Diretoria legislativa


) Sr. Alex Ricardo Ramos Amoras



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1.14) Sr. Alex Ricardo Ramos Amoras - Testemunha, declarou de forma resumida:

Sobre comentários que ouvia com relação a operação para desarticular Barbudo Sarrafo

...Os comentários no bairro eram grandes sobre o atentado que o Barbudo Sarraf comentou contra o Governador, né, coisa que eu não sabia, mas fiquei sabendo no bairro. O comentário é que saía nas bocas de fumo, que as drogas iriam dar um tempo porque tava começando uma guerra. Aí, eu me interessei pela história. Eu comecei a ir, né, profundamente nelas... Aí, eu perguntei para um amigo meu, né, se ele conhecia a história... Ele me contou que na companhia, né, no Comando Geral da Polícia Militar, eles iam ser escolhidos um a um os PMs que iriam compor um grupo,... iria até o Laranjal do Jari e desarticular Barbudo Sarraf, né, em seu próprio garimpo e plantio de maconha. Os policiais foram escolhidos. Só que a seguinte informação vazou, chegando aos conhecimentos do Barbudo Sarraf, fazendo que isso, com que isso, né, ele fugisse. Quando o batalhão da Polícia Militar, né, chegou a Laranjal do Jari, o Barbudo Sarraf já não se encontrava mais, né?...”

...E as outras informações eu vim ter a certeza quando estava em um bar, próximo de minha casa, né, o bar do seu Raimundo, todo mundo conhece como Verdinho, né? Que haviam dois garimpeiros, né, bebendo. Dois ou três garimpeiros bebendo, né? E eu na banca ao lado, sem querer, ouvi a conversa. Aí me interessei, passei a ouvir a conversa deles, que comentavam, né, que o Capiberibe havia mandado um grupo de policiais para o Laranjal para desarticular o Barbudo Sarraf. Eles usaram a seguinte expressão: tiraram de circulação. Para tirar Barbudo Sarraf de circulação, estourando, assim, seu plantio de maconha e seu garimpo...”

...Nessa operação. Devido a essa operação, né, o... esse traficante perdeu mais da metade das drogas que o Barbudo enviou pra ele, fazendo com que o Barbudo cancelasse o resto do carregamento pra ele, fazendo com que ele também não recebesse mais nada do Barbudo. Sujou pra ele, queimou total, pra esse traficante...”



Sobre o atentado contra o Governador

...E quanto ao atentado que o Barbudo Sarraf cometeu contra o Capi, né, isso foi uma investigação aprofundada entre os P2, né? Souberam tal atentando, informando o Governador Capiberibe, no segundo ano de sua primeira gestão, fazendo com que fracasse o tal atentado...” “...Não deu uma repercussão porque foi abafado. Mas todos, né... A imprensa não soube, muita gente não soube, mas a maioria sabia...”



Sobre Lana Cristina

...Ela é esposa de um dos traficantes que, depois, no reservado, né, aí eu... Conversando eu e o primeiro esposo dela, o falecido Renildo,... quando ela apareceu, revoltada, braba com alguma coisa. Aí ele começou a indagar e riu dela e disse que ela tinha que estudar. Ela disse que não iria estudar porque ela não precisava dos estudos pra vencer na vida, ela iria vencer sem sacrifício... Foi quando ela, inocentemente, falou que um traficante, né, conhecido dela, havia lhe feito uma proposta. Trabalhar pra ele,... estava pra receber, né, uma grande quantidade das drogas vindas do Laranjal do Jari, enviadas pelo Barbudo Sarraf...”



Sobre o atentado contra o Governador ser uma farsa

...Tá entendendo? A história do Governador é o seguinte. Que ele disse pra ela também, né, que como era tudo fachada, né, que... ...O que ele disse pra ela, né? Que o... Como era tudo fachada, que era pra tirar da, da..., os olhos da Justiça de cima de ambas as partes, né, e que também eles iriam ter acesso..., ter como operar em outras localidades, eles não poderiam ficar à mercê, à mostra, né? O que ela falou pra ele foi assim: que não poderiam ficar à mercê, à mostra, que tais conhecimentos da polícia. A polícia tava investigando. Estava próxima às investigações de descobrir o Barbudo, né? E os comentários do Capi. Foi assim que a polícia começou, né, em partes, a Polícia Federal começou, a Polícia Civil começaram a investigar o Sr. João Alberto. Tudo bem, né? O, o traficante disse para, para a menina, para a Lana, que o Barbudo e o Capi conspiravam juntos, né? Que a história de, do, de um dedar o outro, acabar com a vida do outro, a história não procedia, né? Tudo... A procedência da história..., não procedia, o Capi e o Barbudo, deles estarem, deles serem inimigos, embora que os policiais não sabiam de tal fato. Somente o Capiberibe e Barbudo Sarraf... ... Daí vem a tal expressão de um ser testa-de-ferro do outro...”



Sobre o Governador controlar o tráfico de drogas no Estado

...O Sr. João Alberto, né, devido a algumas informações também, teria e queria comandar, em certo ponto, o tráfico de drogas no Estado do Amapá. O Sr. João Alberto, até então, antes de conhecer o Barbudo Sarraf, ele fazia o seu comércio ilícito, posso assim dizer. Foi quando o Barbudo Sarraf, né... Foi quando ele conheceu o Barbudo Sarraf na campanha para o Governo, soube. E os dois, desde então, começaram, se aliaram e começaram...”

...É devido a, a estas informações foi quando eu comecei a deduzir, né, que várias pessoas estavam por trás, PMs e civis. Não só o Governador Capiberibe e o Barbudo Sarraf sabiam da rota do tráfico, e sim pessoas de dentro da corporação militar e de dentro da própria SEJUSPA, da Segurança, né, da Polícia Civil. Coisas que policiais militares, né... Não, os policiais civis, quando estouravam a boca-de-fumo, grande parte não era apresentado ao, à Delegacia de Entorpecentes, pelo fato...”

