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DAS DILIGÊNCIAS:


1.1 - Das Audiências: Realizadas no auditório da Superintendência da Polícia Federal no Estado do Ceará.

Dia 08 de Maio de 2000

a) Henrique Coimbra Vale - Deixa de constar o resumo de seu depoimento vez que refere-se ao Sub-Relatório - Rio/Angra.

b) Audiência reservada com o depoente de Codinome DOM PEPE: As notas taquigráficas das declarações encontram-se nos autos do inquérito parlamentar, e o resumo de suas declarações em anexo reservado.

O depoente denuncia empresa, constituída inicialmente com vocação ao desenvolvimento turístico, de propriedade de Cesare Dal Molin, como receptora de grande volume de recursos proveniente de vários países, e aparentando, em sua opinião, lavagem de dinheiro; que Cesare teria sido investigado pela Operação Mãos Limpas da Itália; que Cesare seria sócio de várias firmas estrangeiras utilizando duas de suas funcionárias como procuradoras das mesmas; que na sua opinião nenhum dos sócios das empresas que relacionou estão ligados ao narcotráfico.



c) Joaquim Hernando Castilla Jimenez - declarou:

...“Não sei nada, Deputada. Quando eu fui preso aqui no Estado do Ceará eu fui... estava de passagem. Eu vim do Estado no Piauí e fui preso aqui comprando um imóvel. Eu estava de passagem. Aqui no Estado do Ceará não conheço praticamente... Sempre que eu passei pelo Ceará foi questão de passeio e de vir aqui curtir a praia, nunca tive nenhum tipo de relacionamento com o Estado do Ceará.”...

Perguntado sobre o primeiro esquema de lavagem através da Itália, respondeu:

Bom, é que manteve isso, que não são esquema da hora, quem manteve, operado com o Banco Ambrosiano, que é o banco que manejava o fundo da Igreja Católica, durante muito tempo. Criaram corporação dentro do Banco Ambrosiano. Ele usou um esquema muito, muito antigo, então, não tem nada que ver com coisas de dez mil reais. Então, vai perder tempo um ano, trazendo de dez mil em dez mil reais, pra trazer três milhões... Trazia por um banco.”

Perguntado sobre Carolina Nolasco, respondeu:

Carolina Nolasco é uma gerente de conta, private banking, uma pessoa que maneja uma boca.”

Explicou ainda que mandar cinco milhões numa remessa de dez mil em dez mil ia demorar dois anos, que simplesmente a operação poderia ser feita, exemplificando, por cem contas de uma só vez.

O depoente nada acrescentou no diz respeito ao Estado do Ceará, repetindo declarações que constarão do Sub-Relatório Lavagem de dinheiro, pois, no entendimento do mesmo já havia cooperado com os trabalhos da CPI dizendo o que sabia.

d) Celso José da Silva - Deixa de constar o resumo de seu depoimento vez que refere-se ao Sub-Relatório - Alagoas.

e) João Bosco Meneses de Castro - Durante todo o depoimento, foi alertado de sua qualidade de testemunha, e da possibilidade de imputação do crime de falso testemunho caso mentisse.

O depoente proprietário da empresa Medical Devices, foi preso em flagrante delito com cerca de US$ 700.000,00 (setecentos mil dólares) falsos, acompanhado de Brian Keith Gomez que portava o mesmo valor e Martha Lucia Gomez Herrera, no aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, logo após a prisão em flagrante delito de Francisco Antônio Almeida da Silva que portava US$ 1.000.000,00 (hum milhão de dólares) falsos, no aeroporto de Foz do Iguaçu; perfazendo US$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil dólares) falsos em poder da quadrilha.


Sobre sua vida como empresário disse:

O declarante afirmou ser sócio numa empresa há quatro anos e que em momento de fraqueza aceitou fazer o transporte.

Que sua empresa vende equipamentos médicos tais como monitores cardíacos, sistema de anestesia, etc. Que seu maior fornecedor é a empresa americana Ohmeda, que também representa. Que existem monitores de trezentos dólares mas o monitor cardíaco custa na faixa de mil dólares.

