Departamento de taquigrafia, revisão e redaçÃo núcleo de redaçÃo final em comissões texto com redaçÃo final



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O SR. COORDENADOR (Senador Leomar Quintanilha) - Agradeço ao ilustre debatedor, Dr. Elias de Paula Araújo.

Comunico aos presentes que o comitê organizador deste simpósio, em razão do atraso ocorrido no início desta Mesa, apresenta a proposta de que a parte destinada ao debate seja conjugada com os debates da próxima Mesa.

Agradeço aos ilustres expositores: Sr. José Alberto da Costa Machado, representante da SUFRAMA; Sr. Djalma Bezerra de Melo, representante da SUDAM; Sr. Abdias José de Sousa Júnior e Sr. Oduval Lobato, representantes do Banco da Amazônia; Sra. Márcia Kumer, representante da Caixa Econômica Federal; Dr. Paulo Frazão, representante do Banco do Brasil; e Sr. Elias de Paula Araújo, representante do FNMA.

Reitero que o debate relativo às exposições aqui apresentadas será desenvolvido conjuntamente com o debate da Mesa seguinte.

Declaro encerrados os trabalhos da presente Mesa.

Agradeço a participação a todos. (Palmas.) (Pausa.)



A SRA. COORDENADORA (Deputada Marinha Raupp) - Bom-dia a todos. Agradeço a colaboração aos expositores e a coordenação dos trabalhos ao Senador Leomar Quintanilha.

Convido o Senador Augusto Botelho para coordenar os trabalhos da próxima Mesa: Inclusão Social e Cidadania.



O SR. COORDENADOR (Senador Augusto Botelho) - Cumprimento todos os presentes.

Passo a chamar à Mesa os expositores: Sra. Nilcéia Freire, Secretária Especial de Políticas para as Mulheres (palmas); Sr. Márcio Meira, Presidente da FUNAI (palmas); Sra. Márcia Lopes, Secretária-Executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministra interina (palmas); Dom Antonio Possamai, Vice-Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil — CNBB (palmas); Sr. Luiz Fernando Rolim Sampaio, Diretor do Departamento de Atenção Básica da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde (palmas); Sr. Alexandre Reis, Subsecretário de Ações Afirmativas da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (palmas); e a Sra. Maria Helena, Deputada Federal.

Informo que a lista de inscrição de Deputados e Senadores para os debates encontra-se sobre a mesa. O Parlamentar que desejar interpelar os expositores deverá dirigir-se primeiramente à Mesa e registrar seu nome. Os demais participantes que desejarem fazer perguntas deverão procurar a Assessoria de Comunicação e fazer sua inscrição.

Informo, ainda, que os convidados não poderão ser aparteados no decorrer de sua exposição. Somente após encerrada as exposições os Deputados poderão fazer suas interpelações, tendo cada um o prazo de 3 minutos e o interpelado igual tempo para responder, facultadas a réplica e a tréplica pelo mesmo prazo. Os apartes e interpelações deverão ser feitos estritamente quanto ao assunto objeto da convocação, nos termos regimentais.

Passo a palavra à Sra. Ministra Nilcéa Freire, Secretária Especial de Políticas para as Mulheres.

S.Exa. dispõe de 10 minutos para fazer sua exposição.



A SRA. MINISTRA NILCÉA FREIRE - Bom-dia a todos. Agradeço o convite para estar presente a este seminário. Parabenizo a Casa por esta iniciativa, que nos dá a oportunidade de debater uma região muito importante, mas em que o Estado se faz pouco presente do ponto de vista da melhoria da qualidade de vida dos que lá vivem.

Meus cumprimentos aos companheiros e companheiras de Mesa.

Começo por lamentar o que aconteceu no Estado no Pará, onde uma menina foi colocada numa cela com outros 20 prisioneiros homens — o mesmo aconteceu com outras mulheres — e acabou violentada por vários deles, em troca de alimentação. Isso demonstra o quanto ainda precisamos atuar e quanto de atraso há em nosso País, sobretudo do ponto de vista da igualdade e da garantia de direitos a todas as pessoas.