...Dessa forma foi que eu vim a saber que o Sr. Governador, sentado em sua cadeira, no Palácio do Governo, comandava o tráfico de drogas no Município e na... no Município e nos demais. O Barbudo Sarraf começou a comprar os policiais civis e militares que iriam, que iam para o Laranjal do Jari...”

...A participação do Sr. Governador Capiberibe é na seguinte forma: na denúncia baseada na denúncia da doutora Margarete, ela fez lavagem de dinheiro, né, posso dizer... usar a expressão lavagem de dinheiro porque coloca... contratar pessoas que não existem é lavagem de dinheiro. Na participação dele com o Barbudo Sarraf no tráfico de drogas...”

Sobre o envolvimento de policiais militares com Barbudo Sarrafo

...Devido o Barbudo ter policiais militares do seu lado, né, quando o Comando Geral da Polícia Militar efetuou, começou a efetuar a operação, vazaram as informações. O Barbudo Sarraf soube, soube, soube, em Laranjal do Jari, fazendo com que ele fugisse para outro país, outra localidade...”

...Foi quando os policias chegarem em seu garimpo, na sua plantação, no seu sítio, na sua fazenda. Ele já não estava mais presente e nada que comprometesse ele...”

Sobre a relação da polícia com o tráfico

...Policiais civis, que, quando estouram as bocas-de-fumo, grande parte fica pra eles. A Polícia Militar lá age da seguinte forma, né? Ela chega com os boqueiros, que os traficantes pressiona, querendo a parte dela também, certos policiais militares, posso dizer assim, né, na sua grande maioria os graduados...”



Sobre a rota do tráfico

...devido aos conhecimentos, né, eu também comecei a ir em parte através das ramificações, que não só no Laranjal do Jari, mas em Macapá também... não só no Laranjal... Laranjal do Jari, Macapá, mais Ferreira Gomes, Oiapoque, Calçoene e Bailique fazem parte da rota. Com tudo isso, antes daquela... desse primeiro depoimento vim ao público, eu posso assim dizer que eu tinha como entregar todos de uma vez só. Com tudo isso, saía o jornal, todos se esquivavam, todos saíram como a... doutora falou, todos pararam de comercializar. Do Bailique eu tinha como chegar; do Oiapoque já tinha como chegar...”



Sobre a entrada e a saída da droga no país

...No Oiapoque, né, essa minha viagem que eu fiz pra lá, fiz a passeio. Aí, aproveitando, eu comecei a indagar com pessoal, perguntar como era que vinha, como era que saía. Perguntei se o... alguém na Polícia Federal... se tinha policiais federais que atuavam ali. Me disseram que apenas um policial federal fica no departamento, fazendo com que o tráfico de ida e vinda São Jorge-Oiapoque fique livre. Policiais civis, que não são a bem daquela localidade, não trabalham, não prestam serviço ali, saem de seus Municípios para irem lá, né? Eles têm conheci... eles sabem o dia e hora que chega os tráfico de droga lá, as drogas lá pra trazerem... pra distribuírem no Estado, não é? Tava fazendo isso no Oiapoque. Quando isso saiu, os policiais civis que estavam lá evacuaram, sumiram, né, no Município de Ferreira Gomes, né?...”



Sobre não ter mais como provar o que diz

...Não. Inclusive, uma das pessoas que comigo poderia provar, né, faleceu., porque ele também descobriu a rota...” “... mataram ele em setembro de 98...”



Sobre Adonias Trajano

...Eu tirei... eu tirei na... numa conversa que eu tive com uma das pessoas que citei... ...um dos traficantes, né, eu conheço muito bem desde a infância, né?...Ele disse que ele queria comprar uma casa, só que faltava o padrinho pra ele. Pois o padrinho dele havia sido... né, estava sumido. Aí, eu perguntei: "como queres conseguir essa casa? Como tu quer conseguir muito dinheiro?" "Me indicaram" — ele falou — "me indicaram Adonias Trajano. Ele, né, como ele tem um terreno, ele tem como conseguir; tem plantio" — ele falando pra mim —, "tem um plantio de maconha, né", também... ...Envolvido com roubo de gado". Aí, eu disse: "sim, o que que tem a ver o roubo de gado com o plantio?" Ele disse que o roubo de gado, né, ele faz pra alimentar as pessoas que trabalham pra ele na roça... E debaixo — debaixo! — das tais carnes de gado que viriam prensadas os malotes de maconha... ...Por mais que ele passe pela Polícia Federal, a Polícia Federal... Rodoviária não vai tirar aquelas carnes da carroceria da pic-up, facilitando comércio pra dentro do... do Município. Mesmo porque, o mal cheiro, nem tanto, porque não tem cães treinados, não tinha cães adestrados pra ficar...”



Perguntado se estava dizendo que o Governador e Barbudo Sarrafo eram inimigos políticos, publicamente, mas, na verdade eles não eram inimigos

...Isso...”



Perguntado sobre qual era o interesse do Barbudo Sarrafo em cometer um atentado contra o Governador, se o esquema funcionava tão bem

...o Governador é mais poder que o Barbudo e o Barbudo, né, por sua vez vem... queria ser soldado, vem a ser soldado, segundo a expressão, né... ...Na época, a Polícia Federal, juntamente com o Exército, estavam pra estourar, né, pra desarticular o garimpo e o plantio de maconha do Sr. Governador... do... do Barbudo Sarraf, né?... ...Ele e o Capi entraram em um acordo. Ele arrolava, ele fingiam tal atentado contra o Governador pra tirar Polícia Federal e Exército de cima dele... ...Barbudo Sarraf com o Capi armaram o tal esquema. Somente eles dois sabiam... ...Como eles dois sabiam, pra nem um e nem outro ser prejudicado, pra nem um e nem outro ser alvejado, posso assim dizer... vamos supor...hum... eu chego, dou um tiro pra cima, os seus seguranças não entendem e atiram pra mim, eu atiro contra eles e, sem querer, eu acerto a senhora. Pra não acontecer isso... ... se nós dois sabemos, eu sei o que vou fazer e você sabe o que eu vou fazer, pra nenhum dos dois ser alvejado num tiroteio, eu telefono pra polícia e dou a seguinte informação: vai acontecer tal fato, em tal lugar, tal hora. Mas a polícia chega primeiro e impede. A senhora ganha repercussão. A polícia também. E eu... e meu serviço, por sua vez, não é executado, fazendo com que a senhora imediatamente reuna com o Comando da Polícia Militar pra vim atrás de mim. Eu, sabendo da história, eu fujo...”



