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Os banqueiros do jogo do bicho José Carlos Gratz, Francisco Manoel Moraes Ramos, José Abrantes Sobrinho e Luiz Moreira Coelho, o "Cachoeirense", foram ouvidos no inquérito (assassinato de Jonathas), mas o depoimento mais contundente foi prestado pelo também contraventor Luiz Siqueira Miranda - o “Goiaba”. No dia 26 de maio de 1983, ele relatou que a formação das bancas reunidas, em Vitória, criou uma série de atritos entre os banqueiros do bicho. Disse ainda que, numa reunião com os 23 membros das Bancas Reunidas, oito dissidentes resolveram abandonar a associação e foram ameaçados por Francisco Ramos, José Abrantes Sobrinho, José Carlos Gratz e Luiz Cachoeirense, que afirmaram que não permitiriam que os oito bancassem sozinhos o jogo.

"Goiaba" deixou claro à polícia que sempre estava atento a tudo que se passava nas bancas reunidas ... apontando Abrantes, Luiz Cachoeirense, José Carlos Gratz e Francisco Ramos como os mandantes do crime. No dia 25 de outubro de 1985 o próprio Luiz Siqueira Miranda, o Goiaba, foi assassinado a tiros. Desde então, o inquérito que deveria apurar sua morte vai e vem das delegacias de Polícia para a segunda vara criminal, sem nunca apresentar uma conclusão.

Na linha de formação do liame entre José Carlos Gratz e a sonegação de impostos e lavagem de dinheiro, importa afirmar que Gratz, durante muitos anos, manteve (e quiçá ainda mantém) sociedade com José Carlos Martins Filho, mais conhecido como “Carlinhos de Campos”, chegando inclusive a mantê-lo como funcionário, em seu gabinete na Assembléia Legislativa do Estado.

Ocorre que o Sr. José Carlos Martins Filho é pública e notoriamente conhecido no Espírito Santo e no Rio de Janeiro como um dos grandes contraventores do jogo e traficante de drogas, já tendo sido condenado a cinco anos e seis meses por formação de quadrilha e contravenção.

O nominado criminoso, além da associação com José Carlos Gratz, tinha como sócios os Senhores Castor de Andrade, Luiz Pacheco Drumond e Aniz Abrão, em bancas de jogo do bicho no Estado do Rio de Janeiro.

Outras denúncias que chegaram a esta CPI envolvem o Deputado José Carlos Gratz, o Diretor da Assembléia Legislativa do Estado, André Nogueira, o Deputado Gilson Lopes, o Presidente da Associação dos Funcionários da Assembléia (ARSAL) e os bicheiros Ailton Guimarães Jorge (o Capitão Guimarães) e o bicheiro conhecido como “Pinguim”, da cidade de Americana (onde também é dono de um shopping center). Indicam um grande esquema de corrupção e desvio de dinheiro na Assembléia Legislativa do Estado do Espírito Santo.

Com efeito, relatam as denúncias que há mais ou menos dois anos a mulher do Deputado José Carlos Gratz foi presenteada com um automóvel Verona zero km. Em julho de 1999, a esposa do deputado foi presenteada com um Jeep Grand Cherokee, tendo sua filha sido presenteada em 1998 com um automóvel Tigra zero km, tudo pelos contraventores antes nominados.

Sobre André Nogueira consta que, desde que assumiu a Diretoria Geral da Assembléia Legislativa, há mais ou menos 3 anos, ganhando cerca de R$ 3.000,00 (três mil reais) mensais, já comprou um automóvel Golf GTI por R$ 40.000,00 à vista, para uso próprio, um Jeep Pajero por R$ 80.000,00 para sua esposa, e um automóvel Marea de R$ 40.000,00 para, segundo consta, sua amante, Sheila Gratz, secretaria e sobrinha de José Carlos Gratz, além de um sítio, em Domingos Martins, por R$ 150.000,00.

Consta ainda que André Nogueira, juntamente com Saturnino, sob o beneplácito de seu superior, o Deputado e Presidente da Assembléia Legislativa, José Carlos Gratz, desvia mensalmente cerca de R$ 40.000,00 da Assembléia, através de licitações fraudulentas, tendo Saturnino e André viabilizado um patrimônio invejável, da ordem de R$ 1.500.000,00.