A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, durante os primeiros 4 anos de Governo do Presidente Lula, fez um diagnóstico nada alentador da situação em que vivem as mulheres na região amazônica. No que diz respeito ao enfrentamento da violência contra a mulher na região, revelou-se a escassez de organismos destinados a atender às mulheres vítimas de violência doméstica, às que são vítimas de exploração sexual — meninas, adolescentes e mulheres adultas jovens — para fins comerciais, às que estão sujeitas ao tráfico para fins de exploração sexual que acontece nas fronteiras e às que são vítimas da violência que acontece nas populações tradicionais, em que determinantes culturais precisam ser vistos, revistos e discutidos.

Nas populações indígenas, por exemplo, mulheres índias sofrem violência tanto por parte da população branca, quanto dentro das próprias aldeias — o que remete ao alto grau de alcoolismo presente em algumas aldeias indígenas na região amazônica.

Esse diagnóstico da violência, da escassa presença do Estado na proteção e no empoderamento dessas mulheres amazônicas tem e terá conseqüências agora no segundo mandato do Presidente Lula.

Mas esse diagnóstico não reside somente no âmbito da violência, ele também está presente nas condições de acesso à saúde na região amazônica. Não me vou estender no assunto porque temos o nosso colega do Ministério da Saúde que certamente vai falar da situação das mulheres em particular, porque é preciso estabelecermos estratégias diferenciadas para a assistência à saúde, sobretudo a assistência materno-infantil, naquelas localidades onde as condições de acessibilidade são muito precárias.

Quando falo em estabelecer estratégias específicas — sou médica de formação —, quero dizer, por exemplo, estratégias específicas para que haja partos em condições seguras, de forma a diminuir a morte materna e neonatal na região amazônica. Se em outras regiões do País o estabelecimento do parto por meio do concurso de parteiras tradicionais talvez seja uma discussão desfocada no momento em que vivemos, na região amazônica essa discussão é absolutamente fundamental. É preciso que o trabalho das parteiras tradicionais seja apoiado, porque muitas vezes a existência de uma parteira numa localidade vai assegurar a diminuição da morte materna na região. Não vamos imaginar que num curto espaço de tempo será possível ou desejável que todos os partos na região amazônica sejam feitos fora do domicílio, exclusivamente em um ambiente hospitalar.

Outro aspecto que queria mencionar é a própria sustentabilidade da vida na Amazônia. Quando falo em sustentabilidade da vida na Amazônia, falo da sustentabilidade ambiental, da defesa do meio ambiente e da íntima relação que existe entre a sustentabilidade da vida e a atividade das mulheres amazônicas, das mulheres da floresta.

Ninguém preserva, entende ou sente tanto o que é preservar a vida em todas as suas dimensões quanto as mulheres. E é preciso que as mulheres amazônicas sejam apoiadas em suas atividades de empoderamento, atividades que lhes ampliem a autonomia econômica, e que essas atividades possam concorrer para um desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Portanto, a partir de um diagnóstico de pobreza das mulheres que vivem na Amazônia, das dificuldades extremas das mulheres trabalhadoras rurais e daquelas mulheres que exercem ação extrativista — as reservas extrativistas são extremamente importantes para essas mulheres —, estabelecemos uma série de programas.

Do ponto de vista da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, esse diagnóstico — para tentar respeitar o tempo — levou-nos, na conferência nacional realizada em agosto deste ano, a estabelecer com a bancada feminina da região amazônica o compromisso de que a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, particularmente na pessoa da Ministra, estaria presente a todas as conferências estaduais da região. E nós cumprimos com esse compromisso de acompanhar a discussão das mulheres da Amazônia nas conferências estaduais, para completar o nosso diagnóstico, ouvindo ali suas demandas e os desafios que elas precisam enfrentar na região.

Com isso, pudemos trazer para a Conferência Nacional a voz dessas mulheres, por meio da sua representação, o que propiciou que um problema desconhecido pelo Brasil tivesse visibilidade — o das mulheres que sofrem escalpelamento em barcos da região. Seus cabelos ficam presos no eixo dos barcos que ficam a descoberto. Isso é um problema gravíssimo, e estamos trabalhando, juntamente com o Ministério da Saúde, no sentido da reparação das mulheres escalpeladas por meio de cirurgia plástica. Nesta Casa, também há um projeto de lei para que seja obrigatória a cobertura dos motores, para que elas não sofram esse tipo de problema.