1.15) Sr. Jorge Alcino Furtado Abdon -Vereador em Macapá - Testemunha, declarou de forma resumida:

Sobre o motivo de ser chamado de “Zeca Diabo”

...Ao chegar em Macapá, estava passando aquela novela do Lima Duarte, né?... "O Bem-amado". E quando eu, ao vir pra cá também, eu trouxe um cavalo lá do Marajó, lá da terra onde também fui Vereador por dez anos e, ao chegar aqui, eu andava no cavalo, como transporte, né, que a cidade ainda era pequena e havia a permissão pra isso, né, e coincidentemente, eu fui... eu também um pouco calvo, né,...”



Sobre as suas atividades fora da política

...eu sou de profissão pecuarista, embora tenha pouco gado e tenho um pequeno motel aqui na cidade... eu tenho 3 mil hectares de terra e tenho umas cem cabeças de gado... Eu tenho duas rendas: uma renda do motel e outra renda como Vereador, apenas...



Sobre as acusações de Mírian Lóren de que chegavam drogas no motel de sua propriedade

...Em primeiro lugar, eu não a conheço pessoalmente e nem, e nem mesmo como depoente, porque eu não fui em nenhuma, em nenhum júri, né? E também, desde 1991, o meu, o meu motel, ele fica na mão de terceiros. E eu não tenho acesso de trabalho efetivo dentro do motel, desde que quando eu fui candidato a Vereador. Quando eu passei a ser Vereador, ele sempre tá na mão de terceiros... Ele tá arrendado...”

...eu acho que foi muito infeliz a acusação dela, e que não pode, de maneira nenhuma, me trazer prejuízo, considerando que eu, sinceramente, depois de 91, nunca passei uma noite no motel, à frente de serviço ou qualquer... de alguma forma. Sempre vou de dia lá. E sempre, às vezes, quando precisam de algum serviço para reforma, eles contratam um profissional, né, e... e acerta o pagamento... Eu... eu fui um Cristo na mão dela, eu concordo...”

Sobre a possibilidade de ter passado droga dentro do motel

...É porque eu não posso falar que tenha havido ou não, porque, como já falei, ele fica sempre em mão de terceiros, né? Agora, os motéis geralmente, eles são muito privativos, né? As pessoas não têm acesso para dentro dos apartamentos. Eu acho que é muito difícil se saber se isso ocorre dentro dos apartamentos...”

...É, o motel, como disse, desde 91, eu arrendo, né,... base de 35% da renda bruta.

Sobre o contrato de arrendamento

...geralmente eu não tenho até porque esconder. A maioria dos aluguéis são feitos para meus parentes, meus parentes e amigos. E eu tenho os contratos... É, de 91 a 93, ficou meu irmão Alexandre Simão Furtado Abdon... Em 94, ficou um, ficou um cunhado. Aliás, não é meu cunhado. Ele vive com a minha irmã... Mário... É, eu tenho que ver nos papéis, né? Eu não tenho... Só conheço como Mário Pereira, ele. Mas ele tem outro nome logicamente... Em 95 ficou com o Marco Nóvoa(?)... Ele é meu filho biológico, né, mas não leva meu nome...96 e 97, ficou com a minha filha Leila Regina Abdon das Mercês... Noventa e nove, está o meu irmão Alexandre Simão Furtado Abdon, de novo... Eu queria até falar sobre esses assuntos, que eu preferi dar pros meus parentes, por causa do zelo, do bem, porque, se a pessoa aluga para uma pessoa que não conhece, às vezes a pessoa entrega o bem deteriorado. E assim eu poderia ter alguma acesso à, ao, à construção de alguns apartamentos que sempre vão necessitando reforma...”



Sobre conhecer Mildes Abdon da Silva, Jacy Gonçalves e ter ciência de um cheque ligando os dois

Sobre Mildes:“...Conheço. É... Ele é filho da prima do meu pai. Ele, há muito tempo atrás, tinha o Sítio do Abdon ...Sítio do Abdon, lá em Santana. Depois ele transformou numa escola. Isso eu sei porque... eu sei das coisas...Sobre Jacy: “...Não conheço.”

Sobre a prisão de Mildes Abdon da Silva em 1998

...Eu não sei a data, eu não sei a data, mas quando eu ia em Santana, pouquíssimas vezes... Eu devo ter ido duas vezes lá no...sítio, na festa. Festa. Era casa de festa. Inclusive, reunia muito o povo...”



Perguntado se sabia que Jacy Gonçalves enterrava as drogas que traficava no sítio do Abdon

...Não, não sabia não...”



Perguntado se o sítio nunca foi seu

...Não, eu... eu nem sei se era dele mesmo. Devia ser dele, porque tinha a mãe dele... Eu não sei se era da mãe dele... Mas eles sempre falavam o Sítio do Abdon. "Ah, pra festa no Sítio do Abdon". Aí eu... umas poucas vezes, eu fui. Uma ou duas vezes...”