Sobre o faturamento da empresa disse ser pequeno e que estariam no “vermelho”. Que variava de sessenta a cem mil por ano. Através de uma simples operação os senhores membros passaram a inquiri-lo considerando seu faturamento mensal de cerca de cinco mil.

Do decorrer do depoimento disse não possuir dados precisos sobre o seu faturamento afirmando:

..., no primeiro ano... no segundo ano, eu acredito que ela tenha faturado alguma coisa como duzentos e alguma coisa.”

Explicou que há pouco mais de um ano é sócio de Alexandra do Nascimento Moura, que recebe de pró-labore em torno de R$ 600,00 (seiscentos reais) mensais.

O depoente consignou os telefones de sua residência em Fortaleza, da empresa em Fortaleza, em Recife e em Belém.

Disse possuir pequeno patrimônio composto pela empresa, seu mobiliário uma mobilete e um Santana 1990. Que vive de seu pró-labore de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais). Que declara sua renda perante a Receita Federal embora pouca.

Que Georgia é gerente da empresa recebendo R$ 600,00 (seiscentos reais) mensais.

Inquirido sobre se pagava luz, aluguel, telefone respondeu que sim levando ao raciocínio da impossibilidade de custear todas as despesas, inclusive com pró-labores apenas com o faturamento de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) mês, nesse momento o depoente refez sua fala para “em torno disso”.

Sobre suas contas bancárias disse trabalhar com o banco Bamerindus, agência 2703 não se lembrando do número de sua conta. Referiu ainda conta no HSBC, que teria fechado em virtude dos estouro de seu limite no cartão.

Quanto ao CPF disse ter um; e sua empresa três (CGCs), um em Fortaleza, outro em Recife e outro em Belém.

Afirmou que nos últimos quatro anos viajou por cerca de cinco ou seis vezes, para os Estados Unidos, sempre Miami ou Flórida para treinamento da empresa que representa.

Sobre o episódio dos dólares falsos

Contou que entre Setembro e Outubro conheceu um gaúcho de nome Carlos num bar na Avenida Jovita Feitosa, e disse:

...“Não, foi uma coisa meio por acaso, né? Eu tava de mobilete e ele tinha dado um problema de gasolina e eu fiz um favor, como faria a qualquer outra pessoa, pegar gasolina pra ele. E aí depois sentamos, tomamos um cervejinha, conversamos um pouco e pronto. Aí em outras vezes, por acaso, aleatoriamente, nós nos encontrávamos lá.”...

Explicou que embora o depoente não conhecesse Carlos, este sabia onde morava o depoente e seu telefone, embora não lhe tivesse fornecido o número. Textualmente afirmou:



...“Não sei como, sinceramente.”...

Continuou dizendo que, mais ou menos, uma semana antes da Semana Santa, Carlos teria ligado para um telefone público próximo a sua casa dizendo-lhe que o depoente faria uma viagem para buscar US$ 100.000,00 (cem mil dólares) e que ganharia US$ 10.000,00 (dez mil dólares) pelo trabalho. Que aceitou porque se sentiu ameaçado com a frase de Carlos:

Olha, eu sei tu mora, sei onde tua família toda...”

Perguntado se sabia diferenciar cem mil dólares de dois milhões e quatrocentos mil dólares, respondeu:

Não. Eu não conheço muito a moeda americana. Quer dizer, conhecer pra diferenciar a quantidade...”

Disse que só soube da quantia total quando foi aberta a mala no aeroporto. Que poderia até estar carregando, “inocentemente”, cocaína. Mais uma vez se contradisse ao longo do depoimento ao afirmar que sabia ia cometer um crime, um ilícito. Nova contradição ao afirmar que viu os dólares na mala aberta por Brian, mas, mesmo assim não teve nem curiosidade de abrir a sua própria mala. Que na mala de Brian havia cerca de US$ 700.000,00 (setecentos mil dólares), e aproximadamente US$ 1.200.000,00 (hum milhão e duzentos mil dólares) e na mala de Francisco e US$ 500.000,00 (quinhentos mil dólares) na sua mala.

Sobre os referidos valores e número de malas modifica-os ao longo do depoimento teriam sido quatro malas e a maior quantidade estaria em sua mala.