Por outro lado, o Presidente Lula anunciou, na abertura da nossa II Conferência Nacional, o Pacto Nacional pelo Enfrentamento da Violência Contra a Mulher, que faz parte da agenda social do nosso Governo e que reúne os esforços de diferentes Ministérios: da Saúde, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Justiça, da Cultura, além da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e da Secretaria de Políticas para as Mulheres. Elegemos 11 Estados prioritários para aplicar o pacto, de imediato, no seu primeiro ano de funcionamento. Dentre esses 11 Estados prioritários, elegemos 2 Estados da região amazônica — Amazonas e Pará, os 2 maiores — para estabelecermos ali um modelo de trabalho para os demais Estados, de maneira que possamos enfrentar todo esse conjunto de violências que as mulheres sofrem na região amazônica.

Complementarmente ao pacto, atendendo a um clamor da Marcha das Margaridas, que trouxe muitas “margaridas” da região amazônica, estabelecemos um fórum nacional com as mulheres do campo e da floresta para trabalhar um projeto específico de enfrentamento à violência contra as mulheres, porque toda a ação é ainda muito urbana, tem muita feição urbana. O fórum já está ocorrendo. Já realizamos várias reuniões, com o concurso de diferentes Ministérios, e vamos estabelecer estratégias específicas, porque as pequenas localidades, os municípios com menos de 50 mil habitantes, acabam ficando desassistidos.

Para ampliar essa possibilidade de assistência, uma das ações importantíssimas do pacto está ligada ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, porque estamos incorporando na rede de atenção às mulheres em situação de violência os CRAs e os CREAs, num processo de compartilhamento de ações, em que vamos capacitar o pessoal para não só atender, como também passar a identificar a violência doméstica intrafamiliar contra a mulher em todas as suas faixas etárias: a mulher idosa, a mulher adulta, as jovens, as meninas —sabemos que a violência doméstica acontece contra todas as mulheres.

Estamos trabalhando num programa que será lançado em janeiro e que também tem um foco importante, que é o trabalho de apoio ao empreendedorismo das mulheres. Faremos no início de dezembro uma oficina, para a qual convidaremos diferentes parceiros e parceiras da sociedade civil e parceiros institucionais, promovida pelo BNDES. Vão ser convidados a Caixa Econômica, o Banco do Brasil e o SEBRAE. O BNDES coloca bem grande o S do seu nome, apoiando a Secretaria de Políticas para as Mulheres na determinação do Presidente Lula de elaboração dessa agenda social articulada, para que possamos apoiar as mulheres na ampliação da sua autonomia econômica e no desenvolvimento do seu talento e, portanto, da sua capacidade de empreender para gerar renda.

Quero finalmente dizer que a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres está à disposição desta Casa para todas as iniciativas que digam respeito a promover a melhoria da qualidade de vida das mulheres que vivem na Amazônia, mulheres tão fortes, persistentes e resistentes.

Nessa semana, comemoramos o Dia da Consciência Negra e iniciamos a campanha de 16 dias no Brasil pelo fim da violência contra a mulher.

Muito obrigada. (Palmas.)



O SR. COORDENADOR (Senador Augusto Botelho) - Agradeço à Secretária Especial de Políticas para as Mulheres, Sra. Nilcéia Freire.

Para continuar falando sobre inclusão social e cidadania, passo a palavra à Secretária-Executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes, Ministra em exercício, por 10 minutos.



A SRA. MINISTRA MÁRCIA LOPES - Bom-dia a todos os participantes deste I Simpósio Amazônia e Desenvolvimento Nacional.