Sobre estar envolvido com drogas

...eu nunca estive envolvido com droga, nunca mexi com droga e nem dei cobertura pra droga. E eu... eu, sinceramente, eu quero que esta CPI tenha... tenha as condições de provar tudo aqui em Macapá pra ver que o meu nome é limpo, porque eu vivo manso e pacífico com a minha consciência...



Perguntado se já ouviu falar sobre Silvio Assis

...Já, foi candidato a Deputado Federal , teve 2 mil e poucos votos em Macapá... ele tinha jornal aqui em Macapá, tinha um jornal, jornal... esqueci o nome... Não, não, nunca fui na casa dele, nem o convidei também pra minha casa...”



Perguntado se já foi a festas na casa de Silvio Assis

...Eu sei perfeitamente das minhas faculdades mentais e não sofro amnésia, e eu nunca fui em festa onde o Sílvio Assis estivesse... Nunca fui em festa aonde o Sílvio Assis estivesse, ou fizesse a festa, promovesse uma festa...”



Perguntado se já ouviu falar em Milton Rodrigues

...É, eu conheço como político de Macapá, né?... ele foi Prefeito de Oiapoque, foi Deputado, parece uma ou duas vezes, então, é um nome conhecido, badalado, na cidade de Macapá. Nem foi eleito, perdeu, na última eleição passada, a cadeira de Deputado Estadual...”



Sobre a conduta do ex-Deputado Milton Rodrigues

...não sei nada da vida particular do Deputado. Eu apenas o conheço por jornal, por divulgação política, mas não tenho nenhuma ligação...”



Sobre a diminuição de seu patrimônio

...O meu patrimônio vem diminuindo... é... gradativamente, né? Eu já tive quinhentas cabeças de gado, hoje tenho cem...”



Sobre ter problemas com a justiça

...Eu... já tive alguns problemas. Só... Mas também... Eu... eu tive dois processos que foram arquivados por falta de provas... Um por sedução e outro por uma... uma briga.

1.16) Sr. Luiz Gonzaga Pereira da Silva - Diretor do Complexo Penitenciário de Macapá/ AP Testemunha, declarou de forma resumida:

Sobre a morte de Jacy Gonçalves

...Bom, eu estava com um fiscal do Ministério da Justiça, ele tava recebendo as obras que estavam, que foram concluídas o ano passado, e, quando acabamos de chegar ao meu gabinete, depois de percorrer todo o sistema penal, eu fui informado pela minha secretária que um preso havia sido morto, e ela me noticiou o nome do Jacy. De imediato, eu pedi licença ao representante do Ministério da Justiça e desloquei ao local onde tinha acontecido o fato, que foi o pavilhão destinado à penitenciária para os presos de regime fechado. Lá pedi que isolasse o fatos, o local e acionei a autoridade policial, o qual compareceu o Dr. Vital, com a equipe do Departamento de Polícia Técnico-Científico...”



Sobre as razões do assassinato de Jacy Gonçalves, vulgo Jackson

...Não, veja só, o que... qual foi a informação que chegou em, em relação à morte do, do Jacy? Qual foi o que aconteceu? Quando nós fomos pra lá, "dectaram" quem era os autores do fato, tá certo? Os autores do fato disse que foi em razão de um fato que aconteceu em dezembro, quando um outro corpo, um outro preso foi morto, e que esse preso também, além disso, teria sido ameaçado pelo Jackson. Isso foi o que chegou ao nosso conhecimento e que a autoridade policial tá trabalhando nos autos...”



Sobre a quantidade de assassinatos ocorridos dentro do sistema penal nos últimos 5 anos

...Vinte e dois”



Sobre o assassinato de Jacy ter relação com o depoimento que iria prestar á CPI

...Olha, Deputado, com... Excelência, eu, veja só, eu converso muito com os presos, quem aqui que tá presente aqui, sabe da minha convivência pra poder até estudar e verificar qual é a melhor forma realmente de educá-lo. Agora, veja só, quando a gente consegue perceber... E não percebi, porque o próprio preso aqui, dentro do sistema penal, ele tem... E a própria lei dá essa garantia de ele falar com o diretor a hora que ele quer, até porque eu entro na área, eu atuo dentro do sistema penal. Então, em nenhum momento, ele me procurou e nem aquele que, às vezes, a gente consegue alguns informantes que vêm trazer coisas positivas pra nós, para não deixar acontecer qualquer tipo de crime. Esse fato não aconteceu, não me procuraram. Se tivessem me procurado, com certeza, teria medida de segurança, mesmo o preso, mesmo a família dele...”

...o que eu tenho, o que eu vi o preso que a... que tá dizendo, que tá assumindo que é o caso que a autoridade policial tomando, tomou, ele me passou o seguinte fato, ele me passou que o preso, ele ficou sabendo que o Jacy havia mandado matar o Banha, que estava num pavilhão de readaptação, quer dizer, num outro pavilhão e que, algum tempo atrás, tinha mandado matá-lo e tinha mandado dar uma surra nele. Esse foi o que o preso, que foi autuado em flagrante me passou...

Dia 05 de Maio de 2000

1.17) Sr. Hermelino Gomes de Araújo - Policial Civil, Testemunha, declarou de forma resumida:

Sobre sua lotação

Delegacia Central de Flagrantes.”



Sobre eventualmente conduzir presos

...Para o presídio, não. Fiz a condução da testemunha Míriam Lóren em quase todas as viagens que ela veio depor aqui em Macapá...”



Sobre conhecer o ex-Deputado Milton Rodrigues e ter alguma relação com ele

...Conheço... Nenhuma. Conheço, porque é aqui do Estado. O Macapá é um Estado pequeno e todo mundo se conhece... Não tenho nenhuma relação pessoal com ele...”