Sobre a mala de Francisco disse:

...Porque, eu fui até o quarto deles e peguei uma mala, né, e nessa mala eu coloquei as coisas.”

E explicou a Francisco afirmando:

Que era pra colocar uns equipamentos, porque a mala dele era maior.”

Sobre a colocação na mala disse:

O Carlos e uma outra pessoa que puseram.”

Não, não vi a colocação do dinheiro, total.”

Afirmou não ter sido o depoente quem pôs os dólares falsos nas malas, e que não sabia serem falsos. Que entregaria o montante no aeroporto a uma pessoa que o receberia com a placa “Hernandez Turismo” (empresa está que não sabe se existe e se é legal), entraria no carro, receberia sua parte e estaria encerrada a transação.

Perguntado sobre a nota de cem dólares falsa encontrada com Martha disse desconhecer se era a mesma série. Que ele tinha uma nota no bolso afirmando:

Ela veio na minha mão como se fosse uma amostra.”

Não respondeu sobre a contradição de ter uma nota de amostra se continuava afirmando saber que os dólares não eram falsos.

Perguntado porque o próprio Carlos não viajaria para trazer os cem mil dólares respondeu que Carlos lhe disse:

Olha, eu não posso ir, porque eu tenho inimigos lá”


Perguntado sobre Brian e Martha:

Explicou que foram convidados por ele para fazer a viagem, já que não queria faze-la só e que não dividiria seus dez mil dólares por três, apenas responsabilizando-se pelo pagamento de suas passagens e hospedagem. Que ficaram aos hospedados no hotel Rafain cuja a diária era de oitenta reais.

Que conheceu Martha há pouco mais de dois meses em Fortaleza (considerar a data do depoimento). Que resolveu leva-la para “tentar não levantar suspeitas”. Que Martha formaria com Francisco uma espécie de casal. E que ela não tinha nenhum conhecimento do negócio. Se contradisse ao afirmar, mais tarde, que achava ser Francisco o autor do convite a Martha, que crê serem apenas amigos. Respondendo ao Deputado Tuma afirma que chegou a fazer musculação na Academia Corpo e Companhia uma semana, onde teria sabido da nacionalidade espanhola de Martha.

Que achava que Martha era espanhola em função do documento que apresentará só depois veio a saber que era colombiana, que ela se apresentava a todos como Espanhola.

Sobre o Brian disse que o conhecia a mais tempo, por ser filho de seu cunhado, que ele era americano e que achava ser Brian um economista formado.


Sobre Francisco Antônio:

Contou ser funcionário de sua empresa percebendo mensalmente duzentos reais, morador do Bairro popular Parangaba e que resolveu leva-lo na viagem para Foz do Iguaçu. Que Francisco também não sabia do esquema. Que pretendia dar quinhentos reais a Francisco quando da entrega do dinheiro no aeroporto.
De seu plano:

Na verdade, doutora, a gente pretendia fazer assim: pegar a... a... a mala e, assim que pegasse, passar pelo quarto dele, sem eles saberem do que se tratava, pra nós não ficarmos com nada no meu quarto. Essa foi a intenção de levarmos a outra pessoa.”(Martha)

O depoente nesse momento foi questionado do plural explicando que costuma falar na primeira pessoa do plural.

O depoente disse ter explicado aos outros três que a viagem a Foz do Iguaçu seria para execução de um negócio da empresa.

Do ocorrido em Foz do Iguaçu:

Que lá chegando ficou deitado em seu quarto até receber uma ligação de Carlos, quando o depoente foi encontra-lo em um bar pertinho do hotel. Que apenas na sexta-feira a noite teria recebido a mala preta (João Bosco). Que Carlos, em seu quarto no hotel, pediu que ele descesse um pouco e quando voltou lá já estavam os dólares nas malas. Que Brian nesse momento havia saído para jantar.

Quanto a mala verde, Brian a teria levado para a viagem, sendo que os dólares foram colocados dentro da mala, vez que ela se encontrava no quarto. Perguntado se Brian teria mexido na mala ou visto os dólares respondeu que Brian viu os dólares e João nesse momento ofereceu dois mil reais embora Brian tivesse achado tudo uma “loucura”.