Senador Augusto Botelho, Coordenador desta mesa sobre inclusão social e cidadania, na pessoa de V.Exa., cumprimento todos os demais companheiros e convidados. Como disponho de 10 minutos, tenho de aproveitar o tempo. Também cumprimento a Deputada Vanessa Grazziotin, toda a comissão organizadora, as entidades que participam e protagonizaram a realização de evento dessa importância, que reúne aqui pessoas do Brasil inteiro, representações fundamentalmente da Região Norte do País.

Em nome do Ministro Patrus Ananias e de toda a equipe do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quero dizer da importância de debatermos cada vez mais e de integrarmos as diferentes políticas sociais. Esta mesa representa exatamente isso: a visão, a atuação e a orientação política que nos move, inclusive na condição de gestores públicos, responsáveis pela implementação e coordenação de políticas que, de fato, estruturem a vida das populações e das comunidades em todos os lugares deste País.

Inclusão social e cidadania são conceitos muito amplos, nos quais tudo pode caber. E sofremos, por vezes, riscos de esvaziar o objetivo mais importante — e presente em nossa Constituição — quando se estabelece um modelo de gestão das políticas públicas. E só há direito ou garantia de direito quando está presente o Estado. Por isso, é fundamental que entendamos que a nossa Constituição e todas as políticas setoriais previstas no seu texto, a exemplo da universalização do acesso aos direitos básicos, prevêem a perspectiva da descentralização e participação da sociedade. É, portanto, com essa base legal e política, que compreendemos a inclusão social e a cidadania.

Estamos falando de algo muito complexo, qual seja, dar garantias de melhor qualidade de vida a cada brasileiro, em especial às crianças, à juventude, às mulheres, aos idosos, a pessoas com deficiência, às comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas, à população de rua. Enfim, estamos falando de cada um dos brasileiros, no sentido de garantir-lhes acesso a um mínimo de serviços públicos, os quais devem ser prestados de forma organizada.

Por tudo isso, o nosso Ministério, assim como os colegas e companheiros que aqui vão se pronunciar — e a Ministra Nilcéa bem colocou os fundamentos da nossa relação com essa região tão importante para o País, para a qual o Presidente Lula, desde o início de seu Governo, direciona políticas e determina que resgatemos o atraso histórico desses investimentos, priorizando as Regiões Norte e Nordeste do País. E assim o faz S.Exa. em razão dos indicadores de mortalidade infantil, pobreza e fome, todos muito evidentes nessas regiões.

Portanto, é importante, como primeira diretriz, entendermos que nossas políticas se direcionam todo o tempo a essa tentativa de resgate de um passado histórico que banalizou a pobreza e outros fenômenos tão complexos do País, a exemplo dos que aqui foram citados.

Também é muito importante entendermos fundamental a presença do Estado para a garantia da inclusão social e da cidadania, que é nossa a responsabilidade de organizar, coordenar e criar uma estrutura de administração nas 3 esferas de governo — federal, estadual e municipal. Mas sempre, obviamente, numa relação intensa com a sociedade civil, com os movimentos sociais, enfim, com a base social.

É importante que tenhamos a compreensão de que há clara exigência na concepção da organização dessas políticas sociais. E, aí, não me refiro apenas às políticas de saúde, assistência social e segurança alimentar, estou falando das políticas na área de trabalho, educação, meio ambiente, mulheres, igualdade racial, indígena, infra-estrutura, segurança pública. Qualquer dessas políticas, obviamente, deve atender às necessidades do dia-a-dia, do cotidiano da pessoas.

Quando falamos sobre políticas públicas devemos ter a perspectiva de domínio da nossa realidade e o diagnóstico claro de onde vivemos, da nossa região e da dinâmica da cultura, da história e dos determinantes socioeconômicos da realidade de cada município ou comunidade de um Estado, de uma região e, finalmente, do País no contexto da América Latina e do mundo.

Falamos sobre a exigência de garantir uma estrutura de gestão dessas políticas em nível local, estadual e nacional. Falamos, igualmente, da exigência do financiamento dessas políticas e do investimento em recursos humanos que trabalham e atuam diretamente com os usuários das nossas políticas. Falamos da responsabilidade que temos de entender o controle social na perspectiva da participação, da democratização, da presença dos conselhos de políticas públicas e dos inúmeros fóruns e conferências.