Perguntado se Mírian Lóren lhe confidenciou alguma coisa

...Eu sempre me posicionei, como lhe falei anteriormente, como na condição de policial civil e ela como testemunha. Nunca tive assunto nenhum tratado com ela... Até porque ela sempre estava acompanhada de duas policiais da Delegacia de Mulheres e, pelo fato da testemunha que ela era em ter denunciado várias pessoas importantes do Estado, eu sempre mantinha-me à distância dela. Até porque pela segurança dela e da minha própria segurança que tava ocorrendo naquele momento, porque ela era uma pessoa muito visada. Eu sempre me mantive à distância daquela pessoa...”



Perguntado se alguma vez prometeu algo para Mírian Lóren

...Nunca conversei com ela pra tratar de assunto nenhum. Inclusive, do que ela citou no último CPI.”


Sobre as denúncias de Mírian Lóren de que ele teria oferecido dinheiro para não citar o nome de Silvio Assis no inquérito da morte do Dr. Valdson

...A questão é a seguinte: ela sempre, desde quando começou essa questão do... da apuração desse inquérito da morte do Valdson, ela sempre citava o nome do empresário Sílvio Assis. E a cada vez que ela vem em Macapá, ela cita o nome de uma pessoa diferente, como também fala uns depoimentos que nunca bate com o que ela sempre falou. Hoje ela me colocou no meio, inocentemente. Eu tô inocente, e eu vou provar pra vocês a minha inocência...”

...Quando eu estava com dez dias em Natal, eu recebi um telefonema informando que ela teria citado o meu nome na CPI, como se tivesse oferecido 25 ou 30 mil reais para que ela não citasse o nome do empresário Sílvio Assis, coisa que eu nunca tive relacionamento em tratar um assunto dessa maneira com ela...”

Sobre quais os motivos que ela teria para citar seu nome

...Na última viagem que nós fizemos, em São Luís, quando ela foi informada que ela teria que vir em Macapá, juntamente com a sua genitora, a resposta que ela nos deu foi que não viria nem ela nem a mãe. Nós entramos em contato com o delegado-geral, o delegado Celso Augusto, passamos a informação de que ela não viria e ele disse que... pra que informasse a ela que ela, como testemunha de juízo, ela teria que vim que nem presa. Essa informação foi repassada a ela e à mãe, e isso, com certeza, criou uma insatisfação com a gente. É a única coisa que eu devo: a insatisfação dela comigo foi esse momento da última viagem que existiu com ela. Nada mais.”



Sobre ter procurado Mírian Lóren na Polícia Federal depois da primeira ida da CPI à Macapá

...Não fui procurar lá. Eu passei casualmente na frente da Polícia Federal. No dia da... na minha viagem, que nós íamos buscar a Míriam, houve o... é... na hora que eu estava embarcando o... rapaz da Receita Federal chamou o agente da Polícia Federal e comunicou que nós estávamos armados. Quando o rapaz veio, eu me identifiquei como policial, mostrei a ordem de missão, disse o que nós íamos fazer e, em seguida, embarcamos. Despachei minha arma e embarquei...”



Perguntado pela Deputada Laura Carneiro: “A informação que a gente tem da Polícia Federal é que você, enquanto a CPI estava aqui em Macapá, entre o dia 3 e 6 de abril de 2000, neste ano, portanto, você esteve na... na... na Polícia Federal e procurou... tentou falar com a Míriam. Ela não falou com você. Mas você tentou falar com ela. Ora, se ela não era sua amiga, se ela, segundo você, tava chateada com você por conta da última condução, que é que você foi fazer na Polícia Federal pra procurar a mulher?”

...Nessa data que a senhora está falando que eu estive na Polícia Federal, eu me encontrava em Natal...



Perguntado: “E... então, você não foi na Polícia Federal? Você disse agorinha que foi e que voltou.”

...Eu tô retificando o que eu falei pra ela. Eu falei que deixei a minha esposa na delegacia, passei em frente... Eu passei. Eu falei pra ela que eu fui lá. É só porque ela me falou uma data e eu disse que nessa data eu não estava aqui... Fui deixar a minha esposa na delegacia. No retorno, eu passei pela frente da Polícia Federal. Após o término do julgamento, devia ter sido um dia depois, o rapaz que questionou a questão da minha arma no aeroporto tava transitando do portão principal da Polícia Federal para a garagem. Eu parei o meu veículo, conversei com ele: "Você lembra de mim?" Ele disse: "Me lembro". Eu disse: "Eu sou aquele rapaz, que foi aquela questão daquela arma, tudo mais". Perguntei inclusive pela Míriam, sim. Eu disse: "A Míriam está aí, não tá?", aí ele disse: "Está."... Foi logo após o término do julgamento. Acho que foi no... foi o finalzinho... foi o final do mês pro começo, devia ser dia 1º, por aí assim. Dia 1º, dia 2...”



Perguntado se esteve na Polícia Federal para ver Mírian Lóren na véspera da Comissão chegar à Macapá pela primeira vez

...Sim...Um pouco antes...”



Sobre a reação do Agente de Polícia Federal quando ele perguntou por Mírian Lóren

...Ele disse: você precisa falar com ela? Ele me disse: se você precisar de qualquer informação dirija-se à portaria. Eu digo: não, só tava passando por aqui, encostei pra conversar contigo... Eu não me lembro o nome dele, mas se eu ver eu reconheço...”



Sobre o dia da morte de Jacy Gonçalves

...Eu sei que no dia que ele foi assassinado eu estava em casa. O Delegado Vital, que é o meu titular, na hora de plantão mandou-me chamar pra que... E eu vi as pessoas que estavam lá, não é? E...”



Sobre quem lavrou o flagrante da morte de Jacy Gonçalves

...Quem lavrou foi o Delegado Vital. Sou o escrivão dele... Eu digitei no computador...”



Perguntado se sabe alguma coisa que poderia comprometer sua integridade física

...Não. Não tenho nada. Tudo o que eu tinha que falar e que vocês me perguntarem eu vou responder aqui. Eu não devo nada pra ninguém. Eu sou inocente. Eu quero mostrar que eu não devo nada pra ninguém. Eu quero mostrar a minha inocência aqui.”