Denúncia recebida pela Comissão relata, por outro lado, que André Nogueira, homem de confiança de José Carlos Gratz e diretor geral da Assembléia, possui uma firma para lavagem de dinheiro no esquema estruturado na própria Câmara, juntamente com Arivan Eduvirges, residente em Cobilândia. Seguindo consta, ainda, André e Arivan possuem conta bancária no Banco Banestes em Paul e o caixa do Banco, de nome Gilberto, é quem dá cobertura à operação. A esposa de Arivan também emprestaria seu nome para as firmas de lavagem de dinheiro, sendo que as firmas são: Vôo Livre, LAAP e Sunk Music, além de outras duas.

Consta ainda que a ARSAL - Associação Recreativa da Assembléia Legislativa do Espírito Santo, presidida por Saturnino Manuel Faustino dos Santos, é usada por Gratz para fazer manobras com a verba do Poder Legislativo, a exemplo do dinheiro do crédito rotativo, enviado pelo Executivo e desaparecido na ARSAL. Foram milhões de reais, que continuam pendentes nas contas dos servidores. Saturnino, homem de confiança de Gratz, é também autor de seguro de vida milionário, feito com a empresa seguradora de nome Assist (Sabemi), para os funcionários da Assembléia. Segundo consta, em caso de falecimento, os familiares dos segurados só recebem uma cesta básica por um período de 3 meses.

Releva analisar e aprofundar as investigações, ainda, quanto ao Sr. Luis José Finamore, o "Lula", advogado, sócio e "testa-de-ferro" de José Carlos Gratz em várias atividades, através do escritório de advocacia "Advocacia Finamori Simoni" e também quanto a Paulinho SORRISO, como é conhecido aquele que controla várias contas bancárias para José Carlos Gratz.

Outros fatos que chegaram ao conhecimento desta Comissão Parlamentar de Inquérito e que merecem aprofundamento das investigações, dão conta que o ex-deputado e atual Secretário Geral da Mesa na Assembléia Legislativa do Espírito Santo, Dr. Lúcio Merçon, é homem de extrema confiança de José Carlos Gratz nos esquemas ilícitos estruturados na própria Casa Legislativa. Com efeito, as denúncias indicam que Gustavo Merçon, atual Diretor Legislativo da Assembléia, com salário mensal de R$ 7.000,00 foi o único aprovado, mediante decisão judicial, no concurso promovido pela Câmara para o Cargo de Diretor que hoje ocupa. Já Adenir Merçon, esposa de Lúcio Merçon, recebe do orçamento da Assembléia verbas e subvenções exorbitantes, devidamente divididas com Gratz, para sua Rádio na cidade de Castelo, sul do Estado.

O Sr. José Carlos Gratz, apesar das negativas peremptórias durante seu depoimento, possui, com a ajuda de vários “testas de ferro”, diversas empresas em São Luiz (MA), e distribuidoras de remédios, restaurantes e bares diversos no centro de Vitória, Imobiliárias, casas de bingos etc, ou seja, os principais ramos de negócios utilizados para a lavagem de dinheiro do crime organizado.

Releva destacar que nesses empreendimentos, figuram como sócios de José Carlos Gratz, entre outros, CARLOS FERNANDO GRATZ, CAROLINE GRATZ e RITA GRATZ. Contudo, é PAULO GRATZ, irmão do Deputado, quem gerencia as atuais bancas de jogo do Bicho, ou seja, quem está à frente da contravenção mantida pelo Deputado Gratz.

Recentemente, mais uma denúncia envolvendo o Deputado José Carlos Gratz (e que ainda não mereceu a devida atenção das autoridades judiciárias do Estado) aponta o Deputado como o mandante do assassinato de João Luiz, proprietário de um bar denominado “Tiago’s Bar”. Com efeito, João Luiz, amigo pessoal de Gratz, era conhecido há muito pela polícia, tendo em vista ter sido preso e indiciado na “Operação Marselha”.

Os fatos notórios que cercam esse assassinato, demonstram que João Luiz tinha amizades e trânsito fácil entre diversas autoridades. Seu estabelecimento comercial era freqüentado por desembargadores (Geraldo Correia Lima), Juizes, Deputados (José Carlos Gratz), delegados e outros. Consta que João Luiz ainda estava intimamente envolvido com a compra de carros furtados e que a pessoa que financiava esse comércio, emprestando vultosas quantias, era José Carlos Gratz.

As apurações desse crime, cuja autoria material já é conhecida (do ex-policial Paulo Jorge, defendido por Dório Antunes), indicam que a vítima havia, poucos dias antes do crime, passado um cheque sem fundos, no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), para José Carlos Gratz, em pagamento de empréstimos que eram utilizados nas transações envolvendo veículos e drogas. Face a devolução do cheque, João Luiz foi assassinado.