Quanto a este último ponto, felizmente, o nosso Governo tem tratado esses eventos com muito cuidado. Realizamos inúmeras conferências e trouxemos a Brasília, pela primeira vez, organizações de mulheres, indígenas, afrodescendentes e assim por diante.

Particularmente, no Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome temos a responsabilidade de coordenar e implementar 2 grandes políticas públicas, quais sejam: a segurança alimentar, já prevista em lei federal, que busca a implementação de um sistema nacional de segurança alimentar e nutricional; e a assistência social, também prevista como política pública na Constituição de 1988 e na Lei Orgânica da Assistência Social.

Essas políticas devem responder às necessidades sociais e articular-se com as demais políticas públicas no sentido de garantir proteção, acolhimento, encaminhamento, formação, serviços, projetos e programas às populações que, em razões do ciclo de vida ou por situação de vulnerabilidade, são colocadas diante de necessidades que devem ser supridas pelo Estado e pelos entes federados.

Tudo isso inclui a coordenação e a implementação do grande programa de transferência de renda do Governo Lula, o Bolsa-Família, para o qual temos uma secretaria específica.

Há, também, uma estrutura no Ministério que cuida da avaliação e monitoramento dessas políticas.

Não há tempo hábil para apresentar o quadro que descreve as ações, programas, projetos e serviços no âmbito da chamada Amazônia Legal, que compreende os 7 Estados da Região Norte e parte de outros 2 Estados, os quais já foram nominados. Essas ações envolvem 454 municípios brasileiros.

Devo dizer que programas, projetos e serviços na área da segurança alimentar, assistência social e de transferência de renda só terão sustentabilidade se estiverem inseridos em um contexto de políticas que se organizam por meio de sistemas públicos.

O exemplo vem do protagonismo da saúde, que implementou o Sistema Único de Saúde na perspectiva da universalização, descentralização e participação da sociedade.

Ao que nos incumbe, estamos implementando o que está previsto na Lei Orgânica, que é o SUAS — Sistema Único de Assistência Social, e também o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. O que significa isso? Significa romper com uma história em que o Governo Federal, às vezes, de forma espontânea e descontínua, liberava recursos a Estados e Municípios sem assegurar aos governantes, à sociedade ou aos usuários a necessária sustentabilidade dessas políticas.

Implementar sistemas públicos significa garantir a continuidade de uma rede de serviços necessária ao atendimento das necessidades das comunidades e populações alvo dessas políticas.

Por isso, no caso da Amazônia, apenas 5 Municípios ainda não aderiram ao SUAS. Esperamos que muito em breve isso aconteça.

Praticamente 95% dos Municípios brasileiros aderiram ao Sistema Único e estão se organizando para implementar políticas na área de segurança alimentar. Isso significa garantir que os recursos transferidos pela União aos Municípios, hoje da ordem de R$24 bilhões — em 2002 foram apenas R$6 bilhões —, sejam aplicados de forma a atender as necessidades locais.

A organização dessa rede deve se dar, portanto, de forma interativa, a exemplo do que foi citado pela Ministra Nilcéa, quando falou sobre a perspectiva de atendimento às mulheres, às comunidades específicas tradicionais, integrando políticas na área de saúde, educação e trabalho. Essa fórmula se tem revelado bastante exitosa.

Quero apenas citar alguns números e programas, pois o tempo a mim destinado já se encerrou.

O Bolsa-Família, programa voltado para as famílias brasileiras em situação de pobreza, já conseguiu fazer o cadastro de 20 milhões de famílias. Isso não significa que são todas beneficiárias do referido programa, mesmo porque o cadastro único é um instrumento de base de dados para todas as políticas públicas do Governo. Mas 11 milhões dessas famílias cadastradas estão no programa. No caso da região amazônica, são 2 milhões de famílias.

Portanto, por meio do Bolsa-Família, há transferência de renda, acompanhamento da freqüência escolar, atendimento à saúde, vacinação, atenção às gestantes e também o atendimento às mulheres e às comunidades indígenas, quilombolas e ribeirinhas. E assim por diante.