Perguntado se assina documento abrindo mão de seus sigilos fiscal, bancário e telefônico

...Eu sou obrigado a fazer isso aí? ...Então, eu vou me reservar o direito de não conceder.” Após a argumentação de alguns deputados: “...Tudo bem, eu vou quebrar meu sigilo bancário... Está certo. Pode fazer o documento. Eu assino.”



Sobre ter solicitado alguma vez para fazer a guarda de Mírian Lóren

...É... pedi uma vez pra ir... Eu não recordo qual foi das vezes.



Perguntado se pediu para se incluído na missão que levou Mírian Lóren para depor

...até porque ela tem, ou tinha, não sei se depois disso aí, a maior autoconfiança na gente. Ela se sentia bem quando tava com a gente. Ela se sentia segura com...”



1.18) Sr. Edvaldo Pascoal Oliveira Pereira - Policial Civil, Testemunha, declarou de forma resumida:

Sobre sua carreira Policial

...Fiz concurso público pra Polícia Civil, entrei em 85... Ingressei na 6ª DP, no bairro do Trem. Posteriormente trabalhei na Delegacia do Pacoval, São Lázaro, delegacia de menores. Foi quando entrei na Entorpecente, em 86. Fui por diversas vezes chefe do Grupo de Operações de Combate ao Tráfico de Drogas no Amapá, GORTE. Trabalhei no Tribunal de Justiça, oficial de justiça ad hoc, onde tive portaria de elogio. Trabalhei aqui nessa Casa, no Ministério Público. Fui segurança do Procurador-Geral de Justiça, Dr. Manoel Brito. Trabalhei na Promotoria de Investigação Criminal... E, quando mudou o Procurador, né, eu tive que retornar à casa, né, à Secretaria de Segurança Pública. Daí retornei de novo pra Polinter. Fui dois anos chefe de operações do DOT, ...Retornei à Entorpecente. Fui chefe novamente do GORTE, onde foram feitas as maiores apreensões de droga no Estado. E com a minha saída do Ministério Público eu fui plantado dentro da casa do empresário Sílvio Assis, pessoas lá. E participei, comecei a participar das...”



Sobre ter sido plantado na casa de Silvio Assis

...É porque ele tinha relacionamento com pessoas influentes no Estado, né: desembargadores, juízes, promotores, Deputados. Inclusive, houve até um jantar pro Presidente Sarney na casa dele uma noite. Estava presente, o Presidente Sarney estava lá. Então, pessoas se preocupavam, porque ele tinha fama de traficante no Estado. E eu,... São pessoas que eram amigo dele. estavam querendo saber se realmente ele era traficante. E eu fui plantado lá como segurança. Trabalhei como segurança dele uns três, quatro meses...”



Olha, Excelência, eu comecei a me infiltrar, eu adquiri a confiança dele. Quer dizer, que de segurança eu passei a ser amigo dele, entendeu? Isso começou a incomodar, com certeza o Palácio, com certeza a Secretaria de Segurança Pública, porque o Dr. Adamor, que foi ex-Secretário de Segurança Pública, me chamou no gabinete dele e me espremeu lá dentro que era pra eu largar da amizade de Sílvio Assis... Foi que me pegaram e me jogaram pro interior. O que veio ao meu conhecimento, eu perguntei por que interior se eu estava como chefe de operações do GORTE. Entendeu? Com uma sala montada pelo traficante que diziam que ele era. Por que me tiraram lá de dentro e me jogaram para o interior? Pra me isolar? A vontade deles era me mandar por Oiapoque, pro Sucuriju. Não é de estranhar que eu amanhã esteja. Você vai ter notícia lá, onde você estiver, que eu esteja no Sucuriju ou no Oiapoque. Com certeza vão me trocar...”

Sobre seu relacionamento com Silvio Assis

...eu consegui adquirir a confiança dele mesmo, fui amigo particular dele, entendeu? Agora, negócios dele que não dava, não tinha acesso que ele viajava, Brasília, Belém. Quer dizer que ficava impossível. Quer dizer que nós fizemos ... criamos amizade, eu e ele. Uns seis meses depois ele não teve mais condições de me pagar, né, como segurança. Ficou só a amizade mesmo, mas mesmo assim ainda continuei freqüentado a casa dele, indo no jornal dele. E agora, com o que está acontecendo, os amigos sumiram, né, ele está foragido. Se estiver ouvindo, que ele apareça, que o clima está pesado, têm pessoas com medo aí de ..., a casa que seja invadida por policiais. Seria bom que ele aparecesse pelo menos para se defender, porque a pessoa que eu conhecei não foi essa pessoa que está como bandido foragido. Então, eu queria que ele aparecesse... nunca roubei, matei, nem vendi droga. Hoje, vou falar para vocês, eu me sinto prejudicado. E vou falar outra coisa, se fui usado pelo Sílvio, que ele me desculpe, eu considerava ele como amigo, mas se eu fui usado vai custar caro. Que ele apareça para se defender. Eu mandei um recado: aparece, porque, porra, eu tô numa situação difícil, complicada...”



Sobre ter visto irregularidades na casa de Silvio Assis

...Quando eu entrei na casa dele o que eu observei era o fluxo constante de políticos, Deputados, entendeu? Isso era constante, constantemente. Aí eu fui passando a observar as pessoas que entravam lá... Eu não ouvia nada de ilícito até então, né?...”