Sobre Raimundo Feitosa Carvalho Gomes:

Que se não se salvo engano foi seu primeiro sócio.

Perguntado sobre ter um capital de R$ 320.000,00 (trezentos e vinte mil reais), quando da solução da sociedade respondeu:

A verdade... aí... houve uma... mais um, digamos, um crime, porque foi falsidade. Eu não tinha esse dinheiro”

Do informe da Polícia Federal:

Os policias que tiveram contato com a CPI informaram que a Operação determinante da prisão de João Bosco e comparsas deu-se no encalço de entorpecentes cominando na apreensão dos dólares falsos.

Explicaram que no Suriname e na Guiana no comércio de cocaína cada vez mais, em razão da falsificação é utilizado o Franco como moeda.

Ao final a sessão foi transformada em reservado, tendo o depoente apenas complementado que quando conheceu Carlos, este estaria acompanhado de duas pessoas que já haviam sido presas.

Modificou para US$ 200.000,00 (duzentos mil dólares) o valor da negociação feita entre ele e Carlos.



f) Brian Keith Gómez - Acompanhado do intérprete e Escrivão de Policia Federal Francisco das Chagas Galvão Bueno. O depoimento foi acompanhado e traduzido ainda pelo Consultor Flávio Jacopetti e pela Deputada Laura Carneiro.

Inicialmente o depoente se recusou a assinar o termo de compromisso salvo se acompanhado de um advogado.

A Dra. Elza advogada militante do Ceará a pedido do Dr. Nazareno advogado de São Paulo apresentou-se a CPI não se sentindo possibilitada de acompanhar o depoente na medida que não falava inglês.

O Presidente nomeou a ad hoc, Dr. Fernando Férrer, que entrou em contato com a Dra. Cecília da Silveira, advogada do depoente em São Paulo.

A sessão foi suspensa e os Srs. Deputados Laura Carneio, Paulo Baltazar e Robson Tuma dirigiram-se ao escritório da Medical Devices para proceder busca e apreensão conforme Auto de Apresentação e Apreensão constante das folhas 300/302 dos Autos.

Reiniciada a sessão Brian prestou o seguinte depoimento, após ter recebido todas as informações sobre a CPI:

Que Brian estava no Brasil há três semanas.

Que nunca tinha sido preso.

Que ele foi aproximado de Bosco para ir até Belém e depois Foz do Iguaçu.

Que em Belém ao lado de Bosco foi ao escritório de sua empresa para tratar de negócios e de lá para o aeroporto com destino a Foz do Iguaçu onde ficaram no hotel de nome Rafael.

Que na primeira noite apenas ele e João Bosco foram beber se divertir e após viram um jogo de futebol.

Que no segundo dia foi visitar as cataratas e a uma discoteca. Que neste dia viu Martha e Francisco no bufê no restaurante do hotel.

Que no terceiro dia Bosco lhe perguntou se poderia “trazer algum dinheiro para ele”.

Que Bosco teria lhe dito que não era nada ilícito e não causaria problema muito menos que se tratava de moeda falsa.

Que Martha foi com eles ao aeroporto comprar as passagens.

Que João Bosco comprou todas as passagens tomaram o avião e tendo sido presos pelas autoridades policiais.

Que conheceu Bosco, através de seu pai, há cerca de três anos. Que seu pai era gerente geral de uma empresa de medicamentos, cuja distribuição era feita para a América do Sul e América Central. Que a irmã de João Bosco tem dois filhos menores com seu pai.

Que não usa nem porta drogas.

Que João Bosco lhe disse que ele não tinha nada com isso e que ia procurar um advogado que os defendesse.

Que conversou com Bosco sobre o dinheiro, embora não soubesse o valor, apenas que não seria muito, no terceiro dia, após o almoço, quando se preparava para ir ao aeroporto. Que pegou sua mala já pronta após o almoço.

Que não sabia que o dinheiro era falso nem a quantidade e que se surpreendeu com o peso tendo Bosco dado uma desculpa.