Estamos implantando os Centros de Referência em Assistência Social —CRAS e os Centros de Referência Especializados em Assistência Social — CREA, os quais atenderão níveis diferenciados de complexidade das necessidades das famílias, pessoas e comunidades. Por exemplo, há previsão de 3 CRASs itinerantes na região amazônica, um deles já foi implantado em Coari. Trata-se de um barco que abriga uma equipe técnica, que leva às comunidades ribeirinhas os serviços necessários ao atendimento e faz o diagnóstico da realidade daquelas famílias.

Os Centros de Referência Especializados trabalham com situações de maior vulnerabilidade — violência contra mulheres, abuso sexual de crianças, prostituição infantil, populações de rua, idosos, pessoas com deficiência ou em situação de risco e vulnerabilidade etc.

São 586 CRASs na região desses Estados que pontuei, para os quais transferimos R$33 milhões este ano.

Há, também, benefícios de prestação continuada prestados pelo Ministério do Desenvolvimento Social. Trata-se da transferência de 1 salário mínimo para idosos e pessoas com deficiência. Na região amazônica são beneficiadas 240 mil pessoas com deficiência e 212 mil e 500 idosos.

Além disso, temos 14 restaurantes populares, 15 cozinhas comunitárias e o programa de aquisição de alimentos da agricultura familiar, que contempla, nos Estados da Amazônia, 14 mil pequenos agricultores, de quem compramos a produção para distribuir à rede socioassistencial, que envolve creches, escolas, enfim, inúmeras entidades.

Eu poderia falar aqui dos vinte e tantos programas relacionados aos Consórcios de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local — CONSADs, da carteira indígena, dos programas de inclusão produtiva na perspectiva da economia solidária, enfim, dos muitos programas que cada vez mais interagem e se integram.

A prioridade do Presidente, a exemplo do lançamento do PAC, foi lançar uma agenda social integrada. Estamos respondendo uma crítica quanto ao fato de que as políticas chegavam de forma fragmentada, isolada e individualizada.

Hoje, temos uma agenda integrada que envolve além de quem está aqui — inúmeros outros Ministérios. E a perspectiva de gênero, de igualdade racial, de descentralização e de respeito às especificidades de cada realidade está presente em nossas diretrizes.

Para concluir, quero dizer que, do ponto de vista do financiamento, há clara decisão de estruturarmos essa rede de proteção social em todos os municípios brasileiros e, particularmente, falando aqui, na região amazônica.

Estamos à disposição de todos por intermédio do nosso site. Trouxe vários materiais aqui para que os senhores não só conheçam como se integrem aos conselhos, às comissões que tomam as decisões sobre a alocação dos recursos. Hoje, nenhum recurso é transferido aos Estados e municípios, sem que isso seja aprovado pelas instâncias de controle social, pelos conselhos, pelas comissões de gestores. Peço ainda aos senhores que se inteirem do resultado das pesquisas e estudos sobre nossos programas, para nos ajudar a corrigir os rumos.

Estamos num caminho precioso de integração, e a questão socioambiental, para nós, é fundamental. Todos os nossos programas, projetos e serviços têm nas suas diretrizes a perspectiva da educação, da prevenção, do cuidado socioambiental. Essa não é uma cultura fácil de se alterar ou mudar nas populações e nos serviços e naqueles agentes que estão lá trabalhando com as comunidades, no dia‑a‑dia. Mas temos conseguido resultados muito importantes, parcerias com a sociedade civil, com inúmeras entidades. Mais de 40 mil entidades não governamentais que estão recebendo recursos e estão inseridas nessa rede que estamos financiando, apoiando e coordenando em âmbito nacional.

Agradeço à Comissão a oportunidade. Coloco-me à disposição e, por fim, ressalto que o único intuito do Ministério é o de cada vez mais contribuir para que a curva de redução das desigualdades, já apontada pelo PNAD, pelo IPEA e outros institutos, seja cada vez mais descendente, a fim de que os Brasil e as populações tenham garantia de acesso aos seus direitos fundamentais. Esse é o nosso maior objetivo.

Muito obrigada. (Palmas.)





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