Sobre os políticos que freqüentavam a casa de Silvio Assis

...Era o Roberto Goes; o Franjinho, agora, este ano passou a freqüentar a casa dele; Rosemiro Rocha; Deputado Manoel Brasil; e há também o Eider Pena. Eu tô me lembrando dos nomes, né. O Salomão, ele ia na casa dele; o irmão do Deputado Badu, Roberval Picanço, ia na casa dele; o Presidente Sarney foi na casa dele uma noite. Ele tinha, no celular, acesso direto ao Presidente Sarney. Quando ele tentava ligar, ele ligava, eu escutava ele falando, entendeu? Quem mais ia na casa dele? Vinha um pessoal de Brasília e ficava na casa dele, o pessoal eu não sei bem da onde era. Me esqueço o nome do pessoal que vem de lá. Quer dizer que eu via que eram pessoas importantes...”



Sobre as autoridades que privavam da intimidade de Silvio Assis

...Rosemiro Rocha. Hoje em dia eles estão brigados, eu não sei por que. Olha, rapaz, aparentemente assim há um ano e três meses que eu perdi o contato com o Sílvio, devido me afastarem para o interior. Não sei se descobriram, não sei, alguma coisa. Me jogaram pra lá. Quer dizer, aqui eu só venho receber o meu dinheiro. Às vezes que eu venho eu fazia uma visita de cordialidade a ele né. Ele era Presidente da Federação. Quando havia jogos importantes eu ia lá para segurar a renda...”

...eu nunca vi na casa dele a Dra. Margarete...”

...Vez por outra o Miranda ia, vez por outra. Não era freqüente o Deputado Miranda ir lá. O Fernando de vez em quando ia lá, esse irmão da Margarete, é primo ou irmão, também de vez em quando ia por lá, ela ia na casa dele...”



Perguntado se continuava sendo policial civil e estava fazendo um trabalho particular e se recebia por esse trabalho

...Certo... Não senhor. Porque as pessoas que me colocaram lá dentro são meus amigos. Eu tenho vários amigos. Então, eles estavam também preocupados se, pô, esse cara é ou não é... Então, quando apertava um pouquinho assim eu... eles me ajudavam. Entendeu?...



Sobre pessoas que o ajudavam sem ter envolvimento com a sua infiltração na casa de Silvio Assis

...Olha, às vezes quando eu apertava um pouco... Não, é melhor não falar, deixa... Pode, sei lá, envolver essas pessoas assim. Tem umas que não, não vai envolver, né? Por que envolver... Olha, por exemplo, até hoje eu devo dinheiro pro Dr. Eli, uma prestação do carro que atrasou. Ele me emprestou dinheiro, Dr. Eli... Dr. Eli, o Promotor de Justiça, me emprestou um dinheiro; o Dr. Manoel Benjamim me emprestou o dinheiro. A essa turma eu devo dinheiro. Eu pedi emprestado deles pra pagar mensalidade do meu carro que atrasou...



Perguntado novamente se não recebia pagamento para fazer a segurança de Silvio Assis

...Ele pagava...”



Sobre saber a origem do dinheiro de Silvio Assis

...Eu tô entendendo. Isso, isso. Olha, tá aí repasse de verba da Margarete. Vocês estão apurando, é legal? Não sei... Agora, agora, vamos supor, as viagens dele pra fora não poderia acompanhá-lo, eu nunca acompanhei, entendeu? Aí...



Sobre Silvio Assis fazer Lobby

...Olha, outras coisas. Vamos supor, apareceu... um problema pra receber dinheiro do Governo, né, uma licitação, qualquer coisa, um dinheiro pendente no Governo que não saía essa grana... Isso, isso. Então, ele por trás, ele conseguiu, e a pessoa dava a parte dele lá. Quer dizer, ele sempre fez essas coisas aí... Vamos supor, ele se dava como o Jardel, com Cláudio Pinho. Então, havia facilidade dele conseguir com que pagasse aquela pessoa. E automaticamente as pessoas repassavam a parte que devia ser prometido a ele. Isso eu via também...”



Sobre revelar o nome das pessoas que o “plantaram” na casa de Silvio Assis

...Eu não posso falar, eu não posso falar. Eu não posso falar. Posso falar que não foi nenhuma das pessoas... Eu não vou falar. Não vou falar porque essas pessoas até hoje não foi provado, pelo que estou vendo, não foi provado que Sílvio Assis é traficante. Eles têm aí..., o pessoal fala, o depoimento da Lóren, né, que até hoje eu me pergunto também por que mandaram o Araujo buscar a Lóren, que nem agente de polícia ele é. Ele é escrivão de polícia. Quer dizer, coisas que me preocupava...”

...Certo. Olha..., eu conheço, como falei, conheço várias pessoas que trabalham aqui nesta Casa, trabalham lá no Tribunal de Justiça, torno a repetir. Então, em conversa... Quando eu saí do Ministério Público, né, lógico que me aproveitaram pra colocar lá dentro, porque...”

...Se eu for intimado novamente a prestar em juízo em falo...”



Sobre as relações de Silvio Assis com estrangeiros

...Dois japoneses que vieram de Belém, mas com intenção de vender produtos, de remédio para o Governo, dois... Inclusive eu peguei até um fax, me desculpe aí se eu tive acesso, esse fax chegou pela Federação. Eu peguei esse fax e li, esse fax que chegou desses, desse grupo de japoneses, né?... se tratava de remédios, medicamentos, é os preços, que vinham tudo com preço, né, pra repassar pro Governo. Quer dizer que ele também facilitava esse intercâmbio aí com o Governo, através desse pessoal que eu falei, com os representantes de medicamentos...”



Sobre a possibilidade de Silvio Assis comandar o narcotráfico no Amapá

...há um ano e três meses eu perdi contato. Às vezes que eu vim aqui ele estava em Brasília, entendeu?... Era pouquíssimas vezes que ele passava aqui, que ele estava aqui. Chegava no jornal, cadê o Sílvio? Tá pra Brasília. Eu falava com a esposa dele, tá pra Brasília. E nós falávamos por telefone, entendeu, ele tava em Brasília; por telefone celular, a gente conversava, ele tava em Brasília. Todas as vezes. Era pouco o contato ultimamente que eu tive com ele...”