Que conheceu Francisco no escritório de Bosco que o mesmo fazia entregas e que ficou surpreso quando o viu com Martha no saguão do hotel mas não se importou. Que João Bosco estava com eles.

Que conheceu Martha assim que chegou no Brasil numa discoteca. Que descobriu que ela era colombiana quando foram presos e ela portava um passaporte falso. Inicialmente ela teria dito que era espanhola.

Que o depoente só teve contato com o consulado e com o advogada que estava sendo pago pela sua madrasta. Que seu pai chama-se Guillermo Gomez.

Que sabia que seu pai vendia equipamentos para João Bosco. Que seu pai morou no Brasil muitos anos que não mora em Miami. Perguntado sobre uma conta bancária no City National Bank em Miami respondeu que a companhia que seu pai trabalhava tinha uma conta lá.

Que não sabia informar se seu pai trabalhou na Finlândia e nem detalhes sobre o trabalho de seu pai.

Que seu pai é colombiano teria estado no Brasil, cerca de dez dias antes do depoimento, porem questionado se seu pai veio ao Brasil quando ele já estava preso disse que achava que não.

Que embora seu pai e Martha sejam colombianos e tenham Gomez no sobrenome acha que não têm nenhum parentesco.

Que sobre o dinheiro Bosco teria lhe dito que podia provar ser licito.

g) Martha Lucia Gomez Herrera - Por duas vezes foi lhe dada a oportunidade de depor. Disse que por determinação de seu pai, com quem chegou a falar por telefone, só falaria depois de constituir advogado. Lhe foi explicado as prerrogativas da CPI e o Art. 342 do Código Penal.

A depoente embora confirmando ser portadora de dois passaportes alegou ter sido “enganada” e “utilizada”, alegando inocência.



h) Acareação entre Martha, Brian acompanhado do interprete e João Bosco.
Sobre os US$ 2.000,00 (dois mil dólares) que Bosco oferecerá a Brian:

Brian negou qualquer oferecimento e João Bosco reafirmou que:

... ofereci, mas ele disse que faria como um favor.”


Sobre afirmação de João Bosco de que Brian viu o dinheiro na mala:

João Bosco reafirmou que Brian teria visto o dinheiro dentro da mala. João Bosco foi informado que Brian disse em seu depoimento que a mala já estava lacrado quando chegou as suas mãos.

Brian confirmou que recebeu a mala arrumada e lacrada reafirmando que não viu o dinheiro dentro da mala e que por tanto João Bosco estaria “mentindo”.

João Bosco reafirmou que Brian viu o dinheiro e este respondeu que não abriu a mala para ver o dinheiro.

João Bosco textualmente afirmou:

Eu fico com a minha versão, doutora. Ele não viu colocar o dinheiro, mas ele viu o dinheiro na mala. Ele não viu a colocação, mas depois ele viu o dinheiro tava lá.”

Brian contra-pós, por seu interprete:

Ele não viu o dinheiro.”

Ele não poderia saber.”

Quando ele pegou a mala, já estava, as malas já estavam feitas.”

Sobre Guillermo Leon Gomez Piñedo:

João Bosco afirmou ser o gerente da empresa para qual começou trabalhar para América Latina. Que trabalhou no Brasil nos últimos dez anos e que tinha distribuidores no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Bahia. Que em determinado momento lhe foi oferecido a representação no Nordeste. Que a empresa que trabalha é a Invigo Research.

Que João Bosco afirmou que Guillermo mora em um apartamento alugado em Fortaleza/CE, tem um automóvel Pajero e um terreno e que Brian ficou na casa de seu pai por ocasião das três ou quatro vezes que esteve no Brasil.

Que Guillermo, vive com Juliana Castão, irmã de João Bosco.

Que embora não seja funcionário da empresa está lá.

Dentre os documentos foi detectado que o telefone da Medical tinha como titular Guillermo e João Bosco disse não saber informar por quê.

João Bosco disse ser o escritório de Guillermo em sua própria residência.

Que, segundo João Bosco, Guillermo estaria pedindo financiamento do Banco do Nordeste para construção de empreendimento, supostamente um mini Shopping com cafeteria, livraria, etc.

