através dos hóspedes.

Que conhece nomes como JAIR PONTES, ANTAR MOHAMED e KALED ARAGI, doleiros conhecidos na região.

Que conhece pessoalmente os RABELO em Cacoal (MT) e também ABDIEL , que foi preso com 553 quilos de cocaína.

2 . ARMANDO DE AMORIM ANACHE


Vereador, eleito pelo município de Corumbá (MS), em seu primeiro mandato. É jornalista profissional. Compareceu espontaneamente para colaborar com a CPI, tendo em vista seu profundo conhecimento da rota do narcotráfico naquela região. Atuante na função de jornalista, há 10 anos denuncia o tráfico. Tenta contribuir com as autoridades na busca de soluções. Denunciou e conseguiu com que a polícia estourasse “fármácias de fachadas” que forneciam éter e acetona para a Bolívia e que eram abastecidas por fabricantes do Estado de São Paulo.

Na opinião do jornalista, o que facilita o tráfico é o livre acesso através do rio Paraguai e a baía do Tamengo, onde o município tem 300 km de fronteira seca com a Bolívia, além das rodovias e aeroportos clandestinos.Tem denunciado sistematicamente o consórcio de cocaína, controlado pelos “tubarões”, que não põem a mão na droga, mas financiam a compra.

A fiscalização se torna deficiente por falta de estrutura e até de efetivo da polícia. Entende que “estourar” bocas de fumo no Rio e em São Paulo não resolve o problema, já que a droga sai da fronteira e, segundo ele, o mal tem que ser cortado pela raiz, ou seja, o fornecedor.

Declara conhecer os nomes de LUIZ ANTÔNIO MARTINS, ANTAR MOHAMED, KALED ARAGI, citados como envolvidos no tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro.

Relata o contrabando de carros roubados no Brasil, que são trocados por cocaína na Bolívia. A mulher do atual prefeito da cidade de Puerto Quijarro, na Bolívia, seria a receptadora, que teria sido flagrada e denunciada pelo jornal EL DEBER com reportagens e fotografias.

3 . LUIZ ANTÔNIO MARTINS


Proprietário do Hotel Nacional em Corumbá (MS). Foi convidado a prestar esclarecimentos na CPI acerca das denúncias que pesam contra sua pessoa, de enriquecimento ilícito por envolvimento com o narcotráfico e consórcio de cocaína que seriam intermediados no próprio estabelecimento hoteleiro. Em seu depoimento este acusado negou qualquer “conhecimento” de tráfico de drogas na cidade de Corumbá. Que conhece só de nome JAIR PONTES, ANTAR MOHAMED e KALED ARAGI. As investigações sobre ele devem ser aprofundadas.

4 . JOSÉ ARTURO IUNES BOBADILHA GARCIA


Promotor público da Vara Criminal em Corumbá (MS). Compareceu espontaneamente para esclarecer acusações de envolvimento com lavagem de dinheiro. Essas acusações chegaram à CPI através de um dossiê recebido de um conselheiro da OAB do Rio de Janeiro.

Sobre o fato, o declarante afirma serem acusações estritamente de cunho político, uma vez que o motivo relevante da história seriam fotos tiradas ao lado do doleiro KALED ARAGI, preso pelo juízo da 1ª Vara Criminal de Duque de Caxias nos autos do processo de Luiz Fernando da Costa, vulgo “Fernandinho Beira-Mar”.

O episódio aconteceu no último aniversário da cidade, na solenidade de sua posse ao PSD, partido pelo qual é pré-candidato a prefeito de Corumbá nas próximas eleições e que por ser um ato político com muitos convidados, tiram-se fotos de todos com todos, sem discriminação.

É conhecedor que o narcotráfico em Corumbá é patente, é visível. Corumbá é rota do tráfico internacional e isso tem que merecer atuação séria e firme das autoridades competentes. Sem nenhum temor, sugeriu a quebra dos seus sigilos bancário, telefônico e fiscal.





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