...Não, de drogas eu vou lhe falar uma coisa, eu não vi...”

Sobre as contradições com relação ao salário que recebia para fazer a segurança de Silvio Assis

Perguntado: “...Mas o Sílvio te pagava salário?...” Respondeu: “...Não... não...” Perguntado: “...E como é que o Sílvio aceitava uma segurança que não pagava salário?...” Respondeu: “...Eu consegui fazer amizade dele em seis meses... Perguntado novamente : Como é que uma pessoa aceita um segurança na sua casa sem pagar salário pra ela? Respondeu: Seis meses ele me pagou, entendeu? Nesses seis meses...

Sobre Silvio Assis ter contratado os seus serviços sem indicação

...Eu creio que ele acompanhou o meu currículo, né, por onde eu passei... Ele deve ter consultado algumas pessoas pra poder me colocar lá dentro... Agora, realmente ele não ia me colocar lá dentro de graça... Alguém me indicou pra ele. Não sei..., ele deve ter consultado várias pessoas...



Sobre outras pessoas que eram amigas de Silvio Assis

...Promotores de Justiça são amigos dele. Então, eu era segurança do Procurador... Por exemplo, o Coronel Dutra, que era o Comandante do Exército, freqüentava a casa dele. Então, eu vi a casa dele muito vazia, às vezes que eu ia lá e perguntava pelo pessoal. Aí, deram as costas, entendeu?... O Sílvio freqüentava o Ministério Público. Eu vivia aqui na sala do Procurador-Geral... Ele conhece várias pessoas. Dr. Hernandes, conheceu a Dra. Socorro, conheceu o Dr. Manoel Brito, conheceu várias pessoas aqui no Ministério. Então, ele vivia por aqui também... a pessoa que eu via constantemente na casa dele era o Dr. Pedro Leite, Promotor de Justiça... O Deputado Júlio Miranda. Às vezes ele ia na casa do Júlio Miranda, mas pouco o Júlio Miranda ia na casa dele...”



Sobre os inimigos de Silvio Assis

...O problema dele é que ele mexe com muita gente. Inclusive o Deputado Milhomem, no próprio jornal dele, ele desafiou o Deputado Milhomem a apresentar um exame toxicológico. Tá lá o espaço reservado. Acho que a Excelência deve ver isso aí no jornal. Toda edição sai. Então, ele tem muitos inimigos. Inclusive, uma das últimas vezes que eu conversei com ele, ele falou que ia contratar segurança de novo...



Sobre o período em que trabalhou com Silvio Assis

...a data foi em abril. Aproximadamente dia 14 de abril de ... de 97. Noventa e sete, por aí... É, ele foi preso pela Polícia Militar quando saiu na Antena 1. Que lá na Antena 1 ele falou, né? Houve um problema na Antena 1 que ele citou, falou que o Comandante da Polícia Militar, o Cel. Moreira, que ele deu dinheiro pro Comandante da Polícia Militar. E é assim. Passagem, pagava cartão do comandante, da mulher dele. Entendeu? Logo em seguida ele foi preso. Então, nesse dia ele chegou e me falou: "Olha, a partir de hoje eu não preciso mais dos serviços... que ele disse: "Olha, eu vou te dispensar da segurança, mas você pode freqüentar minha casa, pode vir jogar um sinuca aqui quando você..." Até então nós já éramos amigos... Só amigo. Olha, eu trabalhei na companha dele pra Deputado Federal. Meus três dias de folga, eu trabalhava com ele. Nós temos três dias de folga, entendeu? É onde faz nosso bico... Isso, aí, quer dizer que aí ele me deu uma assessoria na campanha, na federação. Deu pro meu filho, pra pagar a faculdade dele lá em Seattle. Entendeu? Quer dizer que tudo isso, é uma forma, acho, de retribuição. É o vínculo que eu tinha ultimamente...”



Sobre um dossiê feito por Silvio Assis

...Ele expôs, ele expôs pra todo mundo, ele fez um dossiê. Inclusive eu fui na loja, rodamos dez, as notas, tudinho, que ele ganhou. Ele deu para os desembargadores aí alguns, umas quotas das transações dele com a Margarete, né? Ele passou, ele abriu a vida dele, entendeu? Foi dinheiro. Alguém deve ter esse dossiê ainda. Se o senhor procurar, com certeza...Não era o dossiê da Margarete; eram notas de serviço. Acho que ele prestou, entendeu, para o Tribunal e pagaram ele. Foi isso que ele mostrou. De onde veio o patrimônio dele...É porque na época da campanha dele, havia, parece-me... Como ele construiu o patrimônio dele, ele teria que provar...”



Sobre o esquema de “lobby” de Silvio Assis

...Empresário, às vezes,chegava na casa dele pra resolver problemas aí, resolvia mesmo. Ele conhecia o pessoal do governo aí...



Sobre os valores recebidos por Silvio Assis em cheques do Tribunal de Contas do Estado

Deputada Laura Carneiro, complementando informações sobre o assunto: “...Do dia 18/8/95 ao dia 15 de maio de 97, só em valores de cheques do Tribunal de Contas do Estado, ele recebeu em sua conta: 726 mil reais. Isso eu estou falando só de agosto de 95 a maio de 97. Bom, o valor total foi de um milhão 951 e 400...” Respondeu: “...Foi a época que ele construiu, acho, a casa dele lá...”

Sobre o Dr. Valdson

...ele usava, que ele era usuário de droga...”



Sobre Nivaldo

...O Nivaldo era investigador. Ultimamente já vinha usando drogas também, entendeu? Inclusive até num tempo na delegacia deram um flagrante nele numa boca de fumo, uma coisa assim. E ele tava investigando essa morte do Valdson. De repente, foi minha surpresa, ele já foi acusado aí. Prenderam o Nivaldo. Já matou gente aí.Quer dizer que virou bandido...”





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