Sobre Martha:

João Bosco reafirmou que o convite para uma “viagem a turismo” foi feito por Francisco e que ele conversou com Martha depois do aceite. Que Francisco e Martha foram de Fortaleza direta a Foz do Iguaçu.
Sobre Brian:

João Bosco afirma que Brian só soube do negócio já em Foz do Iguaçu e que acredita que ele só soube tratar-se de dólares falsos após a apreensão policial.
Sobre os documentos apreendidos na Medical Devices:

Quanto aos nove talões de cheque assinados em branco afirmou que quando viaja deixa-os assinados.

Que chega a ficar dois ou três meses viajando.

Perguntado por que foi encontrado em sua empresa talão do City Bank com conta cujo o titular é Guillermo e por que o endereço de Guillermo é o seu, João Bosco respondeu:

Trata de intimidade.”

Não, o endereço deles é um, o meu é outro. Ele, como meu gerente da empresa e como cunhado...”

Disse desconhecer por que documentos bancários de Guillermo constavam em seu arquivo.


Sobre Felipe Imodenese Gastronomia:

Que é uma empresa, situada na Avenida Santos Dumont, que está sendo montada e seu escritório está funcionando em seu endereço. A partir dos documentos apreendidos, em especial o talão de cheque verificamos pagamentos diversos, empregados, ICMS, e João Bosco.

Perguntado sobre a propriedade da empresa respondeu:

É... é de um casal, um paulista (que afirma poderia ser Paulo), um carioca (que afirma ser Douglas) e o seu Guillermo parece que também tava na empresa.”

Ligação da empresa Felipe Imodenese Gastronomia e Guillermo:

João Bosco perguntado se Guillermo tinha mais uma empresa e por que os documentos estavam na Medical respondeu:

..., porque algumas coisas dele é ligada na minha empresa.”

... A verdade, doutor, é que, sobre esses documentos, ele me concedeu créditos e também alguns empréstimos para conseguir alguns equipamentos no final.”

Perguntado de quanto era o crédito respondeu:

... ele me concedia um crédito de cinqüenta (US$ 50.000,00 cinqüenta mil dólares). Eu não era obrigado a usar os cinqüenta. Eu só comprava...”

Sobre documentos diversos:

Que não sabe informar quem é Alfredo. Não informou o que é Môntion embora consta do talão um lançamento de US$ 3.000,00 (três mil dólares).

Que o irmão de João Bosco teria feito um empréstimo de R$ 8.500,00 (oito mil e quinhentos reais) para construção de quatro casas.

Perguntado por que assinou o termo de desistência de vistoria das importações na Receita Federal, afirmou que faz isso algumas vezes para agilizar. Depois retrocedeu afirmando que não se tratava de sua assinatura, afirmando que parecia falsificação.

O depoente, João Bosco, confirmou a assinatura em seu imposto de renda onde apenas constam cotas da empresa.

Durante o seu depoimento declarou ainda a propriedade de um telefone e de um carro em alienação.

Sobre a Super Training Corporation:

Que é a companhia de Miami que despacha as mercadorias.

Que os despachos eram feitos via Varig direto para Fortaleza.


Sobre Ristorante Famiglia Giuliana:

Que foi sócio do restaurante.

Que o restaurante foi feito com empréstimo da Medical o que explicaria documento assinado em branco autorizando a remessa do dinheiro do restaurante para a conta da Medical Devices.

A que se registrar o nome de outro restaurante de nome Famiglia Guiliano na Rua Washington Soares que não tem conexão com o aqui referido cuja localização é na Rua da Abolição.

Sobre contas telefônicas em nome da Medical:

Muito embora tenha afirmado um rendimento de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) detectamos que este valor é pago só nas contas telefônicas com diversas ligações internacionais para Colômbia, Estados Unidos além de Espanha, Bulgária, Canadá, México, Cuba, Costa Rica, Porto Rico, Guatemala, Peru, Argentina, Holanda, Portugal, Itália, Panamá e Duque de Caxias.

Numa das contas detectamos cinqüenta ligações para Colômbia somente e trinta e sete para os Estados Unidos (Abril) e vinte para Colômbia e cinqüenta para os Estados Unidos (Março).