Registre-se que, ante a impossibilidade de quebra do sigilo fiscal, telefônico e bancário (em decorrência de Liminar concedida pelo S.T.F) de Dório Antunes, Gilson Lopes, André Luiz Cruz Nogueira, Solange Antunes e Sheila Gratz, foi interrompida uma decisiva linha de investigação sobre as atividades do Deputado Estadual José Carlos Gratz.

AUTORIDADES DO PODER JUDICIÁRIO

Sobre a participação de membros do Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo, é mister trazer à tona matéria publicada no jornal "A GAZETA", em 9 de julho de 1996, que bem retrata os procedimentos de alguns Desembargadores no trato dos processos que tramitam no Fórum local:



CHICAGO É AQUI

Era uma vez um reluzente prédio da Enseada do Suá, com filial na Cidade Alta. Em seu interior, um birô de doutores versados no julgamento, em nível elevado, da ética, moral e bons costumes. Alguns dos doutores deveriam dar exemplo ao resto da sociedade, mas preferiram o caminho da corrupção. Criaram uma vasta e complexa organização voltada para extrair dinheiro de partes desejosas de obter decisões favoráveis em grandes causas. Não só dinheiro, mas também tráfico de influência e poder.

O esquema é executado através de três poderosas bancas, todas com representantes junto ao birô de doutores. A primeira composta por Paulo Capone e Lenzinho, assessorados pelo pai de Lenzinho, este um dos doutores. Sua forma de atuar é simples: quando uma ação de vulto é proposta via Capone ou Lenzinho, o pai de Lenzinho é imediatamente acionado. Inicia-se então o jogo de pressões ou de pedidos para que a decisão lhes seja favorável. A sociedade é rendosa o bastante para fazer de Lenzinho, aos 29 anos, um homem muito rico.

Uma segunda banca foi constituída por iniciativa do ex-capo do reluzente prédio, o doutor Violeta. Esta sociedade é chefiada por Joãozinho, este filho daquele, que amealhou uma frota de carros e patrimônio estimado em US$ 1 milhão. Neste esquema, um grupo de julgadores, entre eles Emanoel Leve e Cláudio Gordo, escolhem os processos que representam grandes interesses econômicos e financeiros e os enviam para o doutor Petronílio Honestino, este um membro do birô de doutores. A assessoria do grupo é prestada por Jaime Preto.

A terceira banca é a mais conhecida. É chefiada pelo decano Geraldo PC, também membro do reluzente prédio. Envolve outro membro do birô, além de um representante do povo muito conhecido por gostar de paletó. Há ainda causídicos, um deles Lula (nenhuma semelhança, nenhuma coincidência). A conexão entre o moço do paletó e os dois doutores é muito forte: todos os assuntos financeiros do birô lhe são enviados e sempre recebem apreciação positiva.

Por outro lado, o moço do paletó pagou a cada um dos digníssimos membros do birô R$ 400 mil para que cuidassem de seus interesses. A prova é que todas as ações vindas do moço do paletó chegam fatalmente às mãos do doutor Geraldo PC ou do membro do birô que faz parte do esquema da terceira banca.

Embora tenham construído uma fachada institucional suficientemente alta para ocultar seus malfeitos, os membros da gangue não conseguem obter sucesso em tudo o que aprontam. Assim como o Al Capone de Chicago foi apanhado por sonegação, não por seus outros e maiores crimes, a gangue do Suá cometeu deslizes imperdoáveis para profissionais do crime. O Tempo vai mostrar. Mesmo porque, membros limpos e dignos do birô, incomodados com a má fama que atravessa as paredes do reluzente prédio, já se movimentam para restaurar a dignidade perdida. Pronto nossa história chega ao fim. O fina feliz fica para mais tarde." (A GAZETA - 9/7/96).

A designação “Geraldo PC” refere-se ao Desembargador Geraldo Correa Lima, e "Lula", é de Luis José Finamore, advogado, sócio e "testa-de-ferro" de José Carlos Gratz em várias atividades, através do escritório de advocacia "Advocacia Finamori Simoni".

A estrutura extremamente profissional do crime organizado no Estado, em suas mais variadas vertentes e formas de atuação, não teria sustentáculo legal para continuar existindo e se revigorando se não contasse, em postos estratégicos, com a influência e a conivência de membros do Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo.