João Bosco disse desconhecer algumas das ligações, disse não comprar ou ter amigos na Colômbia.

Sobre Stephano Rodney Pini e Marcos Wing:

Que Brian disse não conhecer tais indivíduos, ocorre que segundo lista de passageiros obtida pelo Deputado Robson Tuma, Brian e os outros indivíduos chegaram ao Brasil e retornaram no mesmo dia para os Estados Unidos, viajando em primeira classe apesar do custo de US$ 5.000,00 (cinco mil dólares) por passagem. Brian explicou que a passagem foi paga por sua mãe, que é gerente geral do restaurante The Harbour Bishop em Miami.
Sobre a CCTUR:

Que João Bosco conhece por telefone na empresa “...somente, o Cid”.

Transcrevemos agora documento lido pelo Sr. Presidente recolhido da agenda de 1999 da secretária da Medical:

...Agenda de 99, da sua secretária. Restaurante Família Juliane. HSBC-Bamerindus. Aí, ela põe a lápis o número da conta. Aí põe Agência Santos Dumont. Aí ela começa a explicar, a lápis. Pra puxar o extrato da conta... Aí, ela põe o número da conta a caneta e põe a lápis, inicialmente, o código da agência, põe o código da agência, conta onze dígitos mais senha e põe aqui - não vou te dar, porque você sabe - a senha da conta. Embaixo vem uma conta da Medical do Banco do Brasil, aí diz: conta corrente da CCTUR para transferência em Miami, entre parênteses, ..., Guillermo...”

João Bosco afirmou que manda os pagamentos para a companhia através da CCTUR, e que o restaurante não dá lucro.


Sobre a empresa Artplac:

João Bosco afirma que não se recorda em especial da empresa. Nesse momento lhe foi dito que as 18h:13min do dia 05 de maio a Medical Devices recebeu o fax da Artplac dando notícia da prisão em São Paulo de Francisco Antonio Almeida Silva portando dólares falsos, o depoente disse desconhecer porque quando da prisão de Francisco estaria sendo preso em São Paulo.
Sobre Régia Glaúcia Costa:

Funcionária que substituiu Geórgia gerente administrativa da empresa, durante sua licença maternidade.
Sobre Bruno Podestá:

Ex-Capitão do Exército, que João Bosco acha ser do Rio de Janeiro, veterinário, diretor de empresa no Espírito Santo, que trabalhou com a Medical, que lhe emprestava mercadoria.

i) Geovane Cesarino Correa - Preso condenado por tráfico de entorpecentes. Relatou sua prisão em 91 que redundou em processo de absolvição no Tribunal. Alegou que uma nova condenação a quatro anos de reclusão por porte de cinqüenta e cinco gramas de cocaína foi motivada por flagrante possivelmente forjado pelo Delegado Hélio Marques e pelo Juiz Jucidi Peixoto do Amaral.

Registre-se que Geovane Casemiro Correia e seu irmão César Augusto Cesarino Correia constam dos quadros de situação um e dois elaborados pela SR/DPF/CE constante do item 7 deste sub-relatório.



j) Audiência reservada com a depoente Samia Costa Cavalcanti, estagiária da empresa Marilha Holding desde de 8 de junho de 1998: As notas taquigráficas das declarações encontram-se nos autos do inquérito parlamentar, e o resumo de suas declarações em anexo reservado.

k) Audiência reservada com a depoente Jaqueline Ferro Vasconcelos Alves, secretária de Cesare Dal Molin, na empresa Marilha Holding: As notas taquigráficas das declarações encontram-se nos autos do inquérito parlamentar, e o resumo de suas declarações em anexo reservado.

l) Audiência reservada com o depoente José Vieira da Mota Filho, Delegado de Polícia Civil: As notas taquigráficas das declarações encontram-se nos autos do inquérito parlamentar, e o resumo de suas declarações em anexo reservado.

m) Cesare Dal Molin - Em razão do termino do prazo de oitivas da CPI este depoimento foi tomado no dia 10 de maio em conjunto com a Policia Federal através do Delegado Dr. Lasserre. Consigne-se que foi procedido Auto de Apresentação e Apreensão de documentos e objetos arrecadados em poder do depoente conforme Fls. 298/299 dos Autos do Inquérito da CPI/CE.