Alguns magistrados são ou já foram filiados à criminosa associação Scuderie Detetive Le Cocq. Muitos juizes e desembargadores são rotineiramente homenageados como membros honorários da referida associação, “como retribuição aos relevantes serviços prestados à magistratura do Estado”.

Note-se o caso do atual desembargador Geraldo Correia Lima. Antes de sua nomeação para o Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, em vaga reservada aos advogados locais, o referido desembargador trabalhava em sociedade no escritório de advocacia de Élcio Álvares, Solange Antunes e Dório Antunes.

Amigo pessoal de José Carlos Gratz e do recentemente falecido Dejair Camata, o desembargador Geraldo Correia Lima têm ocupado, em local privilegiado, o palco de alguns crimes ocorridos no Estado, cujo papel tem sido de, na qualidade de magistrado e responsável pela observância dos princípios legais e da ordem local, permitir que os criminosos envolvidos nos mais diversos delitos sejam mais rapidamente liberados, a fim de continuarem suas empreitadas criminosas.

Corolário dessas assertivas se verifica na prisão do Cabo Camata em 1998, detido que foi, juntamente com mais dois seguranças, com um verdadeiro arsenal, contendo diversos armamentos de uso privativo das forças armadas.

Contudo, não obstante a regularidade do flagrante, na mesma noite e segundo consta das diversas informações coletadas, por volta das três horas da madrugada, procurado em sua residência, em Guarapari pelos senhores José Carlos Gratz, o ex-Governador Albuíno Azeredo, e o advogado Dório Antunes, sem conhecer os autos e sem outras informações que pudessem subsidiar uma decisão mais bem fundamentada, o citado desembargador concedeu alvará de soltura em face de um habeas corpus, permitindo a liberação incontinenti do Sr. Djair Camata e dos seguranças que o acompanhavam.

Numa célebre reportagem levada ao ar, pelo programa “Fantástico”, da Rede Globo, o jornalista Caco Barcelos denunciou que o desembargador estava envolvido na morte da colunista social Maria Nilce Magalhães, assassinada no dia 05 de julho de 1989, dias depois de ameaçar divulgar, em sua coluna diária, o envolvimento de várias pessoas, de renome na sociedade, com o crime organizado no Estado.

De acordo com a matéria jornalística, a polícia federal teria apurado que o desembargador foi o responsável pela viabilização de um avião que deu fuga aos assassinos de Maria Nilce. Segundo a reportagem, participaram do homicídio o delegado e bandido Cláudio Antônio Guerra e o comerciante José Alajr Andreatta, todos como mandantes da eliminação da colunista. É certo que tais delitos continuam impunes.

Algumas denúncias indicam que José Alayr Andreatta, ex dono de casa de massagens no Rio de Janeiro e antes vivendo de expedientes, passou a ser o homem de confiança do Desembargador Geraldo Correia Lima, fazendo pequenos serviços para este, sendo hoje proprietário do “Pic's Bar”, aquisição feita, segundo informações, após o assassinato da jornalista Maria Nilce dos Santos Magalhães

O Desembargador Geraldo Correia Lima é um homem temido até pelos seus próprios pares, principalmente pelas suas ligações e perigosas, reconhecidas pelo Superior Tribunal de Justiça, ao afirmar que ele "mantém relações de amizade com pessoas pouco recomendáveis", quando apreciou a acusação feito pelo Promotor de Justiça Gilberto Toscano, pela morte da jornalista Maria Nilce dos Santos Magalhães.

Diga-se que um Relatório da Polícia Federal contém uma gravação, que foi efetuada pela Polícia Civil, de conversa telefônica entre policiais, em que o Desembargador Geraldo Correia Lima, é apontado, como homem de confiança do Crime Organizado.

Aliás, pródigo em decisões que beneficiam acusados de participação em homicídios (crimes de mando) e nas atividades do Crime Organizado, o desembargador Correia Lima concedeu Habeas Corpus, em 18/08/1986, ao conhecido traficante ROBERTO TISI, integrante da Máfia Italiana, ( já condenado), sob a alegação de que havia falhas na Instrução Criminal, embora a Lei Processual Penal disponha que não será declarada a nulidade de nenhum ato processual, quando este não haja influído, concretamente, na decisão da causa, ou na apuração da verdade substancial.

Outro magistrado que mantém estreito vínculo pessoal com membros do crime no Estado é o desembargador Welington Citty.

Em entrevista publicada pela revista “Vida Vitória”, nº 228, de fevereiro de 1999, respondendo a uma indagação acerca da pessoa de José Carlos Gratz, o nominado desembargador afirmou:

O José Carlos Gratz é um cidadão que eu conheci deputado. Eu não conheci antes de ele ser deputado. Nos fizemos amigos. Tenho muita afinidade com o Legislativo como um todo, mas, principalmente, com as pessoas de José Carlos Gratz, Marcos Madureira. .. Com Gratz eu tenho uma relação especial. Gosto dele mesmo. É nosso amigo. Se houver necessidade estou pronto para estar do lado dele. Acho que ele é um líder sem prepotência. Um homem simples, de luta e sacrifício. É um cara maravilhoso. Um vencedor. Como ele tem pretensões políticas a frente eu espero que ele as alcance. (...) Mas nada me impede de dar o meu ele antecipadamente ao que ele for candidato.”

O Desembargador José Eduardo Grandi Ribeiro manifestou, também, através de entrevistas, e à Imprensa da Capital, a sua antiga amizade pelo Deputado José Carlos Gratz, recusando-se a permitir qualquer tipo de repressão às atividades do jogo de bicho no Estado do Espírito Santo, enquanto exercia as funções de Presidente do Tribunal de Justiça/ES. É visto em fotografias, trocando efusivos abraços com o referido parlamentar, em publicações e revistas, além de vários comentários em Colunas Sociais.

Faz-se necessário comentar, por outro lado, que o atual desembargador Jorge Góes Coutinho, então Juiz eleitoral no pleito de 1998, na qualidade de representantes da magistratura estadual, dirigiu correspondência aos membros da magistratura do Estado do Espírito Santo, manifestando explicitamente apoio a algumas candidaturas, entre as quais, a do Sr. José Carlos Gratz. Tal tratamento foi devidamente retribuído pelo candidato eleito, eis que, por ocasião da posse do citado desembargador, o Deputado Gratz mandou publicar nota, no jornal “A Gazeta”, felicitando Jorge Góes Coutinho pelo cargo assumido.

Dado curioso (e que suscita algumas elucubrações), é o fato de que vários policiais militares, verdadeiros bandidos e invariavelmente membros filiados à Scuderie Detetive Le Cocq, são expulsos da corporação e depois reintegrados por determinação da Justiça, mormente apoiados pelos votos de desembargadores antes citados.

Importa destacar a existência de uma Ata referente a uma Assembléia da Scuderie Detetive Le Cocq, de 29 de setembro de 1984, agraciando com diploma de “honra ao mérito” várias pessoas, dentre as quais os Desembargadores Geraldo Correia Lima e Paulo Nicola Copolillo.

São filiados à Scuderie Le Cocq os Juizes de Direito Miltro José Dalcamin, (que foi isento do pagamento de taxas devidas à entidade, no assentamento em sua ficha de filiação de nº 087), Luiz Edmundo Moraes Costa e Otto José Rodrigues.

É de se destacar, mais uma vez, os nomes dos Desembargadores Paulo Nocola Copolilo, (o qual mantém profunda ligações com a organização, o que lhe valeu a outorga de um diploma de Honra ao Mérito pelos relevantes serviços prestados, datado de 29.09.84); Osly da Silva Ferreira, (que cedeu a sala da Associação dos Magistrados do Espírito Santo, sob valor simbólico, para a Scuderie Le Cocq, durante vários anos); e Geraldo Correia Lima (intimamente ligado ao grupo, antes chefiado pelo advogado José Almério Petroneto). Aliás, o escritório de Almério, em frente ao Tribunal de Justiça, após o expediente forense, é palco de rodadas de uísque, não se fazendo distinção entre policiais comprometidos com a contravenção do jogo do bicho e outros ilícitos e os acima referidos; lá o Desembargador é tratado por Geraldo.

As apurações constataram, também, que o Sr. Paulo Nicola Capolilo, hoje desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Espírito Santo, freqüentava com assiduidade as reuniões da Scuderie Detetive Le Cocq, ostentando status de diretor da entidade.

DO PAPEL DESEMPENHADO POR ALGUNS ADVOGADOS DO ESTADO EM PROL DO CRIME ORGANIZADO E DO NARCOTRÁFICO NO ESPÍRITO SANTO

No rol dos profissionais da advocacia a serviço do crime organizado do Estado, cuja atuação visa criar ou forjar a atuação dos criminosos dentro da mais estrita legalidade, fazendo com que sejam (sempre com o conluio da polícia, do Ministério Público e do Judiciário, principalmente do Tribunal de Justiça) sempre absolvidos de quaisquer imputações, destacam-se, principalmente, os Drs. DÓRIO ANTUNES e SOLANGE RESENDE.