Que é empresário na área imobiliária em especial na de planejamento imobiliário turístico.

Que sua empresa é a Cesare Dal Molin e ele é o consultor e que participa de outras empresas como sócio, como financiador e como trabalhador.

Que é parceiro ou trabalhador de três ou quatro empresas além do grupo Marilha no Ceará.

Que na Itália trabalha com empresa Arena Verde e com a empresa Scaligera Indesta (?), e com a Sociedade Smeralda.

Que o Grupo Marilha está trabalhando no projeto Camocim. Para tanto adquiriu uma área de “700 ou 800 hectares”.

Que Camocim embora seja uma cidade linda não tem vocação para o turismo, portanto estão trabalhando na aprovação do plano diretor e acompanhando esse destino.

Que através da Holding estão construindo o primeiro hotel.

Que o custo por metro da área foi de menos de R$ 1,00 (hum real), mas que gastaram cerca de R$ 1.100.000,00 (hum milhão e cem reais).

Que o custo de construção do hotel Boa Vista gira em torno de R$ 8.000.000,00 (oito milhões de reais).

Que através da sociedade Marilha Mirante estão atraindo investidores colocando o terreno à disposição. E hoje o terreno já esta pago, o Plano Diretor da cidade aprovado o Hotel da Prefeitura reformado por cerca de R$ 300.000,00 (trezentos mil reais), construíram uma escola e o Grupo Turístico Correta implantou a rota aérea Camocim-Fortaleza.

Que no seu entendimento em cinco anos Camocim se transformará em um destino turístico na medida em que uma concentração de 60Km se encontram rios, lagoas, praias, pescadores, etc.

Que o empreendimento conta hoje com pelo menos sete investidores, ele, o Grupo Albertini, o Grupo Ferroli dentre outros.

Que os investimentos chegam ao Brasil através do Banco Central e que eventualmente no início, quando ainda não conheceu a legislação pequenas remessas de no máximo R$ 20.000,00 (vinte mil reais) não eram registradas e o dinheiro era trocado em casa de câmbio Rudy Constantino.

Que até hoje calcula ter recebido R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais).

Que suas secretárias não são procuradoras da empresa, e explica que as procurações são feitas a cada operação específicas.

Sobre os seus antecedentes criminais apresentados no documento da INTERPOL deu explicações processuais indicando sua inocência.

Que as remessas de dinheiro vinham da Suíça, Itália e Inglaterra.

Que a que tem sede no paraíso fiscal é a Rhinecliff.

Que o Sr. Urubatam Costa Augusto Ribeiro é o contador do grupo


Sobre os sócios do empreendimento:

Eu não sou um sócio do hotel, eu sou um sócio só na holding... Eu tenho 41,42%.”

Bom, agora, a holding, pois, é sócio dentro da sociedade grande, na qual está esse senhor que disse antes, Sr. Roberto Ferroli, que operava através da Rhinecliff, que é sócio 50% dentro... é... Marilha Mirante.”

O outro são sócio dentro da holding, que é o Grupo Albertini junto com Caldana... Paulo, que agora me vem o cognome, junto com o Zorzi(?), que são agrupados em uma sociedade.”

Emílio Guilhon é um advogado brasileiro que foi sócio com nós, só para... porque, no início, não tínhamos... é... a permanência e, por isso, ele precisava fazer... precisávamos de um administrador brasileiro.”

Luciano Bianchi ainda fica sócio. É um italiano que trabalha no setor dos navios; ele repara os motores...”

Que a empresa Tezina Viaggio é “... uma sociedade italiana, que é participada pela Sociedade Bénacuzza(?). E a sociedade Bénacuzza agora está fazendo uma parceira com nós, para entrar na Marilha Tours e na Marilha Hotéis.”


Sobre Umberto Bottura:

Era o primeiro sócio, que me trouxe aqui no Brasil, pra que eu fizesse para ele uma consultoria em cima do Cumbuco, o Village de Cumbuco,...”



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