Destaque-se que Dório Antunes patrocina atualmente a defesa de Paulo Jorge, um dos assassinos de João Luiz e cuja autoria intelectual se atribui a José Carlos Gratz. Note-se que, para desenvolver seu trabalho, o citado advogado utiliza-se dos mais baixos e reprováveis expedientes, chegando ao ponto de levar o citado criminoso Paulo Jorge ao encontro de uma das vítimas sobreviventes do assassinato de João Luiz, hoje paraplégico, com o intuito de ameaçá-lo e questioná-lo se reconhecia o criminoso como sendo o autor do crime.. Evidentemente que a vítima optou por não reconhecê-lo.

Dório Antunes responde em Vitória pelo delito de falsificação de documentos públicos, falsidade ideológica e cooptação de testemunhas, pois se teria associado a terceiro para apropriar-se de terreno deixado em testamento para o Advogado Enio Pereira (esse caso específico é objeto do inquérito policial nº 2489, em Vitória (ES).



O esquema da Impunidade passa pelo escritório de Advocacia de Dório Antunes. Consiste na sistemática desmoralização, de autoridades policiais que investigam as atividades Crime Organizado, através da Imprensa, para desacreditar o trabalho, de delegados honestos, além das manifestações de solidariedade, em favor de criminosos celerados.

Ficou evidenciado, pela análise da documentação coligida, pela CPI, que Solange e Dório Antunes, patrocinou e patrocina a defesa de elementos comprometidos com o Crime Organizado. Alguns clientes são os piores facínoras, integrantes de grupos de extermínio, de quadrilhas de tráfico de drogas, roubo de cargas e veículos e contrabando.

Dório Antunes também patrocina a defesa de LUIZ GONZAGA BATISTA, o “Pirulito”, que possui várias incursões no art. 12 da Lei nº 6.368/76 e é um dos grandes traficantes do Estado do Espírito Santo.

Dório Antunes advogou para o falecido Antônio Roldi, um dos integrantes da Máfia Serrana e dos principais comandantes do crime organizado no Estado do Espírito Santo, ao lado de Adalton Martinelli e Alberto Ceolin.

Outro notório advogado colaborador do crime organizado no Estado do Espírito Santo é VICENTE DE PAULO DO ESPÍRITO SANTO, advogado de Adalton Martineli e do ex-prefeito Djair Camata. Em seu modus operandi de colaboração com o crime organizado, costuma, reiteradamente, desaparecer com os processos criminais dos envolvidos no crime organizado. Pesam contra o citado advogado várias denúncias da espécie, além de outros expedientes criminosos.

Uma das práticas desse profissional e adotada por Dório Antunes, que também era adotada por Carlos Freitas, consiste, entre outros crimes, em instruir pessoas para que mintam descaradamente perante autoridades no exercício de suas funções, não se inibindo o advogado, sequer, de atribuir às autoridades, inclusive aquelas que tem o dever institucional de fiscalizar o cumprimento da própria lei, o cometimento de crimes. Assim, induz e orienta testemunhas a fazerem afirmações falsas, com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo penal.

Porém sua atuação na quadrilha das Máfias Municipais não se restringe a esse método: o sumiço de processos, é constante na prestação de serviços desse advogado. Um desses casos é o sumiço de um processo em tramitação no Superior Tribunal de Justiça, onde já se havia decidido pela condenação do ex-Prefeito de Cariacica, Dejair Camata, do qual o causídico era defensor.

Um dos mais notáveis colaboradores do crime organizado no Estado era o Advogado que foi assassinado, CARLOS BATISTA FREITAS. Seu proceder serve de exemplo e é o mesmo proceder de que se valem os advogados antes citados, notadamente Dório Antunes, e José Paulo do Espírito Santo e Joaquim Marcelo Denaday.

Releva analisar e aprofundar as investigações, ainda, sobre os LUIS JOSÉ FINAMORE, o "Lula", advogado, sócio e "testa de ferro" de José Carlos Gratz em várias atividades, através do escritório de advocacia "Advocacia Finamori Simoni".

Outro advogado comprometido com o esquema do crime organizado é Joaquim Marcelo Denaday, patrono do Cabo Dejair Camata em várias ações penais, que atua em conchavo com o seu colega Vicente de Paulo do Espírito Santo, que se limita a cumprir as suas instruções, nos procedimentos executados, nas declarações e nos depoimentos prestados em juízo visando favorecer personagens do esquema, ou prejudicar autoridades que processam os criminosos.





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